Lição 07 - DANIEL 7 - A VISÃO DOS ANIMAIS E O REINO ETERNO - 3° Trimestre de 2026 - EBD - PECC

ESTUDO 7 - DANIEL 7 - A VISÃO DOS ANIMAIS E O REINO ETERNO SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR Afora o suplemento do professor, todo o conteúd...

ESTUDO 7 - DANIEL 7 - A VISÃO DOS ANIMAIS E O REINO ETERNO

SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR

Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.


ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Em Daniel 7 há 28 versos. Sugerimos começar a aula lendo, com os alunos, Daniel 7.13-28 (5 a 7 min.). A revista funciona como guia de estudo e leitura complementar, mas não substitui a leitura da Bíblia.

Olá, professor(a)! Este estudo é o coração do livro de Daniel, pois trata do firme fundamento da nossa fé: a derrocada dos reinos deste mundo e o triunfo de Jesus e de seus santos. Demonstre que o capítulo 7 marca a transição do relato histórico para o apocalíptico. É essencial explicar que, embora o mundo pareça dominado por "feras" (sistemas políticos e espirituais cruéis), o juízo está profetizado e é inevitável. Destaque a visão do "Ancião de Dias" e do "Filho do Homem" recebendo o domínio eterno após triunfo definitivo sobre o mal. É muito importante que você fortaleça a classe com a verdade de que o Reino pertence aos santos do Altíssimo e com a crescente expectativa do retorno de Jesus.


OBJETIVOS

•  Entender o significado da visão dos quatro animais e sua representação histórica.

•  Reconhecer a ação do pequeno chifre e seu fim decretado por Deus.

•  Valorizar a esperança no Reino eterno do Filho do Homem.


PARA COMEÇAR A AULA

Projete imagens de animais selvagens e poderosos, de preferência os mesmos citados pelo profeta. Pergunte aos alunos: "Quais ideologias ou sistemas atuais parecem 'feras' que tentam devorar a fé cristã?". Após a discussão, peça para alguém ler Daniel 7.13-14. Use essa passagem para mostrar que, acima das feras, há um trono estabelecido. Peça que os alunos descrevam brevemente como imaginam o Reino Eterno, contrastando-o com a natureza temporária e violenta dos governos humanos.

 

LEITURA ADICIONAL

Em sua visão, Daniel viu que os quatro ventos do céu instigavam o grande mar. Imediatamente devemos reconhecer que estamos no campo das visões e imagens metafóricas, não de uma descrição direta. Na Bíblia, como em qualquer outro lugar no antigo Oriente Médio, o mar era um símbolo do caos e da rebelião contra Deus (veja Sl 89.9; 93.3-4). Por essa razão, o mar era considerado como o lar natural de monstros como o leviatã, o monstro de muitas cabeças da mitologia antiga (veja Sl 74.13-14) (DUGUID, 2019, p. 255).

No centro da visão de Daniel, tronos foram colocados para o julgamento (Dn 7.9; veja Sl 122.5). O Ancião de dias, o próprio Deus, sentou-se no trono central. Suas roupas eram brancas como a neve, uma imagem de intransigência e radiante pureza (Is 1.18); seus cabelos eram brancos como a lã, também um símbolo de pureza e talvez da sabedoria que vem com a idade avançada. Seu trono-carruagem ardia em chamas e suas rodas queimavam, representando o temível poder do guerreiro divino para destruir seus inimigos. Um rio de fogo fluía do trono, e ele estava cercado por miríades de miríades de servidores angelicais. Aqui vemos um juiz que tem a sabedoria para discernir o certo do errado, a pureza para escolher o certo e o poder de levar a cabo seus juízos (DUGUID, 2019, p. 268).

Para Daniel, essa deve ter sido uma imagem desconcertante, pois parecia combinar em uma pessoa traços humanos e divinos. Ele é "um como o Filho do Homem", isto é, parecia ser simplesmente um ser humano mortal. Em outro lugar no Antigo Testamento, essa expressão, "Filho do Homem", frequentemente distingue meros mortais de Deus (p. ex.: Ez 2.1). Essa é uma escolha particularmente impressionante aqui porque, anteriormente, na visão de Daniel, o Ancião de dias também tinha sido descrito em formas antropomórficas: ele se senta em um trono, veste roupas e tem cabelos brancos. Entretanto, há essa segunda figura, que é descrita como "um como o Filho do Homem", que sugere que há algo mais em sua humanidade do que Deus meramente aparecendo em forma humana. Ao mesmo tempo, contudo, "vir com as nuvens" é um claro símbolo de autoridade divina. No Antigo Testamento, somente Deus tem as nuvens como carruagens (veja Sl 68.4; Is 19.1) (DUGUID, 2019, p. 273).

Livro: Estudos bíblicos expositivos em Daniel (DUGUID, Iain M. São Paulo: Cultura Cristã, 2019, p. 255, 268, 273).

ESTUDO 7 - DANIEL 7 - A VISÃO DOS ANIMAIS E O REINO ETERNO


Texto Áureo

"O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão." Dn 7.27


Leitura Bíblica Com Todos

Daniel 7.13-28


Verdade Prática

Acima dos reinos terrenos, Deus estabelece um reino soberano que nunca terá fim.

COMENTÁRIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

ESTUDO 7 — DANIEL 7: A VISÃO DOS ANIMAIS E O REINO ETERNO

Texto Áureo “O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.” Daniel 7.27

Leitura Bíblica com Todos

Daniel 7.13-28

Verdade Prática

Acima dos reinos terrenos, Deus estabelece um Reino soberano que nunca terá fim.

Palavra-chave: REINO

Daniel 7 constitui uma das passagens mais importantes da Bíblia para a compreensão da soberania divina, do Messias, do Reino de Deus e da consumação da história. Enquanto Daniel 2 apresenta os grandes impérios mundiais na forma de uma estátua majestosa, Daniel 7 mostra essas mesmas estruturas políticas como animais ferozes. Há uma mudança de perspectiva: aquilo que aos olhos humanos parece grandioso pode, diante de Deus, revelar-se brutal, arrogante e desumanizador.

