LEITURA BÍBLICA Atos 20.17-24 A MENSAGEM “Ele fez isso durante dois anos, até que todos os moradores da província da Ásia, tanto os judeus c...
LEITURA BÍBLICA
Atos 20.17-24
A MENSAGEM
“Ele fez isso durante dois anos, até que todos os moradores da província da Ásia, tanto os judeus como os não judeus, ouviram a mensagem do Senhor.” Atos 19.10
Devocional
COMENTARIO EXTRA
Comentário de Hubner Braz
Atos 20.17-24 - A missão de anunciar todo o conselho de Deus com fidelidade
A leitura de Atos 20.17-24 apresenta um dos discursos pastorais mais profundos do livro de Atos. Paulo está a caminho de Jerusalém e manda chamar os presbíteros da igreja de Éfeso. Ele sabe que uma etapa de seu ministério está chegando ao fim e, por isso, abre o coração diante daqueles líderes, recordando como viveu, pregou e serviu entre eles.
O texto revela um ministério marcado por humildade, lágrimas, perseverança, evangelização, ensino público e doméstico, submissão ao Espírito Santo e disposição para sofrer por Cristo.
A mensagem de Atos 19.10 complementa perfeitamente esse quadro: durante dois anos, a Palavra se expandiu a partir de Éfeso até alcançar amplamente a província da Ásia. Paulo não estava apenas formando uma congregação local; estava estabelecendo um centro missionário de irradiação do evangelho.
A MENSAGEM — Atos 19.10
“Todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos.”
A expressão “Palavra do Senhor” é:
ὁ λόγος τοῦ κυρίου — ho logos tou kyriou.
λόγος — lógos pode significar palavra, mensagem, discurso ou proclamação.
Em Atos, essa expressão frequentemente representa a mensagem do evangelho em movimento.
Lucas gosta de apresentar a Palavra como algo que:
cresce;
se multiplica;
se espalha;
vence oposição.
Atos 12.24 declara:
“A palavra de Deus crescia e se multiplicava.”
Atos 19.20 conclui o relato de Éfeso:
“Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.”
Isso mostra que o verdadeiro protagonista missionário de Atos não é apenas Paulo, Pedro ou qualquer outro apóstolo.
É Deus agindo pelo Espírito através da Palavra.
ÉFESO COMO CENTRO MISSIONÁRIO
Atos 19.9-10 informa que Paulo ensinava diariamente na escola de Tirano.
A partir dali, o evangelho alcançou a província da Ásia.
A afirmação de que “todos” ouviram deve ser entendida segundo o uso semítico e narrativo amplo: não significa necessariamente que cada indivíduo sem exceção recebeu pessoalmente uma pregação de Paulo, mas que a mensagem alcançou extensivamente a região.
Provavelmente discípulos treinados em Éfeso levaram a mensagem para outras cidades.
É nesse ambiente que surgem ou se fortalecem igrejas em localidades como:
Colossos;
Laodiceia;
Hierápolis;
possivelmente outras cidades da Ásia Menor.
Isso revela um princípio missionário:
Paulo não centralizava todo o ministério em si mesmo; ele formava pessoas capazes de multiplicar a mensagem.
LEITURA BÍBLICA — ATOS 20.17-24
Atos 20.17 — Paulo chama os presbíteros
“De Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja.”
“Anciãos” traduz:
πρεσβυτέρους — presbyterous,
plural de πρεσβύτερος — presbyteros, presbítero, ancião.
No mesmo discurso, Atos 20.28 utiliza ἐπίσκοποι — episkopoi, supervisores ou bispos, para descrever esses mesmos líderes.
Isso indica que, no contexto apostólico primitivo, os termos “presbítero” e “bispo” descrevem perspectivas complementares do mesmo ministério pastoral:
presbítero enfatiza maturidade e liderança;
bispo/supervisor enfatiza responsabilidade de cuidado e supervisão.
A Igreja não pertence aos líderes.
Ela pertence a Deus.
Os líderes são mordomos do rebanho.
Atos 20.18 — “VÓS BEM SABEIS COMO ME PORTEI”
Paulo começa falando não apenas de sua mensagem, mas de sua maneira de viver:
“Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós.”
Isso é extraordinariamente importante.
O ministério de Paulo podia ser examinado.
Sua mensagem e sua conduta caminhavam juntas.
O verbo relacionado a “estar” ou “viver entre” os irmãos destaca convivência real.
O apóstolo não ministrava de longe.
Ele compartilhava vida.
Isso é uma poderosa teologia pastoral:
o evangelho não é apenas proclamado com a boca; também é demonstrado pela vida.
Atos 20.19 — SERVINDO COM HUMILDADE
“Servindo ao Senhor com toda a humildade e com muitas lágrimas...”
“Servindo” vem de:
δουλεύω — douleuō,
servir como servo, estar sujeito.
A palavra deriva de δοῦλος — doulos, servo.
Paulo entendia sua identidade ministerial primeiramente em relação ao Senhor.
Ele não era dono da missão.
Era servo.
“COM TODA HUMILDADE”
O termo é:
ταπεινοφροσύνη — tapeinophrosynē,
humildade de mente, modéstia, baixa estima de si no sentido correto de não buscar exaltação.
No mundo greco-romano, humildade nem sempre era considerada virtude desejável. O evangelho, porém, ressignifica a grandeza.
Jesus ensinou:
“Quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva” (Mc 10.43).
Ministério cristão não é ascensão de status.
É descida em serviço.
“COM LÁGRIMAS”
Paulo acrescenta:
“e com muitas lágrimas”.
O termo grego é:
δάκρυα — dakrya,
lágrimas.
Isso revela que ministério apostólico não era triunfalismo.
Havia:
dor;
oposição;
frustrações;
preocupação pelas igrejas;
sofrimento pessoal.
Paulo não apresenta lágrimas como sinal de fraqueza espiritual.
Elas convivem com fé, coragem e autoridade.
Um ministério profundamente espiritual pode ser também profundamente emocional.
Atos 20.20 — “NADA QUE ÚTIL SEJA DEIXEI DE VOS ANUNCIAR”
“Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas.”
A expressão “não deixei” envolve o verbo:
ὑποστέλλω — hypostellō,
recuar, retirar-se, evitar por medo.
Paulo está dizendo, em essência:
“não recuei diante daquilo que vocês precisavam ouvir.”
Isso é fidelidade pastoral.
O pregador fiel não pergunta apenas:
“O que as pessoas gostam de ouvir?”
Pergunta:
“O que elas precisam ouvir da Palavra de Deus?”
EVANGELIZAÇÃO PÚBLICA E DOMÉSTICA
Paulo ensinava:
“publicamente e pelas casas”.
No grego:
δημοσίᾳ καὶ κατ᾽ οἴκους — dēmosia kai kat' oikous.
A missão ocorria tanto no espaço público quanto no ambiente doméstico.
Isso demonstra a flexibilidade missionária da Igreja primitiva.
O evangelho não ficava restrito:
ao templo;
à sinagoga;
ao púlpito;
ou a edifícios religiosos.
Ele entrava nas casas.
Atos 20.21 — ARREPENDIMENTO E FÉ
“Testificando tanto a judeus como a gregos a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.”
Aqui aparecem dois pilares da proclamação apostólica.
“Arrependimento”:
μετάνοια — metanoia.
Literalmente, envolve mudança de mente, mas biblicamente alcança mudança de direção, atitude e vida diante de Deus.
“Fé”:
πίστις — pistis,
fé, confiança, fidelidade.
A estrutura é:
arrependimento para com Deus + fé em Jesus Cristo.
O evangelho não é apenas:
“Jesus pode melhorar sua vida.”
É chamado para abandonar o pecado e confiar no Filho de Deus.
CONVERSÃO NÃO É MERA EMOÇÃO
O arrependimento bíblico envolve mudança real.
Atos 26.20 resume a pregação de Paulo:
“que se arrependessem, e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento.”
