Lição 13 - A Manifestação da Graça da Salvação - 27 de Setembro de 2015 - EBD Adulto - CPAD


TEXTO ÁUREO

"Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação  a todos os homens." (Tt 2.11)

VERDADE PRÁTICA
A graça de Deus emanou do seu coração amoroso para salvar o homem perdido, por meio do sacrifício vicário de Cristo Jesus.

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Ef 2.8
O homem é salvo pela graça, por meio da fé
Terça - Jo 5.24
Aquele que ouve e crê tem a vida eterna e não entrará em condenação
Quarta - At 20.24
Dando testemunho do "evangelho da graça de Deus"
Quinta - Mc 1.15
É necessário que o pecador se arrependa e pela fé creia em Jesus Cristo
Sexta - 2 Co 5.17
Todos os que estão em Jesus Cristo são novas criaturas
Sábado - Hb 12.14
Sem santificação ninguém verá o Senhor

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Tito 2.11-14; 3.4-6
Tt 2.11 - Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,
12 - ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente,
13 - aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo,
14 - o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.
Tt 3.4 - Mas, quando apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens,
5 - não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,
6 - que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador

OBJETIVO GERAL
Ensinar que a Graça de Deus é a mais extraordinária e maravilhosa manifestação do seu amor pela humanidade, por intermédio de Jesus Cristo, o seu Filho.

HINOS SUGERIDOS: 35, 205, 396 da Harpa Cristã

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Explicar as diversas manifestações da graça de Deus.
Esclarecer a relação do crente em relação às autoridades e ao próximo.
Propor uma experiência de boas obras e o trato com os "hereges".

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Prezado professor, chegamos ao final de mais um trimestre. Este momento deve ser uma oportunidade para analisar os passos educativos dados até aqui. Avalie o seu método. Ele alcançou os objetivos das aulas? Permitiu a você alcançar o objetivo do trimestre? Seus alunos cresceram espiritual e culturalmente? São perguntas que só você pode fazer e buscar as respostas com muita humildade. A tarefa do professor da Escola Dominical sempre será uma tarefa inacabada, pois sabemos que poderíamos dar mais, ensinar melhor e prover conhecimentos que fazem sentido à vida dos nossos alunos. Aproveite esse tempo para refletir mais conscientemente a sua prática educativa.


COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Nesta última lição do trimestre estudaremos a respeito da graça divina. A graça de Deus é a mais extraordinária manifestação do seu amor para com a humanidade. Mas esta só pode usufruir os benefícios desse recurso divino, se reconhecer o seu estado miserável, em termos espirituais, e converter-se mediante a aceitação de Cristo como Salvador. [Comentário: Segundo a Bíblia, todos nós pecamos (Ec 7.20, Rm 3.23, 1Jo 1.8). Como resultado do pecado, todos nós merecemos a morte (Rm 6.23) e julgamento eterno do lago de fogo (Ap 20.12-15). Com isso em mente, todo dia que vivemos é um ato de misericórdia de Deus. Posto que a graça traz salvação, é crucial compreender o que a graça significa. A graça de Deus é seu favor ativo em outorgar o maior dom aos que merecem o maior castigo. Essa graça penetrou em nossas trevas morais e espirituais. Difere de misericórdia, embora algumas vezes as Escrituras usem a graça como um sinônimo de misericórdia. Graça é favor imerecido. O termo no original grego é charis, que deriva de charizomai. Esta palavra significa “mostrar favor para” e assume a bondade do doador e a indignidade do receptor. Quando charis é usada para indicar a atividade de Deus, significa “favor não merecido”; assim, dizemos que nós recebemos a graça de Deus. Estamos dizendo, ao mesmo tempo, que somos indignos dela e que não podemos trabalhar por ela. Desta maneira, definimos graça como ela é usada no Novo Testamento, ou seja, "O eterno e absolutamente livre favor de Deus concedido a pessoas indignas e culpadas na doação de bênçãos espirituais e eternas".] Vamos pensar maduramente sobre a fé cristã?

PONTO CENTRAL

A graça de Deus alcançou-nos por intermédio do sacrifício vicário de Jesus.


I. A MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS

1. A graça comum. Graça vem da palavra hebraica hessed, e do termo grego charis, cujo sentido mais comum é o de "favor imerecido que Deus concede ao homem, por seu amor, bondade e misericórdia". A partir dessa conceituação, podemos ver a "graça comum", pela qual Deus dá aos homens as estações do ano, o dia, a noite, a própria vida, ou seja, todas as coisas" (At 17.25 b). [Comentário: Graça comum é um conceito teológico do protestantismo, primariamente em círculos calvinistas ou reformados, que se refere à graça de Deus que é comum a toda a humanidade. Ela é comum porque seus benefícios se estendem a todos os seres humanos sem distinção. Ela é graça porque é concedida por Deus em Sua soberania. Neste sentido, a graça comum distingue-se da concepção calvinista de graça especial ou graça salvadora, que se estende somente aos escolhidos por Deus para a redenção. Wayne Grudem assim explica a Graça Comum: “Podemos definir graça comum da seguinte maneira: Graça comum é a graça de Deus pela qual Ele dá às pessoas bênçãos inumeráveis que não são parte da salvação. A palavra comum aqui significa algo que é dado a todos os homens e não é restrito aos crentes ou aos eleitos somente”. Nos círculos Arminianos, o termo correto seria Graça Preveniente, vista como sendo uma graça universal, ou graça comum. Porém, o termo graça comum tem conotações bem diferentes, especialmente quando estudado à luz da fé reformada (Calvinista), que expressa a idéia de que esta graça se estende a todos os homens, em contraste com a graça particularque limita a uma parte da humanidade, a saber, os eleitos. A graça preveniente é uma doutrina arminiana crucial, na qual os calvinistas também acreditam, mas os arminianos a interpretam diferentemente. A graça preveniente é simplesmente aquela graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, e que precede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis. Os calvinistas a interpretam como irresistível e eficaz; a pessoa em quem ela opera irá crer e arrepender-se para salvação. Os arminianos a interpretam como resistível; as pessoas são sempre capazes de resistir à graça de Deus, como a Escritura chama a atenção (At 7.51). Mas sem a graça preveniente, elas inevitavelmente e inexoravelmente resistirão à vontade de Deus por causa de sua escravidão ao pecado.].
2. A graça salvadora. "Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens" (2.11). Está à disposição de "todos os homens", mas só é alcançada por aqueles que creem em Deus, e aceitam a Cristo Jesus como seu único e suficiente Salvador. Por intermédio dela, Deus salva, justifica e adota o pecador como filho (Jo 1.12). [Comentário: A graça salvadora é aquela que vem sobre o homem, “morto em seus delitos e pecados” (Ef 2.1), incapaz de ter qualquer reação em relação a tudo que diz respeito a Deus para “vivificá-lo juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef 2.5). É a graça que confere salvação (At 15.11; Rm 3.24; 5.15; 11.6; Tt 2.11). A graça salvadora confere ao homem habilidades em todos os campos e esferas da vida, capacita-o a fazer boas obras e o leva a um compromisso mais sério com Deus e o sagrado. Muito embora, alguns, hoje em dia, têm tentado baratear a graça salvadora de Deus, oferecendo salvação como se fosse mercadoria estendida em um balcão, o que se percebe de bíblico e teológico nesse conceito é que a graça salvadora de Deus é oferecida para a justificação e vem atrelada a uma mudança de iniciativa e postura. O apóstolo Paulo escreveu que “é pela graça que sois salvos” (Ef 2.8). Isso quer dizer que o homem nada fez e nada faz nesse processo de salvação. Ele é paciente, o agente é Deus em sua graça. Pode-se concluir que salvação é graça de Deus derramada na vida dos eleitos em Cristo (Ef 1.4). Nitidamente, não se trata de uma graça dispensada a todos os homens, mas a um grupo especial, e especial em Cristo. Paulo, em vários textos, refere-se à igreja como eleita. Perceba que a igreja não elege, mas é eleita, ou seja, mais uma vez depara-se com o favor imerecido de Deus – com a graça. Mas, uma graça que não se iguala à comum, pois não é outorgada a todos os homens. A essa graça, os teólogos chamam graça salvadora.].
3. Graça justificadora e regeneradora. A Graça de Deus é a fonte da justificação do homem (Rm 3.21-26). Uma vez nascida de novo, a pessoa passa a ser "nova criatura" (2 Co 5.17), tomando parte na família de Deus: "Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de Deus" (Ef 2.19). [Comentário: Justificação é o ato de Deus pelo qual Ele declara justo aquele que crê em Jesus Cristo. O homem, que era culpado e condenado perante Deus, agora é absolvido e declarado justo pelo próprio Deus (justificado), por meio de Jesus Cristo (Rm 5.1). Nos que estão em Cristo, a justiça de Deus é manifestada (2Co 5.21) e por Ele obtemos o perdão dos pecados (Ef 1.7). Regeneração e Adoção – regenerar significa gerar de novo. O homem, morto em transgressões e ofensas, precisa de uma nova vida em Cristo, sendo esta concedida pelo ato divino do novo nascimento (Jo 1.12,13; 3.3-5). Sugere uma cena familiar. O crente é um com Cristo, em virtude de sua morte expiatória e do Seu Espírito vivificante. Nele somos feitos novas criaturas, com uma nova vida (2Co 5.17). O novo homem, em Cristo, torna-se herdeiro de Deus e membro de Sua família (Rm 8.14-17).].
4. Graça santificadora. A graça de Deus só pode ser eficaz, na vida do convertido, se ele se dispuser a negar-se a si mesmo para ter uma vida de santidade. A falta de santificação anula os efeitos da regeneração e da justificação. Diz a Bíblia: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). [Comentário: A salvação é um processo que se inicia na conversão e termina na ressurreição de nossos corpos, no dia da vinda do Senhor Jesus Cristo. Assim, a “santificação”, como parte da salvação, está relacionada à separação da propriedade exclusiva de Deus (que somos nós) para uma vida que O glorifique (Rm 12.1-2). Tendo paz com Deus, e tendo recebido uma nova vida, o novo homem, dessa hora em diante, dedica-se ao serviço de Deus. Comprado por elevado preço (1Pe 1.14-19), já não é dono de si mesmo; não mais vive na prática do pecado, mas serve a Deus de dia e de noite (Lc 2.37). Tal pessoa é santificada por Deus e, por sua própria vontade, entrega-se a Ele para viver em santificação e em novidade de vida. Somos santificados (1Co 1.2), e Ele é feito para nós santificação (1Co 1.30). Ele é o autor da salvação eterna (Hb 12.2). O homem salvo, portanto, é aquele cuja vida foi harmonizada com Deus, foi adotada na família divina, e agora dedica-se a servi-Lo. Em outras palavras, sua experiência da salvação, ou seu estado de graça, consiste em “justificação, regeneração, adoção e santificação. Sendo justificado, ele pertence aos justos; sendo regenerado, ele é filho de Deus; sendo santificado, ele é santo, literalmente uma pessoa santa”. A santificação está consubstanciada na salvação formando um conjunto integralizado, conforme vemos em Hb 12.14, assim: "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor".].


