Lição 9 – Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo – 01 de Setembro de 2013 – CPAD

Lição 9 – 01 de Setembro de 2013 - CPAD

Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo

TEXTO ÁUREO

Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo (Fp 3.18).

VERDADE PRÁTICA

A cruz de Cristo é o ponto central da fé cristã: sem ela não pode haver cristianismo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 3.17-21
17 - Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam.
18 - Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.
19 - O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos, que só pensam nas coisas terrenas.
20 - Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
21 - que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

É estranho ver Paulo chorando em uma carta cheia de alegria! Talvez esteja se lamentando por si mesmo e por sua situação difícil! Não, ele é um homem de determinação, e as circunstâncias não o desanimam. Será que está chorando por causa do que alguns cristãos de Roma faziam com ele? Não, ele tem uma atitude de submissão e não permite que as pessoas o privem de sua alegria. Essas lágrimas não são por si mesmo, mas por outros. Um a vez que Paulo tem disposição espiritual, encontra-se profundamente entristecido pelo modo de vida de alguns que se dizem cristãos, pessoas que "se preocupam com as coisas terrenas".

Apesar de não ser possível afirmar com certeza, é bem provável que Filipenses 3:18, 19 seja uma descrição dos judaizantes e de seus seguidores. Sem dúvida, Paulo está escrevendo sobre cristãos professos, não sobre gente de fora da igreja. Os judaizantes eram "inimigos da cruz de Cristo", pois acrescentavam a Lei de Moisés à obra da redenção que Cristo ha via realizado na cruz. Por causa de sua obediência às leis alimentares do Antigo Testamento, pode-se dizer que "o deus deles é o ventre" (ver Cl 2:20-23); e sua ênfase sobre a circuncisão corresponderia a glorificar-se em algo que deveria ser motivo de vergonha (ver Cl 6:12-15). Esses indivíduos não tinham disposição espiritual, mas sim inclinação para as coisas terrenas. Apegavam-se a credos religiosos e a rituais terrenos que Deus havia dado a Israel e se opunham às bênçãos que o cristão tem em Cristo (E f 1:3; 2:6; Cl 3:1-3).

O adjetivo "espiritual" é usado tão indevidamente quanto o termo "comunhão". Muita gente acredita que o "cristão espiritual" é místico, distante, sem qualquer senso prático e dado a devaneios. Quando ora, sua voz adquire um tom lúgubre e trêmulo e faz grandes esforços para informar a Deus coisas que ele já sabe. Infelizmente, esse tipo de piedade fervorosa é um péssimo exemplo do que vem a ser a verdadeira espiritualidade. A pessoa que possui uma disposição espiritual não precisa ser mística nem deixar de ser prática. Pelo contrário, a disposição espiritual leva o cristão a pensar com mais clareza e a fazer as coisas com mais eficiência.

Ter "disposição espiritual" significa, simplesmente, olhar para a Terra do ponto de vista do céu. "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra" (Cl 3:2). D. L. Moody costumava repreender os cristãos por "pensarem tanto no céu a ponto de não valerem coisa alguma na Terra", e sua exortação continua sendo pertinente. 

Os cristãos possuem dupla cidadania - celestial e terrena, e nossa cidadania no céu deve nos tornar pessoas melhores na Terra. O cristão com disposição espiritual não se sente atraído pelas "coisas" deste mundo. Toma suas decisões com base em valores eternos, não nos modismos passageiros da sociedade. Por causa de seus valores terrenos, Ló escolheu as planícies irrigadas do Jordão e acabou perdendo tudo. Moisés recusou os prazeres e tesouros do Egito, pois sua vida tinha um propósito infinitamente mais maravilhoso (Hb 11:24-26). "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8:36). 

"Pois a nossa pátria está nos céus" (Fp 3:20). O termo grego traduzido por "pátria" ou "cidadania" dá origem à palavra "política" em nossa língua. É relacionado ao comportamento de um indivíduo como cidadão de uma nação. Paulo nos incentiva a ter disposição espiritual e, para isso, ressalta as características do cristão cuja cidadania está no céu. Assim como Filipos era uma colônia de Roma em território estrangeiro, também a Igreja é uma "colônia do céu" na Terra.

NOSSO NOME ESTÁ REGISTRADO NO CÉU

Os cidadãos de Filipos desfrutavam do privilégio de ser cidadãos de Roma fora de Roma. Quando um bebê nascia em Filipos, era necessário incluir seu nome nos registros locais. Quando o pecador aceita a Cristo e se torna um cidadão do céu, seu nome é escrito no "Livro da Vida" (Fp 4:3).

A cidadania é importante. Quando viajamos para outro país, é essencial ter um passaporte que comprove nossa cidadania. Ninguém quer ter a mesma sina que Philip Nolan no conto clássico The Man Withouta Country [O H om em sem País], Nolan amaldiçoou o nome de seu país e, por isso, foi condenado a viver a bordo de um navio e nunca mais ver sua terra natal nem sequer ouvir seu nome ou receber notícias acerca do seu progresso. Passou 56 anos em uma viagem interminável de navio em navio, de mar em mar e, por fim, foi sepultado nas águas do oceano. Nolan foi um "homem sem país".

O nome do cristão está escrito no Livro da Vida, e é isso o que determina sua entrada final no país celestial (Ap 20:15). Quando confessamos Cristo na Terra, ele confessa nosso nome no céu (M t 10:32, 33). Nosso nome "está arrolado nos céus" (Lc 10:20) e ficará registrado lá para sempre (o verbo grego traduzido por "arrolar", em Lc 10:20, encontra-se no tempo perfeito: está e permanecerá arrolado de uma vez por todas).

Uma pessoa que mora em Washington D.C. providenciou para que meu filho e eu fizéssemos um tour pela Casa Branca. Disse que deveríamos estar em certo portão às 8 horas da manhã e pediu que levássemos algum documento de identificação. David e eu fomos até o portão onde, muito educadamente, um guarda perguntou nosso nome. Nós lhe respondemos, mostrando nossos documentos, e ele disse:

- Muito bem, Sr. Warren Wiersbee David, vocês podem entrar!

Conseguimos entrar na Casa Branca porque nossos nomes estavam anotados em uma lista apropriada, na qual foram incluídos a pedido de outra pessoa. O mesmo se aplica a nossa entrada no céu: quando aceitamos a Cristo, nosso nome foi registrado, e entraremos na glória somente por causa dos méritos dele e de sua intercessão.

Falamos a linguagem do céu. 

Os que "só se preocupam com as coisas terrenas" falam de coisas terrenas. A final, o que sai da boca revela o que se encontra no coração (Mt 12:34-37). O não salvo não compreende as coisas do Espírito de Deus (1 Co 2:14-16), de modo que não é capaz de falar sobre esses assuntos. Os cidadãos do céu compreendem as coisas espirituais, gostam de falar sobre elas e de compartilhá-las uns com os outros.

"Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro" (1 Jo 4:5, 6).

Mas falar a linguagem do céu não envolve apenas o que se diz; também se refere a como se diz. O cristão com disposição espiritual não sai por aí citando versículos bíblicos o dia todo! Tem cuidado, porém, de falar de maneira a glorificar a Deus. "A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um" (Cl 4:6). Nossas palavras devem demonstrar moderação e pureza. "N ã o saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem" (Ef 4:29).

Obedecemos às leis do céu

Os cidadãos de Filipos não eram governados pela legislação grega, mas sim pelas leis de Roma, apesar de estarem a centenas de quilômetros da capital do império. Na verdade, foi por causa dessa política que Paulo acabou sendo preso quando visitou Filipos pela primeira vez (At 16:16-24). O apóstolo usou sua cidadania romana para lhe garantir proteção sob a lei romana (At 16:35-40; 21:33-40.

Em Filipenses 3:17, Paulo adverte os cristãos filipenses a não imitarem o tipo errado de cidadão. "Sede imitadores meus." É evidente que Paulo era imitador de Cristo, de modo que não se trata de uma admoestação egotista (1 Co 11:1). Paulo considerava-se um "estrangeiro" neste mundo, um "peregrino e forasteiro" (ver 1 Pe 2:11). 

Sua vida era governada pelas leis do céu, e era isso o que o tornava diferente. Preocupava-se com os outros, não consigo mesmo; estava interessado em dar, não em receber; era motivado pelo amor (2 Co 5:14), não pelo ódio. Pela fé, Paulo obedecia à Palavra de Deus, sabendo que, um dia, seria recompensado. Ainda que, no presente, estivesse sofrendo oposição e perseguição dos homens, no dia do julgamento final, seria vitorioso.

Infelizmente, como no tempo de Paulo, ainda há quem afirme ser cidadão do céu, mas cuja vida não condiz com essa declaração. Pode ser um indivíduo zeloso em suas atividades religiosas, até mesmo austero em suas disciplinas, mas não mostrar qualquer sinal de que é o Espírito de Deus que controla sua vida. Tudo o que faz é motivado pela carne; ele próprio recebe toda a glória e, para piorar, além de estar desviado, também faz outros se desviarem. Não é de se admirar que Paulo tenha chorado por isso.

Somos leais à causa do céu

A cruz de Jesus Cristo é o tema da Bíblia, o cerne do evangelho e a principal fonte de louvor no céu (Ap 5:8-10). A cruz é prova do amor de Deus pelos pecadores (Rm 5:8) e de sua aversão ao pecado. Ela condena o que o mundo valoriza. Julga a humanidade e declara o veredicto incontestável: culpados!

Em que sentido os judaizantes eram "inimigos da cruz de Cristo"? Em primeiro lugar, a cruz deu cabo da religião do Antigo Testamento. Através do véu do templo rasgado em duas partes, Deus anunciava que o caminho para ele se encontrava aberto por meio de Cristo (Hb 10:19-25). Quando Jesus clamou: "Está consumado!", fez um único sacrifício por todos os pecados e, desse modo, pôs fim ao sistema sacrificial (H b 10:1-14).

Por meio de sua morte e ressurreição, Jesus realizou a "circuncisão espiritual" que tornava a circuncisão ritual desnecessária (Cl 2:10-13). Tudo aquilo que os judaizantes defendiam havia sido eliminado pela morte de Cristo na cruz!

Além do mais, tudo aquilo a que se dedicavam era condenado pela cruz. 

