Lição 02 - A fidelidade de Jesus Cristo – 11 de Janeiro de 2015 - Editora Betel

TEXTO ÁUREO
“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” Fp 2.5

VERDADE APLICADA
A fidelidade é uma característica requerida àqueles que almejam viver a eternidade com Jesus.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
► Mostrar a fidelidade que Jesus manteve aqui na Terra enquanto desenvolveu Sua missão;

► Ensinar a importância de agirmos com fidelidade em todos os aspectos desta vida, se quisermos ser verdadeiros discípulos de Cristo;

Informar à Igreja peregrina que Jesus manterá Suas promessas de capacitação, companhia e proteção enquanto espera Sua volta.

TEXTOS DE REFERÊNCIA
Fp 2.5 - De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

Fp 2.6 - Que, sendo em forma de Deus não teve por usurpação ser igual a Deus.

Fp 2.7 - Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;

Fp 2.8 - E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.

INTRODUÇÃO
A maneira de viver que Jesus partilhou com os que estavam à Sua volta foi suficiente para influenciar as demais gerações que sucederam depois d’Ele (Tg 1.18). Mesmo ainda jovem ocupou a Sua mente e Seu tempo em cumprir estritamente os propósitos do Pai que O enviou para uma obra incomparável (Lc 2.52).

O estudo desta semana não irá abordar necessariamente a fidelidade de Jesus Cristo como parte de sua essência e do seu Ser, visto ser Ele Deus (Jo 8.56-58; Fp 2.9).  Este atributo já foi tratado na lição da semana passada. A fidelidade de Jesus Cristo, assunto a ser tratado na lição desta semana, diz respeito ao seu compromisso e lealdade para com o Pai, o fiel cumprimento de sua missão, e a promessa de companhia e proteção à sua igreja, bem como seus exemplos de fidelidade e legados que Ele deixou para as gerações vindouras.   

1. A FIDELIDADE DE JESUS CRISTO AO PAI
Os passos do Mestre neste mundo foram marcados pela maneira fiel com que se relacionou com o Altíssimo. Na Sua particularidade, mesmo sendo a segunda pessoa da trindade divina (Lc 3.22), procurou portar-se com afinco na missão de desenvolver o caminho de salvação através da Sua morte na cruz (Fp 2.8) e ressurreição do túmulo (Mt 28.5, 6). Sendo a fiel testemunha (Ap 1.5) e primogênito dos mortos (1Co 15.20), mudou a história de todos aqueles que não tinham mais esperança de vida eterna (1 Jo 1.2; 5.11).

A fidelidade de Jesus Cristo ao Pai fica bem caracterizada quando Ele se apresenta como portador e mediador do pacto entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). Sua lealdade e morte na cruz abriram o caminho da salvação levando a despertar no homem uma resposta que se caracterizar por fé e obediência (Rm 1.5,6,17). Portanto, a lealdade e fidelidade de Jesus Cristo ao Pai e a história da salvação leva-nos a um tríplice desdobramento: Deus que se apresenta como o próprio salvador (Jo 3.16), Jesus como caminho da salvação (Jo 14.6) e nós os herdeiros da salvação (Rm 8.17; Tt 3.7).      

1.1 Na encarnação de Cristo
O plano de salvação da humanidade incluía a vinda de Cristo a este mundo, como homem, nascido de mulher, conforme profetizado pelos profetas (Is 7.14; Mq 5.2), cumprindo todas as exigências legais ordenadas pela Lei mosaica que requeria um sacrifício perfeito (Hb 9.11,12; Gl 4.4) para que validasse a salvação de todos os homens. Sua concepção, nascimento e encarnação obedeceram criteriosamente aos propósitos de Deus prescrito na Lei: homem perfeito, nascido de uma virgem pura, sem pecado algum (Jo 1.1,14).