O capítulo também forma uma ponte decisiva entre o Antigo e o Novo Testamento. É nele que aparece a extraordinária figura de “um como o Filho do Homem” vindo com as nuvens do céu para receber domínio, glória e Reino eterno (Dn 7.13-14). Jesus adotará precisamente a expressão “Filho do Homem” como sua autodesignação e aplicará Daniel 7 diretamente a si mesmo (Mt 26.64; Mc 14.62).


1. CONTEXTO HISTÓRICO E LITERÁRIO DE DANIEL 7

Daniel 7 retrocede cronologicamente em relação aos acontecimentos do capítulo 6. A visão ocorreu no primeiro ano de Belsazar, provavelmente por volta de 553 a.C., quando Babilônia ainda dominava o cenário político. Deus, porém, mostrou a Daniel aquilo que aconteceria muito além de sua geração.

Daniel vê o “grande mar” agitado pelos quatro ventos do céu (Dn 7.2). Nas Escrituras, o mar frequentemente representa instabilidade, caos e, em alguns contextos proféticos, o mundo das nações em convulsão (Is 17.12-13; Ap 17.15).

Do mar surgem quatro animais diferentes.

A mensagem é profunda: os impérios humanos emergem do tumulto das nações; o Reino de Deus procede do céu.

Os animais sobem do mar; o Filho do Homem vem “com as nuvens do céu”.

Os reinos humanos conquistam pela força. Cristo recebe o Reino do Pai.

Os animais devoram. O Filho do Homem governa eternamente.

A história humana não caminha para o triunfo definitivo das bestas, mas para o estabelecimento pleno do Reino do Messias.


2. OS QUATRO ANIMAIS E OS IMPÉRIOS HUMANOS — Daniel 7.1-8

Daniel contempla quatro animais extraordinários.

Na interpretação tradicional conservadora, compartilhada por muitos intérpretes evangélicos, existe forte correspondência entre Daniel 2 e Daniel 7:

Daniel 2

Daniel 7

Reino representado

Cabeça de ouro

Leão com asas

Babilônia

Peito e braços de prata

Urso

Medo-Pérsia

Ventre e coxas de bronze

Leopardo

Grécia

Pernas de ferro

Animal terrível

Roma / manifestação final do poder gentílico

Dez dedos

Dez chifres

Configuração final de reinos

Pedra enviada por Deus

Filho do Homem

Reino messiânico

Há outra interpretação, comum entre estudiosos críticos, que separa Média e Pérsia como segundo e terceiro reinos e identifica o quarto com o império grego, vendo o pequeno chifre principalmente como Antíoco IV Epifânio. A interpretação conservadora tradicional, porém, entende que Daniel 7 possui um horizonte mais amplo e identifica o quarto império com Roma, chegando finalmente à manifestação escatológica do poder anticristão.

Daniel não pretende apenas fornecer uma cronologia. O objetivo teológico é ainda maior: mostrar o verdadeiro caráter dos reinos quando se afastam de Deus.


3. OS REINOS QUE SE TORNAM BESTIAIS

Há uma ironia teológica extraordinária em Daniel 7.

De acordo com Gênesis 1.26-28, o homem recebeu de Deus autoridade sobre os animais. Entretanto, em Daniel 7, os governantes que rejeitam a autoridade de Deus tornam-se semelhantes aos próprios animais.

Quando o homem rejeita sua condição de criatura sob Deus, não se torna mais humano; torna-se bestial.

Essa ideia culminará no Apocalipse, quando o sistema político rebelde contra Deus será novamente chamado de “besta” (Ap 13).

Tremper Longman III observa, em seu comentário sobre Daniel, que a linguagem animal descreve simbolicamente o caráter desumanizador dos impérios que se colocam contra Deus. A verdadeira humanidade aparece somente quando o domínio é finalmente entregue à figura semelhante a “um filho de homem”.

Assim, Daniel 7 contrapõe duas formas de governo:

governo bestial versus governo verdadeiramente humano sob Deus.


4. O ANCIÃO DE DIAS E O TRIBUNAL CELESTIAL — Daniel 7.9-12

Depois da agitação dos animais, Daniel vê uma mudança radical de cenário: “Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um Ancião de dias se assentou.” Daniel 7.9

O caos da terra dá lugar à ordem do céu.

“Ancião de Dias” — ‘Attîq Yômîn Daniel 7 foi escrito predominantemente em aramaico, e não em hebraico. A expressão traduzida por “Ancião de Dias” corresponde ao aramaico: עַתִּיק יוֹמִין — ‘Attîq Yômîn A expressão comunica antiguidade, eternidade e autoridade absoluta. Não significa que Deus seja velho no sentido humano. O simbolismo apresenta o Deus que precede todos os impérios e permanece quando todos eles desaparecem. Reis começam a governar e depois morrem. Impérios surgem e desaparecem. Deus estava entronizado antes deles e continuará reinando depois deles.

Vestes brancas “Sua veste era branca como a neve.” Representam santidade e pureza absoluta.

Cabelos como lã pura Representam dignidade, sabedoria e eternidade.

Trono de fogo O fogo está associado ao julgamento e à santidade divina. “Um rio de fogo manava e saía de diante dele.” Daniel 7.10 O Deus que Daniel contempla não é mero espectador da história. Ele é seu Juiz supremo.


5. “ASSENTOU-SE O JUÍZO”

Daniel 7.10 declara: “Assentou-se o juízo, e abriram-se os livros.” A imagem é de um tribunal celestial. Governantes terrenos imaginam estar julgando a história, mas Daniel descobre que eles próprios serão julgados.

O texto antecipa uma verdade desenvolvida posteriormente em Apocalipse: “E abriram-se os livros.” Apocalipse 20.12 Nenhum império está acima do tribunal divino. Nenhum governante possui autoridade independente. Nenhuma perseguição contra os santos será esquecida. A história possui um tribunal final.


6. O FILHO DO HOMEM RECEBE O REINO — Daniel 7.13-14

Chegamos ao centro teológico do capítulo: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao Ancião de Dias...” Daniel 7.13 “Como filho do homem” — kevar ’enash O aramaico é: כְּבַר אֱנָשׁ — kevar ’enāsh

  • bar = filho;
  • ’enāsh = homem, ser humano.