As obras não compram salvação.
Elas demonstram que o arrependimento não foi apenas verbal.
Atos 20.22 — “LIGADO EU PELO ESPÍRITO”
“Agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém...”
A expressão:
δεδεμένος τῷ πνεύματι — dedemenos tō pneumati,
pode ser entendida como “compelido no espírito” ou “ligado pelo Espírito”, dependendo da interpretação de πνεῦμα — pneuma.
Há discussão sobre se Lucas se refere ao espírito de Paulo ou ao Espírito Santo.
O contexto imediatamente seguinte menciona explicitamente o Espírito Santo (v.23), favorecendo uma forte dimensão de direção espiritual.
Paulo não vai a Jerusalém porque será confortável.
Vai porque entende que está sob obrigação divina.
DIREÇÃO DO ESPÍRITO NÃO SIGNIFICA CAMINHO FÁCIL
Isso é fundamental numa teologia pentecostal equilibrada.
Algumas vezes, pessoas imaginam que ser guiado pelo Espírito significa evitar problemas.
Atos 20 mostra o contrário.
O Espírito conduz Paulo para um caminho em que:
“prisões e tribulações me esperam.”
Portanto:
direção divina não é sinônimo de conforto.
Pode haver perfeita vontade de Deus e grande sofrimento no mesmo caminho.
Atos 20.23 — O ESPÍRITO SANTO ADVERTE
“O Espírito Santo, de cidade em cidade, me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.”
“Testifica” é:
διαμαρτύρομαι — diamartyromai,
testemunhar solenemente, advertir enfaticamente.
O Espírito não está necessariamente dizendo:
“Não vá.”
Está preparando Paulo para aquilo que encontrará.
Isso é uma distinção importante.
Uma advertência profética nem sempre significa proibição.
Às vezes significa preparação.
“PRISÕES E TRIBULAÇÕES”
“Prisões”:
δεσμά — desma,
grilhões, cadeias.
“Tribulações”:
θλίψεις — thlipseis,
pressões, aflições, sofrimentos.
O termo θλῖψις — thlipsis originalmente pode transmitir a ideia de pressão.
Isso descreve bem a vida apostólica.
Paulo carregava um evangelho glorioso sem possuir uma vida confortável.
Atos 20.24 — O VERSÍCULO-CHAVE DO MINISTÉRIO
“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus...”
“Carreira” é:
δρόμος — dromos,
corrida, percurso, trajetória.
Paulo vê a vida cristã como uma corrida determinada por Deus.
Compare com 2 Timóteo 4.7:
“Completei a carreira.”
O mesmo conceito aparece novamente.
“MINISTÉRIO”
A palavra é:
διακονία — diakonia,
serviço, ministério.
Da mesma família vem διάκονος — diakonos, servo, ministro.
Ministério, no sentido neotestamentário, não é principalmente posição.
É serviço recebido de Cristo.
Paulo afirma que recebeu sua diakonia do próprio Senhor Jesus.
Logo, não podia redefini-la segundo preferências pessoais.
“TESTEMUNHAR O EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS”
Essa expressão resume sua missão:
διαμαρτύρασθαι τὸ εὐαγγέλιον τῆς χάριτος τοῦ θεοῦ
“testemunhar solenemente o evangelho da graça de Deus”.
εὐαγγέλιον — euangelion = boas-novas.
χάρις — charis = graça, favor imerecido.
O evangelho não é uma mensagem sobre o ser humano tentando alcançar Deus.
É a notícia de que Deus veio ao encontro do pecador em Cristo.
A GRAÇA NÃO BARATEIA O ARREPENDIMENTO
Atos 20.21 fala de arrependimento.
Atos 20.24 fala de graça.
Essas duas coisas não são opostas.
A graça não diz:
“Permaneça como está.”
A graça diz:
“Cristo morreu e ressuscitou; arrependa-se, creia e receba nova vida.”
Tito 2.11-12 ensina que a graça:
“nos ensina que, renunciando à impiedade... vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente.”
Graça verdadeira é transformadora.
DEVOCIONAL — SEGUNDA
Mateus 10.6-7 — A missão começa com um chamado
“Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel.”
“Ovelhas”:
πρόβατα — probata.
“Perdidas”:
ἀπολωλότα — apolōlota,
de ἀπόλλυμι — apollymi, perder, destruir.
Naquele estágio da missão, Jesus estabelece prioridade histórica para Israel.
Isso não contradiz a missão universal posterior.
O movimento bíblico é:
Israel → nações.
Romanos 1.16 ecoará:
“primeiro do judeu e também do grego.”
Aplicação
Evangelização não começa com estatísticas; começa vendo pessoas como ovelhas necessitadas de Pastor.
TERÇA — Marcos 16.15
O evangelho para toda criatura
“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.”
“Pregai”:
κηρύσσω — kēryssō,
proclamar publicamente como arauto.
O pregador não inventa a mensagem.
O arauto recebe uma mensagem do rei e a anuncia fielmente.
Assim também a Igreja.
Ela não possui autoridade para modificar o evangelho para adaptá-lo à preferência cultural.
QUARTA — Mateus 28.19-20
Fazer discípulos
O verbo principal da Grande Comissão é:
μαθητεύσατε — mathēteusate,
“fazei discípulos”.
Não é suficiente obter decisões momentâneas.
A missão inclui:
evangelizar;
batizar;
ensinar;
formar discípulos.
O substantivo:
μαθητής — mathētēs,
discípulo, aprendiz.
Discípulo é alguém que aprende com Jesus para viver como Jesus ensinou.
“ENSINANDO-OS A GUARDAR”
Mateus 28.20 utiliza:
τηρεῖν — tērein,
guardar, observar, obedecer.
Portanto, discipulado não é apenas transmissão intelectual.
Jesus não disse:
“ensinem tudo que mandei.”
Mas:
“ensinando-os a guardar tudo o que vos tenho mandado.”
O objetivo do ensino é obediência.
QUINTA — 1 Coríntios 1.17-18
A cruz no centro da mensagem
Paulo declara:
“Cristo enviou-me... para evangelizar.”
“Evangelizar”:
εὐαγγελίζω — euangelizō,
anunciar boas-novas.
Ele rejeita a confiança em “sabedoria de palavras” quando isso obscurece a cruz.
1 Coríntios 1.18:
“A palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós... é poder de Deus.”
“Poder”:
δύναμις — dynamis.
O poder do evangelho não está na retórica humana, mas na obra de Deus realizada no Cristo crucificado.
SEXTA — 1 Coríntios 2.4-5
Espírito e poder
“Minha palavra e minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder.”
“Demonstração”:
ἀπόδειξις — apodeixis,
prova, demonstração.
Paulo não está defendendo pregação mal preparada ou anti-intelectual.
Ele próprio argumentava profundamente.
Sua preocupação é que a fé não seja produzida pela manipulação retórica.
A confiança final precisa repousar no poder de Deus.
Para uma leitura pentecostal, esse texto lembra que a proclamação bíblica deve depender da ação do Espírito Santo, sem desprezar estudo, exegese e preparo.
SÁBADO — Tito 1.1-3
Deus confiou sua Palavra à proclamação
Paulo fala:
“manifestou, no tempo próprio, a sua palavra pela pregação que me foi confiada.”
“Tempo próprio”:
καιροῖς ἰδίοις — kairois idiois,
tempos determinados, momentos apropriados.
“Pregação”:
κήρυγμα — kērygma,
proclamação, mensagem anunciada.
Deus decidiu tornar conhecida sua verdade através da proclamação.
Isso concede enorme dignidade e responsabilidade ao ministério da Palavra.
A RELAÇÃO ENTRE ATOS 19 E ATOS 20
Atos 19 mostra a expansão da mensagem.
Atos 20 mostra o caráter do mensageiro.
Em Atos 19:
a Palavra alcança a Ásia.
Em Atos 20:
descobrimos o preço que Paulo pagou para que isso acontecesse.
