Eu estava na Gaiola e não sabia - Confissões do Eunuco à Felipe.


Eu era um eunuco, desde a infância fui preparado para ser um servo privado de minha masculinidade por toda vida. No principio eu tinha o “humilhante” e tentador trabalho de zelar pelas mulheres que formavam o harém do Rei, mas passado certo tempo adquiri uma posição de prestígio e cheguei ao topo, ao apogeu, era tudo que poderia galgar. Me tornei o principal administrador dos tesouros da rainha Candace. Eu me considerava educado, muito religioso e rico. Só que, quando a noite batia na minha porta eu não dormia...

Viajei centenas de milhas através de montanhas e desertos para adorar em Jerusalém. Apesar de ter adorado na mais solene cerimônia judaica do ano, meu futuro era negro, meu coração era vazio e destituído de paz. No deserto, sentei na minha carruagem, procurei as “escrituras” e busquei um raio de esperança para minha pobre alma perdida. Meu futuro era incerto ou talvez certo demais porque sabia que teria uma curta existência nesta Terra e nada mais...

Olhei para ao horizonte invadido por uma tremenda escuridão, ninguém estava lá a não ser o sussurro do meu coração. Foi quando uma voz me surpreendeu, e certo homem apareceu. Foi no conto que ele me esclareceu, revelando as verdades cegas pelo status do meu apogeu...

Ele disse-me: [No meio de um trigal, à beira de um rio de águas cristalinas, vi uma gaiola que havia sido confeccionada por mãos habilidosas. Num canto da gaiola, havia um pássaro morto, e noutro, um copo sem água e um prato sem sementes. E compreendi que aquele pobre pássaro havia lutado contra a sede ao lado de um rio e contra a fome no meio de um trigal. E vi, de repente, a gaiola transformar-se num homem, e o pássaro, num coração ferido e sangrento. Ouvi o sussurro da própria ferida dizendo “era um coração, prisioneiro da matéria e vítima das leis impostas pelo homem. Entre os campos do prazer, ao lado dos rios da vida, fui encarcerado na gaiola das diversas e fulteis teorias. No meio das belezas das mulheres, entre os amores e desamores, morri de privação, pois tudo que desejo é proibido pelo homem tornando vergonhoso e tudo o que amo é por ele condenado como indigno. Agonizei e morri, perante os olhos secos e o sorriso indiferente da humanidade.” Parecia o clamor do sangue de abel que saia como gotas do coração ferido.]

Ao terminado do conto, ele olhou, atentou, folheou, explicou, ensinou e redargüiu tudo que está na escritura e até as profecias de um certo Messias que se cumpriu. Foi então que percebi a razão de ser infeliz, era por causa das filosofias, mitos, seitas, leis, ciência, dogmas, teorias e religiões vãs que cegaram-me, pois me sentia como um pássaro engaiolado e agora serei batizado, serei livre, sairei da prisão, estarei fora desta gaiola. Eu conheci a verdade, a verdade me libertou e verdadeiramente sou livre.

Obrigado Felipe por me devolver a minha visão, agora enxergo a realidade e choro por muitos que ainda estão engaiolados...

Sentirei saudades,

O Eunuco (Servo da rainha da Etiópia)
Texto baseado em At: 8.36 (Uma História de Ficção) 

Entre conchetes [ ] está o Conto: A Visão - do livro "Parábolas" de Khalil Gibran na pág. 114 da Editora ACIGI editado em 1976. (O conto encontra com algumas alterações feita pelo autor do blog "Confissões Insanas")
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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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