ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA Em Ezequiel 1 há 28 versos, sugerimos começar a aula lendo, com os alunos, Ezequiel 1.1-14, 26-26 (5 a 7 min.). A revi...
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Em Ezequiel 1 há 28 versos, sugerimos começar a aula lendo, com os alunos, Ezequiel 1.1-14, 26-26 (5 a 7 min.). A revista funciona como guia de estudo e leitura complementar, mas não substitui a leitura da Bíblia.
Professor(a), é crucial que você ajude os alunos a compreenderem o contexto do exílio babilônico, um tempo de crise e aparente abandono. O ponto central da sua abordagem deve ser enfatizar a soberania de Deus, que se revela de forma majestosa na visão inaugural de Ezequiel. Mostre à classe que, mesmo longe do Templo, Deus não está limitado a um lugar e continua no controle de tudo. Conecte essa soberania à verdade de que Deus disciplina seu povo; o cativeiro não foi um acidente, mas uma ação divina para corrigir a rebeldia de Israel, Por fim, estimule a turma a adorar a Deus pela sua majestade, inspirando-se na reação do próprio profeta que, ao contemplar a glória do Senhor, prostrou-se em total reverência.
OBJETIVOS
Enfatizar a soberania de Deus.
Saber que Deus disciplina seu povo.
Adorar a Deus pela sua majestade.
PARA COMEÇAR A AULA
Inicie perguntando aos alunos qual foi a coisa mais impressionante ou grandiosa que já viram (um fenômeno da natureza, uma obra de arte, etc.) e que os deixou sem palavras. Use as respostas para criar uma relação com a experiência de Ezequiel. Explique que a aula de hoje é sobre uma visão tão majestosa que mal podia ser descrita com palavras, uma visão que revela a glória de um Deus que está presente e no controle, mesmo nos momentos mais difíceis.
LEITURA ADICIONAL
EZEQUIEL, O HOMEM
Ezequiel era o filho de Buzi; era um sacerdote, e provavelmente filho de um sacerdote. Foi levado para o cativeiro em 597 a.C., quando os exércitos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, tomaram Jerusalém depois de um breve cerco. Com o jovem rei Joaquim e “todos os príncipes, todos os homens valentes, todos os artífices e ferreiros” (2 Rs 24,14), foi removido do Templo, que haveria de ser sua vida, e estabelecido nas planícies poeirentas da Babilônia. No quinto ano do seu exílio, i.é, 593 a.C, veio a ele a chamada de Deus para exercer um ministério profético dirigido à casa de Israel. Se temos razão para pensar que o “trigésimo ano” referido em 1.1 era o seu trigésimo ano de idade, segue-se que Ezequiel era um homem jovem, com vinte e tantos anos, quando começou o exílio, e isto deixaria espaço para o período considerável durante o qual se estendeu seu ministério. A data mais avançada que é atribuída a um dos seus oráculos é o vigésimo-sétimo ano do exílio (29.17), e isto o levaria até a idade de 52 anos. Nada se sabe da sua vida à parte daquilo que é contido no livro que leva seu nome, nem existe tradição alguma que nos diga onde ou como morreu. Sabemos que era casado, e que sua esposa morreu na ocasião da queda de Jerusalém (24: 18). Era um homem de influência, sendo consultado pelos anciãos entre os exilados (8.1; 20.1); e embora isto talvez se deva ao seu ministério profético e à reputação que rapidamente adquiriu, é igualmente provável que seja atribuível à sua posição social herdada do seu pai, Buzi. Livro: “Ezequiel: introdução e comentário” (John B. Taylor. Edições Vida Nova: Mundo Cristão, 1984, p. 20-21).
TEXTO ÁUREO
E aconteceu no trigésimo ano, no quarto mês, no quinto dia do mês, que estando eu no meio dos cativos, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus. Ezequiel 1:1
Leitura Bíblica Com Todos : Ezequiel 1.1-14, 26-28
Verdade Prática
Deus é Santo e Justo. Ele não deixa o pecado sem punição, mas sempre oferece restauração e recomeço aos que se arrependem.
COMENTARIO EXTRA
Comentário de Hubner Braz
1. Contexto histórico e teológico do livro
Ezequiel profetiza entre os exilados na Babilônia, por volta de 593 a.C., após a primeira deportação de Judá (597 a.C.). O profeta é sacerdote (Ez 1.3), o que explica a ênfase na santidade, glória e ordem divina.
Teologicamente, Ezequiel responde a uma crise central:
“Deus ainda está conosco, mesmo fora de Jerusalém?”
A resposta do capítulo 1 é clara e poderosa:
👉 A glória de Deus não está presa ao Templo.
👉 YHWH reina soberano até no exílio.
2. Comentário exegético e teológico do texto
📖 Ezequiel 1.1 – “Abriram-se os céus, e eu tive visões de Deus”
- “Abriram-se os céus”
Hebraico: נִפְתְּחוּ הַשָּׁמַיִם (niftĕḥû haššāmayim)
→ Expressão usada para indicar iniciativa soberana da revelação divina (cf. Gn 28.12; Is 64.1). - “Visões de Deus”
Hebraico: מַרְאוֹת אֱלֹהִים (marʾôt ʾĕlōhîm)
→ Não são sonhos subjetivos, mas teofanias revelatórias, experiências reais de comunicação divina.
📌 Teologia:
Deus se revela no exílio, quebrando a falsa teologia de que Sua presença dependia do território de Israel.
📌 Aplicação:
Deus continua falando mesmo em contextos de dor, perda e deslocamento espiritual.
📖 Ezequiel 1.4–5 – O vento, o fogo e os seres viventes
- “Um vento tempestuoso”
Hebraico: רוּחַ סְעָרָה (rûaḥ seʿārāh)
→ A rûaḥ pode significar vento, espírito ou ação dinâmica de Deus. - Fogo e resplendor
Elementos clássicos da teofania (Êx 3; Êx 19). - “Quatro seres viventes”
Hebraico: חַיּוֹת (ḥayyôt)
→ Posteriormente identificados como querubins (Ez 10.15).
📌 Teologia:
Os querubins simbolizam:
- Santidade
- Vigilância
- Governo divino
📌 Aplicação:
Deus governa com ordem, poder e santidade, mesmo quando o caos parece dominar.
📖 Ezequiel 1.10 – As quatro faces
- Homem
- Leão
- Boi
- Águia
Essas faces representam:
- Humanidade (inteligência, razão)
- Realeza (leão)
- Força e serviço (boi)
- Soberania celestial (águia)
📌 Teologia:
Toda a criação está sob o governo do trono de Deus.
📌 Aplicação:
Nada foge à soberania divina: nem poderes políticos, nem forças espirituais.
📖 Ezequiel 1.26 – O trono e a semelhança humana
- “Semelhança de um trono”
Hebraico: כְּמַרְאֵה כִּסֵּא (kĕmarʾēh kissēʾ) - “Semelhança de homem”
Hebraico: דְּמוּת כְּמַרְאֵה אָדָם (dĕmût kĕmarʾēh ʾādām)
📌 Teologia Cristológica:
A tradição cristã vê aqui uma antecipação da encarnação, pois Deus se revela em forma acessível ao ser humano (cf. Jo 1.14; Cl 1.15).
