Lição 8 - Encontrando o Nosso Próximo - 25 de Novembro de 2018 - EBD - CPAD



TEXTO ÁUREO

VERDADE PRÁTICA
“E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças e amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.” (Mc 12.33)

Amar ao próximo inclui amar até mesmo aqueles que nos aborrecem, pois encontramos em Deus o maior exemplo de que tal amor é possível.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 10.25-37
25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26 E ele lhe disse: Que está escrito na Lei? Como lês?
27 E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.
28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverás.
29 Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
31 E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
32 E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.
33 Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.
34 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;
35 E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.
36 Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
37 E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira.

INTRODUÇÃO
Em diversos momentos, Cristo aplicou-se a fazer com que as pessoas compreendessem que seu Reino não era deste mundo (Jo 18.36), ou seja, que as lógicas, o modo de pensar e de agir deste mundo não se coadunam com o Reino celestial. A conhecida parábola do “bom samaritano”, sem sombra de dúvidas, é um destes momentos preciosos, no qual o Mestre serviu-se deste método didático para trazer aos seus discípulos, e a todos quanto o ouviam e, por extensão, a nós, um novo conceito sobre “quem” é o nosso próximo e como devemos proceder em relação a ele.(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
Os rabis judeus, como alguns teólogos e estudiosos da Bíblia de hoje, gostavam de debater pontos importantes e delicados da doutrina, e esse intérprete (estudiosos da lei do Antigo Testamento) queria ouvir o que Jesus tinha a dizer a respeito do assunto. Ficamos com a impressão de que o homem não buscava a verdade, mas apenas queria envolver Jesus em um debate que ele esperava vencer. O intérprete mostrou-se evasivo quando o assunto se voltou para o enfrentamento honesto da verdade e a obediência a ela. Nossa maior responsabilidade é obedecer ao mandamento mais importante, o qual o intérprete cita com exatidão a partir de Levítico 19.18 e Deuteronômio 6.5. Todavia, não podemos amar a Deus e ao nosso próximo com perfeição até termos o amor do Senhor em nosso coração (Rm 5.5; 1Jo 4.19). Como podemos sequer esperar agradar a Deus se não conseguirmos guardar o principal mandamento (Mc 12.28-34)? É muito importante saber que somos salvos pela fé, não por guardar a Lei, mas, uma vez que a pessoa seja salva, pode depender do Espírito para ajudá-la a encher seu coração de amor. Jesus apresenta a parábola do bom samaritano em resposta à pergunta evasiva do intérprete. A expressão “Defina seus termos” é uma velha cilada dos intérpretes e debatedores. Jesus, em vez de envolver-se com termos abstratos, apresenta um caso concreto, e o intérprete entendeu o ponto. Não devemos “espiritualizar” essa parábola e transformá-la em uma alegoria da salvação. O ponto é apenas que seu próximo é qualquer pessoa que precise de ajuda, qualquer pessoa que você possa ajudar. O “herói” da história é o samaritano que cuidou do judeu, mas o sacerdote e o levita — trabalhadores religiosos profissionais — não são heróis de forma alguma. A pergunta a que devemos responder não é: “Quem é nosso próximo?”, mas: “De quem eu posso ser o próximo?”” (BIBLIOTECABÍBLICA). Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I – INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

