Lição 10 - O Líder diante da chegada da morte - 6 de Setembro de 2015 - CPAD Adulto


TEXTO ÁUREO
"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé."  (2 Tm 4.7)

VERDADE PRÁTICA
A morte do crente não é o fim, mas a passagem para a glória eterna, na presença de Deus.

LEITURA DIÁRIA

Segunda - At 9.15,16
Paulo, um vaso escolhido por Deus para pregar aos gentios
Terça - Jd 3
Batalhando pela fé que uma vez nos foi dada
Quarta - Cl 1.29
Combatendo com eficácia o bom combate
Quinta - Fp 3.13,14
Esquecendo as coisas que já passaram
Sexta - Ap 3.11
Guardando o que Deus concede para que ninguém tome
Sábado - Êx 33.14
A presença de Deus traz tranquilidade

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
2 Timóteo  4.6-17
6 - Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo.
7 - Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.
8 - Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.
9 - Procura vir ter comigo depressa.
10 - Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica; Crescente, para a Galácia, Tito, para a Dalmácia.
11 - Só Lucas está comigo. Toma Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério.
12 - Também enviei Tíquico a Éfeso.
13 - Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos.
14 - Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras.
15 - Tu, guarda-te também dele, porque resistiu muito às nossas palavras.
16 - Ninguém me assistiu na minha primeira defesa; antes, todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado.
17 - Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que, por mim, fosse cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão.
OBJETIVO GERAL
Desenvolver uma consciência bíblica a respeito da chegada da morte.

HINOS SUGERIDOS: 141, 500, 614 da Harpa Cristã

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
Mostrar que, para o crente, a chegada da morte não traz desespero.
Explicar o sentimento de abandono do apóstolo Paulo.
Conscientizar o aluno da certeza da presença de Cristo nas aflições.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Segundo as Escrituras, a morte se manifesta numa consciência de vitória na hora de uma aparente derrota: "Alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis" (1 Pe 4.13). Para o crente, a morte não é o fim, mas o início de uma vida nova, onde a certeza de que "o aguilhão" da morte já foi retirado e que agora é um passaporte oficial para a vida eterna com Jesus Cristo (1 Co 15.55). Claro que a experiência da separação traz dor, angústia e tristeza a qualquer ser humano. O luto chega de forma inesperada na vida de qualquer pessoa que sofre a perda de um ente querido. Mas devemos viver as promessas do Mestre na área da perda humana, conforme Ele nos ensinou: "Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (Jo 11.25). Um dia nosso corpo será completamente arrebatado do poder da morte (Rm 8.11; 1 Ts 4.16,17).

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Paulo tem consciência de que seu ministério está chegando ao fim. A segunda Epístola a Timóteo, na verdade é uma forma, comovente, de dizer adeus ao seu "amado filho" e à Igreja do Senhor. Paulo exorta Timóteo a respeito da responsabilidade que é estar na liderança de uma igreja e faz uma revisão do caminho que havia percorrido em sua jornada com o Salvador: "Combati o bom combate" (2 Tm 4.7). Paulo não estava pesaroso com a partida, pois suas dores e sofrimentos, com certeza, foram esquecidos, diante da certeza de que fez um bom trabalho e que cumpriu a missão para qual fora designado pelo Senhor.
A morte é inevitável. Um dia líderes e liderados terão que enfrentá-la, porém, o que faz a diferença é a maneira como a encaramos. [Comentário:  “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21). – O verdadeiro crente, vivendo no centro da vontade de Deus, não precisa ter medo da morte. Ele sabe que Deus tem um propósito para o seu viver, e que a morte, quando ela vier, é simplesmente o fim da sua missão terrestre, e o início de uma vida mais gloriosa com Cristo. Paulo quando escreve esse texto (Fp 1.21), não anseia pela morte, mas por uma presença mais próxima de Cristo que a morte trará. Para o crente, a morte não é o fim da vida, mas o início de uma plena, sublime e eterna comunhão com Deus. Na continuidade do texto de Fp 1, Paulo utiliza uma expressão em referência à morte – o termo partir – que também é usada para tirar pequenas estacas de barracas ou âncora de um barco; com isso, Paulo nos ensina que a morte significa apenas levantar acampamento e continuar, ou içar as velas para outro porto. Não estamos acostumados a ouvir ensinos acerca da morte, muito menos sobre como enfrentar uma situação de perca de algum ente querido; não se arrisca a falar de um tema tão triste e acabamos deixando esse assunto de lado e, o que é pior, substituindo-o por coisas triviais e terrenas como se jamais fôssemos enfrentar este momento. Todo homem, quer salvo ou não, está sujeito à morte, contudo, o crente encara a morte de modo diferente do não salvo, pois para nós, ela não é o fim da vida, mas um novo começo, como nos inspira Paulo, é um levantar acampamento e partir para uma vida mais plena, é ser liberto de todas as aflições deste mundo para ser revestido da vida e glória celestiais (2Co 5.1-5).]. Vamos pensar maduramente sobre a fé cristã?

                                                         PONTO CENTRAL             
Embora a morte traga abatimento para os crentes, os discípulos de Jesus não se desesperam diante dela, pois tem uma certeza em Cristo: de que para sempre estaremos com o Senhor.

I. A CONSCIÊNCIA DA MORTE NÃO TRAZ DESESPERO AO CRENTE FIEL
1. Seriedade diante da morte. Enquanto Timóteo ainda era um jovem obreiro, Paulo já estava idoso (Fm 1,9), e tinha consciência de que estava no fim de sua longa, sacrificada e honrosa missão (v. 6). Paulo assegura que seu sangue seria derramado como uma oferta de libação. Esta era uma oferta de caráter voluntário, "de cheiro suave ao Senhor" (Lv 2.2). Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, "libação era uma oferta líquida e consistia em derramar vinho sobre o altar como um sacrifício a Deus". Não era uma oferta pelos pecados, mas uma oferta de gratidão ao Senhor. [Comentário:  Temos convicção de que a morte não é o fim de tudo. O homem não morre como a besta do campo e o crente morre como alguém sem esperança. Pela graça ele crê que Deus lhe deu a vida eterna, e que a morte é o meio pelo qual ele passa para uma experiência mais gloriosa dessa vida: "Tragada foi a morte na vitória" (1Co 15.54). Embora seu corpo retorne ao pó, o mesmo não permanecerá nessa corrupção. Ele será levantado dentre os mortos. O corruptível se vestirá de incorrupção, e o mortal de imortalidade. "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro" (1Ts 4.16). Paulo pode enfrentar este momento porque tinha consciencia dessa verdade, por isso, ele entende seu mart~irio como uma libação - oferta de líquidos, em geral de vinho ou de azeite, derramados em sacrifício de dedicação a Deus – parte, junto com a oferta de manjares, das ofertas regulares apresentadas todos os dias (Êx 29.38-41). No Novo Testamento, simboliza aquele que derrama a vida pela causa de Cristo (Fp 2.17).]
 2. A certeza da missão cumprida (vv. 7,8). No texto, que indica a consciência da proximidade da partida para a eternidade, queremos destacar três aspectos:
a) "Combati o bom combate". Todos os apóstolos de Jesus eram homens que combatiam "pela fé que uma vez foi dada aos santos" (Jd 3). Mas nenhum teve tantas oposições e ameaças quanto Paulo. Foi um obreiro muito perseguido, mas nunca desistiu da luta espiritual em prol do evangelho (1 Tm 1.20; 2 Tm 3.11, 12; 4.14 ). Que você também não desista diante das dificuldades e oposições.  Conforme percbemos do txto de 1Timóteo 1,18-19, fica claro que o combate de Paulo não é literalmente uma batalha, uma guerra, mas uma imagem que descreve a vida do cristão, o seu comportamento sobretudo em relação ao perseverar na fé. A vida do cristão é feita de escolhas e a liberdade que nos foi dada faz com que cada vez tenhamos que decidir qual estrada tomar; o bom cristão deve seguir fiel ao ensinamento divino. Esse processo é chamado por Paulo de "combate". O êxito final vai defini-lo como "bom" ou "mau".
b) "Acabei a carreira". O texto indica que Paulo se referia à "pista de corrida", das competições em Atenas e em Roma. Em sua carreira ou "corrida", ele diz que não olhava para trás, mas para as coisas que estavam diante dele, prosseguindo "para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3.13,14). Muitos começam a carreira da vida cristã bem, mas desistem ou recuam ante os obstáculos e os problemas que surgem. O pastor de uma igreja não pode se acovardar diante das dificuldades, mas firmado em Cristo precisa prosseguir até o final. Sem determinação torna-se impossível para o atleta completar a prova. A mesma regra pode ser aplicada em nossas vidas. Isto é, sem perseverarmos nos é impossível transformar sonhos em realidade. ACABEI A CARREIRA, esta é a declaração de profunda alegria de um perseverante no bem. Ele diz que “Terminei minha missão”, “Fiz o que estava em minha alçada” (At 20. 27), “Não me embaracei com os negócios desta vida” (2Tm 2. 4), e “Imitei meu salvador que disse: “Está consumado” (Jo 19. 30).
c) "Guardei a fé". Isso quer dizer que Paulo foi fiel a Deus, em todas as circunstâncias de sua vida cristã. Ele não se embaraçou "com os negócios dessa vida" e militou legitimamente (2 Tm 2.4,5). Guardar a fé significa guardar a fidelidade a Cristo e a seus ensinamentos. O crente precisa guardar a fé até o seu último momento de vida. Paulo ensinou a Timóteo e à Igreja do Senhor a respeito desse cuidado. O crente é consolado pela fé (Rm 1.12); a justiça de Deus é pela fé (Rm 3.22); o homem é justificado pela fé (Rm 3.28; 5.1; Gl 2.16); o justo vive pela fé (Gl 3.11); a salvação é pela fé em Jesus (Ef 2.8). Paulo sabia o que era lutar e guardar a "fé que uma vez foi dada aos santos" (Jd 3). [Comentário:  Esta é a consciência de não se ter deixado corromper. Ao afirmar “Guardei a fé”, Paulo quer dizer que “Não negociei a graça de Deus”, “Resisti às tentações” (1Co 9. 27), “Permaneci em comunhão” (1Co 4. 1-5), e “Meu depósito foi guardado para mim por meu Senhor” (2Tm 1. 12). O Apóstolo Paulo convoca Timóteo a combater o bom combate da fé, o que significa nesse contexto específico, resistir ao materialismo, à avareza e as deturpações que levam a conclusão erronea de que "piedade é fonte de lucro". Combater o bom combate, significa também, seguir com firmeza as virtudes distintamente cristãs - Justiça, piedade, fé, amor, constancia e mansidão (v.11). É ainda, viver intensamente o ministério recebido do Senhor (v.14).]

