Lição 3 - O Ministério de Jesus - 19 de Janeiro de 2020 - EBD jovem - CPAD

TEXTO DO DIA "E na veste e na sua coxa tem escrito este nome:  REI DOS REIS, E SENHOR DOS SENHORES." (Ap 19.16) SÍNTESE...


TEXTO DO DIA
"E na veste e na sua coxa tem escrito este nome:  REI DOS REIS, E SENHOR DOS SENHORES." (Ap 19.16)

SÍNTESE
Sendo Senhor do universo, Jesus veio ao mundo para servir-nos; e fez isso através de um rico e abençoador ministério que possuía três grandes âmbitos: o profético, o sacerdotal e a realeza.

Agenda de leitura
SEGUNDA - Mt 21.11: O ministério profético de Jesus foi reconhecido pelas pessoas da sua geração
TERÇA - At 7.37: O profeta a ser ouvido
QUARTA - Hb 10.21: Temos um grande Sacerdote ao nosso lado
QUINTA - Hb 7.28: Jesus é o nosso perfeito Sumo Sacerdote
SEXTA - Ap 1.5: O soberano dos reis da terra
SÁBADO - 1 Tm 1.17: Jesus, o inigualável Rei

Objetivos
- APRESENTAR o ofício profético de Jesus;
- DEMONSTRAR que através de seu ofício sacerdotal Jesus foi ao mesmo tempo oferta e ofertante da nossa salvação;
- CONCLUIR que a realeza de Cristo exige de nós reconhecê-lo como superior a César.
INTERAÇÃO
A riqueza do ministério de Jesus de Nazaré é algo fantástico. Para realizar a obra que lhe estava proposta, o Mestre utilizou-se de todas as estratégias possíveis, por isso, como estudaremos hoje, Ele serviu à humanidade simultaneamente como Profeta, Sacerdote e Rei. E apesar de assumir-se radicalmente servo dos filhos de Deus, Ele é o único e incomparável Senhor dos senhores. Sigamos, pois o exemplo de Jesus! É claro que nosso sonho é atuar numa comunidade que valorize a Educação Cristã, junto de um grupo de professores comprometidos e empolgados, utilizando-se do maior aparato de apoio didático-pedagógico possível; todavia, nem sempre é assim.

Orientação Pedagógica
Nossa lição discutirá o caráter múltiplo do ministério de Jesus entre nós, ou seja, as diversas formas de servir a humanidade que o Mestre desenvolveu enquanto estava encarnado entre nós. Logo, uma das questões que perpassará todo nosso debate será a capacidade que Jesus tinha de estar envolvido em múltiplas tarefas ao mesmo tempo - enquanto pregava, também curava; durante seus ensinos, libertava oprimidos do Diabo; quando ia visitar amigos, ressuscitava mortos, etc. Deste modo, para ilustrar de maneira bastante prática essa característica sensacional do ministério de Jesus você pode, caro educador cristão, realizar uma série de dinâmicas com seus alunos. Por exemplo, peça para alguns deles tentarem tocar dois ou mais instrumentos ao mesmo tempo; ou que eles escrevam um texto da Bíblia no quadro e cantem um hino da harpa simultaneamente. Mostre que fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, não é fácil. Finalize ressaltando que, por nos amar, Jesus fez tudo o que era necessário.

Texto bíblico
Hebreus 5.1-10
1        Porque todo o sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados,
2        e possa compadecer-se eternamente dos ignorantes e errados, pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza.
3        E, por esta causa, deve ele, tanto pelo povo como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados.
4        E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão.
5        Assim, também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei.
6        Como também diz noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.
7        O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia.
8        Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.
9        E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem,
10      chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.

INTRODUÇÃO
Enquanto Jesus esteve entre nós Ele exerceu um ministério, isto é, um serviço. Ele mesmo deixou isso bem claro quando declarou que tinha vindo ao mundo para servir as pessoas e não para ser servido (Mt 20.28). Esse é um princípio fundamental que devemos levar em consideração ao refletirmos sobre a pessoa bendita do Salvador. Desde a época de Jesus, e ainda hoje, muitas pessoas acham que ser ministro, ter um ministério, é possuir um conjunto de regalias que as fazem melhor que os outros; enquanto que de fato, um ministro é um servo.

Jesus esteve entre nós e serviu-nos como Profeta, Sacerdote e Rei. Ele não teve o prestígio de um grande profeta, as honrarias de um sumo sacerdote ou as regalias de um monarca, pelo contrário, assumiu para si apenas um conjunto de responsabilidades associadas a esses ministérios, para através de sua vida realizar a ação mais espetacular da história: amar-nos de modo radical.

- O tríplice ofício de Cristo (“Munus triplex”), o qual ele exerceu tanto em seu estado de humilhação como no de exaltação, está figurado no Antigo Testamento nos ofícios profético, sacerdotal e real – ofícios que eram consagrados através de unção (sendo “ungido” o significado do termo grego “Cristo” e hebraico “Messias”). A Bíblia ensina textualmente que Jesus exerceu todas essas funções.

- A palavra Ministério significa de acordo com o dicionário: “1. Execução de uma tarefa, de uma obra; atividade, trabalho. 2. Ocupação exercida por alguém; cargo, função, profissão.” Em se tratando do Corpo de Cristo, exercer um ministério implica em servir. Ao falar sobre o serviço dos cristãos a Cristo e ao próximo, John Stott lembra que há diferentes tipos de ministério, conforme o dom e a vocação de cada servo. Cada um pode servir com suas orações, dons, interesses e capacidades, encorajando ou engajando-se em alguma atividade e respondendo à chamada de Deus para nos especializarmos de acordo com nossa vocação, conforme os dons, os interesses e oportunidades (ultimato). Vamos pensar maduramente a fé cristã?