1. Uma parábola com diversas interpretações. A parábola do bom samaritano, ao longo da história, tem sido alvo das mais diversas interpretações. Muitas e conhecidas são as exposições sobre esta parábola, inclusive algumas famosas e realizadas por grandes vultos da história cristã, que procuravam ver, por exemplo, nesta narrativa uma representação da caminhada humana ao sair do Éden (Jerusalém), e tomar o caminho do mundo (Jericó). Muitas destas interpretações servem-se do método alegórico para atribuir ao texto alguns objetivos que ele não tem.(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
Quem possui um conhecimento mínimo dos princípios hermenêuticos básicos, logo perceberá que essa é uma interpretação extremamente alegórica da parábola em foco. Porém, importa destacar que esse tipo de interpretação é, ainda hoje, a adotada por muitos cristãos. Mas, será que tal passagem bíblica quer dizer isso mesmo? O que se segue é uma análise da parábola, tendo como pano de fundo o contexto histórico – cultural sob o qual ela foi escrita. Inicialmente, é preciso notar que, apesar da parábola propriamente dita começa no v. 30 da referência acima indicada, a sua análise deverá ser feita a partir do v. 25, que é de onde extraímos o contexto mais geral para a sua interpretação. Nesse verso, nos é dito que numa dada ocasião se levantou um doutor da lei (provavelmente um fariseu), chamou Jesus de mestre, e lhe fez uma pergunta um tanto maliciosa. A pergunta foi: “que farei para herdar a vida eterna?”. No v. 26, Jesus responde essa questão com outra pergunta: “que está escrito na lei? Como lês? Como interpretas?”. No v. 27, o referido doutor da lei responde a pergunta de Jesus da seguinte maneira: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Jesus imediatamente o elogia e determina que, se ele quisesse obter a vida, deveria fazer exatamente isso (v. 28). Entretanto, como nos diz o v. 29, o doutor, querendo justificar-se, propõe outra questão ao mestre: “e quem é o meu próximo?”. É exatamente a partir dessa pergunta que Jesus conta a conhecida “ parábola do bom samaritano””. (Texto de Gerson Júnior, doutorando em filosofia na Universidade de Lisboa, e professor nos cursos de administração e teologia da Faculdade de Teologia Integrada – FATIN).

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2. Pondo Jesus à prova ou “tentando-o”. O Mestre conta essa parábola porque um doutor da Lei, bem-sucedido, procura-o para “pô-lo à prova” (ARA) ou “tentá-lo” (ARC), conforme consta no versículo 25.0 termo grego utilizado oferece a ideia de colocar à prova o “caráter” de Cristo. Isso mostra que aquele homem, de maneira ardilosa, busca colocar o Mestre dos mestres em situação difícil e, quem sabe imaginando receber algum elogio, o interroga dizendo: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (v.25).”(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
A parábola do Bom Samaritano inicia-se exatamente a partir do versículo 30, mas sua análise deve iniciar a partir do versículo 25 para chegarmos a uma perfeita interpretação. Nesse verso, nos é dito que numa dada ocasião se levantou um doutor da lei (provavelmente um fariseu), dirigindo-se a Jesus o chamou de mestre e lhe fez uma pergunta maliciosa: “que farei para herdar a vida eterna?”. A parábola então é a resposta à uma segunda pergunta maliciosa: “e quem é o meu próximo?”. É exatamente a partir dessa pergunta que Jesus conta a parábola do bom samaritano e critica a falsa religiosidade tão evidente na seita dos Fariseus. A falsa religiosidade é o ato de apenas ter uma religião, praticar rituais ou aparentar ser um crente. É a hipocrisia, a falsidade. O sacerdote e o levita deveriam exercitar seu amor por alguém que precisava, já que tinham o conhecimento da vontade de Deus.

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3. “Como lês?” Jesus, como é de costume, “responde” com outra pergunta (v.26). Ao perguntar sobre o conteúdo do mandamento, Jesus não questiona aquele doutor para ver se ele o conhecia, isto é, sua pergunta demonstra interesse na forma particular de interpretação do mandamento por parte daquele homem. Jesus quer saber como o doutor lê, como o interpreta e de que forma olha para o mandamento. O homem não compreendendo limita-se a responder recitando o mandamento tal como está escrito (v.27). Percebendo Jesus que o homem conhecia muito bem o texto a ponto de recitá-lo, o Mestre então o chama à prática (v.28). Para Jesus não bastava que aquele doutor soubesse o conteúdo do mandamento, antes, ao Mestre importava que o homem soubesse interpretar corretamente e, muito mais importante, colocar o mandamento em ação em sua vida. Por isso, o Senhor Jesus diz: “faze isso e viverás” (v.28).(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
No versículo 27, o doutor da Lei responde a pergunta de Jesus da seguinte maneira: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Jesus imediatamente o elogia e determina que, se ele quisesse obter a vida, deveria fazer exatamente isso (v 28). O doutor da Lei respondeu à pergunta de Jesus citando Deuteronômio 6.5, um texto que era recitado duas vezes ao dia por todo judeu fiel. Este texto resumia o padrão ético central da Lei. O doutor também aludiu a Levítico 19.18. O fundamento da resposta do homem é uma expressão de lealdade e devoção que também pode ser vista como a demonstração natural de fé, visto que a pessoa por completo — o coração, a alma, as forças e o entendimento — está envolvida. O tema do amor a Deus é desenvolvido nos versículos 38 a 42, com sua ênfase na devoção a Jesus, e em Lucas 11.1-13, onde os discípulos são instruídos a serem devotos a Deus em oração. Entenda que ao elogiar o doutor da Lei e exortá-lo a fazer o que conhecia, Jesus não estava dizendo que a retidão é o resultado das obras. Ele dizia que o amor e a obediência a Deus são as consequências naturais quando se coloca a fé no Senhor. Aqueles que acreditam em Jesus e seguem-no receberão recompensas eternas. Jesus estabeleceu este princípio a Pedro em Mateus 19.27-30.

