LIÇÃO 08 – A SUPREMA ASPIRAÇÃO DO CRENTE – 25 de Agosto de 2013 – EBD – CPAD

PORTAL ESCOLA DOMINICAL
3º Trimestre de 2013 - CPAD
FILIPENSES: a humildade de Cristo como exemplo para a Igreja Comentários da revista da CPAD: Elienai Cabral
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
ESBOÇO Nº 8

RESUMO - LIÇÃO 08 – A SUPREMA ASPIRAÇÃO DO CRENTE
(Fp 3.12-17)
INTRODUÇÃO
Nesta lição destacaremos quais eram as aspirações do apóstolo Paulo, veremos também as atitudes que ele deveria tomar para alcançar este objetivo. Analisaremos ainda, nas palavras do próprio apóstolo que, assim como o atleta numa corrida tem como motivação a recompensa, semelhantemente ele prosseguia para o alvo “pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.14-b). Por fim, estudaremos quais as três fases da perfeição cristã.
I - ASPIRAÇÕES QUE PAULO DESEJAVA ALCANÇAR
Em (Fp 3.11-17) encontramos algumas aspirações do apóstolo Paulo. O Aurélio define a palavra “aspiração” como: “desejo intenso de alcançar um objetivo, um alvo”. Vejamos nas palavras do próprio apóstolo quais eram estasaspirações:
1.1 Aressurreição. Paulo sabia que, estando preso em Roma, poderia estar perto da morte (Fp 2.17). Apesar disso, podia dizer com convicção:“...Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte” (Fp 2.20-b). Se permanecesse vivo até que Cristo voltasse, ansiava por receber um corpo glorioso (Fp 3.21). E, se viesse a morrer aspirava por participar da ressurreição dos mortos“Para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos” (Fp 3.11). Biblicamente essa é chamada de primeira ressurreição e ocorrerá por ocasião
do arrebatamento da igreja (I Co 15.23,24; 51,52; I Ts 4.16,17).
1.2 Aperfeição futura. O apóstolo Paulo como um cristão equilibrado afirmava não haver alcançado ainda a perfeição, no entanto, diz que era isso o que ele tinha como suprema aspiração “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus” (Fp 3.12). A expressão “perfeição” usada pelo apóstolo neste texto no grego é teleiõsis que denota“realização, conclusão, perfeição, um fim realizado como o efeito de um processo” (VINE, 2002, p. 869). De acordo com o Novo Testamento, a perfeição absoluta do caráter cristão somente há de ser atingida por ocasião da volta do Senhor. No presente momento, fomos perdoados elibertos dos pecados (Rm 4.7,8; I Jo 2.12; Rm 6.12-14; 16-19), porém, na glorificação do corpo seremos livres da presença do pecado (I Co 15.53-57).
1.3 Aperfeição presente. As palavras paulinas nos mostram que existe uma perfeição futura que só alcançaremos na volta do Senhor para buscar a sua igreja, mas também há uma perfeição presente que pode ser atingida “Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará” (Fp 3.15). Essa palavra “perfeitos” se deriva da mesma palavra básica usada por Paulo em (Fp 3.12). No entanto, esse termo é usado pelo apóstolo em sentido secundário de “maturidade”. E, por sua vez, alguém maduro é uma pessoa “plenamente desenvolvida”. Nesse aspecto, o apóstolo deseja que como cristãos sintamos isto mesmo”, ou seja, busquemos tal idoneidade espiritual (Cl 1.12; II Tm 2.21).
II - PERSPECTIVA PAULINA PARA ALCANÇAR O ALVO DA VIDA CRISTÃ
“Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus” (Fp 3.12). Para não dar a impressão de que já tivesse chegado, Paulo indica cuidadosamente que ainda estava muito envolvido na corrida espiritual da vida cristã. Ele estava advertindo a ideia errônea dos perfeccionistas que se propagava grandemente na igreja, alegando já possuírem a perfeição absoluta. A expressão “prossigo para alcançar” usada pelo apóstolo refere-se a um corredor na etapa final de uma corrida. Vejamos o que é necessário fazer para conquistar o alvo da vida cristã:
2.1 “mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam” (Fp 3.13-b). Paulo deixa claro que rumo ao seu objetivo deveria esquecer-se do que foi no passado. Como cristão recusara valer-se de feitos virtuosos e realizações passadas feitas antes de sua conversão a Cristo (Fp 3.4-6), ou insistir em pecados e transgressões do seu
passado (At 7.57,58; I Tm 1.13). Afinal de contas, ser desviado pelo passado poderá enfraquecer os esforços da pessoa no presente. Agora, pelo poder do evangelho ele era uma nova criatura (II Co 5.17; Gl 1.23,24). E, o que Paulo era no judaísmo considerava como “escória”, “refugo”, “esterco”“para que possa ganhar a Cristo” (Fp 3.8-b). Todas as suas credenciais religiosas judaicas que antes tinha como ganho (Fp 3.7), na verdade eram sem valor e condenatórias. Portanto ele as contabilizou como “perdas” quando viu as glórias de Cristo “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor” (Fp 3.8-a).
2.2 “e avançando para as que estão diante de mim” (Fp 3.13-c). Enquanto se desprendeu do seu passado, Paulo avançava para o seu futuro. A expressão “avançar” usada pelo apóstolo neste texto, no original grego é epekteinomai que por sua vez significa literalmente, “esticando-me”, dando a entender “um violento esforço para a frente”. Era justamente essa postura inclinada dos corredores, que Paulo usa como metáfora para falar do seu tremendo esforço na caminhada cristã. As coisas que estavam diante de Paulo serviam para aumentar o seu conhecimento de Cristo (Fp 3.8). Ele corria “olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12.1-a).
2.3 “Prossigo para o alvo [...]” (Fp 3.14-a). Além de “esquecer” e de “avançar” Paulo diz que “prossegue para o alvo”. A expressão “prosseguir” segundo Aurélio significa: “fazer seguir; dar seguimento a; continuar”, dando a entender claramente que o apóstolo tinha em mente a persistência na caminhada rumo ao alvo. A palavra “alvo”, neste caso é a tradução do vocábulo grego “skopos”, usada para indicar “um sinal ou marca onde se devia alvejar o dardo ou flecha”, embora neste texto se refira à meta que os corredores procuram atingir, no caso do cristão sua meta é o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.14).
III – O ALVO DO APÓSTOLO PAULO
3.1 “Prossigo para o alvo, pelo prêmio [...]” (Fp 3.14-b). No original grego a palavra prêmio é “brabeion”, que alude ao “prêmio oferecido aos atletas vencedores”. Todavia esta palavra dava a entender qualquer recompensa, sendo este o motivo estimulador “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível” (I Co 9.24,25). A Escritura denomina esta recompensa de coroa da vida (Ap 2.9); coroa da justiça (II Tm 4.8) e coroa de glória (I Pe 5.4).
3.2 “[...] da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.14-c). Essa soberana vocação a que se refere o apóstolo é literalmente “um chamado para o alto”, indicando a sublimidade da chamada divina. Na verdade essa “vocação” é uma “convocação a participar, gratuitamente, dos benefícios do Evangelho com base nos méritos da morte de Cristo” (CLAUDIONOR, 2006, p. 359). Esta é uma chamada dirigida para cima, divina, cujo objetivo final é a glorificação. Que por sua vez é a etapa final a ser atingida por aquele que recebe a Cristo como Salvador e Senhor da sua alma (Rm 8.17). O texto de ouro que aponta para a nossa glorificação encontra-se em (I Jo 3.2).
IV – OS TRÊS ESTÁGIOS DA PERFEIÇÃO CRISTÃ
Citaremos abaixo as fases da perfeição que estão baseadas na fé em Cristo e naquilo que Ele fez, e não no que podemos fazer por Ele. Não podemos nos aperfeiçoar. Somente Deus pode operar em nós e por nosso intermédio (Fp 1.6). Vejamos na tabela abaixo os três estágios da perfeição cristã:
ESTÁGIOS
1 - Relacionamento perfeito - Somos perfeitos por causa de nossa eterna união com o Cristo infinitamente perfeito. Quando nos tornamos filhos de Deus, fomos declarados “inocentes” e, portanto, justos pelo que Cristo, Seu amado Filho, fez por nós (Rm 3.24; 5.1; I Co 6.11; Gl 3.24). Essa perfeição é absoluta e imutável. É esse perfeito relacionamento que garante que um dia seremos “completamente perfeitos” (Cl 2.8-10; Hb 10.8-14).
2 - Progresso perfeito - Podemos crescer e amadurecer espiritualmente à medida que continuamos a confiar em Cristo, a aprender mais a seu respeito e a obedecer-lhe. Nosso progresso é variável (em contraste com o nosso relacionamento descrito acima) porque depende de nossa vida cotidiana – há momentos na vida que amadurecemos mais do que em outros. Mas estaremos crescendo em direção à perfeição se continuarmos avançando (Jo 15.2; II Co 3.18; Fp 3.12; Ap 22.11).
3 - Totalmente perfeito - Quando Cristo retornar para levar-nos ao seu Reino eterno, seremos glorificados e nos tornaremos perfeitos (I Co 15.42-44; Fp 3.20,21; I Jo 3.2).
CONCLUSÃO
Devemos seguir o exemplo do apóstolo Paulo, que estava disposto a “esquecer-se das coisas que para trás ficam”, “avançar para que as adiante dele estavam” e “prosseguir” para conquistar a meta da vida cristã, a “soberana vocação de Deus em Cristo”.
REFERÊNCIAS
· Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
· CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
· CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. HAGNOS.
· MACARTHUR. Bíblia de Estudo. SBB.
1º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Alexandre Coelho ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 8 - A suprema aspiração do crente.