📌 Aplicação:
Deus é transcendente, mas escolhe se revelar de modo relacional.
📖 Ezequiel 1.27–28 – A glória do Senhor
- “Glória do Senhor”
Hebraico: כְּבוֹד־יְהוָה (kĕvôd-YHWH)
→ Kavod carrega a ideia de peso, majestade, presença manifesta. - Arco-íris
Remete à aliança com Noé (Gn 9), sinal de misericórdia em meio ao juízo.
📌 Teologia:
Mesmo sendo Santo e Justo, Deus não abandona Sua aliança.
📌 Aplicação:
O juízo nunca é o fim da história para quem se arrepende.
3. Verdade Prática – Fundamentação teológica
“Deus é Santo e Justo. Ele não deixa o pecado sem punição, mas sempre oferece restauração e recomeço aos que se arrependem.”
Ezequiel 1 revela:
- Um Deus Santo → não relativiza o pecado.
- Um Deus Justo → governa com retidão.
- Um Deus Presente → acompanha seu povo no exílio.
- Um Deus Restaurador → a glória volta a se manifestar.
📌 O livro terminará com a promessa:
“O Senhor está ali” (YHWH Shammah – Ez 48.35).
4. Aplicação pessoal e pastoral
- Mesmo no exílio espiritual, Deus continua falando
- A glória de Deus não está presa a estruturas humanas
- O arrependimento abre caminho para restauração
- Deus governa com santidade, mas age com misericórdia
- Nossa esperança não está no lugar, mas na presença de Deus
5. Tabela Expositiva – Ezequiel 1.1–14, 26–28
Texto
Elemento
Análise Hebraica
Ênfase Teológica
Aplicação
Ez 1.1
Céus abertos
niftĕḥû
Revelação soberana
Deus fala em qualquer contexto
Ez 1.4
Vento e fogo
rûaḥ, ʾēš
Santidade e juízo
Deus age com poder
Ez 1.5–10
Seres viventes
ḥayyôt
Governo cósmico
Deus reina sobre tudo
Ez 1.26
Trono
kissēʾ
Soberania divina
Deus continua no controle
Ez 1.27–28
Glória
kavod
Presença e aliança
Esperança e restauração
1. Contexto histórico e teológico do livro
Ezequiel profetiza entre os exilados na Babilônia, por volta de 593 a.C., após a primeira deportação de Judá (597 a.C.). O profeta é sacerdote (Ez 1.3), o que explica a ênfase na santidade, glória e ordem divina.
Teologicamente, Ezequiel responde a uma crise central:
“Deus ainda está conosco, mesmo fora de Jerusalém?”
A resposta do capítulo 1 é clara e poderosa:
👉 A glória de Deus não está presa ao Templo.
👉 YHWH reina soberano até no exílio.
2. Comentário exegético e teológico do texto
📖 Ezequiel 1.1 – “Abriram-se os céus, e eu tive visões de Deus”
- “Abriram-se os céus”
Hebraico: נִפְתְּחוּ הַשָּׁמַיִם (niftĕḥû haššāmayim)
→ Expressão usada para indicar iniciativa soberana da revelação divina (cf. Gn 28.12; Is 64.1). - “Visões de Deus”
Hebraico: מַרְאוֹת אֱלֹהִים (marʾôt ʾĕlōhîm)
→ Não são sonhos subjetivos, mas teofanias revelatórias, experiências reais de comunicação divina.
📌 Teologia:
Deus se revela no exílio, quebrando a falsa teologia de que Sua presença dependia do território de Israel.
📌 Aplicação:
Deus continua falando mesmo em contextos de dor, perda e deslocamento espiritual.
📖 Ezequiel 1.4–5 – O vento, o fogo e os seres viventes
- “Um vento tempestuoso”
Hebraico: רוּחַ סְעָרָה (rûaḥ seʿārāh)
→ A rûaḥ pode significar vento, espírito ou ação dinâmica de Deus. - Fogo e resplendor
Elementos clássicos da teofania (Êx 3; Êx 19). - “Quatro seres viventes”
Hebraico: חַיּוֹת (ḥayyôt)
→ Posteriormente identificados como querubins (Ez 10.15).
📌 Teologia:
Os querubins simbolizam:
- Santidade
- Vigilância
- Governo divino
📌 Aplicação:
Deus governa com ordem, poder e santidade, mesmo quando o caos parece dominar.
📖 Ezequiel 1.10 – As quatro faces
- Homem
- Leão
- Boi
- Águia
Essas faces representam:
- Humanidade (inteligência, razão)
- Realeza (leão)
- Força e serviço (boi)
- Soberania celestial (águia)
📌 Teologia:
Toda a criação está sob o governo do trono de Deus.
📌 Aplicação:
Nada foge à soberania divina: nem poderes políticos, nem forças espirituais.
📖 Ezequiel 1.26 – O trono e a semelhança humana
- “Semelhança de um trono”
Hebraico: כְּמַרְאֵה כִּסֵּא (kĕmarʾēh kissēʾ) - “Semelhança de homem”
Hebraico: דְּמוּת כְּמַרְאֵה אָדָם (dĕmût kĕmarʾēh ʾādām)
📌 Teologia Cristológica:
A tradição cristã vê aqui uma antecipação da encarnação, pois Deus se revela em forma acessível ao ser humano (cf. Jo 1.14; Cl 1.15).
📌 Aplicação:
Deus é transcendente, mas escolhe se revelar de modo relacional.
📖 Ezequiel 1.27–28 – A glória do Senhor
- “Glória do Senhor”
Hebraico: כְּבוֹד־יְהוָה (kĕvôd-YHWH)
→ Kavod carrega a ideia de peso, majestade, presença manifesta. - Arco-íris
Remete à aliança com Noé (Gn 9), sinal de misericórdia em meio ao juízo.
📌 Teologia:
Mesmo sendo Santo e Justo, Deus não abandona Sua aliança.
📌 Aplicação:
O juízo nunca é o fim da história para quem se arrepende.
3. Verdade Prática – Fundamentação teológica
“Deus é Santo e Justo. Ele não deixa o pecado sem punição, mas sempre oferece restauração e recomeço aos que se arrependem.”
Ezequiel 1 revela:
- Um Deus Santo → não relativiza o pecado.
- Um Deus Justo → governa com retidão.
- Um Deus Presente → acompanha seu povo no exílio.
- Um Deus Restaurador → a glória volta a se manifestar.
📌 O livro terminará com a promessa:
“O Senhor está ali” (YHWH Shammah – Ez 48.35).
