Por que Deus Permite Crianças Deficientes?


Em certo sentido, todos nós, que somos pais, temos filhos “deficientes”. Temos filhos com deficiência espiritual e com deficiência moral. De acordo com a Bíblia, “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rom 3:23), ou seja, todos nós, pela nossa condição de pecadores, não conseguimos viver de uma forma que glorifique a Deus. E isso, evidentemente, inclui os nossos filhos – que já nasceram pecadores.
Por outro lado, há pais que têm filhos que possuem alguma deficiência física. Alguns filhos nascem ou adquirem algum tipo de problema no corpo físico ou até mesmo algum problema mental, que resulta no físico. Mas, diante desta realidade, cabe aqui a pergunta: por que Deus permite que tenhamos filhos com deficiência física? Será que essas crianças nascem como resultado de nossos pecados pessoais? Será que ter filhos deficientes é um castigo de Deus aos pecados dos pais?
Em primeiro lugar, é preciso dizer, a deficiência moral e espiritual é mais grave que a deficiência física. A deficiência física, em si, não nos desabilita diante para sermos aceitos diante de Deus. O nosso Senhor Deus jamais rejeita uma pessoa por ser deficiente físico! Mas a nossa deficiência moral e espiritual, por definição, não nos habilita para nos apresentarmos diante de Deus em aprovação. Por isso, a deficiência espiritual e moral é mais grave que a deficiência física.
Sobre a origem das deficiências físicas em nossos filhos, podemos traçar duas origens. Todas as dificuldades existentes no mundo – e isso inclui até a nossa gripe que pegamos duas ou três vezes por ano – são resultado do pecado de Adão e Eva no Jardim do Éden. Alguns desses males, como, por exemplo, a cirrose hepática (provocada pelo consumo excessivo de bebida alcoólica), é consequência direta de algum pecado pessoal nosso.
Mas ter filhos deficientes quase nunca é resultado do pecado pessoal de alguém. Então podemos deduzir que os nossos males resultam do pecado presente no mundo desde os nossos pais espirituais – Adão e Eva – e que resultou, indiretamente, em muitos problemas em nossas vidas diárias.
Entretanto, essas respostas não são completas em si mesmas. É verdade que uma deficiência de nosso filho possa ser resultante da presença do pecado no mundo deste os primórdios da humanidade, mas é também verdade que Deus poderia ter evitado que – pelo menos em nossa família – esse efeito negativo do pecado possa nos atingir. Existem, ao nosso redor, muitos pais que são “mais pecadores” que nós e, no entanto, não têm filhos portadores de necessidades especiais.
A razão para termos filhos com algum grau ou natureza de deficiência física, no entanto, é mais profunda que apenas ser a consequência (direta ou indireta) do pecado.
Nós temos uma explicação bem abrangente disso no Evangelho de João, capítulo 9. Esse texto nos diz que Jesus e os discípulos encontraram um “homem cego de nascença”. Diante daquela oportunidade, os discípulos de Jesus perguntaram a Ele: “Mestre, quem pecou, este homem ou os pais dele, para que ele nascesse cego?”. A pergunta dos discípulos de Jesus está, então, em consonância com a versão de que todas as deficiências físicas são resultantes do pecado e, no caso deste cego de nascença, os discípulos pensavam que a cegueira fosse a causa direta do pecado do próprio homem ou do dos pais dele.
A resposta de Jesus surpreendeu os discípulos. Disse Jesus: “Nem este homem pecou nem os pais dele pecaram”. Ou seja, o nosso Senhor Jesus Cristo isenta qualquer causa direta – o pecado pessoal do cego ou dos pais dele – para a cegueira daquela pessoa. Em seguida, Jesus dá a explicação para a deficiência física daquele homem: “Ele nasceu cego para que a obra de Deus fosse manifestada por meio dele”, disse o nosso Senhor aos discípulos.
Essa resposta de Jesus é muito profunda. Nossos filhos deficientes físicos nascem assim para expressar, na vida deles, a que a glória de Deus seja manifesta por meio da obra que Ele mesmo faz em nossos filhos excepcionais.
O ensino de Jesus neste texto de João 9 está em consonância com um outro texto no Antigo Testamento, em Êxodo capítulo 4. No contexto deste texto, o israelita Moisés recebe uma ordem de Deus para que ele seja o líder libertador do povo de Israel que era escravo no Egito. Ao ouvir o chamado do Senhor, Moisés apresenta uma desculpa: “Eu sou pesado de boca e pesado de língua”. Ou seja, Moisés está afirmando que é ruim de oratória e possivelmente fosse gago, inabilitando-o a liderar um povo para sair do Egito. Deus, então, refuta a desculpa de Moisés, dizendo: “Quem fez a boca do homem? Quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor?”.
A resposta de Deus para Moisés tem pelo menos duas grandes verdades paralelas e complementares:
  1. Deus fez a pessoa que fala e a que vê;
  2. Deus fez a pessoa que não fala e a que não vê! Ou seja, o Criador fez tanto o ouvinte quanto o surdo, tanto o que vê quanto o cego. Ambos são frutos da vontade soberana do Senhor do Universo!