Na verdade, o plano de salvação da humanidade inclui não só exposição da justiça de Deus, como também seu caráter e seus resultados. A exposição da justiça de Deus envolve todos os detalhes e exigências legais, desde o inicio com o projeto, passando pela encarnação até a entrega de seu filho único na cruz do calvário (2 Co 5.21). Assim, o não cumprimento de um pequeno detalhe, por menor que fosse, poderia colocar em risco todo processo de exposição da justiça de Deus e conseqüentemente invalidar o plano de salvação. No tocante ao seu caráter a justiça de Deus é o modo pelo qual Deus descobriu de salvar os homens injustos, sem se tornar injusto em si mesmo, ou seja, é a ação de Deus em aceitar os homens como justos (Rm 3.20-28; 1 Co 1.30; 2 Co 5.21). Já no tocante aos resultados, a justiça de Deus é a mudança ocasionada, primeiro da posição (antes condenado, agora salvo) e depois da condição (antes pecador, agora santo). Se porventura alguém fracassar na sua vida espiritual, não foi por falta da fidelidade de Deus e de Jesus Cristo, mas porque tal pessoa com certeza foi negligente na sua comunhão com Deus e com Cristo (Jo 15.6).
      
1.2 Em comunicar a verdade do Pai
A sociedade na qual Jesus desenvolveu Seu ministério trazia em mente a influencia da filosofia grega na cultura dos povos. Isso fica evidente na pergunta cética de Pilatos para Jesus acerca do que é a verdade (Jo 18.37,38). Consta no evangelho de João que a Lei foi dada por Moisés, enquanto a graça e a verdade vieram por meio de Cristo (Jo 1.17). Ainda assim, os grupos religiosos da época, que detinha o conhecimento, interpretação, e ensino da Lei em Israel (Lc 5.17), sentiam dificuldade em abandonar as verdades humanas para reconhecer a verdade eterna encarnada em Jesus como o Messias prometido (Jo 4.25). Nesse contexto de vida é que Jesus verbaliza Seus diálogos e exposições dos ensinos divinos, como aquele que traz e comunica a doutrina do Pai (Jo 7.16; Jo 14.24) a todos os povos, tribos e nações.

Portanto, todos aqueles que procuram entender e aceitar a verdade do Eterno naturalmente são libertos por ela, alcançando uma nova vida através da ação poderosa da palavra viva (Hb 4.12; 1Pe 1.23).

Na família, na sociedade ou nas relações interpessoais a comunicação é imprescindível para o conhecimento das pessoas. Afinal, é pela comunicação que pessoas se entendem e conhecem o que uma e outra é ou pensa. Na família, por exemplo, não posso imaginar que um pai se oculte para sempre de seu filho sem nunca se comunicar com ele. Da mesma forma, também não consigo imaginar um Deus que retivesse o conhecimento de seu Ser e de sua vontade, ocultando-se de suas criaturas que o criara à sua própria imagem (Gn 1.26). Jesus mesmo sendo revelação máxima de Deus (Hb 1.1-2), jamais deixou de testemunhar e comunicar as verdades de Deus ao seu povo, contido em Sua Palavra (Jo 5.39; 10.35). Aliás, a infalibilidade das Escrituras está envolvida com a divindade e a pessoa do próprio Cristo (Jo 1.1-3; 8.32). Assim, quem quer que aceita a Jesus Cristo como Deus e Senhor deve aceitar também o seu ponto de vista sobre as Escrituras. Não podemos negar o valor de seu testemunho (Jo 17.17). Se as Escrituras foram aceitas por Ele como Palavra de Deus (Jo 10.35), se Ele aceitou e obedeceu como Lei Escrita de Deus (Mt 5.17), então a questão está resolvida para todo o homem que O aceita como Senhor e Salvador (Jo 8.47).

1.3 Em submeter-se à vontade do Pai
A submissão de Jesus em concretizar o plano de salvação designado por Deus implicou-O a tornar-se humano. Isso condicionou-O a conviver com pessoas influenciadas pelo cumprimento da vontade romana em manter o domínio cultural e territorial de seus súditos. Em relação à humanidade, o propósito de Deus era que alguém que fosse perfeito assumisse a culpa pelos pecados de todas as gerações (Is 53.3-7; 1 Co 13.10), uma vez que o homem carrega em seu sangue o “vírus” da desobediência, o pecado original (Rm 5.12). Por isso, Jesus submeteu-se à vontade do Pai, carregando sobre Si mesmo os pecados da humanidade para que pudesse redimi-la e reconciliá-la com o Pai. Dessa forma, Jesus foi enviado voluntariamente, como um sacrifício perfeito, imaculado, realizando um ato de expiação na cruz, reconciliando o homem com o Criador (2 Co 5.18,19).