4. Aplicação pessoal e pastoral
- Mesmo no exílio espiritual, Deus continua falando
- A glória de Deus não está presa a estruturas humanas
- O arrependimento abre caminho para restauração
- Deus governa com santidade, mas age com misericórdia
- Nossa esperança não está no lugar, mas na presença de Deus
5. Tabela Expositiva – Ezequiel 1.1–14, 26–28
Texto | Elemento | Análise Hebraica | Ênfase Teológica | Aplicação |
Ez 1.1 | Céus abertos | niftĕḥû | Revelação soberana | Deus fala em qualquer contexto |
Ez 1.4 | Vento e fogo | rûaḥ, ʾēš | Santidade e juízo | Deus age com poder |
Ez 1.5–10 | Seres viventes | ḥayyôt | Governo cósmico | Deus reina sobre tudo |
Ez 1.26 | Trono | kissēʾ | Soberania divina | Deus continua no controle |
Ez 1.27–28 | Glória | kavod | Presença e aliança | Esperança e restauração |
INTRODUÇÃO
I- O LIVRO 1.1-4
1- Estilo e contexto histórico 1.1
2- O objetivo 1.3
3- Temas centrais 1.4
II- A VISÃO DA GLÓRIA DE DEUS 1.5-25
1- Os seres viventes 1.5
2- As rodas 1.16
3- O firmamento e o trono 1.26
III- OS SIGNIFICADOS DA VISÃO 1.28
1- A presença de Deus 1.26
2- A glória de Deus 1.28a
3- A soberania de Deus 1.28b
APLICAÇÃO PESSOAL
INTRODUÇÃO
O livro de Ezequiel é um dos mais singulares de toda a Escritura. Escrito em meio ao exílio babilônico, em 592 a.C, reúne mensagens de juízo e de esperança, marcadas por visões extraordinárias e atos simbólicos carregados de significado espiritual. Enquanto Isaías pregara antes do exílio e Jeremias durante os últimos dias de Jerusalém, Ezequiel exerceu seu ministério no coração da Babilônia, junto aos deportados, revelando que o Deus de Israel não estava limitado a um templo ou a uma terra, mas permanecia soberano e presente mesmo no estrangeiro.
I- O LIVRO (1.1-4)
O título do livro deriva do nome do profeta, que é em hebraico Yehezqe’, traduzido como Ezequiel, e que significa “Deus fortalece”.
1- Estilo e contexto histórico (1.1) Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.
O estilo literário deste profeta chama a atenção por ser marcado por um impacto visual fora do comum. Ezequiel foi o profeta que mais se valeu de recursos audiovisuais. Ele menciona nove visões, várias ações simbólicas, provérbios e alegorias. O livro de Ezequiel está imerso no cativeiro babilônico, um período de profunda crise nacional para Judá. Ezequiel é um profeta no exílio. Tinha mais ou menos a mesma idade de Daniel. Jeremias já devia ter mais de 50 anos quando Ezequiel é chamado para ser profeta e Isaías havia morrido uns 80 anos antes. Ezequiel estava com 25 anos de idade (em 597 a.C.) quando foi levado preso a Babilônia (seu ministério se inicia 5 anos depois) junto a 10.000 nobres (artífices, ferreiros) e os tesouros do templo e do palácio real (2Rs 24.13-16). Alguns dos deportados foram colocados em prisões, outros foram feitos escravos; mas à maioria foi permitido morar em suas próprias casas, em colônias judaicas (Jr 29.5). Ezequiel recebeu esta liberdade, estabelecendo-se em Tel-Abibe, localidade a cerca de 80 quilômetros a sudeste da Babilônia, junto ao rio Quebar (um grande canal do rio Eufrates que corria em volta da cidade). Ali, sua casa tornou-se um lugar de reuniões aonde os judeus vinham consultar a Deus (Ez 8.1;14.1).
2- O objetivo (1.3) Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do Senhor
O objetivo divino através do ministério de Ezequiel era duplo: a) Promover arrependimento e fé através do aviso de julgamento iminente sobre Jerusalém e demais nações; b) Estimular a esperança e confiança com a mensagem posterior de que um dia o povo seria novamente reunido, a cidade restaurada e um novo templo construído. A primeira mensagem foi enfatizada durante os seis primeiros anos do ministério de Ezequiel (592- 586). Ele afirmou que Jerusalém seria destruída, a Babilônia não cairia rapidamente (como diziam os falsos profetas) e o Egito era uma falsa esperança de auxílio, pois também seria conquistado pela Babilônia (29.6,7). Depois da queda de Jerusalém Ezequiel tornou-se o profeta da esperança e do otimismo, dando ao povo uma descrição detalhada da futura glória da nação e assim evitando que o povo se estabelecesse em definitivo na próspera Babilônia, e se esquecesse de Jerusalém.
3- Temas centrais (1.4) Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do Norte, e uma grande nuvem, com fogo a revolver-se, e resplendor ao redor dela, e no meio disto, uma coisa como metal brilhante, que saía do meio do fogo.
O tema central do livro é a glória do Senhor. Desde a sua aparição em um trono sobre rodas (cap 1) até o seu retorno ao templo restaurado (cap 43) o tema cobre todo o livro. A visão da glória do Senhor é contraposta com a decadência espiritual da nação, razão pela qual Deus (sua glória) está se afastando. Ezequiel também tem uma ênfase especial na responsabilidade individual (18.1- 4), rejeitando a ideia de que os filhos pagam pelos pecados dos pais, Ezequiel também proclamou uma mensagem de esperança pela qual, ressalta a soberania de Deus na história. Deus julga as nações, Israel e até indivíduos deixando claro o quanto é distinto dos ídolos das nações. Mesmo assim, o tema da restauração está presente.
COMENTARIO EXTRA
Comentário de Hubner Braz
INTRODUÇÃO – A TEOLOGIA DO EXÍLIO EM EZEQUIEL
O livro de Ezequiel ocupa lugar singular no cânon profético por unir mensagem sacerdotal, linguagem simbólica e visões teofânicas em um contexto de ruptura histórica: o exílio babilônico. Diferente de Isaías (pré-exílico) e Jeremias (testemunha da queda de Jerusalém), Ezequiel é o profeta do cativeiro, levantado por Deus para afirmar que a soberania divina transcende território, templo e estrutura política.
Teologicamente, Ezequiel responde a três crises:
- Crise da presença de Deus – “Deus ainda está conosco?”
- Crise da justiça divina – “Por que fomos punidos?”
- Crise da esperança futura – “Ainda há restauração?”
A resposta profética vem por meio da revelação da glória do Senhor (כְּבוֹד־יְהוָה, kĕvôd YHWH), que se manifesta não em Jerusalém, mas na Babilônia.
I – O LIVRO (Ez 1.1–4)
1. Estilo e contexto histórico (Ez 1.1)
“Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.”
📌 Análise exegética
- “Trigésimo ano”
Provavelmente refere-se à idade sacerdotal de Ezequiel (cf. Nm 4.3), indicando que ele é chamado por Deus quando deveria iniciar o serviço no templo, agora inexistente para ele. - “Exilados”
Hebraico: גּוֹלָה – gôlâ
→ Comunidade deslocada, vivendo sob juízo, mas ainda alvo da aliança. - “Abriram-se os céus”
Hebraico: נִפְתְּחוּ הַשָּׁמַיִם – niftĕḥû haššāmayim
→ Expressão técnica de revelação divina soberana, sem mediação humana. - “Visões de Deus”
Hebraico: מַרְאוֹת אֱלֹהִים – marʾôt ʾĕlōhîm
→ Visões teofânicas reais, não imaginação subjetiva.
📌 Teologia do texto
Deus não está em silêncio no exílio. Pelo contrário, o cativeiro se torna palco da revelação mais detalhada da glória divina no Antigo Testamento.
📌 Aplicação pessoal
Mesmo quando planos são interrompidos, Deus pode inaugurar um chamado mais profundo e eficaz.
