Lição 3 - O Problema da Fome no Mundo Contemporâneo - 15 de Outubro 2017 - EBD Jovem - CPAD


TEXTO DO DIA
 “E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração” (At 2.46).

SÍNTESE
Os crentes expressam a graça e o amor divino na sociedade quando partilham o alimento com os famintos.

AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA Gn 43.1: Fome na terra
TERÇA Am 8.11: Fome, mas não de pão
QUARTA Mt 4.2: Jesus teve fome
QUINTA Rm 12.20: Comida para o inimigo
SEXTA Mc 8.1,2: Compaixão de Jesus para com os famintos
SÁBADO Lc 9.13: “Dai-lhes vós de comer”

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

    Conhecer, à luz das Escrituras, a origem da fome;
    Identificar a fome como um sinal dos últimos dias;
    Compreender a importância do testemunho da Igreja por meio do partir do pão.

TEXTO BÍBLICO
Lucas 9.12-17.
12 E já o dia começava a declinar; então, chegando-se a ele os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos campos e aldeias ao redor, se agasalhem e achem o que comer, porque aqui estamos em lugar deserto.
13 Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes, salvo se nós próprios formos comprar comida para todo este povo.
14 Porquanto estavam ali quase cinco mil homens. Disse, então, aos seus discípulos: Fazei-os assentar, em grupos de cinquenta em cinquenta.
15 E assim o fizeram, fazendo-os assentar a todos.
16 E, tomando os cinco pães e os dois peixes e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discípulos para os porem diante da multidão.
17 E comeram todos e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO
Todos nós sentimos fome, aquele desejo normal por alimento e certamente, esta não é uma sensação agradável, não acha? Agora imagine aquelas pessoas que passam fome por não terem condições de adquirir o sustento básico. No mundo atual, milhares de pessoas encontram-se nessa situação. Nesta lição, veremos que no Gênesis está a origem da fome e da escassez de alimentos. A Queda do homem afetou toda a ordem do universo, e provocou esse problema que persiste até hoje, e que será um dos sinais dos últimos dias. Mas a Igreja de Cristo tem exemplos bíblicos suficientes para saber como enfrentar a crise de alimentos. [Gênesis 3 descreve a rebelião de Adão e Eva contra Deus e contra Seus mandamentos. Desde então, o pecado tem sido passado de geração a geração e nós, descendentes de Adão, temos herdado pecado dele. Romanos 5.12 nos diz que através de Adão o pecado entrou no mundo, e por causa disso a morte foi passada a todos os homens porque “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Essa é a condição que chamamos de pecado herdado. Assim como herdamos características físicas de nossos pais, assim também herdamos nossas naturezas pecaminosas de Adão. A queda de nossos primeiros pais, trouxe conseqüências desastrosas não apenas para eles, mas também para toda a humanidade. Entender o que aconteceu com Adão e Eva após o primeiro pecado é chave para compreendermos a situação em que o homem se encontra hoje. Isto porque, Adão não agiu como uma pessoa particular, mas como representante de toda a humanidade. Após o pecado, há uma fuga da responsabilidade. “E ele disse: Ouvi a Tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me” (Gn 3.10). Adão tenta encobrir sua culpa, colocando a culpa em Eva (v 12), que por sua vez, culpou a serpente (v 13). Eles não aceitaram a responsabilidade pelo erro. Ao contrário transferiram a responsabilidade para o outro. Não é assim também em nossos dias?1] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. A FOME NAS ESCRITURAS SAGRADAS

1. Origem da fome. Deus criou a Terra com fartura, produzindo mantimento suficiente para a sobrevivência do homem (Gn 1.11,12,28,29). Antes da Queda havia abundância, pois até então o pecado não tinha sido introduzido no mundo. Além de afastar o homem de Deus, a desobediência do primeiro casal afetou toda a criação, provocando desordem no Universo. Disse Deus: [...] “maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida” (Gn 3.17). Desse momento em diante o trabalho passou a ser realizado com mais dificuldade, em virtude dos “cardos” e “espinhos” que vieram a existir (Gn 3.18). [Deus criou um mundo perfeito e nele colocou o homem, para cuidar da criação e com ela habitar. Adão recebeu do Criador a missão de governar a Terra e cultivar o solo. Por um período de tempo (não sabemos quanto tempo), Adão e Eva viveram sem crise e em harmonia, governando o mundo. Todavia, Adão e Eva caíram na tentação do Diabo, desobedecendo à ordem de Deus. Com o pecado veio o juízo divino sobre Adão, Eva e a serpente. A terra também sofreu as consequências do pecado (Gn 3.17). O pecado deformou a raça humana e fez com que o mundo viesse experimentar as diferentes crises que temos visto. A primeira crise que Adão enfrentou foi no seu relacionamento com sua esposa, Eva. Adão culpou a Deus e a mulher pelo seu erro (Gn 3.12). Em meio às crises, sejam elas de diferente ordem, temos a tendência de sempre culpar alguém2.]