Jesus havia derrubado o muro de separação entre judeus e gentios (Ef 2:14-16), e os judaizantes estavam reconstruindo esse muro! Obedeciam às "ordenanças da carne" (H b 9:10), regras atraentes para a carne e não dirigidas pelo Espírito. O verdadeiro cristão crucifica a carne (G l 5:24) e também o mundo (Gl 6:14). No entanto, os judaizantes preocupavam-se "com as coisas terrenas". 

A cruz deve ser o centro da vida do cristão. Ele não se gloria em homens, em religião nem nas próprias realizações; ele se gloria na cruz (Gl 6:14).


Paulo chora porque sabe o que o futuro reserva para esses homens: "O destino deles é a perdição" (Fp 3:19).  Essa palavra dá a ideia de esbanjamento e de extravio (é traduzida por "desperdício" em M c 14:4).
Esse é o termo usado no texto original, quando Judas é chamado de "filho da perdição" (Jo 17:12). Uma vida desperdiçada e uma eternidade de perdição! Entretanto, o verdadeiro filho de Deus, cuja cidadania está no céu, tem um futuro esplendoroso.

Aguardamos o Senhor do céu

Os judaizantes viviam no passado, tentando convencer os filipenses a voltar a Moisés e à Lei, mas o verdadeiro cristão vive no futuro, aguardando a volta de seu Salvador (Fp 3:20, 21). Como contado em Filipenses 3:1­11, Paulo descobriu novos valores. Com o atleta em Filipenses 3:12-16, demonstrou novo vigor. Agora, como estrangeiro, tem uma nova visão: "Aguardamos o Salvador!" É essa expectativa da vinda de Cristo que motiva o cristão com disposição espiritual.

Um a esperança futura exerce grande poder no presente. Por causa da expectativa de habitar em uma cidade, Abraão contentou-se em viver em uma tenda (Hb 11:13-16). Por causa da expectativa de recompensas do céu, Moisés dispôs-se a abrir mão dos tesouros na Terra (Hb 11:24­26). Por causa "da alegria que lhe estava proposta" (Hb 12:2), Jesus dispôs-se a sofrer na cruz. O fato de que Jesus Cristo vai voltar é uma forte motivação para vivermos de modo consagrado e para trabalharmos com dedicação hoje. "E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro" (ver 1 Jo 2:28 - 3:3).

O cidadão do céu que vive na Terra não fica desanimado, pois sabe que, um dia, seu Senhor vai voltar. Continua realizando seu trabalho com toda dedicação para que seu Senhor não volte e o encontre vivendo em desobediência (Lc 12:40-48). O cristão com disposição espiritual não vive em função das coisas deste mundo; antes, vive na expectativa das coisas do mundo por vir. Isso não significa que ignora suas responsabilidades diárias ou delas descuida, mas sim que seus atos no presente são governados por aquilo que Cristo fará no futuro.

Paulo menciona, de modo específico, que o cristão receberá um corpo glorificado, como o corpo de Cristo. Hoje, vivemos em um "corpo de humilhação" (Fp 3:21); mas quando virmos a Cristo, receberemos um corpo de glória. Acontecerá num instante, num piscar de olhos (1 Co 15:42-53)! Então, todas as coisas do mundo deixarão de ter valor para nós, como não devem, relativamente, ter hoje em dia! Se estivermos vivendo no futuro, exercitaremos a disposição espiritual e viveremos para as coisas verdadeiramente importantes.

Quando Jesus voltar, há de "subordinar a si todas as coisas" (Fp 3:21b). O termo "subordinar" significa "organizar em ordem de dependência, do inferior ao superior". Esse é o problema hoje em dia: não colocar as coisas na devida ordem de prioridade.

Uma vez que nossos valores encontram-se distorcidos, desperdiçamos nosso vigor em atividades inúteis, e nossa visão está de tal modo obscurecida que a volta de Cristo não parece ter qualquer poder para motivar nossa vida. Viver no futuro significa deixar que Cristo ordene as coisas de acordo com a verdadeira importância. Significa vislumbrar sempre os valores celestiais e ter a ousadia de crer na promessa de Deus que diz: "aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1 Jo 2:17).

INTERAÇÃO
No capítulo três da Carta aos Filipenses, Paulo faz uma severa advertência contra os judaizantes, denominados pelo apóstolo de "inimigos da cruz de Cristo". Estes apregoavam o legalismo, a lei e os códigos de conduta, porém não conheciam a cruz de Cristo. Todavia, Paulo chama a atenção não somente a respeito dos judaizantes, mas também quanto os irmãos que não viviam de acordo com o modelo de serviço e sacrifício de Cristo. Paulo pede aos filipenses que lutem contra estes inimigos a fim de que não venham sucumbir na fé. Esta advertência de Paulo deve ser levada a sério pela igreja na atualidade, pois atualmente também muitos são os inimigos da cruz de Cristo

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se a respeito da necessidade de se manter firme em Cristo. 
Saber quais são os inimigos da cruz de Cristo
Aprender a respeito do futuro glorioso daqueles que amam a cruz de Cristo.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, para a apresentação do tópico II da lição sugerimos que o quadro abaixo seja reproduzido de acordo com as suas possibilidades. Divida a turma em grupos e distribua cópias e canetas. Em seguida faça as seguintes indagações: "Quem são os inimigos da cruz de Cristo?" "Como combater estes inimigos?" Ouça a todos com atenção e em seguida peça que em grupo preencham o quadro. Reúna novamente os grupos. Solicite que mostrem o quadro completo e discuta com os alunos as respostas. Conclua enfatizando que para identificarmos e combatermos os inimigos da cruz de Cristo precisamos conhecer a Palavra de Deus e perseverar na doutrina dos apóstolos

INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO
CARACTERÍSTICAS
O QUE A PALAVRA DE DEUS DIZ A RESPEITO

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

PALAVRA-CHAVE
Inimigos: Na lição são os judaizantes e aqueles que não tinham comunhão com a cruz de Cristo.

Das advertências de Paulo à igreja em Filipos, a exortação para que permanecessem firmes na fé e mantivessem a alegria que a nova vida em Cristo proporciona, é uma das mais importantes. O apóstolo assim os estimula, por estar ciente dos falsos cristãos que haviam se infiltrado no seio da igreja. Tais eram, de fato, inimigos da cruz de Cristo.

I. EXORTAÇÃO À FIRMEZA EM CRISTO (3.17 Irmãos, sede meus imitadores, e observai os que andam segundo o exemplo que tendes em nós.)

1. Imitando o exemplo de Paulo (v.17a). Quando Paulo pediu aos filipenses para que o imitassem, não estava sendo presunçoso. Precisamos compreender a atitude do apóstolo não como falta de modéstia, ou falsa humildade, mas imbuída de uma coragem espiritual e moral de colocar-se, em Cristo, como referência de vida e fé para aquela igreja (1 Co 4.16,17; 11.1; Ef 5.1). Paulo mostrou que a verdadeira humildade acata serenamente a responsabilidade de vivermos uma vida digna de ser imitada. Que saibamos refletir sobre isso num tempo em que estamos carentes de referências ministeriais.

2. O exemplo de outros obreiros fiéis (v.17b). O texto da ARA tem uma tradução melhor dessa passagem: "observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós". Paulo estava reconhecendo o valor da influência testemunhal de outros cristãos, entre os quais Timóteo e Epafrodito, que eram referências para as suas comunidades. O apóstolo chama a atenção dos cristãos filipenses para observarem os fiéis e aprenderem uns com os outros objetivando a não se desviarem da fé.

3. Tendo outro estilo de vida. Muitas vezes somos forçados a acreditar que somente os obreiros devem ter um estilo de vida separado exclusivamente a Deus. Essa dualidade entre "clero" e "leigos" remonta à velha prática eclesiástica estabelecida pela Igreja Romana, na Idade Média, onde uma elite (o clero) governa a igreja e esta (os leigos) se torna refém daquela. É urgente resgatar o ideal da Reforma Protestante, ou seja, a "doutrina do sacerdócio de todos os crentes", ou "Sacerdócio Universal", reivindicada em 1 Pedro 2.9 (Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.). Todos nós, obreiros ou não, temos o livre acesso ao trono da Graça de Deus por Cristo Jesus. Não tentemos costurar o véu que Deus rasgou!

 SINÓPSE DO TÓPICO (1)
Todo crente, obreiros ou não, tem livre acesso ao trono da Graça de Deus por Cristo Jesus.

REFLEXÃO
“Todos nós, obreiros ou não, temos o livre acesso ao trono da graça de Deus por Cristo Jesus. Não tentemos costurar o véu que Deus rasgou.”

II. OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO (3.18,19 Pois muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora novamente digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O seu fim é a perdição, o seu Deus é o ventre, e a sua glória é a vergonha. Só pensam nas coisas terrenas.)

1. Os inimigos da cruz (v.18). Depois de identificar os inimigos da cruz de Cristo, Paulo mostra que o ministério pastoral é regado com muitas lágrimas. A maior luta do apóstolo era com as heresias dos falsos cristãos judeus. Paulo chama os judaizantes de "inimigos da cruz de Cristo". O apóstolo conclamou a igreja a resistir tais inimigos, mesmo que com lágrimas, pois eles tinham como objetivo principal minar a sua autoridade pastoral. O apóstolo já havia enfrentado inimigos semelhantes em Corinto (1 Co 6.12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.). Agora, em Filipos, havia outro grupo que adotava a doutrina gnóstica. Este grupo de falsos crentes (3.18,19) afirmava erroneamente que a matéria é ruim. Logo, não há nenhum problema em pecar através da "carne", pois toda e qualquer coisa que fizermos com o corpo, e através dele, não afetará a nossa alma. Essa ideia herética e diabólica é energicamente refutada pela Palavra de Deus (1 Ts 5.23 O mesmo Deus de paz vos santifique completamente. E todo o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.).

2. "O deus deles é o ventre" (3.19 O seu fim é a perdição, o seu Deus é o ventre, e a sua glória é a vergonha. Só pensam nas coisas terrenas.). O termo "ventre" aqui é figurado e representa os "apetites" carnais e sensuais. Os inimigos da cruz viviam para satisfazer os prazeres da carne - glutonaria, bebedice, imoralidade sexual, etc. - satisfazendo todos os desejos lascivos, pois acreditavam que tais atitudes "meramente carnais" não afetariam a alma nem o espírito. Porém, o ensino de Paulo aos gálatas derruba por terra esse equivocado pensamento (Gl 5.16,17 Digo, porém: Andai no Espírito, e não satisfareis à concupiscência da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito o que é contrário à carne. Estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.).