O escritor Edgar Yong Mullins descreve que a personagem humana é o único meio adequado para a auto revelação de um Deus pessoal. Assim, podemos contemplar a revelação do Pai na pessoa de Cristo.

A fidelidade de Jesus em submeter-se à vontade do Pai é uma clara demonstração que nem sempre é fácil ou agradável fazer a vontade de Deus, mas que é necessário. A agonia de Jesus no Getsêmani, quando estava próximo de ir para a cruz indica que Ele poderia recusar ir para cruz e dizer: “Não quero mais fazer a sua vontade” (Jo 10.18). Porém, ao invés de assim agir, Ele prefere orar ao Pai e pedir: “Pai, se possível, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22.42). E assim, em cumprimento à vontade de Deus, Ele obedece e se submete ao calvário onde realiza a obra da expiação dos nossos pecados (Lc 23.33-47). Quando a Escritura diz que Cristo morreu por nossos pecados, está dizendo que Jesus se submeteu, não somente à morte física, mas também à morte que significa "pena pelo pecado" (Rm 3.23; 6.23). Com isto Ele nos convida e dar todos os recursos necessários para seguirmos seu exemplo. Deus nos dá liberdade para escolher se vamos ou não nos submeter a Ele. A decisão é minha e sua (Jo 3.15-17). Oxalá, que sejamos sensatos e procuremos compreender a vontade de Deus, sujeitando-se a fazer Sua vontade todos os dias de nossa vida (Ef 5.17).
    
2. A FIDELIDADE DE JESUS CRISTO À SUA MISSÃO
A encarnação do Filho do Homem entre nós teve como objetivo principal expiar os pecados da humanidade na cruz, reconciliando os pecadores e salvando todos os que haviam se perdido (Jo 1.14). Portanto, enfatizaremos a seguir o teor da fidelidade de Jesus no cumprimento dessa incumbência intransferível.

O amor de Deus também se exterioriza na fidelidade e sacrifício de Jesus Cristo (Rm 5.8; Jo 3.16), pois havíamos quebrado as leis de Deus e violados os seus princípios de justiça.  No principio, o homem foi criado capaz de viver eternamente, isto é, não morreria se obedecesse à lei de Deus (Gn 3.3). Mas desobedeceu, quebrou o pacto de vida e ficou separado de Deus (Is 59.2). A expiação, neste caso, nada mais é do que a satisfação da lei, ou seja, o meio pela qual se pode adquirir a justificação, e isto, só está sendo possível para nós, porque Jesus cumpriu com fidelidade a sua missão na terra (Rm 6.6-11). 

2.1 Expiar os pecados
A humanidade carece de salvação devido a incontestável realidade do pecado que a tem contaminado, manchado e afastado de Deus, conforme declarou o apóstolo Paulo (Rm 3.23). A natureza humana estava corrompida, degenerada e completamente fora do plano do Criador. Daí a necessidade de se preparar uma solução permanente que correspondesse aos requisitos da justiça e do juízo divino. Ao enviar Seu filho para realizar a obra expiatória na cruz (Fp 2.8), Deus preparou o sacrifício perfeito (Hb 7.26), o advogado fiel (1 Jo 2.1), o caminho reto pelo qual todos os que creem em Seu nome possam ser reconciliados.

Os sacrifícios do Antigo Testamento eram ao mesmo tempo expiatórios (pois apagavam os pecados, tornando o pecador remido de seu delito, restaurando-o à comunhão com o Criador) e vicários (pois outra vida era oferecida pelo pecado em lugar do transgressor), dessa forma assegurando a plena salvação. Assim, Cristo, o Sumo Sacerdote dos bens futuros, conforme descreve o autor da epístola aos Hebreus (Hb 9.11), se ofereceu uma vez para redimir a humanidade, realizando uma eterna redenção.

