O que significa a palavra AMÉM na Bíblia - O perigo do dizer “AMÉM” em tudo que postam ou ouvem por aí.



Amém é uma expressão que vêm sendo usada constantemente em nossas Igrejas. Ela é usada quando alguém quer convidar o povo a abrir suas Bíblias, como por exemplo: “vamos abrir a Palavra de Deus no Livro dos Salmos, amém?”, ou, “quem encontrou, diga amém!”, e, até mesmo quando um pregador saúda a Igreja dizendo assim: “Eu quero saudar a Igreja com a ‘graça e a paz do Senhor', amém?”. Certa feita, estive em uma igreja e no momento em que o pastor passou a palavra para o pregador, este se dirigiu para o púlpito, abriu a sua Bíblia e em seguida disse: “Amém?”.

Temos a impressão que a palavra amém tem se tornado um maneirismo ou um “chavão evangélico”. Para tudo se usa o amém, mesmo quando não se tem nada para falar e fazer. Entretanto, à luz da Palavra de Deus, qual seria o correto uso desta expressão tão conhecida no meio evangélico?

O dicionário nos diz que amém significa “palavra litúrgica de aclamação, que indica anuência firme, concordância perfeita, com um artigo de fé; assim seja”. [1] No aspecto teológico, a palavra amém aparece 56 vezes em toda Bíblia , sendo 28 no Velho e 28 no Novo Testamento. No Antigo Testamento, a palavra hebraica usada é “amen”, que “expressa uma afirmação certa em face de algo que foi dito. É usada após o pronunciamento de maldições solenes (Nm 5:22; Dt 27:15) e após orações e hinos de louvor (1Cr 16:36; Ne 8:6; Sl 41:13, etc)”. [2] Desta forma, há de se perceber que o termo é empregado com a finalidade de confirmar uma verdade e não de indagar sobre algo.

É comum ouvirmos a afirmação que o significado das palavras hebraica e grega traduzidas como “amém” é “que assim seja”. Ouvimos, por exemplo, que devemos finalizar nossas orações com um convicto “amém”, a fim de expressar nosso forte e sincero desejo de que Deus atenda nossas petições. E, de fato, a palavra pode ser entendida dessa forma. Edward Robinson diz que a palavra aparece “usualmente no final de uma oração, onde serve para confirmar as palavras que precedem” (Léxico Grego do Novo Testamento.Rio de Janeiro: CPAD, 2012. p. 46). Isso pode ser visto, por exemplo, em Neemias 5.13: “Também sacudi o meu regaço e disse: Assim o faça Deus, sacuda de sua casa e de seu trabalho a todo homem que não cumprir esta promessa; seja sacudido e despojado. E toda a congregação respondeu: Amém! E louvaram o SENHOR; e o povo fez segundo a sua promessa” (cf. Deuteronômio 27.15-26; 1Reis 1.36; 1Coríntios 14.16). Não é incorreto afirmar que dizer “amém” é uma expressão de desejo pela consecução daquilo que é pedido ou uma confirmação do que foi afirmado.

Entretanto, a palavra “amém” possui um significado mais solene. O estudioso Hans Bietenhard afirma: “Através do ‘amém’, aquilo que foi falado é afirmado como certo, positivo, válido e obrigatório” (Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 2007. p. 110). Trata-se, portanto, de uma afirmação de veracidade. Dizer “amém” é jurar que aquilo que foi afirmado na oração é expressão da verdade. Nesse sentido, quando suplicamos algo a Deus e dizemos “amém”, estamos expressando diante do Senhor que o nosso desejo é sincero e verdadeiro. Quando louvamos a Deus e finalizamos com “amém” estamos afirmando diante dAquele que sonda o nosso coração, que verdadeiramente o valorizamos e o consideramos como supremamente valioso.

Esse significado pode ser visto, por exemplo, em Isaías 65.16: “de sorte que aquele que se abençoar na terra, pelo Deus DA VERDADE é que se abençoará; e aquele que jurar na terra, pelo Deus DA VERDADE é que jurará”. A palavra hebraica traduzida pela Almeida Revista e Atualizada como “da verdade” é 'amên. Literalmente, o tetxo diz: “aquele que se abençoar na terra, pelo Deus DO AMÉM é que se abençoará; e aquele que jurar na terra, pelo Deus DO AMÉM é que jurará”. A ideia é que toda bênção e todo juramento terão a Deus como sua testemunha, Aquele que é a própria verdade, devendo, assim, serem feitos segundo a verdade e por coisas lícitas. Em Apocalipse 3.14, Jesus se identifica para o anjo da igreja de Laodiceia da seguinte forma: “Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o AMÉM, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”. Ao identificar-se como o “Amém”, Jesus está afirmando que o diagnóstico que ele apresentará a seguir é a mais pura expressão da verdade. Tudo o que ele tem a dizer é verdadeiro e, portanto, digno de crédito e de submissão da parte daqueles que ouvem. Gregory K. Beale diz que, “as três descrições ‘o Amém, a testemunha fiel e verdadeira’ não são distintas, mas geralmente se sobrepõem para sublinhar a ideia da fidelidade de Jesus ao testemunhar diante de seu Pai durante seu ministério terreno e sua continuidade como tal testemunha” (The Book of Revelation. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1999. p. 296). Simon Kistemaker, outro estudioso do Novo Testamento diz que, “o ‘Amém’ comunica a ideia daquilo que é verdadeiro, solidamente estabelecido e fidedigno”. (Comentário do Novo Testamento: Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 225).