2º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O Dr. Ev. Caramuru Afonso Francisco ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 8 - A suprema aspiração do crente.


3º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: A Irmã Persiliana ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 8 - A suprema aspiração do crente.


4º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Fabio Segantin ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 8 - A suprema aspiração do crente.

5º Vídeo Pré-Aula - Dicas da CPAD para que o professor possa dar uma boa aula: O pastor Sidney Pereira ajuda você na preparação da sua aula de Escola Dominical falando sobre o tema da lição 8 - A suprema aspiração do crente.

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– LIÇÃO Nº 8.
– A SUPREMA ASPIRAÇÃO DO CRENTE.
– SUBSÍDIO + COMPLETO.

O cristão almeja morar no céu.

INTRODUÇÃO

- Na sequência do estudos a respeito da carta de Paulo aos filipenses, estudaremos hoje a continuidade do capítulo terceiro, onde o apóstolo revela que sua aspiração é morar no céu.

- Nos dias em que vivemos, muitos dos que cristãos se dizem ser não têm mais esta aspiração do apóstolo Paulo, preferindo as coisas desta vida.


I – O ALVO DO APÓSTOLO PAULO: A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS


- Prosseguindo o estudo da carta de Paulo aos filipenses, mais precisamente o estudo de seu capítulo terceiro, depois de ter dado aos crentes de Filipos uma série de conselhos extremamente atuais concernentes ao critério de vida que deve nortear todo aquele que se diz servo de Cristo Jesus, o apóstolo passa a “abrir seu coração” aos filipenses, revelando qual era o seu objetivo de vida, a sua razão de viver.

- Depois de ter dito que a justiça que vem pela fé é a que deve ser buscada por todos os servos de Cristo Jesus, pois é a justiça que vem de Deus, mostrando-nos, com isso, uma vez mais o ensino que já deixara claro na epístola aos romanos, de que a justificação do crente vem pela fé, que é um dom de Deus (Ef.2:8), Paulo mostra aos filipenses que esta justiça leva-nos a sofrer injustiças neste mundo, visto que devemos participar das aflições de Cristo, para que sejamos capazes de participar da Sua glória (Rm.8:17).

- A justificação que vem pela fé é absolutamente necessária para termos o início de uma vida cristã, mas Paulo deixa claro que é insuficiente para que venhamos a ter uma vida cristã autêntica e genuína.

- Quando cremos em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador, ingressamos no corpo de Cristo, isto é, na Sua Igreja, daí porque o apóstolo ter dito que a justiça que vem pela fé nos faz “achados n’Ele” (Fp.3:9).

- No entanto, uma vez “achado n’Ele”, faz-se mister “conhecê-l’O e à virtude da Sua ressurreição”, ou seja, é necessário que o cristão, uma vez achado em Jesus, pertencente à Sua Igreja, desenvolva uma intimidade com o Senhor Jesus, pois é isto que significa “conhecimento” no sentido hebraico do termo, ou seja, que se aproxime cada vez mais do Senhor, buscando uma vida de santificação, para que possa saber sempre qual é a vontade divina para a sua vida.

- Ora, neste conhecimento de Cristo, que envolve uma comunhão cada vez mais intensa com o Senhor e Salvador, o cristão também experimentará o poder de Deus, pois também conhecerá “a virtude da ressurreição de Cristo”, ou seja, experimentará que a salvação é real e traz inúmeras bênçãos, inclusive o desfrute do poder de Deus para nos livrar do mal e nos fazer conformes à imagem e semelhança de Deus, por intermédio do Senhor Jesus, de Seu sacrifício vicário.

- Esta binomia entre comunhão com Cristo e a manifestação do poder de Deus através de nossas vidas como prova da ressurreição de Jesus, ou seja, da aceitação do sacrifício vicário de Cristo na cruz do Calvário que propicia uma real transformação do ser humano, sua libertação do pecado e sua vida para Cristo e para Deus desde o momento da salvação, tem sido negligenciada por muitos nos dias em que vivemos.

- Muitos não usufruem desta salvação em Cristo Jesus. Pensam que se trata de um mero assentimento a uma série de verdades bíblicas, que se trata mesmo de um “exercício de inteligência”, não revelando terem, efetivamente, recebido a justiça pela fé que vem de Deus.

- Ser cristão é crer que Jesus conquistou a nossa salvação, o perdão dos nossos pecados e que, por isso, devemos, doravante, fazermos a Sua vontade, mesmo que isto nos venha a trazer sofrimentos, incompreensões e perseguições, pois a cada dia nos aproximamos mais de Cristo e passamos a fazer a Sua vontade, de tal maneira que desfrutaremos do exercício do poder de Deus em nossas vidas, sendo realmente transformados e agentes transformadores daqueles que estão à nossa volta.

- Experimentar a “virtude da ressurreição” é ter experiências do poder libertador de Cristo para o homem perdido, o que envolve, inclusive, a realização de milagres, sinais e maravilhas. Foi isto mesmo que o Senhor Jesus disse aos discípulos pouco antes da ascensão ao afirmar que sinais seguiriam aqueles que cressem n’Ele (Mc.16:17,18).

- A presença destes sinais é a demonstração de que os cristãos têm acesso ao “conhecimento da virtude da ressurreição de Cristo”, ressurreição esta que é a razão de ser da nossa fé no Senhor Jesus (I Co.15:17).

- Esta experiência, conforme vimos na lição anterior, não nos isenta, e diríamos mesmo, leva-nos a uma vida de perseguição, pois o mundo nos aborrece (Jo.15:18), precisamente porque, em tendo comunhão com o Senhor e sendo instrumentos do Seu poder, vamos em sentido contrário ao que mundo ama e propala (Ef.2:1-5).

- É esta nova vida que recebemos em Cristo que faz com que tenhamos “nascido de novo” (Jo.3:3), que sejamos “novas criaturas” (II Co.17; Gl.6:15), morrendo para o mundo e vivendo para Deus (Rm.6:4,8).

- Como temos de imitar a Cristo, temos de seguir as Suas pisadas (I Pe.2:21) e, assim como Ele morreu para chegar à glória, também devemos morrer para também usufruirmos da Sua glória (Rm.6:8), tendo de nos considerarmos como mortos para o pecado mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor (Rm.6:11).

- Esta realidade espiritual que Paulo relata aqui aos filipenses e que já havia mandado para os romanos, é algo que precisa ser aprendido por todos os cristãos. A vida cristã é uma vida para Deus em Cristo Jesus e, portanto, temos de morrer para o mundo, sem o que não seremos verdadeiros servos do Senhor Jesus.