A palavra expiação, deriva do termo grego “Kaphar” e significa “Cobrir”. Assim, expiação comunica a idéia de “cobrir o pecado mediante resgate”, de modo que haja uma reparação ou restituição adequada pelo delito cometido. Em outras palavras expiação, significa unir ou reconciliar através de um sacrifício que elimina a culpa ou a dívida (Lv 16.7-16). Portanto, a necessidade da expiação é consequência de dois fatos: A santidade de Deus e a pecabilidade do homem (1 Pe 1.15,16; Lv 11.44,45; 1 Ts 4.7; 1 Co 1.2; Rm 1.7). A reação da santidade de Deus contra a pecabilidade do homem é conhecida como ira, a qual só pode ser evitada mediante a expiação (Hb 9.19-22). No Antigo Testamento o derramamento de sangue dos animais trazia expiação dos pecados para toda nação de Israel. Esses animais levavam a culpa e a penalidade deles e cobriam seus pecados com seu sangue derramado (Lv. 5.15-16). O sangue de Cristo derramado na cruz, é a expiação plena e definitiva que Deus oferece a toda humanidade (Sl 103.12; Is 53.6,11,12; Hb 9.11-12 e 24-26; 10.4-11; Rm 3.25-26; 5.6-11; 6.23; Gl 3.13; 2 Co 5.18-21; 1 Pd 1.18; 2.24; 1 Jo. 2.2 e Jo 1.29). Já a palavra "justificação" é um termo judicial que significa "absolver, declarar justo, ou pronunciar sentença de aceitação". Visto que o homem por natureza estava destituído de justiça; seria necessário lhe imputar uma justiça não merecida. Assim, Deus providenciou um terreno sólido no qual pode imputar àqueles que aceitassem o sacrifício de Cristo. Neste caso, imputar significa lançar à conta de alguém as consequências do ato de outrem, quer seja um ato bom ou mal (Rm 4.6-8). Por exemplo: As consequências da desobediência do homem foram creditadas à conta de Cristo, e as consequências da obediência de Cristo foram creditadas à conta do crente. Em outras palavras: Os méritos de Cristo são creditados na conta dos crentes, enquanto que os pecados dos crentes são creditados na conta de Cristo (Jr 23.6; I Co 1.30; 2 Co 5.21; Fp 3.9). Essa é a principal razão de sua morte se tornar num dos eventos mais importantes do Novo Testamento e na doutrina central da Bíblia (1 Co 15.2-3). Isto é motivo de sobra para ser gratos e fieis a Cristo pelo resto de nossas vidas!

2.2 Reconciliar os pecadores
A comunhão no relacionamento entre Deus e o homem foi interrompida desde que o pecado foi concebido pelo primeiro casal no Éden, onde se fizeram inimigos de Deus (Cl 1.21). Mas, o amor que Deus tem pelas Suas criaturas é imensurável (Jo 3.16), capaz de ir ao encontro do homem caído e restabelecer a paz (Is 9.6), reconciliando-o consigo mesmo através da morte vicária de Cristo (2 Co 5.18) e removendo o abismo de separação criado pelo pecado (Is 59.2). Portanto, Jesus é o mediador do melhor concerto, consumado na Cruz por um alto preço independentemente de nós, e que oferece melhores promessas (Hb 8.6) aos pecadores reconciliados porque Ele nos amou primeiro (1 Jo 4.19).

O ministério da reconciliação que Paulo escreveu para a Igreja (2 Co 5.18) é um dever que Cristo atribuiu a Seus discípulos para ser desenvolvido fielmente através da pregação do Evangelho da graça, onde todos são chamados à luz (Jo 8.12).