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4. Questão principal. Não satisfeito, o doutor da Lei quer saber de Jesus “quem” seria o seu próximo (v.29). Pode ser que ele até tenha imaginado que Jesus revelaria o nome de um ente querido ou um amigo muito amado. Quem sabe imaginou que Jesus diria que o próximo é apenas quem nos faz bem. É neste contexto então que a Parábola é contada pelo Senhor. Jesus, ao contar a parábola, deixa claro que as tradições e a religiosidade não podem ensinar-nos acerca de quem é o nosso próximo. O homem que desceu de Jerusalém para Jericó estava caído e ferido (v.30), porém, o sacerdote não o viu como seu próximo e o levita também não (vv.31,32), mas o samaritano, surpreendentemente, assim o enxergou (v.33). Surpreendentemente porque jamais um judeu praticante da Lei, como aquele doutor, enxergaria nos “impuros” e “mestiços” samaritanos, alguém próximo seu. Jesus, no entanto, assim o vê e quer que aquele doutor da Lei veja também.(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
Lucas deixa claro que o doutor estava tentando colocar-se em posição de satisfazer as mais altas exigências da Lei. E quem é o meu próximo? Esta pergunta era uma tentativa de limitar as demandas da Lei pela sugestão de que algumas pessoas seriam identificadas como o próximo e outras não. O doutor da Lei estava buscando a obediência mínima, enquanto Jesus queria a obediência absoluta.” (BIBLIOTECABIBLICA). Para entender porque judeus não se davam com samaritanos clique aqui. No versículo 36, Jesus pergunta ao doutor da lei: “qual desses três te parece que foi o próximo do homem caído”? O doutor, encurralado, responde: “o que usou de misericórdia para com ele”. Então disse Jesus: “vai e faze da mesma maneira”.



II – COMPAIXÃO E CARIDADE SÃO INTRÍNSECAS À FÉ SALVADORA

1. Compaixão. A parábola, como um todo, é marcante, mas um momento indispensável em qualquer reflexão sobre ela está no versículo 33, quando o Mestre diz que o samaritano “chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão”. A “compaixão” aqui se refere a um sentimento intenso que causa tanto incômodo a ponto de alterar não apenas a consciência, ou o pensamento, mas também o aspecto físico, pois o texto diz que o samaritano “moveu-se”.”(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
Compaixão é um sentimento típico dos seres humanos e que se caracteriza pela piedade e empatia em relação à tristeza alheia. A compaixão desperta a vontade de ajudar o próximo a superar os seus problemas, consolando e dando suporte emocional” (SIGNIFICADOS)
A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.” (Lm 3.22-23) As misericórdias de Deus provêm de Seu amor incondicional e tem como resultado a compaixão.
O Evangelho registra que Jesus, em suas andanças “por todas as cidades e povoados”, ao ver as multidões, tinha compaixão delas “porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor” (Mt 9.35-38). Pouco adiante, Mateus volta a registrar: “Quando Jesus saiu do barco e viu tão grande multidão, teve compaixão deles e curou os seus doentes” (Mt 14.14). Jesus mesmo expressa verbalmente esse sentimento por ocasião da segunda multiplicação de pães e peixes: “Tenho compaixão desta multidão” (Mt 15.32). Porque Jesus não só enxergava, mas também se compadecia do sofrimento alheio, muitos clamavam e gritavam diante dele: “Filho de Davi, tem misericórdia de nós”. É o caso dos dois cegos (Mt 9.27), da mulher cananéia cuja filha estava endemoninhada e sofrendo muito (Mt 15.22), do homem cujo filho também estava endemoninhado e era jogado ora no fogo ora na água para ser morto (Mc 9.22), do cego Bartimeu, que pedia esmola numa rua de Jericó (Mc 10.47). A compaixão de Jesus pelo sofrimento alheio ia muito além do mero sentimento. Ele se entregava ao ministério de aliviar os outros de suas dores. O povo lhe trazia “todos os que estavam padecendo vários males e tormentos: endemoninhados, epiléticos e paralíticos” e ele os curava (Mt 4.23-25)”. (ULTIMATOONLINE)