- O Senhor Jesus já dissera isto a Nicodemos, quando disse que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo e que não entrará no reino de Deus se não nascer da água e do espírito (Jo.3:3,5). Este nascimento é do Espírito, que nos traz a fé pela qual somos justificados (Jo.3:6), sendo o demais apenas um “nascimento da carne”, ou seja, uma religiosidade que em nada difere daquela que é trazida pela justiça que vem da lei.

- Este novo nascimento, esta nova vida é indispensável para que alcancemos a salvação e o apóstolo faz questão de lembrar os filipenses que não há sentido algum na vida cristã que não seja uma vida para Deus em Cristo Jesus, uma vida em que se tenha morrido para o mundo, uma vida em que o pecado não mais reine em nosso corpo mortal, em que não obedeçamos mais às concupiscências pecaminosas (Rm.6:12).

- Não é assim, entretanto, que estão a viver muitos dos que cristãos se dizem ser, que entendem que podem servir a Jesus Cristo vivendo da mesma maneira que viviam antes da sua suposta “conversão”, antes de serem “impactados” emocionalmente com alguma mensagem, pregação ou, mesmo, com o ambiente vivenciado em alguma reunião dos “crentes”.


- Paulo é claríssimo ao mostrar que não se pode viver para Deus em Cristo Jesus sem que se abandone o pecado, sem que se rejeite o “curso deste mundo” (Ef.2:2). Tudo o que caracterizava nossa vida de desobediência a Deus e à Sua Palavra deve ser abandonado, se é que, realmente, queremos ter comunhão com Cristo e experimentar da “virtude da Sua ressurreição”.

- Cristo morreu, foi crucificado por nós e nós devemos, também, morrer para o mundo, crucificar o “velho homem”, para que o corpo do pecado seja desfeito em nós, para que não mais sirvamos ao pecado (Rm.6:6).

- Assim, nossos corpos não podem mais ser instrumentos de iniquidade, mas devemos nos apresentar a Deus como vivos dentre mortos e os nossos membros a Deus como instrumentos de justiça (Rm.6:13).

- Bem se vê, portanto, que os que defendem que “Deus quer somente o coração”, que desprezam toda e qualquer atitude que venhamos a fazer com o nosso corpo, pois a comunhão com Deus seria “espiritual”, não têm qualquer razão, sendo apenas enganadores e pessoas que procuram justificar a sua religiosidade vazia e sem qualquer sentido.

- Quem tem comunhão com Cristo, morre para o pecado e o pecado, portanto, não mais tem domínio sobre o seu ser e, por conseguinte, o corpo não pode ser utilizado como “instrumento de iniquidade”, mas, sim, como “instrumento de justiça” para Deus. Através do corpo, glorificamos a Deus, como o próprio Cristo glorificou ao Pai ao Se entregar por nós no madeiro.

- Não é por outro motivo que o apóstolo diz que “somos feitos conforme à morte de Cristo” (Fp.3:10). Ao morrermos para o mundo, entramos em “novidade de vida” (Rm.6:4), ou seja, deixamos de existir no mundo sem Deus e sem salvação, não mais nos fazemos presentes no serviço ao pecado, tendo uma nova conduta, um novo comportamento.

- Assim como Cristo, ao morrer, não mais foi visto pelos ímpios e pecadores, embora deixasse Seu túmulo vazio como testemunho da Sua ressurreição, o que levou, inclusive, os principais dos sacerdotes a subornarem os soldados romanos que encarregados estavam da guarda do sepulcro (Mt.28:11-15), assim também o cristão não é mais visto pelo mundo espiritual que está no maligno, visto que não mais participa do reino das trevas, de onde foi tirado por Jesus (I Pe.2:9).

- Esta ressurreição com Cristo, que faz com que tenhamos novidade de vida, não é, porém, o alvo, o objetivo, a aspiração do cristão. É antes a própria vida cristã, que tem início precisamente por esta morte para o mundo e este viver para Deus em Cristo Jesus, que é o novo nascimento.

- Como nascimento, temos que esta ressurreição com Cristo faz com que tenhamos uma nova vida, é, portanto, o início da vida cristã, não sendo o seu término.

- É o que Paulo mostra aos filipenses: seu alvo não era esta ressurreição com Cristo, pois ela já era uma realidade na sua vida desde o instante em que se encontrara com Jesus no caminho de Damasco. Seu alvo, entretanto, era outro, a saber: a “ressurreição dos mortos” (Fp.3:11).

- Vemos aqui qual deve ser o foco do cristão: não apenas desfrutar da ressurreição com Cristo, que é o inicio da vida cristã e, por conseguinte, pensar nas coisas que são de cima (Cl.3:1-3), não mais vivendo para o mundo e para o pecado, mas única e exclusivamente para Deus, mas, também, ter como meta a ser alcançada a “ressurreição dos mortos”, ou seja, como o apóstolo falará aos colossenses, em outra “epístola da prisão”, “manifestarmos com Cristo em glória” (Cl.3:4).

- O objetivo do cristão jamais pode ser o de receber tão somente benefícios da parte de Deus nesta vida, pois, se assim o fizer, será o mais miserável de todos os homens sobre a face da Terra (I Co.15:19), mas, sim, alcançar a “ressurreição dos mortos”, ou seja, a glorificação, que é o último estágio do processo da salvação, o instante em que receberemos um corpo glorificado e passaremos a viver para sempre com o Senhor na dimensão eterna.

- Jesus veio nos salvar e a salvação representa recebermos a “vida eterna” (Jo.3:16), vida esta que se inicia com o novo nascimento, com a nossa morte para o mundo e a nossa “ressurreição com Cristo”, mas que não se limita a isto. Como dizia um saudoso irmão de quem tivemos o privilégio de ser amigos, “somos crentes para irmos para o céu”.

- Vemos, portanto, como estamos em um baixíssimo nível espiritual entre os que cristãos se dizem ser em nossos dias. Se já tem sido difícil termos cristãos que estejam a viver esta realidade da “novidade de vida” de que acabamos de falar, ainda é mais difícil ainda encontrar quem esteja, como o apóstolo Paulo, a desejar a “ressurreição dos mortos”, ou seja, a glorificação, a passagem para a dimensão eterna no instante em que Jesus vier arrebatar a Sua Igreja.

- Paulo recebera a revelação de que não morreria naquele instante, de que seria absolvido por César no julgamento que estava a enfrentar, uma vez que os filipenses não estavam ainda preparados para enfrentar a partida do apóstolo para a dimensão eterna, mas o apóstolo tinha absoluta consciência de que iria morrer algum dia.

- Esta circunstância, já estudamos em lições anteriores, era até almejada pelo apóstolo, que sabia que a morte física, para o cristão é algo bem melhor do que a vida terrena (Fp.1:23), precisamente porque o apóstolo tinha uma esperança de que, no dia de Cristo (Fp.1:10), alcançaria a plenitude de sua salvação, que é a glorificação.

- Sabendo que iria morrer, o apóstolo tinha como alvo a “ressurreição dos mortos”, o que o apóstolo João denominará, na revelação que Jesus lhe deu, de “primeira ressurreição”, ou seja, aqueles que, tendo crido em Cristo e se mantido fiéis até a sua morte física, serão ressuscitados pelo Senhor para com Ele conviverem eternamente.

- Muitos dos que cristãos se dizem ser, entretanto, têm verdadeira “paúra da morte”, tem medo de morrer, precisamente porque não possuem a convicção da salvação, não têm uma vida de comunhão com Cristo e, por isso mesmo, não têm o Espírito Santo dizendo em seu coração que eles são filhos de Deus (Rm.8:16), não tendo, assim, qualquer perspectiva de uma vida futura, eterna, gloriosa, bem melhor do que a que vivemos aqui.

- Nosso alvo, nossa meta deve ser a de ter uma vida santa aqui na Terra, de intensa e cada vez maior comunhão com o Senhor, para que, no momento de passarmos para a eternidade, ou, então, se estivermos vivos no dia do arrebatamento da Igreja, podermos atingir a glorificação, que é o fim de todo aquele que é ressuscitado com Cristo.

