TEXTO BÍBLICO BÁSICO Colossenses 3.1-4, 8-10, 12-14, 17 1- Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima...
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
2ª feira - Colossenses 3.1-2
Busquemos e pensemos nas coisas do alto
3ª feira - Colossenses 3.5-6
Deus é santo e não tolera o pecado
4ª feira - Colossenses 3.9-10
A nova vida implica troca de vestes
5ª feira - Colossenses 3.11
Em Jesus não há distinções
6ª feira - Colossenses 3.15
A paz governa quem se reveste de Cristo
Sábado - Colossenses 3.16
A palavra do Senhor enche o coração
COMENTARIO EXTRA
Comentário de Hubner Braz
Colossenses 3.1-17
1. Visão geral
Colossenses 3.1-17 mostra a consequência prática da união do crente com Cristo. Paulo não começa dizendo apenas “melhorem o comportamento”, mas lembra primeiro a nova posição espiritual dos salvos: “ressuscitastes com Cristo”. A ética cristã nasce da obra de Cristo. O crente vive de modo novo porque recebeu uma nova vida.
O texto possui um movimento claro: primeiro, Paulo aponta para a identidade celestial do cristão; depois, ordena que ele abandone as práticas do velho homem; em seguida, chama-o a revestir-se das virtudes do novo homem; e, por fim, ensina que a paz de Cristo, a gratidão e o nome do Senhor Jesus devem governar tudo.
2. Ressuscitados com Cristo: uma nova direção de vida — Cl 3.1-4
Paulo declara: “Se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima”. O verbo grego usado para “ressuscitastes com” é synēgerthēte, ligado à ideia de ser levantado juntamente com Cristo. O crente não está apenas tentando ser melhor; ele participa espiritualmente da ressurreição de Cristo. A vida cristã é vivida a partir dessa nova realidade.
“Buscai as coisas que são de cima” não significa desprezar responsabilidades terrenas, família, trabalho ou sociedade. Significa viver com prioridades governadas pelo Reino de Deus. O verbo zēteite, “buscai”, indica uma busca contínua, ativa e perseverante.
No versículo 2, Paulo ordena: “Pensai nas coisas que são de cima”. O verbo phroneite envolve mente, disposição interior, direção do pensamento e orientação da vontade. O crente deve ter sua mente disciplinada pelas realidades celestiais, e não dominada pelos valores passageiros da terra.
Quando Paulo afirma que a vida do cristão está “escondida com Cristo em Deus”, ele fala de segurança espiritual. Matthew Henry comenta que a vida do cristão está escondida com Cristo, não apenas em sentido de mistério, mas também de segurança; sua plenitude será revelada no estado futuro.
3. Despir-se do velho homem — Cl 3.8-10
Paulo usa a imagem de troca de vestes: “despojai-vos” e “vos despistes do velho homem”. A vida antiga deve ser removida como uma roupa suja e inadequada. Isso inclui ira, cólera, malícia, maledicência, palavras torpes e mentira.
Esses pecados não são pequenos. Eles destroem relacionamentos, ferem a comunhão da igreja e contradizem a nova vida em Cristo. A ira descontrolada, a maledicência e as palavras torpes revelam que o problema não está apenas na boca, mas no coração.
David Guzik observa que Paulo usa a linguagem de tirar e vestir roupas: o cristão deve despir-se do velho homem e vestir-se do novo. Isso mostra que a conversão implica uma nova identidade e uma nova conduta.
O “novo homem” se renova “para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”. Aqui há eco de Gênesis: o propósito de Deus é restaurar no crente a imagem deformada pelo pecado. A santificação é o processo pelo qual o Espírito vai conformando o salvo à imagem de Cristo.
4. Revestir-se do novo homem — Cl 3.12-14
Depois de dizer o que deve ser abandonado, Paulo mostra o que deve ser vestido: misericórdia, benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suporte mútuo, perdão e amor.
O fundamento é a identidade: “eleitos de Deus, santos e amados”. Antes de ordenar atitudes, Paulo lembra quem os crentes são. Eles devem viver como povo escolhido, separado para Deus e amado por Ele.
O perdão é central: “assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também”. O padrão do perdão cristão não é o merecimento do ofensor, mas a graça recebida de Cristo. Quem foi perdoado por Cristo aprende a perdoar.
Acima de todas essas virtudes está o amor, “o vínculo da perfeição”. Matthew Henry afirma que Paulo lança o fundamento na fé e coloca o amor como a “pedra superior”, o cimento e centro de toda sociedade feliz.
5. A paz de Deus governando o coração — Cl 3.15
O Texto Áureo afirma: “E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos”.
A palavra grega traduzida por “domine” é brabeuetō, termo relacionado à ação de governar, arbitrar ou decidir. A paz de Cristo deve atuar como árbitro no coração do crente e na vida da comunidade.
João Calvino comenta que a paz de Cristo deve julgar, decidir e governar o coração, como um juiz nos jogos. Isso mostra que a paz não é mero sentimento interior, mas princípio que governa decisões, relacionamentos e conflitos.
Essa paz também é comunitária: “fostes chamados em um corpo”. A paz de Cristo não deve reger apenas o indivíduo isolado, mas a igreja como Corpo de Cristo. Onde Cristo reina, a paz deve vencer orgulho, contendas, amarguras e divisões.
6. Tudo em nome do Senhor Jesus — Cl 3.17
Colossenses 3.17 é uma síntese da vida cristã: “quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus”. Isso significa que a fé deve governar tanto o discurso quanto as ações.
Não existe separação entre vida espiritual e vida cotidiana. O crente deve falar, trabalhar, servir, corrigir, cantar, ensinar, comprar, vender, conviver e decidir “em nome do Senhor Jesus”. O nome de Cristo representa sua autoridade, seu caráter e sua glória.
Matthew Henry observa que tudo deve ser feito em dependência do Senhor Jesus, com ações de graças a Deus Pai. Para ele, a alma prospera quando está cheia das Escrituras e da graça de Cristo.
7. Leitura semanal comentada
Dia
Texto
Ênfase espiritual
Segunda
Cl 3.1-2
O crente deve buscar e pensar nas coisas do alto. A mente precisa ser governada por Cristo.
Terça
Cl 3.5-6
Deus é santo e não tolera o pecado. A nova vida exige mortificação das práticas antigas.
Quarta
Cl 3.9-10
A nova vida implica troca de vestes: deixar o velho homem e vestir-se do novo.
Quinta
Cl 3.11
Em Cristo, distinções sociais, étnicas e culturais não determinam valor espiritual. Cristo é tudo em todos.
Sexta
Cl 3.15
A paz de Cristo deve governar o coração e a vida comunitária.
Sábado
Cl 3.16
A Palavra de Cristo deve habitar ricamente no coração, formando adoração, ensino e sabedoria.
8. Análise das palavras gregas
Palavra grega
Texto
Sentido
Aplicação teológica
synēgerthēte
Cl 3.1
Fostes ressuscitados com
O crente participa da nova vida de Cristo.
zēteite
Cl 3.1
Buscai continuamente
A vida cristã exige busca perseverante pelas coisas do alto.
anō
Cl 3.1-2
Acima, do alto
A perspectiva cristã é celestial, não meramente terrena.
phroneite
Cl 3.2
Pensai, tende a mente voltada
A mente deve ser orientada pelas realidades do Reino.
apethanete
Cl 3.3
Morrestes
O velho domínio do pecado foi rompido em Cristo.
kekryptai
Cl 3.3
Está escondida
A vida do crente está segura em Cristo.
phanerōthē
Cl 3.4
Manifestar-se
A glória futura será revelada quando Cristo se manifestar.
apothesthe
Cl 3.8
Despojai-vos, tirai
O cristão deve remover práticas incompatíveis com a nova vida.
orgē
Cl 3.8
Ira
Ressentimento e indignação pecaminosa devem ser abandonados.
thymos
Cl 3.8
Cólera, explosão de ira
O crente não deve ser dominado por reações descontroladas.
kakia
Cl 3.8
Malícia, perversidade
Toda intenção maldosa deve ser rejeitada.
blasphēmia
Cl 3.8
Maledicência, difamação
A língua deve edificar, não destruir reputações.
aischrologia
Cl 3.8
Palavra vergonhosa, torpe
A fala do crente deve refletir santidade.
palaios anthrōpos
Cl 3.9
Velho homem
A antiga identidade dominada pelo pecado foi despida.
neos
Cl 3.10
Novo
A nova vida é resultado da obra de Cristo.
anakainoumenon
Cl 3.10
Sendo renovado
A santificação é contínua e progressiva.
splanchna oiktirmou
Cl 3.12
Entranhas de misericórdia
O cristão deve ter compaixão profunda e prática.
chrēstotēs
Cl 3.12
Benignidade
Bondade ativa no trato com o próximo.
tapeinophrosynē
Cl 3.12
Humildade
O novo homem rejeita orgulho e superioridade.
prautēs
Cl 3.12
Mansidão
Força controlada pela graça.
makrothymia
Cl 3.12
Longanimidade
Paciência perseverante diante das fraquezas alheias.
charizomenoi
Cl 3.13
Perdoando graciosamente
O perdão cristão imita o perdão de Cristo.
agapē
Cl 3.14
Amor
O amor une e aperfeiçoa as virtudes cristãs.
brabeuetō
Cl 3.15
Domine, governe, arbitre
A paz de Cristo deve decidir o rumo do coração e da comunidade.
eucharistoi
Cl 3.15
Agradecidos
A gratidão é marca da nova vida.
9. Dizeres de escritores e pastores cristãos
Matthew Henry afirma que a vida do cristão está escondida com Cristo, indicando segurança e esperança futura. Isso ajuda a entender que a identidade do crente não está nas circunstâncias, mas na união com Cristo.
David Guzik destaca que “despir” e “vestir” eram expressões comuns para troca de roupa; Paulo usa essa imagem para mostrar que o cristão deve abandonar a velha vida e viver segundo a nova identidade em Cristo.
João Calvino comenta que a paz de Cristo deve governar o coração como juiz, decidindo e orientando a vida interior e comunitária. Essa leitura reforça a importância da paz como princípio regulador dos relacionamentos cristãos.
Warren Wiersbe, comentando a relação entre doutrina e prática, observou que aquilo em que cremos tem ligação direta com a forma como nos comportamos. Essa ideia se harmoniza perfeitamente com Colossenses 3: a fé em Cristo ressuscitado produz uma vida transformada.
10. Aplicação pessoal
A primeira aplicação é examinar a direção da mente. O que domina meus pensamentos: as coisas do alto ou as ansiedades e desejos da terra? O cristão precisa disciplinar a mente pela Palavra, oração e esperança em Cristo.
A segunda aplicação é abandonar as vestes antigas. Ira, mentira, maledicência e palavras torpes não combinam com quem ressuscitou com Cristo. A nova vida exige ruptura com antigos padrões.
A terceira aplicação é vestir as virtudes de Cristo. Misericórdia, humildade, mansidão, paciência e perdão não são acessórios; são evidências da nova natureza.
A quarta aplicação é deixar a paz de Cristo arbitrar os conflitos. Antes de falar, reagir, discutir ou decidir, o crente deve perguntar: isto preserva a paz de Cristo? Isto edifica o Corpo? Isto honra o Senhor?
A quinta aplicação é fazer tudo em nome de Jesus. Não apenas o culto, a pregação ou a oração, mas toda palavra e toda obra devem estar sob a autoridade do Senhor.
11. Tabela expositiva
Seção
Texto
Verdade central
Perigo a evitar
Aplicação prática
Ressuscitados com Cristo
Cl 3.1
A nova vida nasce da união com Cristo.
Viver como se ainda pertencêssemos ao velho domínio.
Buscar as coisas do alto com perseverança.
Mente celestial
Cl 3.2
O pensamento deve ser orientado pelo Reino.
Ser dominado por valores terrenos.
Disciplinar a mente pela Palavra e oração.
Vida escondida
Cl 3.3
A vida do crente está segura em Cristo.
Basear identidade em circunstâncias.
Descansar na segurança espiritual em Deus.
Glória futura
Cl 3.4
O crente será manifestado com Cristo em glória.
Viver sem esperança escatológica.
Perseverar olhando para a volta de Cristo.
Despir o velho homem
Cl 3.8-9
A velha conduta deve ser abandonada.
Normalizar ira, mentira e palavras torpes.
Romper com práticas incompatíveis com Cristo.
Vestir o novo homem
Cl 3.10
A nova vida se renova segundo a imagem de Deus.
Reduzir fé a aparência religiosa.
Buscar transformação contínua.
Virtudes cristãs
Cl 3.12
Os eleitos devem viver misericórdia e humildade.
Orgulho, dureza e indiferença.
Tratar pessoas com compaixão e mansidão.
Perdão
Cl 3.13
Perdoamos porque Cristo nos perdoou.
Guardar mágoas e queixas.
Perdoar com base na graça recebida.
Amor
Cl 3.14
O amor é o vínculo da perfeição.
Praticar virtudes sem amor.
Fazer do amor o princípio das relações.
Paz no coração
Cl 3.15
A paz de Cristo deve governar o crente e o Corpo.
Conflitos governados pelo ego.
Submeter decisões à paz de Cristo.
Palavra e gratidão
Cl 3.16-17
A vida cristã deve ser cheia da Palavra e de ações de graças.
Viver espiritualidade fragmentada.
Fazer tudo em nome do Senhor Jesus.
Conclusão
Colossenses 3.1-17 ensina que a nova vida em Cristo começa com uma nova posição: ressuscitados com Ele. Essa posição produz uma nova direção: buscar as coisas do alto. Também exige uma nova conduta: despir-se do velho homem e vestir-se do novo. E culmina em uma nova prática comunitária: viver em amor, perdão, paz e gratidão.
Síntese: quem ressuscitou com Cristo não pode continuar vestido com as práticas do velho homem. A nova vida exige mente voltada para o alto, coração governado pela paz, relações marcadas pelo amor e toda a existência vivida em nome do Senhor Jesus.
Colossenses 3.1-17
1. Visão geral
Colossenses 3.1-17 mostra a consequência prática da união do crente com Cristo. Paulo não começa dizendo apenas “melhorem o comportamento”, mas lembra primeiro a nova posição espiritual dos salvos: “ressuscitastes com Cristo”. A ética cristã nasce da obra de Cristo. O crente vive de modo novo porque recebeu uma nova vida.
O texto possui um movimento claro: primeiro, Paulo aponta para a identidade celestial do cristão; depois, ordena que ele abandone as práticas do velho homem; em seguida, chama-o a revestir-se das virtudes do novo homem; e, por fim, ensina que a paz de Cristo, a gratidão e o nome do Senhor Jesus devem governar tudo.