2. A fome e o pecado. Os efeitos da Queda sobrepujam a escassez e as dificuldades naturais. O pecado acarretou ainda consequências danosas na natureza humana, gerando condições sociais e comportamentos responsáveis pelo aumento da fome, guerras, governos injustos, egoísmo, ociosidade (Pv 19.15), corrupção e consumo descontrolado (Lc 15.14). As Escrituras relatam vários casos de fome durante os dias de Abraão (Gn 12.10), Isaque (Gn 26.1), José (Gn 41.56,57), Elimeleque e Noemi (Rt 1.1), Davi (2Sm 21.1), Elias (1Rs 18.2), Eliseu (2Rs 6.25) e do cerco final de Jerusalém (2Rs 25.3). Isso nos leva a compreender que os problemas sociais, incluindo a falta de comida, começam quando os homens desobedecem a Deus! [Após o pecado, a Terra foi amaldiçoada. (Gn 3.17): A natureza sofre junto com a humanidade, compartilhando assim as conseqüências da queda. As Escrituras descrevem esta maldição em três maneiras:
a) O sustento será obtido com fadiga v 17.
Assim como a mulher terá seus filhos com dor, o homem haverá de comer o fruto da Terra por meio de trabalho penoso. Antes da queda, o trabalho de Adão no jardim era prazeroso e agradável, mas de agora em diante, seu trabalho, bem como o dos seus descendentes será seguido de cansaço e tribulação.
b) A Terra produzirá cardos e abrolhos v 18.
O cultivo da terra seria mais difícil do que antes. Cardos e abrolhos aqui significam: plantas indesejáveis, desastres naturais, enchentes, insetos, secas e doenças. A natureza foi subvertida com o pecado do homem. (Rm 8:20-21).
c) No suor do rosto comerás v 19.
O trabalho árduo se tornaria a porção do homem. A vida não seria fácil3.
A Bíblia é muito clara ao afirmar que a civilização da época pré-diluviana conseguiu alcançar um nível de perversidade nunca visto até então. O homem estava aproveitando toda sua capacidade para a prática do mal, mostrando que o pecado havia corrompido de forma generalizada todos os aspectos da raça humana. Não sabemos ao certo qual era a população do planeta naquele momento da história, porém sabemos que apenas um homem achou graça perante os olhos do Senhor e, apenas Noé e sua família, conseguiram sobreviver ao juízo de Deus sobre aquela geração depravada. O que acontecia nos dias de Noé que se assemelham aos nossos dias? Afirma Jesus: “Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento”, v27. A expressão “casavam e davam-se em casamento” quer dizer, literalmente, casar e descasar-se seguidamente. Perceba que não há qualquer menção a Deus nessa passagem. O homem preocupa-se apenas consigo mesmo. Ele é o centro de tudo. Isso é homocentrismo, hedonismo, humanismo, existencialismo, secularismo. Em 2 Timóteo 4.10, Paulo conta que Demas se perdeu, “amando o presente século”. Demas foi um obreiro que amou o secularismo4. Por causa do pecado do homem a terra e toda a criação sofreram a maldição e isso se agrava a cada dia, porque o mesmo homem que causou a maldição da terra, tudo tem feito para destruí-la. Veja o que está escrito: “Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.” (Rm 8.22).]

Pense!
O propósito original de Deus é fartura e abundância para a humanidade.

Ponto Importante
A Queda ocasionou condições sociais e comportamentos responsáveis pelo aumento da fome, guerras, governos injustos, egoísmo, ociosidade, corrupção e consumo descontrolado.