Houve:
dois anos de ensino;
trabalho contínuo;
lágrimas;
oposição;
pregação pública;
ensino nas casas;
testemunho a judeus e gregos.
Grandes resultados missionários normalmente escondem grande perseverança.
PAULO NÃO MEDIU SUCESSO APENAS POR NÚMEROS
Atos 20.24 revela sua verdadeira medida de sucesso:
“cumprir a carreira e o ministério”.
Paulo não diz:
“quero ser famoso.”
Nem:
“quero construir a maior comunidade da Ásia.”
Sua ambição era:
terminar aquilo que Cristo lhe entregou.
Isso confronta uma visão de ministério baseada em comparação.
Na perspectiva apostólica, sucesso é прежде de tudo fidelidade ao chamado.
CONTRIBUIÇÕES DE AUTORES CRISTÃOS E ACADÊMICOS
F. F. Bruce, em seu comentário de Atos, destaca que o discurso de Mileto é singular porque Paulo fala extensamente a líderes cristãos e descreve tanto sua conduta passada quanto as responsabilidades ministeriais futuras deles. O discurso permite ver de maneira incomum o coração pastoral do apóstolo.
I. Howard Marshall chama atenção para a união entre evangelização e ensino em Atos. Paulo não separava proclamar Cristo de formar discípulos na verdade.
John Stott enfatiza que o ministério paulino em Éfeso foi abrangente: Paulo ensinou publicamente e de casa em casa, dirigiu-se a judeus e gentios e anunciou tudo o que era espiritualmente útil.
Craig Keener observa a importância estratégica de Éfeso como grande centro urbano e de comunicação da Ásia Menor. Isso ajuda a explicar como um ministério concentrado numa cidade poderia irradiar a mensagem para uma região muito maior.
Stanley Horton, numa perspectiva pentecostal, destaca em Atos a iniciativa contínua do Espírito Santo na missão. O crescimento da Igreja não é produzido apenas por planejamento humano, mas pela cooperação obediente dos servos de Deus com a ação do Espírito.
Warren Wiersbe ressalta a dimensão sacrificial do discurso de Paulo: o apóstolo valorizava mais cumprir a missão recebida de Cristo do que preservar sua própria comodidade.
APLICAÇÃO PESSOAL
Atos 20 nos convida primeiro a examinar nossa motivação.
Servimos para sermos reconhecidos ou porque pertencemos ao Senhor?
Segundo, precisamos examinar nossa mensagem.
Estamos anunciando apenas aquilo que agrada ou também aquilo que é “útil”, mesmo quando confronta?
Terceiro, devemos examinar nossa dependência do Espírito.
O verdadeiro ministério cristão une:
Palavra e Espírito;
preparo e dependência;
verdade e poder;
evangelização e discipulado.
Quarto, precisamos repensar nosso conceito de sofrimento. Paulo não interpretou prisões futuras como prova de que havia perdido a direção de Deus.
Finalmente, a pergunta mais importante é:
Estou apenas começando minha carreira cristã ou estou decidido a terminá-la fielmente?
Tabela expositiva — Atos 20.17-24 e a missão da Igreja
Tema
Texto
Palavra grega
Significado
Ensino teológico
Aplicação
Presbítero
At 20.17
πρεσβύτερος (presbyteros)
Ancião, líder
Liderança exige maturidade
Cuide do rebanho com responsabilidade
Servir
At 20.19
δουλεύω (douleuō)
Servir como servo
Ministério pertence ao Senhor
Sirva, não busque status
Humildade
At 20.19
ταπεινοφροσύνη (tapeinophrosynē)
Humildade de mente
Grandeza cristã é serviço
Rejeite orgulho ministerial
Lágrimas
At 20.19
δάκρυα (dakrya)
Lágrimas
Ministério inclui sofrimento
Não confunda dor com fracasso
Recuar
At 20.20
ὑποστέλλω (hypostellō)
Recuar, omitir
O ministro deve anunciar o que é útil
Não esconda verdades difíceis
Arrependimento
At 20.21
μετάνοια (metanoia)
Mudança de mente e direção
Conversão implica abandono do pecado
Arrependa-se verdadeiramente
Fé
At 20.21
πίστις (pistis)
Fé, confiança
Salvação é recebida mediante fé em Cristo
Confie em Jesus
Espírito
At 20.22-23
πνεῦμα (pneuma)
Espírito
O Espírito dirige e prepara
Obedeça mesmo em caminhos difíceis
Tribulação
At 20.23
θλῖψις (thlipsis)
Pressão, aflição
Fidelidade não elimina sofrimento
Persevere
Carreira
At 20.24
δρόμος (dromos)
Corrida, percurso
A vida cristã possui missão
Termine fielmente
Ministério
At 20.24
διακονία (diakonia)
Serviço
Ministério é tarefa recebida de Cristo
Sirva conforme seu chamado
Evangelho
At 20.24
εὐαγγέλιον (euangelion)
Boas-novas
Cristo é o conteúdo da missão
Não substitua o evangelho
Graça
At 20.24
χάρις (charis)
Favor gracioso de Deus
Salvação nasce da graça
Viva em gratidão
Fazer discípulos
Mt 28.19
μαθητεύω (mathēteuō)
Formar discípulos
Missão vai além de decisões
Ensine e acompanhe
Pregar
Mc 16.15
κηρύσσω (kēryssō)
Proclamar como arauto
A mensagem pertence ao Rei
Pregue com fidelidade
Poder
1Co 1.18
δύναμις (dynamis)
Poder
A cruz é poder de Deus
Confie na mensagem da cruz
Síntese bíblico-teológica
A leitura de Atos 20.17-24 mostra que o avanço extraordinário descrito em Atos 19.10 não aconteceu por acaso. Por trás da frase “todos ouviram a mensagem” existia um ministério profundamente comprometido com oração, ensino, lágrimas, evangelização, discipulado, coragem e dependência do Espírito Santo.
O modelo de Paulo pode ser resumido assim:
uma mensagem inegociável,
um coração humilde,
uma vida examinável,
uma missão abrangente,
uma dependência do Espírito
e uma disposição para pagar o preço da fidelidade.
Paulo não considerava sua própria preservação o maior valor. Sua prioridade era:
“cumprir a carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus.”
Essa deve continuar sendo a visão missionária da Igreja. Não fomos chamados apenas para manter reuniões, mas para anunciar o evangelho, formar discípulos e fazer a Palavra do Senhor alcançar pessoas além das paredes da igreja.
O grande desafio não é apenas começar bem. Como Paulo, precisamos desejar chegar ao final podendo dizer: “Completei a carreira, guardei a fé.”
Atos 20.17-24 - A missão de anunciar todo o conselho de Deus com fidelidade
A leitura de Atos 20.17-24 apresenta um dos discursos pastorais mais profundos do livro de Atos. Paulo está a caminho de Jerusalém e manda chamar os presbíteros da igreja de Éfeso. Ele sabe que uma etapa de seu ministério está chegando ao fim e, por isso, abre o coração diante daqueles líderes, recordando como viveu, pregou e serviu entre eles.
O texto revela um ministério marcado por humildade, lágrimas, perseverança, evangelização, ensino público e doméstico, submissão ao Espírito Santo e disposição para sofrer por Cristo.
A mensagem de Atos 19.10 complementa perfeitamente esse quadro: durante dois anos, a Palavra se expandiu a partir de Éfeso até alcançar amplamente a província da Ásia. Paulo não estava apenas formando uma congregação local; estava estabelecendo um centro missionário de irradiação do evangelho.
A MENSAGEM — Atos 19.10
“Todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos.”
A expressão “Palavra do Senhor” é:
ὁ λόγος τοῦ κυρίου — ho logos tou kyriou.
λόγος — lógos pode significar palavra, mensagem, discurso ou proclamação.
Em Atos, essa expressão frequentemente representa a mensagem do evangelho em movimento.
