Vagabundo Confesso - Capítulo 9: Tsunami no Asfalto

No capítulo anterior de Vagabundo Confesso: Eric fica surpreso por saber que Susana não foi levada pelos ladrões. Sem carro, os dois procuram carona e conhecem um caminhoneiro que além de ser simpático era divertido e diferente dos demais. Como a pousada estava lotada, os dois dormem dentro do caminhão baú de Noruga e na manhã seguinte seguem viagem. Logo de madrugada o Noruga pega estrada e no meio do caminho cochila no volante, por um relance, Eric acorda pedindo ajuda a Deus porque o caminhão está prestes a bater.

Vagabundo Confesso
Capítulo 9: Tsunami no Asfalto
Autor: O Varão
Escritura e revisão gramatical: Hubner Braz
Colaborador: O Divino

O que eu mais temia aconteceu... Quando vi, começaram as batidas, uma após outra. Ao meu lado, fogo que saia da traseira do caminhão, do outro lado o Noruga desacordado e a Susana sangrando. Eu tinha que decidir a quem salvar, e decidi pela Susana, ao pega-la em meus braços, saí correndo para o acostamento, em questão de segundos mais carros vieram de atrás e bateu...

- Noruga!!! Gritei... Desacreditado no que eu via.

São 12h45min, pelo menos é isso que aponta por entre o vidro trincado do Rolex.  O ar cheira a borracha queimada, na medida em que o tempo passava, o cheiro de diesel dominava. Por mais que o vento frio de 14ºC soprasse ao longo deste megaengavetamento, o cheiro não ia embora. Ele impregnou nas roupas do meu corpo misturado com o sangue que escorria da sobrancelha de Susana.

Havia dezenas de veículos da polícia, dos bombeiros e do resgate com a luz bem acesa, mesmo assim, a neblina atrapalhava a visibilidade do lugar. Não demorou a aproximar um dos bombeiros, nitidamente desesperado ele não sabia por onde começar o resgate. O cenário era de completo caos.


- Oi filho, você está bem?
- Sim, mais a Susana não, ela está com um ferimento aberto próximo a sobrancelha e precisará dar ponto. (Falei isso, não porque era médico, mais para ajudar o bombeiro a tomar uma ação)
- Filho, como se chama?
- Meu nome é Eric, mas pode me chamar de “vagabundo”. (risos saíram dos rostos no meio do caos)
- Tudo bem Eric, vou socorrê-la. Já é um milagre você está vivo, porque quando vinha para cá, não havia brecha entre os veículos, e era impossível saber o que era um caminhão ou um carro, uma porta ou um bagageiro.
- Sr Bombeiro, outra coisa... Meu amigo Noruga está entre as ferragens, o Senhor poderia salva-lo também?
- Filho, pode me chamar de JC e não se preocupe vamos salvá-lo.
- Ahh! o.O

Fiquei surpreso, porque as letras JC me eram familiar... E aos poucos, eu ali, ficava sozinho, pensativo e estagnado, pois observava JC indo lentamente para a ambulância com a Susana nos braços, eu fiquei ali, simplesmente admirando a profissão daquele homem que salva vidas.

Sem perspectiva, lancei minha esperança em Deus. Já era fim da tarde, a cena esboçava um clima de desespero, havia centenas de pessoas no acostamento da pista, debaixo de chuva e a uma temperatura de 14ºC. Ouvia barulho dos carros trabalhando, dos guinchos, das sirenes, os caminhões sendo arrastado, o barulho que surge do atrito de metal. É como estar no meio de uma obra. E nada do Noruga!

As nuvens desceram do céu com tanta intensidade que não conseguia enxergar um metro à minha frente. Para piorar, os olhos lacrimejavam com a neblina espessa. Mal dá para identificar quem está do outro lado da pista ou quem está bem perto. Só era possível distinguir um carro prensado num caminhão quando se chegava muito perto. Para minha surpresa, ao longe, vinha uma pessoa em minha direção, ele estava com um livro na mão e parecia um cowboy vindo de uma batalha... Quem será? Noruga?!
(pausa insana)

Flash Back do Caminhoneiro Norueguês

Súbito, apaguei e sonhou que dirigia a carreta com as luzes apagadas. Desesperado no sonho, eu acendia e apagava os faróis. Acordei num golpe de sorte, ouvindo os gritos de Eric e sendo tocado por Deus.

Foi muito rápido. Pensei por um segundo que tinha conseguido frear, mas após a batida fui arrebatado ao céu. Alguém lá de cima falou que não era minha hora e pediu para eu regressar.

Quando acordei, a Susana e o Eric não estavam mais ao meu lado. Eu ouvia barulho de freios ao meu redor. Mas com todo barulho de freios e explosões peguei o livro e saí correndo que nem louco do caminhão, desesperado, porque achei que ia explodir tudo. Nunca tinha visto um nevoeiro tão forte nesta parte da estrada.

Atravessei a pista e procurei ficar na pista contrária. Também ajudei algumas pessoas a atravessar a pista e ficar no canteiro central para se salvar. Ouvia bebê chorando. Tinha muita gente emocionada. Parecia o último dia do apocalipse. Meu maior medo era um caminhão explodir ou alguém ser atropelado. Não fiquei apavorado, confiei em Deus. Era o instinto de sobrevivência.

Deus me deu outra chance de viver. Por isso que, os caminhoneiros que vivem na estrada tem que confiar em Deus, eles sempre ganham outras chances porque Deus os livra.

(continuação insana)

- Noruga! Milagre você está vivo! =D
- Milagre é pouco Eric, Deus teve misericórdia de mim, porque antes de eu viajar tomei um Desobesi (Remédio à base de anfetamina usado por caminhoneiros para forçar a insônia) para aguentar toda a viagem...

Antes de Nogura terminar... O Bombeiro JC veio correndo informar que a Susana foi encaminhada para o hospital de Santos. Olhamos em direção a Santos e o Bombeiro sumiu, sem avisar...
Para onde foi o Bombeiro JC? O que significa essas duas letras? Como chegar ao hospital de Santos? Que rumo tomará o Noruga e o Eric? Não perca o próximo capitulo do Vagabundo Confesso em 12 de Dezembro. (Passível de revisão)
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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.
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4 Milhões de Confessos:

  1. Caramba!

    O.O

    Onde estão os capítulos anteriores, quero me situar.

    Beijocas.

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  2. Luna,

    Vou organizar todos os capítulos da blognovela...
    Pode "destá" comigo!!! rsrsrs

    Bjkas

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  3. Fala Hubner;

    Demorei pra achar o capítulo 9. Sei lá o que aprontei nos favoritos, mas pelo menos achei kkkk
    A história tá cada vez mais enigmatica, mas sempre interessante. Gostei também do que aconteceu com o Noruga, e como você disse: "os caminhoneiros que vivem na estrada tem que confiar em Deus." Acredito que não só os caminhoneiros, como todos os demais motoristas, não é?

    Abraçoos e continue com a história que continua bem interessante!!

    Ricardo (www.overshock.blogspot.com)

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  4. Boa tarde onde está o capítulo 10? Não o encontrei.
    Abraço

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