2. Ressuscitados com Cristo: uma nova direção de vida — Cl 3.1-4
Paulo declara: “Se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima”. O verbo grego usado para “ressuscitastes com” é synēgerthēte, ligado à ideia de ser levantado juntamente com Cristo. O crente não está apenas tentando ser melhor; ele participa espiritualmente da ressurreição de Cristo. A vida cristã é vivida a partir dessa nova realidade.
“Buscai as coisas que são de cima” não significa desprezar responsabilidades terrenas, família, trabalho ou sociedade. Significa viver com prioridades governadas pelo Reino de Deus. O verbo zēteite, “buscai”, indica uma busca contínua, ativa e perseverante.
No versículo 2, Paulo ordena: “Pensai nas coisas que são de cima”. O verbo phroneite envolve mente, disposição interior, direção do pensamento e orientação da vontade. O crente deve ter sua mente disciplinada pelas realidades celestiais, e não dominada pelos valores passageiros da terra.
Quando Paulo afirma que a vida do cristão está “escondida com Cristo em Deus”, ele fala de segurança espiritual. Matthew Henry comenta que a vida do cristão está escondida com Cristo, não apenas em sentido de mistério, mas também de segurança; sua plenitude será revelada no estado futuro.
3. Despir-se do velho homem — Cl 3.8-10
Paulo usa a imagem de troca de vestes: “despojai-vos” e “vos despistes do velho homem”. A vida antiga deve ser removida como uma roupa suja e inadequada. Isso inclui ira, cólera, malícia, maledicência, palavras torpes e mentira.
Esses pecados não são pequenos. Eles destroem relacionamentos, ferem a comunhão da igreja e contradizem a nova vida em Cristo. A ira descontrolada, a maledicência e as palavras torpes revelam que o problema não está apenas na boca, mas no coração.
David Guzik observa que Paulo usa a linguagem de tirar e vestir roupas: o cristão deve despir-se do velho homem e vestir-se do novo. Isso mostra que a conversão implica uma nova identidade e uma nova conduta.
O “novo homem” se renova “para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”. Aqui há eco de Gênesis: o propósito de Deus é restaurar no crente a imagem deformada pelo pecado. A santificação é o processo pelo qual o Espírito vai conformando o salvo à imagem de Cristo.
4. Revestir-se do novo homem — Cl 3.12-14
Depois de dizer o que deve ser abandonado, Paulo mostra o que deve ser vestido: misericórdia, benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suporte mútuo, perdão e amor.
O fundamento é a identidade: “eleitos de Deus, santos e amados”. Antes de ordenar atitudes, Paulo lembra quem os crentes são. Eles devem viver como povo escolhido, separado para Deus e amado por Ele.
O perdão é central: “assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também”. O padrão do perdão cristão não é o merecimento do ofensor, mas a graça recebida de Cristo. Quem foi perdoado por Cristo aprende a perdoar.
Acima de todas essas virtudes está o amor, “o vínculo da perfeição”. Matthew Henry afirma que Paulo lança o fundamento na fé e coloca o amor como a “pedra superior”, o cimento e centro de toda sociedade feliz.
5. A paz de Deus governando o coração — Cl 3.15
O Texto Áureo afirma: “E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos”.
A palavra grega traduzida por “domine” é brabeuetō, termo relacionado à ação de governar, arbitrar ou decidir. A paz de Cristo deve atuar como árbitro no coração do crente e na vida da comunidade.
João Calvino comenta que a paz de Cristo deve julgar, decidir e governar o coração, como um juiz nos jogos. Isso mostra que a paz não é mero sentimento interior, mas princípio que governa decisões, relacionamentos e conflitos.
Essa paz também é comunitária: “fostes chamados em um corpo”. A paz de Cristo não deve reger apenas o indivíduo isolado, mas a igreja como Corpo de Cristo. Onde Cristo reina, a paz deve vencer orgulho, contendas, amarguras e divisões.
6. Tudo em nome do Senhor Jesus — Cl 3.17
Colossenses 3.17 é uma síntese da vida cristã: “quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus”. Isso significa que a fé deve governar tanto o discurso quanto as ações.
Não existe separação entre vida espiritual e vida cotidiana. O crente deve falar, trabalhar, servir, corrigir, cantar, ensinar, comprar, vender, conviver e decidir “em nome do Senhor Jesus”. O nome de Cristo representa sua autoridade, seu caráter e sua glória.
Matthew Henry observa que tudo deve ser feito em dependência do Senhor Jesus, com ações de graças a Deus Pai. Para ele, a alma prospera quando está cheia das Escrituras e da graça de Cristo.
7. Leitura semanal comentada
Dia | Texto | Ênfase espiritual |
Segunda | Cl 3.1-2 | O crente deve buscar e pensar nas coisas do alto. A mente precisa ser governada por Cristo. |
Terça | Cl 3.5-6 | Deus é santo e não tolera o pecado. A nova vida exige mortificação das práticas antigas. |
Quarta | Cl 3.9-10 | A nova vida implica troca de vestes: deixar o velho homem e vestir-se do novo. |
Quinta | Cl 3.11 | Em Cristo, distinções sociais, étnicas e culturais não determinam valor espiritual. Cristo é tudo em todos. |
Sexta | Cl 3.15 | A paz de Cristo deve governar o coração e a vida comunitária. |
Sábado | Cl 3.16 | A Palavra de Cristo deve habitar ricamente no coração, formando adoração, ensino e sabedoria. |
8. Análise das palavras gregas
Palavra grega | Texto | Sentido | Aplicação teológica |
synēgerthēte | Cl 3.1 | Fostes ressuscitados com | O crente participa da nova vida de Cristo. |
zēteite | Cl 3.1 | Buscai continuamente | A vida cristã exige busca perseverante pelas coisas do alto. |
anō | Cl 3.1-2 | Acima, do alto | A perspectiva cristã é celestial, não meramente terrena. |
phroneite | Cl 3.2 | Pensai, tende a mente voltada | A mente deve ser orientada pelas realidades do Reino. |
apethanete | Cl 3.3 | Morrestes | O velho domínio do pecado foi rompido em Cristo. |
kekryptai | Cl 3.3 | Está escondida | A vida do crente está segura em Cristo. |
phanerōthē | Cl 3.4 | Manifestar-se | A glória futura será revelada quando Cristo se manifestar. |
apothesthe | Cl 3.8 | Despojai-vos, tirai | O cristão deve remover práticas incompatíveis com a nova vida. |
orgē | Cl 3.8 | Ira | Ressentimento e indignação pecaminosa devem ser abandonados. |
thymos | Cl 3.8 | Cólera, explosão de ira | O crente não deve ser dominado por reações descontroladas. |
kakia | Cl 3.8 | Malícia, perversidade | Toda intenção maldosa deve ser rejeitada. |
blasphēmia | Cl 3.8 | Maledicência, difamação | A língua deve edificar, não destruir reputações. |
aischrologia | Cl 3.8 | Palavra vergonhosa, torpe | A fala do crente deve refletir santidade. |
palaios anthrōpos | Cl 3.9 | Velho homem | A antiga identidade dominada pelo pecado foi despida. |
neos | Cl 3.10 | Novo | A nova vida é resultado da obra de Cristo. |
anakainoumenon | Cl 3.10 | Sendo renovado | A santificação é contínua e progressiva. |
splanchna oiktirmou | Cl 3.12 | Entranhas de misericórdia | O cristão deve ter compaixão profunda e prática. |
chrēstotēs | Cl 3.12 | Benignidade | Bondade ativa no trato com o próximo. |
tapeinophrosynē | Cl 3.12 | Humildade | O novo homem rejeita orgulho e superioridade. |
prautēs | Cl 3.12 | Mansidão | Força controlada pela graça. |
makrothymia | Cl 3.12 | Longanimidade | Paciência perseverante diante das fraquezas alheias. |
charizomenoi | Cl 3.13 | Perdoando graciosamente | O perdão cristão imita o perdão de Cristo. |
agapē | Cl 3.14 | Amor | O amor une e aperfeiçoa as virtudes cristãs. |
brabeuetō | Cl 3.15 | Domine, governe, arbitre | A paz de Cristo deve decidir o rumo do coração e da comunidade. |
eucharistoi | Cl 3.15 | Agradecidos | A gratidão é marca da nova vida. |
9. Dizeres de escritores e pastores cristãos
Matthew Henry afirma que a vida do cristão está escondida com Cristo, indicando segurança e esperança futura. Isso ajuda a entender que a identidade do crente não está nas circunstâncias, mas na união com Cristo.
David Guzik destaca que “despir” e “vestir” eram expressões comuns para troca de roupa; Paulo usa essa imagem para mostrar que o cristão deve abandonar a velha vida e viver segundo a nova identidade em Cristo.
João Calvino comenta que a paz de Cristo deve governar o coração como juiz, decidindo e orientando a vida interior e comunitária. Essa leitura reforça a importância da paz como princípio regulador dos relacionamentos cristãos.
Warren Wiersbe, comentando a relação entre doutrina e prática, observou que aquilo em que cremos tem ligação direta com a forma como nos comportamos. Essa ideia se harmoniza perfeitamente com Colossenses 3: a fé em Cristo ressuscitado produz uma vida transformada.
10. Aplicação pessoal
A primeira aplicação é examinar a direção da mente. O que domina meus pensamentos: as coisas do alto ou as ansiedades e desejos da terra? O cristão precisa disciplinar a mente pela Palavra, oração e esperança em Cristo.
A segunda aplicação é abandonar as vestes antigas. Ira, mentira, maledicência e palavras torpes não combinam com quem ressuscitou com Cristo. A nova vida exige ruptura com antigos padrões.
A terceira aplicação é vestir as virtudes de Cristo. Misericórdia, humildade, mansidão, paciência e perdão não são acessórios; são evidências da nova natureza.
A quarta aplicação é deixar a paz de Cristo arbitrar os conflitos. Antes de falar, reagir, discutir ou decidir, o crente deve perguntar: isto preserva a paz de Cristo? Isto edifica o Corpo? Isto honra o Senhor?
A quinta aplicação é fazer tudo em nome de Jesus. Não apenas o culto, a pregação ou a oração, mas toda palavra e toda obra devem estar sob a autoridade do Senhor.
11. Tabela expositiva
Seção | Texto | Verdade central | Perigo a evitar | Aplicação prática |
Ressuscitados com Cristo | Cl 3.1 | A nova vida nasce da união com Cristo. | Viver como se ainda pertencêssemos ao velho domínio. | Buscar as coisas do alto com perseverança. |
Mente celestial | Cl 3.2 | O pensamento deve ser orientado pelo Reino. | Ser dominado por valores terrenos. | Disciplinar a mente pela Palavra e oração. |
Vida escondida | Cl 3.3 | A vida do crente está segura em Cristo. | Basear identidade em circunstâncias. | Descansar na segurança espiritual em Deus. |
Glória futura | Cl 3.4 | O crente será manifestado com Cristo em glória. | Viver sem esperança escatológica. | Perseverar olhando para a volta de Cristo. |
Despir o velho homem | Cl 3.8-9 | A velha conduta deve ser abandonada. | Normalizar ira, mentira e palavras torpes. | Romper com práticas incompatíveis com Cristo. |
Vestir o novo homem | Cl 3.10 | A nova vida se renova segundo a imagem de Deus. | Reduzir fé a aparência religiosa. | Buscar transformação contínua. |
Virtudes cristãs | Cl 3.12 | Os eleitos devem viver misericórdia e humildade. | Orgulho, dureza e indiferença. | Tratar pessoas com compaixão e mansidão. |
Perdão | Cl 3.13 | Perdoamos porque Cristo nos perdoou. | Guardar mágoas e queixas. | Perdoar com base na graça recebida. |
Amor | Cl 3.14 | O amor é o vínculo da perfeição. | Praticar virtudes sem amor. | Fazer do amor o princípio das relações. |
Paz no coração | Cl 3.15 | A paz de Cristo deve governar o crente e o Corpo. | Conflitos governados pelo ego. | Submeter decisões à paz de Cristo. |
Palavra e gratidão | Cl 3.16-17 | A vida cristã deve ser cheia da Palavra e de ações de graças. | Viver espiritualidade fragmentada. | Fazer tudo em nome do Senhor Jesus. |
Conclusão
Colossenses 3.1-17 ensina que a nova vida em Cristo começa com uma nova posição: ressuscitados com Ele. Essa posição produz uma nova direção: buscar as coisas do alto. Também exige uma nova conduta: despir-se do velho homem e vestir-se do novo. E culmina em uma nova prática comunitária: viver em amor, perdão, paz e gratidão.
Síntese: quem ressuscitou com Cristo não pode continuar vestido com as práticas do velho homem. A nova vida exige mente voltada para o alto, coração governado pela paz, relações marcadas pelo amor e toda a existência vivida em nome do Senhor Jesus.
OBJETIVOS
- reconhecer que sua posição em Cristo é elevada, ainda que o Inimigo diga o contrário;
- compreender que o salvo, unido a Jesus, tem acesso às realidades celestiais;
- entender que revestir-se do Filho é assumir plenamente o Seu caráter.
COMENTARIO EXTRA
Comentário de Hubner Braz
1. A vida de quem ressuscitou com o Filho
1. Palavra introdutória
Colossenses 3.1-4 é uma ponte entre doutrina e prática. Nos capítulos anteriores, Paulo exalta a supremacia de Cristo e combate ensinos que tentavam acrescentar ao Evangelho elementos de legalismo, ascetismo, culto aos anjos e especulações humanas. É mais preciso dizer que havia em Colossos uma mistura de tendências judaizantes, ascéticas e proto-gnósticas ou sincréticas, pois o gnosticismo plenamente desenvolvido aparece de forma mais clara posteriormente; contudo, já havia ali ideias que diminuíam a suficiência de Cristo. A transição de Colossenses 2 para Colossenses 3 mostra que a resposta de Paulo aos falsos ensinos não é apenas argumentativa, mas espiritual e ética: quem está unido a Cristo deve viver uma nova vida.
O termo “portanto” ou “pois” em Colossenses 3.1 retoma o argumento anterior: se os crentes morreram com Cristo para os rudimentos do mundo, agora devem viver como ressuscitados com Cristo. A morte com Cristo rompe o domínio do pecado; a ressurreição com Cristo inaugura uma nova orientação de vida. Paulo não está ensinando moralismo, mas identidade espiritual: o crente vive de modo novo porque foi unido ao Cristo morto, ressuscitado e exaltado.
2. A vida de quem ressuscitou com o Filho
Paulo apresenta a vida cristã como participação na realidade de Cristo. A esperança cristã não é mera expectativa psicológica de dias melhores; é a certeza de que a vida do crente está ligada ao Cristo ressuscitado, assentado à destra de Deus. Por isso, a fé cristã não se limita a ritos externos, filosofias religiosas ou regras humanas. Ela nasce da união espiritual com Cristo.