Literalmente: “como um filho de homem”, isto é, alguém com aparência humana. Existe um contraste proposital. Primeiro aparecem:

  • leão;
  • urso;
  • leopardo;
  • besta terrível.

Depois aparece alguém verdadeiramente humano. Os impérios são bestiais. O Rei de Deus é humano. E, paradoxalmente, esse personagem humano possui características extraordinariamente celestiais.


7. “VINHA COM AS NUVENS DO CÉU”

As nuvens possuem enorme importância teológica.

No Antigo Testamento, frequentemente Deus aparece associado às nuvens: “Eis que o Senhor vem cavalgando numa nuvem ligeira.” Isaías 19.1 “Faz das nuvens o seu carro.” Salmos 104.3

Portanto, Daniel não está simplesmente vendo outro rei terreno. Aquele semelhante ao Filho do Homem participa da majestade celestial. É exatamente essa passagem que Jesus utiliza diante do Sinédrio: “Vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.” Mateus 26.64

O sumo sacerdote entendeu a profundidade da declaração e rasgou as próprias vestes (Mt 26.65).

Jesus estava aplicando Daniel 7 a si mesmo.


8. UM DETALHE FUNDAMENTAL: PARA ONDE O FILHO DO HOMEM VEM?

Em Daniel 7.13, o Filho do Homem vem até o Ancião de Dias. Isso é importante. A cena descreve primeiro uma entronização celestial. Por isso Daniel 7 pode ser relacionado à exaltação de Cristo após sua ressurreição: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra.” Mateus 28.18 “Assenta-te à minha mão direita...” Salmos 110.1 Deus “o pôs à sua direita nos céus”. Efésios 1.20 Entretanto, o Novo Testamento também utiliza a mesma imagem para a manifestação futura e gloriosa de Cristo (Mt 24.30; Ap 1.7). Assim, Daniel 7 apresenta o fundamento celestial do Reino que será plenamente manifestado na consumação.


9. DOMÍNIO, GLÓRIA E REINO — Daniel 7.14

“E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino...” Três palavras descrevem aquilo que o Filho do Homem recebe. Domínio — šolṭān Aramaico: שָׁלְטָן — šolṭān Significa domínio, autoridade governamental, soberania. A mesma palavra aparece repetidamente no capítulo. Os homens possuem domínio temporário. Cristo recebe domínio eterno. Reino — malkû Aramaico: מַלְכוּ — malkû Significa reino, soberania ou governo real. Da mesma família linguística da ideia semítica de rei. Daniel afirma: “Seu domínio é um domínio eterno, que não passará.” Os impérios possuem data de nascimento e data de encerramento. O Reino de Cristo possui somente começo de manifestação histórica, jamais fim.


10. “TODOS OS POVOS, NAÇÕES E LÍNGUAS O SERVIRÃO”

Daniel 7.14 apresenta uma dimensão universal: “Todos os povos, nações e línguas o serviriam.” O Reino messiânico não ficará limitado a Israel. É um Reino universal. Isso encontra eco na Grande Comissão: “Fazei discípulos de todas as nações.” Mateus 28.19 E alcança sua expressão gloriosa em Apocalipse: “Uma grande multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas.” Apocalipse 7.9 A missão da Igreja está, portanto, ligada ao propósito escatológico do Reino. Pregamos o Evangelho porque o Rei está formando um povo para seu Reino.


11. DANIEL FICA PERTURBADO — Daniel 7.15-18

Curiosamente, Daniel não termina sua visão comemorando. “Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me perturbaram.” Daniel 7.15 Profecia bíblica não foi dada para satisfazer curiosidade sensacionalista. Daniel sente o peso da revelação. Ele percebe que antes da manifestação plena do Reino haverá:

  • conflitos;
  • impérios;
  • perseguições;
  • sofrimento dos santos.

Todavia, o intérprete celestial lhe apresenta a conclusão antes dos detalhes: “Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e possuirão o reino para todo o sempre.” Daniel 7.18 A história dos santos não termina na perseguição. Termina no Reino.


12. OS SANTOS DO ALTÍSSIMO

A expressão aramaica é aproximadamente: qaddîšê ‘elyônîn || qaddîš — santo Relaciona-se à ideia de aquilo que foi separado ou consagrado para Deus. ‘elyôn — Altíssimo Expressa a supremacia absoluta de Deus. Os impérios podem parecer “altos”, mas somente Deus é Altíssimo. Há aqui uma das grandes ironias de Daniel. Babilônia pretende elevar-se. O pequeno chifre fala arrogantemente. Os governantes reivindicam grandeza. Mas somente Yahweh é o Altíssimo.


13. OS SANTOS “RECEBERÃO” O REINO

Observe o verbo. Daniel não diz inicialmente que os santos conquistarão o Reino. Eles o receberão. Essa é uma profunda verdade acerca da graça. O Reino não é produto da habilidade política da Igreja. Não surge da força militar dos santos. Não será construído pela engenhosidade humana. É uma dádiva divina. Jesus expressa a mesma verdade: “Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.” Lucas 12.32 Iain Duguid, ao comentar Daniel, ressalta esse aspecto: o povo de Deus não precisa transformar-se em outra “besta” para derrotar os impérios bestiais. Seu futuro depende do julgamento e da intervenção do próprio Deus. Essa verdade protege a Igreja de dois erros: desespero diante do mundo e confiança excessiva no poder humano.


14. A QUARTA BESTA — Daniel 7.19-20

Daniel demonstra preocupação especial com o quarto animal: “Terrível e espantoso e muito forte...” Ele possui dentes de ferro, unhas de bronze e dez chifres. Na interpretação tradicional conservadora, existe correspondência com o quarto reino de Daniel 2. O ferro aparece nos dois capítulos. Daniel 2 apresenta: pernas de ferro → dez dedos → Reino de Deus. Daniel 7 apresenta: quarta besta → dez chifres → pequeno chifre → julgamento → Reino eterno. Isso levou muitos intérpretes conservadores, como E. J. Young, Gleason Archer e Stephen Miller, a identificar o quarto reino historicamente com Roma, entendendo que sua configuração profética alcança a fase escatológica imediatamente anterior ao Reino messiânico.