3. "A glória deles" (3.19 O seu fim é a perdição, o seu Deus é o ventre, e a sua glória é a vergonha. Só pensam nas coisas terrenas.). Paulo sabia que aqueles falsos crentes não tinham qualquer escrúpulo nem vergonha. Entregavam-se às degradações morais sem o menor pudor e, mesmo assim, queriam estar na igreja como se nada tivessem feito de errado. O apóstolo os trata como inimigos da cruz de Cristo, porque as atitudes deles invalidavam a obra expiatória do Senhor. A declaração paulina é enfática acerca daqueles que negam a eficácia da cruz de Cristo: a perdição eterna.

O castigo dos ímpios será inevitável e eterno (Ap 21.8 Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte.; Mt 25.46 E irão estes para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.). Um dia, eles ressuscitarão para se apresentarem diante do Grande Trono Branco, no Juízo Final, e serão julgados e lançados na Geena (o lago de fogo), que é o estado final dos ímpios e dos demônios (Ap 20.11-15).

SINÓPSE DO TÓPICO (2)

Paulo conclamou a igreja a resistir os inimigos da cruz de Cristo, mesmo que com lágrimas. Estes inimigos tinham como objetivo principal minar a fé dos irmãos.

III. - O FUTURO GLORIOSO DOS QUE AMAM A CRUZ DE CRISTO (3.20,21 Mas a nossa pátria está nos céus, de onde esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo de humilhação, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.)

1. "Mas a nossa cidade está nos céus" 

(Fp 3.20 Mas a nossa pátria está nos céus, de onde esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,). Os inimigos da cruz de Cristo eram os crentes que viviam para as coisas terrenas. Paulo, então, lembra aos irmãos de Filipos que "a nossa cidade está nos céus". Quando o apóstolo escreveu tais palavras, ele tomou como exemplo a cidade de Filipos. Segundo a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, "Filipos estava localizada na principal rota de transportes da Macedônia, uma extensão da Via Ápia, que unia a parte oriental do império à Itália".

O apóstolo faz questão de mostrar que aquilo que Cristo tem preparado para os crentes é algo muito superior a Filipos (v.20). O apóstolo mostra que o cidadão romano honrava a César, porém os crentes de Filipos deveriam honrar muito mais a Jesus Cristo, o Rei da pátria celestial. Em breve o Senhor virá sobre as nuvens do céu com poder e glória, para arrebatar a sua igreja levando-a para a cidade celeste, a Nova Jerusalém (Mt 24.31 E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.; At 1.9-11).

2. "Que transformará o nosso corpo abatido" 

(Fp 3.21 que transformará o nosso corpo de humilhação, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.). O estado atual do nosso corpo é de fraqueza, pois ainda estamos sujeitos às enfermidades e à morte. Mas um dia receberemos um corpo glorificado e incorruptível. Os gnósticos ensinavam que o mal era inerente ao corpo. Por isso, diziam que só se deve servir a Deus com o espírito. Eles afirmavam ainda que de nada aproveita cuidar do corpo, pois este se perderá. Erroneamente, acrescentavam que o interesse de Cristo é salvar apenas o espírito.

A Palavra de Deus refuta tal doutrina. Ainda que venhamos a sucumbir à morte, seremos um dia transformados e teremos um corpo glorioso semelhante ao de Cristo glorificado (Fp 3.21; 1 Ts 5.23 O mesmo Deus de paz vos santifique completamente. E todo o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.; 1 Co 15.42-54).

3. Vivendo em esperança

Vivemos tempos trabalhosos e difíceis (2 Tm 3.1-9). Quantas falsas doutrinas querem adentrar nossas igrejas. Infelizmente, não são poucos os que naufragam na fé. Nós, contudo, à semelhança de Paulo, nutrimos uma gloriosa esperança (Rm 8.18 Para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.). Haja o que houver, aconteça o que acontecer, o nosso coração estará seguro em Deus e em sua promessa (Ap 7.17 Pois o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.; 21.4).

SINÓPSE DO TÓPICO (3)

À semelhança de Paulo precisamos ter a confiança de que o futuro daqueles que amam a cruz de Cristo será glorioso. 

REFLEXÃO

“A aliança deles (filipenses) com Deus do céu é tão forte que eles permaneceriam firmes na batalha contra os oponentes, o que estavam comprometidos com a perspectivas caída e os desejos terrenos. A esperança dos santos é que o céu completará o processo e os libertará, transformando seu corpo abatido”.

CONCLUSÃO

Precisamos estar atentos, pois muitos são os inimigos da cruz de Cristo. Eles procuram introduzir, sorrateiramente, doutrinas contrárias e perniciosas à fé cristã. Muitos são os ardis do adversário para enganar os crentes e macular a Igreja do Senhor. Por isso, precisamos vigiar, orar e perseverar no "ensino dos apóstolos" até a vinda de Jesus. Eis a promessa que gera a gloriosa esperança em nosso coração.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOI

Subsídio Teológico
"Cidadania e unidade celestial. 
A visão cósmica e apocalíptica de Paulo da realidade é enfatizada pelo conceito de cidadania celestial do crente (3.20). Em Filipenses 1, esse conceito vem à tona no verbo politeuesthe ('viver como cidadão'). Seu cognato, politeuma ('nação; comunidade'), aparece no capítulo 3 de Filipenses. O termo sugere relação com polis ('Cidade-estado'), isto é, a nova comunidade de Cristo, cuja origem é o céu. Por isso, Paulo escreve: 'Nossa nação [cidadania] está no céu' (3.20). Paulo afirma que esta cidadania existe hoje; não é apenas uma esperança futura. O termo, como tal, expressa uma orientação e uma identidade fundamentais dos crentes.
[...] Filipenses 1.27-30 apresenta o ponto de que a vida do crente deve ser digna dessa origem; ela deve ser digna de sua relação com o evangelho de Cristo. Isso quer dizer que se deve perseguir a união, enquanto a comunidade permanece unida 'num mesmo espírito' (v. 27) no evangelho. Na verdade não é mais necessário temer os oponentes, embora o chamado para essa nova comunidade seja para crer e para sofrer. Os filipenses, ao se entregar a esse chamado, compartilhariam a mesma luta (agõna) que Paulo empreende, e, por essa razão, eles teriam comunhão com  ele e demonstrariam sua união com ele e com Cristo em humilde serviço (1.29-2.11)". (ZUCK, Roy B (Ed.). Teologia do Novo Testamento. 1. ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p.362).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOII

Subsídio Teológico
"Uma advertência solene (Fp 3.17-19)
Nos versos 1-4, Paulo adverte seus leitores contra um erro do lado judaico, a saber, o legalismo, que é submeter a vida à escravidão das leis de Moisés. Nos versos 17-21, adverte-os contra o perigo do lado pagão, a saber: a frouxidão moral.
'Sede meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós' (cf. 1 Co 11.1. Rm 16.17). O que deviam imitar? Nos versos 7-13, lemos que Paulo não tinha confiança no seu eu - próprio, que estava disposto a sacrificar todas as coisas por Cristo, que reconhecia a sua própria imperfeição e que estava grandemente desejoso para avançar com o Senhor. Sua advertência é necessária, porque há aqueles que tomam uma atitude diferente. São 'inimigos da cruz de Cristo', não por causa de qualquer hostilidade da parte deles, mas por causa das vidas que vivem. Interessam-se mais em satisfazer os seus apetites do que servir a Deus ('o deus deles é o ventre') e jactam-se das liberdades que tomam na licenciosidade e vidas impuras (2 Pe 2.19). 'Só pensam nas coisas terrenas' - alegam estar no caminho do Céu, mas amam as coisas mundanas; 'o destino deles é a destruição'. Contraste com o verso 14" (PEARLMAN, Myer. Epístolas Paulinas: Semeando as Doutrinas Cristãs. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998, pp.141-42).

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1 ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
RICHARDS, Lawrence O.  Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

SAIBA MAIS

Revista Ensinador Cristão
CPAD, nº 55, p.40.

EXERCÍCIOS

1. O que Paulo pretendia ao pedir que os filipenses o imitassem?
R. Paulo pretendia mostrar que a verdadeira humildade acata serenamente a responsabilidade de vivermos uma vida digna de ser imitada.

2. O que a dualidade entre "clero" e "leigos" remonta?
R. Remonta à velha prática eclesiástica estabelecida pela Igreja Romana, na Idade Média, onde uma elite (o clero) governa a igreja e esta (os leigos) se torna refém daquela.

3. O que significa o termo "ventre" empregado por Paulo?
R. O termo "ventre" tem um sentido figurado e representa os "apetites" carnais e sensuais.

4. A exemplo dos cidadãos romanos que honravam a César, quem os filipenses deveriam honrar?
R. Os crentes de Filipos deveriam honrar muito mais a Jesus Cristo, o Rei da pátria celestial.

5. O teu coração está seguro em Deus? Há esperança em você?
R. Resposta pessoal.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
Antigo e Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)

Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade 

1º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Natalino das Neves ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 9 - Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo.


2º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Euclides de Olívio ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 9 - Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo.


3º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Caramuru ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 8 - A suprema aspiração do crente.


4º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Fábio Segantin ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 8 - A suprema aspiração do crente.


5º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Sidney Pereira ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 9 - Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo.



6º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Sidney Pereira ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 9 - Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo.

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Breve Comentário do Pastor Elienai Cabral - Filipenses 3.18-21

A cruz de Cristo é o ponto convergente da fé cristã. Ou se ama ou se odeia a cruz de Cristo.

Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas. (Fp 3.18-21)

O capítulo 3 é um capítulo que retrata o apóstolo Paulo como um homem sensível, que chora, mas não se deixa esmorecer ante a ameaça à fé dos filipenses promovida pelos falsos obreiros. Ao mesmo tempo que vemos Paulo chorando, nós o vemos exortando a igreja a que não desanimasse e não perdesse a alegria do Espírito.

Ele faz advertências e exortações conscientizando a igreja de que a doutrina de Cristo não pode sofrer o dano das heresias dos grupos judaizantes e dos gnosticistas.