Colossenses 3.1 afirma: “Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto”. O verbo grego synēgerthēte indica que os crentes foram ressuscitados juntamente com Cristo. Essa realidade não é apenas futura; ela já começou espiritualmente na regeneração e será consumada na glorificação.
1.1. É marcada por uma nova realidade
A doutrina da ressurreição possui dimensão futura e presente. Futura, porque os mortos em Cristo ressuscitarão no último dia; presente, porque todo aquele que foi regenerado já participa da vida nova em Cristo. Paulo usa essa linguagem em Romanos 6.4-5, Efésios 2.5-6 e Colossenses 2.13 para mostrar que a salvação não é apenas perdão jurídico, mas transformação de vida.
Em Colossenses 3.1, Paulo fala com pessoas que já foram alcançadas pela graça. Ele não diz: “se vocês desejam alcançar a ressurreição, esforcem-se humanamente”. Ele diz: “se vocês já ressuscitaram com Cristo”. A ética cristã vem depois da graça, não antes dela. Primeiro Deus vivifica; depois o crente passa a andar em novidade de vida.
Essa nova realidade altera o centro de gravidade da existência. O cristão ainda vive na terra, trabalha, sofre, decide, relaciona-se e enfrenta tentações; mas sua identidade mais profunda está em Cristo. Ele já não pertence ao velho mundo dominado pelo pecado. Sua cidadania está nos céus, e sua vida deve expressar essa nova pertença.
Matthew Henry comenta que a vida do cristão está escondida com Cristo, não apenas como algo secreto, mas como algo seguro; a plenitude dessa vida está reservada para o estado futuro. Isso reforça a ideia de que a nova realidade do crente é verdadeira agora, mas ainda aguarda manifestação plena.
1.2. Busca as coisas que são de cima
Paulo ordena: “buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus”. A expressão “à destra de Deus” remete ao Salmo 110.1 e aponta para a exaltação, autoridade e senhorio de Cristo. O Cristo que morreu e ressuscitou agora reina.
O verbo grego zēteite, traduzido por “buscai”, está no imperativo presente, indicando uma busca contínua, persistente e intencional. Não se trata de um impulso ocasional, mas de uma direção habitual da vida. O cristão deve buscar aquilo que corresponde ao Reino de Deus, à vontade de Cristo e à realidade celestial.
Buscar as coisas do alto não significa abandonar responsabilidades terrenas. Paulo não ensina fuga do mundo, desprezo pela família, negligência no trabalho ou indiferença diante das necessidades humanas. O que ele ensina é que todas essas áreas devem ser governadas por Cristo. O cristão trabalha, mas não idolatra o trabalho; possui bens, mas não serve às riquezas; vive no mundo, mas não se conforma ao mundo.
João Calvino explica que Paulo ensina os crentes a buscar as coisas do alto porque a vida dos piedosos está acima. Para Calvino, não se pode ressuscitar com Cristo sem também morrer para o mundo, pois viver para Cristo exige uma nova orientação espiritual.
Essa exortação também confronta teologias que reduzem o Evangelho à prosperidade material. O Evangelho não nos chama à acumulação desmedida, mas à conformidade com Cristo. Buscar o alto é desejar mais a vontade de Deus do que as gratificações passageiras desta era.
1.3. Pensa nas coisas que são do alto
Colossenses 3.2 aprofunda a ordem anterior: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra”. O verbo grego phroneite significa fixar a mente, orientar o pensamento, cultivar determinada disposição interior. Paulo não está falando apenas de ideias ocasionais, mas da direção dominante do coração e da mente.
A mente cristã precisa ser renovada. Pensar nas coisas do alto é interpretar a vida a partir de Cristo. É avaliar dinheiro, sofrimento, sucesso, relacionamentos, corpo, tempo, trabalho e futuro sob a luz do Reino de Deus. Não é alienação; é discernimento. Não é desprezo pela terra; é submissão da terra ao céu.
Essa advertência tem força contra qualquer espiritualidade que pareça elevada, mas permaneça presa ao terreno. Os falsos mestres de Colossos falavam de regras, experiências e suposta profundidade espiritual, mas não conduziam os crentes à suficiência de Cristo. Hoje, o erro se repete quando o Evangelho é reduzido à autoajuda, prosperidade, consumo religioso ou aparência de santidade sem transformação interior.
Warren Wiersbe sintetiza bem essa relação entre fé e prática ao afirmar que aquilo em que cremos tem ligação direta com a forma como nos comportamos. Colossenses 3 confirma isso: quem crê no Cristo ressuscitado deve viver com mente, desejos e conduta moldados por Ele.
1.4. Permanece escondida com Cristo em Deus
Paulo afirma: “porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Aqui há duas verdades complementares. Primeiro, o crente morreu para a velha ordem dominada pelo pecado. Segundo, sua verdadeira vida está guardada em Cristo.
O verbo grego relacionado a “escondida” é kryptō, e em Colossenses 3.3 aparece a forma kekryptai, indicando algo oculto, guardado, protegido. A vida do cristão não está exposta ao acaso nem depende da aprovação do mundo. Ela está escondida “com Cristo em Deus”.
Essa expressão aponta para segurança e esperança. Segurança, porque o crente pertence a Cristo e está guardado nele. Esperança, porque a glória dessa vida ainda não foi plenamente revelada. O mundo pode não reconhecer a dignidade dos filhos de Deus, mas Deus os conhece. O mundo pode desprezar os santos, mas eles estão unidos ao Cristo glorificado.
Colossenses 3.4 completa: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória”. Cristo não é apenas aquele que dá vida; Ele é a própria vida do crente. Sua manifestação futura revelará publicamente aquilo que agora está oculto.
A frase pastoral é muito apropriada: “dupla segurança, porque Cristo é o abrigo do crente, e Deus, o abrigo de Cristo”. A vida do cristão está envolvida pela comunhão do Filho com o Pai. Por isso, a identidade do salvo não deve depender de aplausos, riqueza, reconhecimento ou aparência. Sua vida está segura em Deus.
5. Análise das palavras gregas
Palavra grega
Texto
Sentido
Aplicação teológica
oun
Cl 3.1
Portanto, pois
Liga a doutrina de Colossenses 2 à prática de Colossenses 3.
synēgerthēte
Cl 3.1
Fostes ressuscitados juntamente
A nova vida nasce da união com Cristo ressuscitado.
Christō
Cl 3.1
Cristo, Messias
Toda a ética cristã está centrada na pessoa de Cristo.
zēteite
Cl 3.1
Buscai continuamente
O crente deve perseguir as realidades do Reino com constância.
ta anō
Cl 3.1-2
As coisas de cima
Valores, desejos e prioridades pertencentes ao governo de Cristo.
dexia tou Theou
Cl 3.1
Destra de Deus
Lugar de honra, autoridade e exaltação de Cristo.
phroneite
Cl 3.2
Pensai, fixai a mente
A mente do crente deve ser orientada pelas realidades celestiais.
ta epi tēs gēs
Cl 3.2
As coisas sobre a terra
Valores terrenos quando vividos sem submissão a Cristo.
apethanete
Cl 3.3
Morrestes
O crente morreu para o velho domínio do pecado.
zōē
Cl 3.3-4
Vida
Cristo é a fonte, segurança e plenitude da vida cristã.
kekryptai
Cl 3.3
Está escondida, guardada
A vida do salvo está segura em Cristo, ainda que não plenamente visível.
phanerōthē
Cl 3.4
For manifestado
A glória de Cristo será revelada publicamente.
doxa
Cl 3.4
Glória
O destino final do crente é participar da glória de Cristo.
6. Dizeres de escritores e pastores cristãos
Matthew Henry afirma que a vida do cristão está escondida com Cristo, indicando não apenas mistério, mas segurança. A vida nova vem de cima e sua perfeição está reservada para a glória futura.
João Calvino ensina que devemos buscar as coisas do alto porque a vida dos piedosos está acima; para ele, morrer para o mundo e viver para Cristo são realidades inseparáveis.
Warren Wiersbe destaca que a fé cristã conecta crença e comportamento. Isso se encaixa perfeitamente em Colossenses 3: a posição do crente em Cristo precisa aparecer em sua direção mental, moral e espiritual.
David Guzik observa, em seu comentário de Colossenses 3, que a nova vida em Cristo exige abandonar o velho homem e viver conforme a identidade renovada no Senhor. Embora essa ênfase apareça mais claramente nos versículos seguintes, ela flui diretamente da realidade de ter ressuscitado com Cristo.
7. Aplicação pessoal
A primeira aplicação é viver a partir da nova identidade. O cristão não deve definir-se primeiramente por passado, fracassos, traumas, títulos, posses ou reconhecimento humano. Sua identidade está em Cristo.
A segunda aplicação é disciplinar os desejos. Buscar as coisas do alto significa perguntar: “Isto me aproxima de Cristo? Isto glorifica a Deus? Isto corresponde ao Reino?”
A terceira aplicação é renovar a mente. Pensar nas coisas do alto exige filtrar pensamentos, ambições e decisões pela Palavra. Não basta evitar pecados externos; é preciso submeter a imaginação, os afetos e os projetos ao senhorio de Cristo.
A quarta aplicação é descansar na segurança espiritual. A vida do crente está escondida com Cristo em Deus. Isso dá firmeza diante de rejeição, perseguição, anonimato, perdas e inseguranças.
A quinta aplicação é viver com esperança escatológica. A glória do cristão ainda não apareceu plenamente. Por isso, não devemos medir a fidelidade de Deus apenas pelo que é visível agora. Quando Cristo se manifestar, a identidade dos seus também será revelada.
8. Tabela expositiva
Tópico
Texto
Verdade central
Erro combatido
Aplicação prática
Transição doutrinária
Cl 3.1
O “portanto” liga doutrina e prática.
Separar fé de comportamento.
Viver de modo coerente com a união com Cristo.
Morte com Cristo
Cl 2.20; 3.3
O crente morreu para a velha ordem.
Continuar preso ao domínio do pecado.
Romper com antigos valores e práticas.
Ressurreição com Cristo
Cl 3.1
O salvo participa da nova vida do Filho.
Reduzir cristianismo a regras humanas.
Viver a partir da graça regeneradora.
Cristo à destra
Cl 3.1
Cristo reina com autoridade soberana.
Buscar segurança em poderes terrenos.
Submeter desejos e decisões ao senhorio de Cristo.
Buscar o alto
Cl 3.1
A vida cristã tem direção celestial.
Viver para gratificações passageiras.
Priorizar Reino, santidade e comunhão com Deus.
Pensar no alto
Cl 3.2
A mente deve ser orientada por Cristo.
Ter mente moldada pelo mundo.
Renovar pensamentos pela Palavra.
Não nas coisas da terra
Cl 3.2
O terreno não deve governar o coração.
Reduzir o Evangelho a prosperidade material.
Usar bens e responsabilidades sob a autoridade de Deus.
Vida escondida
Cl 3.3
A vida do crente está segura com Cristo.
Depender de reconhecimento humano.
Descansar na segurança da união com Cristo.
Cristo, nossa vida
Cl 3.4
Cristo não apenas dá vida; Ele é nossa vida.
Tratar Jesus como acessório religioso.
Fazer de Cristo o centro da existência.
Manifestação em glória
Cl 3.4
A glória futura revelará a identidade dos salvos.
Viver sem esperança eterna.
Perseverar até a manifestação de Cristo.
Conclusão
Colossenses 3.1-4 ensina que a vida cristã é vida de ressurreição. Quem morreu com Cristo rompeu com o domínio do pecado; quem ressuscitou com Cristo recebeu uma nova direção; quem está escondido com Cristo em Deus vive em segurança; e quem aguarda a manifestação de Cristo vive com esperança.
Síntese: a vida de quem ressuscitou com o Filho é marcada por uma nova realidade, uma nova busca, uma nova mente e uma nova segurança. O crente olha para o alto, pensa segundo o Reino, descansa em Cristo e aguarda a glória que será revelada quando o Senhor se manifestar.
1. A vida de quem ressuscitou com o Filho
1. Palavra introdutória
Colossenses 3.1-4 é uma ponte entre doutrina e prática. Nos capítulos anteriores, Paulo exalta a supremacia de Cristo e combate ensinos que tentavam acrescentar ao Evangelho elementos de legalismo, ascetismo, culto aos anjos e especulações humanas. É mais preciso dizer que havia em Colossos uma mistura de tendências judaizantes, ascéticas e proto-gnósticas ou sincréticas, pois o gnosticismo plenamente desenvolvido aparece de forma mais clara posteriormente; contudo, já havia ali ideias que diminuíam a suficiência de Cristo. A transição de Colossenses 2 para Colossenses 3 mostra que a resposta de Paulo aos falsos ensinos não é apenas argumentativa, mas espiritual e ética: quem está unido a Cristo deve viver uma nova vida.
O termo “portanto” ou “pois” em Colossenses 3.1 retoma o argumento anterior: se os crentes morreram com Cristo para os rudimentos do mundo, agora devem viver como ressuscitados com Cristo. A morte com Cristo rompe o domínio do pecado; a ressurreição com Cristo inaugura uma nova orientação de vida. Paulo não está ensinando moralismo, mas identidade espiritual: o crente vive de modo novo porque foi unido ao Cristo morto, ressuscitado e exaltado.
2. A vida de quem ressuscitou com o Filho
Paulo apresenta a vida cristã como participação na realidade de Cristo. A esperança cristã não é mera expectativa psicológica de dias melhores; é a certeza de que a vida do crente está ligada ao Cristo ressuscitado, assentado à destra de Deus. Por isso, a fé cristã não se limita a ritos externos, filosofias religiosas ou regras humanas. Ela nasce da união espiritual com Cristo.
Colossenses 3.1 afirma: “Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto”. O verbo grego synēgerthēte indica que os crentes foram ressuscitados juntamente com Cristo. Essa realidade não é apenas futura; ela já começou espiritualmente na regeneração e será consumada na glorificação.
1.1. É marcada por uma nova realidade
A doutrina da ressurreição possui dimensão futura e presente. Futura, porque os mortos em Cristo ressuscitarão no último dia; presente, porque todo aquele que foi regenerado já participa da vida nova em Cristo. Paulo usa essa linguagem em Romanos 6.4-5, Efésios 2.5-6 e Colossenses 2.13 para mostrar que a salvação não é apenas perdão jurídico, mas transformação de vida.
Em Colossenses 3.1, Paulo fala com pessoas que já foram alcançadas pela graça. Ele não diz: “se vocês desejam alcançar a ressurreição, esforcem-se humanamente”. Ele diz: “se vocês já ressuscitaram com Cristo”. A ética cristã vem depois da graça, não antes dela. Primeiro Deus vivifica; depois o crente passa a andar em novidade de vida.
Essa nova realidade altera o centro de gravidade da existência. O cristão ainda vive na terra, trabalha, sofre, decide, relaciona-se e enfrenta tentações; mas sua identidade mais profunda está em Cristo. Ele já não pertence ao velho mundo dominado pelo pecado. Sua cidadania está nos céus, e sua vida deve expressar essa nova pertença.