15. O PEQUENO CHIFRE

Daniel vê: “Outro chifre pequeno...” Daniel 7.8 Na Bíblia profética, o chifre frequentemente simboliza poder ou autoridade governamental. Este governante possui três características marcantes:

  1. inteligência;
  2. arrogância;
  3. oposição contra Deus e seus santos.

Daniel 7.8 diz que ele possuía: “olhos como olhos de homem e uma boca que falava grandiosamente.” O problema central não é apenas político. É espiritual. Ele transforma o poder político em rebelião religiosa.


16. “FAZIA GUERRA CONTRA OS SANTOS” — Daniel 7.21

Daniel declara: “Eu olhava, e eis que este chifre fazia guerra contra os santos e prevaleceu contra eles.” Humanamente falando, parece que a besta venceu. Mas o versículo seguinte muda completamente o cenário: “Até que veio o Ancião de Dias...” Daniel 7.22 Existe uma palavra teologicamente poderosa: “até”. O mal possui limite. A perseguição possui limite. O Anticristo possui limite. Os impérios possuem limite. A soberania divina não possui limite.


17. O PODER DO MAL É REAL, MAS NÃO É ABSOLUTO

Daniel 7 não minimiza o sofrimento dos santos. O pequeno chifre realmente:

  • persegue;
  • oprime;
  • blasfema;
  • tenta modificar tempos e leis.

Mas sempre atua dentro dos limites permitidos pela soberania divina. Esta é uma das maiores mensagens pastorais de Daniel. O cristão nunca deve confundir permissão temporária com soberania absoluta. Satanás pode receber espaço de atuação. Jamais recebe o trono de Deus.


18. “PROFERIRÁ PALAVRAS CONTRA O ALTÍSSIMO” — Daniel 7.25

O poder político torna-se blasfemo. O governante não se contenta em governar homens. Levanta-se contra Deus. Paulo utiliza linguagem semelhante ao descrever o “homem do pecado”: “O qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus...” 2 Tessalonicenses 2.4 João também descreve a besta: “Foi-lhe dada uma boca para proferir grandes coisas e blasfêmias.” Apocalipse 13.5

A proximidade temática entre Daniel 7, 2 Tessalonicenses 2 e Apocalipse 13 explica por que muitos intérpretes cristãos identificam o pequeno chifre com a manifestação final do Anticristo.


19. “DESTRUIRÁ OS SANTOS” OU “DESGASTARÁ OS SANTOS”

Daniel 7.25 apresenta uma expressão particularmente expressiva. O verbo aramaico utilizado possui a ideia de desgastar, consumir, afligir continuamente. A perseguição nem sempre ocorre mediante um ataque súbito. Existe também perseguição pelo desgaste. O inimigo tenta:

  • cansar;
  • pressionar;
  • intimidar;
  • desanimar;
  • enfraquecer a perseverança.

Essa descrição possui enorme valor pastoral. Muitos crentes não enfrentam uma “cova de leões” literal, mas enfrentam diariamente pressões destinadas a desgastar sua fé. Por isso Jesus ensinou: “Aquele que perseverar até ao fim será salvo.” Mateus 24.13


20. “CUIDARÁ EM MUDAR OS TEMPOS E A LEI”

Daniel 7.25 diz que esse poder: “cuidará em mudar os tempos e a lei.” A ideia é mais profunda que alterar calendários. Representa a tentativa de reorganizar a realidade social e religiosa como se Deus não fosse soberano. O poder rebelde deseja definir:

  • o que é verdadeiro;
  • o que é justo;
  • o que é permitido;
  • o que deve ser adorado.

Esse sempre foi o espírito de Babel: “Façamo-nos um nome.” Gênesis 11.4

A criatura tenta ocupar o lugar do Criador.


21. “UM TEMPO, TEMPOS E METADE DE UM TEMPO”

Daniel 7.25 afirma que os santos serão entregues em suas mãos: “por um tempo, e tempos, e metade de um tempo.”

O aramaico transmite a ideia: ‘iddān + ‘iddānîn + pelag ‘iddān Isto é: um tempo + dois tempos + metade de um tempo. Tradicionalmente isso é entendido como: 3½ tempos. Há forte correspondência com Apocalipse:

  • 42 meses — Ap 11.2;
  • 1.260 dias — Ap 11.3;
  • “um tempo, tempos e metade de um tempo” — Ap 12.14;
  • 42 meses — Ap 13.5.

Na interpretação premilenista, essas referências são frequentemente associadas ao período final de intensa oposição anticristã. Mas existe também uma mensagem simbólica poderosa: o período da besta é limitado e incompleto.

Sete representa plenitude. Três e meio corresponde à metade. O mal jamais alcançará a plenitude que pertence a Deus.


22. O TRIBUNAL DIVINO DECIDIRÁ — Daniel 7.26

“Mas o juízo será estabelecido, e eles tirarão o seu domínio, para o destruir e para o desfazer até ao fim.” Aqui ocorre a verdadeira virada da história. O Anticristo não será derrotado porque encontrou um rival político mais poderoso. Seu domínio termina porque o tribunal celestial decidiu. Essa mesma verdade aparece em 2 Tessalonicenses: “A quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda.” 2 Tessalonicenses 2.8 O poder que parece impossível de derrubar será destruído pela manifestação de Cristo.


23. O REINO SERÁ DADO AOS SANTOS — Daniel 7.27

Finalmente chegamos ao Texto Áureo: “O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo.” Observe novamente: “serão dados”. É Deus quem entrega. O Reino pertence primeiramente ao Filho do Homem em 7.14. Depois é entregue aos santos em 7.18,22,27. Isso revela algo extraordinário: Cristo compartilha seu Reino com seu povo. Paulo ensina: “Se sofrermos, também com ele reinaremos.” 2 Timóteo 2.12 E João declara: “E reinarão com Cristo durante mil anos.” Apocalipse 20.4 Os santos não substituem Cristo. Eles reinam com Cristo e debaixo de Cristo.