II. A FOME COMO SINAL DA VINDA DE JESUS

1. Profecia escatológica. No sermão proferido no Monte das Oliveiras, Jesus predisse que a fome seria um dos sinais do tempo da sua volta (Mt 24.7). Isso porque os últimos dias serão caracterizados pelo aumento da iniquidade (Mt 24.12), o colapso dos padrões morais (2Tm 3.1-5) e a operação da injustiça (2Ts 2.7), formando assim, juntamente com as guerras e os terremotos, um contexto propício para a proliferação da miséria em todo o mundo. [Os sinais relativos à volta de Nosso Senhor Jesus Cristo estão alinhados numa série de profecias, cujo principal objetivo é alertar os salvos a estarem convenientemente preparados para o arrebatamento da Igreja. No sermão profético, faz-nos o Senhor esta advertência: “Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas” (Mt 24.33). Somente em 1974 cerca de 4 milhões de pessoas morreram de fome. Fomes e flagelos: milhões de pessoas, especialmente crianças, têm morrido de fome em várias partes no mundo. No continente Africano milhões de pessoas têm morrido de fome. Em certas regiões da Índia Central 77% da população estão sofrendo de séries enfermidades devido à péssima nutrição. No Brasil, a subnutrição é uma realidade constante. A fome, a miséria e doenças tem sido o maior responsável por inúmeras ocorrências de óbito. Um cálculo das Nações Unidas diz que pelo menos 100 milhões de crianças vão para a cama famintas, todas as noites. Na área moral, o nunca o homem esteve tão perto de uma peste social como vemos hoje em nossos dias. Esta peste corrompe a moral e a disciplina, atributos colocados por Deus em nossas vidas. Com a imoralidade posta em nossas ruas, a pouca vergonha tem aumentado assustadoramente. Na área social, Jesus cita os sinais que caracterizarão o decurso inteiro dos últimos dias, e que intensificar-se-ão à medida que o fim se aproxima. Quando Jesus fala sobre as pestes, refere-se sobre as doenças incuráveis que estão atacando os seres humanos no mundo inteiro. Os cientistas estão preocupados com as viroses que estão a cada dia mais resistentes. Apesar do avanço tecnológico, as pessoas estão morrendo de pestes, fome, AIDS, tuberculose, câncer febre amarela e outras doenças. No mundo todo, morrem todos os anos 5 milhões de pessoas atacadas de malaria; 3 milhões de tuberculose; 4 milhões de crianças morrem anualmente de doenças infecciosas. A diarreia mata 5 milhões de crianças abaixo de 5 anos de idade e 4 milhões de pneumonia. Existem 60 milhões de portadores de AIDS/HIV, com um índice de crescimento estimado em 100 por cento ao ano5.]

2. O esfriamento do amor. O esfriamento do amor (Mt 24.12) será, igualmente, um dos principais fatores responsáveis pela pobreza extrema que assolará a Terra nos tempos do fim. Não havendo compaixão e sentimento de solidariedade, o contingente de pessoas sem acesso à alimentação básica, em situação de miséria, será enorme. [O amor é o primeiro aspecto do fruto que encontramos na relação de Gálatas 5.22. O amor é a condição essencial para que os dons espirituais sejam exercidos. Os dons, que devemos buscar cessam, mas o amor permanece. Não somente Paulo, mas também João estabelece prioridade a esta graça de abnegação (1Jo 3.14; 4.8,19). E igualmente Pedro (1Pd 4.8). E assim eles estão seguindo o claro exemplo que lhes deu Cristo (Jo 13.1,34; 17.26). Já foi dito que o fruto do Espírito é a expressão da natureza e do caráter de Cristo através do crente, ou seja, é a reprodução da vida de Cristo no crente; Sua vida foi o exemplo maior de amor. Seu amor está '...está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado' (Rm 5.5). É um amor de qualidades imensuráveis que levou Deus a dar seu único Filho como sacrifício pelos nossos pecados (Jo 3.16). É o amor de Jesus por nós: 'conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a nossa pelos irmãos (Jo 3.16; 15.2 a 13). Note que o fruto do Espírito é um singular, isso porque esse fruto compõe-se de um conjunto de virtudes vinculadas ao amor. Dessas virtudes, o amor é o principal, que domina sobre as demais6. Sinto um clima de total destemor de muitos vivendo sem priorizar Deus. Igreja? Já não é prioridade em muitas vidas. O amor a Deus e a sua Igreja está se esfriando mais rápido do que pensávamos. Será que alguém discorda que a nossa realidade atual é essa, diante de tanta obscenidade, desrespeito e rebeldia até contra Deus? Lesbianismo, homossexualismo e perversão sexual contra animais são atos aceitos pela sociedade há décadas como normais e saudáveis. Os princípios morais foram deixados de lado com a degeneração humana, e o pensamento do homem só maquina o mal: ou pela devassidão carnal ou pela violência generalizada.]