Lucas gosta de apresentar a Palavra como algo que:
cresce;
se multiplica;
se espalha;
vence oposição.
Atos 12.24 declara:
“A palavra de Deus crescia e se multiplicava.”
Atos 19.20 conclui o relato de Éfeso:
“Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.”
Isso mostra que o verdadeiro protagonista missionário de Atos não é apenas Paulo, Pedro ou qualquer outro apóstolo.
É Deus agindo pelo Espírito através da Palavra.
ÉFESO COMO CENTRO MISSIONÁRIO
Atos 19.9-10 informa que Paulo ensinava diariamente na escola de Tirano.
A partir dali, o evangelho alcançou a província da Ásia.
A afirmação de que “todos” ouviram deve ser entendida segundo o uso semítico e narrativo amplo: não significa necessariamente que cada indivíduo sem exceção recebeu pessoalmente uma pregação de Paulo, mas que a mensagem alcançou extensivamente a região.
Provavelmente discípulos treinados em Éfeso levaram a mensagem para outras cidades.
É nesse ambiente que surgem ou se fortalecem igrejas em localidades como:
Colossos;
Laodiceia;
Hierápolis;
possivelmente outras cidades da Ásia Menor.
Isso revela um princípio missionário:
Paulo não centralizava todo o ministério em si mesmo; ele formava pessoas capazes de multiplicar a mensagem.
LEITURA BÍBLICA — ATOS 20.17-24
Atos 20.17 — Paulo chama os presbíteros
“De Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja.”
“Anciãos” traduz:
πρεσβυτέρους — presbyterous,
plural de πρεσβύτερος — presbyteros, presbítero, ancião.
No mesmo discurso, Atos 20.28 utiliza ἐπίσκοποι — episkopoi, supervisores ou bispos, para descrever esses mesmos líderes.
Isso indica que, no contexto apostólico primitivo, os termos “presbítero” e “bispo” descrevem perspectivas complementares do mesmo ministério pastoral:
presbítero enfatiza maturidade e liderança;
bispo/supervisor enfatiza responsabilidade de cuidado e supervisão.
A Igreja não pertence aos líderes.
Ela pertence a Deus.
Os líderes são mordomos do rebanho.
Atos 20.18 — “VÓS BEM SABEIS COMO ME PORTEI”
Paulo começa falando não apenas de sua mensagem, mas de sua maneira de viver:
“Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós.”
Isso é extraordinariamente importante.
O ministério de Paulo podia ser examinado.
Sua mensagem e sua conduta caminhavam juntas.
O verbo relacionado a “estar” ou “viver entre” os irmãos destaca convivência real.
O apóstolo não ministrava de longe.
Ele compartilhava vida.
Isso é uma poderosa teologia pastoral:
o evangelho não é apenas proclamado com a boca; também é demonstrado pela vida.
Atos 20.19 — SERVINDO COM HUMILDADE
“Servindo ao Senhor com toda a humildade e com muitas lágrimas...”
“Servindo” vem de:
δουλεύω — douleuō,
servir como servo, estar sujeito.
A palavra deriva de δοῦλος — doulos, servo.
Paulo entendia sua identidade ministerial primeiramente em relação ao Senhor.
Ele não era dono da missão.
Era servo.
“COM TODA HUMILDADE”
O termo é:
ταπεινοφροσύνη — tapeinophrosynē,
humildade de mente, modéstia, baixa estima de si no sentido correto de não buscar exaltação.
No mundo greco-romano, humildade nem sempre era considerada virtude desejável. O evangelho, porém, ressignifica a grandeza.
Jesus ensinou:
“Quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva” (Mc 10.43).
Ministério cristão não é ascensão de status.
É descida em serviço.
“COM LÁGRIMAS”
Paulo acrescenta:
“e com muitas lágrimas”.
O termo grego é:
δάκρυα — dakrya,
lágrimas.
Isso revela que ministério apostólico não era triunfalismo.
Havia:
dor;
oposição;
frustrações;
preocupação pelas igrejas;
sofrimento pessoal.
Paulo não apresenta lágrimas como sinal de fraqueza espiritual.
Elas convivem com fé, coragem e autoridade.
Um ministério profundamente espiritual pode ser também profundamente emocional.
Atos 20.20 — “NADA QUE ÚTIL SEJA DEIXEI DE VOS ANUNCIAR”
“Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas.”
A expressão “não deixei” envolve o verbo:
ὑποστέλλω — hypostellō,
recuar, retirar-se, evitar por medo.
Paulo está dizendo, em essência:
“não recuei diante daquilo que vocês precisavam ouvir.”
Isso é fidelidade pastoral.
O pregador fiel não pergunta apenas:
“O que as pessoas gostam de ouvir?”
Pergunta:
“O que elas precisam ouvir da Palavra de Deus?”
EVANGELIZAÇÃO PÚBLICA E DOMÉSTICA
Paulo ensinava:
“publicamente e pelas casas”.
No grego:
δημοσίᾳ καὶ κατ᾽ οἴκους — dēmosia kai kat' oikous.
A missão ocorria tanto no espaço público quanto no ambiente doméstico.
Isso demonstra a flexibilidade missionária da Igreja primitiva.
O evangelho não ficava restrito:
ao templo;
à sinagoga;
ao púlpito;
ou a edifícios religiosos.
Ele entrava nas casas.
Atos 20.21 — ARREPENDIMENTO E FÉ
“Testificando tanto a judeus como a gregos a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.”
Aqui aparecem dois pilares da proclamação apostólica.
“Arrependimento”:
μετάνοια — metanoia.
Literalmente, envolve mudança de mente, mas biblicamente alcança mudança de direção, atitude e vida diante de Deus.
“Fé”:
πίστις — pistis,
fé, confiança, fidelidade.
A estrutura é:
arrependimento para com Deus + fé em Jesus Cristo.
O evangelho não é apenas:
“Jesus pode melhorar sua vida.”
É chamado para abandonar o pecado e confiar no Filho de Deus.
CONVERSÃO NÃO É MERA EMOÇÃO
O arrependimento bíblico envolve mudança real.
Atos 26.20 resume a pregação de Paulo:
“que se arrependessem, e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento.”
As obras não compram salvação.
Elas demonstram que o arrependimento não foi apenas verbal.
Atos 20.22 — “LIGADO EU PELO ESPÍRITO”
“Agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém...”
A expressão:
δεδεμένος τῷ πνεύματι — dedemenos tō pneumati,
pode ser entendida como “compelido no espírito” ou “ligado pelo Espírito”, dependendo da interpretação de πνεῦμα — pneuma.
Há discussão sobre se Lucas se refere ao espírito de Paulo ou ao Espírito Santo.
O contexto imediatamente seguinte menciona explicitamente o Espírito Santo (v.23), favorecendo uma forte dimensão de direção espiritual.
Paulo não vai a Jerusalém porque será confortável.
Vai porque entende que está sob obrigação divina.
DIREÇÃO DO ESPÍRITO NÃO SIGNIFICA CAMINHO FÁCIL
Isso é fundamental numa teologia pentecostal equilibrada.
Algumas vezes, pessoas imaginam que ser guiado pelo Espírito significa evitar problemas.
Atos 20 mostra o contrário.
O Espírito conduz Paulo para um caminho em que:
“prisões e tribulações me esperam.”
Portanto:
direção divina não é sinônimo de conforto.
Pode haver perfeita vontade de Deus e grande sofrimento no mesmo caminho.
Atos 20.23 — O ESPÍRITO SANTO ADVERTE
“O Espírito Santo, de cidade em cidade, me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.”
“Testifica” é:
διαμαρτύρομαι — diamartyromai,
testemunhar solenemente, advertir enfaticamente.
O Espírito não está necessariamente dizendo:
“Não vá.”
Está preparando Paulo para aquilo que encontrará.
Isso é uma distinção importante.
Uma advertência profética nem sempre significa proibição.
Às vezes significa preparação.