I - O OFÍCIO DE PROFETA

1. Em Jesus cumpriu-se o anúncio profético de Moisés.
Em Deuteronômio 18.15-19 temos o anúncio de um personagem que, num futuro indeterminado, exercerá o ministério profético com autoridade e poder semelhantes a Moisés. Milênios após a partida do grande profeta de Israel, surge no curso da história humana Jesus de Nazaré, aquele que, segundo Atos 7.37, é o cumprimento histórico daquele longínquo anúncio profético. Na verdade, através da comparação de alguns episódios das vidas de Moisés e Jesus, podemos perceber que no Salvador cumpre-se muito daquilo que o grande Legislador de Israel viveu como sombra e metáfora. Se Moisés foi vocacionado para libertar o povo de Israel da escravidão do Egito (Êx 3.7-10), Jesus é aquele que nos livra do poder do império da morte (Hb 2.14); enquanto o filho de Joquebede fere a rocha e dela jorra água para saciar a sede do povo em sua jornada pelo deserto (Êx 17.6), Jesus é a própria fonte da água da vida, de onde brota a salvação de Deus para a humanidade (Jo 4.10-13); Moisés ergue a serpente no deserto para que, olhando para ela, as multidões sejam salvas da enorme praga que atinge o povo (Nm 21.4-9), Jesus, contudo, sobe à cruz do Calvário e através de sua morte traz salvação a todos nós (Jo 3.14-16).

- Em êxodo 18.15-19, o pronome singular “um profeta... semelhante a mim” enfatiza o Profeta definitivo que viria. Tanto o Antigo Testamento (Dt 34.10) como o Novo Testamento (At 3.22-23; 7.37) interpretam essa passagem como uma referência ao Messias vindouro, que, como Moisés, receberia e pregaria revelação divina e guiaria seu povo (Jo 1.21,25,43-45; 6.14; 7.40). Na verdade, Jesus foi semelhante a Moisés em vários outros aspectos: Jesus teve a vida poupada quando criança (Êx 2; Mt 2.13-23); Ele renunciou à corte real (Fp 2.5-8; Hb 11.24-27); teve compaixão do seu povo (Nm 27.17; Mt 9.36); intercedeu pelo povo (Dt 9.18; Hb 7.25); falou com Deus face a face (Êx 34.29-30; 2Co 3.7); e foi o mediador de uma aliança (Dt 29.1; Hb 8.6-7).

- É importante frisar o uso tipológico de Nm 21.4-9 em Jo 3.14-15, quando Moisés em obediência à ordem divina ergue uma serpente de bronze. Nesse episódio, a pessoa acometida pela peçonha abrasadora tinha que fixar seu olhar na serpente de bronze, um ato definitivo da vontade, se quisesse ser curada e viver. 3.14 assim importa que o Filho do Homem seja levantado. Aqui claramente se vê uma predição sublimar da morte de Jesus na cruz. No relato do texto joanino, Jesus referiu-se à história de Nm 21.5-9, onde o povo de Israel, quando olhava para a serpente levantada por Moisés, era curado. A importância dessa ilustração ou analogia está no "levantado". Assim como Moisés levantou a serpente na haste para que todos os que olhassem para ela vivessem fisicamente, assim aqueles que olham para Cristo, que foi "levantado" na cruz, viverão espiritual e eternamente!

2. O profetismo de Jesus.
Temos em Jesus de Nazaré um típico discurso profético, o qual pode ser distinguido por três características fundamentais: uma fala que amplifica o clamor das camadas mais sofridas da população (Mt 11.5; Lc 4.18). É bem verdade que há vários sermões de Jesus transbordantes de amor e misericórdia, todavia, não podemos esquecer que Ele também, por ter um ministério profético, em muitos momentos utilizou-se de uma retórica revestida de um forte senso de justiça. Foi assim que Ele posicionou-se contra escribas e fariseus (Mt 23) e também com relação às pessoas que se acomodavam numa espiritualidade morta e sem comprometimento com o reino (Jo 6.48-69). Por fim, o profetismo de Jesus manifesta-se através da natureza proclamativa do ministério. Não foi apenas para tratar de problemas de sua época que o Mestre veio ao mundo, mas também, como profeta, para anunciar antecipadamente a conclusão da história da humanidade e assim assegurar-nos que seremos mais do que vencedores (Mt 24). É assim que deve viver um profeta: ardorosamente trabalhando para construir uma realidade melhor no presente - através de uma sistemática denúncia do pecado -, e ao mesmo tempo consciente daquilo que ocorrerá no futuro.