2. O objetivo do livro (Ez 1.3)
“Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote…”
📌 Análise exegética
- “Veio expressamente”
Hebraico: הָיֹה הָיָה – hayôh hayāh
→ Forma enfática: “a palavra veio de modo incontestável”. - “A mão do Senhor esteve sobre ele”
Hebraico: יַד־יְהוָה – yad YHWH
→ Símbolo de autoridade, capacitação e controle profético.
📌 Teologia do objetivo
O ministério de Ezequiel tem dois eixos:
a) Juízo (592–586 a.C.)
- Chamado ao arrependimento
- Denúncia da falsa esperança política e religiosa
b) Esperança (pós-586 a.C.)
- Restauração nacional
- Renovação espiritual
- Novo templo e nova presença
📌 Aplicação pessoal
Deus disciplina, mas nunca abandona; corrige para restaurar.
3. Temas centrais (Ez 1.4)
“Um vento tempestuoso vinha do Norte…”
📌 Análise das palavras hebraicas
- “Vento”
רוּחַ – rûaḥ → vento, espírito, ação dinâmica de Deus - “Tempestuoso”
סְעָרָה – seʿārāh → juízo iminente - “Fogo”
אֵשׁ – ʾēš → santidade purificadora e juízo - “Metal brilhante”
חַשְׁמַל – ḥašmal → brilho sobrenatural, glória indescritível
📌 Teologia do tema central
A glória do Senhor domina o livro:
- Ela se manifesta (cap. 1)
- Ela se retira do templo profanado (cap. 10)
- Ela retorna ao templo restaurado (cap. 43)
A mensagem é clara:
👉 O pecado afasta a glória
👉 O arrependimento prepara o caminho para o retorno da presença divina
📌 Ênfase doutrinária
- Responsabilidade individual (Ez 18)
- Soberania divina sobre nações e indivíduos
- Distinção absoluta entre YHWH e os ídolos
- Esperança escatológica de restauração
📌 Aplicação pessoal
A presença de Deus não se mantém onde o pecado é tolerado, mas retorna onde há arrependimento genuíno.
TABELA EXPOSITIVA – EZEQUIEL 1.1–4
Texto
Ênfase
Termo Hebraico
Teologia
Aplicação
Ez 1.1
Chamado no exílio
gôlâ
Deus fala fora do templo
Deus age em crises
Ez 1.1
Revelação
niftĕḥû
Iniciativa divina
Deus se revela soberanamente
Ez 1.3
Autoridade profética
yad YHWH
Capacitação divina
Chamado exige submissão
Ez 1.4
Glória e juízo
rûaḥ, ʾēš
Santidade divina
Arrependimento restaura
CONCLUSÃO TEOLÓGICA
Ezequiel nos ensina que:
- Deus é Santo e Justo
- O pecado tem consequências reais
- O juízo não é o fim da história
- A glória pode se afastar, mas também pode retornar
Onde há arrependimento, Deus inaugura um novo começo.
INTRODUÇÃO – A TEOLOGIA DO EXÍLIO EM EZEQUIEL
O livro de Ezequiel ocupa lugar singular no cânon profético por unir mensagem sacerdotal, linguagem simbólica e visões teofânicas em um contexto de ruptura histórica: o exílio babilônico. Diferente de Isaías (pré-exílico) e Jeremias (testemunha da queda de Jerusalém), Ezequiel é o profeta do cativeiro, levantado por Deus para afirmar que a soberania divina transcende território, templo e estrutura política.
Teologicamente, Ezequiel responde a três crises:
- Crise da presença de Deus – “Deus ainda está conosco?”
- Crise da justiça divina – “Por que fomos punidos?”
- Crise da esperança futura – “Ainda há restauração?”
A resposta profética vem por meio da revelação da glória do Senhor (כְּבוֹד־יְהוָה, kĕvôd YHWH), que se manifesta não em Jerusalém, mas na Babilônia.
I – O LIVRO (Ez 1.1–4)
1. Estilo e contexto histórico (Ez 1.1)
“Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.”
📌 Análise exegética
- “Trigésimo ano”
Provavelmente refere-se à idade sacerdotal de Ezequiel (cf. Nm 4.3), indicando que ele é chamado por Deus quando deveria iniciar o serviço no templo, agora inexistente para ele. - “Exilados”
Hebraico: גּוֹלָה – gôlâ
→ Comunidade deslocada, vivendo sob juízo, mas ainda alvo da aliança. - “Abriram-se os céus”
Hebraico: נִפְתְּחוּ הַשָּׁמַיִם – niftĕḥû haššāmayim
→ Expressão técnica de revelação divina soberana, sem mediação humana. - “Visões de Deus”
Hebraico: מַרְאוֹת אֱלֹהִים – marʾôt ʾĕlōhîm
→ Visões teofânicas reais, não imaginação subjetiva.
📌 Teologia do texto
Deus não está em silêncio no exílio. Pelo contrário, o cativeiro se torna palco da revelação mais detalhada da glória divina no Antigo Testamento.
📌 Aplicação pessoal
Mesmo quando planos são interrompidos, Deus pode inaugurar um chamado mais profundo e eficaz.
2. O objetivo do livro (Ez 1.3)
“Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote…”
📌 Análise exegética
- “Veio expressamente”
Hebraico: הָיֹה הָיָה – hayôh hayāh
→ Forma enfática: “a palavra veio de modo incontestável”. - “A mão do Senhor esteve sobre ele”
Hebraico: יַד־יְהוָה – yad YHWH
→ Símbolo de autoridade, capacitação e controle profético.
📌 Teologia do objetivo
O ministério de Ezequiel tem dois eixos:
a) Juízo (592–586 a.C.)
- Chamado ao arrependimento
- Denúncia da falsa esperança política e religiosa
b) Esperança (pós-586 a.C.)
- Restauração nacional
- Renovação espiritual
- Novo templo e nova presença
📌 Aplicação pessoal
Deus disciplina, mas nunca abandona; corrige para restaurar.
3. Temas centrais (Ez 1.4)
“Um vento tempestuoso vinha do Norte…”
📌 Análise das palavras hebraicas
- “Vento”
רוּחַ – rûaḥ → vento, espírito, ação dinâmica de Deus - “Tempestuoso”
סְעָרָה – seʿārāh → juízo iminente - “Fogo”
אֵשׁ – ʾēš → santidade purificadora e juízo - “Metal brilhante”
חַשְׁמַל – ḥašmal → brilho sobrenatural, glória indescritível
📌 Teologia do tema central
A glória do Senhor domina o livro:
- Ela se manifesta (cap. 1)
- Ela se retira do templo profanado (cap. 10)
- Ela retorna ao templo restaurado (cap. 43)
A mensagem é clara:
👉 O pecado afasta a glória
👉 O arrependimento prepara o caminho para o retorno da presença divina
📌 Ênfase doutrinária
- Responsabilidade individual (Ez 18)
- Soberania divina sobre nações e indivíduos
- Distinção absoluta entre YHWH e os ídolos
- Esperança escatológica de restauração
📌 Aplicação pessoal
A presença de Deus não se mantém onde o pecado é tolerado, mas retorna onde há arrependimento genuíno.