24. O REINO DO FILHO E O REINO DOS SANTOS

Daniel 7 apresenta uma interessante relação:

Daniel 7.14

O Reino é entregue ao Filho do Homem.

Daniel 7.18

O Reino é recebido pelos santos.

Daniel 7.27

O Reino é dado ao povo dos santos do Altíssimo.

Não há contradição. Existe união entre o Rei e seu povo. O que pertence ao Messias é compartilhado graciosamente com aqueles que pertencem ao Messias. No Novo Testamento essa realidade aparece constantemente: “Se filhos, também herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo.” Romanos 8.17

Cristo é o Rei. Os redimidos são seus coerdeiros.


25. O REINO ETERNO

Daniel utiliza repetidamente a palavra “eterno”. Os impérios possuem duração limitada. O Reino do Filho do Homem: “não passará.” Seu Reino: “não será destruído.” Daniel 2.44 já havia anunciado: “O Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído.” Daniel 7 aprofunda essa esperança. O futuro não pertence:

  • à Babilônia;
  • à Pérsia;
  • à Grécia;
  • a Roma;
  • ao Anticristo;
  • às potências políticas.

O futuro pertence a Jesus Cristo.


26. JESUS CRISTO E DANIEL 7

Poucas passagens veterotestamentárias são tão importantes para a cristologia do Novo Testamento.

Jesus utilizou “Filho do Homem” repetidamente. Entre seus usos: Autoridade “O Filho do Homem tem na terra autoridade para perdoar pecados.” Marcos 2.10 Sofrimento “Importa que o Filho do Homem padeça muitas coisas.” Marcos 8.31 Glória futura “Vereis o Filho do Homem... vindo sobre as nuvens do céu.” Mateus 26.64

O Filho do Homem de Daniel 7 é simultaneamente: Servo sofredor, Rei celestial e Juiz escatológico. A cruz não derrota sua realeza. A cruz é parte do caminho para sua exaltação.


27. DANIEL 7 E APOCALIPSE

Apocalipse depende fortemente das imagens de Daniel.

Daniel 7

Apocalipse

Animais

Besta — Ap 13.1-2

Dez chifres

Dez chifres — Ap 13.1; 17.12

Boca blasfema

Blasfêmias — Ap 13.5

Guerra contra os santos

Guerra contra os santos — Ap 13.7

Período limitado

42 meses — Ap 13.5

Tribunal celestial

Juízo — Ap 20

Reino dos santos

Santos reinam — Ap 20.4

Filho do Homem

Ap 1.13; 14.14

Reino eterno

Ap 11.15; 22.5

Apocalipse não abandona Daniel.

Ele apresenta a consumação daquilo que Daniel viu.


28. DIÁLOGO COM INTÉRPRETES CRISTÃOS

E. J. Young — The Prophecy of Daniel

Young defende a unidade histórica dos quatro impérios de Daniel 2 e 7 e entende que o desenvolvimento do quarto reino ultrapassa o simples horizonte imediato de Daniel, culminando na oposição final contra o Reino de Deus. Para Young, a figura do Filho do Homem deve ser entendida messianicamente, sendo a fonte do Reino posteriormente compartilhado com os santos.

Aplicação:

A Igreja não deve interpretar a história apenas a partir dos acontecimentos visíveis. Existe uma realidade celestial governando aquilo que ocorre na terra.


Joyce G. Baldwin — Daniel: An Introduction and Commentary

Baldwin chama atenção para o forte contraste entre os animais e o Filho do Homem. Os reinos terrenos revelam características bestiais, enquanto o Reino de Deus restaura o verdadeiro propósito da humanidade.

Aplicação:

Quando o poder se distancia de Deus, tende a desumanizar. Cristo revela o modelo perfeito do governo justo.


Tremper Longman III — Daniel

Longman destaca que os animais representam poderes humanos que perderam sua humanidade ao rebelar-se contra Deus. O “Filho do Homem” representa a reversão desse processo: o domínio retorna àquele que governa de acordo com a vontade divina.

Aplicação:

O maior problema do poder não é possuir autoridade, mas exercer autoridade sem submissão ao Criador.


Iain M. Duguid — Daniel

Duguid ressalta que os santos não vencem porque se tornam mais violentos que as bestas. Deus mesmo julga os opressores e entrega o Reino ao seu povo.

Aplicação:

A Igreja não necessita copiar os métodos do mundo para garantir seu futuro. Sua esperança está no Rei que recebe o Reino do Pai.


Stephen R. Miller — Daniel

Em sua interpretação conservadora e premilenista, Miller relaciona o pequeno chifre de Daniel 7 à manifestação escatológica do Anticristo, especialmente pela correspondência com 2 Tessalonicenses 2 e Apocalipse 13.

Aplicação:

O crescimento da oposição a Deus não significa que o plano divino fracassou. A própria profecia prevê a resistência final antes da vitória definitiva de Cristo.

INTRODUÇÃO

I. A VISÃO DOS QUATRO ANIMAIS 7.1-8

1) O mar agitado e os quatro animais 7.2

2) A descrição dos impérios sucessivos 7.4-7

3) O pequeno chifre e a perseguição futura 7.8

II. A VISÃO DO ANCIÃO DE DIAS 7.9-14

1) O trono e o tribunal celestial 7.9

2) O juízo contra a besta 7.11

3) A exaltação do Filho do Homem 7.13

III. A INTERPRETAÇÃO DA VISÃO 7.15-28

1) Os reinos e sua oposição a Deus 7.17

2) Os santos serão perseguidos 7.25-26

3) Os santos receberão o reino 7.27

APLICAÇÃO PESSOAL

DINAMICA EXTRA

Comentário de Hubner Braz

Aqui está uma proposta de dinâmica prática, altamente visual e escatológica para a Lição 07 - A Visão dos Animais e o Reino Eterno (Daniel 7) da revista PECC para o 3º Trimestre de 2026. Esta atividade foi estruturada para traduzir as visões proféticas de Daniel em uma lição prática sobre a soberania de Deus e a certeza do Seu Reino sobre a história humana.