- Note que a grande função do profeta era anunciar as palavras de Deus aos homens. O profeta não falava de si mesmo, mas transmitia a Palavra de Deus, a qual precisaria ter recebido de Deus anteriormente. O profeta comunicava a vontade de Deus ao povo por meio de admoestações, exortações, promessas ou ameaças. Jesus é o profeta por excelência. Como Profeta, ele nos revela a vontade e a pessoa de Deus.
- Note, ainda, que este ofício de Cristo nos é apresentado desde Gênesis, onde vemos Cristo como Profeta na Palavra criadora do Pai (Gn 1.3; cf. Jo 1.1-4; Cl 1.16) e o Anjo do Senhor que traz a revelação da vontade e da aliança de Deus (Gn 16.7; 31.11-13; cf. 2 Co 1.20). Assim, também, na conclusão da Revelação Especial de Deus à humanidade, as Escrituras, lemos em Apocalipse o ofício profético de Jesus na testemunha fiel (Ap 1.5) que traz revelação, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos o que em breve há de acontecer (Ap 1.1) e que é digna de abrir os sete selos da revelação do juízo de Deus (Ap 6.1).
- É Importante, ainda, notar que o Novo Testamento afirma que todos os profetas do Antigo Testamento eram movidos pelo Espírito de Cristo, isso aponta para o caráter profético de Jesus dando aos profetas a revelação, conforme Pedro nos esclarece em 1Pe 1.10,11, onde claramente entendemos que os profetas puderam antever as coisas futuras porque o Espírito de Cristo estava neles e lhes concedia a revelação.
No Antigo Testamento, um profeta era alguém chamado por Deus para cumprir uma tarefa ou várias tarefas, especialmente a de entregar uma mensagem Dele. A grande característica da mensagem do profeta eram as palavras: “Assim diz o Senhor”. Deus chamou homens comuns, como você e eu, com personalidades diferentes, em situações bem diferentes, para fazer e dizer coisas diferentes. A seguir veja alguns termos usados para se referir a um profeta.
1. Homem piedoso Às vezes o termo profeta se refere a pessoas piedosas que gozam de um relacionamento íntimo com Deus. Parece que esse é o uso do termo em Gênesis 20.7 em relação a Abraão.
2. Homem de Deus Muitas vezes os profetas eram chamados “homem de Deus”, como em Deuteronômio 33.1 e 1Reis 13. O uso desse termo enfatiza a diferença de caráter entre o profeta e as demais pessoas. Isso se vê na maneira que a mulher sunamita falou do profeta Eliseu: “Vejo que este que passa sempre por nós é santo homem de Deus” (2Rs 4.9).
3. Um orador a quem foi confiada uma missão Notamos que quando Deus chamou Moisés para ser o instrumento divino na libertação do Seu povo, Arão foi designado profeta – em outras palavras, o seu porta-voz – “Vê que te constituí como Deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta” (Êx 7.1).
4. Vidente e profeta se tornam termos sinônimos No início havia uma distinção entre vidente e profeta, mas mais tarde eram termos sinônimos, como o autor do livro histórico de Samuel enfatiza – “Antigamente, em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia: Vinde, vamos ter com o vidente; porque ao profeta de hoje, antigamente, se chamava vidente” (1Sm 9.9).
5. Instrumento da comunicação Divina Embora Deus tenha falado “muitas vezes, e de muitas maneiras… pelos profetas”, foi sempre o mesmo Deus que falou. Por causa disso notamos uma unidade no ministério e nas mensagens dos profetas. A grande responsabilidade de qualquer profeta era lutar para viver uma vida digna do seu ofício, com o objetivo de transmitir a mensagem divina para que o povo de Israel pudesse viver um relacionamento correto com seu Deus.

Note: Deve-se observar que no termo profeta não há nada que implique previsão de acontecimentos futuros. Um profeta pode predizer, ou não, o futuro segundo a mensagem que Deus lhe der. Um profeta é aquele que fala da parte de Deus ao homem.” (Quem eram os profetas? Disponível em: ultimato)

3. A urgente necessidade de resgate do discurso profético de Jesus.
A crise generalizada que se alastrou em nossa sociedade necessita de uma resposta à altura. Plataformas ou projetos humanos não serão capazes de solucionar a origem desta tensão moral e espiritual que vivemos; somente se retornarmos ao discurso originário do Cristianismo, aquele que tão bem caracteriza Jesus como Profeta (Lc 24.19), poderemos ter esperança de dias melhores. Enquanto a Igreja estiver mais comprometida com os benefícios e interesses terrenos do que com a manifestação do Reino de Deus nesta geração, não seremos capazes de refletir o caráter profético do ministério de Cristo em nós.

A Igreja é do Senhor Jesus, e por isso ela tem uma vocação profética que jamais pode ser renunciada, à custa de tornarmo-nos coniventes e cúmplices de todo o pecado estrutural que procura instalar-se em nossa sociedade (Ap 3.16).

- Aqui sugiro que seja feita uma distinção entre a Igreja Militante e a Igreja Triunfante. A Igreja do Senhor Jesus propriamente dita é a Triunfante, não quer dizer que a Igreja Militante não pertença a Ele, mas que ela está composta de Trigo e Joio... A Igreja verdadeira, o Corpo de Cristo, os crentes fiéis, estes sim são comprometidos com os negócios do Reino em detrimento das coisas materiais. Aqueles que pregam o céu na terra esquecendo-se que o Reino não é deste mundo, não são membros da Igreja Triunfante, a menos que se arrependam e confessem o Evangelho verdadeiro!
- Também é importante frisar aqui que, como os profetas do Antigo Testamento tinham uma preocupação ética e social, como também o próprio Cristo em seu ministério terreno demonstrou a mesma preocupação, é papel dos crentes hoje, agir como os profetas que sempre denunciavam as injustiças e violências cometidas contra o povo, demonstrando grande preocupação com o bem-estar social, a Igreja deve manter viva essa chama (Dt 24.19-22; Lv 19.9-18; Am 2.6-8; 5.11).