TABELA EXPOSITIVA – EZEQUIEL 1.1–4
Texto | Ênfase | Termo Hebraico | Teologia | Aplicação |
Ez 1.1 | Chamado no exílio | gôlâ | Deus fala fora do templo | Deus age em crises |
Ez 1.1 | Revelação | niftĕḥû | Iniciativa divina | Deus se revela soberanamente |
Ez 1.3 | Autoridade profética | yad YHWH | Capacitação divina | Chamado exige submissão |
Ez 1.4 | Glória e juízo | rûaḥ, ʾēš | Santidade divina | Arrependimento restaura |
CONCLUSÃO TEOLÓGICA
Ezequiel nos ensina que:
- Deus é Santo e Justo
- O pecado tem consequências reais
- O juízo não é o fim da história
- A glória pode se afastar, mas também pode retornar
Onde há arrependimento, Deus inaugura um novo começo.
II- À VISÃO DA GLÓRIA DE DEUS (1.5-25)
Das teofanias do Antigo Testamento, essa do capítulo inicial de Ezequiel é singular. Ele vê os céus se abrindo, permitindo-lhe observar a própria sala do trono de Deus.
1- Os seres viventes (1.5) Do meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes…
O que Ezequiel descreve é sem paralelo em todo o Antigo Testamento. O profeta vê quatro seres saírem de uma nuvem com fogo. Seus corpos eram humanos, mas cada um possuía quatro faces e quatro asas, Seus pés eram bovinos e brilhantes. Conectados aos seus corpos, embaixo de suas asas, havia mãos humanas. As faces da frente de cada figura eram humanas, mas as da direita, esquerda, e de trás eram de leão, boi e águia, respectivamente. Esses animais eram criaturas comuns no mundo de Ezequiel. O leão era reconhecido por sua ferocidade e coragem, sendo símbolo da realeza. A águia era o mais rápido e majestoso dos pássaros e o boi era o mais valioso dos animais domésticos. A aparição é toda ela dominada pelo número quatro: quatro seres, quatro faces, quatro asas e, como veremos a seguir, quatro rodas. Nos versos de 13 a 14 Ezequiel compara a estranha aparência dos seres como carvão em brasas, tochas e fogo ziguezagueando na rapidez de um raio. Tudo parece apontar para a onipresença, onisciência e onipotência divina. Deus estava presente e agindo na ruína e no entulho, usando soberanamente o desastre para sua própria glória.
2- As rodas (1.16) O aspecto das rodas e a sua estrutura eram brilhantes como o berilo; tinham as quatro a mesma aparência, cujo aspecto e estrutura eram como se estivesse uma roda dentro da outra.
O quebra-cabeça continua! Agora o profeta percebe que a aparição é equipada com rodas. Cada um dos seres tem um conjunto idêntico de rodas. As rodas eram extraordinárias por si só. Primeiramente eram complexas, uma dentro da outra e com absoluta facilidade de moverem-se em qualquer direção. Que surpreendente! Não é fácil visualizar o que Ezequiel viu! Em segundo lugar, as rodas eram magníficas para se olhar. Elas resplandeciam com um brilho do berilo e seus aros eram maravilhosos. Em terceiro lugar, o que poderia parecer apenas um objeto, revela-se um ser vivo, pois eram cheios de olhos ao redor nos fazendo crer terem elas sua própria fonte de vida, Dois detalhes parecem impressionar o profeta: a) seus movimentos são perfeitamente sincronizados com os das criaturas; b) Toda a harmonia percebida é atribuída ao espírito dos seres viventes. Nenhum profeta usa tanto a expressão “espírito” (rúah) como Ezequiel, razão pela qual muitos o chamam de “o profeta do Espírito”.
3- O firmamento e o trono (1.26) Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem.
A visão chega ao seu ápice. À atenção do profeta muda das rodas embaixo para uma forma acima das criaturas. Elas parecem estar suportando um firmamento (plataforma) sobre suas cabeças. Ele comenta, pela primeira vez, um som que ele tem dificuldades de descrever (muitas águas, voz do Onipotente, estrondo, tropel de um exército). Vinha do movimento das asas dos seres viventes. Em Êxodo 19.16 a aparição de Deus a Israel também foi acompanhado de sons específicos. Por fim, o olhar do profeta se volta para acima do firmamento, onde está o mais majestoso de todos os tronos jamais visto. Ele é feito inteiramente de safira, umas das pedras mais preciosas da antiguidade. Sentado no trono está uma figura por demais impressionante. Ezequiel reconhece que parece um ser humano, mas não era um homem comum. A parte superior do seu corpo reluzia como o metal e como o fogo e a parte inferior era igualmente fulgurosa. Mas o profeta não consegue definir o ser com exatidão. Tudo que pode fazer é comparar a visão com fenômenos conhecidos (como o arco em dias de chuva). À glória é por demais impressionante.
COMENTARIO EXTRA
Comentário de Hubner Braz
II – A VISÃO DA GLÓRIA DE DEUS (Ez 1.5–25)
A teofania de Ezequiel 1 é sem paralelos diretos no Antigo Testamento. Se Isaías contempla o Senhor no templo (Is 6) e Moisés vê a glória no Sinai (Êx 19–24), Ezequiel é levado, em visão, à sala do trono móvel de Deus. A mensagem é inequívoca: YHWH reina soberanamente e Sua glória não está confinada a Jerusalém.
1. Os seres viventes (Ez 1.5–14)
“Do meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes…”
📌 Análise exegética
- “Seres viventes”
Hebraico: חַיּוֹת – ḥayyôt
→ O termo indica criaturas dotadas de vida plena; em Ez 10.15 são identificadas explicitamente como querubins (כְּרוּבִים – kĕrûbîm). - Semelhança humana
Hebraico: דְּמוּת אָדָם – dĕmût ʾādām
→ Linguagem de analogia: Deus se revela sem ser reduzido à forma humana. - Quatro faces e quatro asas
O número quatro aponta para universalidade e totalidade (pontos cardeais; mundo criado).
📌 Simbolismo das faces
Face
Significado simbólico
Homem
Inteligência, consciência moral
Leão
Realeza, coragem, autoridade
Boi
Força, serviço, estabilidade
Águia
Soberania, rapidez, transcendência
Essas figuras representam toda a criação viva submetida ao governo de Deus.
- Movimento “como relâmpago”
Hebraico: בָּזָק – bāzāq
→ Agilidade irresistível da ação divina.
📌 Teologia
Os querubins são portadores do trono (cf. Sl 99.1). Eles proclamam, silenciosamente, que:
- Deus é onipresente (olhos, múltiplas faces),
- onisciente (tudo vê),
- onipotente (movimento irresistível).
📌 Aplicação pessoal
Mesmo em meio ao caos do exílio, Deus continua governando com perfeita ordem. Nada ocorre fora do alcance de Sua glória.
2. As rodas (Ez 1.15–21)
“O aspecto das rodas… era como se estivesse uma roda dentro da outra.”
📌 Análise exegética
- “Rodas”
Hebraico: אוֹפַנִּים – ʾôpannîm
→ Termo associado, posteriormente, à angelologia judaica como seres vinculados ao trono. - “Roda dentro de roda”
Estrutura que permite movimento em qualquer direção, sem necessidade de giro. - “Cheias de olhos”
Hebraico: עֵינַיִם – ʿênayim
→ Símbolo clássico de vigilância e conhecimento pleno. - “O espírito dos seres viventes estava nas rodas”
Hebraico: רוּחַ – rûaḥ
→ Princípio animador, direção soberana.
