"Dai-lhes vós de comer"


Tinha sido um dia difícil na vida do Carpinteiro de Nazaré. Seu primo e primeiro mentor, João Batista, tinha sido decapitado por Herodes e isso abateu-lhe os ânimos.  Mas ele não tinha muito tempo para lamentações. Sua missão urgia, os pobres e os injustiçados esperavam dele, palavras que lhes tocassem o coração e mente e que pudessem avivar a esperança de dias melhores quando o Reino irrompesse nas estruturas doentes e seculares que subordinavam o povo numa religião decadente e conformada com o status quo.

Mesmo assim, pensando em retirar-se para curar sua dor, afastou-se com os Doze para um lugar deserto. Ele gostava de lugares desertos. Do silêncio. Onde mais poderia ouvir com clareza a voz do seu Pai? Mas nenhum movimento que ele fizesse passaria despercebido pelas multidões que o buscavam. Dezenas de desesperados, sofridos pela dor, foram ao seu encontro e receberam dele a atenção merecida.

Ainda com a dor da morte trágica de João machucando seu peito, ele pôs-se a ensinar e a curar. De uns curava o corpo e de muitos, curava a alma. O tempo passava muito rápido quando ele levantava a voz para proferir poderosas palavras que eram capazes de mudar e construir novas realidades. E de fato, daí a pouco, mais um paradigma seria questionado.

A noite caía e ninguém arredava o pé dos pés do Mestre.  Suas palavras não eram comuns. Não era como a palavra de tantos outros messias e profetas que pipocavam aqui e ali naqueles tempos na palestina.  Os Doze vieram lhe falar de coisas mais terrenas e burocráticas: Era preciso dar uma pausa para que a multidão fosse aos povoados se alimentar. Então, os Doze ouviram a ordem: “Dai-lhes vós de comer”. “Como poderemos alimentar tanta gente com apenas cinco pães e dois peixes? Jesus, insistindo, repetiu: “Vocês estão comigo há tanto tempo e ainda não aprenderam os códigos da solidariedade?

Então André, fitando os outros Onze, percebeu o que o Mestre falara.  Chamou-os e se retiraram para o meio da multidão. Jesus continuava suas preleções enquanto os Doze iam recolhendo qualquer alimento que encontrassem no poder das pessoas presentes. Algumas hesitavam em entregar seus pães e peixes, com medo que seus familiares presentes não tivessem o que comer. Para estes, André, sorrindo, dizia que o mestre iria ensinar-lhes uma preciosa lição.

Depois de algum tempo, os doze vieram com tudo o que puderam arrecadar no meio da multidão. Não era pouca coisa já que as pessoas sabendo que seguir os passos de Jesus os levariam a ficar horas e horas caminhando, sempre levavam na bolsa algum alimento para o lanche.  Mas era assim com todos. Muitos nem dinheiro tinham para essa despesa extra.

Jesus então abençoou tudo o que os Doze tinham recolhido. Partiu os pães e peixes em vários outros pedaços menores e pediu que os discípulos distribuíssem à multidão. Ao final, todos comeram. Os que não tinham levado nenhum alimento para si beneficiaram-se da repartição feita por Jesus e todos comeram e se saciaram. E ainda sobraram doze cestos de pedaços de pães que foram devidamente guardados para a próxima “multiplicação dos pães”.

Autoria do Texto: Eduardo Medeiros, 2 de junho de 2010

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Crédito da figura: http://4.bp.blogspot.com/_
Link: http://cpfg.blogspot.com/2010/06/dai-lhes-vos-de-comer.html
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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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1 Milhões de Confessos:

  1. Este texto é do meu amigo e estimado irmão Eduardo Medeiros, o Dudu...

    Gostei do texto e coloquei aqui, isso mostra os pontos de vista que são diferentes entre as pessoas.

    See you later.

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