- Chamo sua atenção para a afirmativa do comentarista: “poderemos ter esperança de dias melhores” – é importante que se diga que esta sociedade sem Deus não tem esperança de melhora e ainda não se degenerou de vez por causa da presença da Igreja que, como sal e luz, ainda conserva um pouco de temor, e a Igreja não pode esperar melhora aqui, ainda mais considerando que, aquele que deseja viver piedosamente, encontrará oposição. Como escreve John Stott: “O mundo, sem dúvida, perseguirá a igreja (10-12); apesar disso, a igreja é chamada para servir a este mundo que a persegue (13-16). “Vossa única vingança”, expressou Rudolf Stier, “deve ser o amor e a verdade contra o ódio e as mentiras”. Por mais incrível que pareça, Jesus referiu-se àquele punhado de camponeses palestinos, chamando-os de sal da terra e luz do mundo, por causa do alcance que sua influência teria. Também é notável providencia divina que, neste mais judaico dos quatro Evangelhos, haja uma tal alusão a toda a terra, ao poder benéfico de alcance mundial dos discípulos de Cristo.” (ultimato)

II - O OFÍCIO DE SACERDOTE

1. O perfeito sacerdote.
Há, na Carta aos Hebreus, uma série de argumentações demonstrando que Jesus é o grande ministro de Deus em favor de nossas vidas. O mais fabuloso de pensar sobre aspecto sacerdotal do ministério de Jesus é que Ele não estava institucionalmente ligado a este ofício religioso em sua época. Não servia no Templo, pois não era da família de Levi; não tinha o prestígio nem a glória humana que acompanhavam os membros da casta sacerdotal daquele momento histórico. Como bem explica o escritor aos Hebreus, essa condição incomum de Jesus estava ligada ao tipo de tradição sacerdotal que Ele representava: a de Melquisedeque, e não a levítica (Hb 5.6,10; 6.20). Enquanto esta última ratificava a lei, apontando para nossas falhas e iminente condenação, a primeira anuncia a graça, sempre ressaltando o amor e misericórdia que nos acompanha. Os inúmeros sacerdotes que se substituíram ao longo da tradição de Israel, preservando dogmas e liturgias do culto, foram incapazes de prover a salvação que Jesus trouxe-nos - de uma só vez, em um só ato - mesmo sem merecermos (Hb 2.17; 7.23-27).

- “Além do ofício profético, Cristo exerce o ofício de Sacerdote. O Seu sacerdócio é segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 7.17) e, portanto, indestrutível (Hb 7.16); estável e perfeito (Hb 7.18-19); eterno (Hb 7.24); e perpétuo, não deixando nenhum espaço, ou não tendo nenhuma necessidade por outros sacerdotes (Hb 7.24-25). Na execução do Seu ofício sacerdotal, Cristo é o Sacerdote, o sacrifício, e o altar. Ele é o nosso Sacerdote, em ambas as Suas naturezas (Hb 5.6). Ele foi o sacrifício, principalmente em Sua natureza humana; as Escrituras atribuem o Seu sacrifício primariamente ao Seu corpo (Cl 1.22; Hb 13.12; 1Pd 2.24) e sangue (Cl 1.20). Contudo, este sacrifício se tornou eficaz por causa da natureza divina de Cristo, como o próprio Filho de Deus (At 20.28; Rm 8.3) – o que é corretamente compreendido de acordo com a ideia do altar (Hb 9.14; 13.10,12,15). A função do altar é a de santificar a oferta, garantindo-lhe uma dignidade além de si mesma (Mt 23.17). Nisto é demonstrada a razão pela qual Cristo, como Sacerdote, teve que ser tanto Deus quanto homem: se Ele não fosse homem, Ele não poderia ter feito expiação pelo homem; se Ele não fosse Deus, o sacrifício não teria sido suficiente”. (os-puritanos)
-Como já sabido e dito no subtópico, a função sacerdotal foi instituída no Antigo Testamento e o sacerdote possuía as seguintes características:
a. era constituído por Deus (Hb 5.4);
b. era tomado entre os homens para ser o seu representante perante Deus (Hb 5.1);
c. oferecia sacrifícios para o perdão dos pecados.
- Jesus Cristo, nosso sumo sacerdote também foi constituído por Deus (Hb 3.1,2) e encarnou-se para representar o homem perante o Senhor (Hb 2.17). Porém, diferentemente dos sacerdotes do Antigo Testamento, Cristo ofereceu-se a si próprio como sacrifício para o perdão dos pecados (Hb 9.11-15). Também contrariamente aos sacerdotes do Antigo Testamento, que ofereciam sacrifícios continuamente, Jesus Cristo ofereceu sacrifício somente uma vez pelos pecados do seu povo (Hb 9.28; 10.12).Pelo fato de Jesus Cristo ter-se oferecido como sacrifício no lugar de pecadores, ele satisfez a justiça de Deus e os reconciliou com ele (Hb 10.19-22). Além de oferecer-se como sacrifício agradável a Deus no lugar de seu povo a fim de salvá-lo, Jesus Cristo, como sacerdote, também intercede por ele (Rm 8.34). Em Gênesis, Cristo é como Sacerdote: o sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Gn 14.17-20;  Hb 7.17, 22, 24-25), o descendente mediador das bênçãos para todas as famílias da terra (Gn 12.1-3, 7; 13.15; 24.7; Gl 3.1-16) e o substituto provido por Deus para ser sacrificado no lugar da descendência de Abraão (Gn 22.13-14; Jo 3.17 e Hb 2.16); E em Apocalipse, ele é como Sacerdote: o Cordeiro que foi morto (Ap 5.11) e que, por meio de seu sangue, liberta (Ap 1.5) e compra para Deus gente de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9).