- Assim como Jesus sofreu, padeceu e morreu por nós e, ao terceiro dia, ressuscitou, subindo após aos céus para ter a Sua glorificação (Sl.24:7,8), também os Seus imitadores, após terem sofrido e padecido por amor a Cristo neste mundo, também serão levados aos céus pelo seu Senhor e Salvador, alcançando igual glorificação (Sl.24:9,10).

- Era nesta perspectiva que o próprio Senhor Jesus viveu sobre a face da Terra, como nos dá conta o escritor aos hebreus (Hb.12:2), perspectiva esta que temos de levar em consideração para também nos fortalecermos em nossa fé e atingirmos o fim de nossa fé, que é a salvação das almas (Hb.12:3; I Pe.1:9).

- O cristão é alguém que, tendo recebido a revelação da luz do Evangelho de Cristo (II Co.4:4), tem direção, sabe muito bem para onde está indo e o que precisa fazer para alcançar o seu objetivo. Sabe perfeitamente que está a trilhar um caminho apertado, cuja porta é estreita, mas que o conduz para a vida, para a salvação, salvação esta que termina na glorificação.

- Não é por outro motivo, portanto, que mensagens como a santificação e o arrebatamento da Igreja devem ser assuntos constantes e sempre presentes na Igreja, se é que estamos, realmente, caminhando pelo caminho apertado, após termos entrado pela porta estreita.

- A santificação lembra-nos da necessidade de nos mantermos “em novidade de vida”, do compromisso que assumimos de morrermos para o pecado e de vivermos para Deus em Jesus Cristo. Afinal de contas, sem a santificação, ninguém verá o Senhor (Hb.12:14).

- Já a lembrança do arrebatamento da Igreja e, mais do que lembrança, o seu desejo ardente (I Co.16:22; Ap.22:17), permite-nos a conscientização de que a santificação tem um alvo bem determinado, qual seja, a nossa glorificação, a ser alcançada no dia de Cristo, quando o Senhor vier buscar a Sua Igreja, ocasião em que atingiremos a plenitude de nossa salvação.

- Era este o ardor que caracterizava a igreja primitiva e que a põe como modelo que devemos seguir. Os cristãos dos dias apostólicos viviam em santidade, não se misturavam com os demais (At.5:13), assim como desejavam ardentemente a volta do Senhor Jesus (I Ts.1:10).

- Tem sido este o alvo de nossa existência perante esta peregrinação terrena? Estamos como o apóstolo, vivendo para alcançar a “ressurreição dos mortos”? Ou pensamos em Cristo somente para esta vida, estamos atrás apenas dos benefícios do Evangelho para a nossa passagem por este mundo? Pensemos nisto!


II – A CONSCIÊNCIA DE PAULO A RESPEITO DA NECESSIDADE DE UMA VIDA CONTÍNUA DE COMUNHÃO COM DEUS NESTA TERRA


- O apóstolo Paulo fala aos filipenses que seu alvo era a “ressurreição dos mortos”, ou seja, a glorificação, esta era a sua meta nesta sua vida sobre a face da Terra e, como tal, também deveria ser o objetivo de todos os cristãos, a começar da igreja em Filipos.

- No entanto, o apóstolo, em mais um gesto de humildade, diz aos filipenses que, embora fosse esta a sua meta, ela ainda não havia sido alcançada. Diz o apóstolo dos gentios: “...não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito...” (Fp.3:12).

- Vemos aqui como o apóstolo faz questão de mostrar que, embora fosse dotado pelo Senhor de um dom ministerial especial, que era o de apóstolo (Ef.4:11), constituindo-se em um pilar de todo o edifício da Igreja (Ef.2:20), nem por isso era um “crente superior” aos demais.

- Paulo mostra, com absoluta clareza, que a sua autoridade apostólica não o colocava num nível superior aos dos demais crentes. Seu apostolado não era um “passaporte para o céu”, mas, sim, apenas um encargo a mais, que o fazia como um verdadeiro “despenseiro dos mistérios de Deus”, como um dos maiores servidores de todo o povo de Deus (I Co.4:1,9).

- Este sentimento deveria ser repartido por todos quantos estão em proeminência no povo de Deus em nossos dias, pessoas, aliás, que, indevidamente, chegam mesmo a se intitular “apóstolos”, “patriarcas” ou outros títulos mais exóticos (já há notícia de “querubins”, “príncipes de Deus” e outras aberrações), querendo indicar, com isso, uma superioridade, uma posição hierárquica de superioridade em relação aos demais cristãos, inclusive com alguns poderes de “cobertura espiritual” ou “autoridade espiritual” que os torna mediadores entre Cristo e o restante da Igreja.

- O apóstolo Paulo, de forma cristalina, mostra que todas estas pretensões destes falsos profetas e ensinadores, em nossos dias, não passa de vaidade pessoal e, o que é mais grave, de pura heresia, porquanto não detêm os líderes uma posição de superioridade em relação aos seus liderados na Igreja.

- Bem pelo contrário, a liderança, que existe, sim, no seio da Igreja, que é organizada de forma a ter um governo, é sobretudo não uma posição de mando, mas, sim, de serviço, pois, na Igreja, ao contrário do que ocorre no mundo, os maiores servem aos menores (Mc.9:35; 10:43-45).

- Paulo, apesar de sua situação de apóstolo e de fundador da igreja em Filipos, não aceitou ser considerado como “perfeito”. Disse que precisava alcançar a “ressurreição dos mortos” e, para isto, tinha de se esforçar para se santificar, para que fosse achado digno de atingir a glorificação. Seu papel como apóstolo não o credenciava, de antemão, a esta glorificação, devendo se esforçar para atingir isto, assim como qualquer outro cristão.

- Isto é importante porque temos a tendência a achar que os ministros, as pessoas que têm proeminência no povo de Deus são mais “santas” e mais “perfeitas” que as demais, aliás, isto é até algo que pode ser entendido pelos próprios ministros e pessoas dotadas de funções de proeminência no povo de Deus, pensamento este altamente perigoso e que é um indício de queda e perdição.

- Cada um tem sua vocação e esta vocação é absoluta necessária para o crescimento espiritual do corpo de Cristo, mas tal vocação não dispensa qualquer dos cristãos a um esforço individual para a santificação e para a preparação para o dia de Cristo. Deus não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34) e, desta maneira, também o apóstolo Paulo precisava se empenhar para alcançar a “ressurreição dos mortos”, pois não era “perfeito”.

- Esta declaração do apóstolo mostra-nos, também, que não podemos exigir “perfeição” de quem quer que seja. Temos já dito, por algumas oportunidades, que o inimigo de nossas almas tem buscado pôr nos olhos dos cristãos os “´óculos da perfeição”, através dos quais percebemos as imperfeições em todas as pessoas, inclusive as que são salvas em Cristo Jesus, o que nos leva a desanimar em nossa jornada da fé.

- Não existe pessoa perfeita, não há igreja local perfeita. Todos nós necessitamos de aperfeiçoamento, pois somos imperfeitos, tanto que, para isso, o Senhor Jesus instituiu os dons ministeriais na Igreja, precisamente para que os santos fossem aperfeiçoados (Ef.4:11,12).

- Por isso, quando vemos que o apóstolo Paulo, já quase no ocaso do seu ministério, confessa aos crentes filipenses que não era “perfeito”, dá-nos uma importante lição, a fim de que todos nós jamais exijamos a perfeição de quem quer que seja, tão somente a santidade e o empenho pela santificação.

- Embora não fosse perfeito, o apóstolo buscava alcançar “aquilo para o que também fui preso por Cristo Jesus” (Fp.3:12 “in fine). Paulo não era perfeito, mas espera alcançar a perfeição, vivia em constante esforço para que cumprisse o propósito de Cristo para sua vida, para que fizesse a vontade do Senhor.

- A vida cristã é precisamente este esforço para agradar a Deus, para fazer aquilo que o Senhor tem desejado para as nossas vidas enquanto estivermos sobre a face da Terra. O apóstolo sabia que não era perfeito, mas que deveria se aperfeiçoar a todo o momento, vivendo na Igreja, a fim de que, pelo convívio com os demais servos do Senhor, pudesse chegar em santidade no dia de Cristo ou, mais precisamente, no dia em que fosse recolhido deste mundo, em condições de poder aguardar a “ressurreição dos mortos”, o seu alvo, a sua meta.