🦁🦅 Dinâmica: "Os Impérios Caem, o Trono Permanece"

O objetivo é fazer com que os alunos visualizem a ascensão e queda dos impérios humanos (ferozes e imponentes como os animais da visão) e compreendam o contraste com o Reino indestrutível do Ancião de Dias e do Filho do Homem.


📦 Materiais necessários

  • 4 Caixas de papelão vazias (grandes o suficiente para empilhar).
  • Papel sulfite ou tags com os nomes dos impérios históricos escritos em letras grandes:
    1. Babilônia (Leão com asas de águia)
    2. Medo-Persa (Urso com três costelas na boca)
    3. Grécia (Leopardo com quatro asas e quatro cabeças)
    4. Roma / Reinos Humanos (Animal terrível com dentes de ferro e dez chifres)
  • Uma Bíblia ou uma Coroa Dourada (representando o Reino de Deus).
  • Pincel atômico.

🏃‍♂️ Passo a Passo da Execução


1. A Construção da Torre dos Impérios (A Glória Humana)

  • Ação: Convide quatro alunos voluntários à frente. Entregue uma caixa de papelão e uma tag de identificação para cada um deles.
  • Comando: Peça para os alunos empilharem as caixas, uma em cima da outra, na ordem cronológica dos impérios (Babilônia na base, depois Medo-Persa, Grécia, e Roma/Reinos atuais no topo).
  • Aplicação: Enquanto eles empilham, o professor resume brevemente as características de cada animal de Daniel 7:3-7. Explique que os animais saídos do mar revolto representam reinos violentos, cheios de orgulho, força militar e crueldade, que pareciam invencíveis em suas respectivas épocas.

2. O Chifre Pequeno e a Arrogância Humana

  • Ação: Aponte para a caixa do topo (Roma / Reinos Humanos). Escreva nela com o pincel atômico a palavra "BLASFÊMIA / ARROGÂNCIA".
  • Comando: Explique que do meio desses reinos surge o "chifre pequeno" (Daniel 7:8, 25), que profere palavras arrogantes contra o Altíssimo e persegue os santos.
  • Aplicação: Pergunte à classe: "Hoje em dia, onde vemos o mundo se levantando com arrogância contra as leis de Deus?". Deixe os alunos citarem exemplos de ideologias e sistemas que tentam calar a igreja.

3. O Juízo do Ancião de Dias (A Queda da Torre)

  • Ação: O professor se posiciona ao lado da pilha de caixas segurando a Bíblia ou a Coroa no alto.
  • Comando: Leia em voz alta o texto de Daniel 7:9-10: "Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um Ancião de Dias se assentou... o tribunal instalou-se, e abriram-se os livros". Em seguida, leia o versículo 11 e derrube a pilha de caixas com as mãos, espalhando-as pelo chão.
  • Aplicação: O impacto visual das caixas caindo e fazendo barulho demonstra a fragilidade do poder humano diante do julgamento divino. Os impérios da terra têm prazo de validade, mas o tribunal de Deus é definitivo.

4. O Estabelecimento do Reino Eterno

  • Ação: O professor coloca a Bíblia ou a Coroa no centro da mesa, sozinha e em destaque.
  • Comando: Peça à classe para ler em uníssono Daniel 7:14: "E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará...".
  • Aplicação: Conclua mostrando que enquanto as caixas (impérios humanos) foram destruídas e desfeitas, o Reino do Filho do Homem permanece intacto e será entregue aos santos do Altíssimo (Daniel 7:27).

💬 Conclusão e Aplicação Prática para a Classe

Encerre a lição consolando os alunos com a verdade escatológica de Daniel 7: a história não está à deriva. Governos mudam, crises econômicas surgem, leis anticristãs podem avançar, mas o controle final pertence ao Ancião de Dias. Nós não pertencemos a um reino que pode ser abalado ou derrubado; somos cidadãos do Reino Eterno.

Devocional Diário

S - Dn 7.1-8

T - Dn 7.9-14

Q - Dn 7.15-18

Q - Dn 7.19-22

S - Dn 7.23-25

S - Dn 7.26-28

COMENTÁRIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

DEVOCIONAL DIÁRIO COMENTADO

SEGUNDA — Daniel 7.1-8

Os impérios diante dos olhos de Deus

Daniel vê quatro animais surgindo do mar agitado. A humanidade contempla impérios e enxerga monumentos, exércitos e grandeza. Deus vê aquilo que o poder se torna quando abandona os princípios divinos.

O pecado transforma o governo em dominação e a autoridade em violência.

Aplicação

Não devemos medir sucesso exclusivamente por força, influência ou grandeza. Algo pode impressionar os homens e ainda possuir características bestiais diante de Deus.


TERÇA — Daniel 7.9-14

O verdadeiro Rei entra em cena

Quando tudo parece dominado pelas bestas, Daniel olha para o céu e encontra um trono.

Esse detalhe muda tudo.

A história possui um centro de comando.

“O Ancião de Dias se assentou.”

Em seguida aparece o Filho do Homem, a quem são dados domínio, glória e Reino.

Aplicação

Quando o mundo parece fora de controle, o trono de Deus continua ocupado.

O cristão olha os acontecimentos da terra à luz daquilo que acontece no céu.


QUARTA — Daniel 7.15-18

Os santos receberão o Reino

Daniel fica angustiado com aquilo que viu, mas recebe uma palavra de esperança:

“Os santos do Altíssimo receberão o reino.”

A aflição é temporária.

A herança é eterna.

Aplicação

Nossa situação presente não determina nosso destino eterno.

Quem pertence a Cristo pode perder muitas coisas neste mundo sem jamais perder sua herança no Reino.


QUINTA — Daniel 7.19-22

A perseguição possui um “até”

O pequeno chifre faz guerra aos santos e parece prevalecer.

Então aparece a palavra decisiva:

“Até que veio o Ancião de Dias.”

Deus estabelece o limite da perseguição.

Aplicação

Nunca coloque um ponto final onde Deus colocou apenas uma vírgula.

A perseguição pode ser um capítulo da história da Igreja.

Jamais será seu último capítulo.