- Neste ponto faço citação da Pergunta 25 do BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER: “Como Cristo exerce as funções de sacerdote? Resposta: Cristo exerce as funções de sacerdote por ter oferecido a si mesmo uma vez, em sacrifício, para satisfazer a justiça divina e reconciliar-nos com Deus, e por fazer contínua intercessão por nós”.

2. Ele foi ofertante e oferta.
O amor de Jesus por nós revela-se no fato de seu compromisso radical conosco. O nosso Senhor não teve apenas um sentimento vazio de simpatia pela humanidade, antes, Ele dispôs-se a ser para nós e por nós tudo aquilo que seria necessário para nossa salvação. A grande verdade, como simbolicamente testemunhará João no Apocalipse, é que havia uma obra a ser feita que nenhum ser em todo o universo e em todas as esferas de existência era capaz de realizar pelos filhos e filhas de Adão (Ap 5.4). Porém Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29), morreu e ressuscitou para assegurar-nos tamanho privilégio. Desta forma está bem claro que Cristo não era apenas o único digno de oferecer a Deus o sacrifício vicário por nossas vidas, como Ele era também o único sacrifício aceitável (Ef 5.2). Ou seja, não fosse Jesus sacrificando-se como perfeito sacrifício, nós estaríamos fatalmente condenados ao inferno. Este é o perfeito amor de Deus por nós, capaz de entregar-se integralmente por cada um de seus filhos; por isso, não há nada menos que temos a fazer, senão, correspondermos ao fantástico amor do Salvador vivendo para a glória e honra do nome do Senhor eternamente (1 Pe 2.5).

- “Jesus, como sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, ofereceu um sacrifício pleno, cujo conteúdo tinha valor e mérito suficientes para perdoar os pecados dos maiorais entre os povos e os maiorais entre os pecadores. Sabemos que o sumo sacerdote tinha de oferecer primeiro sacrifícios por si mesmo, para depois aceitar o sacrifício do príncipe ou do plebeu. Em Jesus, porém, não é necessária esta exigência, porque ele era sacerdote sem defeito, sem pecado. Portanto, o seu sacrifício tinha poder bastante para cobrir o maior pecado do maior pecador. Uma das graças da religião cristã é sua gloriosa provisão para ricos e pobres. Não há distinção. Um sacrifício só para todos” (MESQUITA, Antônio Neves de. Op. cit. pág. 71.).

3. A Igreja de Cristo, uma comunidade sacerdotal.
Em inúmeros momentos nas Escrituras, somos informados dessa maravilhosa verdade: aqueles que seguem o Cristo são/serão reis e sacerdotes do bom Deus (1 Pe 2.5,9). Por isso, devemos fazer de nossa existência um grande movimento de oferta e sacrifícios a Deus. Assim como nosso Mestre viveu como ofertante e oferta,  para estabelecer nossa salvação, nossa vocação é para uma vida de eterna gratidão. Paulo em alguns momentos de seu ministério expôs publicamente sua compreensão de que a vida de um cristão nada mais é que um sacrifício de adoração e louvor, sendo o próprio cristão - assim como foi o Cristo - ofertante e oferta (Rm 15.16; Fp 2.17; 2 Tm 4.6).

- É importante que se diga que um dos pilares da Reforma Protestante foi justamente o dogma do sacerdócio universal dos crentes, também chamado de sacerdócio universal ou comum.
No Novo Testamento, o conceito de sacerdócio tem dois aspectos: (a) Jesus Cristo é o grande sumo sacerdote: todas as funções do sacerdócio da antiga dispensação concentram-se nele, e são por ele transformadas. Ele é o único mediador entre Deus e os seres humanos (1 Tm 2.5). Ele é o representante de Deus junto aos homens e o representante dos homens junto a Deus. Ele é, ao mesmo tempo, o sacerdote e o sacrifício. A Carta aos Hebreus expõe claramente a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico e apresenta o caráter definitivo e totalmente eficaz do seu auto-sacrifício sobre a cruz (Hb 2.17; 3.1; 4.14s; 5.10; 6.20; 7:24-27; 9:12,26; 10.12). A literatura joanina também fala repetidamente do sacerdócio de Cristo, como em João 1.29. (b) Todos os crentes partilham desse sacerdócio: isso se expressa principalmente nas áreas da adoração, serviço e testemunho. 1 Pedro 2.5: “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”. 1 Pedro 2.9: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. O Apocalipse destaca o aspecto governamental desse sacerdócio: “Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai…” (1.5-6); “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes” (5.9-10).” (mackenzie).
- Os sacerdotes do Antigo Testamento e os cristãos-sacerdotes do Novo Testamento têm muitas características em comum:
- o sacerdócio é um privilégio dos eleitos (Êx 28.1; Jo 1 5.16);
- os sacerdotes são purificados dos pecados (Lv 8.6-36; Tt 2.14);
- os sacerdotes são revestidos para o serviço (1Pe 5.5; Êx 28.42; Lv 8.7ss.; SI 132.9,16);
- os sacerdotes são ungidos para o serviço (Lv 8.12,30; 1Jo 2.20,27);
- os sacerdotes são preparados para o serviço (Lv 8.33; 9.4,23; Cl 1.16; 1Tm 3.6);
- os sacerdotes são ordenados para uma vida de obediência (1Pd 2.4; Lv 10.1);
- os sacerdotes devem honrar a Palavra de Deus (1Pd 2.2; Ml 2.7);
- os sacerdotes devem andar com Deus (Ml 2.6; Gl 5.16,25);
- os sacerdotes devem influenciar os pecadores (Ml 2.6; Gl 6.1);
- os sacerdotes devem ser mensageiros de Deus (Ml 2.7; Mt 28.19-20).
- No entanto, o maior privilégio de um sacerdote é o fato de que ele tem acesso a Deus a fim de oferecer sacrifícios espirituais - obras que são feitas para honrar a Deus por causa de Cristo sob a direção do Espírito Santo e a orientação da Palavra de Deus.
- Nossos sacrifícios devem incluir:
- oferecer toda a energia do corpo a Deus (Rm 12.1-2);
- louvar a Deus (Hb 13.15);
- fazer o bem (Hb 13.16);
- compartilhar os próprios recursos (Hb 13.16);
- levar as pessoas a Cristo (Rm 15.16);
- sacrificar os próprios desejos pelo bem de outros (Ef 5.2); e