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2. Cuidado. O versículo 34 diz que o samaritano “aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou- -o para uma estalagem e cuidou dele”. Essa ação toca no aspecto da prática do amor, isto é, o cuidado, contida no mandamento, pois este ordena: “Amarás ao Senhor, teu Deus […] e ao teu próximo como a ti mesmo” (v.27 cf. Lv 19.18). 0 amor de que trata o mandamento, não é retórico e muito menos platônico, isto é, existindo apenas no mundo das ideias. Deus nos mostra e exemplifica o amor verdadeiro no texto de João 3.16 quando diz que “amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. A expressão grega para dizer que Deus amou, neste texto, foi agapao, que se refere ao amor prático, um amor que se comove, um amor que se enche de íntima compaixão. Ensina-nos que não basta dizermos que amamos, e nem mesmo apenas amarmos, há que se avançar para o segundo estágio que é a prática do cuidado (1Jo 3.16-18). Não há demonstração de cuidado sem prática, assim como não há amor sem compaixão.(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
O Novo Testamento foi escrito em língua grega, o idioma dominante naqueles dias. No grego antigo encontramos quatro vocábulos conceituais que foram traduzidas para o português como ‘amor’: Ágape, Philia Eros e Storge – cada um destes vocábulos possuem conceitos diferentes (Veja aqui o conceito de cada uma delas). Na língua portuguesa, usamos a palavra amor para descrever alguns sentimentos e atitudes distintas. Por exemplo, usa-se ‘amor’ tanto para o amor entre irmãos ou amigos como para o amor mais erótico entre um casal, apesar de serem tipos de amor totalmente diferentes. Paulo afirma em 1º Coríntios 13.8 que o amor é a força mais poderosa deste mundo. O resumo escriturístico é que Deus é amor, sendo este uma característica fundamental de Deus. Nada é mais valioso que o amor. Mas ao se tratar deste amor característico de Deus e que é exigido dos seus filhos, a palavra que mais se aproxima em nossa língua, embora tenha perdido a sua força no decorrer dos anos, é ‘caridade’; isso porque ‘Ágape’ significa o amor perfeito e incondicional, que não depende de empatia, de sentimentos. Paulo discorre em 1º Coríntios 13.4-7 sobre esse tipo de amor: altruísta, justo, verdadeiro e paciente. O amor perfeito (ágape) nunca acaba. Esse é o tipo de amor que está acima de todos os outros; É uma decisão, uma escolha incondicional de amar e fazer o bem ao outro. Deus demonstra esse amor perfeito por nós ao nos oferecer a salvação, sem merecermos, e nos ensina a oferecer o mesmo tipo de amor a todas as pessoas à nossa volta.