“PRISÕES E TRIBULAÇÕES”
“Prisões”:
δεσμά — desma,
grilhões, cadeias.
“Tribulações”:
θλίψεις — thlipseis,
pressões, aflições, sofrimentos.
O termo θλῖψις — thlipsis originalmente pode transmitir a ideia de pressão.
Isso descreve bem a vida apostólica.
Paulo carregava um evangelho glorioso sem possuir uma vida confortável.
Atos 20.24 — O VERSÍCULO-CHAVE DO MINISTÉRIO
“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus...”
“Carreira” é:
δρόμος — dromos,
corrida, percurso, trajetória.
Paulo vê a vida cristã como uma corrida determinada por Deus.
Compare com 2 Timóteo 4.7:
“Completei a carreira.”
O mesmo conceito aparece novamente.
“MINISTÉRIO”
A palavra é:
διακονία — diakonia,
serviço, ministério.
Da mesma família vem διάκονος — diakonos, servo, ministro.
Ministério, no sentido neotestamentário, não é principalmente posição.
É serviço recebido de Cristo.
Paulo afirma que recebeu sua diakonia do próprio Senhor Jesus.
Logo, não podia redefini-la segundo preferências pessoais.
“TESTEMUNHAR O EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS”
Essa expressão resume sua missão:
διαμαρτύρασθαι τὸ εὐαγγέλιον τῆς χάριτος τοῦ θεοῦ
“testemunhar solenemente o evangelho da graça de Deus”.
εὐαγγέλιον — euangelion = boas-novas.
χάρις — charis = graça, favor imerecido.
O evangelho não é uma mensagem sobre o ser humano tentando alcançar Deus.
É a notícia de que Deus veio ao encontro do pecador em Cristo.
A GRAÇA NÃO BARATEIA O ARREPENDIMENTO
Atos 20.21 fala de arrependimento.
Atos 20.24 fala de graça.
Essas duas coisas não são opostas.
A graça não diz:
“Permaneça como está.”
A graça diz:
“Cristo morreu e ressuscitou; arrependa-se, creia e receba nova vida.”
Tito 2.11-12 ensina que a graça:
“nos ensina que, renunciando à impiedade... vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente.”
Graça verdadeira é transformadora.
DEVOCIONAL — SEGUNDA
Mateus 10.6-7 — A missão começa com um chamado
“Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel.”
“Ovelhas”:
πρόβατα — probata.
“Perdidas”:
ἀπολωλότα — apolōlota,
de ἀπόλλυμι — apollymi, perder, destruir.
Naquele estágio da missão, Jesus estabelece prioridade histórica para Israel.
Isso não contradiz a missão universal posterior.
O movimento bíblico é:
Israel → nações.
Romanos 1.16 ecoará:
“primeiro do judeu e também do grego.”
Aplicação
Evangelização não começa com estatísticas; começa vendo pessoas como ovelhas necessitadas de Pastor.
TERÇA — Marcos 16.15
O evangelho para toda criatura
“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.”
“Pregai”:
κηρύσσω — kēryssō,
proclamar publicamente como arauto.
O pregador não inventa a mensagem.
O arauto recebe uma mensagem do rei e a anuncia fielmente.
Assim também a Igreja.
Ela não possui autoridade para modificar o evangelho para adaptá-lo à preferência cultural.
QUARTA — Mateus 28.19-20
Fazer discípulos
O verbo principal da Grande Comissão é:
μαθητεύσατε — mathēteusate,
“fazei discípulos”.
Não é suficiente obter decisões momentâneas.
A missão inclui:
evangelizar;
batizar;
ensinar;
formar discípulos.
O substantivo:
μαθητής — mathētēs,
discípulo, aprendiz.
Discípulo é alguém que aprende com Jesus para viver como Jesus ensinou.
“ENSINANDO-OS A GUARDAR”
Mateus 28.20 utiliza:
τηρεῖν — tērein,
guardar, observar, obedecer.
Portanto, discipulado não é apenas transmissão intelectual.
Jesus não disse:
“ensinem tudo que mandei.”
Mas:
“ensinando-os a guardar tudo o que vos tenho mandado.”
O objetivo do ensino é obediência.
QUINTA — 1 Coríntios 1.17-18
A cruz no centro da mensagem
Paulo declara:
“Cristo enviou-me... para evangelizar.”
“Evangelizar”:
εὐαγγελίζω — euangelizō,
anunciar boas-novas.
Ele rejeita a confiança em “sabedoria de palavras” quando isso obscurece a cruz.
1 Coríntios 1.18:
“A palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós... é poder de Deus.”
“Poder”:
δύναμις — dynamis.
O poder do evangelho não está na retórica humana, mas na obra de Deus realizada no Cristo crucificado.
SEXTA — 1 Coríntios 2.4-5
Espírito e poder
“Minha palavra e minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder.”
“Demonstração”:
ἀπόδειξις — apodeixis,
prova, demonstração.
Paulo não está defendendo pregação mal preparada ou anti-intelectual.
Ele próprio argumentava profundamente.
Sua preocupação é que a fé não seja produzida pela manipulação retórica.
A confiança final precisa repousar no poder de Deus.
Para uma leitura pentecostal, esse texto lembra que a proclamação bíblica deve depender da ação do Espírito Santo, sem desprezar estudo, exegese e preparo.
SÁBADO — Tito 1.1-3
Deus confiou sua Palavra à proclamação
Paulo fala:
“manifestou, no tempo próprio, a sua palavra pela pregação que me foi confiada.”
“Tempo próprio”:
καιροῖς ἰδίοις — kairois idiois,
tempos determinados, momentos apropriados.
“Pregação”:
κήρυγμα — kērygma,
proclamação, mensagem anunciada.
Deus decidiu tornar conhecida sua verdade através da proclamação.
Isso concede enorme dignidade e responsabilidade ao ministério da Palavra.
A RELAÇÃO ENTRE ATOS 19 E ATOS 20
Atos 19 mostra a expansão da mensagem.
Atos 20 mostra o caráter do mensageiro.
Em Atos 19:
a Palavra alcança a Ásia.
Em Atos 20:
descobrimos o preço que Paulo pagou para que isso acontecesse.
Houve:
dois anos de ensino;
trabalho contínuo;
lágrimas;
oposição;
pregação pública;
ensino nas casas;
testemunho a judeus e gregos.
Grandes resultados missionários normalmente escondem grande perseverança.
PAULO NÃO MEDIU SUCESSO APENAS POR NÚMEROS
Atos 20.24 revela sua verdadeira medida de sucesso:
“cumprir a carreira e o ministério”.
Paulo não diz:
“quero ser famoso.”
Nem:
“quero construir a maior comunidade da Ásia.”
Sua ambição era:
terminar aquilo que Cristo lhe entregou.
Isso confronta uma visão de ministério baseada em comparação.
Na perspectiva apostólica, sucesso é прежде de tudo fidelidade ao chamado.
CONTRIBUIÇÕES DE AUTORES CRISTÃOS E ACADÊMICOS
F. F. Bruce, em seu comentário de Atos, destaca que o discurso de Mileto é singular porque Paulo fala extensamente a líderes cristãos e descreve tanto sua conduta passada quanto as responsabilidades ministeriais futuras deles. O discurso permite ver de maneira incomum o coração pastoral do apóstolo.
I. Howard Marshall chama atenção para a união entre evangelização e ensino em Atos. Paulo não separava proclamar Cristo de formar discípulos na verdade.
John Stott enfatiza que o ministério paulino em Éfeso foi abrangente: Paulo ensinou publicamente e de casa em casa, dirigiu-se a judeus e gentios e anunciou tudo o que era espiritualmente útil.
Craig Keener observa a importância estratégica de Éfeso como grande centro urbano e de comunicação da Ásia Menor. Isso ajuda a explicar como um ministério concentrado numa cidade poderia irradiar a mensagem para uma região muito maior.