SÍNTESE DO TÓPICO I
A vida do apóstolo Paulo é um exemplo de seriedade cristã diante da morte e uma certeza da missão cumprida.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
Professor, em muitas das suas cartas, o apóstolo Paulo afirmava que estava morto para o mundo e vivo no serviço de Cristo (Fp 1.21-23; 2 Co 5.2). Entretanto, o tom presente nesta segunda carta a Timóteo parece mais grave e mais sério. Neste trecho da epístola, há algumas formas literárias que ajuda-nos a descrever a gravidade desse tom na epístola, bem como em outras semelhantes: 1) o reconhecimento de que a morte está próxima; 2) advertências sobre a vinda dos falsos doutores; 3) a designação de sucessores para continuar a tradição apostólica; 4) a correta interpretação de pontos controversos. Assim, é possível perceber a típica forma de Paulo se comunicar neste momento de sofrimento: "oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé" (Fp 2.17); "Combati o bom combate e terminei a carreira" (2 Tm 4.7). Então, a sua última realização foi: "guardei a fé". O apóstolo sabia que restava pouco tempo de vida.
Sugerimos que você repasse essa explicação aos alunos, logo depois de expor o primeiro tópico da lição.
CONHEÇA MAIS
*Coroa da  justiça
"A coroa, como símbolo de um prêmio, deriva das culturas gregas e judaicas. Como uma recompensa, a coroa simboliza a honra que Deus quer abençoar seus servos fiéis. A Bíblia menciona três tipos de coroas; a coroa da vida (1 Co 9.25; 2 Tm 2.5); a coroa da justiça; a coroa de glória (1 Pe 5.4). Além disso, Paulo também conclama os tessalonicenses a que se convertam em coroas (1 Ts 2.19). Cada uma dessas coroas será conferida após a volta de Cristo".
Leia mais em Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p. 844.

II. O SENTIMENTO DE ABANDONO
1. O clamor de Paulo na solidão. No início da Segunda Carta, Paulo já havia demonstrado que sentia muito a falta de Timóteo: "[...] desejando muito ver-te [...]" (1.4). No final da epístola, vemos a súplica de Paulo ao seu filho na fé: "Procura vir ter comigo depressa" (4.9). Ele também revela o porquê de sua pressa em rever seu filho na fé. Vejamos:
a) Demas o desamparou. "Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica" (2Tm 4. 10). Demas era um dos cooperadores de Paulo (Cl 4.14; Fm 24). Porém, será que ele havia se desviado? Não sabemos ao certo. O texto bíblico mostra que ele abandonou Paulo quando este precisava muito de sua ajuda. O versículo também afirma que no momento, Demas amava mais o "presente século" do que o amigo e irmão em Cristo. Os momentos de adversidade revelam aqueles que são realmente amigos e que nos amam.[Comentário:  O apóstolo Paulo,nesse contexto,pedia para que Timóteo estivesse com ele. O homem de Deus estava só. Um dos seus principais colaboradores,Demas,o havia abandonado. Demas é citado por Paulo em Cl 4.14 e Fm 24. Pelo texto de Filemon (v. 24) vemos que Demas começou muito bem, é citado como “colaborador”. Não se sabe a princípio o porquê, mas talvez o desinteresse, a frieza, a indiferença de Demas foram crescendo até ele chegar a esta situação, ao limite perigosíssimo da apostasia. A história de Demas é a história de todos os que não sabem ou não podem perseverar até o fim que é a condição para se obter a coroa da vida!]
b) Só o médico amado ficou com Paulo. Tíquico foi mandado para Éfeso (4.12) e só Lucas ficou junto de Paulo (4.11). Lucas, "o médico amado" (Cl 4.14), escritor do livro de Atos dos Apóstolos e cooperador do apóstolo (Fm 24), fez-se presente, dando toda assistência a Paulo. Sem dúvida alguma, fora providência de Deus. Em idade avançada (Fm 9), Paulo precisava de cuidados médicos, físicos e emocionais. E ali estava o doutor Lucas, seu amigo, que não o desamparou. [Comentário:  A Bíblia conta maravilhosas histórias de amizade, e aquim o Novo Testamento nos apresenta uma destas histórias, Lucas e Paulo, Por intermédio de Paulo, sabemos que Lucas era médico (Cl 4.14). Parece que o primeiro encontro entre os dois ocorreu em Trôade (At 16.6-10), onde juntos partiram para a Macedônia. A primeira cidade Macedônia em que eles pregaram o Evangelho foi Filipos. Há historiadores cristãos que concordam que Lucas pastoreou aquela igreja por seis anos (51-57 d.C.). É na última prisão de Paulo que a amizade foi realmente provada. “Só Lucas está comigo”, disse Paulo para seu discípulo Timóteo. Neste período, Paulo está esperando sua execução, que aconteceu, provavelmente, no ano de 68 d.C., por decapitação, por ordem de Nero. Todos os demais companheiros de Paulo o tinham deixado. Lucas, um médico, homem que provou ser culto pela qualidade das obras que escreveu, abriu mão de vários anos de sua vida para acompanhar o apóstolo enquanto estava preso. Num desses períodos, na primeira prisão em Roma (At 28.16), Lucas redige sua obra: o evangelho de Lucas e Atos. Lembrando que estes dois livros também mostram a dedicação de Lucas a outro amigo, a saber, Teófilo (Lc 1.3; At 1.1). A dedicação às pessoas é fruto do amor que transforma vidas. Nós temos uma fé que não pode ser vivida para nós mesmos, mas nossa fé deve se abrir para os outros. Nosso alvo é servir o nosso próximo (Tg 2.14-26). Deus nos escolheu para sermos um povo de boas obras (Ef 2.10; Tt 2.14).]
2. A serenidade dos últimos dias. "Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos" (v. 13). A prisão de Paulo se deu tão de repente que ele não teve tempo para reunir suas coisas. Agora, aproximava-se o inverno (v. 21), e Paulo sentia a necessidade da capa que deixou na casa de Carpo e também dos livros. Sabemos quão rigoroso é o inverno europeu. O texto também nos mostra que até o fim de sua vida, Paulo se preocupou em ler e estudar. Tem você dedicado tempo ao estudo da Palavra de Deus?
O seu julgamento, perante a justiça de Roma, poderia demorar alguns dias ou meses. De qualquer forma, é um eloquente testemunho de que o homem de Deus, quando está seguro com o Senhor, não teme a morte ou qualquer  outra adversidade. [Comentário:  No mesmo contexto, alguns versículos antes em II Timóteo 4:6-8, Paulo afirma que encerrou sua carreira, e que está prestes a morrer. Mesmo assim, no versículo 13 ele ainda pede que sejam trazidos seus livros. Aprendemos então que Paulo continua tendo interesse em ler, escrever e aprender, mesmo estando prestes a morrer. Uma vez que a Bíblia não afirma expressamente, não podemos afirmar nada com certeza sobre isso. Podemos, entretanto, examinar as Escrituras e ter a melhor compreensão possível e tirar todo aprendizado possível sobre o assunto. Se examinarmos o livro de Atos, perceberemos informações importantes, que possivelmente demonstram como foi que Paulo acabou deixando essas coisas todas em Trôade, na casa de Carpo (Atos 16:8-12).]
3. Preocupações finais com o discípulo. Paulo alerta Timóteo a respeito de "Alexandre, o latoeiro", que foi inimigo do apóstolo (vv. 14,15). "Tu, guarda-te dele." Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, Alexandre pode ter sido uma testemunha contra Paulo em seu julgamento. O crente fiel sempre vai encontrar pessoas difíceis em sua caminhada, por isso, precisa estar preparados para lidar com toda a sorte de gente, boas e más. [Comentário:  Em algumas outras versões da Bíblia este mesmo Alexandre é chamado de ferreiro! Possivelmente este Alexandre fazia utensílios domésticos de metais, ferramentas, escudos, facas, espadas, lanças, etc. Alexandre, o latoeiro, foi pior que Demas! Apesar de também ter saído da Obra, ele passou a perseguir o Apóstolo Paulo, chegando a ponto de interferir na sua sentença em Roma, causando-lhe muitos males (2Tm 4.14). Mesmo assim, Paulo orou por ele e entregou o caso nas Mãos de Deus, pedindo justiça. Segundo alguns estudiosos da Bíblia, há muitas chances deste Alexandre ter sido o mesmo que foi citado na Primeira Carta de Paulo a Timóteo no “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé. 20 - E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar” (1Tm 1.19).]