SEXTA — Daniel 7.23-25

A arrogância do poder anticristão

O pequeno chifre fala contra Deus, persegue os santos e tenta alterar tempos e leis.

A rebelião atinge seu auge quando a criatura tenta ocupar o lugar do Criador.

Aplicação

A Igreja deve permanecer vigilante sempre que qualquer sistema humano reivindica autoridade absoluta sobre consciência, verdade e adoração.

Nossa fidelidade final pertence a Deus.


SÁBADO — Daniel 7.26-28

O tribunal será estabelecido

O poder da besta termina não por negociação, mas pelo julgamento divino.

O Reino é então entregue aos santos.

Aplicação

O cristão pode viver sem desespero porque conhece antecipadamente o desfecho da história.

Cristo vence.

Seu Reino permanece.

Seu povo participa de sua vitória.


TABELA EXPOSITIVA — DANIEL 7.13-28

Texto

Tema

Palavra/ideia principal

Significado teológico

Aplicação

Dn 7.13

Filho do Homem

kevar ’enāsh

Rei messiânico de natureza celestial

Cristo é o verdadeiro Rei

Dn 7.13

Nuvens do céu

Teofania

Associação com a majestade divina

Jesus possui autoridade celestial

Dn 7.14

Domínio

šolṭān

Autoridade universal

Todo poder pertence finalmente a Cristo

Dn 7.14

Reino

malkû

Governo messiânico eterno

Nossa esperança não está nos governos humanos

Dn 7.15

Angústia de Daniel

Perturbação

A profecia possui peso espiritual

Estudar escatologia deve produzir santidade

Dn 7.18

Santos do Altíssimo

qaddîšê ‘elyônîn

Povo separado para Deus

Os fiéis receberão o Reino

Dn 7.21

Guerra contra os santos

Perseguição

Conflito espiritual e histórico

Perseverança

Dn 7.22

Ancião de Dias

‘Attîq Yômîn

Deus como Juiz eterno

Nenhuma injustiça ficará impune

Dn 7.25

Palavras contra Deus

Blasfêmia

Rebelião anticristã

Vigilância doutrinária

Dn 7.25

Desgastar os santos

Opressão contínua

Estratégia de perseguição

Não permitir que a pressão destrua a fé

Dn 7.25

Tempos e lei

Usurpação

Tentativa de substituir a ordem divina

Permanecer fiel à Palavra

Dn 7.25

Tempo, tempos e metade

Limitação

O domínio do mal possui prazo

Deus controla a duração da tribulação

Dn 7.26

Tribunal celestial

Juízo

Deus remove o domínio da besta

O mal não triunfará

Dn 7.27

Reino dos santos

Herança

Participação no Reino messiânico

Perseverar porque reinaremos com Cristo

Dn 7.27

Reino eterno

Eternidade

Vitória definitiva de Deus

Nossa esperança ultrapassa esta era

CINCO GRANDES VERDADES TEOLÓGICAS DE DANIEL 7

1. Deus é soberano sobre a história

Os impérios não aparecem fora do conhecimento divino.

“O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens.”
Daniel 4.17


2. Todo poder humano é temporário

Babilônia passou.

Medo-Pérsia passou.

Grécia passou.

Roma imperial passou.

Governos continuam surgindo e desaparecendo.

Somente o Reino de Deus permanece.


3. Jesus Cristo é o Filho do Homem prometido

Daniel 7 encontra seu cumprimento cristológico naquele que declarou:

“Vereis o Filho do Homem... vindo sobre as nuvens do céu.”
Mateus 26.64


4. Os santos enfrentarão oposição antes da vitória

A Bíblia não promete uma caminhada sem conflitos.

Promete uma vitória que nenhum conflito poderá impedir.

“No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”
João 16.33


5. O Reino eterno pertence a Cristo

Apocalipse apresenta a consumação da visão de Daniel:

“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.”
Apocalipse 11.15


APLICAÇÃO PESSOAL

Daniel 7 nos obriga a perguntar: Onde está depositada nossa esperança?

Se nossa segurança estiver nas estruturas humanas, viveremos constantemente dominados pelo medo. Governos mudam, economias entram em crise, sociedades atravessam transformações e poderes que pareciam invencíveis desaparecem.

Daniel viu tudo isso antecipadamente.

Contudo, por trás da turbulência do mar havia um trono.

Essa talvez seja uma das imagens mais consoladoras de todo o livro.

O mar estava agitado, mas o trono não estava.

As bestas estavam em movimento, mas Deus permanecia assentado.

O pequeno chifre falava arrogantemente, mas o tribunal celestial já possuía a sentença.

Da mesma maneira, podemos observar um mundo em conflito sem perder a esperança.

Nossa confiança não está no fato de que os acontecimentos serão sempre favoráveis.

Nossa confiança está no fato de que Deus continua soberano quando os acontecimentos são desfavoráveis.

Daniel 7 também nos chama à perseverança. O inimigo procura “desgastar” os santos. Há batalhas que não chegam como grandes perseguições, mas como pequenas pressões diárias destinadas a enfraquecer oração, santidade, esperança e fidelidade.

Por isso é necessário lembrar:

o sofrimento possui prazo; o Reino não.

A perseguição é temporária.

O Reino é eterno.

A besta possui uma hora.

Cristo possui a eternidade.


CONCLUSÃO

Daniel 7 começa com um mar agitado e termina com um Reino eterno.

Começa com bestas e termina com santos.

Começa com arrogância humana e termina com adoração universal.

Começa com perseguição e termina com julgamento.

Começa com reinos que surgem e desaparecem e termina com o Reino que jamais será destruído.

A mensagem central não é simplesmente:

“Haverá quatro impérios.”

A mensagem é muito maior:

“O Altíssimo reina.”

A história não está caminhando aleatoriamente.

Ela se dirige para o momento em que todo poder rebelde será julgado e Jesus Cristo manifestará plenamente seu domínio.

Por isso a Igreja não precisa viver dominada pelo medo dos acontecimentos futuros.

O Filho do Homem já recebeu:

domínio, glória e Reino.

E aquele Reino:

“não será destruído.”

Portanto, a grande pergunta de Daniel 7 não é apenas:

Quem serão os últimos governantes da história?