Ele os trata com muito amor e respeito e os incentiva a que permaneçam firmes na fé, mantendo a alegria que a nova vida em Cristo proporciona. No texto dos versículos 17 a 21, o apóstolo Paulo apela aos filipenses para que fiquem atentos com os falsos cristãos infiltrados no seio da igreja, que eram, de fato, inimigos da cruz de Cristo.

Precauções com os Inimigos da Cruz de Cristo.

O apóstolo Paulo trata os falsos obreiros, semeadores de sementes daninhas na seara do Senhor, como “inimigos da cruz de Cristo”. E uma linguagem metafórica que ilustra aquelas pessoas que não comungam a fé cristã como experiência. Antes de identificá-los, o apóstolo exorta a igreja a que se mantenha firme na fé em Cristo (4.1).

1. A firmeza na fé é a muralha contra as heresias dos inimigos da cruz de Cristo (4.1)

Esse primeiro ponto não obedece à ordem cronológica do texto. Avançamos no texto com a exortação de Paulo, quando diz aos filipenses: "... estai assim firmes no Senhor”.

O verbo estar significa “achar-se, ou manter-se; permanecer”. Paulo usa o verbo no imperativo “estai” ou “permanecei” em relação ao sentido de estar firme na fé recebida para poder lutar contra as astutas ciladas do Diabo (Ef 6.11,13,14).

Para confrontar os inimigos da cruz, é necessário que as convicções da obra redentora por meio da cruz de Cristo sejam mais fortes que os ataques do Inimigo de nossas almas. Em toda a carta, a alegria é a chave de superação sobre os problemas.

2. Paulo se apresenta à igreja como exemplo de comportamento a ser imitado (3.17a)

Em nossos tempos modernos, Paulo seria criticado e tratado como presunçoso, mas é preciso entender com que atitude ele concitou aos irmãos de Filipos que o imitassem na fé e no testemunho pessoal. Não foi falta de modéstia, nem a demonstração de uma falsa humildade, mas foi a coragem moral e espiritual para se colocar como referencial de vida e fé em Cristo (1 Co 4.16,17).

Falta em nossos tempos referenciais de obreiros verdadeiros que se coloquem como padrão de conduta cristã. A verdadeira humildade serenamente aceita a responsabilidade de viver uma vida ministerial digna de ser imitada.

3. Paulo lembra o exemplo de outros obreiros fiéis (3.17b)

Sem dúvida, uma das alegrias de Paulo era a influência positiva de irmãos da igreja que andavam segundo o padrão de conduta e demonstração de fé que ele mesmo se fizera referencial.

O texto na Edição Revista e Atualizada expressa melhor, quando diz: “e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós”. Paulo não estava atraindo para si o mérito de referencial, de exemplo, mas estava reconhecendo o valor da influência do testemunho de outros cristãos, entre os quais, Timóteo e Epafrodito.

Ele chama a atenção dos cristãos filipenses no sentido de observarem e considerarem os fiéis, por causa dos maus exemplos de maus obreiros (3.2) que procuravam desviar a fé dos fiéis.

A verdadeira humildade quando vivida serenamente torna-se modelo de vida e comportamento. Lamentavelmente, existem muitos obreiros fraudulentos com o evangelho cujo exemplo seria desastroso seguir. O apóstolo Paulo se apresenta como modelo a ser imitado, bem como o de outros fiéis servos de Deus que, como ele, seguem o modelo supremo que é Cristo.

4. Exortando com firmeza e com lágrimas (3.18b)

As lágrimas fazem parte da vida pastoral. Elas são águas que regam uma plantação.

A vida pastoral sempre tem um misto de amargura e doçura no exercício da vida eclesiástica. Ao ter conhecimento das ameaças heréticas levadas por falsos obreiros, Paulo os identifica como inimigos da cruz de Cristo.

Seu coração passou a ter pulsações mais fortes e a emoção das notícias o fizeram chorar. Eram lágrimas de preocupação e ao mesmo tempo de extrema sensibilidade com os problemas de ordem doutrinária que afetavam a igreja. Paulo demonstra que o ministério pastoral é regado com lágrimas.

A maior luta do apóstolo era com as heresias dos falsos cristãos judeus que tentavam trazer para o seio da igreja as ideias judaizantes e gnosticistas. A esses ele os chama de “inimigos da cruz de Cristo”.

Paulo exortou a igreja que resistisse, mesmo que com lágrimas, mas resistisse às investidas maléficas desses falsos obreiros.

O zelo pastoral identificava essas pessoas como falsos mestres que posavam como modelos de liderança cristã, mas que tinham como objetivo principal, minar a autoridade pastoral de Paulo.
Os Inimigos da Cruz de Cristo

1. A identificação dos inimigos da cruz de Cristo

Havia na igreja alguns cristãos advindos do judaísmo que não conseguiam se desvencilhar da velha religião. Queriam acrescentar a Lei de Moisés à obra da redenção realizada por Cristo.

Queriam manter alguns ritos e costumes como elementos indispensáveis à obra de salvação realizada por Cristo Jesus. Eram coisas ligadas às leis alimentares que faziam parte da estrutura moral e social da lei mosaica. Portanto, o apóstolo Paulo identifica aqueles judaizantes como “inimigos da cruz de Cristo”, porque eles negavam o valor da cruz de Cristo (G1 5.11; 6.12,14). Paulo dá a resposta a esses falsos cristãos quando diz que “o deus deles é o ventre” (3.19).

Essa batalha doutrinária era travada não só em Filipos, mas em todas as igrejas da Ásia Menor, como em Éfeso, Tessalônica, Colossos, Bereia, Corinto, Antioquia e outras mais. Porém, percebe-se que naquele momento Paulo se deparava com duas frentes antagônicas e perigosas. Uma em Corinto, com um grupo que proibia o casamento (1 Co 7.1), e outro grupo constituído por libertinos que defendiam a ideia de que “tudo é permissível” (1 Co 6.12).

Agora, em Filipos, outro grupo de cristãos adotava a falsa doutrina da separação entre carne e espírito, no sentido de que entre ambos não havia choque. Com a carne serviam à carne, sem afetar o espírito, e com o espírito, serviam ao espírito sem afetar a carne.

Essencialmente, essa ideia do gnosticismo é falsa e refutada na Bíblia. Paulo disse aos tessalonicenses: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). Eram pessoas voltadas para o materialismo e para a satisfação carnal da glutonaria, por isso, o “deus deles é o ventre” (3.19).

2. “O deus deles é o ventre” (3.19)

A expressão “o deus deles é o ventre”, exegeticamente, pode ser analisada em duas perspectivas. Uma perspectiva é aquela voltada para o sentido físico em que o comer e beber obedecem à ética e às purificações rituais das tradições judaicas.

Os seguidores desses rituais entendiam que o deixar de comer carne de porco e de outros animais proibidos na lei mosaica lhes garantia uma religiosidade exemplar de relação com Deus. Por outro lado, a segunda perspectiva refere-se à busca do prazer físico no comer e beber. O termo “ventre” tem um sentido figurado que representa os apetites, os desejos carnais e sensuais. Paulo acusa esses falsos judeus de viverem para satisfazer os prazeres da carne, da glutonaria, da bebedice, da imoralidade sexual, satisfazendo todos os desejos lascivos.

O pastor Hernandes Dias Lopes, em seu comentário da Carta aos Filipenses, escreveu: “Eles vivem encurvados para o próprio umbigo”. Essas pessoas eram consideradas como inimigas da cruz de Cristo porque queriam que a Lei de Moisés, com seus rituais, fosse um meio de chegar a Deus.

Ora, se o cumprimento da lei não pode conduzir ninguém a Deus, pelo contrário, condenou a todos, então, somente a graça do Senhor Jesus Cristo é capaz de salvar o homem dos seus pecados.

Os adeptos da filosofia gnóstica, fingindo-se cristãos, tentaram injetar suas heresias no seio da igreja. Entendiam essas pessoas que o que fizessem com a carne não afetaria as coisas do Espírito, mas o mesmo apóstolo falou aos gálatas: “Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõe-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (G1 5.16,17).

3. “A glória deles está na sua infâmia” (3.19)

O que Paulo diz incisivamente é que eles deveriam se envergonhar das coisas das quais se gloriavam. A Edição da Bíblia Viva traduz o texto com estas palavras: “eles têm orgulho daquilo que deveria envergonhá-los”.

A palavra infâmia tem vários sentidos, tais como: aquilo que fere a honra; torpeza, vileza, abjeção. Paulo sabia que aqueles falsos cristãos não tinham qualquer escrúpulo, nem vergonha. Entregavam-se às degradações morais sem o menor pudor e queriam estar na igreja como se nada fizessem.

Paulo os trata como inimigos da cruz de Cristo, porque com seus comportamentos, a obra expiatória de Cristo passava a não ter valor algum. Esses falsos mestres escarneciam da virtude e exaltavam o opróbrio. Eram inimigos da cruz de Cristo porque invertiam os valores e desfaziam os padrões morais estabelecidos para a igreja. Ora, aprendemos que a santidade implica na separação total da vida de pecado.

4. “O destino deles é a perdição” (3.19)

A declaração de Paulo é enfática acerca daqueles que negam a eficácia da cruz de Cristo: a perdição eterna. O fim e a recompensa final daqueles que rejeitam a cruz de Cristo é perdição total, ou seja, a perda da vida eterna. O castigo dos ímpios será inevitável e eterno (Ap 21.8; Mt 25.46). Um dia, eles ressuscitarão para se apresentarem diante do Grande Trono Branco do Juízo Final, quando serão julgados e lançados no Geena (o Lago de fogo), que é o estado final dos ímpios e dos demônios (Ap 20.11-15).


Ser “amante da cruz de Cristo” não significa ser adorador da cruz. Para os evangélicos, a cruz é tão somente um símbolo do cristianismo. O que amamos da cruz de Cristo é o próprio Cristo, que nos garante a vida eterna. A palavra da cruz é “loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1 Co 1.18).

Perante a cruz de Cristo não há meio termo. Ou se reconhece a Cristo como o Deus todo poderoso, Senhor e Salvador nosso, ou se vive para as paixões da carne, como os que fazem do “seu ventre, o seu deus”. Para esses não há futuro, nem esperança, mas para os salvos em Cristo há uma esperança de vida eterna. Os inimigos da cruz de Cristo nunca se fazem cidadãos dos céus, do Reino celestial preparado para os salvos em Cristo.