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3. Caridade. O samaritano da parábola não apenas aproxima-se do homem que está ferido à beira do caminho e nem somente se compadece dele, mas decide curá-lo, dar-lhe atendimento de emergência e conduzi-lo a uma estalagem (v.34). Já na estalagem, o samaritano recomenda ao hospedeiro que cuide do homem, pois ele prosseguiria sua viagem e, quando voltasse, pagaria qualquer despesa que tivesse sido gerada (v.35). Tais atitudes são uma clara demonstração de amor, ou seja, o amor do samaritano ao próximo foi expresso em atitudes e ações, ao ponto de se comprometer até mesmo com os gastos que seriam gerados com a hospedagem do homem ferido. Para Cristo, só existe realmente caridade se houver demonstração de amor, pois no texto de João 3.16 não diz apenas que Deus “amou”, mas também que Ele “deu” o seu Filho. A evidência de que Deus ama é demonstrada pela sua compaixão pelo mundo perdido. Deus se compadece e mostra isso na prática (Rm 9.16).(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
Note como o comentarista emprega o vocábulo ‘caridade’: “se compadece”; “decide curá-lo”. O termo português ‘caridade’ tornou-se desgastado, perdeu seu sentido real ao passar dos anos. Diferente da época quando pastor calvinista João Ferreira de Almeida (1681) traduziu a Bíblia para a língua portuguesa. Naquela época, ‘caridade’ traduzia bem o termo ‘ágape’; hoje, caridade é sinônimo de esmolar.
A palavra ‘caridade’ tem sua origem no Latim, de um termo que significava ‘afeto ou estima’, CARITAS. Este termo latino, por sua vez, é derivado de outro CARUS, que significava ‘agradável, querido’. Este último deu origem também ao termo ‘caro’, quando se refere a alguém que se tem afeto, como em ‘caro amigo’” (GRAMATICANET). Caridade é a boa disposição do ânimo para com todas as criaturas; pena que se sente pelos sofrimentos alheios. A palavra caridade também está relacionada com “fazer bem.” Caridade é algo que expressa ação e não apenas sentimento. Do ponto de vista teológico digo que a tradução para caridade é mais adequada, pois o amor de Deus por nós foi representado pela ação (Jo 3.16). E do mesmo modo só demonstramos que temos o amor que é um mandamento, através de ação. Quando transformamos amor em ação (caridade) cumprimos o ensinamento de Jesus em Mateus “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste.” (Mt 25.40).

IIl – O NOSSO PRÓXIMO É QUALQUER PESSOA NECESSITADA

1. O “próximo”. Na Parábola, quem se fez “próximo” do homem ferido foi uma pessoa que o doutor da Lei teria como completamente indigna de receber sua atenção e cuidados, visto que judeus e samaritanos nutriam recíproco sentimento de desprezo e quase ódio. Não havia para aquele doutor exemplo mais doloroso para Cristo utilizar-se. Isso fica demonstrado quando, ao final da narrativa, Jesus pergunta ao doutor da Lei qual dos três havia sido o “próximo” do homem que foi espancado pelos salteadores (v.36) e este se limita a responder: “O que usou de misericórdia para com ele” (v.37). Ou seja, ele sequer diz que foi o “samaritano”. Mesmo assim, a palavra de Jesus, visando responder a pergunta inicial (v.25), foi que o doutor da Lei fizesse o mesmo. Da mesma forma devemos colocar em prática o amor que afirmamos ter a Deus sobre todas as coisas, e ao nosso próximo, pois só assim fazendo estaremos aptos à vida eterna. Infelizmente, nos tempos de Jesus a hipocrisia humana, que faz com que homens conhecedores não sejam praticantes do próprio conhecimento, já estava bem presente na sociedade judaica. Por isso, Jesus teve diversos embates com os doutores da Lei (Mt 23.1-36).(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
Nesta parábola, Jesus toca na ferida do doutor da Lei. Ora, durante cerca de 800 anos os judeus não se davam com os samaritanos, porque em 722, Salmanezer ou Sargão II, reis da Assíria tomara Samaria e substituíram seus habitantes por babilônios e sírios, que trouxeram suas tradições, crenças religiosas contrárias às dos judeus e ali nasceu uma espécie de ‘judaísmo misturado’. Os samaritanos eram inimigos dos judeus, um foco purulento incrustado no seu território. Eram considerados como cães e assim chamados pelos judeus; Note como Paulo utiliza a palavra “cães” com a mesma ironia que os Judeus chamavam os gentios de cães (Mt 15.26). Em Filipenses, ele aplica o sentido de “cães”, aos judaizantes, que na comunidade atrapalhavam o crescimento em Jesus Cristo, querendo um retorno a pratica a lei judaica com todos os seus preceitos. Será que aquele mestre da Lei teria um samaritano como seu próximo? Na concepção cristã, o nosso próximo não está limitado à nossa família, nossas amizades, nossa raça. Nosso próximo é todo aquele que necessita de auxílio e quem podemos ajudar. A parábola nos ensina que a verdadeira religião é a prática do amor. É crer fazendo. É viver o que crê, e fazer o bem que se deve fazer. Tiago diz: "A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações." (Tg 1.27).