SÍNTESE DO TÓPICO II
No final do seu ministério, estando preso, o apóstolo Paulo sentiu-se sozinho, abandonado pelos seus pares.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
"Bem sabes isto: que os que estão na Ásia todos se apartaram de mim; entre os quais foram Fígelo e Hermógenes. O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes me recreou e não se envergonhou das minhas cadeias; antes, vindo ele a Roma, com muito cuidado me procurou e me achou. O Senhor lhe conceda que, naquele Dia, ache misericórdia diante do Senhor. E, quanto me ajudou em Éfeso, melhor o sabes tu" (2 Tm 1.15-18). Este texto, mostra com clareza, que o apóstolo Paulo já havia se queixado da solidão. Esta é uma informação importante que você, prezado professor, deve repassar à classe. O texto de Paulo expresso no capítulo 4 de 2 Timóteo é de caráter bem pessoal, demonstrando o sentimento, a pessoalidade e a dor do apóstolo em ser abandonado por quem deveria apoiá-lo em seu árduo ministério. Enfatize que 2 Timóteo 4 narra os últimos momentos da vida do apóstolo. Podemos afirmar que temos o privilégio de conhecer os últimos momentos da vida de um grande homem de Deus, apóstolo Paulo.   

III. A CERTEZA DA PRESENÇA DE CRISTO
1. Sozinho perante o tribunal dos homens (v. 16). Nem Lucas, o "médico amado" se encontrava na cidade, quando Paulo compareceu a audiência. Mas ele não era murmurador, nem guardou mágoa dos amigos ausentes. Pelo contrário, demonstrou que os perdoara, pedindo a Deus "que isto lhes não seja imputado". A atitude de Paulo nos faz recordar a postura de Jesus na cruz, quando Ele exclamou: "[...] Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34). Podem os amigos e companheiros nos abandonar nos momentos difíceis, mas Deus é fiel e jamais nos deixa sozinho. [Comentário:  Embora os homens tenham abandonado Paulo em sua primeira audiência no tribunal, o Senhor não o fez. Paulo pode usar aquela ocasião para pregar o evangelho. Como cidadão romano, Paulo não poderia ser jogado aos leões no teatro público. Diz a tradição que, como resultado de haver apelado para César, após dois julgamentos no ano 68 d.C., Paulo foi executado. Relata-se que Nero saiu de viagem enquanto Paulo estava em Roma; entrementes, uma de suas concumbinas foi ganha para o Senhor por intermédio do apóstolo. Quando Nero voltou para casa, ela havia se juntado a um grupo cristão, abandonando o imperador. Nero ficou tão furioso que descarregou sua ira sobre Paulo, que foi levado para a Via Óstia onde o executaram.]
2. Sentindo a presença de Cristo (v. 17). Paulo não tinha a companhia dos amigos e irmãos em Cristo, mas pôde sentir, de perto, a gloriosa presença de Deus. O Senhor se fez presente e fortaleceu a alma e o espírito do seu servo. Mesmo estando preso, ele se sentia "livre da boca do leão", o que pode referir-se ao sentimento de libertação espiritual em relação a Satanás, ou de Nero, o sanguinário imperador. Ele não foi liberto da prisão e da morte, pois suas palavras eram de despedida: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé" (v. 7).[Comentário:  Viver e morrer para o crente significa aceitar a passagem pascal, onde a doação a Cristo e aos irmãos não se realiza sem dificuldades e desilusões, sem passar pelas inúmeras mortes cotidianas até a morte física, etapa obrigatória criada pelo ato redentor de suprema doação de Cristo que morre por amor e ressuscita para que nós possamos ressuscitar com Ele. Agora vivemos uma vida nova, porque aquele que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, dará a vida também aos nossos corpos mortais (Rm 8.11). Livre da boca do leão, essa era uma forma figurada de dizer que os esforços de Satanás em causar a morte prematura de Paulo tinham sido desviados, impedidos até o presente.]
3. Palavras e saudações finais. "E o Senhor me livrará de toda má obra e guardar-me-á para o seu Reino celestial [...]" (v. 18). Paulo não estava se referindo ao livramento físico da morte. Ele já havia se despedido de forma muito comovente nos versículos 6 a 8. Esse texto nos mostra o quanto ele estava tranquilo, aguardando a vontade de Deus sobre sua vida e o fim do seu ministério. E conclui, saudando seu amigo e filho na fé, dizendo: "O Senhor Jesus Cristo seja com o teu espírito. A graça seja convosco. Amém!" (v. 22). [Comentário:  Paulo não expressa imunidade à doença fisica. Pelo contrário, ele espera a morte, mas nenhum ataque a ele poderia prejudicá-lo. Sua morte traria a libertação do sofrimento e a entrada no céu.]

SÍNTESE DO TÓPICO III
Sozinho, Paulo se dirigiu ao tribunal para ser julgado, mas com a plena convicção de que a presença de Cristo estava com Ele.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"A graça seja convosco. Estas são as últimas palavras de Paulo nas Escrituras registradas enquanto ele aguardava o martírio num cárcere romano. Do ponto de vista do mundo, a vida do apóstolo estava para terminar num trágico fracasso.
Durante trinta anos, largara tudo por amor a Cristo; pouca coisa ganhara com isso, a não ser perseguição e inimizade dos seus próprios patrícios. Sua missão e sua pregação aos gentios resultaram no estabelecimento de um bom número de igrejas, mas muitas dessas igrejas estavam decaindo em lealdade a ele e à fé apostólica (2 Tm 1.15). E agora, no cárcere, depois de todos os seus leais amigos o deixarem, a não ser Lucas (vv.11,16), ele aguarda a morte" (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, 1995, p.1885).

CONCLUSÃO
Os últimos trechos da Segunda Carta de Paulo a Timóteo nos ensinam que o servo de Deus que tem certeza da sua salvação, mediante a obra redentora de Cristo, não teme a morte. Paulo sabia que a morte física aniquilaria apenas o seu corpo, mas seu espírito e sua alma (o homem interior - 2 Co 4.16) estavam guardados em Cristo Jesus. [Comentário:  “Melhor é a boa fama do que o melhor ungüento, e o dia da morte, do que o dia do nascimento de alguém” (Eclesiastes 7:1). O dia da morte do cristão é melhor do que o dia do seu nascimento. Todos os dias do cristão em Cristo sobre a terra são bons, mas estar com Cristo na glória eterna será melhor. Paulo foi abençoado em Cristo sobre a terra, mas o apogeu da bênção para Paulo seria estar com Cristo na glória: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne” (Fp 1.21-24). O cristão olha para a morte como uma partida da imperfeição para imperfeição (2Tm 4.6). Paulo viveu uma vida espiritual progressiva. Ela não foi ausente de dificuldade, perseguição e sofrimento. Contudo, essa vida estava em preparação para a morte, pois ele aguardava a experiência com confiança alegre e expectativa esperançosa. A Bíblia refere-se à morte do crente em termos consoladores. A morte para o justo, segundo Lucas, é ser levado pelos anjos “para o seio de Abrão” (Lc 16.22); é ir ao “paraíso”(Lc 23.43); é ir à casa do nosso Pai, onde há “muitas moradas” (Jo 14.2); é uma partida bem-aventurada para “estar com Cristo”(Fp 1.23), e é a ocasião de receber a “coroa da justiça”(2Tm 4.8). Nossa corporal está garantida pela ressurreição de Cristo (At 17.31; 1Co 15.12, 20-23). Essas porções bíblicas ensinam claramente a sobrevivência da alma humana fora do corpo, quer do salvo, quer do ímpio, após a morte. Jesus nos ensina acerca de uma ressurreição da vida, para o crente, e de uma ressurreição de juízo, para o ímpio (Jo 5.28,29). O crente passa do tempo para a eternidade. Paulo usou o substantivo grego kerdos significando ganho, o adjetivo kreitton significando maior, melhor ou superior, e o advérbio mallon significando mais ou muito mais em Filipenses 1.21-23. A combinação das palavras prova que o crente falecido não se torna inferior a uma pessoa quando ele morre: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada...E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.18,23). O corpo redimido será a finalização ou perfeição do que Deus o Espírito Santo começou na regeneração. O Espírito aplicou o que o Filho de Deus providenciou em Sua morte. O que o Filho providenciou foi em favor do eleito que o Pai lhe deu antes da fundação do mundohttp://www.monergismo.com/textos/morte/considerar_morte_best.htm; ] NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Francisco Barbosa
Campina Grande-PB
Agosto de 2015


PARA REFLETIR
A respeito das Cartas Pastorais:

Qual era o caráter da oferta de libação?
De caráter voluntário.
O que era a oferta de libação?
Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, "libação era uma oferta líquida e consistia em derramar vinho sobre o altar como um sacrifício a Deus". Não era uma oferta pelos pecados, mas uma oferta de gratidão ao Senhor.
O que Paulo queria dizer com a expressão "guardei a fé"?
Que ele manteve-se fiel a Cristo e a seus ensinamentos.
Segundo a lição, o que significa "guardar a fé"?
Manter-se firme em Cristo e em seus ensinamentos.
Quem era Demas?
Demas era um dos cooperadores de Paulo (Cl 4.14; Fm 24).