Deus reconciliou o mundo consigo mesmo através de Jesus Cristo, e de quebra, ainda nos concedeu o inestimável privilégio de sermos embaixadores ou representantes Seu, aqui na terra, para exercermos o Ministério da Reconciliação (2 Co 5.18; 1 Tm 2.5). Antes éramos inimigos de Deus, agora através de Jesus Cristo, somos instrumentos de reconciliação. Antes estávamos perdidos, agora buscamos os perdidos. Antes estávamos desgarrados, agora buscamos os desgarrados. Somos responsáveis em transformar a “inimizade em amizade” (2 Co 5.20). Diante disto, podemos afirmar que o Ministério da Reconciliação não é do homem, e sim, de Deus que outorgou a nós. Essa outorga poderia, muito bem, ter sido conferida aos anjos. Porém, foi entregue ao homem, de maneira que um ser humano pode ajudar ao outro (1 Pe 1.12). Entretanto, esse trabalho deve ser caracterizado pelo amor, pelo altruísmo e pela paciência. O detentor deste ministério deve ser capaz de sofrer afrontas, persuadindo os homens a passarem para o lado de Deus. Através dessa bênção temos a importante missão de sermos sucessores de Jesus no Ministério da Reconciliação. Afinal, não foi dessa forma que Cristo agiu?

2.3 Salvar os perdidos
O ato de expiação na cruz proporcionou a libertação do pecado e seu poder destrutivo a todos os que creem no nome de Jesus (Lc 19.10), assim, também como à descendência de Abraão (Mt 1.21). Vivificados em Cristo, todos aqueles que são alcançados pela graça experimentam a novidade de vida ensinada e promovida diariamente pelo agir do Espírito Santo (Ef 2.5). Assim, o bom Pastor que deus Sua vida pelas ovelhas (Jo. 10.11) direciona Seu olhar desde o céu a percorrer campos, desertos e vales à procura de ovelhas que se perdeu pelo caminho do engano (Mt 18.12) no decorrer das gerações. Nenhum daqueles que o Pai deu a Cristo, exceto o filho da perdição, se perdeu enquanto Jesus cumpria fielmente Seu ministério aqui na terra, porque o Mestre os guardava (Jo 17.12).

A manifestação do Reino de Deus é a revelação de Seu amor, presença, comunhão e misericórdia a toda a humanidade, revelados na bendita pessoa de Seu filho Jesus (Mc 1.11).

O sentido bíblico mais freqüente para salvação dos perdidos tem tudo haver com “libertação espiritual e eterna”, isto é livramento da condenação por causa do pecado e vai inserir tanto no passado, como no presente, como também no futuro. Sua inserção no passado significa dizer que o crente foi libertado (salvo) da penalidade imposta pelo pecado e que agora foi declarado justo pelo justo juiz (Rm 5.9; 1 Ts 5.9). Fomos salvos do julgamento de Deus sobre o pecado que culminaria em nossa condenação para o fogo eterno (Sl 9.17; Mt 18.9), já que o salário do pecado é a morte eterna (Rm 6.23); no presente, significa dizer que o crente está sendo liberto (salvo) do poder do pecado (Rm 6.6). É bom deixar claro, que não estou aqui afirmando que Deus livra automaticamente o crente de pecar, mas que o liberta do poder de pecar, isto é, dá todas as condições para que ele possa rejeitar e livrar-se do pecado (o crente liberto pode pecar, mas não tem prazer em pecar, visto que foi liberto do poder de pecar – Rm 7.14-20); no futuro, aí sim, significa dizer que o crente será libertado (salvo) da presença do pecado, visto que na glória seremos totalmente livres do pecado (Ap 22.1-5). No entanto, esses benefícios são concedidos somente àqueles que aceitam o sacrifício vicário de Cristo e obedecem à sua Palavra.

3. A FIDELIDADE DE JESUS CRISTO À SUA IGREJA
A Igreja é a única organização instituída por Jesus para representá-lo na Terra. É um organismo vivo e ativo para agir no mundo como corpo de Cristo, reunindo pessoas de todas as classes sociais, etnias e culturas (1 Co 12.13), revelando os propósitos divinos e as verdades das Escrituras, apregoando o amor de Jesus e Seu ministério salvífico.