Matthew Henry comenta que a vida do cristão está escondida com Cristo, não apenas como algo secreto, mas como algo seguro; a plenitude dessa vida está reservada para o estado futuro. Isso reforça a ideia de que a nova realidade do crente é verdadeira agora, mas ainda aguarda manifestação plena.
1.2. Busca as coisas que são de cima
Paulo ordena: “buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus”. A expressão “à destra de Deus” remete ao Salmo 110.1 e aponta para a exaltação, autoridade e senhorio de Cristo. O Cristo que morreu e ressuscitou agora reina.
O verbo grego zēteite, traduzido por “buscai”, está no imperativo presente, indicando uma busca contínua, persistente e intencional. Não se trata de um impulso ocasional, mas de uma direção habitual da vida. O cristão deve buscar aquilo que corresponde ao Reino de Deus, à vontade de Cristo e à realidade celestial.
Buscar as coisas do alto não significa abandonar responsabilidades terrenas. Paulo não ensina fuga do mundo, desprezo pela família, negligência no trabalho ou indiferença diante das necessidades humanas. O que ele ensina é que todas essas áreas devem ser governadas por Cristo. O cristão trabalha, mas não idolatra o trabalho; possui bens, mas não serve às riquezas; vive no mundo, mas não se conforma ao mundo.
João Calvino explica que Paulo ensina os crentes a buscar as coisas do alto porque a vida dos piedosos está acima. Para Calvino, não se pode ressuscitar com Cristo sem também morrer para o mundo, pois viver para Cristo exige uma nova orientação espiritual.
Essa exortação também confronta teologias que reduzem o Evangelho à prosperidade material. O Evangelho não nos chama à acumulação desmedida, mas à conformidade com Cristo. Buscar o alto é desejar mais a vontade de Deus do que as gratificações passageiras desta era.
1.3. Pensa nas coisas que são do alto
Colossenses 3.2 aprofunda a ordem anterior: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra”. O verbo grego phroneite significa fixar a mente, orientar o pensamento, cultivar determinada disposição interior. Paulo não está falando apenas de ideias ocasionais, mas da direção dominante do coração e da mente.
A mente cristã precisa ser renovada. Pensar nas coisas do alto é interpretar a vida a partir de Cristo. É avaliar dinheiro, sofrimento, sucesso, relacionamentos, corpo, tempo, trabalho e futuro sob a luz do Reino de Deus. Não é alienação; é discernimento. Não é desprezo pela terra; é submissão da terra ao céu.
Essa advertência tem força contra qualquer espiritualidade que pareça elevada, mas permaneça presa ao terreno. Os falsos mestres de Colossos falavam de regras, experiências e suposta profundidade espiritual, mas não conduziam os crentes à suficiência de Cristo. Hoje, o erro se repete quando o Evangelho é reduzido à autoajuda, prosperidade, consumo religioso ou aparência de santidade sem transformação interior.
Warren Wiersbe sintetiza bem essa relação entre fé e prática ao afirmar que aquilo em que cremos tem ligação direta com a forma como nos comportamos. Colossenses 3 confirma isso: quem crê no Cristo ressuscitado deve viver com mente, desejos e conduta moldados por Ele.
1.4. Permanece escondida com Cristo em Deus
Paulo afirma: “porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Aqui há duas verdades complementares. Primeiro, o crente morreu para a velha ordem dominada pelo pecado. Segundo, sua verdadeira vida está guardada em Cristo.
O verbo grego relacionado a “escondida” é kryptō, e em Colossenses 3.3 aparece a forma kekryptai, indicando algo oculto, guardado, protegido. A vida do cristão não está exposta ao acaso nem depende da aprovação do mundo. Ela está escondida “com Cristo em Deus”.
Essa expressão aponta para segurança e esperança. Segurança, porque o crente pertence a Cristo e está guardado nele. Esperança, porque a glória dessa vida ainda não foi plenamente revelada. O mundo pode não reconhecer a dignidade dos filhos de Deus, mas Deus os conhece. O mundo pode desprezar os santos, mas eles estão unidos ao Cristo glorificado.
Colossenses 3.4 completa: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória”. Cristo não é apenas aquele que dá vida; Ele é a própria vida do crente. Sua manifestação futura revelará publicamente aquilo que agora está oculto.
A frase pastoral é muito apropriada: “dupla segurança, porque Cristo é o abrigo do crente, e Deus, o abrigo de Cristo”. A vida do cristão está envolvida pela comunhão do Filho com o Pai. Por isso, a identidade do salvo não deve depender de aplausos, riqueza, reconhecimento ou aparência. Sua vida está segura em Deus.
5. Análise das palavras gregas
Palavra grega | Texto | Sentido | Aplicação teológica |
oun | Cl 3.1 | Portanto, pois | Liga a doutrina de Colossenses 2 à prática de Colossenses 3. |
synēgerthēte | Cl 3.1 | Fostes ressuscitados juntamente | A nova vida nasce da união com Cristo ressuscitado. |
Christō | Cl 3.1 | Cristo, Messias | Toda a ética cristã está centrada na pessoa de Cristo. |
zēteite | Cl 3.1 | Buscai continuamente | O crente deve perseguir as realidades do Reino com constância. |
ta anō | Cl 3.1-2 | As coisas de cima | Valores, desejos e prioridades pertencentes ao governo de Cristo. |
dexia tou Theou | Cl 3.1 | Destra de Deus | Lugar de honra, autoridade e exaltação de Cristo. |
phroneite | Cl 3.2 | Pensai, fixai a mente | A mente do crente deve ser orientada pelas realidades celestiais. |
ta epi tēs gēs | Cl 3.2 | As coisas sobre a terra | Valores terrenos quando vividos sem submissão a Cristo. |
apethanete | Cl 3.3 | Morrestes | O crente morreu para o velho domínio do pecado. |
zōē | Cl 3.3-4 | Vida | Cristo é a fonte, segurança e plenitude da vida cristã. |
kekryptai | Cl 3.3 | Está escondida, guardada | A vida do salvo está segura em Cristo, ainda que não plenamente visível. |
phanerōthē | Cl 3.4 | For manifestado | A glória de Cristo será revelada publicamente. |
doxa | Cl 3.4 | Glória | O destino final do crente é participar da glória de Cristo. |
6. Dizeres de escritores e pastores cristãos
Matthew Henry afirma que a vida do cristão está escondida com Cristo, indicando não apenas mistério, mas segurança. A vida nova vem de cima e sua perfeição está reservada para a glória futura.
João Calvino ensina que devemos buscar as coisas do alto porque a vida dos piedosos está acima; para ele, morrer para o mundo e viver para Cristo são realidades inseparáveis.
Warren Wiersbe destaca que a fé cristã conecta crença e comportamento. Isso se encaixa perfeitamente em Colossenses 3: a posição do crente em Cristo precisa aparecer em sua direção mental, moral e espiritual.
David Guzik observa, em seu comentário de Colossenses 3, que a nova vida em Cristo exige abandonar o velho homem e viver conforme a identidade renovada no Senhor. Embora essa ênfase apareça mais claramente nos versículos seguintes, ela flui diretamente da realidade de ter ressuscitado com Cristo.
7. Aplicação pessoal
A primeira aplicação é viver a partir da nova identidade. O cristão não deve definir-se primeiramente por passado, fracassos, traumas, títulos, posses ou reconhecimento humano. Sua identidade está em Cristo.
A segunda aplicação é disciplinar os desejos. Buscar as coisas do alto significa perguntar: “Isto me aproxima de Cristo? Isto glorifica a Deus? Isto corresponde ao Reino?”
A terceira aplicação é renovar a mente. Pensar nas coisas do alto exige filtrar pensamentos, ambições e decisões pela Palavra. Não basta evitar pecados externos; é preciso submeter a imaginação, os afetos e os projetos ao senhorio de Cristo.
A quarta aplicação é descansar na segurança espiritual. A vida do crente está escondida com Cristo em Deus. Isso dá firmeza diante de rejeição, perseguição, anonimato, perdas e inseguranças.
A quinta aplicação é viver com esperança escatológica. A glória do cristão ainda não apareceu plenamente. Por isso, não devemos medir a fidelidade de Deus apenas pelo que é visível agora. Quando Cristo se manifestar, a identidade dos seus também será revelada.
8. Tabela expositiva
Tópico | Texto | Verdade central | Erro combatido | Aplicação prática |
Transição doutrinária | Cl 3.1 | O “portanto” liga doutrina e prática. | Separar fé de comportamento. | Viver de modo coerente com a união com Cristo. |
Morte com Cristo | Cl 2.20; 3.3 | O crente morreu para a velha ordem. | Continuar preso ao domínio do pecado. | Romper com antigos valores e práticas. |
Ressurreição com Cristo | Cl 3.1 | O salvo participa da nova vida do Filho. | Reduzir cristianismo a regras humanas. | Viver a partir da graça regeneradora. |
Cristo à destra | Cl 3.1 | Cristo reina com autoridade soberana. | Buscar segurança em poderes terrenos. | Submeter desejos e decisões ao senhorio de Cristo. |
Buscar o alto | Cl 3.1 | A vida cristã tem direção celestial. | Viver para gratificações passageiras. | Priorizar Reino, santidade e comunhão com Deus. |
Pensar no alto | Cl 3.2 | A mente deve ser orientada por Cristo. | Ter mente moldada pelo mundo. | Renovar pensamentos pela Palavra. |
Não nas coisas da terra | Cl 3.2 | O terreno não deve governar o coração. | Reduzir o Evangelho a prosperidade material. | Usar bens e responsabilidades sob a autoridade de Deus. |
Vida escondida | Cl 3.3 | A vida do crente está segura com Cristo. | Depender de reconhecimento humano. | Descansar na segurança da união com Cristo. |
Cristo, nossa vida | Cl 3.4 | Cristo não apenas dá vida; Ele é nossa vida. | Tratar Jesus como acessório religioso. | Fazer de Cristo o centro da existência. |
Manifestação em glória | Cl 3.4 | A glória futura revelará a identidade dos salvos. | Viver sem esperança eterna. | Perseverar até a manifestação de Cristo. |
Conclusão
Colossenses 3.1-4 ensina que a vida cristã é vida de ressurreição. Quem morreu com Cristo rompeu com o domínio do pecado; quem ressuscitou com Cristo recebeu uma nova direção; quem está escondido com Cristo em Deus vive em segurança; e quem aguarda a manifestação de Cristo vive com esperança.
Síntese: a vida de quem ressuscitou com o Filho é marcada por uma nova realidade, uma nova busca, uma nova mente e uma nova segurança. O crente olha para o alto, pensa segundo o Reino, descansa em Cristo e aguarda a glória que será revelada quando o Senhor se manifestar.
COMENTARIO EXTRA
Comentário de Hubner Braz
2. A vida de quem mortifica o pecado
1. Visão geral
Depois de afirmar que o crente ressuscitou com Cristo e deve buscar as coisas do alto, Paulo mostra que essa nova vida exige ruptura real com o pecado. A esperança celestial não produz passividade moral; produz guerra santa contra tudo aquilo que contradiz a vida recebida em Cristo.
A ordem de Colossenses 3.5 é direta: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena”. O verbo grego nekrōsate significa “colocar à morte”, “subjugar”, “tornar sem força”. Não se trata de administrar o pecado, suavizá-lo ou justificá-lo, mas de rejeitá-lo de modo decisivo.
2.1. É chamada à renúncia diária
A. Mortificação não é salvação por obras
Paulo não está dizendo que o crente mortifica o pecado para merecer a salvação. Ele já afirmou que os colossenses morreram e ressuscitaram com Cristo. A mortificação é consequência da nova vida, não sua causa.
A ordem é: porque vocês já pertencem a Cristo, façam morrer aquilo que não combina com Cristo. A santificação cristã nasce da união com o Senhor. Não é moralismo externo, mas resposta espiritual à graça.
Romanos 8.13 confirma esse princípio: “se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”. A mortificação é obra realizada “pelo Espírito”, não mero esforço humano. O crente luta, decide e renuncia, mas sua força vem do Espírito Santo.
B. Renúncia diária e discipulado
A renúncia diária está ligada ao ensino de Jesus: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). Mortificar o pecado é aplicar a cruz à vida cotidiana. Não é experiência isolada, mas disciplina contínua.
O pecado raramente morre sem resistência. Ele tenta sobreviver pela desculpa, pela comparação, pelo segredo, pela autoconfiança e pela repetição. Por isso, a mortificação exige vigilância, arrependimento, confissão, dependência do Espírito, uso da Palavra e afastamento de ocasiões de queda.
John Owen, clássico autor puritano sobre o tema, advertiu: “mate o pecado, ou ele matará você”. Sua ênfase é que o cristão não deve brincar com aquilo que destrói a comunhão com Deus.
C. O erro de separar corpo e espírito
O texto menciona corretamente o perigo das tendências gnósticas ou proto-gnósticas em Colossos. Uma das distorções desse tipo de pensamento era separar indevidamente corpo e espírito, como se o corpo fosse moralmente irrelevante. Paulo rejeita essa ideia: o corpo também pertence ao Senhor e deve expressar santidade.
A verdadeira espiritualidade não é apenas discurso elevado, experiências místicas ou conhecimento religioso. Ela aparece no domínio dos desejos, na pureza dos relacionamentos, na santidade da fala, no controle das emoções e na integridade das atitudes.
2.2. Rejeita as obras da carne
A. Pecados ligados aos desejos
Paulo lista em Colossenses 3.5: prostituição, impureza, paixão desordenada, mau desejo e avareza, que é idolatria. Esses pecados revelam desordem nos afetos. O ser humano passa a buscar em prazeres, posses ou desejos aquilo que só Deus pode satisfazer.
A palavra porneia refere-se à imoralidade sexual. Akatharsia aponta para impureza moral. Pathos indica paixão desordenada. Epithymia kakē fala de desejo mau. Pleonexia, avareza ou cobiça, é descrita por Paulo como idolatria, porque transfere confiança, desejo e devoção para aquilo que é criado.
Essa ligação entre avareza e idolatria é muito profunda. O avarento pode não se curvar diante de uma imagem, mas seu coração se dobra diante do dinheiro, do consumo, do status e da segurança material. Por isso, a avareza não é apenas problema financeiro; é problema de adoração.
B. Pecados ligados às emoções e à fala
Em Colossenses 3.8-9, Paulo amplia a lista. Ele passa dos pecados ligados aos desejos carnais para os pecados relacionais: ira, cólera, malícia, maledicência, palavras torpes e mentira. A santidade cristã não trata apenas da sexualidade e do dinheiro; trata também da língua, do temperamento e das relações.