- Ele estava “preso por Cristo Jesus”, ou seja, ele bem sabia que as dificuldades que ele vivia estavam no absoluto controle do Senhor, pois ele havia se comprometido a fazer a vontade de Deus e, por isso mesmo, se encontrava preso em Roma para que os desígnios divinos concernentes à evangelização de Roma e até a projeta evangelização da Espanha se cumprissem, dentro do ministério que havia proposto ao apóstolo e sido aceito por Ele desde a sua conversão (At.9:15,16).

- Era esta a visão celestial que havia “aprisionado” o apóstolo Paulo (At.26:19), mais do que qualquer determinação do governo romano. O apóstolo se dizia “preso por Cristo Jesus”, estava a fazer única e exclusivamente a vontade do Senhor, vivia para Ele e em função d’Ele.

- Temos tido consciência de que nos encontramos “presos por Cristo Jesus” a partir do momento em que iniciamos nossa carreira rumo ao céu pela salvação em Seu nome? Temos a consciência de que não mais podemos viver para nós, mas, sim, para o Senhor Jesus?

- É realmente muito triste observarmos que muitos não têm a mínima noção de que a vida cristã comporta esta renúncia ao ego e a completa manutenção de nossas vidas nas mãos de Deus para fazer-Lhe a vontade. Paulo não estava preso por uma ordem de César, mas, sim, por Cristo Jesus!

- Vivemos dias de intenso individualismo, em que as pessoas querem fazer o que querem, sem ter que dar satisfação a quem quer que seja, muito menos ao Senhor. Confundem a graça com uma liberdade que seria uma autonomia, ou seja, o exercício da vontade própria.

- A salvação em Cristo Jesus não nos permite fazer o que bem entendermos, não nos isenta de fazer a vontade do Senhor. A proposta da autonomia, da autossuficiência não é, em absoluto, a proposta do Evangelho, mas, sim, a velha proposta satânica dada a Eva de “ser igual a Deus” (Gn.3:5).

- Jesus não nos escraviza, tanto que permite que qualquer que não queria seguir Seus princípios, a qualquer instante saia de Sua presença (Jo.6:66,67), mas quem estiver disposto a seguir-Lhe deve fazer a Sua vontade, deve Se submeter ao Seu senhorio, pois está preso por Ele.

- Paulo tinha absoluta convicção de que não havia ainda alcançado o estágio da perfeição. Sua franqueza é uma lição que os líderes devem aprender. Não podemos acalentar mistificações e tentar produzir uma imagem de que o líder é um “super-homem”, um “supercrente” e que, por isso, é “infalível”, mesmo em assuntos doutrinários.

- Existe, infelizmente, em nosso meio, a tendência de os líderes de apresentarem como “ungidos de Deus” e, como tal, insuscetíveis de questionamento, com indevido respaldo em passagens bíblicas como Sl.105:15, texto, porém, que não está a se referir apenas aos ministros, aos líderes, mas, sim, a todo o povo de Deus, pois, afinal de contas, todos nós fomos ungidos pelo Espírito Santo no instante em que cremos em Jesus como Senhor e Salvador (Jo.14:15).

- Esta mentalidade é completamente antibíblica e o apóstolo Paulo nos vem mostrar, com sua declaração, que não tem cabimento algum. Muitos ministros estão a invocar uma “infalibilidade” que é muito mais extensa que o próprio dogma romanista da infalibilidade papal, pois, pelo menos, entre os católicos romanos, tal infalibilidade se restringe ao Papa e, mesmo assim, apenas em assunto de fé, algo muito menos amplo do que o que certos “ditadores” estão a invocar para si em nossas igrejas locais.

- Paulo, mesmo diante da autoridade apostólica e da sua condição de fundador da igreja em Filipos, não arrogou para si algo que não possuía, ou seja, a perfeição, a infalibilidade, dizendo claramente que não havia atingido ainda a perfeição, embora se esforçasse por fazê-lo, dentro da linha estatuída pelo próprio Jesus, que quer o aperfeiçoamento dos santos e que eles cheguem à estatura completa de Cristo, a varão perfeito (Ef.4:13).

- Temos aqui, também, o repúdio a outro tipo de comportamento que muitos também apresentam. Sob a desculpa de que não são perfeitos, acomodam-se a uma vida pecaminosa, achando que têm de ser “aceitos” e “acolhidos” no seio da Igreja do jeito que são, já que “ninguém é perfeito”.

- Lembramos que perfeição não tem a ver com santidade. O apóstolo Paulo, embora não fosse perfeito, era santo, vivia separado do pecado, havia morrido para o pecado, já que “ressuscitado com Cristo”. Assim, viver uma vida pecaminosa não é ser “imperfeito”, é ser “ímpio”, é ser um “falso crente”.

- Por isso, o apóstolo Paulo disse que uma coisa fazia e é que se esquecendo das coisas que para trás ficam e avançava para as que estavam diante dele, prosseguia para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Ef.4:12).

- Paulo não era perfeito, mas buscava a perfeição e, para tanto, não voltava à “vida velha”, não mais compactuava com as atitudes pecaminosas que o haviam caracterizado no passado, inclusive como perseguidor da Igreja.

- Buscar a perfeição significa abandonar o pecado, viver uma vida de contínua santificação, de sorte que não tem qualquer cabimento este argumento daqueles que, em nome da imperfeição, querem conviver com o pecado e, ainda mais, serem admitidos no seio da Igreja.

- Mas a expressão do apóstolo também encerra um outro ensinamento, qual seja, o de que a vida cristã exige atualidade, que não podemos viver do passado, de que de nada serve ou adiante uma “ficha corrida” de dedicação ao Senhor. Temos de ser santos e buscar a perfeição “hoje”, pois o que passou, passou.

- Não são poucos os que querem ter uma vida cristão voltada para o “ontem”, para os dias em que eram exemplares servos do Senhor Jesus, achando que a glorificação se conquista como a aposentadoria, ou seja, por “tempo de serviço”, por tempo de contribuição”. Nada mais inexato, porém.

- O tempo do serviço a Deus, da vida para Deus em Jesus Cristo é “hoje” (Hb.4:7). A cada dia, em cada “hoje” devemos fazer a vontade de Deus, ter consciência de nossa vocação, buscarmos a santificação e esperarmos a glorificação.

- Disto o apóstolo João deixou-nos bem conscientes, quando, na revelação que Cristo lhe deu, fez questão de enfatizar que devemos nos santificar e fazer justiça “ainda” (Ap.22:11), expressão que denota a absoluta e indispensável necessidade que temos de, a cada instante, prosseguirmos em nossa caminhada rumo à perfeição.

- Deus não é injusto para não levar em conta tudo o que fizermos para Ele ao longo de nossa vida(Hb.6:10), mas isto não significa que devamos entender que a salvação se obterá por esta “folha de serviços prestados”, pois a salvação não é pelas obras e, sim, pela fé, fé que precisa ser não fingida (I Tm.1:5) e que, por isso mesmo, é atual e presente. Necessitamos mostrar o mesmo cuidado até o fim, para completa certeza da esperança (Hb.6:11).

- Deus é galardoador dos que O buscam (Hb.11:6) e, portanto, precisamos continuamente buscar a presença de Deus e fazer-Lhe a vontade, até o fim, pois é somente no fim que encontraremos a glorificação, se permanecermos fiéis ao Senhor, comprometidos com o Seu chamado e a Sua vontade.

- Apesar de tudo que já havia feito pelo Senhor Jesus, Paulo demonstrava aos filipenses de que não se poderia viver do passado, de que isto nada garantia a sua salvação, mas, sim, que o mesmo esforço que havia começado a exercer no encontro com o Senhor Jesus no caminho de Damasco deveria ser mantido até o final, pois o alvo era a “ressurreição dos mortos” e, para tanto, havia a necessidade de “dormir no Senhor”.

- Temos tido esta mesma disposição, esta mesma expectativa? Ou já temos negligenciado, passando a rememorar os velhos tempos, em que servíamos a Deus com qualidade e abnegação, sem medir esforços, sem desânimo, sem desculpas que hoje são as características para a nossa mediocridade espiritual.