Stanley Horton, numa perspectiva pentecostal, destaca em Atos a iniciativa contínua do Espírito Santo na missão. O crescimento da Igreja não é produzido apenas por planejamento humano, mas pela cooperação obediente dos servos de Deus com a ação do Espírito.
Warren Wiersbe ressalta a dimensão sacrificial do discurso de Paulo: o apóstolo valorizava mais cumprir a missão recebida de Cristo do que preservar sua própria comodidade.
APLICAÇÃO PESSOAL
Atos 20 nos convida primeiro a examinar nossa motivação.
Servimos para sermos reconhecidos ou porque pertencemos ao Senhor?
Segundo, precisamos examinar nossa mensagem.
Estamos anunciando apenas aquilo que agrada ou também aquilo que é “útil”, mesmo quando confronta?
Terceiro, devemos examinar nossa dependência do Espírito.
O verdadeiro ministério cristão une:
Palavra e Espírito;
preparo e dependência;
verdade e poder;
evangelização e discipulado.
Quarto, precisamos repensar nosso conceito de sofrimento. Paulo não interpretou prisões futuras como prova de que havia perdido a direção de Deus.
Finalmente, a pergunta mais importante é:
Estou apenas começando minha carreira cristã ou estou decidido a terminá-la fielmente?
Tabela expositiva — Atos 20.17-24 e a missão da Igreja
Tema | Texto | Palavra grega | Significado | Ensino teológico | Aplicação |
Presbítero | At 20.17 | πρεσβύτερος (presbyteros) | Ancião, líder | Liderança exige maturidade | Cuide do rebanho com responsabilidade |
Servir | At 20.19 | δουλεύω (douleuō) | Servir como servo | Ministério pertence ao Senhor | Sirva, não busque status |
Humildade | At 20.19 | ταπεινοφροσύνη (tapeinophrosynē) | Humildade de mente | Grandeza cristã é serviço | Rejeite orgulho ministerial |
Lágrimas | At 20.19 | δάκρυα (dakrya) | Lágrimas | Ministério inclui sofrimento | Não confunda dor com fracasso |
Recuar | At 20.20 | ὑποστέλλω (hypostellō) | Recuar, omitir | O ministro deve anunciar o que é útil | Não esconda verdades difíceis |
Arrependimento | At 20.21 | μετάνοια (metanoia) | Mudança de mente e direção | Conversão implica abandono do pecado | Arrependa-se verdadeiramente |
Fé | At 20.21 | πίστις (pistis) | Fé, confiança | Salvação é recebida mediante fé em Cristo | Confie em Jesus |
Espírito | At 20.22-23 | πνεῦμα (pneuma) | Espírito | O Espírito dirige e prepara | Obedeça mesmo em caminhos difíceis |
Tribulação | At 20.23 | θλῖψις (thlipsis) | Pressão, aflição | Fidelidade não elimina sofrimento | Persevere |
Carreira | At 20.24 | δρόμος (dromos) | Corrida, percurso | A vida cristã possui missão | Termine fielmente |
Ministério | At 20.24 | διακονία (diakonia) | Serviço | Ministério é tarefa recebida de Cristo | Sirva conforme seu chamado |
Evangelho | At 20.24 | εὐαγγέλιον (euangelion) | Boas-novas | Cristo é o conteúdo da missão | Não substitua o evangelho |
Graça | At 20.24 | χάρις (charis) | Favor gracioso de Deus | Salvação nasce da graça | Viva em gratidão |
Fazer discípulos | Mt 28.19 | μαθητεύω (mathēteuō) | Formar discípulos | Missão vai além de decisões | Ensine e acompanhe |
Pregar | Mc 16.15 | κηρύσσω (kēryssō) | Proclamar como arauto | A mensagem pertence ao Rei | Pregue com fidelidade |
Poder | 1Co 1.18 | δύναμις (dynamis) | Poder | A cruz é poder de Deus | Confie na mensagem da cruz |
Síntese bíblico-teológica
A leitura de Atos 20.17-24 mostra que o avanço extraordinário descrito em Atos 19.10 não aconteceu por acaso. Por trás da frase “todos ouviram a mensagem” existia um ministério profundamente comprometido com oração, ensino, lágrimas, evangelização, discipulado, coragem e dependência do Espírito Santo.
O modelo de Paulo pode ser resumido assim:
uma mensagem inegociável,
um coração humilde,
uma vida examinável,
uma missão abrangente,
uma dependência do Espírito
e uma disposição para pagar o preço da fidelidade.
Paulo não considerava sua própria preservação o maior valor. Sua prioridade era:
“cumprir a carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus.”
Essa deve continuar sendo a visão missionária da Igreja. Não fomos chamados apenas para manter reuniões, mas para anunciar o evangelho, formar discípulos e fazer a Palavra do Senhor alcançar pessoas além das paredes da igreja.
O grande desafio não é apenas começar bem. Como Paulo, precisamos desejar chegar ao final podendo dizer: “Completei a carreira, guardei a fé.”
Objetivos
Ei Professor!
Diante da correria do dia a dia, muitas vezes, focamos mais na realização das atividades e menos em reflexão. Nesta semana, dedique um tempo para refletir em sua trajetória. Analise quais foram os líderes que influenciaram sua vida e seu ministério. Quais foram as lições aprendidas com eles? Quais os exemplos que seus antigos líderes e professores deixaram que valem a pena serem imitados? Reflita também na condição atual do seu ministério: o que você como professor tem aprendido? Examinar esses pontos e anotar suas percepções vai lhe ajudar a se tornar um professor melhor e lhe dará a oportunidade de aperfeiçoamento.
Os conteúdos tem lhe abençoado? Nos abençoe também com Uma Oferta Voluntária de qualquer valor pelo PIX:TEL (11)97828-5171 Seja Um Parceiro Desta Obra. Lucas 6:38
Ponto de Partida
O livro de Atos nos conta que todos os moradores da Ásia ouviram falar de Jesus. Isso é impressionante, não é mesmo? Esse dado mostra o compromisso e o esforço do Apóstolo Paulo e sua equipe em pregar o Evangelho. Compartilhe essa informação com sua turma e pergunte para classe: “como vocês acham que isso aconteceu”. Dê um tempo para que cada aluno compartilhe suas percepções. Em seguida, conduza a reflexão dizendo: “o Espírito Santo guiava esses missionários pelos pontos estratégicos, a fim de que o maior número de pessoas recebesse a salvação. E eles, corajosamente, seguiam a vontade de Deus e anunciavam o Evangelho a toda criatura”..
Vamos Descobrir
Viajaremos com o Apóstolo Paulo pela sua terceira rota missionária. Nesta oportunidade, o missionário foi em um número bem maior de cidades, pois eram diversas igrejas e pessoas para visitar. Alguns imprevistos ocorreram e o Apóstolo precisou ajustar sua programação em determinados momentos. As dificuldades não pararam o Apóstolo, pois o importante para ele era pregar e dar assistência às igrejas.
DINAMICA EXTRA
Comentário de Hubner Braz
Aqui estão três opções excelentes de dinâmicas para a Lição 09 - A Terceira Viagem Missionária da revista de Adolescentes da CPAD. Elas foram pensadas especificamente para a faixa etária, abordando os focos principais da lição: o fortalecimento das igrejas, a formação de novos líderes (discipulado) e a constância na fé.
Opção 1: Dinâmica dos Balões — "Treinando Novos Líderes"
- Foco da Lição: A preocupação de Paulo em formar líderes (como Timóteo e Erasto) para dar continuidade à igreja.
- Material necessário: Balões (bexigas), pedacinhos de papel e bombons/chocolates (opcional).
Como fazer:
- Escreva em pequenos papéis alguns Princípios de Liderança e Constância Cristã (ex: Humildade, Discipulado, Conhecimento da Palavra, Coragem, Oração, Fidelidade).
- Coloque cada papel (e um bombom, se desejar) dentro de um balão e encha-os.
- Distribua os balões para os adolescentes.
- Ao seu sinal, eles devem estourar os balões e ler o princípio que receberam.