📌 Teologia do Espírito em Ezequiel
Ezequiel é, com razão, chamado de “o profeta do Espírito”:
- O Espírito move (1.20),
- Levanta (2.2),
- Transporta (3.12),
- Vivifica ossos secos (37.1–14).
Aqui, o rûaḥ garante harmonia perfeita entre trono, criaturas e movimento.
📌 Aplicação pessoal
Nada na história é aleatório. Mesmo quando não compreendemos os “mecanismos”, o Espírito conduz tudo conforme o propósito divino.
3. O firmamento e o trono (Ez 1.22–26)
“Por cima do firmamento… havia algo semelhante a um trono…”
📌 Análise exegética
- “Firmamento”
Hebraico: רָקִיעַ – rāqîaʿ
→ Plataforma sólida, remetendo à criação (Gn 1.6), aqui sustentada por seres celestiais. - Som das asas
Comparado a: - “Muitas águas” (Sl 29.3),
- “Voz do Onipotente” (קול שַׁדַּי – qôl Šadday),
- “Estrondo de exército”.
Som + movimento = teofania plena (cf. Êx 19.16).
- “Trono como safira”
Hebraico: סַפִּיר – sappîr
→ Pedra associada à pureza e majestade (Êx 24.10). - “Semelhança de homem”
Hebraico: כְּמַרְאֵה אָדָם – kĕmarʾēh ʾādām
→ Linguagem de aproximação, não definição.
📌 Teologia cristológica (tipológica)
A tradição cristã vê aqui uma antecipação da revelação plena em Cristo:
- Deus invisível se torna visível (Jo 1.18),
- A glória assume forma acessível (Cl 1.15; Hb 1.3).
📌 Aplicação pessoal
Deus é absolutamente transcendente, mas escolhe se revelar de modo que possamos adorá-lo e obedecê-lo.
4. A reação do profeta (Ez 1.28)
Embora implícita no seu trecho, a conclusão é decisiva:
“Quando a vi, caí com o rosto em terra…”
A glória não gera curiosidade, mas reverência. Não provoca debate, mas adoração.
TABELA EXPOSITIVA – EZEQUIEL 1.5–25
Texto
Elemento
Termo Hebraico
Ênfase Teológica
Aplicação
1.5
Seres viventes
ḥayyôt
Governo celestial
Deus reina sobre tudo
1.10
Quatro faces
—
Universalidade do domínio
Nada foge à soberania
1.14
Movimento
bāzāq
Ação irresistível
Deus age com poder
1.16–18
Rodas e olhos
ʾôpannîm
Onisciência
Deus vê tudo
1.20
Espírito
rûaḥ
Direção divina
O Espírito governa
1.26
Trono
kissēʾ
Soberania absoluta
Deus continua no controle
CONCLUSÃO TEOLÓGICA
A visão da glória em Ezequiel 1 ensina que:
- Deus governa com santidade e ordem
- O exílio não anula Sua presença
- O Espírito garante harmonia no caos
- A glória não é estática: ela se move
👉 Onde a glória de Deus se manifesta, resta apenas uma resposta legítima: adoração reverente e obediência fiel.
II – A VISÃO DA GLÓRIA DE DEUS (Ez 1.5–25)
A teofania de Ezequiel 1 é sem paralelos diretos no Antigo Testamento. Se Isaías contempla o Senhor no templo (Is 6) e Moisés vê a glória no Sinai (Êx 19–24), Ezequiel é levado, em visão, à sala do trono móvel de Deus. A mensagem é inequívoca: YHWH reina soberanamente e Sua glória não está confinada a Jerusalém.
1. Os seres viventes (Ez 1.5–14)
“Do meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes…”
📌 Análise exegética
- “Seres viventes”
Hebraico: חַיּוֹת – ḥayyôt
→ O termo indica criaturas dotadas de vida plena; em Ez 10.15 são identificadas explicitamente como querubins (כְּרוּבִים – kĕrûbîm). - Semelhança humana
Hebraico: דְּמוּת אָדָם – dĕmût ʾādām
→ Linguagem de analogia: Deus se revela sem ser reduzido à forma humana. - Quatro faces e quatro asas
O número quatro aponta para universalidade e totalidade (pontos cardeais; mundo criado).
📌 Simbolismo das faces
Face | Significado simbólico |
Homem | Inteligência, consciência moral |
Leão | Realeza, coragem, autoridade |
Boi | Força, serviço, estabilidade |
Águia | Soberania, rapidez, transcendência |
Essas figuras representam toda a criação viva submetida ao governo de Deus.
- Movimento “como relâmpago”
Hebraico: בָּזָק – bāzāq
→ Agilidade irresistível da ação divina.
📌 Teologia
Os querubins são portadores do trono (cf. Sl 99.1). Eles proclamam, silenciosamente, que:
- Deus é onipresente (olhos, múltiplas faces),
- onisciente (tudo vê),
- onipotente (movimento irresistível).
📌 Aplicação pessoal
Mesmo em meio ao caos do exílio, Deus continua governando com perfeita ordem. Nada ocorre fora do alcance de Sua glória.
2. As rodas (Ez 1.15–21)
“O aspecto das rodas… era como se estivesse uma roda dentro da outra.”
📌 Análise exegética
- “Rodas”
Hebraico: אוֹפַנִּים – ʾôpannîm
→ Termo associado, posteriormente, à angelologia judaica como seres vinculados ao trono. - “Roda dentro de roda”
Estrutura que permite movimento em qualquer direção, sem necessidade de giro. - “Cheias de olhos”
Hebraico: עֵינַיִם – ʿênayim
→ Símbolo clássico de vigilância e conhecimento pleno. - “O espírito dos seres viventes estava nas rodas”
Hebraico: רוּחַ – rûaḥ
→ Princípio animador, direção soberana.
📌 Teologia do Espírito em Ezequiel
Ezequiel é, com razão, chamado de “o profeta do Espírito”:
- O Espírito move (1.20),
- Levanta (2.2),
- Transporta (3.12),
- Vivifica ossos secos (37.1–14).
Aqui, o rûaḥ garante harmonia perfeita entre trono, criaturas e movimento.
📌 Aplicação pessoal
Nada na história é aleatório. Mesmo quando não compreendemos os “mecanismos”, o Espírito conduz tudo conforme o propósito divino.
3. O firmamento e o trono (Ez 1.22–26)
“Por cima do firmamento… havia algo semelhante a um trono…”
📌 Análise exegética
- “Firmamento”
Hebraico: רָקִיעַ – rāqîaʿ
→ Plataforma sólida, remetendo à criação (Gn 1.6), aqui sustentada por seres celestiais. - Som das asas
Comparado a: - “Muitas águas” (Sl 29.3),
- “Voz do Onipotente” (קול שַׁדַּי – qôl Šadday),
- “Estrondo de exército”.
Som + movimento = teofania plena (cf. Êx 19.16).
- “Trono como safira”
Hebraico: סַפִּיר – sappîr
→ Pedra associada à pureza e majestade (Êx 24.10). - “Semelhança de homem”
Hebraico: כְּמַרְאֵה אָדָם – kĕmarʾēh ʾādām
→ Linguagem de aproximação, não definição.