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 63, p. 41.
Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição.  São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA
Reflexões para um Ministério Eficaz

O autor apresenta um trabalho sério e experiente que é fruto do seu ministério pastoral. Ele reparte uma visão de ministério que faz vislumbrar novas perspectivas para "quem deseja o episcopado". Os temas aparecem de forma homilética e abrangem assuntos de ética, doutrina, teologia e vocação.
Como Tornar-se uma Pessoa de Influência

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ESBOÇO Nº 10
LIÇÃO Nº 10 – O LÍDER DIANTE DA CHEGADA DA MORTE

O ministro de Cristo Jesus deve ser exemplo inclusive no modo de encarar a morte física.

INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo da Segunda Epístola de Paulo a Timóteo, que estamos a finalizar nesta lição, analisaremos o quarto e último capítulo desta carta.
- O ministro de Cristo Jesus deve ser exemplo inclusive no modo de encarar a morte física.

I – A EXORTAÇÃO DE PAULO A TIMÓTEO PARA A PREGAÇÃO EM TODAS AS OCASIÕES.
- Na sequência do estudo da Segunda Epístola de Paulo a Timóteo, que estamos a finalizar nesta lição, analisaremos o quarto e último capítulo desta carta.
- A primeira parte deste capítulo quatro, consistente de seus cinco primeiros versículos, traz uma exortação de Paulo a Timóteo para que pregasse a Palavra a tempo e fora de tempo, devendo redarguir, repreender, exortar, com toda a longanimidade e doutrina.
- Paulo havia acabado de mostrar a importância das Escrituras Sagradas para a vida espiritual, pois eram elas divinamente inspiradas para ensinar, redarguir, corrigir e instruir em justiça.
- Ora, se a Palavra de Deus era fundamental para a vida espiritual das pessoas, a começar do próprio Timóteo, não se poderia abrir mão de pregá-la a tempo e fora de tempo para que a membresia da igreja local pudesse ter crescimento espiritual, pudesse sobreviver espiritualmente.
- A necessidade desta pregação encontra-se na própria expressão do apóstolo Paulo quando ele conjura Timóteo diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que haveria de julgar os vivos e os mortos, na Sua vinda e no Seu reino, para que Timóteo tomasse essa atitude (II Tm.4:1).
- Como afirma Matthew Henry: “…Paulo, com grande solenidade e seriedade, compele Timóteo a ser diligente e consciencioso na execução do seu trabalho e ofício como evangelista; e a ordem que foi dada a ele deve ser obedecida por todos os ministros (vv. 1-5).…” (Comentário Novo Testamento Atos a Apocalipse obra completa. Trad. de Degmar Ribas Júnior, p. 717).
- Paulo “…dirige a atenção de Timóteo para Deus e Cristo Jesus, em cuja presença a incumbência é delegada e recebida. Ele põe Timóteo sob juramento de cumprir a incumbência. É a Deus e ao Salvador Ungido que Timóteo (e Paulo também, naturalmente) terá de prestar contas. E este é o Cristo que ‘está para julgar’…” (HENDRIKSEN, William. Comentário I Timóteo, II Timóteo e Tito. Trad. de Válter Graciano Martins, p. 378).
- Como se pode observar, a missão precípua do ministro de Jesus Cristo na igreja local é a proclamação da Palavra, a pregação do Evangelho. Assim como se fazem juramentos para o início do exercício de uma profissão, juramentos estes que têm o significado de fazer prova da consciência do profissional a respeito de seus deveres e responsabilidades, de tal maneira que não possa alegar qualquer ignorância quando for responsabilizado, do mesmo modo, o apóstolo Paulo deixa claro a Timóteo de que ele deve ter plena consciência de que sua missão principal é o “ministério da Palavra”, algo, aliás, que já era tido como fundamental desde o início da Igreja, ainda em Jerusalém, como dão conta os apóstolos em At.6:2,4.
- As palavras solenes de Paulo mostram a seriedade deste tema não só para Timóteo mas para todos os ministros na igreja local. O ministério da Palavra é a obrigação primeira de qualquer obreiro, é o que primeiro será cobrado do Senhor, Senhor este que, lembrou bem Paulo, será Aquele que julgará tanto os vivos quanto os mortos. Nunca nos esqueçamos, aliás, que, salvos ou não, teremos de prestar contas ao Senhor por tudo que tivermos feito durante nossa existência terrena. Como diz o escritor aos hebreus: “E não há criatura alguma encoberta diante dele: antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos d’Aquele com quem temos de tratar” (Hb.4:13).
- “…Mais uma vez Paulo o [Timóteo – observação nossa] coloca diante do semblante divino, longe de todos os veredictos humanos. Você está diante de Deus e do Messias, o Juiz de todos, devendo prestação de contas a Ele. O que pessoas afirmam sobre você não terá importância no dia do juízo final, motivo pelo qual você deve libertar-se disso desde já, a fim de poder cumprir livremente sua tarefa, inclusive quando ela acarretar sofrimento e perseguição…” (BÜRKI, Hans. Cartas a Timóteo II Timóteo Comentário Esperança. Trad. de Werner Fuchs, p.57).
- Trata de assunto sério, diríamos até o mais sério assunto da vida ministerial: o de pregar a Palavra de Deus. Os ministros serão julgados diante de Deus, pelo Senhor Jesus, em primeiro lugar, sobre se desincumbiram a contento do ministério da Palavra. Assim, diante do Tribunal de Cristo (Rm.14:10; I Co.3:10-15; II Co.5:10), aqueles que forem fiéis e arrebatados, serão julgados sobre o modo como desempenharam o ministério da Palavra, recebendo, ou não, galardão por isso, até porque, aos ministros, está reservada a coroa de glória (I Pe.5:4).
OBS: “…Ele [Timóteo – observação nossa] é conjurado a pregar a palavra. Essa é a função dos ministros: uma revelação é confiada a eles. Não são as suas próprias ideias e concepções que devem pregar, mas a pura e clara Palavra de Deus; e eles não a devem corromper, mas com sinceridade falam de Cristo, como de Deus na presença de Deus (II Co. 2:17).…” (HENRY, Matthew. op.cit., p.718).
- Pior situação, entretanto, terão aqueles ministros que não forem achados fiéis (Cf. I Co.4:1,2) e que, portanto, não serão arrebatados. Estes terão de comparecer ao juízo do trono branco (Ap.20:11-15), onde serão condenados ao tormento eterno, mas terão, certamente, um juízo ainda mais terrível, diante da negligência que tiveram com o ministério da Palavra. Que Deus nos guarde!
- Timóteo deveria pregar a Palavra a tempo e fora de tempo. “…A tempo, quando estiverem livres para ouvir a ti, quando alguma oportunidade especial se apresentar de falar a eles. Não somente isso, mas faze-o fora de tempo, mesmo quando não há a aparente probabilidade para despertá-los para o evangelho, porque tu não sabes, mas o Espírito de Deus pode fazer isso neles; porque o vento sopra onde quer; e pela manhã, semeamos a nossa semente e, à tarde, não retiramos a nossa mão” (Ec 11.6). Devemos fazê-lo a tempo, isto é, não deixar escapar a oportunidade; e fazê-lo fora de tempo, isto é, não esquivar-nos do dever, com o pretexto de que é fora de tempo.…” (HENRY. Matthew. op.cit., p.718).
- Devemos, portanto, entender este “fora de tempo” da exortação de Paulo em consonância com o que havia dito antes e o que diria em seguida a Timóteo, ou seja, a pregação da Palavra deveria se dar sempre, ainda quando se estivesse no tempo em que os ouvintes não quisessem ouvir a Palavra (Cf. II Tm.4:3), ou seja, os tempos da apostasia de que Paulo já tratara com seu filho na fé.
- Bem se vê, portanto, que este “fora de tempo” não tem o sentido que alguns inadvertidamente têm dado para justificar a pregação do Evangelho em locais e horários inapropriados e inadequados, como, por exemplo, o servo de Cristo que resolve “pregar o Evangelho” em vez de exercer a sua tarefa no local de trabalho ou de assistir às aulas num estabelecimento escolar. O texto aqui nada tem que ver com tais procedimentos, que não são condutas que se esperam de um servo de Jesus que é submisso às autoridades, como, aliás, faz questão de lembrar Paulo em I Tm.6:1 bem como em Rm.13:1,2.
- O ministro de Cristo Jesus tem de pregar a Palavra quer as pessoas ouçam ou deixem de ouvir (Ez.2:5,7), pois esta é a sua tarefa, a sua mais importante missão, a razão de ser de sua chamada para o ministério e o primeiro item da pauta do julgamento, quando terá de prestar contas diante do Senhor Jesus, seja no Tribunal de Cristo, seja no Juízo do Trono Branco.
- A pregação da Palavra, que é a sã doutrina, sem quaisquer invencionices ou inovações, deve seguir as mesmas funções das Escrituras, ou seja, deve ser uma pregação que ensine a membresia o que há na Bíblia Sagrada, deve ser um Palavra de redarguição, ou seja, de repetição do ensino, bem como deve ser uma palavra de repreensão, ou seja, correção, bem assim de exortação.
- O ministro de Cristo Jesus deve pregar a Palavra com todas estas finalidades, visando ensinar, repetir o ensino (redarguir), corrigir (repreender) e exortar, de modo a que seja o instrumento divino para que toda a igreja local seja instruída em justiça.
- Mas, além do conteúdo da pregação, o apóstolo Paulo também fala a respeito do modo da pregação. A pregação deve ser feita com toda a longanimidade, ou seja, com paciência, de modo manso e pacífico, sem insultos, humilhações, manifestações de ódio ou raiva, como, lamentavelmente, ocorre com certa frequência em muitas igrejas locais, onde se confunde correção, repreensão e exortação com falta de respeito, ira ou rispidez. É triste vermos alguns obreiros se vangloriando diante de seus colegas de que foi ríspido com a membresia, de que “sentou o pau” no povo. Tais ministros precisam, urgentemente, rever seus conceitos, antes que seja tarde demais, pois terão de prestar contas ao Senhor por tal comportamento.
OBS: “…longanimidade (tardio em irar-se, amável e paciente para com as pessoas que têm errado)…” (HENDRIKSEN, William. op.cit., p.382).