- orar (Ap 8.3).

III - O OFÍCIO DE REI

1. Ah! Jesus é rei.
Os sábios do Oriente, seguindo os rastros de uma investigação científica, vieram em busca daquEle que seria o rei dos Judeus (Mt 2.2). O povo, entusiasmado não apenas com o discurso de Jesus, mas também com suas obras - ao mesmo tempo - maravilhosas e graciosas, estava decidido em tomá-lo a força e proclamar-lhe rei dos judeus (Jo 6.15). Como forma de uma perversa ironia e parte do cumprimento dos ritos legais para a execução de um preso em Roma, Jesus foi crucificado com uma placa indicativa de seu crime: ser rei dos judeus (Jo 19.19). A realeza de Jesus é uma herança da promessa do Senhor a Davi - numa perspectiva étnico-histórica com relação a Israel - (Lc 1.32), mas também proveniente de sua natureza que, uma vez sendo divino-humana, não poderia deixar revelar sua glória e majestade (1 Tm 6.15,16). Mas como alguém pode ser rei sem ter criados bajulando-lhe, um palácio suntuoso e uma coroa cravejada de pedras preciosas? Sendo Jesus, o rei que veio para servir; que trocou o trono humano pela cruz (Hb 12.2), o ouro da coroa por espinhos (Jo 19.2) e a arrogância do poder pelo amor do serviço (Jo 15.13). Não há rei como nosso Deus!

- Desde toda a eternidade, Cristo é rei supremo sobre todas as coisas, mas isso diz mais respeito a seus atributos de soberania. É importante salientar que, quando falamos no ofício real de Cristo, estamos nos referindo ao governo que ele exerce a partir de sua obra na cruz. Embora Cristo seja rei desde sempre, depois da sua morte e ressurreição, ele foi mais uma vez coroado, agora como aquele que tem em suas mãos o destino do mundo para efeitos redentores. Evidentemente, trata-se de um reino espiritual.
- João descreve essa cerimônia de coroação de Jesus nos capítulos 4 e 5 do Apocalipse, quando Jesus, descrito por um lado como um Cordeiro (Ap 5.6) e por outro como o Leão da Tribo de Judá (Ap 5.5), toma o livro da mão direita do que está assentado no Trono (Ap 5.7), e começa a abrir esse livro que contém os acontecimentos que consumam o plano redentor de Deus para o mundo. Os efeitos dessa coroação levaram Jesus a dizer: “Toda autoridade me foi dada nos céus e na terra” (Mt 28.18). “Aquele que desceu do céu, se fez homem, padeceu a mais terrível das mortes, agora voltou a seu lugar de glória e assumiu um posto ainda maior de autoridade” (1Tm 3.16).
- Paulo narra toda essa trajetória de Jesus na sua carta aos Filipenses, numa passagem que bem poderia ser um cântico dos primeiros cristãos:
Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.6-11).
- Cristo exerce o ofício de rei, sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e protegendo-nos, reprimindo e subjugando todos os seus e os nossos inimigos.
•         Governa sua igreja por meio da palavra e do Espírito.
•         Seu reinado é seguro e eterno.

Também iremos, sujeitos a Deus, participar no governo do universo, pois com ele reinaremos eternamente (Ap 22.5). Jesus diz : “ao vencedor, dar-lhe-ei sentar comigo no meu trono, assim como também eu venci  me sentei com meu Pai no mesmo”(Ap 3.21) o nosso reino não é daqui! Seu governo é a garantia de que a redenção finalmente se consumará, e de que sua morte não foi em vão!

2. A acusação mentirosa.
Os inimigos de Jesus não tinham como acusá-lo em nada (Mt 26.59,60). Ele foi impecável em todas as suas ações, cerimoniais, sociais e morais; desta forma eles tiveram de criar uma mentira para que fosse realizada uma acusação formal contra Jesus no sinédrio e diante de Pilatos e Herodes. Enquanto no sinédrio a falsa denúncia dizia respeito a um descabido pecado de blasfêmia (Mt 26.65), para com o governo do Império Romano a incriminação era de incitação à sonegação de impostos e de tentativa de usurpação do trono (Lc 23.2). É nesse contexto que o Salvador deixa muito claro a Pilatos que não foi para lutar por um trono terrestre que Ele veio, antes, foi simplesmente para cumprir a soberana vontade do Pai, e depois de ter feito tudo, retornar ao seu lugar de honra no universo (Lc 1.33). A infundada acusação produz a oportunidade do próprio Jesus, diante das duas maiores autoridades políticas da região, manifestar a chegada do Reino de Deus. As falsas acusações não puderam roubar a majestade de Cristo, pois esta condição não estava associada a um trono ou coroa humanos, e sim, vontade de Deus (Jo 12.13).