1. “Mas a nossa cidade está nos céus” (Fp 3.20)

Qualquer cidadão pertencente a um país para adquirir direito de cidadania em outro país passa por um processo legal de mudança de cidadania para conseguir esse direito. Paulo faz menção da cidadania celestial (v. 20) e declara que para obter esse direito a pessoa precisa corresponder à transformação de vida exigida. Somente pela obra de regeneração do Espírito Santo será possível ter direito e acesso à “cidade celestial” onde habita o Senhor.

A palavra “cidade” é, também, traduzida por “pátria”. Quando Paulo escrevia essas palavras estava pensando no “status” cívico de Filipos, tão importante como colônia romana.

A despeito das benesses materiais da cidade de Filipos e de tudo quanto se oferecia à sociedade, Paulo fala de uma cidade que está nos céus. Trata-se de algo superior e espiritual “de onde também esperamos o Salvador” (3.20).

O ato de esperar traduz a esperança dos crentes. O cidadão romano honrava a César como o salvador geral do império, enquanto o cristão honra e serve ao Senhor Jesus Cristo, o Rei da pátria celestial. Se a cidadania romana representava vantagens materiais e sociais para os filipenses, muito mais os crentes em Cristo obtêm vantagens com a cidadania celestial.

Ralph Herring escreveu que “a igreja local devia ser como uma colônia do céu. Leis celestiais e modos celestiais deviam distinguir seus membros, diferenciando-os dos demais ao redor”. Nossa esperança aponta para a cidade que está nos céus. Em breve o Senhor Jesus virá sobre as nuvens do céu com poder e glória (Mt 24.31; At 1.9-11; 1 Ts 4.16; 2 Ts 1.7).

2. “Que transformará o nosso corpo abatido” (Fp 3.21)

A doutrina da transformação do nosso corpo envolve dois eventos importantes. O primeiro evento diz respeito à transformação dos vivos no Arrebatamento da igreja e em seguida, no mesmo evento, à transformação dos mortos em Cristo (1 Ts 4.13-18). Essa doutrina não é uma utopia, mas de fato vai acontecer.

O estado atual de nossos corpos é de humilhação, porque é temporal. Os libertinos (gnosticistas) achavam que o mal era inerente ao corpo, por isso, ensinavam que só se servia a Deus com o espírito. Ensinavam que de nada serve cuidar do corpo, porque se perderá mesmo e que Cristo salvará apenas o espírito. Refutamos essa doutrina porque a Bíblia ensina o contrário. Esse corpo de humilhação poderá sucumbir à morte, mas, por fim, se levantará transformado e glorioso, igual ao corpo glorioso de Cristo depois de sua ressurreição (Fp 3.21; 1 Ts 5.23; 1 Co 15.42-52).

A transformação que vai ocorrer implica uma metamorfose instantânea e sobrenatural operada pelo Espírito Santo. O versículo 21 diz que “o nosso corpo abatido” será transformado “para ser conforme o seu corpo glorioso”. O corpo ressurreto de Cristo era literalmente “um corpo” que foi revestido de espiritualidade, não mais limitado pela massa física, porque a lei de gravidade não mais podia afetar seu corpo glorioso. Assim, será o nosso corpo mortal, depois da transformação. Teremos corpos espirituais revestidos da habitação celestial (1 Co 15.22,23,40-44).

A Bíblia diz que o poder de transformação dos corpos ressurretos e dos corpos dos vivos na sua vida será segundo a eficácia do poder que Ele tem de subordinar a si todas as coisas (Fp 3.21). A transformação não dependerá do homem, mas do poder de Cristo (Ef 1.22).

  Fim do comentário do Pastor Elienai Cabral                                     

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM
ESTUDO PREPARATÓRIO PARA OS PROFESSORES DA ESCOLA DOMINICAL
BELÉM- SEDE
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2013
TEMA – FILIPENSES: a humildade de Cristo como exemplo para a Igreja
COMENTARISTA : Elienai Cabral
ESBOÇO Nº 9

LIÇÃO Nº 9 – CONFRONTANDO OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO
Devemos sempre enfrentar inimigos da cruz do Cristo infiltrados nas igrejas locais.

INTRODUÇÃO

- Na sequência do estudo da carta de Paulo aos filipenses, estudaremos hoje o final do capítulo terceiro, quando o apóstolo, após ter falado a respeito dos judaizantes, fala também de outro grupo que perturbava a fé nas igrejas locais cristãs, a quem o apóstolo chama de “inimigos da cruz de Cristo”.
- Os servos de Cristo Jesus devem ter consciência de que, no meio da igreja local, infiltram-se os “inimigos da cruz de Cristo”.

I – IMITANDO AO APÓSTOLO PAULO

- Na continuidade do estudo da carta de Paulo aos filipenses, prossigamos o estudo do capítulo terceiro, que, conforme já estudado, compõe a “parte prática” da epístola, ou seja, o instante em que o apóstolo está interessado em dar lições a respeito do comportamento, da conduta dos crentes de Filipos.

- O apóstolo havia mostrado aos crentes de Filipos que o alvo, o objetivo de cada um dos servos de Cristo Jesus era a ressurreição dos mortos, algo ainda não atingido, que deveria se iniciar com a participação na ressurreição de Jesus e na comunicação de Suas aflições, que é a vida cristã.

- Todavia, a vida cristã, embora se iniciasse com esta morte para o mundo e esta vida para Deus, não se esgotava nisto, mas tinha uma finalidade, algo a ser alcançado, que é a ressurreição dos mortos, ou seja, a glorificação, último ato do processo da salvação, que ocorrerá no dia do arrebatamento da Igreja.

- Por isso, o cristão, disse o apóstolo dos gentios, não pode, de modo algum, prender-se ao passado, mas fazer da sua vida com Cristo sobre a face da Terra uma jornada, uma peregrinação contínua e progressiva, em que procuramos nos aproximar mais e mais do Senhor, sabendo que a nossa salvação está hoje mais próxima do que quando aceitamos a fé (Rm.13:11).

- Conquanto o apóstolo tenha dito que não podemos nos prender ao que passou, visto que o tempo de nossa salvação é sempre “hoje” (Hb.4:7-9), devendo sempre avançar a fim de alcançar o galardão que se encontra com o Senhor Jesus (Fp.3:13,14; Ap.22:12), era necessário que haja, por parte dos cristãos, um sentimento de aperfeiçoamento.

- “Pelo que todos que já somos perfeitos, sintamos isto mesmo e, se sentis alguma coisa doutra maneira, também Deus vo-lo revelará” (Fp.3:15). Esta expressão do apóstolo pode gerar alguma perplexidade, visto que o próprio Paulo, algumas linhas antes, havia dito peremptoriamente que não havia atingido a perfeição (Fp.3:12). Como, então, fala, agora, que sentia que era perfeito?

- A boa compreensão do texto é nos dada pelos comentadores da Bíblia de Jerusalém que informam ter sido esta expressão uma “caçoada paulina”, ou seja, uma ironia. O apóstolo afirma que não era perfeito e, ainda que se considerasse “perfeito” ou aceitasse assim ser chamado, deveria ter este mesmo sentimento de humildade e de reconhecimento de que a jornada cristã apenas termina na glorificação, que ainda não havia sido atingida.

- Paulo, ainda, afirma que este sentimento, que estava presente primeiramente nele, também deveria ser uma constante em todos os que serviam a Jesus Cristo e tinha a convicção de que se algum crente não tinha este sentimento, adquiri-lo-ia quando houvesse a devida revelação de Jesus para os que achavam perfeitos (Fp.3:15).

- Esta expressão do apóstolo mostra, claramente, que o crescimento espiritual do cristão, além de ser uma realidade e uma necessidade, também traz àquele que estiver crescendo na graça e no conhecimento do Senhor um sentimento de aperfeiçoamento e, como tal, a consciência de que ainda não é perfeito e que precisa, por isso, mais e mais se aproximar do Senhor.

- Ao contrário do que se pode imaginar, o crescimento espiritual não torna a pessoa mais independente, mais senhora de si. Pelo contrário, quanto mais se cresce espiritualmente, quanto mais se aproxima de Deus, mais e mais se nota a sua insignificância diante de Deus, mais e mais se percebe a grandeza do Senhor e, deste modo, a pessoa mais e mais se torna dependente de Cristo, mais e mais se percebe a imensa necessidade e indispensabilidade da presença do Senhor em nossas vidas para que se possa sobreviver espiritualmente neste mundo enquanto não vem a glorificação.

- Nos dias em que vivemos, há um verdadeiro culto à soberba, à independência diante de Deus, à autossuficiência. Muitos são os que se acham “perfeitos” e, como tal, sem qualquer necessidade de depender do Senhor, que, não raras vezes, é tratado apenas como um “empregado”, um “servo especial”, pronto a atender aos caprichos de quem diz servi-l’O.

- Nada mais anticristão, amados irmãos! O verdadeiro discípulo de Cristo Jesus, na medida em que se aproxima do Mestre, percebe-Lhe a grandeza, a infinitude, a plenitude da divindade que n’Ele há (Cl.1:19) e, desta maneira, compreende quão pequeno é diante de tamanha majestade e de quanto d’Ele necessita para sua sobrevivência espiritual até a glorificação.

- Que sentimento temos tido, amados irmãos? Temos nos deixado levar pelas falácias da superioridade espiritual, da perfeição, da soberba que muitos têm incutido em nossas mentes, nestes dias de tantos falsos ensinos e tantas heresias? Ou temos tido uma real aproximação do Senhor, uma vida de intensa comunhão com o Senhor que nos permite a revelação de Sua grandeza e majestade, que nos faz cada vez mais submissos a Ele?

- Que nosso sentimento seja o mesmo do apóstolo Paulo, que queria que todos os crentes filipenses sentissem o mesmo, sentimento este que foi descrito poeticamente pelo poeta sacro anônimo autor do hino 88 da Harpa Cristã: “Jesus, meu Rei, Mestre e Senhor, O Teu amor revela a mim, enquanto eu aqui viver até eu ver da vida o fim. Revela a nós, Senhor, Jesus, meu Salvador, as maravilhas mil do Teu divino amor e, com veraz louvor, fervente gratidão, eleva a Ti, Jesus, Senhor, o nosso coração” (primeira estrofe e refrão).