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2. Ajudar ao próximo não salva, mas é algo que deve ser feito por quem é salvo. Nesta parábola, Jesus não quer afirmar que o samaritano pudesse alcançar a salvação por causa de sua beneficência e de sua atitude amorosa. Jesus apenas está respondendo à pergunta formulada pelo professor da Lei. É importante salientarmos que fazer obras de caridade não leva ninguém à salvação (Ef 2.8,9). Contudo, os verdadeiros filhos de Deus são “feitos” para as boas obras, isto é, as realizam naturalmente (Ef 2.10; Tg 2.14,17). Assim, Cristo mostra ao mestre da Lei que uma pessoa sincera soluciona facilmente essa questão que, aos olhos daquele homem, parecia tão complexa.” (2 Co 5.17).(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
No Cristianismo o fato de fazer caridade não nos garante crédito no céu; mas é uma demonstração de que somos de fato cristãos – parecidos com Cristo. Quando Jesus terminou de contar esta história do bom Samaritano, disse para o doutor da lei: "Vai e procede tu de igual modo, e mais,... faze isto e viverás." (Lc 10.37-38). Em Efésios 2.8-9, Paulo afirma que a salvação é pela graça, mediante a fé. Ele acrescenta claramente que as obras não fazem parte do processo da salvação para que “ninguém se glorie”. As obras, como defende Tiago, têm o seu papel, não de salvar, mas são decorrentes da fé (são frutos): “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2. 10). As boas obras devem fazer parte da vida do salvo, mas não são o agente da salvação.

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3. A medida do amor para com o necessitado. A medida do amor para com o próximo não deve ser estabelecida com base nas diferenças de nacionalidade, de confissão religiosa ou do grupo social, mas unicamente com base na necessidade do outro. O próximo que se encontra em uma situação de emergência e precisa que algo seja realizado por ele naquele momento, não pode esperar qualquer análise ou palavra “motivacional” (Tg 2.14-16). Por isso, estamos falando em ações concretas, ajudas materiais, assim como na parábola contada por Jesus.”(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
Em Tiago 2.14-26, a insistência do apóstolo para que os cristãos pratiquem a palavra de Deus, e não apenas a ouçam, e sua exigência das obras como partes integrantes da fé, compõem esta ênfase. A obediência à “lei da liberdade”, a exigência de Deus resumida por Jesus, deve ser sincera e coerente. E esta obediência tem um importante aspecto social. O mandamento para que amemos nosso próximo como a nós mesmos é a “lei régia” (2.8). Tiago insiste em que “a religião pura e sem mácula” deve se manifestar no cuidado para com os desprivilegiados e menos favorecidos (“visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações”, 1.27) e numa atitude altruísta e mansa diante dos outros (3.13-18). O favoritismo demonstrado aos ricos transgredi a “lei régia” (2.1-7), assim como também a maledicência (4.11-12).