Há algum tempo atrás a igreja era mais visualizada como um organismo do que como uma organização, muitos até achavam desnecessário ver a igreja como organização, já que era Cristo quem a “comandava” em todos os seus aspectos. Cria-se, que era Ele quem “dirigia, administrava, falava, pensava, escolhia, decidia, supria, controlava, vigiava, protegia e etc”. Atualmente, há uma inversão na visualização destes aspectos. Hoje muitos veem a igreja muito mais como uma organização do que necessariamente como um organismo.  Agem como se fossem donos e trabalham para fazer da igreja verdadeiros impérios. Agem como se Cristo não estivesse no comando e por isso são eles quem dirige, controla, administra, decide, escolhe etc. Estes extremos devem ser evitados, pois se visualizarmos a igreja dentro da perspectiva bíblica concluiremos que as duas ideias não são contraditórias em si e nem excludentes, mas plenamente viáveis, pois cada uma delas apresenta aspectos diferentes da mesma verdade e ambas são extremamente necessárias, desde que direcionado por Cristo. Quando falamos da igreja como organização, referimos ao seu aspecto estrutural, administrativo e operacional. Igreja como organização tem os seus líderes e dirigentes locais, regionais e nacionais, que devem ser escolhidos por direção divina para direção e manutenção espiritual (Ef 4.11-12). Já quando falamos  da igreja como organismo vivo estamos nos referindo à igreja como corpo de Cristo (1 Co 6.15,16; 10.16,17; 12.12-27), compostas de membros interdependentes e cooparticipantes de uma mesma experiência salvadora e vivencial sob uma mesma fonte de vida – Jesus Cristo. O Apostolo Paulo ilustra bem esta questão quando compara a igreja com o corpo humano. Cada membro de nosso corpo é importante e o desempenho geral do corpo depende de cada membro funcionando devidamente conforme a função que lhe está reservada e de acordo com as ordens e instruções da cabeça (1 Co 12.14-26). Isto indica que não pode existir igreja verdadeira sem união vital dos seus membros com Cristo, que é o cabeça (1 Co 12.1-13,27). Muitos podem ser membros da igreja como organização, para isto basta ter uma carteira de membro, mas nem todos são membros da igreja como corpo universal e místico de Cristo. Estes são constituídos por crentes verdadeiros, unidos por sua fé viva em Cristo, de todos os tempos e lugares (1 Co 12.12-13) Só é possível ingressar nele mediante o novo nascimento (Jo 3.3). Iremos aqui concluir dizendo: Igrejas têm que ter pastores, mas pastores não podem ter igrejas, pois a igreja pertence a Jesus. Só Ele é a fonte de toda autoridade dentro da igreja.

3.1 Revestindo a Igreja com poder
O revestimento de poder se deu inicialmente quando Jesus Cristo ordenou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém para que recebessem a virtude do Espírito Santo (At 1.8). A partir de então, toda a Igreja recebeu esse poder que lhe torna capaz de pregar, testemunhar e anunciar o Reino de Deus, e leva o crente a defender dinamicamente a fé que uma vez lhe foi entregue (Jd 3). Necessitamos de qualificações espirituais para servir o Mestre e Sua obra para qual fomos chamados. O apóstolo Paulo descreve que os dons do Espírito Santo são dispensados àqueles que propõem em sua mente viver para Deus e vencer o pecado a cada dia (1 Co 12). Assim, o poder de Deus dispensado à Sua Igreja sempre terá como alvo o aperfeiçoamento e fortalecimento daqueles que aceitarem o desafio de seguir o Cordeiro em comunhão e fidelidade a Seus mandamentos (Mc 16.15-18).

Ao ler os escritos de Paulo à igreja de Éfeso, entendemos a importância de todo servo de Jesus vestir a armadura de combate (Ef 6.11-18). Portanto, jamais poderemos entrar em ação na propagação do Evangelho sem orar, jejuar e meditar nas Escrituras. Devemos vigiar em todo o tempo, pois sabemos do perigo iminente que corremos diante do inimigo de nossas almas.