- O sentimento de aperfeiçoamento, portanto, longe de ser um sentimento de autossuficiência, de superioridade, é a compreensão, a revelação da grandeza divina e da nossa insignificância, que nos faz mais próximos de Cristo, mas, por isso mesmo, nos faz sentir mais dependentes da graça e da misericórdia do Senhor.

- Quando se chega a este estágio de crescimento espiritual, a este sentimento de impotência e de compreensão da nossa necessidade de Deus, isto nos faz que sigamos a “mesma regra”, que tenhamos o mesmo sentimento (Fp.3:16).

- O crescimento espiritual faz com que a unidade do corpo de Cristo, de que o apóstolo já falara nesta epístola, conforme visto em lições anteriores, seja reforçada. A comunhão com Cristo faz com que todos sintam o mesmo, tenham a “mesma regra” e o “mesmo sentimento”.

- É extremamente interessante vermos que o apóstolo se refere a “regra” e “sentimento” quando fala desta unidade que se reforça entre aqueles que crescem espiritualmente no corpo de Cristo. Esta dualidade, a saber, “regra” e “sentimento” mostra claramente que a vida cristã não pode ser unilateral, mas deve abarcar tanto aspectos objetivos (“regra”), quanto aspectos subjetivos (“sentimento”).

- Existe uma “regra”, que deve ser seguida por todos os cristãos. A vida cristã não é uma vida sem regras, uma vida sem mandamentos, como muitos, equivocadamente, passam a defender, como se existisse uma oposição entre lei e graça baseada na existência, ou não, de regras, de mandamentos.

- A graça possui, sim, regras e mandamentos a serem seguidos. O apóstolo Paulo fala de uma “lei de Cristo” (I Co.9:21; Gl.6:2), como também, quando escreveu aos gálatas, afirmou existir uma “regra” segundo a qual devemos andar (Gl.6:16).

- Lucas, nos Atos dos Apóstolos, é claríssimo ao dizer que, enquanto o Senhor Jesus esteve ressurreto sobre a face da Terra, um dos Seus trabalhos foi o de dar mandamentos aos discípulos pelo Espírito Santo (At.1:2), tendo, também, o apóstolo João confirmado que os cristãos receberam da parte do Senhor um mandamento (I Jo.2:7).

- Assim, não podemos aceitar que se diga que, no tempo da graça, haja uma verdadeira “anomia”, ou seja, ausência de regras, que tudo é permitido, que nada deve ser determinado ao cristão, pois estamos em “liberdade”. A verdadeira liberdade não é a ausência de regras, como muitos pensam, mas, sim, um estado onde a pessoa pode desenvolver-se plenamente por causa das regras que a regem.

- Esta “mesma regra” é aquilo que o apóstolo já havia narrado, qual seja, a justiça que vem de Deus pela fé em Cristo Jesus. Quando cremos em Cristo Jesus e passamos a fazer-Lhe a vontade, nossa justiça excede a dos escribas e fariseus e, por meio desta justiça, poderemos entrar no reino dos céus (Mt.5:20).

- Esta regra é algo objetivo, ou seja, algo que é determinado que sigamos, que está fora de nós, que é estatuído pelo Senhor e que devemos seguir. É a Sua Palavra, que a nós foi revelada e que deve ser seguida por todos quantos se dizem discípulos do Senhor Jesus.

- Não se pode, portanto, “mudar” a regra, nem tampouco desconsiderá-la, mas devemos obedecer ao seu conteúdo, de coração, submetendo-nos à vontade do Senhor, pois esta Palavra permanece para sempre (I Pe.1:25).

- Eis a razão pela qual devemos repudiar todos quantos não querem seguir o que está na Bíblia Sagrada, todos quantos têm trazido “inovações”, “invenções”, afastando-se do que se encontra nas Escrituras. Tais pessoas não andam conforme a “mesma regra” e, portanto, não podem ser consideradas como servas de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Lembremos disto!

- Mas, além da “regra”, temos, também, o “sentimento”. A vida cristã não é dissociada da sensibilidade. Somos seres humanos e, como tal, temos tanto a razão quanto a emoção. Nossas emoções, nossos sentimentos também devem ser os mesmos, ou seja, nossa sensibilidade deve reproduzir o sentimento de Cristo Jesus. É o sentimento de humildade, de abnegação, de obediência, de profunda e completa submissão à vontade do Senhor.

- O verdadeiro discípulo de Cristo Jesus é alguém que segue a mesma regra e o mesmo sentimento do Senhor, é alguém que, durante sua peregrinação terrena, está completamente envolvido com Deus, seguindo-Lhe os mandamentos, como também os sentimentos. Temos sido assim?

- O apóstolo Paulo podia exigir isto dos crentes de Filipos porque ele mesmo era um exemplo a ser seguido, a ser imitado. Repetindo o que já dissera aos crentes de Corinto (I Co.11:1), o apóstolo disse aos filipenses que fossem seus imitadores, andando conforme ele estava a andar e, ainda mais, tendo cuidado de todos quantos agiam da mesma maneira (Fp.3:17).

- Paulo retirava a sua autoridade apostólica do exemplo que dava aos crentes de Filipos que o acompanhavam desde o início de sua segunda viagem missionária. Décadas já se tinham passado, mas os crentes filipenses viam no testemunho de Paulo a prova de que realmente se tratava de um apóstolo de Cristo Jesus, de alguém que realmente tinha se encontrado com o Senhor e que não mais vivia para si, mas cuja vida se dava na fé do Filho de Deus (Gl.2:20).

- Paulo podia mandar os filipenses a seguirem a mesma regra e o mesmo sentimento porque ele próprio estava a seguir à risca o mandamento de Cristo e a ter o mesmo sentimento que havia no Senhor Jesus, estando, inclusive, como já observamos ao longo deste trimestre, de estar disposto a dar sua vida em prol do Evangelho.

- O exemplo, o bom testemunho são fundamentais e essenciais para que tenhamos autoridade espiritual diante dos crentes e dos incrédulos. Através da nossa frutificação espiritual, teremos condição de levar os outros homens a glorificar ao nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16), mesmo que tal glorificação se dê por intermédio de calúnias e difamações (I Pe.2:12).

- Quando assim fazemos, estamos imitando o próprio Jesus Cristo, cuja autoridade com que ensinava advinha, precisamente, do Seu exemplo, o que O diferençava dos escribas e fariseus, que ensinavam mas não praticavam aquilo que ensinavam (Mt.7:28,29; 23:2-4).

- Advém daí a grande diferença entre a justiça que vem pela lei e a justiça que vem pela fé. A lei contentava-se com o exterior, com a aparência externa, enquanto que a graça exige uma mudança interior, de dentro para fora, sem o que não terá qualquer validade.

- Este andar conforme a regra e o sentimento de Jesus Cristo não é uma caminhada fácil. O próprio Paulo manda aos filipenses que tivessem cuidado neste caminhar (Fp.3:17), prova de que se trata de um caminho que, para ser trilhado, exige muita dedicação e muito cuidado.

- Este caminho conduz à salvação, mas, como afirma o próprio Senhor Jesus, é um caminho apertado (Mt.7:14), cheio de percalços e perigos, como, aliás, de forma muito elucidativa, descreveu o pregador e escritor inglês John Bunyan (1628-1688) em sua obra “O Peregrino”.

- Este cuidado que temos de ter ao trilhar este caminho é o de nos aproximarmos cada vez mais do Senhor, a santificação progressiva de que falam os estudiosos das Escrituras, este contínuo andar em direção ao Senhor, que Se nos revelará cada vez mais, fazendo-nos depender d’Ele mais e mais, até que atinjamos, naquele dia, a estatura de Cristo, de varão perfeito (Ef.4:13), ocasião em que se alcançará a “unidade da fé” e o “conhecimento do Filho de Deus”.

- Assim, ainda que tenhamos de avançar, não possamos nos prender ao que já passou, o fato é que o passado tem, sim, um papel a desempenhar em nossa vida cristã, que é o de nos dar referências, paradigmas, modelos a serem imitados. Paulo mandava que os filipenses o observassem e, diante de tudo que haviam vivenciado com o apóstolo todos aqueles anos, seguissem seu exemplo, repetindo os gestos, atitudes e ações do apóstolo.

- Por isso, o escritor aos hebreus manda que lembrássemos dos nossos pastores que tenham nos falado a palavra de Deus, imitando a sua fé, atentando para a sua maneira de viver (Hb.13:7). Eis, portanto, a importância de sermos conhecedores da história da Igreja, para que, através dela, tenhamos modelos a seguir.

OBS: Esta circunstância fica mais clara pela versão de Fp.3:17 na Bíblia de Jerusalém, que ora transcrevemos: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós”. A propósito, eis o que diz a nota a respeito deste versículo naquela versão bíblica: “Paulo espera que os indivíduos dentro da comunidade mostrem iniciativa e responsabilidade, e os recomenda como líderes II Ts.5:12s; I Co.16:15s)” (BÍBLIA DE JERUSALÉM, nota m, p.2051).

- Esta imitação, contudo, tinha um critério, a saber: a regra e o sentimento de Cristo Jesus. Tais pessoas devem ser imitadas, devem ser seguidas em seu exemplo na exata medida em que reflitam o que está nas Escrituras Sagradas, na medida em que suas vidas demonstrem a mesma humildade que houve em Cristo Jesus, o despojamento da glória, a obediência até a morte, o cumprimento da vontade de Deus.

- Tais pessoas devem ser imitadas, devem ter seu exemplo seguido, mas porque foram, antes de mais nada, imitadoras de Cristo Jesus (I Co.11:1). Assim fazendo, tais pessoas estarão, na verdade, seguindo a Cristo, tendo no exemplo daquelas pessoas, um incentivo, um estímulo a imitar o Senhor Jesus.

II – OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO

- Por que o apóstolo Paulo estabelece este critério para os crentes de Filipos? Por que não poderiam ser imitados todos aqueles que se diziam cristãos e que, inclusive, conviviam na igreja de Filipos?

- O apóstolo Paulo responde a esta indagação, dizendo que “muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fp.3:18).