SÍNTESE DO TÓPICO I

Nas Escrituras, a graça de Deus se manifesta como "graça comum", "graça salvadora", "graça justificadora e regeneradora" e "graça santificadora".


SUBSÍDIO DIDÁTICO

Professor, explique aos alunos o conceito de "graça comum", dizendo que se trata de uma abordagem eminentemente da teologia reformada. É uma tentativa de se responder uma questão angustiante observada na existência dos santos, bem como observou o salmista Asafe (Sl 73). Se o salário do pecado é a morte, por que as pessoas que pecam não morrem imediatamente e não vão definitivamente para o inferno, mas desfrutam de bênçãos incontáveis na terra? Ainda, como pode Deus dispensar bênçãos a pecadores que merecem apenas, e somente, a morte, mesmo as pessoas que serão condenadas para sempre ao inferno? Neste contexto é que a doutrina da "graça comum" traz uma resposta bíblica acerca da questão. É uma graça pela qual Deus dá aos seres humanos bênçãos ou dádivas inumeráveis que não fazem parte da salvação. Ou seja, não significa que quem as recebe já é salvo. A base bíblica para esse entendimento é a graça manifestada por Deus na esfera física da vida (Gn 3.18; Mt 5.44,45; At 14.16,17); na esfera intelectual (Jo 1.9; Rm 1.21; At 17.22,23); na esfera da criatividade (Gn 4.17,22); na esfera da sociedade (Gn 4.17,19,26; Rm 13.3,4); na esfera religiosa (1 Tm 2.2; Mt 7.22; Lc 6.35,36). Ou seja, não é porque o mal reinante no ser humano é fruto do pecado original que ele fará somente obras más. Não, a Graça de Deus opera em todos os homens e faz com que eles façam coisas boas também.


CONHEÇA MAIS

*Graça
"O conceito de graça é multiforme e sujeito a desdobramentos nas Escrituras. No AT, hen, 'favor', é o favor imerecido de um superior a um subalterno. No caso de Deus e do homem, hen é demonstrado por meio de bênçãos temporais, embora também o seja por meio de bênçãos espirituais e livramentos, tanto no sentido físico quanto no espiritual (Jr 31.2; Êx 33.19). Hesed, 'benevolência', é a firme benevolência expressada entre as pessoas que estão relacionadas, e particularmente em alianças nas quais Deus entrou com seu povo e nas quais sua hesed foi firmemente garantida (2 Sm 7.15; Êx 20.6)." Para conhecer mais leia Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p.  876.