- Mas, além da longanimidade, a pregação deve ser feita “com doutrina”. Como afirma William Hendriksen, trata-se aqui da “disposição para ensinar”. O ministro deve pregar com disposição para ensinar, empenhado em ser compreendido pelos ouvintes, com o nítido propósito de que os membros da igreja local aprendam a Palavra de Deus. Quem está disposto a ensinar não mede esforços para que o aprendizado se dê, dedicando-se ao estudo da Palavra, dando proeminência à Palavra nas reuniões e incentivando toda e qualquer atividade na igreja local que vise ao crescimento do conhecimento do povo de Deus nas Escrituras Sagradas.
- Não é, entretanto, que temos visto em grande parte das igrejas locais na atualidade, onde não há qualquer incentivo ou estímulo para a frequência nos chamados “cultos de doutrina”, onde os ministros são faltosos nas Escolas Bíblicas Dominicais, onde não há apoio por parte dos obreiros na melhoria das condições das Escolas Bíblicas Dominicais como também na realização de eventos voltados para o ensino da Palavra de Deus. Como se isto fosse pouco, não são poucas as igrejas locais onde abundam eventos que não trazem qualquer proveito para a estruturação doutrinária da membresia, sem falar no pouquíssimo tempo que se dedica, nos cultos, à pregação da Palavra, com o preenchimento do tempo com outras atividades, como o louvor, jograis, peças teatrais e até danças, deixando-se a Palavra não em segundo, mas em quinto, décimo e até centésimo planos. É exatamente isto que o apóstolo Paulo está a combater em sua exortação a Timóteo.
- “…Estes cinco concisos imperativos, que se emparelham a outros quatro no versículo 5, resumem a tarefa do ministério: (1) Prega. É a primeira e grande tarefa básica da transmissão da mensagem fundamental, como fazia o próprio Paulo (I Co. 15:1-11) e Jesus (Lc. 5:1; 8:11, 21). (2) Insta. Estar pronto, preparado, quando for conveniente e quando não for. (3) Corrige, intimamente relacionado com a ideia de "convencer" (3:16; …), é a mesma palavra que foi usada em Tt.1:9 ("exortar"), 13 ("repreender"); 2:15 ("exortar"); I Tm. 5:20 ("repreender"). (4) Repreende foi traduzido para advertir em Mt. 12:16; advertir em Mc. 8:30; repreender em Mc. 10:48; e advertir em Lc. 9:21. Significa cobrar uma responsabilidade não cumprida. A ideia essencial é, frequentemente, a exigência implícita da restituição quando apontado o erro. (5) Exorta costuma ser traduzido para confortar ou suplicar. É uma ansiosa súplica em qualquer circunstância da vida, possível por causa da presença do Confortador, cujo nome é uma forma diferente a mesma palavra. A frase, com toda a longanimidade e doutrina (ensinamentos), não deve ser tomada só com o último dos imperativos, mas deve acompanhar todos os cinco mandamentos. Paciente transmissão de ensinamentos é a mais sólida das bases para um sucesso final no ministério (cons. 2:25).…” (HARRISON, Everett F. II Timóteo Comentário Moody, pp.16-7).
- A exortação de Paulo não se restringe a Timóteo, até porque o tempo a que ele se refere em que a maior parte dos membros da igreja local não quereriam sofrer a sã doutrina mas, tendo comichão nos ouvidos, amontariam para si doutores conforme as suas próprias concupiscências, não era o tempo em que Timóteo estava a pastorear a igreja de Éfeso que, muitos anos depois, era tida como um exemplo nesta matéria pelo Senhor Jesus na carta que dirigiu a ela (Ap.2:2), mas, sim, aos últimos tempos da dispensação da graça, quando a apostasia atingiria níveis alarmantes, ou seja, os dias em que estamos a viver.
OBS: “…Não é o arauto do evangelho quem falha, mas o ouvir dos homens, volúveis que formam o auditório! Eles têm ouvidos que comicham( de um verbo que no ativo significa fazer cócegas; daí, no passivo, sentir cócegas, e assim, coçar; figura: ‘sentir um desejo irritante’). Seu anseio é ter mestres que se ajustem às suas fantasias ou gostos pervertidos…” (HENDRIKSEN, William. op.cit., p.383) (destaques originais).
- Este tempo já chegou. Com efeito, verificamos, com muitíssima tristeza, a imensa maioria dos membros das igrejas locais “fugindo” da sã doutrina, boicotando os cultos de ensino, as Escolas Bíblicas Dominicais e tudo fazendo para que o tempo da Palavra seja sensivelmente diminuído nas reuniões, reuniões em que o que impera, na atualidade, são as “cantarolas” que ocupam quase que a totalidade do tempo, sem se falar em pregações que, ou não ensinam a sã doutrina, sendo repletas de heresias e mensagens de autoajuda, ou, então, não passam de encenações teatrais, muitas vezes repletas de estratégias e técnicas de neurolinguística, com clichês, chavões e atitudes que nada mais são que “enchimento de linguiça”, para tentar esconder o vazio espiritual e de mensagem dos preletores.
- Não são poucos os que cristãos se dizem ser que estão “fugindo” da sã doutrina, que não têm qualquer interesse em ouvir a Palavra de Deus e que andam atrás de “reteteté”, “reveladores”, “louvorzões”, “sessões de descarrego” e de “mensagens de autoajuda”, onde chegam rapidamente a uma histeria, que confundem com “poder de Deus”, mas que não têm qualquer interesse em conhecer a genuína e autêntica Palavra de Deus.
- São pessoas que estão correndo atrás daqueles que falem o que eles querem ouvir. São ouvintes que estão em busca de quem confirme os seus sentimentos, as suas vontades, pouco se importando com o que diz o Senhor em Sua Palavra. São pessoas que fazem parte da turma do “me engana que eu gosto”.
- Diante de tais atitudes e mentalidades, muitos ministros de Cristo Jesus, para serem “simpáticos”, “populares”, “contemporâneos” e, sobretudo, para que obtenham vantagens econômico-financeiras, amoldam-se a este comportamento desenvolvido por boa parte dos que cristãos se dizem ser, não só aderindo a estas práticas lamentáveis, mas as estimulando, incentivando e fomentando em suas igrejas locais. O resultado disto é o que se vê em nossos dias: o avanço assustador da apostasia espiritual e a transformação das igrejas locais em estabelecimentos de entretenimento e de engodo.
- Paulo, entretanto, diz a Timóteo que, diante deste comportamento, ele deveria ser sóbrio em tudo, sofrendo as aflições, fazendo a obra dum evangelista, cumprindo o seu ministério (II Tm.4:5), ou seja, bem ao contrário do que fazem muitos dos ministros da atualidade, o apóstolo diz que Timóteo, diante do ânimo dos ouvintes em buscar outra coisa que não fosse a sã doutrina, deveria se manter sóbrio, ou seja, equilibrado, continuando a pregar a Palavra, estando preocupado em agradar a Deus e não aos homens, rejeitando fazer uso de fábulas ou de mentiras, mas continuando a pregar a Cristo e este crucificado (Cf. I Co.2:2).
- Timóteo deveria estar pronto a cumprir o seu chamado ministerial, sabendo que quem o havia escolhido era o Senhor e não a membresia, de modo que não poderia querer fazer o que a membresia desejava, mas, sim, cumprir a missão que lhe fora confiada pelo Senhor, sabendo que é a Ele que ele deve prestar contas naquele dia.
- Timóteo deveria fazer a obra dum evangelista, ou seja, deveria pregar o Evangelho, nada mais, nada menos do que isto. Não deveria se impressionar pela resistência dos ouvintes, nem procurar apresentar um outro discurso que pudesse “amenizar” as resistências. Obreiro do Senhor Jesus não foi feito para agradar o auditório, mas, sim, para agradar a Deus. O apóstolo podia ensinar isto a seu filho na fé, porque ele havia sempre vivido deste modo, tanto que disse aos gálatas que se estivesse ainda a agradar aos homens não poderia ser considerado servo de Jesus Cristo (Gl.1:10).
- O ministro de Cristo Jesus não pode se amoldar aos desejos dos ouvintes, nem tampouco ao “discurso politicamente correto” tão em voga no mundo hodierno. Deve, isto sim, pregar a Palavra de Deus, insistir nesta pregação, ainda que as pessoas, rejeitando tal mensagem, ameacem abandonar ou realmente abandonem a congregação. O ministro deve imitar seu Senhor que, ante um duro discurso, não se intimidou com o abandono de muitos discípulos, tendo, ao ser como que “avisado” pelos que ainda restavam de que o discurso era duro demais, deixado os que ainda O ouviam à vontade para também irem embora (Jo.6:66-68).
- O ministro deve pregar o Evangelho, não pode alterar a mensagem das Escrituras Sagradas, devendo ensinar única e exclusivamente a sã doutrina, pouco se importando se as pessoas estão, ou não, de acordo com o que é ensinado. Não deve ter medo do abandono de muitos por causa disto, pois é muito mais importante estar a agradar a Deus do que ter a simpatia e popularidade dos homens.
- Isto, à evidência, não significa que o obreiro deve ser ríspido e mal educado, afugentando, com sua falta de polidez, o auditório. Lembremo-nos de que, antes de falar sobre isto, o apóstolo disse que a pregação deve ser com longanimidade e doutrina. O obreiro deve, sim, pregar a verdade, não deve se moldar a padrões ditados pela concupiscência daqueles que, com comichão nos ouvidos, não querem abandonar a sua vida pecaminosa e por isso não suportam o ensino bíblico genuíno, mas isto não autoriza falta de polidez e de respeito aos ouvintes por parte dos pregadores.
- Aliás, é precisamente por causa do tempo da apostasia que o obreiro deve manter o seu compromisso de ministrar a Palavra de Deus. Como afirma Tomás de Aquino, o grande teólogo da Idade Média: “…"Virá o tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina." Isso mostra a necessidade da admoestação acima, que é tríplice, segundo vem dos ouvintes, ou do apóstolo Timóteo. A primeira, de parte dos ouvintes, é a sua falta de vontade de ouvir, não querendo ouvir o que é proveitoso, mas o agradável. Então ele diz relativamente à primeira: como dispostos a acatar a sã doutrina, insiste-lhes, conforta-lhes os ouvidos, "porque o tempo virá quando os homens não suportarão a sã doutrina", e que é o tempo quando haverá maus doutores; "Eu sei que depois da minha partida você terá que atacar lobos vorazes" (At 20:29). Onde se diz: "Eles não vão sofrer", isto é, ser-lhes-á odiosa a doutrina de Cristo (Pv 8).…” (AQUINO, Tomás de . Comentário da Segunda Epístola de Paulo a Timóteo. Cit. II Tm.4:1-5. n. 13. Disponível em: http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/pt/index.htm Acesso em 17 jun. 2015) (tradução nossa de texto em espanhol).