- O apóstolo Paulo era realista, como, aliás, deve ser todo o servo de Cristo Jesus. Desde os primórdios da evangelização em Filipos e, ao longo de seu ministério apostólico, o apóstolo dos gentios jamais escondeu dos crentes filipenses a realidade de que há pessoas infiltradas, que se introduzem encobertamente no meio dos cristãos (II Pe.2:1) mas que são, na verdade, “inimigos da cruz de Cristo”.

- Paulo faz questão de dizer que já havia dito isto aos filipenses “muitas vezes” e repetia mais uma vez, dentro, aliás, da sua linha de “não se esquecer de escrever-lhes as mesmas coisas” (Fp.3:1).

- Enquanto havia aqueles que tinham o mesmo sentimento do Senhor Jesus, sendo obedientes até a morte, e morte de cruz, que não titubeavam em fazer a vontade de Deus, mesmo que isto significasse a abnegação, ou seja, a negação de si mesmos, tomando a sua cruz e seguindo ao Senhor (Mc.8:34; Lc.9:23), havia aqueles que seguiam o caminho contrário, que eram inimigos da cruz de Cristo.

- “…No Novo Testamento, a Cruz é símbolo da virtude da penitência, domínio das paixões desregradas e do sofrer por amor de Cristo e da Igreja pela salvação do mundo…” (AQUINO, Felipe. Por que a Cruz é o sinal do cristão? Disponível em: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2013/04/15/por-que-a-cruz-e-sinal-do-cristao/#more-6241 Acesso em 25 jun. 2013). Como mostra o apóstolo Paulo, foi na cruz que o Senhor Jesus demonstrou de forma excelente a Sua obediência ao Pai (Fp.2:8) e é na “cruz de cada dia” (Lc.9:23) que provamos nossa obediência e comunhão com o Senhor.

- A cruz é o símbolo da vontade de Deus e da negação de nós mesmos, da nossa própria vontade. É o símbolo da submissão. Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo diz que sua velha natureza estava crucificada com Cristo (Gl.2:20), bem como que somente se gloriava na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo (Gl.6:14).

- A cruz, portanto, é o sinal que nos permite vislumbrar o sentido de nossa vida neste mundo após o encontro que tivemos com o Senhor Jesus. Por meio deste sinal, percebemos, claramente, que não podemos fazer mais o que queremos, mas, sim, aquilo que o Senhor quer de nós.

- Por este sinal, percebemos que não mais vivemos para nós mesmos, mas única e exclusivamente para o Senhor, para fazer-Lhe a vontade, para nos mantermos separados do mundo e do pecado, sabendo que, quem levar a sua cruz, como fez nosso Salvador, também obterá a glorificação naquele dia, como o Senhor Jesus a obteve.

- No entanto, mesmo entre os que cristãos se dizem ser, há aqueles que são “inimigos da cruz de Cristo”, constatação que não trazia alegria ao apóstolo Paulo, que isto falava “chorando”, ou seja, com tristeza, pois, por ter o mesmo sentimento de Cristo Jesus, era alguém que queria que todos os homens se salvassem e viessem ao conhecimento da verdade (I Tm.2:4).

- Os “inimigos da cruz de Cristo” caracterizavam-se por ser pessoas “cujo Deus é o ventre”, “cuja glória é para confusão deles” e que “só pensam nas coisas terrenas” (Fp.3:19).

- Por primeiro, temos que os “inimigos da cruz de Cristo” são pessoas “cujo Deus é o ventre”. Os comentadores da Bíblia de Jerusalém interpretam esta expressão paulina como sendo uma “alusão às observâncias alimentares que ocupavam lugar importante na religião judaica” (nota o, p. 2051). Já Russell Shedd, ao comentar a passagem, entende que, além dos judaizantes, estavam também envolvidos aqui os “antinomistas”, ou seja, aqueles que defendiam “o abuso da liberdade na graça livre de Deus” (BÍBLIA SHEDD, com. a Fp.3:18, pp.1668-9).

- Quando se afirma que “o Deus era o ventre”, está-se, mesmo, a ir além das meras prescrições alimentares que caracterizavam o judaísmo e que eram uma das observâncias prioritárias por parte dos judaizantes. O “ventre”, no sentido hebraico, refletia o próprio interior da pessoa (Pv.20:27,30; Hc.3:16; Jo.7:38), o seu “eu”, ou seja, a “velha natureza”, o “velho homem”, que tem de ser crucificado com Cristo.

- Portanto, o “inimigo da cruz de Cristo” é aquela pessoa que não abre mão de sua “velha natureza”, que não se nega a si mesmo, mas que faz prevalecer, em sua maneira de viver, a sua própria vontade em detrimento da vontade do Senhor. É aquela pessoa que, embora diga servir a Cristo, não se submete à Sua vontade, mas, antes, faz o que lhe aprouver, o que lhe agradar.

- Paulo já mencionara estes “inimigos da cruz de Cristo” quando escreveu aos romanos, quando afirmou que aqueles que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina são pessoas que não servem a Cristo, mas, sim, ao seu próprio ventre (Rm.16:17,18). São pessoas que, como afirma Judas, não têm o Espírito (Jd.19).

- Quantos há que assim se comportam em nossos dias! São pessoas que não creem nas Escrituras, desdizem o que está escrito, trazem novas “interpretações”, apresentam “argumentos críticos” para desconsiderar tudo quanto está escrito, única e exclusivamente para fazerem o que bem querem, para viver de acordo com os seus instintos pecaminosos, de acordo com as suas próprias vontades.

- É por este motivo que eles são chamados de “antinomistas”, ou seja, “contrários a qualquer regra, a qualquer mandamento”. Defendem, de forma completamente equivocada e distorcida, que a “liberdade” é a “ausência de regras”, que na “graça, tudo é permitido”. Nada mais falso, amados irmãos!

- Trata-se de pessoas que somente fazem aquilo que a Bíblia manda quando estão com vontade de fazê-lo, ou seja, quando há uma coincidência entre o que a Bíblia diz e o que estão querendo fazer. Isto não é sinal nem prova de obediência, mas uma fortuita e mera coincidência.

- A obediência demonstra-se, precisamente, no momento em que não há esta coincidência, este encontro entre as vontades de Deus e a do homem. Somos obedientes precisamente quando temos de negar o nosso “eu” e fazer aquilo que Deus manda. É aí que provamos nosso amor para com o Senhor (Jo.15:14).

- Os “inimigos da cruz de Cristo” são pessoas que seguem a sua própria vontade, que têm como deus o seu interior, pouco se importando com a vontade de Deus. São “donas do seu nariz”, querem ser “iguais a Deus”, fracassando por crerem na mentira satânica contada ao primeiro casal (Gn.3:5). São pessoas que simplesmente não consideram a Deus, vivem como se Deus não existisse.

- São muitos os que se dizem cristãos mas estão a viver deste modo. Não dominam as suas paixões, não possuem autodomínio e fazem tudo quanto querem fazer, buscando, então, doutores conforme as suas próprias concupiscências que “atestem” a sua “correção” (II Tm.4:3,4).

- Todavia, os verdadeiros e genuínos servos de Cristo Jesus não procuram agradar a si mesmos, mas única e exclusivamente ao Senhor, mortificando a carne e a mantendo crucificada com Cristo (Rm.8:13; Gl.2:20).

- Por segundo, os “inimigos da cruz de Cristo” são pessoas “cuja glória é para confusão deles”, ou, na versão da Bíblia de Jerusalém, “sua glória está no que é vergonhoso”, que a Bíblia de Jerusalém insiste, uma vez mais, em fazer correlação apenas aos judaizantes, visto que entende nesta expressão, uma “alusão provável ao membro que recebe a circuncisão” (nota p, p.2051).

- Aqui também nos perfilhamos à linha que vê uma alusão aos “antinomistas” que já existiam na Igreja e que o Senhor Jesus denominará de “nicolaítas” nas cartas que mandou João escrever às igrejas da Ásia Menor, no Apocalipse (Ap.2:6,15).

- Os “inimigos da cruz de Cristo” são pessoas que se gloriam não na cruz de Cristo, mas em si mesmo, naquilo que fazem, naquilo que praticam. São, portanto, amantes da vanglória, da glória vã e passageira deste mundo, da glória dos homens, gostam de ser o centro das atenções, de demonstrar uma superioridade espiritual, que procuram comprovar através de seus gestos.

- Já naquele tempo havia, entre os que cristãos se diziam ser, aqueles que entendiam que o corpo para nada aproveitava, que o Senhor estava interessado tão somente na parte interior do homem, no resgate da alma e do espírito. Eram os gnósticos, aqueles que, influenciados por um pensamento forjado na filosofia grega, viam no material algo ruim e pecaminoso.

- Deste modo, estes “inimigos da cruz de Cristo” entendiam que Deus não tinha qualquer interesse no corpo e, portanto, pouco se importava com o que era feito por meio do corpo. Por isso mesmo, tais pessoas não viam mal algum na prostituição, na impureza sexual, na glutonaria, na embriaguez, visto que o que faziam por meio do corpo não tinha qualquer importância no relacionamento com o Senhor.

- Eram pessoas libertinas, de uma vida moral completamente desregrada, que não viam qualquer problema nisto, pois, como se diz hoje em dia, “Deus só quer o coração”. Assim, viviam desregradamente e se gabavam disto, querendo mostrar, com suas imoralidades, uma “superioridade espiritual”.

- Infelizmente, muitos agem deste modo em nossos dias. Vivem como mundanos, imitando e fazendo tudo quanto os incrédulos fazem, querendo, porém, dizer que tais práticas não fazem mal algum, pois “Deus só quer o coração”. São pessoas que se moldaram à maneira de viver dos demais e que ainda querem se chamar de “cristãs”, única e exclusivamente porque pertencem a uma igreja local, a uma denominação.

- Assim é que temos, em nossos dias, cristãos que se gabam de se portar como os incrédulos, com práticas como uma vida sexual completamente desregrada, como o uso de vestimentas indecentes e sensuais, a adoção de práticas como tatuagens, piercings e outros comportamentos próprios daqueles que não servem a Deus, querendo, com isso, dizer que são “crentes modernos, crentes livres”, quando, na verdade, como diz o apóstolo Paulo, não passam de “inimigos da cruz de Cristo”.