- “Houve seis partes dos julgamentos de Jesus: três estágios em um tribunal religioso e três estágios perante um tribunal romano. Jesus foi julgado diante de Anás, o antigo sumo sacerdote; Caifás, o atual sumo sacerdote, e o Sinédrio. Nestes julgamentos "eclesiásticos", Ele foi acusado de blasfêmia por ter alegado ser o Filho de Deus, o Messias. Os julgamentos diante das autoridades judaicas, ou seja, os julgamentos religiosos, mostraram em que grau os líderes judeus o odiavam porque descuidadamente desconsideraram muitas de suas próprias leis. De acordo com a própria lei judaica, houve várias ilegalidades envolvidas nestes julgamentos: (1) Nenhum julgamento era para ser realizado durante o tempo de festa, e Jesus foi julgado durante a Páscoa. (2) Cada membro do tribunal era para votar individualmente para condenar ou absolver, mas Jesus foi condenado por aclamação. (3) Se a pena de morte fosse dada, era necessário que pelo menos uma noite se passasse antes da sentença ser executada, porém, apenas algumas horas se passaram antes de Jesus ser crucificado. (4) Os judeus não tinham autoridade para executar ninguém, mas mesmo assim projetaram a execução de Jesus. (5) Nenhum julgamento era para ser realizado à noite, mas este julgamento foi realizado antes do amanhecer. (6) O acusado era para receber conselho ou representação, mas Jesus não teve nada. (7) Não deviam ter feito perguntas auto-incriminatórias a Jesus, mas Ele foi perguntado se era o Cristo. Os julgamentos perante as autoridades romanas começaram com Pilatos (João 18:23) depois de Jesus ser espancado. As acusações apresentadas contra Ele eram muito diferentes das acusações nos julgamentos religiosos. Ele foi acusado de incitar as pessoas à revolta, proibindo o povo a pagar os seus impostos, e afirmando ser rei. Pilatos não encontrou nenhuma razão para matar Jesus, por isso o enviou a Herodes (Lucas 23:7). Herodes permitiu a ridicularização de Jesus, mas, querendo evitar a responsabilidade política, enviou-o de volta a Pilatos (Lucas 23:11-12). Este foi o último julgamento, enquanto Pilatos tentava apaziguar a animosidade dos judeus ao ter Jesus flagelado. O flagelo romano é uma terrível surra, possivelmente de 39 chicotadas. Em um esforço final para liberar Jesus, Pilatos ofereceu que o prisioneiro Barrabás fosse crucificado e Jesus liberado, mas sem sucesso. As multidões pediram que Barrabás fosse solto e Jesus fosse crucificado. Pilatos atendeu ao seu pedido e entregou Jesus à vontade do povo (Lucas 23:25). Os julgamentos de Jesus representam o escárnio supremo da justiça. Jesus, o homem mais inocente na história do mundo, foi considerado culpado de crimes e condenado à morte por crucificação” (gotquestions.)


3. O Kyrios que foi trocado pelo César.
A facção político-religiosa que controlava o judaísmo no primeiro século revelou o ápice de sua ignorância espiritual ao rejeitar publicamente Jesus como Senhor - Kyrios - e declarar César como seu rei (Jo 19.15). É evidente que a afirmação de Pilatos não tinha um caráter político, afinal de contas ele era o representante oficial do imperador naquela província, e sim, uma conotação espiritual. Entretanto, era exatamente essa concepção de Jesus como o SENHOR, rei-messias dos judeus, que os líderes religiosos queriam rejeitar (At 4.25-28). Ainda hoje muitas pessoas preferem negar a realeza de Jesus e submeter-se aos poderes mundanos. Não estamos falando de desobediência civil, mas da necessidade de reconhecimento do senhorio de Cristo. As autoridades políticas têm sua relevância e papel de destaque na sociedade (1 Pe 2.17), contudo, nunca poderão substituir o que Jesus é para nós; por isso, sejamos sóbrios e piedosos, reconhecendo que a esperança de dias melhores não virá de nenhum projeto de poder humano, mas sempre das mãos do Salvador (1 Pe 1.3). Não sejamos como os judeus, não troquemos Cristo por César, isto é, a glória excelsa do Filho pelos holofotes da ilusão dos poderes mundanos (Lc 23.2).