II – PAULO PREVÊ A SUA MORTE
- Paulo, em seguida, traz a Timóteo mais uma revelação do Espírito Santo, a como que explicar o alto grau de solenidade e seriedade da exortação para que seu filho na fé cumprisse o seu ministério mesmo diante da apostasia. O apóstolo iria morrer, não sairia vivo da prisão, como acontecera na vez anterior: “estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo” (II Tm.4:6).
- Paulo faz esta afirmação com serenidade, porque não tinha medo da morte. Ele já havia dito que a vida que vivia o fazia na fé do Filho de Deus, pois não era ele mais quem vivia, mas, sim, Cristo vivia nele (Gl.2:20). Ele já havia morrido para o mundo (Gl.6:14) e não tinha a sua vida por preciosa (At.20:24), sabendo que o morrer para ele era ganho (Fp.1:21) e entendendo que a morte lhe traria algo muito melhor do que esta existência terrena (Fp.1:23).
- Paulo vivia nesta terra com um único e exclusivo propósito que era o de cumprir com alegria a sua carreira e o ministério que recebera do Senhor Jesus, para dar testemunho do Evangelho da graça de Deus (At.20:24). Assim, na primeira prisão em Roma, embora desejasse estar com Cristo, que era algo muito melhor do que ficar nesta Terra, o apóstolo havia compreendido de que ainda não era o tempo da partida, que tinha ainda algo a fazer para o Senhor na Sua obra, entre as quais, ir novamente a Filipos para confortar e animar os crentes daquela igreja local.
- Agora, porém, quando já tinha ido a Filipos, provavelmente ido a Espanha e retornado a Ásia, onde foi preso em Trôade, talvez por uma denúncia de Alexandre, o latoeiro, o apóstolo chegava à conclusão de que sua carreira havia terminado, que não lhe restava nada mais a fazer na obra do Senhor senão se oferecer como aspersão de sacrifício, do que ser mártir, dando a sua vida por causa da fé em Jesus.
- O apóstolo faz esta revelação a Timóteo porque esperava de seu filho na fé a mesma disposição. Ele não deveria se preocupar com a grande perseguição que a Igreja sofria no reinado de Nero, nem tampouco ter medo de ter, também, de dar a sua vida por causa da fé. Sua única e exclusiva preocupação deveria ser cumprir o ministério, fazer a obra dum evangelista, pregar a Palavra, impedir a proliferação de falsos ensinos na membresia da igreja de Éfeso e deixar-se ficar nas mãos do Senhor, inclusive, se fosse o caso, também enfrentando o martírio, se fosse esta a vontade de Deus.
- Sabemos que ninguém aceita de bom grado a morte física, visto que o homem não foi criado para morrer e este evento, consequência da entrada do pecado no mundo, é algo que contraria o propósito divino originário de nossa criação, motivo pelo qual se trata de fato que não encontra em nossas mentes e interior aceitação, nem pode ter tal aceitação.
- No entanto, conquanto seja algo que não seja de nossa aceitação, é uma realidade com a qual devemos conviver, que devemos enfrentar e o salvo em Cristo Jesus deve ter uma atitude de resignação, de esperança e de consciência.
- A atitude de resignação no sentido de que todos os salvos em Cristo Jesus morrerão, com exceção daqueles que estiverem vivos no dia do arrebatamento da Igreja. Sendo assim, devemos nos conformar com a ideia de que a morte física é uma possibilidade real para todo salvo e que, portanto, devemos viver de modo a que não sejamos surpreendidos com tal evento. Isto envolve, além da nossa santificação e vigilância, para que, no dia de nossa morte física, não sejamos apanhados em pecado, como também a própria tomada de providências concernentes à nossa ausência neste mundo, inclusive medidas para que nossos familiares e entes queridos não fiquem desamparados e sejam sobremaneira prejudicados com a nossa morte.
- Não adianta querer lutar contra a realidade da morte física, buscando, como faziam os alquimistas da Idade Média, o “elixir da longa vida”. É lógico que devemos cuidar de nossa saúde, devemos pedir a cura das enfermidades ao Senhor, mas que isto nunca represente a ilusão de que somos “imunes” à morte. Não devemos desejar morrer, mas temos de reconhecer que esta é uma possibilidade muito grande em nossa existência terrena.
- Paulo sabia desta realidade e a enfrentava com naturalidade. Quando de sua viagem a Jerusalém, avisado de que muito sofreria e seria encarcerado, por meio de profecias, foi resoluto ao afirmar que estava pronto para morrer. Anos haviam se passado desde então, tinha ele sido poupado da morte pelo Senhor mas agora o mesmo Deus lhe dizia que estava próximo o tempo de sua partida e o apóstolo, resignadamente, conta isto a Timóteo, tomando as devidas providências diante desta realidade, como podemos observar na sequência da epístola: pede a Timóteo que viesse depressa, a tempo de o apóstolo poder vê-lo antes de sua morte, devendo trazer com ele a Marcos (II Tm.4:9,11); pede que lhe sejam trazidas capa e livros, que havia deixado por ocasião de sua prisão em Trôade (II Tm.4:13), manda saudações a irmãos que sabia que nunca mais veria (II Tm.4:19). 
- Tal conduta de Paulo mostra, assim, a atitude de esperança com que o apóstolo encarava a morte, pois, ao saber, pelo Espírito Santo, que não escaparia da condenação à morte diante da acusação política que agora pairava sobre ele, não entrou em desespero, nem ficou a choramingar ou a suplicar a Timóteo que “levantasse um clamor” com a igreja de Éfeso para a absolvição e consequente libertação da prisão.
- O apóstolo tinha consciência de que havia acabado a carreira, havia feito tudo quanto era da vontade de Deus que fizesse em seu ministério e, portanto, nada mais havia para que o apóstolo fizesse nesta Terra, tendo, portanto, chegado o tempo de descansar das suas obras, aguardando a ressurreição no dia do arrebatamento da Igreja. Ora, se o objetivo da vida de Paulo era cumprir o ministério que lhe fora confiado, por que razão deveria ele agora se desesperar diante da iminência da morte? Sua vida só tinha sentido em fazer a vontade de Deus e Deus agora nada mais queria que ele fizesse sobre a face da Terra.
- O servo de Cristo Jesus almeja desfrutar da eternidade com Deus. Seu objetivo de vida é chegar aos céus e a morte física nada mais representa senão precisamente esta passagem para a eternidade, um primeiro estágio para aquilo que representará a consumação de todo o processo da salvação, que é a glorificação, o que ocorrerá apenas no dia do arrebatamento da Igreja. No entanto, a morte física traz o descanso a todos os que labutaram incansavelmente nesta peregrinação terrena na obra de Deus (Ap.14:13).
- Paulo sabia que chegara o momento de ele descansar dos seus trabalhos e ir para o local aonde fora levado em arrebatamento anos antes (Cf. II Co.12:1-4), lugar que já sabia ser glorioso e que fizera com que Paulo afirmasse, quando ainda preso pela primeira vez, que era muito melhor estar com Cristo do que neste mundo.
- Diante da morte, o servo de Jesus não pode ficar desesperado, angustiado ou alarmado, mas deve demonstrar que sua vida tem um alvo, que é o de desfrutar da eternidade com Deus. Nosso saudoso pai, que partiu para a eternidade recentemente, quando teve de decidir sobre a realização de uma cirurgia de alto risco, na qual não resistiu, foi bem claro ao afirmar que não tinha que temer o risco da morte, visto que havia pregado durante toda a sua vida que o céu era bom e não poderia negar toda a sua vida ministerial temendo morrer. É esta a atitude que deve ter um genuíno e autêntico servo de Cristo: saber que aquele que crê em Cristo Jesus, ainda que esteja morto, viverá (Jo.11:25).
- Resulta disto, aliás, a terceira atitude, que é a atitude de consciência. O servo de Cristo Jesus deve ter consciência que, desde o momento em que recebeu a Cristo como seu Senhor e Salvador, sua vida tem um único propósito: fazer a vontade de Deus. Sua vida não mais lhe pertence, ele é propriedade de Cristo (I Co.6:20), de forma que deve estar à disposição do Senhor não só para ir aonde o Senhor mandar, para fazer o que o Senhor quer se faça, mas, também, para cessar de fazer todas as coisas e partir para o Paraíso.
- O Senhor Jesus tinha esta consciência, tanto que disse que a Sua comida era fazer a vontade d’Aquele que o enviara e de realizar a Sua obra (Jo.4:34), tendo, ainda, na Sua oração sacerdotal, dito que havia glorificado o Pai na terra tendo realizado a obra que lhe dera a fazer (Jo.17:4) e, com uma palavra de vitória, ter dito, na cruz, que estava consumada esta mesma obra (Jo.19:30), ocasião em que entregou Seu espírito nas mãos do Pai e expirou (Lc.23:46), a nos mostrar que a morte vem quando cumprimos tudo quanto Deus quis que fizéssemos sobre a face da Terra.
- Paulo, tendo esta consciência, diz que havia combatido o bom combate, acabado a carreira e guardado a fé (II Tm.4:8). Sabedor de que iria morrer, o apóstolo chegou à conclusão que nada mais lhe restava fazer em termos de ministério e podia humildemente e em gratidão a Deus dizer que, neste momento final, havia sido fiel, havia mantido a sua luta contra as hostes espirituais da maldade e permanecido em comunhão com o Senhor.