- São pessoas que abandonaram, por completo, a “regra”, os mandamentos bíblicos, querendo, apenas, o “sentir”, a “emoção”, a chamada “adoração extravagante”, que nada mais é que reflexo da concupiscência da carne, da concupiscência dos olhos e da soberba da vida (I Jo.2:16) que o dominam, pois, na verdade, são falsos cristãos, são pessoas mundanas, dominadas pelo pecado que se denominam de “cristãs”, mas que não aceitam a mortificação da carne, que recusam se submeter ao Senhor Jesus, que são “inimigas da cruz de Cristo”.

- Por terceiro, os “inimigos da cruz de Cristo” são pessoas “que só pensam nas coisas terrenas”. Esta é a terceira característica desta gente, pessoas que não pensam nas “coisas de cima” (Cl.3:1), pois não morreram para o mundo, mas estão completamente atraídas e voltadas para as coisas passageiras desta vida.

- O alvo, o objetivo destas pessoas é terem uma vida regalada aqui neste mundo, terem dinheiro, muito dinheiro; terem fama, muita fama; terem posição social (inclusive dentro da igreja local); terem o desfrute dos prazeres desta vida.

- Tais pessoas são as mais miseráveis de todos os homens (I Co.15:19), porque sabendo quem é Cristo e porque Ele veio ao mundo, querem do Senhor Jesus somente as coisas desta vida. Buscam a Cristo para terem proeminência entre os homens, para aqui serem os maiorais, em total desconsideração para com a eternidade que está reservada a todo ser humano.


- Como são numerosos os “inimigos da cruz de Cristo” em nossos dias, amados irmãos! Quantos que estão a frequentar uma igreja apenas para terem “status” dentro e fora da igreja local. Quantos que estão correndo atrás de Cristo para terem um “meio de vida”, para ganharem fortunas, para gastarem nos seus deleites e prazeres!

- Sua vi$ão é totalmente voltada para esta terra, estão na igreja para amealhar tesouros neste mundo e, por causa disto, por correm atrás de tesouros nesta terra, não irão para o céu, pois seus corações estão nas coisas vis deste mundo (Mt.6:19-21).

- Tais pessoas buscam apenas os seus interesses e não os de Cristo Jesus, sendo, pois, aqui totalmente contrários ao que o apóstolo havia dito a respeito de Timóteo (Fp.2:21), bem como de Epafrodito (Fp.2:29,30), outros exemplos que deveriam ser imitados pelos crentes de Filipos.

- Em nossos dias, muitos, ao contemplarem estes “inimigos da cruz de Cristo”, tendem a se arrefecer na fé, são tentados a mudar o seu procedimento, porquanto tais “inimigos da cruz de Cristo”, apesar de terem um destino triste (II Pe.2:3), aparentemente levam vantagem em sua peregrinação terrena, fazendo com que muitos os sigam em suas dissoluções (II Pe.2:2,18-22).

- Muitos destes “inimigos da cruz de Cristo” aparentam um sucesso, um êxito em suas jornadas. Com efeito, alguns deles, apesar de uma vida dissoluta e imoral, conseguem amealhar fama, prestígio, popularidade, riquezas materiais, bem como ostentar a posição de referências religiosas, tendo diversos seguidores e, muitas vezes mesmo, aparentando ter sobre si a bênção divina.

- Sua “libertinagem” parece não trazer qualquer mal-estar ou problema na sua comunhão com o Senhor e, por preconizarem um “evangelho light”, um “evangelho simpático”, passam a ter muitos seguidores.

- Contudo, o apóstolo Paulo não nos deixa qualquer margem para sermos engodados ou atraídos por este tipo de gente. Paulo chora por eles, pois sabe que tudo quanto estão a amealhar são vaidades, são enganos, são ilusões que, mais cedo ou mais tarde, se desvanecerão e, então, exsurgirá a verdade nua e crua da perdição deles. O fim desta gente, diz o apóstolo, é a perdição (Fp.3:19 “in initio”), pois o caminho espaçoso conduz inevitavelmente à perdição (Mt.7:13).

- Como bem disse o Senhor Jesus, que adianta ganharmos o mundo inteiro e perdermos a nossa alma (Mt.16:26; Mc.8:36)? É muito melhor perdermos a nossa vida para ganhá-la, através da mortificação do nosso “eu”, através da crucifixão de nossa “velha natureza” com Cristo, pois somente quem perde a sua vida, achá-la-á (Mt.10:39; 16:25).

III – A CIDADE CELESTIAL – O ALVO DO VERDADEIRO CRISTÃO

- Em contraposição aos “inimigos da cruz de Cristo”, que só pensavam nas coisas terrenas, o apóstolo Paulo diz que o verdadeiro cristão, como ele, estava a pensar em outra cidade, “que está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso, segundo o Seu eficaz poder de sujeitar também a Si todas as coisas” (Fp.2:20,21).

- Ao contrário dos “inimigos da cruz de Cristo”, o verdadeiro crente, aquele que é “amigo da cruz de Cristo” não se importa em sofrer as aflições deste mundo, em ter de combater dia após dia no seu próprio interior contra a carne, isto é, a sua natureza pecaminosa, que se encontra crucificada com o Senhor, pois sabe que, a exemplo do Senhor, deve tudo suportar pelo gozo que lhe está proposto (Hb.12:2).

- O cristão passa por muitas aflições, participa do sofrimento de Cristo sobre a face da Terra, porque não tem como alvo, nem como objetivo alcançar alguma posição neste mundo, mas, sim, chegar a cidade celestial, que é a nossa cidade, a nova Jerusalém mencionada por João no livro do Apocalipse.

- Enquanto aqui no mundo, o cristão glorifica ao Pai através de boas obras (Mt.5:16), prega o Evangelho e ama o próximo, de tal sorte que consegue melhorar as condições de vida existentes, como, de resto, está a mostrar a história da humanidade, que, de modo insofismável, mostra como o Cristianismo trouxe uma real melhoria nas condições de vida e no respeito à pessoa humana.

- Todavia, por mais que faça para que este mundo seja menos injusto e melhor, o cristão não deposita aqui a sua esperança. Ele sabe que esta nossa terra está maldita por causa do pecado e que não há como fazer aqui habitar a justiça, algo que virá apenas quando houver novos céus e nova terra (II Pe.3:13).

- Imitando o seu Senhor, o cristão, recebendo a virtude do Espírito Santo, busca fazer o bem e curar a todos os oprimidos do diabo (At.10:38), mas sabendo que isto não poderá ser feito de modo cabal. Seu alvo não é esta terra que está a ajudar a melhorar, que tem o dever de ajudar a melhorar, mas seu objetivo, seu fim não é este mundo, mas, sim, a cidade celestial, onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

- Há alguns estudiosos das Escrituras que, inadvertidamente, vêm procurando tirar da mente dos cristãos este alvo celestial, esta cidade. Dizem que tal cidade seria apenas um “horizonte inatingível”, que se apresentaria apenas como um estímulo, um ideal, um “mito” para nos levar a lutar por um mundo melhor, onde, aí sim, residiria a missão do cristão.

- Tais pensadores não creem na cidade celestial, acham que o cristão deve tão somente lutar para o estabelecimento do reino de Deus aqui mesmo na Terra, pois seria esta a sua missão, a sua função.

- Todavia, não é isto que nos ensina o apóstolo Paulo. Os verdadeiros cristãos não pensam apenas nas coisas terrenas, mas, sim, têm como alvo a cidade celeste e, por isso, não cessam de aguardar a vinda do Senhor Jesus, quando, então, obterão a glorificação, último ato do processo da salvação.

- Aqui o apóstolo Paulo retoma o tema que já havia apresentado neste capítulo, qual seja, a de que a suprema aspiração do crente era a “ressurreição dos mortos”. Tal ressurreição dar-se-á com a volta de Cristo Jesus, que transformará o nosso corpo abatido conforme o Seu corpo glorioso (Fp.2:21).

- Paulo, deste modo, desmente os gnósticos, os “antinomistas”, ao mostrar que o nosso corpo é, sim, importante para Deus, que Deus com ele se importa, tanto que o transformará num corpo glorioso para que, com ele, adentremos nas mansões celestiais.

- O corpo que temos, hoje em dia, é, sim, um corpo abatido, que se corrompe por causa do pecado, visto que é pó e ao pó tende a tornar (Gn.3:19). Este processo de corrupção do corpo não significa, entretanto, que tal corpo seja mau em si, seja ruim. Este corpo foi criado por Deus e, como tal, é algo bom, muito bom (Gn.1:31).

- Todavia, em virtude do pecado, o corpo passa por um processo de degeneração, sendo, ainda mais, um instrumento de iniquidade, um instrumento de injustiça, visto que se encontra sob o domínio do pecado (Rm.6:12,13).

- Entretanto, para podermos entrar no céu, este corpo abatido será transformado num corpo glorioso, assim como o Senhor Jesus recebeu um corpo glorioso quando de Sua ressurreição (Lc.24:37-43).

- Assim, não é verdade que Deus “queira somente o coração”, mas devemos manter nosso corpo, ainda que abatido, como instrumento de justiça para santificação (Rm.6:19; I Ts.5:23), visto ser ele templo do Espírito Santo (I Co.6:19).

- Se mantivermos o nosso corpo, ainda que abatido, como templo do Espírito Santo, este corpo será glorificado, quando da vinda do Senhor Jesus e, assim, completaremos nossa salvação, alcançaremos o fim de nossa fé (I Pe.1:9).

- Para isso, precisamos ter o nosso tesouro no céu e não nesta Terra (Mt.6:19-21). Para isso, precisamos mortificar a carne e fazer única e exclusivamente a vontade do Senhor. Para isto, precisamos tomar a nossa cruz, fazermo-nos “amigos da cruz de Cristo”, deixando o pecado, dominando as nossas paixões e sofrendo pelo amor a Cristo e pela Igreja na salvação do mundo.

- Como temos vivido, amados irmãos? Temos sido autênticos e genuínos servos do Senhor Jesus? Temos amado a cruz? Pensemos nisto!



Colaboração para o Site Pecador Confesso - Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco
Colaboração para o Site Pecador Confesso - Presbítero Eudes L Souza
Colaboração para o Site Pecador Confesso - Ev. Natlino das Neves
Colaboração para o Site Pecador Confesso - Pastor Alexandre Coelho
Texto Editado e Postado por Hubner Braz (@PecadorConfesso)

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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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