📌 Teologia cristológica (tipológica)
A tradição cristã vê aqui uma antecipação da revelação plena em Cristo:
- Deus invisível se torna visível (Jo 1.18),
- A glória assume forma acessível (Cl 1.15; Hb 1.3).
📌 Aplicação pessoal
Deus é absolutamente transcendente, mas escolhe se revelar de modo que possamos adorá-lo e obedecê-lo.
4. A reação do profeta (Ez 1.28)
Embora implícita no seu trecho, a conclusão é decisiva:
“Quando a vi, caí com o rosto em terra…”
A glória não gera curiosidade, mas reverência. Não provoca debate, mas adoração.
TABELA EXPOSITIVA – EZEQUIEL 1.5–25
Texto | Elemento | Termo Hebraico | Ênfase Teológica | Aplicação |
1.5 | Seres viventes | ḥayyôt | Governo celestial | Deus reina sobre tudo |
1.10 | Quatro faces | — | Universalidade do domínio | Nada foge à soberania |
1.14 | Movimento | bāzāq | Ação irresistível | Deus age com poder |
1.16–18 | Rodas e olhos | ʾôpannîm | Onisciência | Deus vê tudo |
1.20 | Espírito | rûaḥ | Direção divina | O Espírito governa |
1.26 | Trono | kissēʾ | Soberania absoluta | Deus continua no controle |
CONCLUSÃO TEOLÓGICA
A visão da glória em Ezequiel 1 ensina que:
- Deus governa com santidade e ordem
- O exílio não anula Sua presença
- O Espírito garante harmonia no caos
- A glória não é estática: ela se move
👉 Onde a glória de Deus se manifesta, resta apenas uma resposta legítima: adoração reverente e obediência fiel.
III- OS SIGNIFICADOS DA VISÃO (1.28)
Por ser essa a primeira e a mais gloriosa das visões, algumas explicações e aplicações se fazem necessárias.
1- A presença de Deus (1.26) Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem.
A visão de Ezequiel enquanto estava no exílio traz outra verdade consoladora. Deus estava com seu povo onde quer que eles estivessem. Ele não está limitado ao templo em Jerusalém nem a lugar nenhum. Para os exilados impedidos dos sacrifícios comuns ao templo, esta verdade foi tremendamente reconfortante. Sua presença ativa no meio do seu povo indica que Ele não é um Deus indiferente ou desinteressado. À visão encoraja Ezequiel e todos nós. Era como se Deus estivesse dizendo: “Ezequiel eu não abandonei o meu povo como alguns pensam” (11.15,16). Nos dias de hoje, ao enfrentarmos crises pessoais, políticas ou globais podemos continuar certos de que Ele está presente e assim descansar no seu cuidado, Ele também está presente nos nossos “”exílios” pessoais. Nos momentos de solidão, depressão, perdas e enfermidades. Ele estará conosco. Não vai embora. Deus reina aqui e agora. “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos, continua sendo sua promessa.
2- A glória de Deus (1.28a) Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do Senhor. Tudo sobre a aparição proclama a glória de Deus e sua santidade (3.23).
O profeta tem dificuldade para descrever e sua busca por palavras é expressões somente ressalta a grandeza divina. Ele é diferente dos deuses das nações desenhados e representados por figuras ou esculturas. A glória de Yahweh desafia a descrição humana, seja verbal ou visualmente, Ele não pode ser reduzido a figuras, nem por representações algumas. Como representar um Deus tão glorioso por meio de madeira, pedra ou seja lá o que for? Sua glória é transcendente e, diferente das imagens pagãs, que requerem constante cuidado e polidura, o brilho de Yahweh emana do seu próprio ser. Deus é “o totalmente outro” numa definição clássica da sua grandeza. Ele está só no seu trono, incomparável e separado de todos os seres inferiores e criados por Ele mesmo.
3- A soberania de Deus (1.28b) vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava.
Essa é outra verdade evidente na visão de Ezequiel. Deus reina soberanamente sobre Israel e as demais nações. Suas criaturas são nobres, mas o entronizado é Ele, que detém o controle de todas as coisas. Em Sua maravilhosa providência e grandeza, Ele interfere nos assuntos das nações e não precisa pedir permissão para isso. Os judeus não foram meras vítimas da agressão da Babilônia ou do ódio descontrolado de Nabucodonosor, como se Deus nada pudesse fazer. Ao contrário, foi Ele quem permitiu que os babilônios subjugassem Seu povo para discipliná-lo por sua rebeldia. Deus está no controle absoluto dos eventos e transcende até mesmo o caos. Essa é uma verdade consoladora tanto ontem quanto hoje. Em tempos de dificuldades, como no exílio de Ezequiel, quando tudo parece dar errado, lembremos que Deus permanece no controle de tudo. Mesmo quando a situação parece perdida, devemos confiar que Ele está agindo em prol de um propósito maior.
COMENTARIO EXTRA
Comentário de Hubner Braz
III – OS SIGNIFICADOS DA VISÃO (Ez 1.28)
Ezequiel 1.28 funciona como síntese teológica de toda a teofania do capítulo 1. Depois de descrever os seres, as rodas, o firmamento e o trono, o profeta interpreta a visão:
“Esta era a aparência da glória do Senhor”.
A revelação não tem finalidade estética, mas pastoral e doutrinária: comunicar verdades fundamentais sobre presença, glória e soberania de Deus em meio ao exílio.
1. A presença de Deus (Ez 1.26)
“Por cima do firmamento… havia algo semelhante a um trono…”
📌 Análise exegética
- “Trono”
Hebraico: כִּסֵּא – kissēʾ
→ Símbolo de realeza, autoridade e governo ativo. - “Semelhança de um homem”
Hebraico: כְּמַרְאֵה אָדָם – kĕmarʾēh ʾādām
→ Linguagem de aproximação, não de definição literal; Deus se revela sem perder Sua transcendência.
A presença do trono fora de Jerusalém rompe com a teologia limitada ao templo. O Deus de Israel acompanha o Seu povo no exílio.
📌 Teologia da presença
Ezequiel ensina que:
- Deus não está confinado a um espaço sagrado,
- O exílio não implica abandono,
- A disciplina não exclui comunhão.
Isso prepara o caminho para a promessa posterior:
“Ainda lhes serei por santuário” (Ez 11.16).
📌 Aplicação pessoal
Deus está presente também nos nossos exílios pessoais:
- solidão,
- enfermidade,
- luto,
- crises emocionais e espirituais.
A presença de Deus não depende de circunstâncias favoráveis, mas de Sua fidelidade.
2. A glória de Deus (Ez 1.28a)
“Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva…”
📌 Análise exegética
- “Glória”
Hebraico: כְּבוֹד־יְהוָה – kĕvôd YHWH
→ Kavod significa “peso”, “majestade”, “presença manifesta”. - Arco-íris
Referência direta a Gênesis 9: - sinal de aliança,
- misericórdia em meio ao juízo.
📌 Teologia da glória
A glória de Deus em Ezequiel:
- é autoexistente (não refletida),
- é indescritível (linguagem analógica),
- é incomparável (cf. Is 40.18).
Diferente dos ídolos:
- não é fabricada,
- não depende de manutenção,
- não pode ser contida.
Essa é a razão pela qual o segundo mandamento proíbe imagens:
👉 A glória de YHWH não pode ser reduzida a formas humanas.