- O escritor aos hebreus fala àqueles crentes que precisavam ser cuidadosos até o fim e que não deveriam negligenciar em sua jornada espiritual, mas que deviam imitar os que, pela fé e paciência, herdaram as promessas (Hb.6:12). Temos imitados estes homens e mulheres de Deus que estão a aguardar a “ressurreição dos mortos”? Pensemos nisto!

- Paulo prosseguia sua jornada, pois tinha um alvo que estava a perseguir, a “ressurreição dos mortos”. Quando viesse isto a acontecer, o apóstolo tinha certeza alcançaria “o prêmio pela soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.

- A esperança de Paulo, como também na vimos em lições anteriores, era decorrente da convicção de sua chamada, da consciência de sua vocação. Ele havia sido chamado para evangelizar (I Co.1:17) e estava cumprindo este ministério que o Senhor lhe havia dado à risca, mesmo que com imensas dificuldades e percalços. O importante, porém, era que era fiel ao chamado do Senhor e isto lhe deixava com uma “consciência sem ofensa” (At.24:16).

- Como ele estava a cumprir o que o Senhor Jesus determinara, não tinha porque não ter esperança de que chegaria até a “ressurreição dos mortos” e receberia do Senhor o galardão pela obra que estava a empreender. Suportava tudo pelo gozo que lhe estava proposto, assim como o Senhor a quem imitava (Hb.12:2; I Co.11:1).

- Não estamos buscando prêmios terrenos nem reconhecimentos de A ou de B, mas temos fé de que Deus existe e é galardoador dos que O buscam e, por isso, a exemplo do apóstolo, devemos buscar incessantemente a Deus para sabermos qual é a Sua vontade, cumprindo-a integralmente, a despeito de tudo que venhamos a sofrer ou padecer.

- Precisamos glorificar ao Senhor neste mundo, consumando a obra que Ele nos deu a fazer (Jo.17:4), para que também sejamos por Ele glorificados não só quando do arrebatamento da Igreja, mas, também, na entrega do galardão que está com Ele quando do Tribunal de Cristo (Ap.22:12).

- Era esta a esperança do apóstolo, que queria que também fosse vivida por todos os servos do Senhor, em especial os crentes de Filipos, vivência esta, entretanto, que exigia da parte dos cristãos a justiça que vem pela fé, pois só quem tem fé é capaz de entender que Deus é galardoador dos que O buscam (Hb.11:6).

- A busca pelo galardão, portanto, nada tem de ganância ou de mesquinhez, visto que somente quem vive fazendo justiça e em santificação dá o devido valor às coisas espirituais e entende que o galardão que está com o Senhor é muito melhor do que qualquer benesse ou vantagem que se possa alcançar nesta vida.

- A suprema aspiração do crente, portanto, é ver coroada uma vida de obediência ao Senhor, de abandono do pecado, de santificação e de cumprimento da vontade do Senhor na glorificação, ou seja, na plenitude da salvação, para que, então, possa ser como Cristo homem já é, para ter condições de viver plenamente com o Senhor, de desfrutar na integralidade aquilo que apenas usufruímos em parte enquanto estamos nesta vida terrena e, mesmo, no Paraíso no aguardo da ressurreição.

- Era também este o desejo do apóstolo João, que afirma que, embora já sejamos filhos de Deus, ainda não foi manifestado o que havemos de ser, mas que seremos semelhantes a Ele, quando Ele Se manifestar e, por isso mesmo, por termos esta esperança, purificamo-nos a nós mesmos, como também Ele é puro (I Jo.3:2,3).

- O alvo do cristão é a glorificação, glorificação que, conforme já visto, exige a comunicação nas aflições de Cristo e na Sua obediência até o fim. É este o norte? É esta a nossa esperança? Que Deus nos ajude a ter esta mesma aspiração dos crentes fiéis. Amém!

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Lição 8 – 25 de Agosto de 2013 - CPAD

A Suprema Aspiração do Crente

TEXTO ÁUREO

"Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3.14)

VERDADE PRÁTICA

A maior aspiração do crente deve ser a conquista do prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 3.12-17
12 - Não que já a tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus.
13 - Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim,
14 - prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
15 - Pelo que todos quantos já somos perfeitos sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa doutra maneira, também Deus vo-lo revelará.
16 - Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra e sintamos o mesmo.
17 - Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
A maioria das pessoas lê biografias para satisfazer a curiosidade a respeito de grandes nomes, na esperança de descobrir o "segredo" de sua grandeza. Um amigo conta ter participado de um congresso em que um médico idoso prometeu contar o segredo de sua vida longa e saudável. (Ele havia sido médico de um dos presidentes dos Estados Unidos, devia ter sido de Washington ou Jefferson.) Esperaram com grande expectativa para descobrir o segredo da longevidade e, no auge da palestra, o médico disse:
- Bebam oito copos de água por dia!
Em Filipenses 3, Paulo apresenta sua biografia espiritual, seu passado (Fp 3:1-11), presente (Fp 3:12-16) e futuro (Fp 3:17-21). Vimos Paulo como o "contador" que descobriu novos valores depois de seu encontro com Jesus Cristo. Nesta seção, o vemos como "atleta", cheio de vigor espiritual, avançando para a linha de chegada da corrida cristã. Na última seção, veremos Paulo como o "estrangeiro", cuja cidadania encontra-se no céu e que aguarda a vinda de Jesus Cristo. Em cada uma dessas experiências, o apóstolo coloca em prática a disposição espiritual; observa as coisas da Terra do ponto de vista de Deus. Em decorrência disso, não se perturba com o que ficou para trás, nem com o que está ao redor ou adiante dele, as coisas não o privam de sua alegria!
Em suas epístolas, Paulo usa várias ilustrações para comunicar a verdade acerca da vida cristã. Quatro tipos de imagens destacam-se em particular: a militar ("Revesti-vos de toda a armadura"), a arquitetônica ("Habitação de Deus"), a agrícola ("Aquilo que o homem semear, isso também ceifará") e a atlética. Neste parágrafo, Paulo é o atleta. Os estudiosos da Bíblia não apresentam um consenso quanto ao esporte específico descrito pelo apóstolo, se é uma corrida a pé ou uma corrida de carros. Na verdade, não faz diferença, mas prefiro a imagem da corrida de carros. O carro grego usado nos Jogos Olímpicos e em outros eventos era, na verdade, uma pequena plataforma com uma roda de cada lado. O condutor não tinha muitos lugares onde se segurar durante o percurso na pista. Precisava inclinar-se para frente e retesar todos os nervos e músculos, a fim de manter o equilíbrio e controlar os cavalos. O verbo "avançar", em Filipenses 3:13, significa, literalmente, "se esticar como quem está em uma corrida".
É importante observar que Paulo não diz como alcançar a salvação. Se fosse o caso, o apóstolo estaria descrevendo a salvação pelas obras ou por esforço próprio, o que seria uma contradição com as palavras dos onze primeiros versículos de Filipenses 3. A fim de participar das competições na Grécia, o atleta deveria ser cidadão grego. Não competia para obter a cidadania. Em Filipenses 3:20, Paulo lembra seus leitores de que "nossa pátria está nos céus". Uma vez que já somos filho de Deus por meio da fé em Cristo, temos a responsabilidade de "completar a carreira" e de alcançar os objetivos que Deus estipulou para nós. Trata-se de uma ilustração clara de Filipenses 2:12, 13: "desenvolvei a vossa salvação [...] porque'' Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar". Cada cristão está em uma pista de corrida; cada um tem uma raia específica, dentro da qual deve correr, e cada um tem um objetivo a alcançar. Quem alcançar o objetivo que Deus planejou será recompensado. Quem falhar, perderá a recompensa, mas não a cidadania (ver 1 Co 3:11-15, em que a mesma ideia é apresentada usando uma imagem arquitetônica).
Todos desejamos ser "cristãos vitoriosos" e cumprir os propósitos para os quais fomos salvos. Quais são os elementos essenciais para vencer a corrida e, um dia, receber a recompensa prometida? "Não julgo havê-lo alcançado." Essa é uma declaração de um cristão consagrado que nunca se deu por satisfeito com suas realizações espirituais. É evidente que Paulo estava satisfeito com Jesus Cristo (Fp 3:10), mas não com a própria vida cristã. Uma "insatisfação santa" é o primeiro elemento essencial para avançar na corrida cristã.
Harry saiu do escritório do gerente com uma expressão tão desconsolada que, por pouco, não fez murchar as rosas na mesa da secretária.
- O que aconteceu? Você foi demitido?
- perguntou ela.
- Não. Mas ele arrasou comigo por causa de minhas vendas. Não consigo entender; no último mês recebi uma porção de pedidos e pensei que ele me elogiaria. Em vez disso, mandou que eu melhorasse meu desempenho.
Mais tarde, a secretária conversou com o chefe sobre Harry. O chefe riu e disse:
- O Harry é um dos nossos melhores vendedores e não gostaria de perdê-lo. Mas ele tem a tendência de descansar em seus louros e de se contentar com seu desempenho. Se eu não o deixasse irritado comigo uma vez por mês, não venderia tanto.
Muitos cristãos contentam-se com a própria situação, pois comparam sua "carreira" com a de outros cristãos, normalmente com a dos que não fazem grande progresso. Se Paulo tivesse se comparado com outros, seria tentado a se orgulhar e, talvez, a relaxar um pouco. Afinal, eram poucos os cristãos de seu tempo que haviam tido experiências como as dele! Mas Paulo não se comparou com outros; antes, se com parou consigo mesmo e com Jesus Cristo! O uso dos termos perfeição e perfeitos, em Filipenses 3:12 e 15, explica seu raciocínio. Ainda não alcançou a perfeição (Fp 3:12), mas já é "perfeito" [maduro] (Fp 3:15), e uma das características dessa maturidade é a consciência da própria imperfeição! O cristão maduro faz uma auto avaliação honesta e se esforça para melhorar.
Em várias ocasiões, a Bíblia adverte sobre o perigo de iludir-se quanto à própria condição espiritual. É dito da igreja de Sardes: "tens nome de que vives e estás morto" (Ap 3:1). Sua reputação não correspondia à realidade. A igreja de Laodicéia vangloriava-se de sua riqueza, mas aos olhos de Deus era "infeliz [...] miserável, pobre, [cega] e [nua]" (Ap 3:17). Ao contrário da igreja de Laodicéia, os cristãos de Esmirna consideravam-se pobres, quando, na verdade, eram ricos! (Ap 2:9). Sansão pensou que ainda tinha força quando, na realidade, a havia perdido (Jz 16:20).
Mas, ao realizar essa auto-avaliação, corre-se o risco de cair em dois extremos: (1) considerar-se melhor do que é; ou (2) considerar-se pior do que é. Paulo não se enganava a respeito de si mesmo; ainda precisava "prosseguir" a fim de "conquistar aquilo para o que também [foi] conquistado por Cristo Jesus". Um a insatisfação divina é essencial para o progresso espiritual. "Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?" (SI 42:1, 2).