O texto grego de Colossenses 3.8 apresenta a ordem para “deixar” ou “despir-se” dessas práticas: ira, furor, malícia, blasfêmia ou difamação e linguagem vergonhosa.
Isso é muito importante para a igreja. Há pessoas que evitam determinados pecados visíveis, mas convivem com ira, grosseria, fofoca, maledicência, ironia destrutiva e mentira. Paulo mostra que essas atitudes também pertencem ao velho homem.
Matthew Henry, comentando Colossenses 3.12-17, observa que os cristãos não devem apenas deixar de fazer mal, mas fazer todo o bem possível. Essa observação se encaixa bem no movimento do texto: Paulo primeiro manda abandonar as obras antigas e depois manda vestir as virtudes de Cristo.
3. A mortificação e a vida no Espírito
Mortificar o pecado não é odiar o corpo, mas submeter todo o ser a Cristo. A Bíblia não ensina desprezo pelo corpo como se ele fosse mau em si mesmo. O problema não é a matéria, mas o pecado que se expressa por meio dos membros quando o coração está desalinhado de Deus.
Por isso, a mortificação bíblica é diferente de ascetismo vazio. Ascetismo humano tenta controlar o corpo por regras externas, muitas vezes sem mudar o coração. Mortificação cristã nasce da cruz, é sustentada pelo Espírito e visa conformar o crente à imagem de Cristo.
David Guzik observa que os pecados listados por Paulo são incompatíveis com a natureza de Jesus e com a nova identidade dos santos de Deus. Por isso, o cristão deve tratá-los como intrusos que não têm direito de governar a casa.
4. Análise das palavras gregas
Palavra grega
Texto
Sentido
Aplicação teológica
nekrōsate
Cl 3.5
Fazei morrer, mortificai
O pecado deve ser tratado com decisão radical, não com tolerância.
melē
Cl 3.5
Membros, partes do corpo
O corpo deve ser instrumento de justiça, não de pecado.
ta epi tēs gēs
Cl 3.5
As coisas sobre a terra
Refere-se à natureza terrena dominada por desejos pecaminosos.
porneia
Cl 3.5
Imoralidade sexual
A sexualidade deve ser submetida à santidade de Deus.
akatharsia
Cl 3.5
Impureza
Toda contaminação moral deve ser rejeitada.
pathos
Cl 3.5
Paixão desordenada
Afetos sem governo espiritual conduzem à escravidão.
epithymia kakē
Cl 3.5
Mau desejo
O desejo precisa ser discernido e purificado pela Palavra.
pleonexia
Cl 3.5
Cobiça, avareza, desejo de ter mais
A cobiça revela um coração que busca segurança fora de Deus.
eidōlolatria
Cl 3.5
Idolatria
A avareza é idolatria porque substitui Deus por bens e desejos.
orgē
Cl 3.8
Ira
Ressentimento persistente que alimenta atitudes pecaminosas.
thymos
Cl 3.8
Cólera, explosão de ira
Reação emocional descontrolada.
kakia
Cl 3.8
Malícia
Disposição interior para prejudicar ou desejar o mal.
blasphēmia
Cl 3.8
Maledicência, difamação
Fala que destrói reputações e fere o próximo.
aischrologia
Cl 3.8
Palavra torpe, linguagem vergonhosa
Comunicação incompatível com a santidade cristã.
pseudesthe
Cl 3.9
Não mintais
A mentira contradiz a verdade do novo homem em Cristo.
palaios anthrōpos
Cl 3.9
Velho homem
A antiga identidade dominada pelo pecado.
5. Dizeres de escritores e pastores cristãos
John Owen, em sua obra clássica sobre a mortificação do pecado, insistiu que o pecado precisa ser morto continuamente, pois, se não for combatido, ele destruirá a vitalidade espiritual do crente. Sua conhecida advertência — “mate o pecado, ou ele matará você” — resume bem o peso de Colossenses 3.5.
Matthew Henry destaca que a vida cristã não consiste apenas em evitar o mal, mas também em praticar o bem. Isso ajuda a perceber que a mortificação é apenas uma parte da santificação: o crente tira as vestes antigas para vestir as virtudes de Cristo.
David Guzik, ao comentar Colossenses 3, afirma que o cristão deve tratar os pecados da velha natureza como incompatíveis com sua nova identidade em Jesus. A linguagem de “despir” e “vestir” mostra que a conversão atinge hábitos, desejos, pensamentos e relações.
6. Aplicação pessoal
A primeira aplicação é não brincar com o pecado. Pecado tolerado se fortalece. Aquilo que não é mortificado tende a dominar o coração, a mente, a fala e os relacionamentos.
A segunda aplicação é renunciar diariamente. A mortificação não acontece apenas em grandes decisões, mas em escolhas repetidas: o que vejo, o que alimento, o que falo, o que desejo, o que justifico e o que escondo.
A terceira aplicação é depender do Espírito Santo. A carne não vence a carne. A mortificação bíblica acontece “pelo Espírito”. O crente precisa orar, vigiar, confessar, obedecer à Palavra e andar em comunhão com Deus.
A quarta aplicação é tratar a cobiça como idolatria. Avareza não é apenas ambição econômica; é adoração desviada. Quando dinheiro, prazer ou status ocupam o centro, Deus é deslocado do trono do coração.
A quinta aplicação é santificar a fala. Ira, maledicência, mentira e palavras torpes revelam a velha natureza. A boca do cristão deve servir à verdade, à edificação e à graça.
7. Tabela expositiva
Tópico
Texto bíblico
Verdade central
Erro combatido
Aplicação prática
Mortificação
Cl 3.5
O crente deve fazer morrer a natureza terrena.
Tolerar pecados incompatíveis com Cristo.
Rejeitar o pecado com decisão firme.
Graça e santidade
Cl 2.20; 3.5
Quem morreu com Cristo deve viver em santificação.
Pensar que graça dispensa renúncia.
Unir fé em Cristo e obediência diária.
Poder do Espírito
Rm 8.13
As obras do corpo são mortificadas pelo Espírito.
Tentar vencer o pecado apenas por força humana.
Depender do Espírito em oração e vigilância.
Renúncia diária
Lc 9.23
Seguir Cristo exige cruz diária.
Cristianismo sem autonegação.
Negar desejos contrários à vontade de Deus.
Pecados sexuais
Cl 3.5
A sexualidade deve ser submetida à santidade.
Tratar o corpo como moralmente irrelevante.
Fugir da imoralidade e cultivar pureza.
Impureza interior
Cl 3.5
O pecado começa nos desejos e afetos.
Cuidar só da aparência externa.
Vigiar pensamentos, imaginação e motivações.
Avareza
Cl 3.5
A cobiça é idolatria.
Confundir desejo de ter mais com bênção espiritual.
Usar bens como mordomo, não como adorador.
Ira e cólera
Cl 3.8
Explosões emocionais pertencem ao velho homem.
Justificar temperamento descontrolado.
Submeter emoções ao Espírito.
Maledicência
Cl 3.8
A fala pode ferir a comunhão.
Fofoca, difamação e crítica destrutiva.
Usar a língua para edificação.
Mentira
Cl 3.9
A mentira contradiz a nova vida.
Relativizar a verdade por conveniência.
Falar a verdade com amor e integridade.
Conclusão
A vida de quem mortifica o pecado é marcada por renúncia diária, vigilância espiritual e dependência do Espírito Santo. Paulo não permite uma espiritualidade apenas teórica. Quem ressuscitou com Cristo deve fazer morrer aquilo que pertence à velha natureza.
Síntese: mortificar o pecado é rejeitar tudo o que compete com Cristo no coração, no corpo, na fala e nos relacionamentos. A nova vida não tolera a velha natureza como hóspede legítima; ela a combate pelo poder do Espírito, para que o caráter de Cristo seja formado no salvo.
2. A vida de quem mortifica o pecado
1. Visão geral
Depois de afirmar que o crente ressuscitou com Cristo e deve buscar as coisas do alto, Paulo mostra que essa nova vida exige ruptura real com o pecado. A esperança celestial não produz passividade moral; produz guerra santa contra tudo aquilo que contradiz a vida recebida em Cristo.
A ordem de Colossenses 3.5 é direta: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena”. O verbo grego nekrōsate significa “colocar à morte”, “subjugar”, “tornar sem força”. Não se trata de administrar o pecado, suavizá-lo ou justificá-lo, mas de rejeitá-lo de modo decisivo.
2.1. É chamada à renúncia diária
A. Mortificação não é salvação por obras
Paulo não está dizendo que o crente mortifica o pecado para merecer a salvação. Ele já afirmou que os colossenses morreram e ressuscitaram com Cristo. A mortificação é consequência da nova vida, não sua causa.
A ordem é: porque vocês já pertencem a Cristo, façam morrer aquilo que não combina com Cristo. A santificação cristã nasce da união com o Senhor. Não é moralismo externo, mas resposta espiritual à graça.
Romanos 8.13 confirma esse princípio: “se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”. A mortificação é obra realizada “pelo Espírito”, não mero esforço humano. O crente luta, decide e renuncia, mas sua força vem do Espírito Santo.
B. Renúncia diária e discipulado
A renúncia diária está ligada ao ensino de Jesus: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). Mortificar o pecado é aplicar a cruz à vida cotidiana. Não é experiência isolada, mas disciplina contínua.
O pecado raramente morre sem resistência. Ele tenta sobreviver pela desculpa, pela comparação, pelo segredo, pela autoconfiança e pela repetição. Por isso, a mortificação exige vigilância, arrependimento, confissão, dependência do Espírito, uso da Palavra e afastamento de ocasiões de queda.
John Owen, clássico autor puritano sobre o tema, advertiu: “mate o pecado, ou ele matará você”. Sua ênfase é que o cristão não deve brincar com aquilo que destrói a comunhão com Deus.
C. O erro de separar corpo e espírito
O texto menciona corretamente o perigo das tendências gnósticas ou proto-gnósticas em Colossos. Uma das distorções desse tipo de pensamento era separar indevidamente corpo e espírito, como se o corpo fosse moralmente irrelevante. Paulo rejeita essa ideia: o corpo também pertence ao Senhor e deve expressar santidade.
A verdadeira espiritualidade não é apenas discurso elevado, experiências místicas ou conhecimento religioso. Ela aparece no domínio dos desejos, na pureza dos relacionamentos, na santidade da fala, no controle das emoções e na integridade das atitudes.
2.2. Rejeita as obras da carne
A. Pecados ligados aos desejos
Paulo lista em Colossenses 3.5: prostituição, impureza, paixão desordenada, mau desejo e avareza, que é idolatria. Esses pecados revelam desordem nos afetos. O ser humano passa a buscar em prazeres, posses ou desejos aquilo que só Deus pode satisfazer.
A palavra porneia refere-se à imoralidade sexual. Akatharsia aponta para impureza moral. Pathos indica paixão desordenada. Epithymia kakē fala de desejo mau. Pleonexia, avareza ou cobiça, é descrita por Paulo como idolatria, porque transfere confiança, desejo e devoção para aquilo que é criado.
Essa ligação entre avareza e idolatria é muito profunda. O avarento pode não se curvar diante de uma imagem, mas seu coração se dobra diante do dinheiro, do consumo, do status e da segurança material. Por isso, a avareza não é apenas problema financeiro; é problema de adoração.
B. Pecados ligados às emoções e à fala
Em Colossenses 3.8-9, Paulo amplia a lista. Ele passa dos pecados ligados aos desejos carnais para os pecados relacionais: ira, cólera, malícia, maledicência, palavras torpes e mentira. A santidade cristã não trata apenas da sexualidade e do dinheiro; trata também da língua, do temperamento e das relações.
O texto grego de Colossenses 3.8 apresenta a ordem para “deixar” ou “despir-se” dessas práticas: ira, furor, malícia, blasfêmia ou difamação e linguagem vergonhosa.
Isso é muito importante para a igreja. Há pessoas que evitam determinados pecados visíveis, mas convivem com ira, grosseria, fofoca, maledicência, ironia destrutiva e mentira. Paulo mostra que essas atitudes também pertencem ao velho homem.
Matthew Henry, comentando Colossenses 3.12-17, observa que os cristãos não devem apenas deixar de fazer mal, mas fazer todo o bem possível. Essa observação se encaixa bem no movimento do texto: Paulo primeiro manda abandonar as obras antigas e depois manda vestir as virtudes de Cristo.
3. A mortificação e a vida no Espírito
Mortificar o pecado não é odiar o corpo, mas submeter todo o ser a Cristo. A Bíblia não ensina desprezo pelo corpo como se ele fosse mau em si mesmo. O problema não é a matéria, mas o pecado que se expressa por meio dos membros quando o coração está desalinhado de Deus.
Por isso, a mortificação bíblica é diferente de ascetismo vazio. Ascetismo humano tenta controlar o corpo por regras externas, muitas vezes sem mudar o coração. Mortificação cristã nasce da cruz, é sustentada pelo Espírito e visa conformar o crente à imagem de Cristo.
David Guzik observa que os pecados listados por Paulo são incompatíveis com a natureza de Jesus e com a nova identidade dos santos de Deus. Por isso, o cristão deve tratá-los como intrusos que não têm direito de governar a casa.
4. Análise das palavras gregas
Palavra grega | Texto | Sentido | Aplicação teológica |
nekrōsate | Cl 3.5 | Fazei morrer, mortificai | O pecado deve ser tratado com decisão radical, não com tolerância. |
melē | Cl 3.5 | Membros, partes do corpo | O corpo deve ser instrumento de justiça, não de pecado. |
ta epi tēs gēs | Cl 3.5 | As coisas sobre a terra | Refere-se à natureza terrena dominada por desejos pecaminosos. |
porneia | Cl 3.5 | Imoralidade sexual | A sexualidade deve ser submetida à santidade de Deus. |
akatharsia | Cl 3.5 | Impureza | Toda contaminação moral deve ser rejeitada. |
pathos | Cl 3.5 | Paixão desordenada | Afetos sem governo espiritual conduzem à escravidão. |
epithymia kakē | Cl 3.5 | Mau desejo | O desejo precisa ser discernido e purificado pela Palavra. |
pleonexia | Cl 3.5 | Cobiça, avareza, desejo de ter mais | A cobiça revela um coração que busca segurança fora de Deus. |
eidōlolatria | Cl 3.5 | Idolatria | A avareza é idolatria porque substitui Deus por bens e desejos. |
orgē | Cl 3.8 | Ira | Ressentimento persistente que alimenta atitudes pecaminosas. |
thymos | Cl 3.8 | Cólera, explosão de ira | Reação emocional descontrolada. |
kakia | Cl 3.8 | Malícia | Disposição interior para prejudicar ou desejar o mal. |
blasphēmia | Cl 3.8 | Maledicência, difamação | Fala que destrói reputações e fere o próximo. |
aischrologia | Cl 3.8 | Palavra torpe, linguagem vergonhosa | Comunicação incompatível com a santidade cristã. |
pseudesthe | Cl 3.9 | Não mintais | A mentira contradiz a verdade do novo homem em Cristo. |
palaios anthrōpos | Cl 3.9 | Velho homem | A antiga identidade dominada pelo pecado. |
5. Dizeres de escritores e pastores cristãos
John Owen, em sua obra clássica sobre a mortificação do pecado, insistiu que o pecado precisa ser morto continuamente, pois, se não for combatido, ele destruirá a vitalidade espiritual do crente. Sua conhecida advertência — “mate o pecado, ou ele matará você” — resume bem o peso de Colossenses 3.5.