II. A CONDUTA DO SALVO EM JESUS

1. Sujeição às autoridades (v. 1). O cristão sincero deve obedecer aos governantes e autoridades constituídas, desde que estes não desrespeitem a Lei de Deus. Jesus mandou dar "a César o que é de César" e "a Deus o que é de Deus" (Mt 22.21). [Comentário: Nossa obediência às autoridades não é servil. Deve ser positiva e crítica. Calvino afirma que a igreja deve ser a consciência do Estado, alertando-o sempre de seu papel. O poder das autoridades possui balizas e limites. O Estado não pode ser absolutista, divinizado, encabrestando as consciências e violentando e determinando o foro íntimo das pessoas. A atitude a assumir em face das autoridades é sujeição. O termo “hypotalassesthai” não implica de modo algum um servilismo. Trata-se de uma sujeição como convém no Senhor. Essa sujeição visa evitar a desordem e promover a paz. Conforme o v. 5, a obediência à autoridade não tem o caráter de resignada submissão inspirada pelo temor ou medo, seja de multa, seja de prisão. Sua obediência não é só por medo de conseqüências. Você obedece por questão de consciência, pois aceita que a autoridade vem de Deus e quando obedece a autoridade, obedece a Deus - Deus é a fonte de toda autoridade e os que exercem autoridade na terra o fazem por delegação divina. A autoridade precisa reconhecer que sua autoridade é delegada. Quem exerce autoridade, a exerce debaixo da autoridade de Deus. Está subalterno à autoridade de Deus. Foi constituído por Deus para governar de conformidade com a justiça. Deus é o protótipo e o arquétipo da autoridade. É a autoridade de Deus que se exerce, quando exercem as autoridades civis sua autoridade a serviço do bem. Leia este interessante artigo do Ver Hernandes Dias Lopes: http://hernandesdiaslopes.com.br/2004/05/a-autoridade-civil/#.VgCc8n0T8Q0].
2. O relacionamento do cristão (v. 2). Aqui, vemos quatro comportamentos éticos, exigidos dos cristãos. Vejamos:
a) Não infamar a ninguém. É pecado muito grave caluniar alguém, seja na igreja, seja fora dela. É passível de sanção judicial ou condenação na justiça humana. Muito mais, na Lei de Deus. Normalmente, a infâmia é ditada com intenção de prejudicar o outro. O cristão deve cultivar o fruto do Espírito da "benignidade", que é a qualidade de quem só faz o bem (Gl 5.22). [Comentário: Segundo o dicionário Michaelis da Língua Portuguesa, "difamar" vem do latim "diffamare", e significa "falar mal de". Enredo, intriga, bisbilhotice, chocarrice, desordem, balbúrdia. Difamação quer dizer também mentira, embuste. Porque; ora fala-se de um erro na vida de uma pessoa, ora inventa-se ou aumenta-se. Mexerico é também uma maneira covarde de se falar da vida alheia porque ocorre na ausência daquele de quem se fala. O mexerico não leva assinatura, não implica em responsabilidades. O difamador teme as implicações das suas palavras porque no fundo não sabe se é verdade aquilo que diz. Ao espalhar contendas, fomentar divisões e discórdias no meio do povo de Deus o difamador age como instrumento do diabo, praticando abominação contra o Senhor. Deus condena esta prática: "Quem, Senhor, habitará no Teu tabernáculo? Quem há de morar no Teu santo monte? ...Aquele que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu próximo" (Sl 15.1-3); "O que encobre o ódio tem lábios falsos, e o que difama é um insensato" (Pv 10.18); "O homem perverso levanta a contenda , e o difamador separa os maiores amigos" (Pv 16.28).].
b) Não ser contencioso. Contendas nas igrejas geralmente têm resultados muito prejudiciais. Infelizmente em algumas reuniões, até mesmo de ministros cristãos, vemos pessoas contendendo umas com as outros, por causa de interesses políticos ou pessoais. Isso não agrada a Deus (2 Tm 2.24).[Comentário: “Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus” (1Co 11.16). É muito comum na vida cotidiana de uma Igreja Local a ocorrência de conflitos. Por vezes surgem divergências entre os irmãos, ou mesmo entre a própria liderança. Em Tiago 4.1-10 lemos acerca de “Guerras e contendas”, duas palavras que denotam que estava havendo divisões, rixas e competições dentro da Igreja de Cristo (Será que esse era um problema só do tempo de Tiago?). Donde vem então as guerras e contendas? - pergunta Tiago. Ele mesmo responde: “Dos vossos deleites”, ou seja, o espírito de contenda entre os irmãos é produto da carnalidade humana, da carne trabalhada pelo intenso desejo de prazer, de satisfação. Então Tiago enumera uma série de atitudes erradas daqueles irmãos: - Cobiça: Desejar melhores condições de vida não é errado. É uma legítima aspiração humana. Mas “cobiçar” aqui não é uma aspiração legítima.É um desejo não inspirado por Deus . - Inveja: Significa aqui “arder em ciúmes “pelas posses alheias. - Pedidos mal feitos: Lembremo-nos das palavras de Jesus em Mt 7.7,8. Muitas vezes pedimos e não recebemos porque pedimos mal. São os deleites, os prazeres que nos levam a pedir mal, de forma desfocada da vontade divina. - Amor ao mundo: Importa lembrar aqui que “mundo” não são as pessoas. “Deus amou o mundo...”Temos um sentido moral no termo: não é possível amar a Deus e ao conjunto de valores pervertidos que se opõe a Ele. “Infiéis” traz literalmente o sentido de “adultério”. O cristão deu seu coração a Jesus Cristo. Apaixonou-se por Ele. Amar o mundo é adulterar contra Cristo, é dividir o amor que lhe foi prometido.].
c) Ser modesto. A modéstia deve ser evidente na vida de homens e mulheres cristãos. Revela a simplicidade exortada por Jesus, em seu evangelho: "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas" (Mt 10.16). [Comentário: Como cristãos, nosso comportamento define o tom de como os outros nos vêem e dão valor a nossa fé. Modéstia é o mesmo que simplicidade e temperença em todas as coisas. Paulo convoca todo cristão a que seja “hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio” (Tt 1.8). E é assim que devemos ser. Nossa vida deve ser marcada pela abstinência voluntária em meio ao luxo extravagante. Recusamo-nos a permitir que o luxo e a ostentação penetrem em nosso estilo de vida. Nosso uso dos recursos é sempre moderado pela necessidade humana.].
d) Mostrar "mansidão para com todos os homens". Deve ser característica marcante, do servo de Deus, ser "manso e humilde de coração", como Jesus ensinou (Mt 11.29). Além de não ser interessante a contenda, no meio cristão, o crente precisa ser "manso para com todos, apto para ensinar, sofredor" (2 Tm 2.24b). [Comentário:(Mt 5.5): Esta bem-aventurança está na contra-mão dos valores do mundo – O mundo rejeita os valores do Reino de Deus. A humanidade pensa em termos de força, de poderio militar, bélico, econômico, político. Quanto mais agressivo, mais forte. Esse é o pensamento do mundo. Jesus, porém, diz que não são os fortes e os arrogantes que são felizes; nem são eles que vão herdar a terra, mas os mansos. Ser cristão é ser totalmente diferente. Somos uma nova criatura. Temos um novo nome, uma nova vida, uma nova mente, um novo Reino. Ser manso não é um atributo natural. A mansidão não é apenas uma boa índole, uma pessoa educada socialmente. Não apenas algo externo, convencional, mas uma atitude interna, uma obra da graça no coração, fruto do Espírito. Spurgeon dizia que “ser manso não é virtude, é graça”. Ninguém é naturalmente manso. Só aqueles que reconhecem que nada merecem diante de Deus e choram pelos seus próprios pecados, podem ser mansos diante de Deus e dos homens.Extraído de http://hernandesdiaslopes.com.br/2012/11/por-que-os-mansos-sao-felizes/#.VgCnLH0T8Q0].
3. A lavagem da renovação do Espírito Santo (v. 3). Vivíamos entregues ao pecado e longe de Deus, mas Cristo nos salvou e nos purificou. Como novas criaturas não temos mais prazer no pecado.  Observe, a seguir, algumas características, segundo Paulo que caracterizam o homem que vive segundo a carne:[Comentário: Segundo a bíblia, carnal é a pessoa dirigida, governada pela carne, isto é, a natureza pecadora herdada de Adão, a disposição interior que é inclinada para o pecado, para o que é mal. É chamada de Velha Natureza, Velho Homem, Natureza Adâmica e Natureza Terrena ou Natureza carnal. Todo ser humano já nasce com ela, independente da sua escolha. No decorrer da vida, esta natureza carnal precisa ser regenerada e a única coisa que a regenera é o novo nascimento Porque “o que é nascido da carne (o que é humano) é carne...”. (Jo 3.6); “... aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”. (Jo 3.3).].
a) Insensatez. Refere-se à velha vida, plena de loucura, imprudência, leviandade e incoerência, que leva muitos à perdição eterna. Na parábola das dez virgens, Jesus chama a atenção para as cinco "loucas" ou insensatas, que não se preveniram com o azeite para esperar o noivo (Mt 25.1-13). Jesus também falou sobre o homem "insensato", que edifica sua casa sobre a areia (Mt 7.26). O desastre espiritual torna-se inevitável. [Comentário: Há um grupo de homens e mulheres que está se perdendo e Jesus lhes disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.” (Mt 7.21). Uma indagação desde já se coloca: O que é fazer a vontade do Pai? É ter a comunhão, a dependência e o relacionamento com a fonte do poder que é Cristo. E logo vem a segunda indagação: Por que você está na Igreja à qual pertence? Por que o pastor pregou um sermão bonito? Por que sua mãe pediu? Por que a doutrina lhe convenceu? Você está na Igreja porque os irmãos são muito amorosos? Por que gosta do templo? Por que não gostou de outra Igreja? Pois bem, a meu sentir, tudo isso é edificar na areia, sua casa vai ruir. Mas se você é cristão porque se apaixonou por Cristo, porque Jesus é tudo na sua vida e ela passou a ser uma permanente dependência de Jesus, então você construiu sua casa na Rocha.].
b) Desobediência. A desobediência foi o primeiro pecado cometido pelo homem (Rm 5.19). E desde então é a "mãe" de todos os pecados, cometidos, em todos os tempos (Rm 11.30), por aqueles que são "filhos da desobediência" (Ef 2.2; 5.6; Cl 3.6). [Comentário: Todo aquele que está sem Cristo é controlado pelo “príncipe das potestades do ar”, isto é, Satanás. Sua mente é obscurecida por Satanás, para que não veja a verdade de Deus (cf. 1 Co 4.3,4). Tais pessoas estão escravizadas pelo pecado e concupiscências da carne (v. 3; Lc 4.18). A pessoa irregenerada, por causa de sua condição espiritual não poderá compreender, nem aceitar a verdade à parte da graça de Deus (vv.5, 8; 1 Co 1.18; Tt 2.11-14).].
c) Extravio. Sem Deus, sem a salvação em Cristo, o homem é um perdido, como ovelha sem pastor (Mt 9.36). É uma situação difícil e por vezes desesperadora. Mas é feliz quem faz como o "filho pródigo", que tomou a decisão sábia de retornar humilhado à casa do pai, onde foi recebido com amor e misericórdia (Lc 15.18-24). [Comentário: A pessoa sem Cristo é responsável pelo seu pecado, pois Deus dá a cada ser humano uma medida de luz e graça, com a qual possa buscar a Deus e escapar da escravidão do pecado, mediante a fé em Cristo (Jo 1.9; Rm 1.18-32; 2.1-6).].
d) Servindo a "várias concupiscências e deleites".  Outra tradução fala de "paixões e prazeres", que dominam a vida do homem sem Deus. Os deleites da carne impedem que o homem se converta a Deus de verdade, sufocado pelos "espinhos" da vida (Lc 8.14). As concupiscências da vida, ou os desejos exacerbados da carne são impedimento para uma vida de santidade e fidelidade a Jesus (1 Pe 4.3; Jd 16). [Comentário: Concupiscência é grande desejo de bens ou gozos materiais, apetite sensual. A concupiscência é um vício próprio da carne e se opõe à obra do Espírito Santo na vida do cristão. O apóstolo Paulo nos exorta dizendo: “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne, porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro para que não façais o que quereis” (Gl 5.16-17). É a fonte da corrupção deste mundo - 2Pd 1.4; é coisa vil, e não poderia ser colocada no homem por Deus - Cl 3.5; escarnece do próprio Deus 2Pd 3.3-4. Os apóstolos predisseram que no último tempo haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências. “Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito” (Jd 17-19).].
e) "Vivendo em malícia e inveja". Malícia é sinônimo de maldade, perversidade, malignidade, o que não deve fazer parte da vida cristã (Ef 4.31; Cl 3.8); a inveja é outro sentimento indigno para um cristão sincero. A inveja é "a podridão dos ossos"  (Pv 14.30). [Comentário: Malícia é a tendência para julgar, dizer, agir com maldade; dolo, má-fé. O malicioso é aquele que vê maldade em tudo o que acontece ou em tudo que ouve. Como ele é uma pessoa maldosa, ele tem a tendência de achar que todos em sua volta também o são, e por isso, faz prejulgamento das pessoas, baseado na sua própria experiência. O problema da malícia é que ela faz com que a pessoa que a pratica iguale a todos por baixo. A malícia é uma lente que faz a pessoa ver sujeira/impureza em todos e em tudo. E, 1 Co 14.20 diz "Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento". Por que meninos na malícia? - Porque as crianças confiam nas pessoas, não as vê como inimigas ou como perigosas. A criança é naturalmente ingênua, pura, sincera. é assim que todo aquele que é nascido de novo, pela Palavra deve ser e de se comportar. Inveja é o sentimento que faz a pessoa desejar o que a outra tem (pode ser tanto bens materiais ou mesmo qualidades inerentes ao ser). Mas, o problema é que o invejoso não deseja ter uma coisa semelhante à que a outra pessoa tem, mas ter exatamente a mesma coisa, ou, não sendo lhe sendo possível ter a mesma coisa, o invejoso deseja que o bem da outra pessoa lhe seja tirado. O invejoso não suporta saber que tem alguém no grupo que ele frequenta melhor ou maior que ele. Numa outra perspectiva, a inveja também pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual.].
f) Odiosos, odiando "uns aos outros".  A "lavagem da regeneração do Espírito Santo" nos faz "justificados pela sua graça" e herdeiros da vida eterna (3.4-7). João adverte-nos ao dizer que "qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna" (1 Jo 3.15). No Antigo Testamento, só era homicida quem matasse alguém com algum tipo de objeto perigoso. No evangelho da graça de Deus, é homicida quem, no coração, odeia o seu irmão.[Comentário: Este texto responde ao que foi escrito no texto anterior em que o autor descreve sobre a necessidade de servos mansos no tratamento para com os outros. Se hoje nós somos pessoas que se esforçam para vivermos uma vida mais justa, não podemos nos esquecer de que antes de nos convertermos ao evangelho de Cristo, vivíamos como os incrédulos vivem no mundo. De forma que eu não posso condenar os outros, por aquilo que eu fazia quando ainda estava na mesma situação do meu próximo. Deve haver compreensão nisto. Essas são características próprias daqueles que ainda não se converteram pelo poder do evangelho de Cristo. O homem natural é dominado pela malícia, se deixa levar pela inveja para com o seu semelhante e o seu coração tem facilidade de ser infectado pelo ódio e pela raiva. Antes de sermos transformados em uma nova criatura pela influencia do evangelho das boas novas, o que prevalecia em nossos corações era o ódio por aqueles que de alguma maneira nos faziam oposição ou nos contrariasse. Quem não tem Deus em sua vida, só pensa em prejudicar o seu próximo.].


SÍNTESE DO TÓPICO II

A conduta do salvo em Cristo deve mostrar sujeição às autoridades legalmente estabelecidas.