INTERAÇÃO

Temos visto, na sociedade atual, muitos cristãos lutando arduamente pela conquista de bens materiais, fama, prestígio e poder. As pessoas querem, a todo o custo, serem VIPs. Logo, é urgente que venhamos refletir a respeito da verdadeira ambição do cristão.  Cremos que o desejo maior do crente deve ser a conquista do prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus. De que adianta ter todos os bens nesta terra, ser VIP, ter prestígio e no fim de tudo não desfrutar da vida eterna com Cristo? O que é mais precioso para o cristão? Sigamos o exemplo de vida do apóstolo Paulo. Seu alvo era a pessoa de Jesus Cristo. Seu ideal e sua aspiração consistiam em conhecer mais do Mestre. Que Jesus Cristo seja o nosso maior alvo até que venhamos ouvir: "Bem está, servo bom e fiel".

OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
Compreender qual era a verdadeira aspiração do apóstolo Paulo. 
Analisar a maturidade espiritual dos filipenses.
Conscientizar-se a respeito da verdadeira aspiração cristã.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, para introduzir a lição faça a seguinte indagação: "Qual deve ser a maior aspiração do crente?" Incentive a participação de todos e ouça os alunos com atenção. Em seguida leia o texto áureo e explique que como cristãos o nosso alvo maior deve ser a conquista do prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus, a nossa salvação. Precisamos nos esforçar para conhecer mais de Cristo e em tudo agradá-lo. Conclua enfatizando que à medida que passamos a ter um relacionamento maior com Jesus, somos aperfeiçoados e nos tornamos aptos para realizarmos as boas obras.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

PALAVRA-CHAVE
Aspiração: Desejo profundo de atingir uma meta espiritual; sonho, ambição.

Na lição de hoje, aprenderemos que o alvo da vida do apóstolo Paulo era somente um: conquistar a excelência do conhecimento de Jesus Cristo (Fp 3.8,10). Semelhante a um atleta, o apóstolo se esforçava para alcançar este objetivo, pois era consciente de que o exercício de aprender cada dia mais de Jesus exige labor e disposição para servir. Prosseguindo para "o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus", Paulo convidou os filipenses a imitá-lo, despertando-os à esperança de um dia receberem a mesma recompensa (Fp 3.14-17).

I. A ASPIRAÇÃO PAULINA
1. "Prossigo para o alvo". Para participar de uma maratona, o atleta tem de treinar muito. É preciso esforço, dedicação e trabalho para alcançar o prêmio final. Paulo utiliza neste texto a analogia do atletismo, a fim de mostrar aos filipenses que o crente em sua caminhada também precisa se esforçar para conhecer mais a Cristo, deixando de lado os embaraços dessa vida e o pecado, mantendo o foco em Jesus. Quando o crente deixa de olhar firmemente para o "Alvo", corre o risco de tropeçar e cair, podendo até abandonar a fé. Vigiemos, pois, em todo o tempo, na dependência do Senhor.
2. O sentimento de incompletude de Paulo. Paulo sabia que havia muita coisa ainda a ser conhecida. Por isso, nunca corria sem meta (1 Co 9.26 Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar.). Mesmo estando no cárcere, o apóstolo declara estar disposto a avançar para as coisas que estavam diante dele (Fp 3.13b). Paulo era um homem que confiava em Deus. E, assim, seguia confiante, pois no Senhor ainda teria grandes desafios em seu ministério. Sua força estava em Deus. Eis porque venceu grandes lutas e foi fiel até o fim. Para vencer, temos que igualmente olhar para frente e "esquecer das coisas que atrás ficam" (v.13 Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim,).
3. O engano da presunção espiritual. Paulo não se deixou enganar pela falsa ideia de ter alcançado a perfeição. Os mestres do gnosticismo afirmavam ter alcançado tal posição e, assim, reivindicavam ser iluminados e não terem mais nada a aprender ou que desenvolver. Paulo, contudo, refutou esse pensamento equivocado, demonstrando que a conquista da perfeição será para aquele que terminar a carreira e ganhar a vida eterna, pois o prêmio está no final da jornada e não em seu início ou meio (1 Co 9.24 Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.; Gl 6.9 E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.).

SINÓPSE DO TÓPICO (1)
O crente em sua caminhada precisa se esforçar para conhecer mais de Cristo, deixando de lado os embaraços dessa vida (o pecado), mantendo o foco em Jesus.