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4. Sendo o próximo. O doutor da Lei havia perguntado quem era o próximo dele (v.29). Na resposta de Jesus, a pergunta é inversa, ou seja, de quem eu posso, ou devo, ser o próximo? (v.36). A questão colocada pelo doutor da Lei não continha nenhum interesse ou compromisso em ajudar de verdade. Já a indagação de Jesus forçava-o a pensar acerca dessa obrigação. De acordo com o ensinamento de Jesus, o que fica claro é que o “próximo” trata-se de qualquer pessoa que se aproxima de outras com amor verdadeiro e generoso sem Levar em conta as diferenças religiosas, culturais e sociais. Jesus retoma a pergunta inicial e conclui dando uma resposta inesperada, pois o caminho proposto por Ele é pautado no amor, com demonstrações práticas, para com todos os homens (Lc 10.37). O coração cheio de amor fala e age de acordo com a consideração do Mestre, perguntando sempre de quem eu posso ser o próximo, ou seja, a quem devo socorrer.”(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
Muitos dizem ser discípulos de Cristo, mas estão distantes das virtudes bíblicas. Estes não evidenciam sua fé por intermédio de suas atitudes. Os pseudodiscípulos visam os seus interesses particulares e não a glória de Deus. Precisamos urgentemente priorizar o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33). Tiago nos ensina, assim como João Batista (Lc 3.8-14), que precisamos produzir frutos dignos de arrependimento” (3Trim2014_Lição 1: Tiago — A fé que se mostra pelas obras).
Observe como o samaritano ama: “Ele o viu” (Lc 10.33) - o sacerdote e o levita também, mas não demonstraram amor. Ele viu e reconheceu a necessidade urgente de resgatar esse homem. Ele assumiu o fardo do homem ferido como se fosse o seu próprio – isso é o amor de Deus, isso é o significado do termo ágape.



CONCLUSÃO
A parábola estudada na lição de hoje foi uma “história-exemplo”, pois se trata de um mandamento de amar e exercitar a misericórdia para com o próximo. Aqui aprendemos que o amor não aceita limites na definição de quem é o próximo. Enquanto todas as sociedades e seus segmentos sociais acabam levantando barreiras para separá-las das demais pessoas, os discípulos de Cristo devem olhar para os seres humanos com igualdade, pois o próprio Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34).(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 8, 25 Nov 18).
A melhor maneira que existe de demonstrar que realmente amamos a Deus é amando a todas as pessoas, independente de quem sejam. Mesmo aquelas que não são nossos amigos, ou que pensamos que não merecem nossa atenção, como foi o caso do bom samaritano. Nós mesmos somos naus e apesar desta condição do nosso homem interior, Deus nos ama. Demonstrar amor aos demais não é só falando e nem ajudando somente quem conhecemos e a quem gostamos. Demonstrar amor é ajudar mesmo aqueles a quem detestamos por suas práticas e conduta. Em 1 João 3.18 está escrito “filhinhos, não amemos apenas de palavras e de boca, mas de fato e de verdade”. A parábola do bom samaritano foi dada a fim de ilustrar o importantíssimo mandamento da lei: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.

Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos”. (Jeremias 15.16), Francisco Barbosa Campina Grande-PB Novembro de 2018

PARA REFLETIR
A respeito de “Encontrando o Nosso Próximo”, responda:
• Por que Jesus conta a Parábola do Bom Samaritano?
O Mestre conta essa parábola porque um doutor da Lei, bem-sucedido, procura-o para “pô-lo à prova” (ARA) ou “tentá-lo” (ARC), conforme consta no versículo 25.
• Qual era o interesse de Jesus em perguntar ao homem como estava escrito ou como se lia?
Ao perguntar sobre o conteúdo do mandamento, Jesus não questiona aquele doutor para ver se ele o conhecia, isto é, sua pergunta demonstra interesse na forma particular de interpretação do mandamento por parte daquele homem. Jesus quer saber como o doutor lê, como o interpreta e de que forma olha para o mandamento.
• Para Jesus, qual é a prova de que realmente a pessoa está praticando a caridade?
Para Cristo, só existe realmente caridade se houver demonstração de amor, pois no texto de João 3.16 não diz apenas que Deus “amou”, mas também que Ele “deu” o seu Filho.
• Se as boas obras não salvam, por que devemos praticá-las?
Os verdadeiros filhos de Deus, são “feitos” para as boas obras, isto é, as realizam naturalmente (Ef 2.10; Tg 2.14,17).
• De acordo com o ensinamento de Jesus, quem é o “próximo”?
De acordo com o ensinamento de Jesus, o que fica claro, é que o “próximo” trata-se de qualquer pessoa que se aproxima de outras com amor verdadeiro e generoso sem levar em conta as diferenças religiosas, culturais e sociais.



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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.