Matthew Henry destaca que a vida cristã não consiste apenas em evitar o mal, mas também em praticar o bem. Isso ajuda a perceber que a mortificação é apenas uma parte da santificação: o crente tira as vestes antigas para vestir as virtudes de Cristo.
David Guzik, ao comentar Colossenses 3, afirma que o cristão deve tratar os pecados da velha natureza como incompatíveis com sua nova identidade em Jesus. A linguagem de “despir” e “vestir” mostra que a conversão atinge hábitos, desejos, pensamentos e relações.
6. Aplicação pessoal
A primeira aplicação é não brincar com o pecado. Pecado tolerado se fortalece. Aquilo que não é mortificado tende a dominar o coração, a mente, a fala e os relacionamentos.
A segunda aplicação é renunciar diariamente. A mortificação não acontece apenas em grandes decisões, mas em escolhas repetidas: o que vejo, o que alimento, o que falo, o que desejo, o que justifico e o que escondo.
A terceira aplicação é depender do Espírito Santo. A carne não vence a carne. A mortificação bíblica acontece “pelo Espírito”. O crente precisa orar, vigiar, confessar, obedecer à Palavra e andar em comunhão com Deus.
A quarta aplicação é tratar a cobiça como idolatria. Avareza não é apenas ambição econômica; é adoração desviada. Quando dinheiro, prazer ou status ocupam o centro, Deus é deslocado do trono do coração.
A quinta aplicação é santificar a fala. Ira, maledicência, mentira e palavras torpes revelam a velha natureza. A boca do cristão deve servir à verdade, à edificação e à graça.
7. Tabela expositiva
Tópico | Texto bíblico | Verdade central | Erro combatido | Aplicação prática |
Mortificação | Cl 3.5 | O crente deve fazer morrer a natureza terrena. | Tolerar pecados incompatíveis com Cristo. | Rejeitar o pecado com decisão firme. |
Graça e santidade | Cl 2.20; 3.5 | Quem morreu com Cristo deve viver em santificação. | Pensar que graça dispensa renúncia. | Unir fé em Cristo e obediência diária. |
Poder do Espírito | Rm 8.13 | As obras do corpo são mortificadas pelo Espírito. | Tentar vencer o pecado apenas por força humana. | Depender do Espírito em oração e vigilância. |
Renúncia diária | Lc 9.23 | Seguir Cristo exige cruz diária. | Cristianismo sem autonegação. | Negar desejos contrários à vontade de Deus. |
Pecados sexuais | Cl 3.5 | A sexualidade deve ser submetida à santidade. | Tratar o corpo como moralmente irrelevante. | Fugir da imoralidade e cultivar pureza. |
Impureza interior | Cl 3.5 | O pecado começa nos desejos e afetos. | Cuidar só da aparência externa. | Vigiar pensamentos, imaginação e motivações. |
Avareza | Cl 3.5 | A cobiça é idolatria. | Confundir desejo de ter mais com bênção espiritual. | Usar bens como mordomo, não como adorador. |
Ira e cólera | Cl 3.8 | Explosões emocionais pertencem ao velho homem. | Justificar temperamento descontrolado. | Submeter emoções ao Espírito. |
Maledicência | Cl 3.8 | A fala pode ferir a comunhão. | Fofoca, difamação e crítica destrutiva. | Usar a língua para edificação. |
Mentira | Cl 3.9 | A mentira contradiz a nova vida. | Relativizar a verdade por conveniência. | Falar a verdade com amor e integridade. |
Conclusão
A vida de quem mortifica o pecado é marcada por renúncia diária, vigilância espiritual e dependência do Espírito Santo. Paulo não permite uma espiritualidade apenas teórica. Quem ressuscitou com Cristo deve fazer morrer aquilo que pertence à velha natureza.
Síntese: mortificar o pecado é rejeitar tudo o que compete com Cristo no coração, no corpo, na fala e nos relacionamentos. A nova vida não tolera a velha natureza como hóspede legítima; ela a combate pelo poder do Espírito, para que o caráter de Cristo seja formado no salvo.
COMENTARIO EXTRA
Comentário de Hubner Braz
3. A vida de quem se reveste do Filho
1. Visão geral
Colossenses 3.10-17 apresenta a dimensão positiva da santificação. Paulo já ordenou que os crentes se despojassem do velho homem e mortificassem as obras da carne; agora, mostra o que deve ocupar o lugar dessas antigas práticas: o novo homem, renovado segundo a imagem do Criador, revestido de virtudes cristãs, unido ao Corpo, governado pela paz, cheio da Palavra e movido pela gratidão.
A imagem usada por Paulo é a de uma troca de vestes. O salvo não apenas abandona roupas antigas; ele se reveste de uma nova identidade. Essa nova vida não é maquiagem religiosa, mas transformação interior. O crente não apenas tenta parecer melhor; ele é renovado em Cristo.
3.1. É marcada por renovação interior
Paulo afirma que o crente se revestiu “do novo homem, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.10). O texto grego apresenta a ideia de uma renovação contínua: o novo homem “está sendo renovado” em conhecimento, segundo a imagem do Criador.
A palavra anakainoumenon, ligada a “renovar”, aponta para um processo progressivo. A conversão é definitiva, mas a santificação é contínua. O crente já recebeu nova vida, mas essa vida deve amadurecer em conhecimento, caráter e prática.
A palavra epignōsis, traduzida como conhecimento, não se refere a mera informação religiosa. Trata-se de conhecimento pleno, relacional e transformador. Em oposição ao elitismo dos falsos mestres, Paulo mostra que o verdadeiro conhecimento de Deus não é privilégio de uma elite espiritual, mas herança de todos os que estão em Cristo.
Também é importante observar a expressão “segundo a imagem daquele que o criou”. A palavra eikōn, “imagem”, indica semelhança, representação, correspondência. O pecado deformou a imagem de Deus no homem; a graça a restaura progressivamente em Cristo.
Assim, a santificação não é apenas abandonar vícios ou melhorar hábitos. É ser reconfigurado à imagem de Cristo. O Espírito Santo trabalha no interior do crente para que sua mente, afetos, desejos, palavras e atitudes reflitam o caráter do Filho.
3.2. Flui em comunhão com os irmãos
Em Colossenses 3.11, Paulo afirma que, no novo homem, “não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos”. O Evangelho rompe barreiras que, no mundo antigo, separavam pessoas por etnia, religião, cultura, classe social e posição jurídica.
Isso não significa que as diferenças desaparecem em sentido sociológico, mas que nenhuma delas define superioridade espiritual dentro do Corpo de Cristo. O que determina a identidade do salvo não é sua origem, sua cultura, sua condição social ou seu passado, mas sua união com Cristo.
A expressão “Cristo é tudo em todos” é profundamente cristocêntrica. Paulo não afirma que Deus está dissolvido no universo, como em alguma visão panteísta ou gnóstica. Ele afirma que Cristo é o centro, o fundamento e a plenitude da nova humanidade. A Igreja é uma comunidade redimida em que Cristo é suficiente para todos e habita em todos os que foram alcançados pela graça.
Essa verdade confronta preconceitos, elitismos e divisões. Onde Cristo é tudo, ninguém pode se gloriar em privilégios humanos. A nova vida se expressa em comunhão reconciliada.
3.3. É adornada por virtudes incomparáveis
Paulo chama os crentes de “eleitos de Deus, santos e amados” (Cl 3.12). Antes de listar as virtudes, ele lembra a identidade. A ética cristã nasce da graça: porque fomos escolhidos, separados e amados por Deus, devemos viver de modo coerente com essa vocação.
As virtudes listadas são: misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e longanimidade. O texto grego de Colossenses 3.12 apresenta essas virtudes como vestes que devem ser colocadas pelo povo de Deus.
A misericórdia indica compaixão profunda. A benignidade é bondade ativa. A humildade é o oposto da arrogância espiritual. A mansidão não é fraqueza, mas força controlada. A longanimidade é paciência perseverante diante das limitações alheias.
Em seguida, Paulo fala de suportar e perdoar uns aos outros. O verbo ligado ao perdão, charizomai, tem relação com graça; significa perdoar graciosamente, conceder favor, tratar o outro não segundo o merecimento, mas segundo a graça recebida.
O padrão do perdão cristão é Cristo: “assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também”. O crente perdoa porque foi perdoado. A memória da graça recebida deve vencer a insistência da mágoa guardada.
Acima de tudo, Paulo ordena: “revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3.14). O amor é a virtude que harmoniza todas as outras. Sem amor, até a humildade pode virar aparência; a paciência pode virar resignação amarga; a mansidão pode virar passividade; e a bondade pode virar formalidade.
3.4. É guiada pela Palavra e pelo louvor
Colossenses 3.16 declara: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo”. A ideia é que a mensagem de Cristo não seja visitante ocasional, mas moradora permanente do coração e da comunidade. O texto fala da Palavra habitando ricamente, ensinando, admoestando e produzindo cânticos espirituais com gratidão.
A palavra enoikeitō, relacionada a “habitar”, indica residência interior. A Palavra deve ocupar a casa do coração. Não basta conhecer a Escritura como informação; é preciso permitir que ela corrija, molde, console, confronte e governe.
A adoração surge como fruto da Palavra. Paulo menciona salmos, hinos e cânticos espirituais. O louvor cristão não deve ser apenas expressão emocional; deve ser resposta à verdade. Uma igreja cheia da Palavra canta melhor, ensina melhor, exorta melhor e discerne melhor.
Colossenses 3.17 amplia o culto para toda a vida: “quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus”. A espiritualidade cristã não fica restrita ao templo. Ela alcança a casa, o trabalho, a escola, a família, os relacionamentos, as decisões, as conversas e os pensamentos.
Fazer tudo “em nome do Senhor Jesus” significa agir sob sua autoridade, em harmonia com seu caráter e para sua glória. O crente revestido de Cristo transforma a rotina em serviço a Deus.
4. Dizeres de escritores e pastores cristãos
Matthew Henry afirma que o amor é como o “cimento” da sociedade cristã, pois une as virtudes e preserva a unidade. Comentando Colossenses 3.12-17, ele destaca que a unidade cristã consiste em unanimidade e amor mútuo.
David Guzik observa que Paulo usa a imagem de trocar de roupa: o crente se despe do velho homem e se veste do novo. Essa imagem mostra que a conversão atinge comportamento, identidade e modo de viver.
Comentando Colossenses 3.14, Guzik também ressalta que, mesmo depois de abandonar pecados e vestir virtudes como bondade e humildade, o cristão ainda precisa perguntar: “revesti-me de amor?” O amor é o acabamento indispensável da nova vida.
Warren Wiersbe destacou que aquilo em que cremos possui ligação direta com a forma como nos comportamos. Essa frase combina com a lógica de Colossenses: a doutrina da união com Cristo deve produzir uma vida visivelmente transformada.
5. Análise das palavras gregas
Palavra grega
Texto
Sentido
Aplicação teológica
endysamenoi
Cl 3.10
Tendo-vos vestido, revestido
A nova vida é descrita como troca de vestes espirituais.
neos anthrōpos
Cl 3.10
Novo homem
Nova identidade recebida em Cristo.
anakainoumenon
Cl 3.10
Sendo renovado
A santificação é processo contínuo de transformação.
epignōsis
Cl 3.10
Conhecimento pleno
O verdadeiro conhecimento de Deus transforma o caráter.
eikōn
Cl 3.10
Imagem, semelhança
A graça restaura no crente a imagem deformada pelo pecado.
Hellēn / Ioudaios
Cl 3.11
Grego / judeu
Cristo supera barreiras étnicas e religiosas.
peritomē / akrobystia
Cl 3.11
Circuncisão / incircuncisão
Ritos externos não definem superioridade no Corpo de Cristo.
barbaros / Skythēs
Cl 3.11
Bárbaro / cita
Barreiras culturais são relativizadas pela nova criação.
doulos / eleutheros
Cl 3.11
Servo / livre
Posição social não determina valor espiritual.
eklektoi
Cl 3.12
Eleitos
A vida cristã começa na iniciativa graciosa de Deus.
hagioi
Cl 3.12
Santos
Separados para Deus e chamados à pureza.
ēgapēmenoi
Cl 3.12
Amados
A obediência nasce da segurança no amor divino.
splanchna oiktirmou
Cl 3.12
Entranhas de misericórdia
Compaixão profunda e prática.
chrēstotēs
Cl 3.12
Benignidade
Bondade ativa no trato com o próximo.
tapeinophrosynē
Cl 3.12
Humildade
Rejeição da arrogância e do orgulho espiritual.
prautēs
Cl 3.12
Mansidão
Força sob controle do Espírito.
makrothymia
Cl 3.12
Longanimidade
Paciência perseverante com pessoas difíceis.
charizomenoi
Cl 3.13
Perdoando graciosamente
O perdão cristão imita a graça recebida de Cristo.
agapē
Cl 3.14
Amor
Virtude que une e aperfeiçoa todas as demais.
eirēnē
Cl 3.15
Paz
Harmonia que Cristo produz no coração e no Corpo.
enoikeitō
Cl 3.16
Habite
A Palavra deve morar ricamente no crente.
didaskontes / nouthetountes
Cl 3.16
Ensinando / admoestando
A Palavra instrui e corrige a comunidade.
psalmois, hymnois, ōdais pneumatikais
Cl 3.16
Salmos, hinos, cânticos espirituais
O louvor cristão deve nascer da Palavra e da gratidão.
6. Aplicação pessoal
A primeira aplicação é vestir-se conscientemente de Cristo todos os dias. A vida cristã não é apenas deixar pecados, mas assumir atitudes que refletem Jesus.
A segunda aplicação é permitir renovação interior contínua. O crente não deve estacionar na experiência inicial da conversão. Precisa crescer em conhecimento, santidade, maturidade e semelhança com Cristo.
A terceira aplicação é viver comunhão sem elitismo. Em Cristo, não há espaço para superioridade baseada em cultura, condição social, origem, cargo ou formação. Cristo é tudo em todos.
A quarta aplicação é praticar perdão como quem foi perdoado. Mágoas guardadas contradizem a graça recebida. O padrão não é “perdoo se merecer”, mas “perdoo porque Cristo me perdoou”.