3. A fome e o amor de Deus. A Bíblia também preconiza que haverá um tempo de fome; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor. As pessoas irão errantes de um lado para outro, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a Palavra do Senhor, mas não a acharão (Am 8.11,12). Você tem aproveitado o seu tempo para se alimentar espiritualmente da Palavra de Deus? [O objetivo de Deus sempre foi o de alcançar e saciar a humanidade. No deserto fez descer pão do céu, o maná (Êx 16) e fez água sair de uma rocha para que o povo não perecesse (Êx 17.6). “Eis que vêm os dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor” (Am 8.11). No tempo do profeta Amós, Deus falou á casa de Israel através dos seus profetas; o povo estava afastado do Senhor, tinham abandonado A Palavra do Senhor. Várias vezes Deus os chamou ao arrependimento e eles rejeitaram, preferiram andar nos seus próprios caminhos. Deus se calou, fechou a boca dos profetas e não lhes deu mais nenhuma profecia. Deus, simplesmente, se calou. Ainda que buscassem a orientação de Deus durante o castigo divino, durante a calamidade profetizada, não iriam obter respostas, pois Deus havia lhes dado muito tempo e eles não se arrependeram. Deus os entregou nas mãos dos assírios. Temos que aproveitar a oportunidade que o Senhor nos dá, pois Ele é amor mas também é fogo consumidor. Temos de buscá-Lo enquanto se pode achar, invocá-Lo enquanto está perto (Isaías 55:6). Irá chegar um dia em que será muito tarde, enquanto há tempo busque e viva a Palavra do senhor7.]

Pense!
O principal motivo da fome dos últimos dias não será a falta de comida, mas a ausência de amor.

Ponto Importante
No sermão proferido no Monte das Oliveiras Jesus predisse que a fome seria um dos sinais do tempo da sua volta.

III. A FOME NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
1. Má distribuição e desperdício. Existem hoje cerca de 800 milhões de pessoas que passam fome no mundo, e pelo menos 2 milhões sofrem de deficiências nutritivas graves. Outro levantamento indica que cerca de 3,5 milhões de crianças morrem anualmente pela falta de refeição básica e doenças relacionadas com a desnutrição. Apesar dos avanços científicos da civilização e do aumento da produção de alimentos, as altas cifras de pessoas famintas comprovam a má distribuição e o desperdício de alimentos no mundo todo. O Brasil está entre os dez países mais impactados pela fome. Mais de 7 milhões de brasileiros convivem com esse problema e 15 milhões de crianças são consideradas desnutridas. Não sejamos indiferentes a essa situação, ouçamos o clamor dos famintos! [A ONU alerta que desperdício alimentar é uma das principais causas da fome no mundo. As Nações Unidas alertaram hoje, no Dia Mundial da Alimentação, para o desperdício alimentar, uma das principais razões para que 842 milhões de pessoas continuem privadas de quantidades suficientes de alimentos8. Quase 800 milhões de pessoas no mundo todo passam fome diariamente. E se engana quem pensa que o motivo para isso é a falta de alimentos. O grande problema é o desperdício. A quantidade de comida jogada fora, por dia, no Brasil alimentaria 25 milhões de pessoas9. Os números atuais sobre o desperdício de alimentos são de dois bilhões de toneladas sendo desperdiçadas, ou seja, metade de toda a comida produzida no mundo tem o lixo como o destino.  Ao mesmo tempo em que tantos alimentos são desperdiçados, temos também o desperdício de água, terras cultiváveis, insumos agrícolas, tempo de trabalho e qualquer outra coisa usada na produção dos mesmos. A partir do momento em que tanto recursos estão sendo desperdiçados, o produtor também estará perdendo muito dinheiro. Após analisar essa situação atual do desperdício de alimentos, nos deparamos com um problema gravíssimo, a questão da fome do mundo. Enquanto o mundo joga fora 2 bilhões de toneladas de alimentos no lixo, 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo. Temos ao mesmo tempo, muita comida indo para o lixo, e muitas pessoas passando fome, comprovando que além de absolutamente tudo estar errado, é preciso fazer algo urgentemente. No mundo, a cada um minuto, cinco crianças no mundo morrem de desnutrição, e esses dados servem para refletirmos10.]