- Aplicação Teológica: Explique que, na terceira viagem, Paulo não estava focado apenas em abrir novas igrejas, mas em "encher" e capacitar pessoas. Ele investiu tempo trazendo jovens como Timóteo para perto para ensiná-los a liderar. Questione a classe: Como vocês, como adolescentes, podem começar a se preparar para liderar e servir na igreja hoje?
Opção 2: Dinâmica Corporal — "Formando a Palavra-Chave"
- Foco da Lição: Promover a comunhão, quebrar o gelo e refletir sobre os acontecimentos em Éfeso e Mileto.
- Material necessário: Folhas de papel sulfite com letras grandes desenhadas (letras que formem palavras da lição).
Como fazer:
- Prepare letras impressas ou desenhadas que formem palavras importantes da lição, como: OBREIROS, IGREJA, CONSTÂNCIA, ÉFESO.
- Distribua as letras de forma aleatória para os alunos (se a turma for pequena, dê 2 ou 3 letras para cada um).
- O professor falará uma palavra em voz alta e os adolescentes que estão com as letras daquela palavra devem correr para a frente da sala e se organizar fisicamente em ordem para que todos consigam ler.
- Aplicação Teológica: À medida que cada palavra for formada, faça uma pausa e pergunte à classe o que ela significa no contexto da viagem de Paulo. Por exemplo, ao formar OBREIROS, explique como Paulo reuniu os presbíteros em Mileto para dar suas últimas instruções e admoestações. Mostre que a igreja é um corpo coletivo que só funciona quando todos se unem.
Opção 3: Dinâmica do Mapa — "A Rota da Constância"
- Foco da Lição: Fixar o roteiro geográfico e entender o propósito de Paulo em revisitar e fortalecer as igrejas.
- Material necessário: Duas cartolinas e tiras de papel com os nomes das cidades das três viagens.
Como fazer:
- Divida a sala em duas equipes e entregue uma cartolina para cada uma.
- No centro de cada cartolina, desenhe uma linha do tempo ou use as tiras misturadas com nomes de cidades da 1ª, 2ª e 3ª viagens de Paulo.
- O desafio das equipes é separar e colar corretamente apenas as cidades que fizeram parte da Terceira Viagem Missionária (ex: Éfeso, Filipos, Tessalônica, Bereia, Mileto, Tiro, Jerusalém). Você pode permitir que consultem a Bíblia ou a revista por um tempo limitado.
- Aplicação Teológica: Mostre que a terceira viagem consistiu fundamentalmente em voltar. Paulo não queria apenas novidade, ele queria cuidar de quem já tinha crido e combater falsos ensinos. Ensine aos adolescentes que a vida com Deus não é feita apenas de grandes momentos emocionais, mas da constância de caminhar e fortalecer a fé no dia a dia.
Aqui estão três opções excelentes de dinâmicas para a Lição 09 - A Terceira Viagem Missionária da revista de Adolescentes da CPAD. Elas foram pensadas especificamente para a faixa etária, abordando os focos principais da lição: o fortalecimento das igrejas, a formação de novos líderes (discipulado) e a constância na fé.
Opção 1: Dinâmica dos Balões — "Treinando Novos Líderes"
- Foco da Lição: A preocupação de Paulo em formar líderes (como Timóteo e Erasto) para dar continuidade à igreja.
- Material necessário: Balões (bexigas), pedacinhos de papel e bombons/chocolates (opcional).
Como fazer:
- Escreva em pequenos papéis alguns Princípios de Liderança e Constância Cristã (ex: Humildade, Discipulado, Conhecimento da Palavra, Coragem, Oração, Fidelidade).
- Coloque cada papel (e um bombom, se desejar) dentro de um balão e encha-os.
- Distribua os balões para os adolescentes.
- Ao seu sinal, eles devem estourar os balões e ler o princípio que receberam.
- Aplicação Teológica: Explique que, na terceira viagem, Paulo não estava focado apenas em abrir novas igrejas, mas em "encher" e capacitar pessoas. Ele investiu tempo trazendo jovens como Timóteo para perto para ensiná-los a liderar. Questione a classe: Como vocês, como adolescentes, podem começar a se preparar para liderar e servir na igreja hoje?
Opção 2: Dinâmica Corporal — "Formando a Palavra-Chave"
- Foco da Lição: Promover a comunhão, quebrar o gelo e refletir sobre os acontecimentos em Éfeso e Mileto.
- Material necessário: Folhas de papel sulfite com letras grandes desenhadas (letras que formem palavras da lição).
Como fazer:
- Prepare letras impressas ou desenhadas que formem palavras importantes da lição, como: OBREIROS, IGREJA, CONSTÂNCIA, ÉFESO.
- Distribua as letras de forma aleatória para os alunos (se a turma for pequena, dê 2 ou 3 letras para cada um).
- O professor falará uma palavra em voz alta e os adolescentes que estão com as letras daquela palavra devem correr para a frente da sala e se organizar fisicamente em ordem para que todos consigam ler.
- Aplicação Teológica: À medida que cada palavra for formada, faça uma pausa e pergunte à classe o que ela significa no contexto da viagem de Paulo. Por exemplo, ao formar OBREIROS, explique como Paulo reuniu os presbíteros em Mileto para dar suas últimas instruções e admoestações. Mostre que a igreja é um corpo coletivo que só funciona quando todos se unem.
Opção 3: Dinâmica do Mapa — "A Rota da Constância"
- Foco da Lição: Fixar o roteiro geográfico e entender o propósito de Paulo em revisitar e fortalecer as igrejas.
- Material necessário: Duas cartolinas e tiras de papel com os nomes das cidades das três viagens.
Como fazer:
- Divida a sala em duas equipes e entregue uma cartolina para cada uma.
- No centro de cada cartolina, desenhe uma linha do tempo ou use as tiras misturadas com nomes de cidades da 1ª, 2ª e 3ª viagens de Paulo.
- O desafio das equipes é separar e colar corretamente apenas as cidades que fizeram parte da Terceira Viagem Missionária (ex: Éfeso, Filipos, Tessalônica, Bereia, Mileto, Tiro, Jerusalém). Você pode permitir que consultem a Bíblia ou a revista por um tempo limitado.
- Aplicação Teológica: Mostre que a terceira viagem consistiu fundamentalmente em voltar. Paulo não queria apenas novidade, ele queria cuidar de quem já tinha crido e combater falsos ensinos. Ensine aos adolescentes que a vida com Deus não é feita apenas de grandes momentos emocionais, mas da constância de caminhar e fortalecer a fé no dia a dia.
Hora de Aprender
Passado algum tempo em Antioquia da Síria, após a segunda viagem missionária, Paulo percorreu a Ásia Menor e a Europa. Ele visitou igrejas que já existiam, para ensinar e fortalecer a fé dos irmãos (At 18.23) e consolidar a liderança. Vemos que o Apóstolo não só plantava igrejas, mas também acompanhava o crescimento delas. Ele ensinava, dava assistência e preparava a nova liderança
I – A ROTA DA TERCEIRA VIAGEM
Na terceira viagem, Paulo segue o plano original da segunda viagem (visitar, na Ásia, às igrejas que fundou na primeira viagem com Barnabé). Ele, então, cruzou as regiões da Ásia Menor – Pisídia, Galácia e Frigia – até chegar a Éfeso (At 18.23; 19.1). Dali, foi para Macedônia e Acaia, na Europa (At 20.1,2). Já o retorno começou pelas cidades macedônias: Bereia, Tessalônica e Filipos. E continuou pelas cidades de Trôade, Assôs, Mitilene, Mileto, Rodes e Pátara (At 21.1,2). Então, desembarcou em Tiro, passou por Ptolemaida e seguiu para Cesaréia (At 21.7,8), chegando, por fim, em Jerusalém.
1- As atividades missionárias do Apóstolo.