A quinta aplicação é deixar a Palavra habitar ricamente. Não basta visitar a Bíblia ocasionalmente; a Palavra precisa morar no coração, orientar decisões, corrigir pensamentos e alimentar o louvor.
A sexta aplicação é transformar a rotina em culto. Colossenses 3.17 ensina que palavras e obras devem ser feitas em nome de Jesus. O cristão cultua não apenas no templo, mas também na maneira como trabalha, fala, serve, perdoa e convive.
7. Tabela expositiva
Tópico
Texto
Verdade central
Perigo a evitar
Aplicação prática
Revestimento
Cl 3.10
O crente veste o novo homem.
Cristianismo apenas exterior.
Assumir uma nova identidade em Cristo.
Renovação
Cl 3.10
O novo homem é continuamente renovado.
Estagnação espiritual.
Crescer em conhecimento e santidade.
Imagem do Criador
Cl 3.10
Deus restaura sua imagem no salvo.
Reduzir santificação a regras externas.
Buscar semelhança com Cristo.
Comunhão universal
Cl 3.11
Cristo supera barreiras humanas.
Preconceito, elitismo e divisão.
Tratar todos os irmãos com igual dignidade.
Cristo é tudo
Cl 3.11
Cristo é o centro da nova humanidade.
Fazer de cultura, rito ou status o centro da fé.
Viver com Cristo como fundamento de tudo.
Identidade espiritual
Cl 3.12
Somos eleitos, santos e amados.
Obedecer por medo ou aparência.
Viver a santidade como resposta ao amor de Deus.
Virtudes cristãs
Cl 3.12
Misericórdia, bondade, humildade e paciência adornam o salvo.
Dureza, orgulho e impaciência.
Refletir o caráter de Cristo nas relações.
Perdão
Cl 3.13
Perdoamos como Cristo nos perdoou.
Guardar ressentimentos.
Praticar perdão baseado na graça.
Amor
Cl 3.14
O amor une todas as virtudes.
Virtudes sem coração amoroso.
Fazer do amor o vínculo das relações.
Palavra habitando
Cl 3.16
A Palavra de Cristo deve morar ricamente no coração.
Conhecimento sem transformação.
Ser moldado pela Escritura.
Louvor
Cl 3.16
O cântico nasce da Palavra e da gratidão.
Louvor vazio de verdade bíblica.
Cantar com entendimento e gratidão.
Vida em nome de Jesus
Cl 3.17
Tudo deve ser feito sob a autoridade de Cristo.
Separar culto e rotina.
Fazer palavras e obras para a glória do Senhor.
Conclusão
A vida de quem se reveste do Filho é marcada por transformação interior, comunhão reconciliada, virtudes semelhantes às de Cristo, Palavra habitando ricamente e louvor cheio de gratidão. Paulo mostra que a nova vida não é abstrata: ela aparece no modo como pensamos, tratamos os irmãos, perdoamos, cantamos, ensinamos e realizamos nossas tarefas cotidianas.
A conclusão da lição é muito apropriada: fomos chamados a trocar os “trapos de imundícia” por vestes de nova vida. Revestir-se de Cristo é deixar que sua beleza apareça em nosso caráter.
Síntese: quem se reveste do Filho manifesta a nova criação: mente renovada, coração compassivo, comunhão sem barreiras, amor como vínculo perfeito, Palavra no centro e toda a vida vivida em nome do Senhor Jesus.
3. A vida de quem se reveste do Filho
1. Visão geral
Colossenses 3.10-17 apresenta a dimensão positiva da santificação. Paulo já ordenou que os crentes se despojassem do velho homem e mortificassem as obras da carne; agora, mostra o que deve ocupar o lugar dessas antigas práticas: o novo homem, renovado segundo a imagem do Criador, revestido de virtudes cristãs, unido ao Corpo, governado pela paz, cheio da Palavra e movido pela gratidão.
A imagem usada por Paulo é a de uma troca de vestes. O salvo não apenas abandona roupas antigas; ele se reveste de uma nova identidade. Essa nova vida não é maquiagem religiosa, mas transformação interior. O crente não apenas tenta parecer melhor; ele é renovado em Cristo.
3.1. É marcada por renovação interior
Paulo afirma que o crente se revestiu “do novo homem, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.10). O texto grego apresenta a ideia de uma renovação contínua: o novo homem “está sendo renovado” em conhecimento, segundo a imagem do Criador.
A palavra anakainoumenon, ligada a “renovar”, aponta para um processo progressivo. A conversão é definitiva, mas a santificação é contínua. O crente já recebeu nova vida, mas essa vida deve amadurecer em conhecimento, caráter e prática.
A palavra epignōsis, traduzida como conhecimento, não se refere a mera informação religiosa. Trata-se de conhecimento pleno, relacional e transformador. Em oposição ao elitismo dos falsos mestres, Paulo mostra que o verdadeiro conhecimento de Deus não é privilégio de uma elite espiritual, mas herança de todos os que estão em Cristo.
Também é importante observar a expressão “segundo a imagem daquele que o criou”. A palavra eikōn, “imagem”, indica semelhança, representação, correspondência. O pecado deformou a imagem de Deus no homem; a graça a restaura progressivamente em Cristo.
Assim, a santificação não é apenas abandonar vícios ou melhorar hábitos. É ser reconfigurado à imagem de Cristo. O Espírito Santo trabalha no interior do crente para que sua mente, afetos, desejos, palavras e atitudes reflitam o caráter do Filho.
3.2. Flui em comunhão com os irmãos
Em Colossenses 3.11, Paulo afirma que, no novo homem, “não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos”. O Evangelho rompe barreiras que, no mundo antigo, separavam pessoas por etnia, religião, cultura, classe social e posição jurídica.
Isso não significa que as diferenças desaparecem em sentido sociológico, mas que nenhuma delas define superioridade espiritual dentro do Corpo de Cristo. O que determina a identidade do salvo não é sua origem, sua cultura, sua condição social ou seu passado, mas sua união com Cristo.
A expressão “Cristo é tudo em todos” é profundamente cristocêntrica. Paulo não afirma que Deus está dissolvido no universo, como em alguma visão panteísta ou gnóstica. Ele afirma que Cristo é o centro, o fundamento e a plenitude da nova humanidade. A Igreja é uma comunidade redimida em que Cristo é suficiente para todos e habita em todos os que foram alcançados pela graça.
Essa verdade confronta preconceitos, elitismos e divisões. Onde Cristo é tudo, ninguém pode se gloriar em privilégios humanos. A nova vida se expressa em comunhão reconciliada.
3.3. É adornada por virtudes incomparáveis
Paulo chama os crentes de “eleitos de Deus, santos e amados” (Cl 3.12). Antes de listar as virtudes, ele lembra a identidade. A ética cristã nasce da graça: porque fomos escolhidos, separados e amados por Deus, devemos viver de modo coerente com essa vocação.
As virtudes listadas são: misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e longanimidade. O texto grego de Colossenses 3.12 apresenta essas virtudes como vestes que devem ser colocadas pelo povo de Deus.
A misericórdia indica compaixão profunda. A benignidade é bondade ativa. A humildade é o oposto da arrogância espiritual. A mansidão não é fraqueza, mas força controlada. A longanimidade é paciência perseverante diante das limitações alheias.
Em seguida, Paulo fala de suportar e perdoar uns aos outros. O verbo ligado ao perdão, charizomai, tem relação com graça; significa perdoar graciosamente, conceder favor, tratar o outro não segundo o merecimento, mas segundo a graça recebida.
O padrão do perdão cristão é Cristo: “assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também”. O crente perdoa porque foi perdoado. A memória da graça recebida deve vencer a insistência da mágoa guardada.
Acima de tudo, Paulo ordena: “revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3.14). O amor é a virtude que harmoniza todas as outras. Sem amor, até a humildade pode virar aparência; a paciência pode virar resignação amarga; a mansidão pode virar passividade; e a bondade pode virar formalidade.
3.4. É guiada pela Palavra e pelo louvor
Colossenses 3.16 declara: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo”. A ideia é que a mensagem de Cristo não seja visitante ocasional, mas moradora permanente do coração e da comunidade. O texto fala da Palavra habitando ricamente, ensinando, admoestando e produzindo cânticos espirituais com gratidão.
A palavra enoikeitō, relacionada a “habitar”, indica residência interior. A Palavra deve ocupar a casa do coração. Não basta conhecer a Escritura como informação; é preciso permitir que ela corrija, molde, console, confronte e governe.
A adoração surge como fruto da Palavra. Paulo menciona salmos, hinos e cânticos espirituais. O louvor cristão não deve ser apenas expressão emocional; deve ser resposta à verdade. Uma igreja cheia da Palavra canta melhor, ensina melhor, exorta melhor e discerne melhor.
Colossenses 3.17 amplia o culto para toda a vida: “quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus”. A espiritualidade cristã não fica restrita ao templo. Ela alcança a casa, o trabalho, a escola, a família, os relacionamentos, as decisões, as conversas e os pensamentos.
Fazer tudo “em nome do Senhor Jesus” significa agir sob sua autoridade, em harmonia com seu caráter e para sua glória. O crente revestido de Cristo transforma a rotina em serviço a Deus.
4. Dizeres de escritores e pastores cristãos
Matthew Henry afirma que o amor é como o “cimento” da sociedade cristã, pois une as virtudes e preserva a unidade. Comentando Colossenses 3.12-17, ele destaca que a unidade cristã consiste em unanimidade e amor mútuo.
David Guzik observa que Paulo usa a imagem de trocar de roupa: o crente se despe do velho homem e se veste do novo. Essa imagem mostra que a conversão atinge comportamento, identidade e modo de viver.
Comentando Colossenses 3.14, Guzik também ressalta que, mesmo depois de abandonar pecados e vestir virtudes como bondade e humildade, o cristão ainda precisa perguntar: “revesti-me de amor?” O amor é o acabamento indispensável da nova vida.
Warren Wiersbe destacou que aquilo em que cremos possui ligação direta com a forma como nos comportamos. Essa frase combina com a lógica de Colossenses: a doutrina da união com Cristo deve produzir uma vida visivelmente transformada.
5. Análise das palavras gregas
Palavra grega | Texto | Sentido | Aplicação teológica |
endysamenoi | Cl 3.10 | Tendo-vos vestido, revestido | A nova vida é descrita como troca de vestes espirituais. |
neos anthrōpos | Cl 3.10 | Novo homem | Nova identidade recebida em Cristo. |
anakainoumenon | Cl 3.10 | Sendo renovado | A santificação é processo contínuo de transformação. |
epignōsis | Cl 3.10 | Conhecimento pleno | O verdadeiro conhecimento de Deus transforma o caráter. |
eikōn | Cl 3.10 | Imagem, semelhança | A graça restaura no crente a imagem deformada pelo pecado. |
Hellēn / Ioudaios | Cl 3.11 | Grego / judeu | Cristo supera barreiras étnicas e religiosas. |
peritomē / akrobystia | Cl 3.11 | Circuncisão / incircuncisão | Ritos externos não definem superioridade no Corpo de Cristo. |
barbaros / Skythēs | Cl 3.11 | Bárbaro / cita | Barreiras culturais são relativizadas pela nova criação. |
doulos / eleutheros | Cl 3.11 | Servo / livre | Posição social não determina valor espiritual. |
eklektoi | Cl 3.12 | Eleitos | A vida cristã começa na iniciativa graciosa de Deus. |
hagioi | Cl 3.12 | Santos | Separados para Deus e chamados à pureza. |
ēgapēmenoi | Cl 3.12 | Amados | A obediência nasce da segurança no amor divino. |
splanchna oiktirmou | Cl 3.12 | Entranhas de misericórdia | Compaixão profunda e prática. |
chrēstotēs | Cl 3.12 | Benignidade | Bondade ativa no trato com o próximo. |
tapeinophrosynē | Cl 3.12 | Humildade | Rejeição da arrogância e do orgulho espiritual. |
prautēs | Cl 3.12 | Mansidão | Força sob controle do Espírito. |
makrothymia | Cl 3.12 | Longanimidade | Paciência perseverante com pessoas difíceis. |
charizomenoi | Cl 3.13 | Perdoando graciosamente | O perdão cristão imita a graça recebida de Cristo. |
agapē | Cl 3.14 | Amor | Virtude que une e aperfeiçoa todas as demais. |
eirēnē | Cl 3.15 | Paz | Harmonia que Cristo produz no coração e no Corpo. |
enoikeitō | Cl 3.16 | Habite | A Palavra deve morar ricamente no crente. |
didaskontes / nouthetountes | Cl 3.16 | Ensinando / admoestando | A Palavra instrui e corrige a comunidade. |
psalmois, hymnois, ōdais pneumatikais | Cl 3.16 | Salmos, hinos, cânticos espirituais | O louvor cristão deve nascer da Palavra e da gratidão. |
6. Aplicação pessoal
A primeira aplicação é vestir-se conscientemente de Cristo todos os dias. A vida cristã não é apenas deixar pecados, mas assumir atitudes que refletem Jesus.
A segunda aplicação é permitir renovação interior contínua. O crente não deve estacionar na experiência inicial da conversão. Precisa crescer em conhecimento, santidade, maturidade e semelhança com Cristo.
A terceira aplicação é viver comunhão sem elitismo. Em Cristo, não há espaço para superioridade baseada em cultura, condição social, origem, cargo ou formação. Cristo é tudo em todos.
A quarta aplicação é praticar perdão como quem foi perdoado. Mágoas guardadas contradizem a graça recebida. O padrão não é “perdoo se merecer”, mas “perdoo porque Cristo me perdoou”.
A quinta aplicação é deixar a Palavra habitar ricamente. Não basta visitar a Bíblia ocasionalmente; a Palavra precisa morar no coração, orientar decisões, corrigir pensamentos e alimentar o louvor.
A sexta aplicação é transformar a rotina em culto. Colossenses 3.17 ensina que palavras e obras devem ser feitas em nome de Jesus. O cristão cultua não apenas no templo, mas também na maneira como trabalha, fala, serve, perdoa e convive.