Tudo na igreja depende do Espírito Santo. A sobrevivência da igreja depende da ação e direção do Espírito Santo.  Ele age e direciona nos departamentos da igreja, na obra de missões, no ministério da pregação, na distribuição dos dons, etc (1 Co 12.4-12). Quando esta promessa se cumpriu, os discípulos experimentaram literalmente o que Jesus havia prometido (Jl 2.28-29). Eles creram e receberam o Espírito Santo e falaram novas línguas (At 2.1-4). A multidão que de vários lugares havia vindo para assistir a festa religiosa em Jerusalém, ouvia-os falar na sua própria língua, em que eram nascidos. No entanto, sabiam que eles como galileus não conheciam tais línguas (At 2.5-12). Tudo na vida do crente depende da ação do Espírito Santo. É Ele quem cuida de todas as coisas, quem nos aproxima de Deus, quem nos enche de poder, quem batiza, quem nos concede dons, quem nos ensina, quem nos consola, quem nos alegra, quem nos ajuda, quem nos guia, quem testifica que somos filhos de Deus, quem intercede, que nos santifica, etc (1 Co 12.11). É o Espírito Santo quem santifica o crente tornando-o cada vez mais real a sua experiência com Deus e nos capacitando para que possamos entrar no céu pelas portas (Hb 12.14; Ap 22.14). É o Espírito Santo quem estará conduzindo a Igreja de Cristo, até que ela encontre o Senhor nos ares (1 Co 12.1-14; 1 Ts 4.17).

3.2 Preservando a Sua Igreja
A Igreja cristã é perseguida desde seu início em Jerusalém. Entretanto ela é fundamentada em Cristo e por isso é capaz de suportar as tempestades que se levantam contra ela (Mt 16.18). Jamais os representantes políticos e movimentos socioculturais de uma nação poderão inserir normas que venham desfazer a Igreja, que está pautada na Palavra de Deus (Cl 3.16). A Igreja gloriosa, invisível e inumerável de Jesus está muito além das paredes de tijolos feitas por mãos humanas, pois a sua posição não é alcançada pelo homem natural (1 Co 2.14) e sim espiritual.

É nessa posição sobrenatural que a Igreja de Cristo tem sido preparada (Jo 16.13), preservada (Jo 14.17) e guiada pelo Espírito Santo fielmente nas regiões celestiais em Cristo durante a dispensação da graça (Ef 2.6).

Desde os seus primórdios a igreja sempre sofreu e vem sofrendo perseguição e/ou oposição por parte das autoridades (At 8.1-25). Somos perseguidos, porque somos um povo especial, zeloso e de boas obras (Tt 2.14). Aqui ou em países comunistas, perseguem-nos não apenas fisicamente, mas cultural e institucionalmente. Esse sistema que jaz no maligno, tudo faz para sufocar a Noiva do Cordeiro. Porém, à semelhança dos cristãos primitivos, quanto mais tentam reprimir-nos, mais nos espalhamos. Como disse Tertuliano, um dos mais importantes apologistas eclesiásticos: "Quanto mais nos esmagardes, tanto mais cresceremos, pois é semente o sangue dos cristãos". O Diabo fez de tudo para destruir a igreja desde o seu nascedouro, porém Ela segue vitoriosa, pois somos um povo militante, um exército engajado em um conflito espiritual, batalhando dia após dia, com a espada e o poder do Espírito (Ef 6.17). Você está preparado para defender a sua fé?

3.3 A certeza da Sua presença
A noiva do Cordeiro tem a alegria de contar com a companhia fiel e ininterrupta de seu noivo mesmo antes do casamento, uma vez que Cristo é Onisciente, Onipotente e Onipresente (Jr 23.24). Pois a fidelidade de Jesus transcende o nosso entendimento e mesmo que sua Igreja possa se sentir fragilizada diante dos obstáculos, não está só. O apóstolo Paulo, ao escrever à igreja que estava em Corinto (1 Co 6.19), lembrou-os de que cada crente é habitação do Espírito Santo, dessa forma somos ensinados como proceder em todos os instantes em nossa vida cristã.

O nosso Senhor está conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28.20b), mas, para sentirmos Sua presença, é necessário intimidade, que alcançaremos através do tempo que reservarmos para ficar a sós com Ele em consagração (Mt 26.38).

