Vagabundo Confesso - Capítulo 7: É Um Assalto!

No capítulo anterior de Vagabundo Confesso: Eric conhece a Cracolândia. Faz amizades com o pessoal de lá. Briga com o seu novo amigo, abandonado pelo próprio por causa de uma briga entre amigos, procura um lugar para sentar; passado alguns minutos aparecem do nada uma mulher oferecendo uma carona.

Vagabundo Confesso
Capítulo 7: É Um Assalto!
Autor: O Varão
Escritura e revisão gramatical: Hubner Braz
Colaborador: O Divino

Cinco da madrugada, enquanto esperava o despertar do dia, sentado no acostamento da rua. Fui surpreendido pela carona de uma linda mulher. E pensar que há alguns minutos atrás eu presenciei a dura realidade dos brasileiros...

As Prostitutas de caminho às padarias para comprarem o pão do dia; ladrões saindo dos esconderijos, nos becos, decepcionados por não ter conseguido vitimas fáceis; mendigos ainda dormindo encostado em paredes tentando se aquecer; várias luzes por cima de mim vindas dos apartamentos dos altos edifícios onde pessoas se escondem; outros esperando nervosos a sua condução nos pontos de ônibus; Folhas velhas de jornal voando com o vento do inverno para logo cair junto ao resto do lixo da cidade; Carros desesperados passando a milhão e lançando fumaça fazendo sua parte na poluição. Eu olhei tudo isso, e apesar de toda aquela cena que presenciei, percebe-se a beleza na liberdade.

Tirei a mochila pesada do meu colo e joguei no bagageiro de trás. Tudo aquilo era estranho, sabe quando você sente um vazio dentro de você, mais não é fome, não é nada que você consiga definir. É desse jeito que estava sentido. Mesmo assim parecia que eu a conhecia de algum lugar.

- Oi Eric, como você continua deslumbrante, lembra-se de mim? (Ela disse rapidamente).

Agora me confundi de vez, como ela sabe meu nome? Parecia que eu estava em estado de estagnação. Nem sei o que ocorreu, mas não saiu palavra alguma da minha boca por cerca de 10 minutos a não ser um...
  
- Ahmm
- Sou eu, a Suh. Ela disse com voz encantadora.
- Que ótimo, é você! - pensei que era a pessoa que tem sequestrado a muitos por aí. Inclusive, para mim você tinha sido sequestrada na naquele dia do Batom Vermelho na parede.
- Batom? O que houve, quando eu estava ausente...
- Vou tentar de lembrar... Naquele dia que faltou a luz no hospital, você sumiu e momentos depois a luz regressou eu olhei na parede algo assustador escrito de batom vermelho deixou-me muito preocupado...

Antes que eu terminasse a conversa, ela me interrompeu dizendo.
- Eric deixa pra lá, não quero saber daquele dia, o que eu quero fazer mesmo é se você quer aventurar no litoral praiano de São Paulo. Descobri pistas lá que ajudará você, lá é o canal para desvendar tudo.

Já estava feliz em saber que ela vive, e ainda mais agora..., estou feliz multiplicado 3X. Eitáááá.

Seguimos estrada abaixo. Janelas abertas que possibilitava a entrada do vento que envolvia o interior do carro trazendo um ar de nostalgia à liberdade incondicional, o efeito era prazeroso eu me sentia corroído, e aos poucos era como se meus dias fossem contados de trás pra frente.

As faixas pintadas no meio do tapete negro e infinito era o convite perfeito para irmos seguros. A brisa do mar cada vez mais perto aumentava a adrenalina do coração. Já não importava mais as pessoas que deixei de conhecer; a saudades que eu deixei de sentir, os lugares que ainda não conheci; as bocas que deixei de beijar.

Sinto-me como um pássaro preso dentro de uma gaiola, com a diferença que a gaiola está aberta. Por um relance, eu não conseguia sair, não conseguia me permitir, não conseguia sentir a realidade, mas agora sinto, saio e me liberto.

Por volta das 3 horas da tarde paramos o carro naqueles postos que os caminhoneiros usam para descansar. Exaustos e com fome saímos para esticar as pernas e entramos na loja de conveniência do posto.

Não era uma loja qualquer, tinha um ar juvenil comparado aos grandes Shoppings do Brasil e com um diferencial, havia relíquias de colecionadores por toda parte desde armaduras medievais até vasos de barros oriunda das tribos de todo mundo. Sentamos e pedimos um café com salgado, a garçonete que por sinal era semelhante a uma Barbie, linda e atraente serviu-nos com incrível gentileza.  De tanto admira-la a Susana puxou minha orelha pedindo respeito. O que eu poderia fazer... É instinto.

Agora, mais calmo eu a scaneei da cabeça a ponta dos pés, e notei que ela estava sem aliança. – Suh, por que você está sem aliança.
- Eric, eu iria te contar..., é que eu...

(Pausa Insana)
Flash Back do Vagabundo Confesso

A Susana é especial, uma das pessoas que entre idas e vindas foi uma das partes mais marcantes da minha vida, as palavras doces, as ideias quase sempre parecidas e até o jeito de se vestir. Camisa solta, calça livre, tênis surrado e sem qualquer coisa que nos sufoque.

Conheci a Suh cruzando o pátio do orfanato, cambaleando para os lados e procurando alguma coisa que a possibilite escapar, ela me mostrou o que eu procurava naquele instante violão, uma boa conversa e o lugar onde fica a adega de vinhos.

Foi lá na adega que aprontamos pela primeira vez... Bom esse é a Susana, agora voltamos à história.
(Continuação Insana)

Enquanto nós deliciávamos com o salgado e o café, ouvimos um inicio de um grande tumulto lá fora. Próximo aos caixas eletrônicos de bancos. Olhei pela fresta da janela, pessoas encapuçadas e armados até os dentes, eles rederam todos, explodiram os caixas e não tiveram sorte porque explodiram seu carro também.

Só faltava render os que estavam dentro da conveniência. Nem deu tempo para ela terminar a revelação e eles já entraram gritando:
- É um assalto, todos para o chão.

Caí desesperadamente derrubando a Susana no piso frio, ao ponto de deparar meu rosto entre seus seios volumosos. Ao mesmo tempo em que sentia medo, também me senti pouco constrangido. A minha intenção, protegê-la a qualquer custo.

Intenção essa que desmoronou quando eles gritaram. – De quem é aquele carro preto lá fora?

Ela diz: - É meu! (Eu suava que nem o monte Evereste no verão). E o que passava em minha mente, bem... “Como pode ela querer livrar a todos, entregando-se como ovelha muda ao matadouro”.

Eles agarram-na no braço ao ponto de deixar as marcas dos dedos calejados e gritam: - Então vamos galera, jogue logo a chave na minha mão sua safada. Vai, vai, vai!!!

Eu não acreditava no que acontecia, de novo, sem ela... Acho que dessa vez não aquentaria viver sem ela...

O que a Susana queria revelar? Aonde os ladrões vão levá-la? Será que Susana entrou no carro? Daqui pra frente, o que acontecerá com o Eric? ? Não perca o próximo capitulo do Vagabundo Confesso em 17 de Agosto. (Passível de revisão)

#Fotografia: André Lavenère (Acrescentado o texto sobre ele pelo autor do Blog)
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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.