O Enterro da Machadinha.


          ..."E perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores" ...da oração do "Pai Nosso".

          Existe nos Estados Unidos uma expressão popular referente ao perdão: "Enterrar a machadinha". Tal expressão provém de antigo costume dos índios, quando a machadinha era a arma mais usada pelos peles-vermelhas, em guerra.

          Acreditavam, eles que espíritos maus levavam os homens a se desentenderem, pondo-lhes ódio no coração. Toda vez que era liquidada uma questão receava-se que os espíritos maus continuassem sua obra de inspirar o ódio, de maneira que a machadinha era colocada em lugar onde não mais pudesse causar mal.

           Faziam uma cova profunda "quanto maior era o ódio mais profunda devia ser a cova" e durante o enterro as partes oponentes se punham junto à cova, falavam de suas ofensas e apaziguavam a alma, dizendo que com a machadinha, enterravam também suas injúrias mútuas. Isto, naturalmente, é superstição, mas os índios criam firmamente nessa cerimônia, e deste modo muita rixa violenta terminava em esquecimento.

          A vida do cristão não tem lugar para abrigo de ofensas. Se começarmos a contar as injúrias que nos fizeram, a anotar na memória toda palavra imerecida com que já nos mimosearam, estaremos bem encaminhados rumo a uma velhice precoce, murcha e azeda. A única maneira de nos mantermos "em forma", sempre jovens, é esquecer os erros que nos fizeram, e só nos lembrar do bem.

          Já notaram como a partida de uma pessoa dentre nó a deixa repetinamente boa? Esposas rezingam com o marido, filhos falam dos pais, e irmãos e irmãs às vezes, apenas se toleram. Mas é só um deles partir, e a sua ausência o transforma de súbito num santo e perfeito. Apenas são lembradas suas qualidades boas. E isto é bom. Mas melhor seria ainda que víssemos apenas o bem nas pessoas, também enquanto presentes.

          Em última análise, razão tinham os supersticiosos índios peles-vermelhas. Os espíritos máus estão a voar ao redor, procurando semear a discórdia entre nós. Como se deleitam eles nas rixas e resentimentos!

          Não é este, porém, o modo de viver Cristão. A falta de perdão nos torna inseguros. Desconfiamos de tudo e de todos. Não conseguimos abrir os braços para novas amizades. Quanto em nós não há amor, também não há Deus. O melhor a fazer, quando somos feridos, humilhados, perseguidos e afrontados, é colocar tudo nas mãos do Senhor. Declarar o nosso perdão e esquecer o mais rápido possível.

          Paulinha este texto é referente ao seu pedido, sai um pouco do teorico e escatológico estudo, para um texto prático e existencial. Nós veremos nas ante-salas da blogosfera. See you Later.

         Hubner Braz         
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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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3 Milhões de Confessos:

  1. Essa "teologia da machadinha" pele vermelha é muito boa!!

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  2. Hub, li os seus textos escatológicos mas resolvi não comentá-los pois eu não estava com muita vontade de debater temas que para mim já estão ultrapassados.

    De toda forma, dentro de uma perspectiva conservadora, os textos são muito bons.

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  3. Edu

    Que bom, tento esclarecer ao máximo e sei que nem chego aos pés das ideias dos confraternos.

    Abraçao

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