Esse fato, no entanto, não é fácil de aceitar. Nós cremos em Deus, é verdade, mas queremos crer num Deus manipulável pelas nossas intenções e desejos. Nós não gostamos – e nem estamos dispostos a entender – a existência de um Deus soberano, um Deus que pode fazer o que quer, que pode fazer uma pessoa que anda e outra que não anda, uma pessoa que vê e outra que não vê.
No Salmo 139, versos 13 e 14, o salmista louva ao Senhor Deus pelo modo como foi gerado no seio materno. “Pois Tu me formaste o meu interior, Tu me teceste no seio de minha mãe. Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formastes, as Tuas obras são admiráveis…”. A pergunta que podemos fazer diante deste texto é a seguinte: Será que as pessoas com deficiência física também não foram formadas maravilhosamente no seio materno? Será que elas também não são um milagre de Deus? Assim como o salmista deu graça pela formação intrauterina dele, será que a mesma ação de graças não deve ser dada pela concepção de uma criança excepcional?
Diante destes ensinos bíblicos, podemos nos assegurar de uma verdade: nossos filhos com deficiência física são obra das mãos soberanas de Deus – como qualquer outra pessoa o é. A razão deles nascerem deficientes físicos não é o pecado deles ou dos pais deles, mas a razão principal é para glorificar a Deus.
Mas aqui cabe uma pergunta: como os nossos filhos deficientes podem existir para a glória de Deus? Não seria melhor que eles fossem “perfeitos” em termos físicos para glorificar a Deus? Nós podemos até pensar assim, mas não é assim que o nosso Criador pensa.
Uma pessoa com deficiência física glorifica a Deus quando, apesar da deficiência dela, ela ainda é grata ao Senhor pela vida. Deus é glorificado numa pessoa com deficiência física quando, a despeito das limitações, ela consegue estudar e trabalhar. Deus é glorificado nos pais de uma criança excepcional quando a alegria da paternidade é maior que qualquer decepção que possamos ter ao ter um filho com limitações físicas, por mais sérias que essas limitações forem.
Eu me lembro de um testemunho que ouvi numa igreja em São Paulo, capital. Há uns 20 anos, o missionário mexicano Francisco Nuñes, que mora no Texas, Estados Unidos, teve um filho com uma deficiência física tão séria que o menino passou a precisar de assistência médica 24 horas por dia. Mas o pastor Nuñes decidiu que Deus seria glorificado também neste filho com problemas graves de saúde. “Eu e a minha esposa decidimos que a tristeza jamais iria encontrar abrigo permanente em nossos corações. Ao invés disso, decidimos ser constantemente gratos a Deus por ter um filho como presente do Senhor para as nossas vidas”, disse o missionário no testemunho que contou.
Por que nossos filhos nascem com deficiência? Porque é da vontade de Deus que assim seja! Essa lição pode ser difícil de digerir, mas é o que ensina a Bíblia.
Todos os problemas no mundo são provindos da presença do pecado na humanidade. Mas, como esses problemas são distribuídos entre nós é um mistério, pois nem todos recebem a mesma dose de problemas e Deus tem poder para impedir que recebêssemos uma dose pesada de adversidade, pois a presença do pecado no mundo não anula o poder divino nem anula o fato de Deus ser Deus. Mas, ao recebermos uma adversidade, aquela adversidade se faz presença em nós pela permissão ativa de Deus. A partir do momento em que temos um filho com deficiência física, aquela paternidade ou maternidade se torna um plano de Deus para a nossa vida. Deus poderia evitar que tenhamos filhos deficientes. Mas, quando Ele decidiu não impedir a má formação física em nossos filhos, então essa escolha de Deus se torna a vontade dEle para as nossas vidas e devemos agradecê-lO e glorificá-lO por estar cumprindo a vontade dEle em nós. É isso que significa ser servo de Deus.
Temos de aceitar a vontade do Senhor para a vida. Lutar contra a vontade de Deus é inútil. Ao contrário, temos de nos alegar em Deus, ver o nome dEle sendo glorificado em nossos filhos – mesmos os filhos deficientes físicos. Quando nós não agimos assim, estamos expressando que temos uma deficiência espiritual profunda e que demonstramos que estamos em pior condição que nossos filhos com deficiência física.
Devemos nos alegrar com os nossos filhos com deficiência física. Filhos com deficiência espiritual e moral podem trazer certos desgostos para a vida dos pais que os filhos com deficiência física não trarão. Estamos pecando contra Deus e contra os nossos filhos quando não alegramos com a vida deles – que são um presente de Deus para nós. Muitos pais de filhos com deficiência física têm vivido a alegria da paternidade – como quaisquer outros pais – e temos de aprender a trilhar esse caminho de alegria também.  Por isso, aprenda a se regozijar em Deus e louvá-lo pelo filho deficiente físico que você tem. E também alegre-se na companhia do filho que Deus lhe deu.


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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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