II. A MATURIDADE ESPIRITUAL DOS FILIPENSES (3.15,16)
1. Somos perfeitos (3.15)? O vocábulo "perfeito", empregado por Paulo neste texto, tem um sentido especial, pois se refere à "maturidade espiritual". Em termos de recebimento do benefício da obra perfeita de Cristo no Calvário, todos nós já alcançamos tal "perfeição". Neste sentido, a nossa salvação é perfeita e completa. Segundo o Comentário Bíblico Beacon, quando a expressão paulina refere-se aos filipenses tratando-os de "perfeitos", neste versículo, apresenta-os servindo a Deus no Espírito, isto é, não confiando na carne (3.3 Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus no Espírito, de nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.).
2. O cristão deve andar conforme a maturidade alcançada (3.16). Quando Paulo diz, "andemos segundo a mesma regra", não significa caminhar segundo os regulamentos da lei mosaica, tão requerida pelos judeus convertidos a Cristo. Trata-se de andar conforme a doutrina de Cristo, segundo aquilo que já recebemos do Senhor. Assim, esse "andemos segundo a mesma regra" denota modo de viver, atitudes, ações, obras, e comportamentos em geral, semelhantes aos do Senhor Jesus, que o crente deve seguir. Aprendemos com Paulo que não basta "corrermos", pois se realmente desejamos progredir em nossa vida cristã, devemos conhecer e obedecer aos preceitos da Palavra de Deus até o Dia de Jesus Cristo (Fp 1.6 Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo.). 
3. Exemplo a ser imitado (3.17). Paulo procurou em tudo imitar o Mestre, servindo apenas aos interesses da Igreja de Cristo (Fp 2.17 E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós.). Dessa maneira, exortou os filipenses a que o imitassem assim como ele imitava ao Senhor (Fp 3.17 Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam.). Como obreiro de Deus, Paulo tinha um caráter ilibado e os filipenses deveriam tê-lo como um exemplo a seguir. Se quisermos servir ao Senhor com inteireza de coração, precisamos seguir os passos de Jesus - o nosso modelo de homem perfeito (Hb 12.2 olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.).

SINÓPSE DO TÓPICO (2)
Não basta "corrermos", pois se realmente desejamos progredir em nossa vida cristã, devemos conhecer e obedecer aos preceitos da Palavra de Deus até o Dia de Jesus Cristo (Fp 1.6). 

III.  A ASPIRAÇÃO CRISTÃ HOJE
1. A atualidade do desejo paulino. O propósito de Paulo em relação a si e aos filipenses deve servir-nos de instrução, pois as dificuldades, tentações e demais obstáculos que serviam de empecilhos à vida de comunhão naquela época continuam atuais e bem maiores. Mais do que nunca, devemos nos esforçar para vivermos uma vida de íntima comunhão com Deus (Fp 3.12 Não que já a tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus.).
2. O cristão deve almejar a maturidade espiritual. Seguindo o exemplo de Paulo, reconheçamos que ainda precisamos alcançar a perfeição. Sejamos sóbrios e vigilantes, reconhecendo também o quanto carecemos de maturidade espiritual e de um maior conhecimento acerca da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
3. Rejeitando a fantasia da falsa vida cristã. Paulo era um sofredor consciente, um homem que sabia o quanto é difícil ser fiel a Deus. Ele, porém, suportava tudo por causa da obra de Deus (Fp 2.17 E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós.). Quem quiser viver assim nos dias atuais, precisa reconhecer que padecerá as mesmas angústias (2 Tm 3.12 E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.). Semelhante ao apóstolo Paulo, podemos ter certeza de que receberemos o "prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3.14 prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.).

SINÓPSE DO TÓPICO (3)
Ainda não alcançamos a perfeição, por isso, precisamos ser sóbrios e vigilantes, reconhecendo o quanto carecemos de maturidade espiritual e de um maior conhecimento acerca da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

REFLEXÃO
“Se quisermos servir ao Senhor com inteireza de coração, precisamos seguir os passos de Jesus – o nosso modelo de homem perfeito.” Elienai Cabral

CONCLUSÃO
Toda a vida de Paulo era centrada na pessoa de Jesus Cristo. Ele tudo fazia para agradá-lo. Sua grande aspiração era conhecer mais do Mestre da Galileia. Por isso, o apóstolo podia declarar: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2.20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Teológico
"[...] Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (3.14). Prossigo é tradução da mesma palavra grega que ocorre no versículo 12 ('prossigo') e no versículo 6 ("perseguidor"). Significa literalmente 'perseguir', 'ir ao encalço de'. Paulo está perseguindo o prêmio em Cristo com a mesma determinação, liberdade de pesos estorvadores e empenho incessante, com que ele perseguira a igreja anteriormente [...].
O significado de alvo (skopon) é incerto. Pode indicar a linha de chegada para qual o corredor corre, ou propósito definido com o que ele corre. De acordo com a última opção, supunha-se que o corredor seguisse uma linha branca que indicava a trajetória da corrida do ponto de partida à meta. Se pisasse fora da linha, ele não estaria correndo de acordo com as regras, não sendo coroado mesmo que chegasse em primeiro lugar. Prêmio sugere a coroa ou troféu (1 Co 9.24). Soberana vocação é, literalmente, 'chamado superior'. O cristão é chamado 'do alto' ou de cima (Hb 12.2). Este chamado é de Deus em Cristo Jesus, que ao término da corrida dirá: 'Bem está, servo bom e fiel'" (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 9. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 271).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Teológico
"A Santa Ambição
Ganhar a Cristo. Paulo considera os seus privilégios anteriores como refugo, ou lixo. Todas as coisas juntas são lixo e escórias comparadas com o único desejo de Paulo: ganhar o próprio Cristo. O que significa ganhar a Cristo? Significa estar em comunhão com Ele e ter a sua presença na alma. Significa ser vinculado a Ele como nossa Cabeça, ser enxertado nEle como nossa Videira (Jo 15.1), ser casado com Ele como nosso Noivo (2 Co 11.2), ser edificado sobre Ele como nossa Pedra Fundamental. Ser achado 'em Cristo' é estar sob o seu controle, cuidado e proteção.
Possuir a retidão de Deus. Quando Paulo teve uma visão de Cristo no caminho para Damasco, ficou convicto de que era um pecador e que a sua justiça própria não passava de trapos imundos (Is 64.6), insuficiente para vestir a alma diante do olhar de Deus, que a tudo perscruta. O Senhor, porém, lhe deu uma justiça que aguentaria o teste da eternidade - a justiça de Deus imputada à pessoa que realmente confia em Cristo para a salvação. Somos considerados justos porque o nosso Representante é justo.
Conhecer a Cristo. 'Para conhecê-lo'. Paulo não fala aqui de conhecimento intelectual, mas sim, em conhecimento baseado na experiência. Há uma grande diferença entre realmente conhecer a Cristo e meramente saber acerca dEle. Assim como se sabe o gosto da comida ao comê-la, assim também conhecemos a Cristo ao recebê-lo" (PEARLMAN, Myer. Epístolas Paulinas: Semeando as Doutrinas Cristãs. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998, p.138).

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

RICHARDS, Lawrence O.  Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
PEARLMAN, Myer. Epístolas Paulinas: Semeando as Doutrinas Cristãs. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

SAIBA MAIS

Revista Ensinador Cristão
CPAD, nº 55, p.40.

EXERCÍCIOS

1. Que analogia o apóstolo Paulo usa para ilustrar que o crente precisa se esforçar para conhecer mais a Jesus Cristo?
R. Paulo utiliza a analogia do atletismo.

2. O que reivindicavam os mestres do gnosticismo?
R. Os mestres do gnosticismo reivindicavam serem iluminados e não terem mais nada a aprender ou que desenvolver.

3. Qual o sentido do vocábulo "perfeito" empregado por Paulo?
 R. O vocábulo "perfeito", empregado por Paulo tem um sentido especial, pois se refere à "maturidade espiritual".

4. O que significa a expressão "andemos segundo a mesma regra"?
R.  Trata-se de andar conforme a doutrina de Cristo, segundo aquilo que já recebemos do Senhor. Assim, esse "andemos segundo a mesma regra" denota modo de viver, atitudes, ações, obras, e comportamentos em geral, semelhantes aos do Senhor Jesus, que o crente deve seguir.

5. Qual o alvo da sua vida?
R. Resposta pessoal.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
Antigo e Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)

Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade

Colaboração para o Site Pecador Confesso - Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco
Colaboração para o Site Pecador Confesso - Presbítero Eudes L Souza
Colaboração para o Site Pecador Confesso - Ev. Natlino das Neves
Colaboração para o Site Pecador Confesso - Pastor Alexandre Coelho
Texto Editado e Postado por Hubner Braz (@PecadorConfesso)


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Sobre Hubner Braz

Criador, colunista e administrador do Pecador Confesso. Fascinado e apaixonado por DEUS!! Formado Bacharel em Teologia pela FATESP e F. Mêcanica pela FATEC-SP e Presbítero na A.D. Belem-Missão em Sorocaba, onde o Pastor Presidente é o Rev. Osmar José da Silva - CGADB, Tenho 1João 1:7-9 injetado na veia!.