- Assim, em vez de procurar prolongar a vida, de se apegar à existência terrena, o ministro de Cristo Jesus, que é um exemplo para todos os fiéis (I Tm.4:12; Hb.13:7; I Pe.5:3), deve mostrar à membresia da igreja local e a todos os homens que a vida somente tem sentido se for vivida como uma luta incessante contra as hostes espirituais da maldade, como uma existência que deve sempre cumprir a vontade de Deus e, por fim, como um esforço para jamais abandonar a fé em Jesus Cristo.
- “…Combati o bom combate. Aquilo para o que Timóteo foi convocado (1Tm 6.12) foi cumprido pessoalmente pelo apóstolo e suportado até o vitorioso fim. Ele ‘proclamou o evangelho de Deus mediante grande luta’. Agora acabou a luta, esgotou-se a luta da vida, o bom combate chegou a bom fim. Ele lutou contra poderes sombrios da maldade, contra Satanás, contra vícios judaicos, cristãos e gentílicos, hipocrisia, violência, conflitos e imoralidades em Corinto, fanáticos e desleixados em Tessalônica, gnósticos helenistas judeus em Éfeso e Colossos, e não por último – no poder do Espírito Santo – o velho ser humano dentro de si mesmo, tribulações externas e temores internos. Acima de tudo e em tudo, porém, lutou em prol do evangelho, a grande luta de sua vida, seu bom combate. Completei a corrida. A imagem do atleta competidor que alcançou a meta e por quem espera a coroa da vitória. Agora não cabe mencionar os incontáveis obstáculos que ele certamente conhece e poderia enumerar, mas o final da corrida, a perseverança té o alvo. Nada pôde deter sua trajetória, por nada ele foi interrompido significativamente. Agora tampouco poderes mundanos destruirão sua vida de forma autocrática, ele é ‘prisioneiro do Senhor’. O que ele anunciou aos anciãos de Éfeso na despedida se cumpriu agora: Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar o evangelho da graça de Deus’ Tu, Timóteo, cumpre cabalmente teu ministério, assim como eu agora concluí minha tarefa. Uma vida cumpriu seu propósito quando a tarefa foi reconhecida e concretizada e quando Deus é glorificado assim. Guardei a fé. Será que se deve traduzir aqui com a frase que se tornou linguajar corrente ‘Guardei a fidelidade’? Sem dúvida tem-se em vista ‘a fidelidade até a morte’; é intencional a ligação com 2Tm 2.11-13; também a fidelidade do administrador, do qual se demanda prestação de contas no juízo; a aprovação do colaborador e sua paciência até o fim no trabalho penoso, quando os frutos estão maduros. Tudo está englobado, mas antes de tudo e em tudo vale uma só coisa: ‘Aqui se trata da perseverança dos santos, os que guardam fielmente os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.’ ‘Guardei a fé’, isso é o alfa e o ômega, origem e alvo daquele que por ocasião do primeiro aprisionamento confessou: Cristo é minha vida e morrer para mim é lucro. Poder crer até o fim, ser sustentado na fé em Jesus, receber constantemente essa fé renovada e aprofundada: essa é a graça máxima, dádiva imerecida, exaltação da fidelidade de Deus. O soldado, o corredor, o administrador (agricultor) – todas as três metáforas que Paulo lançou a Timóteo para encorajá-lo, todas direcionadas para o fim dos tempos, cumpriram-se em Paulo. Essas declarações não são marcadas pelo enaltecimento próprio, mas pela gratidão e adoração àquele que o tornou forte na luta, que o conduziu à perfeição, que o presenteou com a fé e o preservou.…” (BÜRKI, Hans. op.cit., p.61).
- Diante da constatação de que nada mais lhe restava fazer em termos de ministério, o apóstolo diz que o que aguardava era tão somente a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz, lhe daria naquele dia e não somente a ele mas também a todos que amarem a vinda do Senhor (II Tm.4:8).
- Com esta afirmação, Paulo mostra-nos que há um hiato entre a ida ao Paraíso e o Tribunal de Cristo, período de descanso dos trabalhos, descanso este que não deve ser confundido com o “sono da alma”, esta falsa doutrina ensinada por alguns segmentos religiosos. Os que morrem no Senhor vão para o Paraíso onde, conscientemente, aguardam a ressurreição, que ocorrerá no dia do arrebatamento da Igreja, quando, então, serão levados ao encontro com o Senhor nos ares e lá serão levados ao Tribunal de Cristo, onde receberão o galardão, a recompensa pelos seus trabalhos.
- A coroa de justiça é o galardão que terão todos aqueles que tiverem agido como o apóstolo Paulo, cumprindo o seu ministério, lutado contra o mal e se mantido fiéis ao Senhor durante toda a sua existência terrena após terem se tornado “novas criaturas” (II Co.5:17).
- “…desde que tenho lutado com coragem e completou a corrida, o que resta senão esperar a coroa? Chama-a coroa da justiça, porque Deus vai dar-lhe justiça. Mas, pelo contrário, que sabermos que a vida eterna é dada pela bela graça de Deus (Rm.6; Rm.8), logo não de justiça. Respondo: está lá a graça quanto à raiz do mérito; a justiça quanto ao ato, que procede da vontade ou, diga-se, a coroa da justiça a que se dá de justiça, porque dá aos justos o que corresponde a suas obras justas. "Dizei aos justos que bem lhes irá porque comerão do fruto das suas obras” (Is.3:10). Esta coroa é dupla: um principal e um secundário. A primeira é a recompensa essencial, que é nada mais do que o gozo de usufruir a verdade. "Naquele dia o Senhor dos Exércitos será por coroa gloriosa, e por grinalda formosa, para os restantes do Seu povo” (Is.28:5). Assim, Deus é nossa coroa. A segunda é a que se deve a obras qualificadas e de muito boa textura, a aura, uma das quais é devida aos mártires. (AQUINO, Tomás de. op.cit. Disponível em: http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/pt/index.htm Acesso em 17 jun. 2015) (tradução nossa de texto em espanhol).
- A expressão “amam a Sua vinda” é assim explicada por William Hendriksen: “…De todos os indícios de que alguém ama o Senhor, um dos melhores é este fervoroso anelo que Ele regresse, porque tal pessoa está pensando não só em si e em sua glória pessoal, mas também em seu Senhor e na vindicação pública dele. A coroa aguarda tais pessoas…” (op.cit., pp.389-90). Este é o verdadeiro e genuíno desejo da Igreja, sendo, aliás, a oração conjunta que ela faz com o Espírito Santo (Ap.22:17). O anelo da Igreja é, portanto, não ficar vivo aqui na Terra, mas, sim, ser arrebatado pelo Senhor, pouco importando se vivo no dia do arrebatamento ou se já morto, tendo de ressuscitar primeiro para o encontro com o Senhor nos ares.
- Após tal afirmação categórica de confiança e de esperança ante a morte, o apóstolo pede que Timóteo viesse depressa, inclusive avisando ter mandado Tíquico para Éfeso (II Tm.4:12), como que a indicar que não deixaria a igreja efésia acéfala durante o tempo em que Timóteo fosse até Roma para se despedir do apóstolo, a mostrar o cuidado pastoral do apóstolo, numa coerência que demonstrava quão sereno estava o apó stolo mesmo diante da proximidade da morte.
- Paulo, apesar desta serenidade diante da proximidade da sua morte, não deixa de mostrar o seu sentimento de solidão, já que só Lucas estava com ele como também não deixa de mostrar sua tristeza pelo abandono sofrido por parte de Demas, que resolvera deixar o ministério e se dedicar à vida terrena (II Tm.4:10), como também de pedir a Deus que tomasse as devidas providências diante dos males que lhe foram causados por Alexandre, o latoeiro, que deve ter sido o pivô da sua segunda prisão (II Tm.4:14). Neste particular, Paulo mostra todo o seu espírito cristão, pois não pede vingança nem demonstra ressentimento, mas apenas faz a constatação do que tais atitudes desagradáveis acarretaria a seus autores.
- Paulo ainda pede a Timóteo que lhe trouxesse os livros, inclusive os pergaminhos, como a capa que havia deixado na casa de Carpo. O apóstolo mostra a Timóteo que, apesar de estar no final de seu ministério, ainda deveria meditar nas Escrituras (que são os pergaminhos), pois isto dizia respeito a sua vida devocional, e não apenas a seu ministério. Mesmo sabendo que iria morrer, Paulo não havia desistido de se alimentar espiritualmente com a Palavra de Deus. Que exemplo para obreiros que desprezam o estudo da Palavra de Deus…
- Paulo revela, ainda, os fatos que ocorreram quando de sua primeira audiência, quando se viu solitário, sem a assistência de qualquer pessoa, mas tendo experimentado a companhia do Senhor, a mostrar como as circunstâncias que abalam nossas emoções não têm o condão nem o podem ter em nosso relacionamento espiritual com o Senhor.
- O apóstolo não havia perdido a esperança em Deus e confiava que, apesar de todas estas contrariedades, o Senhor o livraria de realizar uma má obra, de perder a sua santidade, de deixar de prosseguir o restante de vida que possuía sobre a face da Terra. O apóstolo mostra-nos que, mesmo diante da iminência da morte, não podemos vacilar, devendo nos manter vigilantes e dependentes da graça e da companhia do Senhor para que cheguemos até o fim.
- E, com esta demonstração exemplar de serenidade e de confiança em Deus, Paulo encerra o seu ministério epistolar, sendo um estímulo e exemplo a ser seguido por todos nós, que devemos ter o Senhor Jesus com o nosso espírito. Amém.
Caramuru Afonso Francisco