7. Tabela expositiva
Tópico | Texto | Verdade central | Perigo a evitar | Aplicação prática |
Revestimento | Cl 3.10 | O crente veste o novo homem. | Cristianismo apenas exterior. | Assumir uma nova identidade em Cristo. |
Renovação | Cl 3.10 | O novo homem é continuamente renovado. | Estagnação espiritual. | Crescer em conhecimento e santidade. |
Imagem do Criador | Cl 3.10 | Deus restaura sua imagem no salvo. | Reduzir santificação a regras externas. | Buscar semelhança com Cristo. |
Comunhão universal | Cl 3.11 | Cristo supera barreiras humanas. | Preconceito, elitismo e divisão. | Tratar todos os irmãos com igual dignidade. |
Cristo é tudo | Cl 3.11 | Cristo é o centro da nova humanidade. | Fazer de cultura, rito ou status o centro da fé. | Viver com Cristo como fundamento de tudo. |
Identidade espiritual | Cl 3.12 | Somos eleitos, santos e amados. | Obedecer por medo ou aparência. | Viver a santidade como resposta ao amor de Deus. |
Virtudes cristãs | Cl 3.12 | Misericórdia, bondade, humildade e paciência adornam o salvo. | Dureza, orgulho e impaciência. | Refletir o caráter de Cristo nas relações. |
Perdão | Cl 3.13 | Perdoamos como Cristo nos perdoou. | Guardar ressentimentos. | Praticar perdão baseado na graça. |
Amor | Cl 3.14 | O amor une todas as virtudes. | Virtudes sem coração amoroso. | Fazer do amor o vínculo das relações. |
Palavra habitando | Cl 3.16 | A Palavra de Cristo deve morar ricamente no coração. | Conhecimento sem transformação. | Ser moldado pela Escritura. |
Louvor | Cl 3.16 | O cântico nasce da Palavra e da gratidão. | Louvor vazio de verdade bíblica. | Cantar com entendimento e gratidão. |
Vida em nome de Jesus | Cl 3.17 | Tudo deve ser feito sob a autoridade de Cristo. | Separar culto e rotina. | Fazer palavras e obras para a glória do Senhor. |
Conclusão
A vida de quem se reveste do Filho é marcada por transformação interior, comunhão reconciliada, virtudes semelhantes às de Cristo, Palavra habitando ricamente e louvor cheio de gratidão. Paulo mostra que a nova vida não é abstrata: ela aparece no modo como pensamos, tratamos os irmãos, perdoamos, cantamos, ensinamos e realizamos nossas tarefas cotidianas.
A conclusão da lição é muito apropriada: fomos chamados a trocar os “trapos de imundícia” por vestes de nova vida. Revestir-se de Cristo é deixar que sua beleza apareça em nosso caráter.
Síntese: quem se reveste do Filho manifesta a nova criação: mente renovada, coração compassivo, comunhão sem barreiras, amor como vínculo perfeito, Palavra no centro e toda a vida vivida em nome do Senhor Jesus.
DINAMICA EXTRA
Comentário de Hubner Braz
Para a Lição 11 - O Revestimento de Cristo (Colossenses 3), o tema central é a transformação de vida: o cristão precisa se "despir" do velho homem (maus hábitos, pecados) e se "vestir" do novo homem (virtudes de Cristo).
Aqui estão duas opções de dinâmicas visuais e interativas para impactar sua classe de jovens ou adultos.
Opção 1: Dinâmica "A Troca de Roupas"
Objetivo: Ilustrar de forma prática o conceito bíblico de "despojar-se" (tirar) da velha natureza e "revestir-se" (colocar) das virtudes de Cristo (Colossenses 3:8-14).
📝 Materiais necessários:
- Um casaco ou jaqueta velha, rasgada, suja ou cheia de papéis colados com as palavras: Ira, Malícia, Maledicência, Mentira, Orgulho.
- Um casaco ou manto limpo, bonito e bem passado, com papéis colados com as palavras: Misericórdia, Bondade, Humildade, Mansidão, Paciência, Amor.
🏃♂️ Passo a passo:
- O Cenário: Peça para um aluno voluntário ir à frente e vestir o casaco velho e sujo por cima da roupa dele.
- O Desafio: Peça para ele tentar abraçar alguém ou realizar uma tarefa simples. Mostre como aquela "roupa" incomoda, é feia e cheia de marcas do passado.
- A Ordem Bíblica: Leia Colossenses 3:8-9. Peça para o voluntário tirar o casaco velho bruscamente e jogá-lo no chão (simbolizando o despojamento).
- O Revestimento: Leia Colossenses 3:12-14. Entregue o casaco limpo e bonito para ele vestir.
- Reflexão: Mostre a diferença visual e espiritual. Explique que a vida cristã não é apenas "parar de fazer o mal" (tirar o casaco velho), mas "passar a fazer o bem" (vestir o casaco novo). O amor é o "vínculo da perfeição" que une todas essas novas vestes (v. 14).
Opção 2: Dinâmica "O Alvo das Coisas do Alto"
Objetivo: Trabalhar a mente do cristão, ensinando a focar nas coisas celestiais e eternas em vez das distrações terrenas (Colossenses 3:1-2).
📝 Materiais necessários:
- Duas caixas de papelão grandes.
- Caixa 1: Escreva "Coisas da Terra" (encha de jornais velhos, propagandas, futilidades).
- Caixa 2: Escreva "Coisas do Alto" (coloque uma Bíblia, um coração de papel simbolizando o amor, uma cruz, palavras como "Oração", "Família", "Eternidade").
- Uma venda para os olhos.
🏃♂️ Passo a passo:
- A Distração: Chame um voluntário, coloque a venda nos olhos dele e gire-o algumas vezes. Coloque as duas caixas em lados opostos da sala.
- A Caminhada: Peça para a classe guiar o aluno apenas com a voz até a caixa certa, mas divida a sala: metade deve gritar para ele ir em direção às "Coisas da Terra" e a outra metade em direção às "Coisas do Alto".
- O Resultado: Retire a venda e veja onde ele parou. Abra as caixas e mostre o conteúdo de cada uma.
- Reflexão: Leia Colossenses 3:1-2 ("Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra"). Explique que o mundo faz muito barulho tentando desviar nossos olhos e pensamentos para o que é passageiro. Manter a mente nas coisas do Alto exige foco, discernimento e a decisão diária de ouvir a voz do Espírito Santo.
📌 Dicas para o Professor
- Aplicação para a Vida Prática: Reforce que "as coisas do alto" não significam viver alienado do mundo, mas governar a vida terrena com os valores do Reino de Deus.
- Gancho de Oração: Termine a aula com um momento de oração silenciosa, onde cada aluno pede a Deus ajuda para "tirar" uma peça de roupa velha específica que ainda teima em usar.
Para a Lição 11 - O Revestimento de Cristo (Colossenses 3), o tema central é a transformação de vida: o cristão precisa se "despir" do velho homem (maus hábitos, pecados) e se "vestir" do novo homem (virtudes de Cristo).
Aqui estão duas opções de dinâmicas visuais e interativas para impactar sua classe de jovens ou adultos.
Opção 1: Dinâmica "A Troca de Roupas"
Objetivo: Ilustrar de forma prática o conceito bíblico de "despojar-se" (tirar) da velha natureza e "revestir-se" (colocar) das virtudes de Cristo (Colossenses 3:8-14).
📝 Materiais necessários:
- Um casaco ou jaqueta velha, rasgada, suja ou cheia de papéis colados com as palavras: Ira, Malícia, Maledicência, Mentira, Orgulho.
- Um casaco ou manto limpo, bonito e bem passado, com papéis colados com as palavras: Misericórdia, Bondade, Humildade, Mansidão, Paciência, Amor.
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- O Desafio: Peça para ele tentar abraçar alguém ou realizar uma tarefa simples. Mostre como aquela "roupa" incomoda, é feia e cheia de marcas do passado.
- A Ordem Bíblica: Leia Colossenses 3:8-9. Peça para o voluntário tirar o casaco velho bruscamente e jogá-lo no chão (simbolizando o despojamento).
- O Revestimento: Leia Colossenses 3:12-14. Entregue o casaco limpo e bonito para ele vestir.
- Reflexão: Mostre a diferença visual e espiritual. Explique que a vida cristã não é apenas "parar de fazer o mal" (tirar o casaco velho), mas "passar a fazer o bem" (vestir o casaco novo). O amor é o "vínculo da perfeição" que une todas essas novas vestes (v. 14).
Opção 2: Dinâmica "O Alvo das Coisas do Alto"
Objetivo: Trabalhar a mente do cristão, ensinando a focar nas coisas celestiais e eternas em vez das distrações terrenas (Colossenses 3:1-2).
📝 Materiais necessários:
- Duas caixas de papelão grandes.
- Caixa 1: Escreva "Coisas da Terra" (encha de jornais velhos, propagandas, futilidades).
- Caixa 2: Escreva "Coisas do Alto" (coloque uma Bíblia, um coração de papel simbolizando o amor, uma cruz, palavras como "Oração", "Família", "Eternidade").
- Uma venda para os olhos.
🏃♂️ Passo a passo:
- A Distração: Chame um voluntário, coloque a venda nos olhos dele e gire-o algumas vezes. Coloque as duas caixas em lados opostos da sala.
- A Caminhada: Peça para a classe guiar o aluno apenas com a voz até a caixa certa, mas divida a sala: metade deve gritar para ele ir em direção às "Coisas da Terra" e a outra metade em direção às "Coisas do Alto".
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2º TRIMESTRE DE 2026!!!

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EBD | 2° Trimestre De 2026 | Editora CENTRAL GOSPEL | TEMA: CARTAS DA PRISÃO | Escola Bíblica Dominical | Lição 01
📖 VOCABULÁRIO BÍBLICO – AS CARTAS DA PRISÃO (LPD Nº 09)
🔑 A
ADOÇÃO (gr. huiothesia)
Ato pelo qual Deus recebe o pecador como filho (Ef 1.5). Não é natural, mas espiritual e legal.
➡ Aplicação: segurança da salvação e identidade em Cristo.
ANDAR (gr. peripateō)
Modo de viver, conduta diária (Ef 4.1; Cl 1.10).
➡ Indica coerência entre fé e prática.
ARMADURA DE DEUS
Conjunto espiritual para resistir ao mal (Ef 6.10-18).
➡ Verdade, justiça, fé, salvação, Palavra e oração.
🔑 B
BATALHA ESPIRITUAL
Conflito invisível contra forças espirituais malignas (Ef 6.12).
➡ Não é contra pessoas, mas contra principados.
🔑 C
CABEÇA (Cristo)
Cristo como autoridade suprema da Igreja (Ef 1.22; Cl 1.18).
➡ A Igreja depende totalmente dEle.
CIDADANIA (gr. politeuma)
Pertencimento ao Reino celestial (Fp 3.20).
➡ O crente vive na terra com valores do céu.
CRISTOLOGIA
Doutrina sobre Cristo. Em Colossenses, enfatiza sua supremacia (Cl 1.15-20).
🔑 D
DEPRAVAÇÃO HUMANA
Condição do homem sem Cristo (Ef 2.1-3).
➡ Mortos espiritualmente antes da graça.
🔑 E
ELEIÇÃO (gr. eklegomai)
Escolha divina para salvação (Ef 1.4).
➡ Baseada na graça, não em méritos.
ENCHIMENTO DO ESPÍRITO (Ef 5.18)
Controle contínuo do Espírito na vida do crente.
➡ Evidências: louvor, gratidão, submissão.
ESCRAVIDÃO ESPIRITUAL
Submissão ao pecado antes da salvação (Ef 2.2).
🔑 F
FÉ (gr. pistis)
Confiança ativa em Cristo (Ef 2.8).
➡ Instrumento da salvação.
FILIPENSES – ALEGRIA EM CRISTO
Epístola marcada pela alegria em meio ao sofrimento.
🔑 G
GRAÇA (gr. charis)
Favor imerecido de Deus (Ef 2.8-9).
➡ Base da salvação.
🔑 H
HUMILDADE DE CRISTO (Fp 2.5-11)
Modelo de serviço e submissão.
➡ Cristo se esvaziou (kenosis).
🔑 I
IGREJA (gr. ekklesia)
Comunidade dos chamados por Deus (Ef 1.23).
➡ Corpo de Cristo.
IDENTIDADE EM CRISTO
Quem o crente é em Cristo (Ef 1–3).
➡ Eleito, redimido, selado.
🔑 J
JUSTIFICAÇÃO
Declaração divina de justiça (implícita nas epístolas).
🔑 K
KENOSIS (Fp 2.7)
Esvaziamento voluntário de Cristo.
➡ Não deixou de ser Deus, mas abriu mão de privilégios.
🔑 L
LIBERDADE CRISTÃ
Liberdade do pecado para viver em santidade.
🔑 M
MISTÉRIO (gr. mystērion)
Verdade antes oculta, agora revelada (Ef 3.3-6).
➡ Inclusão dos gentios.
MISSÃO CRISTÃ
Chamado para proclamar Cristo (Cl 1.28).
🔑 N
NOVA VIDA
Transformação do crente (Cl 3.1-10).
➡ Abandonar o velho homem.
🔑 O
OBEDIÊNCIA
Resposta prática à fé (Fp 2.12).
🔑 P
PAZ (gr. eirēnē)
Reconciliação com Deus e com o próximo (Ef 2.14).
PERDÃO
Elemento central em Filemom.
➡ Baseado na graça (Fm 1.18-19).
PLENITUDE DE CRISTO (Cl 2.9)
Cristo é totalmente Deus.
🔑 R
RECONCILIAÇÃO
Restauração do relacionamento com Deus (Cl 1.20).
➡ Aplicado também em Filemom.
REDENÇÃO (gr. apolytrōsis)
Libertação pelo preço do sangue (Ef 1.7).
🔑 S
SALVAÇÃO
Obra completa de Deus (Ef 2.8-9).
SANTIFICAÇÃO
Processo contínuo de transformação (Ef 4.22-24).
SUPREMACIA DE CRISTO
Cristo acima de tudo (Cl 1.15-18).
🔑 U
UNIDADE DA IGREJA
Fundamento espiritual (Ef 4.3-6).
➡ Um só corpo, Espírito, fé.
🔑 V
VIDA NO ESPÍRITO
Vida guiada pelo Espírito Santo (Ef 5).
VOCAÇÃO CRISTÃ
Chamado para viver segundo Cristo (Ef 4.1).
📊 TABELA RESUMO DAS EPÍSTOLAS
EPÍSTOLA | TEMA CENTRAL | ÊNFASE PRINCIPAL |
Efésios | Igreja e identidade espiritual | Corpo de Cristo |
Filipenses | Alegria e perseverança | Vida prática |
Colossenses | Supremacia de Cristo | Doutrina cristológica |
Filemom | Perdão e reconciliação | Relacionamentos cristãos |
📌 APLICAÇÃO GERAL
- O crente precisa conhecer sua posição (Efésios)
- Viver com alegria mesmo em crise (Filipenses)
- Defender a verdade sobre Cristo (Colossenses)
- Praticar o amor e perdão (Filemom)
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EBD | 1° Trimestre De 2026 | Editora CENTRAL GOSPEL | TEMA: O SERMÃO DA MONTANHA – As Bem-Aventuranças do Reino | Escola Bíblica Dominical | Lição 05 - O Clamor de um Povo Exilado
Quem compromete-se com a EBD não inventa histórias, mas fala o que está escrito na Bíblia!
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CONECTAR+ Jovens (A partir de 18 anos);
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SABER+ Pré-Teen (9 e 11 anos)em pdf;
APRENDER+ Primários (6 e 8 anos)em pdf;
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