SUBSÍDIO DIDÁTICO

A Natureza da Política
"A essência da política é a luta por poder e influência. Todos os grupos e instituições sociais precisam de métodos para tomar decisões para seus membros. A política nos ajuda a fazer isso. A palavra grega da qual política é derivada é polis, que significa 'cidade'. Política no sentido clássico envolve a arte de fazer uma cidade funcionar bem. Também ajuda a administrar nossas organizações e governos. Quando nosso sistema político é saudável, mantemos a ordem, provemos a segurança e obtemos a capacidade de fazer coisas como comunidade que não poderíamos fazer bem individualmente. Votamos as leis, fazemos a polícia impô-las, arrecadamos impostos para estradas, sistemas de esgoto, escolas públicas e apoio nas pesquisas de câncer. Em nossas organizações particulares, um sistema político sadio nos ajuda a adotar orçamentos, avaliar pessoal, estabelecer e cumprir políticas e regras e escolher líderes. No melhor dos casos, a política melhora a vida de um grupo ou comunidade. A política toma uma variedade de formas, como eleições, debates, subornos, contribuições de campanha, revoltas ou telefonemas para legisladores. Como vê, alistei maneiras nobres e ignóbeis de influenciar as decisões de um sistema político. Algumas delas são formais, como as eleições, ao passo que outras são informais, como telefonar para vereadores, deputados e senadores e pressioná-los a votar do nosso modo" (PALMER, Michael D. Panorama do Pensamento Cristão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.447).


III. AS BOAS OBRAS E O TRATO COM OS HEREGES

1. A prática das boas obras (v. 8). Praticar boas obras faz parte do dia a dia do servo ou da serva de Deus. "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" (Ef 2.10). Quem está em Cristo tem prazer em praticar aquilo que é bom e agradável ao seu próximo e a Deus. [Comentário: praticar boas obras faz parte da nossa criação em Cristo, fomos criados para          viver com Deus e manifestar sua presença na face da terra. Não são elas que nos justificam ou dão acesso à salvação. Pelo contrário, são conseqüência da vida de Cristo em nós. São fruto de alguém que já recebeu uma nova natureza e produz um novo fruto. Nosso Senhor testificou que as boas obras do mundo são más. "O mundo não vos pode aborrecer, mas ele aborrece a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más", (Jo 7.7). Ele também testificou em relação aos fariseus, que em todas as obras que faziam eram só para serem louvados pelos homens. "E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largas filacterios, e alargam as franjas dos seus vestidos" (Mt 23.5). Lemos ainda sobre as obras mortas, as obras da carne e as obras de Satanás. Por isto precisamos fazer uma distinção ao tratarmos sobre o assunto de boas obras. As Escrituras tornam bem claro que ninguém, a não ser os salvos, podem fazer isto. "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras" (Ef 2.10). "Portanto os que estão na carne não podem agradar a Deus" (Rm 8.8). As boas obras são o fruto do Espírito, e ninguém, a não ser os salvos, tem o Espírito. As boas obras são o resultado e não a causa da salvação. A ordem divina é salvação, depois o serviço. Somos salvos para servir a Deus e aos outros. Em cada campo, exceto na mecânica, é preciso que haja vida antes da atividade. Cada homem, por natureza, está morto em pecados e alienado de Deus. A crença que o pecador pode trabalhar para ganhar a salvação é uma das piores heresias. "Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo" (Tt 3.5).].
2. Como tratar com os hereges (v. 10). Paulo ensina que devemos evitar os falsos mestres, não nos envolvendo em suas discussões tolas. Muitas vezes acabamos discutindo e dando uma atenção demasiada aos ensinos que são contrários a Palavra de Deus. [Comentário: Temos de lidar com escarnecedores com sabedoria (Pv 26:4-5). Não devemos imitar os modos de um tolo por nos envolver em discussões intermináveis; mas devemos responder brevemente [com profundidade mas brevemente, e uma única vez] aos argumentos do tolo, para que ele não saia por ai pensando que não há respostas e, assim, considerar-se um sábio, em sua própria presunção. É difícil lidar com as pessoas que estão no laço do diabo. Elas, muitas vezes, zombam da verdade e são arrogantes e orgulhosas em relação àqueles que a pregam, e somos tentados a responder na mesma moeda. Mas, se você os tratar de forma semelhante a como eles nos tratam, nós só vamos incitar mais ódio neles (Pv 15.1). Veja como Policarpo, discípulo dos apóstolos tratava um herege: “O próprio Policarpo, quando Marcião, um dia, se lhe avizinhou e lhe dizia: “Prazer em conhecê-lo”, respondeu: “Eu te conheço como o primogênito de Satã”; tanta era a prudência dos apóstolos e dos seus discípulos, que recusavam comunicar, ainda que só com a palavra, com alguém que deturpasse a verdade, em conformidade com o que Paulo diz: “Foge do homem herege depois da primeira e da segunda correção, sabendo que está pervertido e é condenado pelo seu próprio juízo” (Tt.3.10-11).].


SÍNTESE DO TÓPICO III

Dos versículos 8 a 10, o apóstolo expõe sobre a prática das boas obras e como se deve tratar os "falsos mestres".


SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"A segunda proibição que Paulo faz é contra os facciosos, aqueles que causam divisões por meio de discordâncias. 'Depois de uma e outra admoestação, evita-o', ou seja, tente ajudá-lo corrigindo o seu erro através de advertências ou aconselhamento. Tais inimigos só devem ter duas chances e então devem ser evitados.
'A razão pela qual o 'herege' deve ser rejeitado é justamente esta; em sua divisão, 'tal' homem demonstra que 'está pervertido e peca, estando já em si mesmo condenado'. Ao persistir em seu comportamento divisor, o 'falso mestre' tornou-se pervertido ou 'continua em seu pecado', deste modo 'se autocondenando'. Isto é, por sua própria persistência no comportamento pecaminoso, condenou a si mesmo, colocando-se de fora, sendo consequentemente rejeitado por Tito e pela igreja" (Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 1.ed.Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1515).
É feliz quem faz como o “filho pródigo”, que tomou a decisão sábia de retornar humilhado à casa do pai, onde foi recebido com amor e misericórdia.

CONCLUSÃO

A graça de Deus é a fonte da salvação do homem. É favor jamais merecido por qualquer pessoa, e manifesta o seu amor e sua benignidade para com o pecador. Essa graça é manifestada "a todos os homens", mas só é eficaz, na vida de quem aceita a Cristo como Salvador pessoal. [Comentário: A Graça de Deus é um  favor da parte Dele,  já que não somos merecedores de nada e é a fonte da provisão de Deus para as nossas vidas. Através dela Ele se revela em amor, tendo sempre um comportamento justo e pelo meio da nossa fé se comunica conosco. A graça é a única base de nossa aceitação. “Para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”. (Ef 1.6). Por conseguinte, qualquer ensino que ofereça fórmulas ou técnicas para obter a aceitação de Deus, que não seja pela graça somente, é falso. O perdão de pecados, a redenção por meio do sangue de Cristo, a sabedoria e o entendimento e todas as bênçãos espirituais são concedidos somente pela graça (Ef 1.1-5).]. “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Francisco Barbosa
Campina Grande-PB
Setembro de 2015



PARA REFLETIR

A respeito das Cartas Pastorais:

O que é graça?
É o favor imerecido que Deus concede ao homem, por seu amor, bondade e misericórdia.
Como podemos alcançar a graça salvadora?
Crendo em Deus e aceitando Jesus como o nosso único e suficiente Salvador.
Qual é a fonte da justificação do homem?
A graça de Deus.
Quem é considerado homicida no evangelho da graça?
Qualquer que aborrece o seu irmão.
De acordo com a lição, como devemos tratar os hereges?
Devemos evitá-los, não nos envolvendo em discussões tolas.

CONSULTE

Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 63, p. 42.
Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Nas Garras da Graça

Pode alguma coisa separar-nos do amor que Cristo tem por nós? O autor convida a escalar o cume da montanha da misericórdia divina. Nas Garras da Graça recordará a você que o Deus que o criou é suficientemente forte
para sustentá-lo.


Graça Diária para Professores

Textos devocionais que trarão mais entusiasmo, graça e inspiração para seu dia a dia como professor.  


Vincent  I e II

Publicados pela primeira vez nos EUA, no final do século XIX, continuam sendo uma referência para todos aqueles que desejam conhecer a ideia original dos vocábulos neotestamentários
no sentido léxico, etimológico
e histórico.


1º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: A nossa igreja A.D. bairro: EDEM em Sorocaba ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


2º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O AD Londrina ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


3º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Caramuru do Belemzinho ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


4º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Luiz H. Silva ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


5º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O TV Escola Bíblica explica a história da Escola Dominical.


6º Vídeo Pré-Aula - Dicas da EBD Centenário para que o professor possa dar uma boa aula: AD (Fabio Segate) Edson Lunenato ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


7º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor da EBP Em Foco ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


8º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor da EBD (Fora da Caixa) Palavra Urgente ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


9º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: Pr. EBD Pr. da AD Lajes ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


10º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O Lucas Netto ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.



11º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: AD Pr. de Campinas ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


12º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: Escritor Pr. Natalino das Neves ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


13º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor Jeferson Batista possa dar uma boa aula: PCC ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.



1º Slide Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor Moises Sampaio possa dar uma boa aula: PCC ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical.


ESBOÇO Nº 13
LIÇÃO Nº 13 – A MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA DA SALVAÇÃO

A graça de Deus trouxe salvação a todos os homens na pessoa de Cristo Jesus.

INTRODUÇÃO
- Encerrando este trimestre letivo, estudaremos a parte final do capítulo 2 e o capítulo 3 da Epístola de Paulo a Tito.
- A graça de Deus trouxe salvação a todos os homens na pessoa de Cristo Jesus.