PORTAL ESCOLA DOMINICAL
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2015
TEMA –A IGREJA E O SEU TESTEMUNHO – as ordenanças de Cristo nas cartas pastorais
COMENTARISTA : ELINALDO RENOVATO DE LIMA
PLANO DE AULA Nº 10
LIÇÃO Nº 10 – O LÍDER DIANTE DA CHEGADA DA MORTE
1º SLIDE INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo da Segunda Epístola de Paulo a Timóteo, que estamos a finalizar nesta lição, analisaremos o quarto e último capítulo desta carta.
- O ministro de Cristo Jesus deve ser exemplo inclusive no modo de encarar a morte física.
2º SLIDE I – A EXORTAÇÃO DE PAULO A TIMÓTEO PARA A PREGAÇÃO EM TODAS AS OCASIÕES.
- A primeira parte deste capítulo quatro, consistente de seus cinco primeiros versículos, traz uma exortação de Paulo a Timóteo para que pregasse a Palavra a tempo e fora de tempo, devendo redarguir, repreender, exortar, com toda a longanimidade e doutrina.
- Se a Palavra de Deus era fundamental para a vida espiritual das pessoas, a começar do próprio Timóteo, não se poderia abrir mão de pregá-la a tempo e fora de tempo para que a membresia da igreja local pudesse ter crescimento espiritual, pudesse sobreviver espiritualmente.
3º SLIDE
- Paulo usa uma expressão solene, pondo Timóteo sob juramento, para mostrar que a pregação da Palavra, o ministério da Palavra é a missão principal do ministro de Cristo Jesus.
- As palavras solenes de Paulo mostram a seriedade deste tema não só para Timóteo mas para todos os ministros na igreja local. 
4º SLIDE
- Os ministros serão julgados diante de Deus, pelo Senhor Jesus, em primeiro lugar, sobre se desincumbiram a contento do ministério da Palavra. 
- Timóteo deveria pregar a Palavra a tempo e fora de tempo, ou seja, quer os ouvintes quisessem, ou não, ouvir (Ez.2:5,7).
5º SLIDE
- O ministro de Cristo Jesus deve pregar a Palavra visando ensinar, repetir o ensino (redarguir), corrigir (repreender) e exortar, de modo a que seja o instrumento divino para que toda a igreja local seja instruída em justiça.
- A pregação deve ser feita com toda a longanimidade, ou seja, com paciência, de modo manso e pacífico, sem insultos, humilhações, manifestações de ódio ou raiva, bem como com disposição para ensinar, isto é, “com doutrina”. 
6º SLIDE
- Esta conduta deve ser mantida pelo ministro de Cristo Jesus mesmo diante do comportamento da membresia em não querer suportar a sã doutrina, em querer amontoar doutores segundo as suas próprias concupiscências.
- Timóteo deveria estar pronto a cumprir o seu chamado ministerial, sabendo que quem o havia escolhido era o Senhor e não a membresia, de modo que não poderia querer fazer o que a membresia desejava, mas, sim, cumprir a missão que lhe fora confiada pelo Senhor, sabendo que é a Ele que ele deve prestar contas naquele dia.
7º SLIDE II – PAULO PREVÊ A SUA MORTE
- Paulo dá a notícia a Timóteo de que iria morrer, não sairia vivo da prisão, como acontecera na vez anterior: “estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo” (II Tm.4:6).
- Paulo faz esta afirmação com serenidade, porque não tinha medo da morte, pois vivia nesta terra com um único e exclusivo propósito que era o de cumprir com alegria a sua carreira e o ministério que recebera do Senhor Jesus, para dar testemunho do Evangelho da graça de Deus (At.20:24). 
8º SLIDE
- Ninguém aceita de bom grado a morte física, visto que o homem não foi criado para morrer.
- No entanto, conquanto seja algo que não seja de nossa aceitação, é uma realidade com a qual devemos conviver, que devemos enfrentar e o salvo em Cristo Jesus deve ter uma atitude de resignação, de esperança e de consciência.
9º SLIDE
- Atitude de resignação – conformar-se com a ideia de que a morte física é uma possibilidade real para todo salvo e que, portanto, devemos viver de modo a que não sejamos surpreendidos com tal evento. 
- Isto envolve, além da nossa santificação e vigilância, para que, no dia de nossa morte física, não sejamos apanhados em pecado, como também a própria tomada de providências concernentes à nossa ausência neste mundo, inclusive medidas para que nossos familiares e entes queridos não fiquem desamparados e sejam sobremaneira prejudicados com a nossa morte.
10º SLIDE
- Atitude de esperança – não entrar em desespero diante da proximidade da morte, mas reconhecimento de que a morte física é o meio pelo qual descansaremos dos nossos trabalhos, aguardando a ressurreição no dia do arrebatamento da Igreja.
- A atitude de esperança também revela que o objetivo de todo salvo em Cristo Jesus é desfrutar da eternidade com Deus, não o de ficar nesta terra, pois quem crê em Cristo, ainda que esteja morto, vive (Jo.11:25).
11º SLIDE
- Atitude de consciência – A vida terrena só tem sentido se for para fazer a vontade de Deus, para cumprir o ministério. Findos estes propósitos, não há mais razão para viver sobre a face da Terra.
- Em vez de procurar prolongar a vida, de se apegar à existência terrena, o ministro de Cristo Jesus, que é um exemplo para todos os fiéis (I Tm.4:12; Hb.13:7; I Pe.5:3), deve mostrar à membresia da igreja local e a todos os homens que a vida somente tem sentido se for vivida como uma luta incessante contra as hostes espirituais da maldade, como uma existência que deve sempre cumprir a vontade de Deus e, por fim, como um esforço para jamais abandonar a fé em Jesus Cristo.
12º SLIDE
- A coroa de justiça é o galardão que terão todos aqueles que tiverem agido como o apóstolo Paulo, cumprindo o seu ministério, lutado contra o mal e se mantido fiéis ao Senhor durante toda a sua existência terrena após terem se tornado “novas criaturas” (II Co.5:17).
- Amar a vinda de Jesus é um indício veemente de que a pessoa pertence à Igreja e que está em estrita comunhão com o Espírito Santo (Ap.22:17). 
13º SLIDE 
- Após A afirmação categórica de confiança e de esperança ante a morte, o apóstolo pede que Timóteo viesse depressa, inclusive avisando ter mandado Tíquico para Éfeso (II Tm.4:12), como que a indicar que não deixaria a igreja efésia acéfala durante o tempo em que Timóteo fosse até Roma para se despedir do apóstolo, a mostrar o cuidado pastoral do apóstolo, numa coerência que demonstrava quão sereno estava o apóstolo mesmo diante da proximidade da morte.
- Paulo, apesar desta serenidade diante da proximidade da sua morte, não deixa de mostrar o seu sentimento de solidão, como também de mostrar seu desagrado com as atitudes de Demas e de Alexandre, o latoeiro.
14º SLIDE
- Paulo ainda pede a Timóteo que lhe trouxesse os livros, inclusive os pergaminhos, como a capa que havia deixado na casa de Carpo. 
- O apóstolo mostra a Timóteo que, apesar de estar no final de seu ministério, ainda deveria meditar nas Escrituras (que são os pergaminhos), pois isto dizia respeito a sua vida devocional, e não apenas a seu ministério. Mesmo sabendo que iria morrer, Paulo não havia desistido de se alimentar espiritualmente com a Palavra de Deus. Que exemplo para obreiros que desprezam o estudo da Palavra de Deus…
15º SLIDE
- Paulo revela, ainda, os fatos que ocorreram quando de sua primeira audiência, quando se viu solitário, sem a assistência de qualquer pessoa, mas tendo experimentado a companhia do Senhor, a mostrar como as circunstâncias que abalam nossas emoções não têm o condão nem o podem ter em nosso relacionamento espiritual com o Senhor.
- O apóstolo mostra-nos que, mesmo diante da iminência da morte, não podemos vacilar, devendo nos manter vigilantes e dependentes da graça e da companhia do Senhor para que cheguemos até o fim.


COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. CARAMURU AFONSO FRANCISCO
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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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