📌 Aplicação pessoal
A visão da glória confronta:
- nossa tendência de domesticar Deus,
- nossa superficialidade na adoração.
A verdadeira adoração nasce do reconhecimento da santidade absoluta de Deus.
3. A soberania de Deus (Ez 1.28b)
“Vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava.”
📌 Análise exegética
- “Caí com o rosto em terra”
Hebraico: וָאֶפֹּל עַל־פָּנַי – vāʾeppōl ʿal-pānay
→ Postura clássica de submissão, reverência e reconhecimento de autoridade suprema. - “Ouvi a voz”
A revelação conduz à missão:
👉 Deus se revela para comissionar, não apenas impressionar.
📌 Teologia da soberania
A visão afirma que:
- Deus reina sobre Israel e as nações,
- O exílio não foi acidente histórico,
- A Babilônia foi instrumento, não protagonista.
Como em Isaías 10.5 (Assíria) e Habacuque 1.6 (caldeus), Deus usa impérios para cumprir Seus propósitos, sem jamais perder o controle.
📌 Aplicação pessoal
Quando tudo parece fora de controle:
- Deus continua no trono,
- O caos não anula a providência,
- O sofrimento pode servir a um propósito maior.
A soberania divina não elimina a dor, mas garante sentido à história.
TABELA EXPOSITIVA – EZEQUIEL 1.28
Ênfase
Texto
Termo Hebraico
Verdade Teológica
Aplicação
Presença
1.26
kissēʾ
Deus está no exílio
Ele não abandona
Glória
1.28a
kavod
Deus é incomparável
Adoração reverente
Aliança
1.28a
Arco
Misericórdia no juízo
Esperança renovada
Soberania
1.28b
vāʾeppōl
Deus reina absoluto
Confiança no caos
Revelação
1.28b
Voz
Deus chama e envia
Obediência
CONCLUSÃO TEOLÓGICA E PASTORAL
A visão da glória em Ezequiel 1.28 nos ensina que:
- Deus está presente mesmo no exílio
- Deus é glorioso e santo, além de qualquer representação
- Deus é soberano, mesmo quando o caos parece vencer
👉 O trono nunca esteve vazio.
III – OS SIGNIFICADOS DA VISÃO (Ez 1.28)
Ezequiel 1.28 funciona como síntese teológica de toda a teofania do capítulo 1. Depois de descrever os seres, as rodas, o firmamento e o trono, o profeta interpreta a visão:
“Esta era a aparência da glória do Senhor”.
A revelação não tem finalidade estética, mas pastoral e doutrinária: comunicar verdades fundamentais sobre presença, glória e soberania de Deus em meio ao exílio.
1. A presença de Deus (Ez 1.26)
“Por cima do firmamento… havia algo semelhante a um trono…”
📌 Análise exegética
- “Trono”
Hebraico: כִּסֵּא – kissēʾ
→ Símbolo de realeza, autoridade e governo ativo. - “Semelhança de um homem”
Hebraico: כְּמַרְאֵה אָדָם – kĕmarʾēh ʾādām
→ Linguagem de aproximação, não de definição literal; Deus se revela sem perder Sua transcendência.
A presença do trono fora de Jerusalém rompe com a teologia limitada ao templo. O Deus de Israel acompanha o Seu povo no exílio.
📌 Teologia da presença
Ezequiel ensina que:
- Deus não está confinado a um espaço sagrado,
- O exílio não implica abandono,
- A disciplina não exclui comunhão.
Isso prepara o caminho para a promessa posterior:
“Ainda lhes serei por santuário” (Ez 11.16).
📌 Aplicação pessoal
Deus está presente também nos nossos exílios pessoais:
- solidão,
- enfermidade,
- luto,
- crises emocionais e espirituais.
A presença de Deus não depende de circunstâncias favoráveis, mas de Sua fidelidade.
2. A glória de Deus (Ez 1.28a)
“Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva…”
📌 Análise exegética
- “Glória”
Hebraico: כְּבוֹד־יְהוָה – kĕvôd YHWH
→ Kavod significa “peso”, “majestade”, “presença manifesta”. - Arco-íris
Referência direta a Gênesis 9: - sinal de aliança,
- misericórdia em meio ao juízo.
📌 Teologia da glória
A glória de Deus em Ezequiel:
- é autoexistente (não refletida),
- é indescritível (linguagem analógica),
- é incomparável (cf. Is 40.18).
Diferente dos ídolos:
- não é fabricada,
- não depende de manutenção,
- não pode ser contida.
Essa é a razão pela qual o segundo mandamento proíbe imagens:
👉 A glória de YHWH não pode ser reduzida a formas humanas.
📌 Aplicação pessoal
A visão da glória confronta:
- nossa tendência de domesticar Deus,
- nossa superficialidade na adoração.
A verdadeira adoração nasce do reconhecimento da santidade absoluta de Deus.
3. A soberania de Deus (Ez 1.28b)
“Vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava.”
📌 Análise exegética
- “Caí com o rosto em terra”
Hebraico: וָאֶפֹּל עַל־פָּנַי – vāʾeppōl ʿal-pānay
→ Postura clássica de submissão, reverência e reconhecimento de autoridade suprema. - “Ouvi a voz”
A revelação conduz à missão:
👉 Deus se revela para comissionar, não apenas impressionar.
📌 Teologia da soberania
A visão afirma que:
- Deus reina sobre Israel e as nações,
- O exílio não foi acidente histórico,
- A Babilônia foi instrumento, não protagonista.
Como em Isaías 10.5 (Assíria) e Habacuque 1.6 (caldeus), Deus usa impérios para cumprir Seus propósitos, sem jamais perder o controle.
📌 Aplicação pessoal
Quando tudo parece fora de controle:
- Deus continua no trono,
- O caos não anula a providência,
- O sofrimento pode servir a um propósito maior.
A soberania divina não elimina a dor, mas garante sentido à história.
TABELA EXPOSITIVA – EZEQUIEL 1.28
Ênfase | Texto | Termo Hebraico | Verdade Teológica | Aplicação |
Presença | 1.26 | kissēʾ | Deus está no exílio | Ele não abandona |
Glória | 1.28a | kavod | Deus é incomparável | Adoração reverente |
Aliança | 1.28a | Arco | Misericórdia no juízo | Esperança renovada |
Soberania | 1.28b | vāʾeppōl | Deus reina absoluto | Confiança no caos |
Revelação | 1.28b | Voz | Deus chama e envia | Obediência |
CONCLUSÃO TEOLÓGICA E PASTORAL
A visão da glória em Ezequiel 1.28 nos ensina que:
- Deus está presente mesmo no exílio
- Deus é glorioso e santo, além de qualquer representação
- Deus é soberano, mesmo quando o caos parece vencer
👉 O trono nunca esteve vazio.
APLICAÇÃO PESSOAL
A visão de Ezequiel nos lembra que a glória de Deus é indescritível, Sua soberania inquestionável, e Sua presença, constante. Diante disso, o cristão é convocado a viver em fé, adoração e confiança, mesmo em meio às maiores crises.
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EBD 1° Trimestre De 2026 | PECC Adultos – TEMA: EZEQUIEL – O Atalaia de Israel | Escola Biblica Dominical | Lição 01 - Ezequiel 1 – O Livro de Ezequiel e Sua Visão Inaugural
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