De igual modo, quando desejava expressar de forma mais contundente a veracidade do seu ensinamento e como ele deveria ser levado a sério por seus discípulos, Jesus introduzia seus ditos no Evangelho de João com um duplo “amém”, que na nossa tradução aparece como “em verdade, em verdade vos digo”: “E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (1.51; cf. 3.3,5,11; 5.19,24,25; 6.26,32,47,53; 8.34,51,58; 10.1,7; 12.24; 13.16,20,21,38; 14.12; 16.20,23; 21.18). Todo o seu testemunho é verdadeiro. Nele não há engano. Nas suas declarações não existem mentiras. Ele é a verdade e tudo o que Jesus afirma é verdadeiro.

Isto posto, devemos compreender que quando fazemos nossas orações a Deus, louvando-o, bendizendo-o, fazendo súplicas e intercessões, e respondemos com o “amém”, estamos dizendo ao Deus da Verdade, ao Deus do Amém, que nossos desejos são sinceros, que nosso coração está tomado de santas afeições por suas perfeições, majestade e glória. Quando oramos e concluímos com o “amém”, dizemos ao Deus que sonda os nossos corações que tudo o que expressamos é verdadeiro. Por esta razão, devemos levar muito a sério o dever da oração. Devemos nos aproximar de Deus sabendo que ele não vê como vê o homem. Ele vê o coração. Ele sabe quando nossos desejos estão direcionados para outras coisas. Ele conhece a insinceridade dos nossos corações. Quando não somos sinceros ou quando somos indiferentes em nossas orações, o “amém” é uma mentira dita ao Deus que tudo sabe. Por isso, que ele nos guarde de toda mentira e nos preserve no caminho da verdade, para que nossas orações sejam, de fato e de verdade, nas palavras de Wilhelmus à Brakel, “a expressão de santos desejos a Deus, em nome de Cristo, que, por meio da operação do Espírito Santo, procede de um coração regenerado, junto com o pedido do cumprimento desses desejos” (The Christian’s Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 1997. p. 446).

No Novo Testamento, a palavra usada é “amen”, de onde procede a nossa palavra “amém” em português. Da mesma forma que no Antigo Testamento, a expressão amém é utilizada ao final de orações e hinos de louvor (Mt 6:13; 9:25; 11:36; Fp 4:20; 1Tm 1:16; Ap 7:12, etc). “Isto indica que o termo assim usado em nossas orações deve expressar certeza e segurança no Senhor, a quem dirigimos a nossa oração”. [3]

Partindo dessa premissa, podemos ver algumas implicações do correto uso da palavra “amém”:

Em primeiro lugar: a palavra amém poderia ser utilizada no término de uma leitura bíblica no culto; em orações cantadas (hinos e cânticos espirituais); orações proferidas por irmãos durante o culto ou reuniões de oração; ao término da mensagem exposta pelo pregador e também ao findar do culto, como por exemplo, o “amém tríplice”.

Em segundo lugar: o amém só deve ser respondido quando entendemos aquilo que é falado ou cantado. O apóstolo Paulo exortando a Igreja de Corinto diz: “E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes” I Co 14:16. João Calvino ainda diz que a finalidade de se dizer amém após a oração é “indicar publicamente que as orações, feitas por um, eram de fato de todos eles. Portanto, ela indica a confirmação não só daquilo que afirmamos na oração, mas também do que pedimos nela”. [4]

Em terceiro lugar: a expressão amém deve ser utilizada sempre como ato afirmativo ou de exclamação (!), nunca de interrogação (?). Das 56 vezes que a palavra aparece na Bíblia, 53 são afirmações, como: “Bendito seja o Senhor para sempre! Amém e Amém! ” Sl 89:52 ou “Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo:Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!”Ap 7:11-12. Portanto, a palavra Amém não é usada para indagar e sim para afirmar. Exemplo disso também nos dá o rei Davi ao dirigir a Deus um Salmo de ações de graças em um culto congregacional: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, desde a eternidade até a eternidade. E todo o povo disse: Amém! E louvou ao Senhor” 1Cr 16:36. As outras três expressões encontradas no Texto Inspirado, nada têm haver com uma interrogação (1Co 14:16; 2Co 1:20 e Ap 3:14). Aliás, neste último texto, João atribui a Jesus a expressão Amém, ou seja, aquele que testemunhou verdadeiramente a criação de Deus.

Diante daquilo que a Bíblia nos ensina, usar a palavra Amém como “chavão” ou “jargão” é desfocar completamente o seu sentido. Num estudo ou em uma palestra, não há nada de errado em se questionar os ouvintes se eles estão entendendo. Mas, para isso, não é necessário usar o “amém?”, e, sim, o famoso “ok?” ou “tudo bem?”, ou mesmo, se você quer saber se todos abriram a Bíblia ou se encontraram o texto, ao invés do “amém?”, pergunte: “todos abriram?, todos encontraram o texto?”. Que assim, queira o Senhor nosso Deus nos abençoar, para que façamos o mais correto uso das expressões bíblicas. Amém !

NOTAS:

[1] - Dicionário Aurélio Século XXI , on-line.
[2] - Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento , Vida Nova, p. 86.
[3] - Ibid, p. 86.
[4] - João Calvino, Comentário de 1Coríntios, Paracletos, São Paulo 1996, p. 420.


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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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