A Bíblia nos relata que todos os moradores da Ásia Menor, tanto judeus como gentios, ouviram o Evangelho por meio de Paulo, que contava com a ajuda de Timóteo e Erasto (At 19.10, 22). Através de suas visitas, ou pelo contato com outros irmãos igualmente atuantes na obra de Deus, Paulo ficava sabendo das necessidades das igrejas e fazia algo para ajudar. Por exemplo, quando estava em Éfeso, Paulo foi informado dos problemas da igreja de Corinto. E, por isso, escreveu uma dura carta aos coríntios e avisou que iria visitá-los (1 Co 16.5-8). Ao sair de Éfeso, de passagem por Trôade, Paulo esperava encontrar Tito para saber dos irmãos em Corinto e dos desdobramentos que sua instrução teve na igreja.
Porém, isso não foi possível (2 Co 2.13). Somente algum tempo depois, o missionário encontrou Tito e recebeu as notícias de Corinto (2 Co 7.5-7). E, assim, Paulo escreveu outra carta aos coríntios. Seguindo sua rota, partindo da Macedônia, Paulo seguiu para Corinto e Grécia, realizando uma parada de três meses (At 20.2). Nesse momento, ele escreveu a Carta aos Romanos, irmãos que ele ainda não conhecia. A intenção de Paulo era retornar para Antioquia da Síria, partindo da Grécia, mas uma conspiração de alguns judeus contra a vida do Apóstolo alterou seu plano (At 20.3). Por isso, ele voltou pela Macedônia. Assim, passou a festa da Páscoa em Filipos (At 20.6) e de lá navegou para Troâde.
Então, cruzou a costa da Ásia Menor. Paulo tinha pressa de chegar em Jerusalém, a tempo do dia de Pentecostes (At 20.16), celebrado 50 dias depois da Páscoa. Assim, fez paradas rápidas por onde passava. Ele levava o dinheiro dos irmãos de Corinto para ajudar à igreja de Jerusalém e isso era uma grande responsabilidade (1 Co 16.3; Rm 15.25-27) que ele conseguiu concluir com êxito (At 21.17).
I- AUXÍLIO DIDÁTICO
A produção de cartas com instrução teológica foi um marco no ministério do Apóstolo Paulo. Durante esta terceira viagem missionária, ele escreveu duas importantes cartas para a Igreja em Corinto, que hoje compõem o Novo Testamento. “A sequência desses contatos e o contexto em que 2 Coríntios foi escrito são os seguintes:
(1) Depois de alguns contatos e correspondência inicial entre Paulo e a igreja (e.g. 1 Co 1.1; 5.9; 7.1), ele escreveu 1 Coríntios, de Éfeso, (primavera de 55 ou 56 d.C.).
(2) Em seguida, ele fez uma viagem a Corinto, cruzando o mar Egeu, para tratar de problemas surgidos na igreja. Essa visita, no período entre 1 e 2 Coríntios (cf. 13.1,2), foi espinhosa para Paulo e para a congregação (2.1,2).
(3) Depois dessa visita afanosa, informes chegaram a Paulo em Éfeso de que seus adversários estavam atacando a sua autoridade apostólica em Corinto, tentando persuadir uma parte da igreja a rejeitá-lo.
(4) Respondendo, Paulo escreveu 2 Coríntios, na Macedônia (outono de 55 ou 56 d.C).
(5) Pouco depois, Paulo viajou outra vez a Corinto (13.1), permanecendo ali cerca de três meses (cf. At 20.1-3a). Foi ali que escreveu a Epístola aos Romanos’’ (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1768).
II- A FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS
A despedida deles foi comovente: “Quando Paulo acabou de falar, ajoelhou-se com os irmãos e orou. Então todos choraram muito e abraçaram e beijaram Paulo. Estavam tristes, especialmente porque ele lhes tinha dito que nunca mais iam vê-lo. Então eles o acompanharam até o navio” (At 20.36-38). Paulo tinha sido “o pai na fé” daquelas pessoas e um amigo, mas era hora de partir. A igreja ali estava preparada para continuar servindo ao Senhor, sob a coordenação de novos líderes.
II- AUXÍLIO DIDÁTICO
Vamos conhecer um pouco mais sobre o colaborador de Paulo chamado Erasto? “Erasmo de Romanos 16.23 era um tesoureiro ou procurador da cidade de Corinto, que enviou saudações aos cristãos em Roma. Ele parece ser o mesmo mencionado, muito mais tarde, em 2 Timóteo 4.20, como permanecendo em Corinto […]. Ele é mencionado como alguém que ministrou especificamente a Paulo, e pode tê-lo seguido de Corinto a Éfeso a fim de ajudá-lo ali. Uma inscrição latina escavada em um bloco de pavimento de pedra perto do teatro de Corinto, afirma que por ter recebido a posição de aedile (tesoureiro) Erasto colocou este pavimento a suas próprias custas” (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.659).
III – O DESFECHO DA TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA
Sensível à voz do Espírito Santo, Paulo percebeu que seu trabalho na Ásia Menor, Macedônia e Acaia estava terminando (At 19.21,22). O Apóstolo esforçou-se para formar uma liderança sólida nesses lugares. Ele queria garantir que as igrejas estivessem bem estabelecidas (1 Co 16.13) para continuarem adorando a Deus e fazendo o trabalho missionário. As perseguições contra ele e as tentativas de matá-lo estavam cada vez mais intensas (At 20.3). E ele sentia que precisava pregar o Evangelho onde havia oportunidade (1 Co 16.8,9). Lucas aponta que, conforme a viagem chegava ao fim, em Tiro e Cesaréia, os irmãos e as irmãs temiam pela vida de Paulo e o alertavam para ele não ir a Jerusalém porque ele seria preso lá (At 21.4,11,12).
Porém, o Apóstolo estava decidido a ir para Jerusalém de qualquer forma (At 21.13,14). Paulo sabia que se iniciaria outra fase em sua vida e seu ministério e, qualquer que fosse ela, Deus estava no controle. Ele era um homem obediente a Deus e comprometido com Sua causa. Mesmo consciente do sofrimento que o esperava em Jerusalém, não parou pelo caminho e não pensou em mudar a rota Ele foi até o fim (2 Tm 4.7)
III- AUXÍLIO TEOLÓGICO
Em Atos 20.22 temos registradas as seguintes palavras de Paulo:” Agora eu vou para Jerusalém, obedecendo ao Espírito Santo, sem saber o que vai me acontecer lá”. O verbo “obedecer”, do trecho “obedecendo ao Espírito Santo” (At 20.22), traduz a palavra grega de menos, do verbo deo, “Ligar, obrigar moralmente”. “O Espírito Santo havia comunicado a vontade de Deus ao apóstolo, com o resultado de que Paulo era agora obrigado a ir a Jerusalém. Apesar da dor de partir, e da incerteza que encobre o futuro, o apóstolo permanece firmemente comprometido em fazer a vontade de Deus” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário histórico-cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, p. 282).
CONCLUSÃO
Nessa viagem, Paulo circulou pelas igrejas para rever os irmãos. Foi um tempo de reforço do ensino sobre as Escrituras, formação de lideranças e despedida. O Apóstolo caminhava com Deus e estava atento ao que o Senhor estava lhe dizendo e para onde o estava conduzindo. E, por isso, não tinha medo do futuro.. Ele foi até o fim (2 Tm 4.7).
VAMOS PRATICAR
1- Enumere em ordem as cidades por onde Paulo passou no retorno de sua terceira viagem missionária:
2- Em Mileto, o Apóstolo Paulo fez uma reunião com os líderes. De onde eram esses Líderes?
Pense Nisso
O trabalho missionário não parou na época de Paulo. Até hoje centenas de pessoas deixam suas casas, empregos, famílias e amigos para viajar para terras desconhecidas, para anunciar a Cristo. Você pode imaginar a grandeza desta missão?! Os missionários enfrentam muitos desafios e dificuldades, por isso, nós precisamos apoiá-los com recursos e orações.
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