I – TITO DEVE FALAR DA GRAÇA DA SALVAÇÃO QUE SE MANIFESTA PARA TODOS
- Estamos a encerrar este terceiro trimestre letivo em que estudamos as cartas pastorais do apóstolo Paulo (I Timóteo, II Timóteo e Tito). Nesta última lição, analisaremos a parte final do capítulo 2 e o capítulo 3 da Epístola de Paulo a Tito (Tt.2:11-3:15).
- Depois de o apóstolo Paulo dizer como Tito e os segmentos das igrejas de Creta deveriam se comportar, em contraste com os falsos mestres que perturbavam aquelas igrejas locais, Paulo diz porque Tito e os crentes poderiam ter uma conduta diferente daqueles que não conheciam a Deus: “porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt.2:11).
- Paulo mostra a Tito que uma conduta de acordo com a vontade de Deus, um comportamento exemplar que ele deveria ter diante das igrejas de Creta, não decorria senão da graça de Deus que se manifestara e trouxera salvação a todos os homens.
- Não é possível ao homem que tenha uma conduta concorde com a vontade divina por suas próprias forças, que agrade a Deus por seus próprios méritos. Isto só é possível porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens. A salvação tem origem em Deus e jamais o homem poderá salvar-se por si próprio.
- Além de mostrar a causa de podermos agradar a Deus, causa que se encontra no Senhor e não em nós mesmos, o apóstolo dos gentios ainda nos mostra que a salvação está à disposição de todos os homens. Jesus veio salvar a todos. Se é fato que nem todos se salvarão, isto não se deve a uma “limitação” da redenção, como ensinam os teóricos da predestinação, mas, sim, porque, tendo Deus feito o homem com o livre-arbítrio, deixou a cada ser humano a escolha entre servir ao Senhor, ou não, entre crer, ou não, em Cristo Jesus.
- A graça de Deus veio ao homem através de Cristo Jesus (Jo.1:17). “…Ela despontou quando Jesus nasceu, quando de Seus lábios emanaram palavras de vida e beleza, quando curava os enfermos, limpava os leprosos, expulsava os demônios, ressuscitava os mortos, sofreu pelos pecados dos homens e quando deu Sua vida pelas ovelhas para a reassumir na manhã da ressurreição. Assim a graça derramou sobre o mundo a santa luz de Cristo e ‘afugentou a escura noite do pecado’…” (HENDRIKSEN, William. Comentários I Timóteo, II Timóteo e Tito. Trad. de Válter Graciano Martins, p.453). 
- A graça ensina-nos que devemos renunciar à impiedade e às concupiscências mundanas, vivendo neste presente século sóbria, justa e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo (Tt.2:12,13). Nesta concisa afirmação, o apóstolo Paulo faz como que um resumo da vida cristã, que vale a pena dissecarmos.
OBS: “…O presente hino exalta a graça de Deus, manifesta no passado (v. 11), que educa os discípulos de Jesus no presente (v. 12), cuja revelação plena é aguardada no futuro (v. 13), cujo alicerce e força são o amor do Redentor, que p urifica seu povo e o leva a viver com zelo sagrado (v. 14).…” (BÜRKI, Hans. Carta a Tito: comentário Esperança. Trad. de Werner Fuchs, p.20).
- Por primeiro, Paulo ensina-nos que a graça de Deus faz com que o homem renuncie à impiedade, lembrando-nos o ensino do Senhor Jesus de que, para segui-l’O, devemos negar a nós mesmos (Mt.16:24; Mc.8:34; Lc.9:23). Não há como alcançar a salvação se não renunciarmos à impiedade, se não deixarmos de pecar.
OBS: “…Tudo o que excita as paixões e arrasta o ser humano para longe de si mesmo está em contradição com uma vida sensata na justiça, motivo pelo qual deve ser resolutamente rejeitado, renegado.…” (BÚRKI, Hans. op.cit., p.21).
- Quando a graça de Deus alcança a vida de alguém, ela deixa de pecar, abandona o pecado, passa a viver separada do pecado. Como diz o salmista: “…a santidade convém à Tua casa, Senhor, para sempre” (Sl.93:5b). Como a casa do Senhor somos nós (Hb.3:6), devemos ser santos, não podemos senão viver separados do pecado, é indispensável que renunciemos à impiedade.
- Quando a graça de Deus alcança a vida de alguém, ela não apenas deixa de pecar, mas, também, renuncia às concupiscências mundanas. O salvo não dá lugar à carne, à sua natureza pecaminosa, mas tem esta sua velha natureza crucificada com Cristo, não mais vivendo, mas Cristo vivendo nele (Gl.2:20).
- Não podemos permitir que o velho homem, a carne prevaleça em nossas vidas, pois “…a inclinação da carne é morte (…) a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm.8:6,7).
- Esta realidade espiritual é figurada no batismo nas águas, em que, no momento em que alguém declara publicamente que foi salva por Cristo Jesus, imerge nas águas precisamente para indicar que o velho homem foi sepultado e que, agora, somente vive um novo homem, que ressuscitou com Cristo e que somente fará o que Deus quiser que se faça dali para a frente, uma “nova criatura” que andará em novidade de vida (Rm.6:3-10).
- A graça de Deus traz a completa transformação do ser humano, tanto que não só se fala em deixar de pecar, mas também em crucificar a carne. Ao contrário da lei, que não atingia o coração do homem, o homem interior, visto que foi gravada em pedras ante a incredulidade dos israelitas (II Co.3:3), a graça vai até o mais profundo do homem, reatando a comunhão dele com o Senhor, razão pela qual não só exige a renúncia do pecado mas também a concupiscência, que é o fator gerador do pecado (Tg.1:14,15).
- A graça de Deus transforma o homem, torna-o uma nova criatura, algo que se inicia no interior do ser humano, mas a graça de Deus não se limita a alterar o interior, manifestando-se exteriormente para todos os homens, através de uma vida sóbria, justa e pia neste presente século.
- O salvo em Cristo Jesus continua vivendo neste mundo, embora a ele já não mais pertença (Jo.17:11,15,16), e, neste mundo, tem de mostrar a sua nova natureza, sendo sal da terra e luz do mundo (Mt.5:13-16). Esta nova vida, esta nova conduta somente nos é possível pela graça de Deus, mas é totalmente contrária à vida velha, à vida que ainda é vivida pelos que não alcançaram ainda a salvação.
- Neste mundo, portanto, temos de ser diferentes dos que não conhecem a Deus e é, por isso, que o apóstolo havia dito que os falsos mestres não eram pessoas salvas, mas enganadores, visto que confessavam conhecer a Deus, mas O negavam com suas obras (Tt.1:16). Por este mesmo motivo, aqueles que praticam a iniquidade serão tidos como desconhecidos do Senhor Jesus no dia do juízo, embora tivessem uma religiosidade aparente (Mt.7:21-23).
- Quem é salvo pratica boas obras e, por isso, tem uma vida sóbria, ou seja, uma vida equilibrada, uma vida que não se deixa embriagar com as coisas desta vida, que não se deixa iludir com este mundo, sabendo que tudo aqui é passageiro e que não podemos nos prender a ele. Quem tem uma vida sóbria busca as coisas que são de cima (Cl.3:1-3), dá prioridade ao reino de Deus e sua justiça (Mt.6:33), enche-se do Espírito Santo (Ef.5:18) e entende que a sua vida, doravante, só tem sentido para glorificar o nome do Senhor, seguindo o exemplo de Cristo (Jo.17:4).
- Quem é salvo pratica boas obras e, por isso, tem uma vida justa, ou seja, uma vida de acordo com a Palavra de Deus, pois ela é a reta justiça (Jo.7:24). Esta justiça não provém do homem, mas, sim, de Deus, que é a justiça nossa (Jr.23:6), pois é Deus quem nos justifica, quem nos torna justos (Rm.3:30; 4:5; 8:33). Esta justificação vem-nos pela fé em Cristo Jesus (Rm.5:1). A partir da justificação, passamos a obedecer às Escrituras Sagradas e a fazer a vontade de Deus.
- Quem é salvo pratica boas obras e, por isso, tem uma vida pia, ou seja, uma vida piedosa, uma vida caracterizada pela prática do bem, pelo amor ao próximo, por uma verdadeira e genuína religiosidade, que consiste em uma vida pura e imaculada de ajuda aos necessitados e que se guarda da corrupção do mundo (Tg.1:26,27).
- Mas a graça de Deus não só opera uma transformação interior, que se mostra por uma vida sóbria, justa e pia, mas também faz com que passemos a ter a esperança da vinda de Cristo Jesus. O apóstolo afirma que o salvo aguarda a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.
- O verdadeiro, genuíno e autêntico servo de Cristo Jesus espera o retorno de Cristo, ama a vinda do Senhor (II Tm.4:8), a todo momento está em comunhão com o Espírito Santo e pede a volta do Senhor Jesus (Ap.22:17). Era este o desejo do apóstolo Paulo, como no-lo demonstra em I Co.16:22.
- O salvo em Cristo Jesus aguarda a volta do Senhor Jesus, deseja se unir ao Senhor nos ares, tem como foco o arrebatamento da Igreja e, tendo esta esperança, purifica-se a si mesmo (I Jo.3:3), pois sabe que, como não está designada a data do arrebatamento, precisa estar pronto para se encontrar com o Senhor a qualquer momento. Como diz o poeta sacro Almeida Sobrinho: “Nossa esperança é Sua vinda, o Rei dos reis vem nos buscar, nós aguardamos Jesus, ainda, té a luz da manhã raiar” (refrão do hino 300 da Harpa Cristã). 
- Por isso mesmo, uma das demonstrações de que alguém não está salvo é, como diz o apóstolo Pedro, a negligência, a descrença na volta do Senhor (II Pe.3:3,4). Quem deixa de esperar Jesus Cristo assim o faz porque passou a andar segundo as suas próprias concupiscências, deixou de seguir ao Senhor, passou a dar vazão à carne, a viver segundo a sua própria vontade, a não mais fazer a vontade do Senhor.
- Desejamos que o Senhor Jesus venha nos buscar, porque sabemos que Ele Se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda a iniquidade e purificar para Si um povo Seu especial, zeloso de boas obras (Tt.2:14). Sabemos que Ele nos amou primeiro (I Jo.4:19) e provou Seu amor morrendo por nós na cruz do Calvário (Rm.5:5) e que não há maior amor do que este, de dar alguém a Sua vida por pecadores (Jo.15:13).
- Desejamos que o Senhor Jesus venha nos buscar, porque o objetivo da obra redentora de Cristo é nos fazer tornar um com Ele e o Pai (Jo.17:21-23), unidade esta que somente se aperfeiçoará quando atingirmos a estatura completa de Cristo, quando formos glorificados e estivermos onde o Senhor Jesus já está, ou seja, à direita do Pai (Jo.14:1-3; 17:24).
- “…No aparecimento da glória de Cristo será obtida a bem-aventurada esperança. A felicidade deles será a seguinte: “...para que estejam com ele, para que vejam a sua glória” (Jo 17.24). A glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo irromperá então como o sol. Ainda que no exercício do seu poder judiciário, Ele aparecerá como o Filho do Homem e será poderosamente declarado ser o Filho de Deus. A divindade, que estava em grande parte velada na terra, brilhará então como o sol em sua força. Assim, a obra e o desígnio do evangelho são elevar o coração para essa segunda aparição de Cristo. ‘Somos gerados de novo para uma viva esperança’ (I Pe. 1:3), convertidos “...para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a seu Filho” (I Ts. 1:9,10). Os cristãos são marcados por isso, aguardando a vinda do seu Senhor (Lc. 12:36), amando a sua vinda (II Tm. 4:8). Vamos, pois, olhar para essa esperança; que os nossos lombos estejam cingidos, e as nossas lâmpadas, brilhando, aguardando a vinda do Senhor. Não sabemos o dia e hora, mas “...o que há de vir virá e não tardará” (Hb. 10:37). [4] O consolo dos cristãos é que o seu Salvador é o grande Deus e se manifestará em glória na sua segunda vinda. Poder e amor majestade e misericórdia surgirão então juntos no maior brilho, para o terror e confusão dos ímpios, mas para o triunfo eterno e o regozijo dos piedosos…” (HENRY, Matthew. Comentário Novo Testamento Atos a Apocalipse obra completa. Trad. de Degmar Ribas Júnior, pp.736-7).
- Como afirma William Hendriksen: “…A graça nos educa a fim de que ‘aqui e agora’ (…) vivamos vidas que mostrem uma relação transformada: a. para consigo mesmo: ‘domínio próprio’, fazer uso adequado dos desejos e impulsos em si mesmos não são pecaminosos, e vencer os que são pecaminosos; b. para com o próximo: ‘justiça’, honradez, integridade no relacionamento com os demais; c. para com Deus: ‘devoção’, piedade, verdadeiro fervor e reverência para com o único que é objeto de adoração.…” (op.cit., p.455).
OBS: “… diz ‘sobriamente’, porque diz respeito a si; ‘justamente’, no que toca ao próximo; ‘piedosamente’ ou religiosamente, no que se refere a Deus…” (AQUINO, Tomás de. Comentário da Epístola de Paulo a Tito. Cit. Tt.2:11-14. n.8. Disponível em: http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/pt/index.htm Acesso em 07 jul. 2015) (tradução nossa de texto em espanhol).
- Era isto que Tito deveria pregar em Creta e estabelecer presbíteros que também pregassem esta mensagem. Pregar o Evangelho é dizer que Jesus veio a este mundo para nos salvar e purificar para Si um povo Seu especial, zeloso de boas obras. A mensagem da cruz é o centro da pregação do Evangelho e não se pode pregar outra coisa senão a Cristo e Este, crucificado (I Co.2:2).
- A salvação é individual, mas Cristo, quando salva o homem, fá-lo pertencer a um povo. Somos membros em particular do corpo de Cristo (I Co.12:27), corpo de Cristo que é este povo, a Igreja, que pertence a Cristo (Mt.16:18; I Co.6:19,20).