2. Dando de comer aos famintos. Diante desse cenário, aos servos de Deus cabe testemunhar do amor cristão para com aqueles que passam fome, pois a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma (Tg 2.17). Dar pão ao faminto é, também, uma forma de fazer a vontade de Deus (Mt 25.40). Lembremo-nos dos milagres de multiplicação dos pães e peixes operados por Jesus que se compadeceu da multidão faminta (Mc 6.30-44; 8.1-10; Lc 9.12-17). A ordem do Mestre aos discípulos em relação ao povo é significativa e continua a reverberar: “Dai-lhes vós de comer” (Lc 9.13). [Os valores cristãos estão pautados nas Sagradas Escrituras e são opostos aos do mundo. Enquanto cremos na existência de um só Deus, cujas leis regem não apenas o Universo, mas nossas vidas, planos e vontades, a cultura mundana nega a existência do Altíssimo, e seus adeptos vivem como se o Senhor realmente não existisse (Sl 14; 53). A preocupação social não pode ser biblicamente separada da vida cristã, Jesus iguala a maneira como tratamos os desprezados deste mundo com a forma como tratamos a ele. Tiago vai dizer em sua epístola que a fé salvífica não é simplesmente uma profissão de fé, mas sim, a que produz uma vida obediente: “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." (Tg 2.14-18). Nossas obras mostram a autenticidade de nossa fé.]

3. Pentecostalismo solidário. A Igreja Primitiva, como vemos em Atos dos Apóstolos, expandiu-se de uma forma extraordinária. Após o recebimento da virtude do Espírito, os discípulos saíram a influenciar a sociedade, pois em todos eles havia “abundante graça” (At 4.33). Ao anunciarem com ousadia a Palavra de Deus, não olvidaram de ajudar os necessitados (At 4.34). A Bíblia retrata isso com fidelidade ao dizer que eles “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2.42). A partilha do alimento, portanto, não foi algo ignorado pelo pentecostalismo primitivo, especialmente com os domésticos da fé. Os primeiros crentes viviam um pentecostalismo solidário. Será que é isso que temos visto em nossas igrejas? Estamos igualmente preocupados com a fome das pessoas necessitadas? Clamemos a Deus por um despertamento integral, que envolva tanto o mover do Espírito quanto o partir do pão. [Quando Cristo veio ao mundo, a Palestina passava por graves problemas sócio-econômicos, de sorte que muitos o buscavam apenas para saciar a fome (Jo 6.26). É justamente nesse contexto que devemos estudar a ação social da igreja primitiva. Ler At 2. 43-46; 6. 1; Rm 15. 25-27; I Co 16. 1-4; II Co 8; 9; GI 2. 9; Fp 4. 18,19, etc. Conforme o relato de Atos, a comunidade cristã em Jerusalém vivia em comunhão exemplar. “Ninguém dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns”. Uma prática comum daquela igreja era a partilha de bens para atender aos necessitados (At 2.44,45; 4.34,35). Essa partilha era totalmente voluntária, e não compulsória. O que acontecia certamente era que os cristãos que possuíam uma melhor situação econômica vendiam suas casas e terras para atender aos irmãos mais necessitados. Uma observação a ser feita aqui é que a prática dos cristãos do segundo século, ainda que seja louvável, não é normativa para nós hoje. “E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.” (Atos 2:44-45) Esta passagem nos perturba. Preferimos saltá-la para evitar o desafio que ela encerra. Devemos imitar literalmente estes crentes? Quis Jesus que todos seus seguidores vendessem suas possessões e repartissem o que obtivessem delas? Sem dúvida, o Senhor chamou a alguns de seus discípulos a uma pobreza voluntária total. Esse é o chamamento que fez ao jovem rico, por exemplo. A ele, Jesus disse expressamente que vendesse tudo e o desse aos pobres. Este foi também o chamado do frade Francisco de Assis, na idade média, e mais recentemente, o chamado de Madre Tereza, em Calcutá, ambos católicos romanos. Eles nos recordam que a vida não consiste na abundância dos bens que possuímos. Mas não todos os discípulos de Cristo são chamados a isso. A proibição da propriedade privada é uma doutrina marxista, não cristã. Mesmo na igreja em Jerusalém, a decisão de vender as propriedades e dar tudo foi uma questão voluntária. Quando passamos para o versículo 46, lemos que os crentes se reuniam “em suas casas”. Quer dizer, continuavam tendo casa e propriedades pessoais. Pelo visto, não haviam vendido todas as casas, seus móveis e suas propriedades! Contudo alguns tinham casas, e os crentes se reuniam nelas. Não obstante, não devemos evadir do desafio destes versículos. Alguns suspiram com alívio porque não sugeri que devemos vender tudo e repartir-lo. Mas, mesmo que não seja nosso chamado particular, todos fomos chamados a nos amarmos mutuamente como faziam aqueles cristãos 11.]
11. Adaptado de STOTT, John. SINAIS DE UMA IGREJA VIVA;
Pense!
Antes de desperdiçar alimentos, lembre-se daqueles que passam fome.