- “Kyrios aplicado a Jesus implica em máxima conotação de autoridade: neste caso, expressa caráter exaltado e o faz igual a Deus (Mc 12.36,37).
 - Devemos nos lembrar que "Cristo" é um título, e não sobrenome. Seu significado é ungido, e traduz para o grego o título Messias, vindo do Hebraico (Hebraico מְשִׁיחֶ = mashiach; Grego Χριστός = Christos). Já "César" é um sobrenome pertencente a Júlio, o Júlio César. Seu filho adotivo, Otaviano, o adotou como que se dizendo filho de Júlio. Mais tarde tornando-se o César Augusto (Augusto = digno de adoração) e seus sucessores começaram a repetir o ato de adotar o nome, para se dizer filiado ou continuação de Otaviano. Assim, o sobrenome passou a ser título, ou sobrenome-título. Jesus era chamado de "Jesus, o Cristo". Ou seja, "Jesus, o Ungido". Os cristãos, contudo, transformam seu título em sobrenome . Jesus Cristo, em oposição a Júlio César, César Augusto, Tibério César, ou qualquer outro que se sinta no direito de se intitular "César". Então, existe um "Nero Cesar", os cristãos confessam um Jesus Cristo.  Existe um Kyrios (Senhor) que é outro título do César. Augusto é reconhecido como Deus e Senhor (Theós kai Kyrios). Contudo, Paulo afirma: Só existe um Deus (Theos) - negando a divindade do imperador e os deuses de Roma; Um só Senhor (Kyrios) - negando o senhorio do imperador” (reinoutopico)

- Neste mundo não há esperança de vivermos dias melhores, mas como o mesmo texto citado (1Pe 1.3) diz, nossa viva esperança está numa eternidade com Cristo na glória..

SUBSÍDIO

"O Senhor, em contrapartida, levantaria como seu veículo de revelação um profeta. Tal qual o rei, ele devia ser oriundo da comunidade israelita (18.15; 17.15). Ele só era capaz de falar porque Deus punha a palavra em sua boca (17.19; bem próximo do que o Senhor mais tarde falaria a um hesitante Jeremias [Jr 1.9]). O fato de Deus, por assim dizer, colocar suas palavras na boca de seus profetas explica o porquê de muitos deles iniciarem seus pronunciamentos com: 'A palavra do Senhor veio a mim' ou 'Assim diz o Senhor'. Por outro lado, é raro que qualquer outra pessoa nas Escrituras, Antigo ou Novo Testamento, prefaciar e validar seus comentários com esta fórmula. Uma coisa é afirmar que as Escrituras foram inspiradas; outra coisa é entender como Deus a inspirou. Já com os profetas, não restam dúvidas: Deus inspirou os profetas ao lhes ditar suas palavras, colocando sua palavra em suas bocas, de forma que as palavras do profeta eram proferidas por Deus.Tais profetas deviam seguir o exemplo de Moisés. Aqui, temos um dos poucos exemplos no corpo legal de Deuteronômio em que Moisés fala a respeito de si próprio como sendo ele um paradigma: 'O Senhor, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu [...]. Eis que [Eu, Deus] lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu' (18.15,18) (HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p.482).

CONCLUSÃO
O tríplice ministério de Jesus garantiu-nos o direito a uma perfeita salvação. Tendo aprendido com o Senhor, sejamos seus imitadores nesta geração.

- Em seus três ofícios, Jesus age como mediador entre Deus e os seres humanos: Como profeta ele representa Deus para com o homem, como sacerdote, ele representa o homem na presença de Deus e como Rei, ele exerce domínio e restabelece o domínio original do homem.

HORA DA REVISÃO
1. O que significa ter um ministério?
Significa ter uma tarefa, uma missão, um serviço direcionado por Deus, para realizarmos.

2. Como o aspecto profético do ministério de Jesus torna-se evidente?
Por seu discurso em favor dos frágeis, seu caráter de denúncia contra o pecado e o anúncio de fatos futuros.

3. Por que o ministério sacerdotal de Jesus é único e incomparável?
Porque o seu ministério é segundo a ordem de Melquisedeque, e não levítico; e porque, ao mesmo tempo, Ele foi ofertante e oferta.

4. Em que aspecto pode-se afirmar que a realeza de Cristo é superior a dos césares?
No âmbito espiritual, pois Jesus não veio em busca de estabelecer um império terreno, mas uma comunidade de homens e mulheres livres dos poderes humanos.

5. Se a Igreja imitar a Cristo, de que modo ela servirá à sociedade?
Através de seu discurso de denúncia ao pecado e apoio ao fraco; através da intercessão e amor aos perdidos; e por fim, por meio da realização de ações públicas honestas e que visem o bem comum.








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Sobre o Autor:
Ev. Hubner BrazÉ escritor, professor e blogueiro. Formado Bacharel em Teologia pela FATESP, graduando em Mecânica pela FATEC. Criador do projeto Pecador Confesso e tem se destacado em palestras para jovens, casais, obreiros e missões urbanas.

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Augustus Nicodemus,1,Revelação,1,Revelado,1,Revista,26,Rezar e Amar,1,Riscos,1,Rock Gospel,1,Rodolfo Abrantes,1,Rubem Alves,1,Rute,1,Sá de Barros,3,Sábado,1,Sacerdócio,1,Sacerdotal,1,Sacrifício,2,Safira,1,Salomão,9,Salvação,8,Salvador,1,Samuel,4,Samuel Mariano,1,Sangue,1,Sangue no Nariz,1,Sansão,2,Santa Ceia,1,Sarah Sheva,1,Saudações,1,Saudades,3,Saul,2,Saulo,1,Savífica,1,Secrets by OneRepublic,1,Segredo,1,Segunda,1,Segundo,1,Segundos,1,Seja um empreendedor Polishop e ganhe dinheiro sem sair de casa,1,Selada,1,Seleção Brasileira,1,Sem,1,Sem Garantia,1,Seminário,1,Senhor,2,Senhorio. 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Pecador Confesso: Lição 3 - O Ministério de Jesus - 19 de Janeiro de 2020 - EBD jovem - CPAD
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