- Não podemos desenvolver a nossa vida espiritual se não tivermos a consciência de que pertencemos ao povo de Deus e, por isso mesmo, não podemos deixar de conviver em um grupo social, que é a igreja local, para podermos chegar até a glorificação. Embora tenhamos sido salvos por cremos em Cristo, não podemos deixar de considerar que nosso crescimento espiritual depende da nossa convivência com os demais salvos, pois é na igreja que iremos nos desenvolver, já que devemos lavar os pés uns aos outros (Jo.13:14), amar uns aos outros (Jo.13:34,35;15:12,17; Rm.12:10; 13:8; I Ts.4:9; I Pe.1:22; I Jo.3:11,23; 4:7,11,12; II Jo.5), preferir em honra uns aos outros (Rm.12:10), receber uns aos outros (Rm.15:7), admoestar uns aos outros (Rm.15:14; Cl.3:16), servir uns aos outros (Gl.5:13), suportar uns aos outros em amor (Ef.4:2. Cl.3:13), perdoar uns aos outros (Ef.4:32; Cl.3:13), sujeitar-nos uns aos outros no temor de Deus (Ef.5:21; I Pe.5:5), consolar uns aos outros (I Ts.4:18), exortar uns aos outros (I Ts.5:11; Hb.313; 10:25), considerar-nos uns aos outros (Hb.10:24), confessar a culpa uns aos outros (Tg.5:16).
- Vemos, pois, que a vida cristã se desenvolve coletivamente, dentro da igreja local, sendo, portanto, impossível que alguém “desigrejado” alcance este necessário e ind ispensável crescimento espiritual, sem o que não nos santificaremos e, sem a santificação, ninguém verá a Deus (Hb.12:14), pois a santificação é condição “sine qua non” para a glorificação, último estágio do processo da salvação (Rm.8:29,30).
- “…Deus quer um povo de Sua propriedade que colabora com zelo na salvação do mundo, iniciada pelo Redentor no momento em que apagou o pecado do mundo com Seu amor expiatório. Também aqui constatamos a mais direta relação com o AT! Deus deseja propiciar Sua graça a todo mundo por meio de Seu povo, que Ele redimiu e educa.…” (BÜRKI, Hans. op.cit., p.20).
- Devemos, porém, ter cuidado, pois, ultimamente, andam alguns falsos mestres a ensinar que a salvação é “coletiva”, ou seja, dependemos dos outros para ser salvos. Não é isto que nos ensina a Bíblia Sagrada. A salvação é individual, pois é salvo aquele que invoca o nome do Senhor, aquele que confessa Jesus Cristo com a sua boca e crer, em seu coração, que Deus O ressuscitou dos mortos (Rm.10:8-10). Todavia, quando somos salvos, passamos a pertencer a um povo e necessitamos da convivência com este povo para prosseguirmos nossa jornada terrena até a glorificação, pois o homem é um ser social, que não pode bastar-se a si mesmo.
- Este povo de Cristo Jesus, a Sua Igreja, é especial, ou seja, tem características próprias, que não se confunde com as dos demais homens, pois é um povo que é formado de “novas criaturas”, de criaturas vivas, que não mais andam segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência, que não mais andam nos desejos da carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos, que não mais são filhos da ira (Ef.2:2,3).
- Paulo diz a Tito que, antes da salvação, éramos ”… insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros, mas, quando apareceu a benignidade e a caridade de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, fomos salvos pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente Ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, para que, justificados pela Sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (T.t.3:3-7).
- Mais uma vez o apóstolo enfatiza que a modificação da conduta do homem, que o torna santo e nova criatura, é resultado único e exclusivo da graça de Deus, da “benignidade e caridade de Deus, nosso Salvador, para com os homens”. Somente alcançamos a santidade porque fomos salvos pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, porque nascemos da água e do Espírito (Jo.3:5). Para vermos o reino de Deus, faz-se necessário nascer de novo (Jo.3:3).
- Este povo de Jesus Cristo é um povo zeloso de boas obras, ou seja, que toma cuidado em praticar boas obras, um povo que pratica boas obras, pois foi salvo para que andassem nelas (Ef.2:10). Há um zelo, uma preocupação do salvo em fazer boas obras, não porque seja salvo por elas, mas porque elas são a comprovação da sua salvação. 
- O salvo imita Cristo (I Co.11:1) e Jesus andou fazendo bem e curando a todos os oprimidos do diabo (At.10:38). Os que creem em Deus procuram aplicar-se às boas obras, pois sabem que as boas obras existem para que andemos nelas, para que as façamos (Tt.3:8; Ef.2:8).
- O ministro de Jesus deve admoestar os salvos a que se sujeitem aos principados e potestades e lhes obedeçam, bem como que estejam preparados para toda a boa obra. A exemplo do que havia ensinado a Timóteo, Paulo manda que Tito não fosse um rebelde, mas que respeitasse as autoridades constituídas, pois todas são constituídas por Deus e resistir às autoridades é resistir a Deus, trazendo sobre si mesmos a própria condenação (Rm.13:1,2).
OBS: “…Os governantes são instituídos por Deus para o bem de todos. Portanto, as pessoas devem respeitá-los e submeter-se a eles, não com raiva ou por força, mas de boa vontade e por causa da consciência. Entende-se por principados e potestades todos os governantes civis, quer a autoridade suprema ou um dirigente ou um subordinado, sob a liderança dos quais vivem, independentemente da forma de governo. Eles devem ser sujeitos a eles e lhes obedecer nas coisas legais e honestas…” (HENRY, Matthew. op.cit., p.738).
- É interessante notar que, na sua orientação, o apóstolo nos mostra um comportamento que devemos ter com relação às autoridades, qual seja, a de estarmos sempre prontos a fazer boas obras quando formos chamados a tanto pelas autoridades. É muito bonito vermos cristãos sempre se solidarizando com as autoridades quando ocorrem situações de emergência e calamidade pública, em que o governo necessita dos esforços de todos. A igreja local sempre tem de estar preparada para ajudar os governantes em situações quetais, revelando, assim, o amor de Deus que está em nossos corações derramado pelo Espírito Santo.
- Por outro lado, é triste vermos diversas igrejas locais que se encontram completamente alheias às necessidades da sociedade que está à sua volta, que são verdadeiros “conventos”, que não tomam qualquer atitude para fazer bem e diminuir as mazelas em que se encontra o mundo sem Deus e sem salvação. A exemplo do rico da história contada por Jesus, são completamente indiferentes aos necessitados que estão à sua porta, conduta que não é de um salvo, tanto que aquele rico acabou indo para o Hades (Lc.16:19-22).
- A igreja local tem de estar preparada para toda boa obra, estar pronta para fazer o bem a todos, tendo uma intensa atividade no meio social onde vive, a fim de que o nome do Senhor seja glorificado.
- Os salvos não podem infamar pessoa alguma (Tt.3:2), ou seja, não pode a igreja local alardear a má fama de qualquer pessoa ou instituição. O povo de Deus não existe para falar mal das pessoas, não está na Terra para denegrir a imagem de quem quer que seja, mas, sim, para pregar o Evangelho, para dar as boas novas da salvação.
- Sabedores de que fomos alvo da graça de Deus, que nada merecemos e que não somos melhores do que ninguém, não podemos, por isso mesmo, julgar os demais, acharmo-nos superiores a quem quer que seja. Como afirma Charles Haddon Spurgeon: “…se a graça de Deus fez uma mudança em nós não devemos ser orgulhosos, não devemos censurar os outros, não devemos nos colocar como juízes dos outros que se autojustificam. Oh, não, nossa ação deve ser o reverso de tudo isto!…” (Exposição de Tito 3. Disponível em: http://www.spurgeongems.org/vols46-48/chs2766.pdf, p.7) (tradução nossa de texto em inglês).
- Nos dias em que vivemos, não são poucos os que, dizendo servir a Cristo Jesus, gastam muito tempo e recursos para falarem mal daqueles que não são salvos e que, por vezes, estão a criticar o Evangelho e a lançar mentiras e calúnias contra o povo de Deus. Embora seja necessário que defendamos a fé e falemos a verdade, contrariando tais afirmações inverídicas, não devemos, de modo algum, falar mal destas pessoas, não devemos infamá-las. A igreja não está aqui para condenar pessoas, mas para denunciar o pecado e falar a verdade, que é a Palavra de Deus (Jo.17:17).
- Tito não poderia repetir o erro dos próprios cretenses, que se orgulhavam de falar mal de si mesmos, repetindo as palavras do seu profeta (Tt.1:12), mas deveria sempre levar as boas novas da salvação, notícias boas a respeito da transformação que poderia ser operada por Jesus Cristo.
- Os salvos, também, não podem ser contenciosos (Tt.3:2), ou seja, não devem ficar criando polêmicas e contendas, lançando debates, discussões e pelejas, pois não estamos neste mundo para acirrar ânimos, mas, sim, para trazer a paz (Mt.5:9).
- Mesmo na defesa da fé no próprio interior da igreja local, em que Tito não poderia dar qualquer espaço para os falsos mestres, tapando-lhes a boca (Tt.1:11), não se poderia gerar contenda ou uma luta carnal, baseada na vaidade e nos instintos humanos, tanto que o apóstolo diz a Tito que, o homem herege, depois de uma e outra admoestação, deveria ser evitado, já que a resistência às Escrituras era sinal de que não haveria proveito algum em se iniciar uma controvérsia que somente faria aflorar as obras da carne e nada mais, já que o herege convicto, resistente à Palavra, está pervertido e peca, estando já em si mesmo condenado (Tt.2:10,11).
- Ora, alguém que está morto não pode dar vida a quem quer que seja, mas aquele que está vivo, envolvendo-se com o morto espiritual, pode, sim, perder a vida e se tornar, também, um morto. O herege convicto é um agente de Satanás, tendo a função de promover a perdição e ruína de todos quantos lhe derem ouvido, inclusive em meio a debates e contendas, que só produzirão dissensões, inimizades, porfias, iras, pelejas, que são obras da carne (Gl.5:20), carne que só produz morte (Rm.8:6-8). Como afirma Everett F. Harrison: “…Esse tal, que já recebeu o conhecimento da verdade e teimosamente a rejeita, é sua própria testemunha de que duas vezes rejeitou uma sincera explicação e um apelo.…” (Tito Comentário Moody, p.9).
- É importante verificar aqui que, antes de que alguém seja considerado um herege convicto, necessário se faz que haja uma e outra admoestação. “…O requisito indica que, segundo o ensino paulino, a disciplina sempre deve fluir do amor, do desejo de curar, jamais do desejo de descartar um indivíduo. É preciso demonstrar muita paciência. Mesmo quando o erro é muito atroz e perigoso, como no presente caso, deve-se fazer todo esforço na tentativa de conquistar o errado. Se, depois de carinhosa admoestação, o membro se recusa a arrepender-se e dá seguimento à sua obra perversiva no seio da congregação, a igreja, por meio de seus dirigentes e por meio de toda a sua congregação, deve redobrar seus esforços. Que haja uma segunda advertência. Mas, se ainda tal remédio falha, então que seja expulso.…” (HENDRIKSEN. William. op.cit., p.483).
- Uma das armas que o inimigo tem se utilizado, nestes dias de intenso desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, é querer transformar as divergências e diferenças entre os salvos e os incrédulos em um “campo de batalha”, em debates e discussões que, naturalmente, caminham para um ambiente carnal, onde, em vez de o nome do Senhor Jesus ser glorificado, ocorre o escândalo, o tropeço em palavra por parte daqueles que se dizem servos de Jesus, gerando tão somente o desprestígio e o desgaste da sã doutrina.
- A Igreja deve ser firme na defesa da verdade, pois ela é a coluna e firmeza da verdade (I Tm.3:15), mas, por isso mesmo, sabe como convém andar e, deste modo, jamais permitirá que esta defesa da verdade acabe sendo reduzida a contendas e disputas que somente trazem prejuízo espiritual e promovam não a salvação, mas a perdição de vidas que, pelo escândalo, acabam por fraquejar e naufragar na fé.
- O apóstolo não titubeia em dizer a Tito que tais debates e contendas são “questões loucas”, são “coisas inúteis e vãs” (Tt.3:9). Tito não deveria se envolver com tais disputas, tão somente pregando o Evangelho e deixando de lado as genealogias, contendas e debates acerca da lei.
- Como afirma Tomás de Aquino: “…porque quando a discussão é para averiguar a verdade, é coisa louvável, mas quando é para, em contenda, mostrar o que se deve seguir e o que se deve evitar, então o melhor é esquivar-se. ‘Honroso é o para o homem fugir de contendas’ (Pv.20:3; II Tm.2)…” (op.cit. end, cit.).
- O ministro de Jesus Cristo deve falar a respeito disto, exortar e repreender com toda a autoridade, não podendo ser desprezado por levar esta mensagem (Tt.2:15). É este o genuíno e verdadeiro Evangelho e não o que temos ouvido, nos dias de hoje, onde há total esquecimento seja da mensagem da santificação, seja da mensagem da volta de Cristo Jesus, mas muitas discussões a respeito de questões de somenos importância.