A certeza de sua presença na igreja dos dias atuais é tão importante como foi para a igreja nos primórdios de sua formação (Mt 28.20). Os discípulos, depois da crucificação, se sentiram esmagados por um sentimento de perda. O Cristo que eles haviam amado e que vivera para Ele tinha partido. Estavam se sentindo só. Foi assim, no lamento do Cristo ausente, que eles largaram suas chamadas e voltaram às atividades de pescadores (Jo 21.1-14). Não é diferente nos dias atuais. Quando a igreja não tem plena certeza de que Cristo está presente em seu meio, parece que as coisas não acontecem e voltamos às práticas das coisas antigas. A aparição de Jesus, após sua ressurreição, trouxe aos discípulos novamente a certeza de sua presença e isto transformou em absoluto aquela situação. Você é um tipo de cristão que vive e pensa como se Cristo tivesse ausente? Talvez você não tenha plena consciência da sua presença, mas a verdade é Jesus está sempre presente conosco. Ele mesmo declara isto dizendo: “... eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mt 28.20). Na bonança, nas lutas, nas provações, nos obstáculos e nas adversidades, pode ter certeza, Ele está conosco! Jesus Cristo é absolutamente fiel para cumprir todas as suas promessas!          

CONCLUSÃO
A fidelidade de Jesus está pautada no compromisso com o Pai de se oferecer para vir ao mundo, de levar ao Calvário os pecados da humanidade, ser fiel ao cumprir Sua missão e apresentar ao mundo a certeza de Seu amor incondicional para com Sua Igreja amada.

Como é bom saber que junto ao trono do Todo Poderoso, temos um fiel mediador sempre pronto a interceder por nós (1 Tm 2.5). Consola-nos também saber que temos um advogado fiel e sempre pronto a defender-nos das causas junto ao juiz de toda a terra (1 Jo 2.1-2). Louvemos a Deus por isto!  

QUESTIONÁRIO
1. Como aconteceu a encarnação de Cristo conforme descrito em Gálatas 4.4?
R. Através do Envio do Filho na plenitude dos tempos, nascido de mulher e nascido sob a Lei (Gl 4.4).
2. Segundo João 7.16, a verdade apresentada por Jesus foi extraída de qual fonte?
R.A doutrina de Jesus originou-se do próprio Deus (Jo 7.16).
3. Qual é o alvo do poder de Deus dispensado a nós?
R. Aperfeiçoamento e fortalecimento dos crentes em Cristo (At 1.8).
4. O que o apóstolo Paulo lembrou aos crentes em 1 Coríntios 6.19?
R. Que nós somos moradas do Espírito Santo (1 Co 6.19).
5. Quais os três aspectos que distingue a fidelidade de Cristo à Sua missão?
R. Expiar os pecados, reconciliar os pecadores e salvar os perdidos (1 Jo 1.14).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
LIÇÕES BÍBLICAS. Fidelidade - Ano 25 n° 94. 1º Trimestre de 2015 - Lição 02. A fidelidade de Jesus Cristo. Rio de Janeiro. Editora Betel.
BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Português. Tradução de João Ferreira de Almeida – com Referências e Variantes. Revista e Corrigida. CPAD – Edição de 1995.
A BÍBLIA EXPLICADA. McNAIR S.E. – 4ª Edição – Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro. 1983.

COMENTÁRIOS ADICIONAIS:
Pr. Osmar Emídio de Sousa

Osmar Emídio é Servidor Público Federal; consagrado a pastor pela Assembleia de Deus, Ministério de Madureira e Superintendente da EBD. É formado em Direito e também bacharel em Missiologia e em Teologia Pastoral, pela FATAD - Faculdade de Teologia das Assembleias de Deus de Brasília.

VÍDEO AULA PARA A ESCOLA DOMINICAL.
Compartilhar no Google Plus

Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 Milhões de Confessos:

Postar um comentário

Não deixe de participar, a sua opinião é de extrema importância!

Críticas são bem vindas quando a pessoa se identifica.