Ponto Importante
A partilha do alimento, portanto, não foi algo ignorado pelo pentecostalismo primitivo, especialmente com os domésticos da fé. Os primeiros crentes viviam um pentecostalismo solidário.

CONCLUSÃO
A fome continua a ser um grave problema social dos tempos atuais. Em virtude da Queda, a escassez de alimentos e a sua má distribuição são resultado direto do pecado do homem. Não obstante, o cristão não pode viver indiferente diante da existência de milhares de famintos pelo mundo, pois, ao olharmos para o livro de Atos encontramos o exemplo de solidariedade daqueles cristãos que, no poder do Espírito, impactaram o mundo pela pregação da Palavra e serviço. Sigamos esse modelo! [A solução para a pobreza deve ser respondida à luz do que a Bíblia diz sobre a condição caída do homem, e os fatores que criam as condições para a pobreza. Deus determina que o crente cuide dos pobres, para negar isso, deve-se negar toda a Bíblia: “Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão” (Zc 7.9) e “O que oprime ao pobre insulta aquele que o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado” (Pv 14.31). Deus instrui o crente a oferecer socorro aos oprimidos, famintos, presos, cegos, estrangeiros, viúvas e órfãos. Nossa prioridade máxima, no cuidado aos pobres e necessitados, são os irmãos em Cristo (Gl 6.10). Jesus equiparou o cuidado com os irmãos na fé como se fossem a Ele próprio (Mt 25.40,45). A igreja primitiva estabeleceu uma comunidade que se importava com o próximo, que repartia suas posses a fim de suprir as necessidades uns dos outros (At 2.44,45; 4.34-37). A diaconia foi instituída para cuidar dos necessitados (At 6.1-6). Deus quer que os que têm em abundância compartilhem com os que nada têm para que haja igualdade entre o seu povo (2 Co 8.14,15; cf. Ef 4.28; Tt 3.14). Tiago desenvolve sua teologia prática afirmando que a verdadeira religião é atender aos necessitados (Tg 1.27) e também que Deus escolheu os que são pobres, para a salvação (2.5).] “... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2),Francisco BarbosaCampina Grande-PBOutubro de 2017


ESTANTE DO PROFESSOR
Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006.


HORA DA REVISÃO

1. Em relação aos alimentos, como era o mundo quando Deus o criou?
Deus criou a Terra com fartura, produzindo mantimento suficiente para a sobrevivência do homem (Gn 1.11,12; 28,29).
2. O que provocou a fome?
A Queda do homem no pecado.
3. Por que a fome será um dos sinais dos últimos dias?
Porque os últimos dias serão caracterizados pelo aumento da iniquidade, o colapso dos padrões morais e a operação da injustiça, formando assim, juntamente com as guerras e os terremotos, um contexto propício para a proliferação da miséria em todo o mundo.
4. Por que podemos dizer que o pentecostalismo primitivo era solidário?
Porque, além de anunciarem com ousadia a Palavra de Deus, eles não se esqueceram de ajudar os necessitados.
5. Em sua opinião, quais estratégias a Igreja pode adotar para diminuir o problema da fome?
Resposta pessoal.
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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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