II – A CONCLUSÃO DA EPÍSTOLA DE PAULO A TITO
- Depois de ter dado estas orientações, o apóstolo Paulo diz a Tito que enviaria Artemas ou Tíquico para Creta e, quando eles ali chegassem, pede a Tito que fosse até Nicópolis encontrar-se com o apóstolo, pois havia deliberado invernar ali (Tt.3:12).
- Vemos o cuidado que Paulo tinha para com a obra de Deus. Havia mandado Tito para Creta, a fim de que ele organizasse, de cidade em cidade, as igrejas daquela ilha, mas não tinha qualquer intenção de deixar aquelas igrejas desamparadas. Pedia para Tito que fosse se encontrar com ele, mas Tito somente deveria deixar Creta depois que Artemas ou Tíquico, outros cooperadores do apóstolo, ali chegassem para dar assistência ao povo de Deus.
- Este mesmo cuidado devem ter os ministros de Cristo Jesus: jamais deixarem a igreja local acéfala, sem alguém que possa desempenhar a função pastoral, que tenha condições de apascentar o rebanho de Deus. Por isso, os que presidem devem se cercar de um corpo de obreiros, de um conjunto de auxiliares que estejam em condição de substituí-los quando isto se fizer necessário. O ministério deve ser exercido em um corpo, em um conjunto de obreiros que estejam todos preparados para realizar a obra do Senhor, suprindo as necessidades da membresia.
- O verdadeiro homem de Deus, o homem segundo o coração de Deus, jamais deixa as ovelhas do seu Senhor desamparadas ou sem pastor. Davi, quando ordenado por seu pai a levar víveres para seus irmãos no campo de batalha, antes de partir, deixou as ovelhas de que tinha a responsabilidade ao encargo de um guarda (I Sm.17:20), guarda este que não somente o substituiu mas o sucedeu, pois, depois daquela partida, nunca mais Davi voltou a pastorear o rebanho de Jessé.
- Em nossos dias, muitos que estão à frente, desejosos de poder e de posição, negligenciam esta circunstância e se entendem autossuficientes, tendo um corpo de obreiros que, além de ser mantido inativo, é, no mais das vezes, destreinado e despreparado, porque o que preside tem medo de que alguém lhe faça sombra, de que alguém ameace o seu “domínio”. Há mesmo aqueles que, propositadamente, chamam para lhe auxiliar pessoas sabidamente incompetentes, pois não querem cooperadores, mas serviçais.
- Tal conduta é completamente antibíblica e não pode ser seguida, pois o resultado disso é gerar carências imensas para a igreja que, quando da falta, definitiva ou temporária, do líder, sofre grandemente. Lembremos, a propósito, do sábio conselho de Jetro a Moisés, segundo o qual a ausência de um corpo de obreiros faz com que, a um só tempo, tanto desfaleça o líder, quanto o próprio povo (Ex.18:17,18).
- Como bem disse o pastor Benedito Flávio, presidente das Assembleias de Deus – Ministério do Belém em Itararé/SP, em ensino proferido em reunião de obreiros do Ministério do Belém em 5 de julho de 2015, “ a coroa e o trono não são do rei, mas, sim, do reino”. A visão do reino de Deus faz com que todo líder saiba que sua posição é temporária, passageira e que, portanto, mais dia, menos dia, será ele substituído e, por isso, precisa deixar preparados outros que levem avante a obra que, aliás, já recebeu de outros que o antecederam.
- Tito deveria organizar as igrejas locais de Creta, deveria pastorear todas estas igrejas até que tudo se organizasse, mas sua permanência ali não seria para sempre. Assim, em breve, deveria sair de lá e ir até Nicópolis, para se encontrar com o apóstolo Paulo, sendo que, na sua ausência, ficaria ali na ilha Ártemas ou Tíquico.
- Nicópolis, cujo nome significa “cidade da vitória”, era uma cidade que era a capital do Épiro, região que hoje ocupa áreas da Grécia e da Albânia, onde provavelmente Paulo estaria quando de retorno da Espanha. O apóstolo, uma vez mais, demonstra o intenso relacionamento pessoal que tinha com seus cooperadores e o desejo de desfrutar da sua companhia.
- O apóstolo, ainda, manda que Tito acompanhasse com muito cuidado Zenas, doutor da lei e Apelo, a fim de que nada lhes faltasse (Tt.3:13). Não só deve o ministro se cercar de auxiliares competentes e que tenham capacidade de substituir ou sucedê-lo, mas também deve tratar bem e pedir a ajuda de outros ministros que com ele estão a labutar na obra do Senhor em outros lugares.
- Tito não deveria fazer a obra que lhe fora designada pelo apóstolo Paulo sozinho. Duas pessoas eram recomendadas por Paulo para que o auxiliassem nesta sua tarefa: Zenas, que era um doutor da lei e Apolo, este grande homem de Deus que já se notabilizara na obra de Deus, em Corinto(At.19:1. I Co.3:6) e em Éfeso (At.18:24), como era do pleno conhecimento de Tito, que também cumprira missões entre os coríntios (II Co.2:13; 7:6,13,14; 8:6,16,23; 12:13).
- Tito, no ensino da sã doutrina, deveria se valer destes dois “experts” na Palavra de Deus. Zenas era doutor da lei e Apolo, varão eloquente e poderoso nas Escrituras (At.18:24). Conquanto seja da essência e núcleo da função pastoral o ministério da Palavra, o pastor deve se cercar de mestres para poder bem exercer o seu ministério.
- Jesus dá pastores à Igreja e é função primordial dos pastores o ensino da Palavra de Deus, mas também dá mestres que devem estar junto com os pastores no ensino da Palavra de Deus. Todo pastor é mestre, mas nem todo mestre é pastor e os mestres devem estar ao lado do pastor para que se tenha o devido ensino da Palavra, para que seja ministrada a sã doutrina e combatidos os falsos ensinos.
- Tito deveria ter a ajuda de Zenas e de Apolo, cuidando para que nada lhes faltasse, ou seja, o pastor deve dar condições para que os mestres possam auxiliá-lo no ministério da palavra.
- Em nossos dias, há um indevido hiato entre pastores e mestres, bem como aos mestres não são dadas as condições necessárias para que desempenhem o seu ministério, que complementa o ministério da palavra dos pastores.
- Uma simples vista d’olhos nas igrejas locais mostra, com clareza, que os ministros, em sua grande maioria, nem sequer frequentam as Escolas Bíblicas Dominicais, como também, se comparecem aos cultos de doutrina, fazem-no como uma “obrigação ministerial”, como uma forma de “bater o cartão” perante o líder, a fim de que não sejam retirados de suas posições e como um modo de angariar novas posições. Há um verdadeiro menosprezo pelo aprendizado da Palavra de Deus, o que apenas tem contribuído para a inanição espiritual do povo de Deus, para a proliferação da apostasia.
- Diante deste menosprezo para com a Palavra, não é surpresa que praticamente diálogo algum haja entre os que presidem e os responsáveis pelo ministério do ensino nas igrejas locais, o que é extremamente danoso para a saúde espiritual da membresia. Os pastores devem ter um diálogo franco e aberto com os mestres, em especial, com os professores da Escola Bíblica Dominical, exatamente porque são eles que podem dizer ao dirigente quais são as dúvidas e problemas doutrinários que assolam a membresia, uma vez que são eles que têm contato direto e interativo com os membros.
- Este menosprezo e falta de comunicação fazem com que os mestres não tenham as mínimas condições de desempenhar, a contento, as suas tarefas. Paulo mandou a Tito que não faltasse coisa alguma a Zenas e a Apolo, Eles precisavam ter condições de ajudar Tito no ensino da Palavra. Por isso mesmo, nas igrejas locais, devem ser dadas as necessárias condições para que os mestres possam ensinar a Palavra. As igrejas locais devem primar por dar toda a estrutura, física e didática, para que os professores possam ministrar suas aulas nas Escolas Bíblicas Dominicais.
- A realidade que vemos, entretanto, é lamentável, pois são pouquíssimas as igrejas locais que têm espaço apropriado para a ministração das aulas, que preparam convenientemente seus professores para a ministração das aulas, que dão material didático e outros elementos que são indispensáveis para que se possa ensinar a Palavra de Deus.
- Zenas e Apolo estavam ali para ajudar Tito a ensinar os crentes cretenses, mas era fundamental que todo este ensino fosse absorvido pela membresia e pelos obreiros que seriam separados por Tito, devendo, por isso, aplicar-se às boas obras nas coisas necessária e que não fossem infrutuosos (Tt.3:13,14).
- O ensino da Palavra de Deus não deveria ser feito com o objetivo de erudição, Zenas e Apolo não estavam ali, juntamente com Tito, para formar “doutores em Divindade”, para fazer surgir “teólogos renomados” ou “filósofos da religião”, mas, sim, a finalidade do ensino da sã doutrina é transformar vidas, gerar “novas criaturas”, que, pelas suas boas obras, mostrem que são diferentes dos que não têm a salvação, que são sal da terra e luz do mundo.
- O ensino da Palavra de Deus não é meramente teórico, mas tem de ser prático, tem de ser aplicado. Os “nossos”, diz o apóstolo, isto é, os membros das igrejas de Creta deveriam absorver o que fosse ensinado e colocar todos estes ensinos na prática, através de boas obras, produzindo frutos de justiça (Fp.1:11), produzindo o fruto do Espírito (Gl.5:22), pois, quem está em comunhão com Cristo Jesus, está ligado na videira verdadeira e produz fruto e fruto permanente (Jo.15:1-5,16).
- Que frutos nossa igreja local tem produzido no meio social onde ela se encontra? Será que somos reconhecidos pelos que nos cercam como pessoas que fazem bem e curam todos os oprimidos do diabo? Será que somos tidos como seguidores do exemplo de Cristo, profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo (Lc.24:19)?
- A proeminência e absoluta prioridade da Palavra de Deus na igreja local têm como finalidade fazer com que sejamos transformados. A Palavra nos traz a fé (Rm.10:17), fé que nos salva (Ef.2:8), fé que mostra a nossa salvação pelas boas obras que praticamos e que faz com que todos glorifiquem ao nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16). “…Assim, pois, o povo, se é como a vinha do Senhor, deve ser carregada de frutos, não só espirituais, como também temporais, para que, com eles, se sustentem os lavradores…” (AQUINO, Tomás de. op.cit., end.cit.).
- A Igreja, enquanto corpo de Cristo, está umbilicalmente ligada ao testemunho que dá da obra redentora do Senhor Jesus. Por isso, nosso trimestre teve como título “A Igreja e o seu testemunho”, pois a Igreja nada mais é que o conjunto das testemunhas de Cristo (At.1:8), provas vivas de que Jesus realmente transforma o homem e faz do pecador dominado pelo pecado e que só consegue fazer o mal em uma nova criatura que faz o bem.
OBS: “…Quem crê deve sempre lembrar que a graça de Deus vale para todos e tenta alcançar a todos. E isso deve acontecer pelo testemunho de vida da igreja de Jesus. No meio dela a graça de Deus visa brilhar com tanta realidade, perdoando, curando, consertando e sobretudo educando para a plena humanidade conforme a imagem de Jesus, que todo o mundo possa reconhecer a forma com que essa graça se realiza naqueles que se abrem para ela.…” (BÜRKI, Hans. op.cit, p.20).
- Estes que produzem o fruto do Espírito e que são novas criaturas em virtude da manifestação da graça da salvação, tendo uma vida sóbria, justa e pia, são aqueles que amam os demais irmãos na fé e eram eles que estavam com Paulo e saudavam a Tito. A Igreja é formada daqueles que sempre têm com eles a graça de Deus (Tt.3:15).
- Que após o estudo deste trimestre, tenhamos podido entender a imensa necessidade que temos de, através da sã doutrina, podermos crescer na vida espiritual que nos foi manifesta pela graça de Deus e, assim agindo, darmos testemunho que levem os homens a glorificar a Deus e, diante de nossas vidas reais e autênticas diante de Deus, render-se também à esta graça salvadora. Amém!

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - Ev. Caramuru Afonso Francisco
BIBLIOGRAFIA DO TRIMESTRE
A bibliografia diz respeito aos estudos de todo o terceiro trimestre de 2015, não contendo bíblias e bíblias de estudo consultadas, bem assim textos esporádicos, notadamente fontes eletrônicas, cujas referências foram dadas no instante mesmo de suas utilizações.
AUSUBEL, Nathan. Trad. de Eva Schechtman Jurkiewicz. Conhecimento judaico. In: A JUDAICA. Rio de Janeiro: Koogan, 1989. vv.5 e 6.
BÜRKI, Hans. Carta a Tito Comentário Esperança. Trad. de Werner Fuchs. Curitiba: Esperança, 2007. 32p.
CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5.ed. São Paulo: Hagnos, 2001. 6v.
______________. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 2000. 7v.
______________. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 1995. 6v.
HARRISON, Everett F. Tito Comentário Bíblico Moody. E-book digital. 10p.
HENDRIKSEN, William. I Timóteo, II Timóteo e Tito. Trad. de Válter Graciano Martins. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. Trad. de Válter Graciano Martins. 496p.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento Atos a Apocalipse edição completa. Trad. de Degmar Ribas Júnior. Rio de Janeiro: CPAD, 2009 . 1012p.
JOHANSSON, Carlo e HELLSTRÖM, Ivan. Síntese bíblica do Novo Testamento: Mateus a João. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983. Coleção Ensino Teológico n.2.
McGOUGH, Richard Amiel. The Bible Wheel: a revelation of the divine unity of the Holy Bible (ebook version). Yakima, WA: Bible Wheel Ministries, 2006. 412p. Acesso em 19 fev. 2010.









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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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