A pergunta realmente decisiva é:

A quem pertence nossa fidelidade enquanto aguardamos o Reino eterno?

A resposta dos santos deve permanecer a mesma de Daniel:

Ao Deus Altíssimo e ao seu Cristo, cujo Reino é de geração em geração e cujo domínio jamais terá fim.

Referências bibliográficas para aprofundamento

  • BALDWIN, Joyce G. Daniel: An Introduction and Commentary. Tyndale Old Testament Commentaries.
  • DUGUID, Iain M. Daniel. Reformed Expository Commentary.
  • LONGMAN III, Tremper. Daniel. NIV Application Commentary.
  • MILLER, Stephen R. Daniel. New American Commentary.
  • YOUNG, Edward J. The Prophecy of Daniel.
  • ARCHER JR., Gleason L. Daniel. The Expositor’s Bible Commentary.

Hinos da Harpa: 340 - 323


INTRODUÇÃO

O capítulo sete de Daniel marca uma nova seção do livro, na qual são reveladas visões proféticas sobre o futuro dos reinos humanos e a vinda do Reino eterno de Deus. Nesta visão, Daniel contempla quatro grandes animais, representando impérios que dominariam o mundo, mas que, por fim, seriam substituídos pelo domínio eterno do Filho do Homem. Esta lição nos ensina a confiar na soberania de Deus sobre a história e a aguardar com esperança o triunfo definitivo do Reino de Cristo.


I. A VISÃO DOS QUATRO ANIMAIS (7.1-8)

A visão dos quatro animais revela a sucessão dos reinos humanos e o caos das nações, destacando que, apesar da ferocidade dos impérios, o Reino de Deus será eterno e soberano.


1. O mar agitado e os quatro animais (7.2)

Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, durante a minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar Grande.

O mar, na simbologia bíblica, representa povos, nações e a instabilidade do mundo humano (Ap 17.15). O mar agitado por ventos de todas as direções indica o tumulto, a guerra e as convulsões políticas que precedem o surgimento dos impérios. Esta introdução prepara o cenário para a descrição dos quatro animais, cada um representando um império mundial.

Dos conflitos humanos surgem reinos poderosos, porém passageiros e corruptos. "Mas os perversos são como o mar agitado..." (Is 57.20). Assim se inicia a visão dos quatro animais, representando impérios mundiais.


2. A descrição dos impérios sucessivos (7.4-7)

O primeiro era como leão e tinha asas de águia; ... o segundo animal semelhante a um urso,... continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, ... continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo,...

Cada animal representa um império:

a) O leão com asas de águia simboliza Babilônia (605 a.C. - 539 a.C.), forte e ágil, mas também sujeito à humilhação, como ocorreu com o próprio Nabucodonosor (Daniel 4).

b) O urso, mais pesado e unilateral, representa o Império Medo-Persa (539 a.C. - 331 a.C.), conhecido por sua brutalidade militar e expansão desigual, favorecendo mais o lado persa sob Ciro e seus sucessores.

c) O leopardo com quatro asas simboliza a rapidez das conquistas de Alexandre, o Grande, líder do Império Grego-Macedônio (331 a.C. - 146 a.C.). Após sua morte, o império foi dividido entre quatro generais, como representado pelas quatro cabeças da visão.

d) O quarto animal, terrível e sem comparação exata no mundo animal, simboliza o Império Romano (146 a.C. - 476 d.C. no Ocidente), conhecido por sua força destrutiva, estrutura legal e poder militar comparado ao ferro.

Os reinos humanos, embora gloriosos, são bestiais em essência, marcados por violência e orgulho. "Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido,..." (Sl 2.2). Nenhum deles escapará do juízo divino.


3. O pequeno chifre e a perseguição futura (7.8)

Estando eu a observar os chifres, eis que entre eles subiu outro pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava com insolência.

Do quarto animal surge um pequeno chifre que se torna dominante, possuindo olhos e boca arrogante. Este pequeno chifre representa um líder futuro, possivelmente relacionado ao anticristo, que desafiará a autoridade divina e perseguirá os santos. "e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo." (1Jo 4.3). Sua ascensão é profetizada como o auge da rebelião contra Deus.

A ascensão desse líder simboliza a oposição final contra Deus. Sua astúcia e blasfêmia são marcantes. A fidelidade dos crentes será provada, "Todavia, o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do Maligno." (2Ts 3.3). A vitória final pertence ao Senhor.

COMENTÁRIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

INTRODUÇÃO

Daniel 7 inaugura uma importante mudança no desenvolvimento do livro. Nos capítulos anteriores, predominam relatos históricos acerca da fidelidade de Daniel e de seus companheiros em meio aos grandes impérios gentílicos; a partir deste capítulo, o conteúdo assume caráter predominantemente apocalíptico e profético, revelando os bastidores espirituais da história e o destino final dos poderes humanos.

A visão ocorreu no primeiro ano de Belsazar (Dn 7.1), portanto cronologicamente antes dos acontecimentos narrados nos capítulos 5 e 6. Enquanto Daniel 2 apresenta os grandes reinos na forma de uma estátua imponente aos olhos humanos, Daniel 7 apresenta poderes correspondentes sob a figura de animais ferozes. A diferença é teologicamente significativa: aquilo que o homem contempla como glória política, Deus pode enxergar como poder bestial quando exercido em arrogância, violência e independência de sua vontade.

O capítulo foi escrito em aramaico, língua internacional amplamente utilizada no antigo Oriente Próximo. Daniel contempla quatro grandes animais que representam sucessivos poderes mundiais, mas sua atenção finalmente é conduzida para uma realidade superior: o tribunal do Ancião de Dias e a chegada daquele que é semelhante a um “Filho do Homem” (Dn 7.9-14).

Assim, a profecia não pretende alimentar mera curiosidade sobre impérios e acontecimentos futuros. Sua finalidade é revelar que Deus governa soberanamente a história. Reis surgem e desaparecem, impérios alcançam seu auge e depois caem, mas o Reino concedido ao Filho do Homem jamais será destruído (Dn 7.14).

Daniel 7 ensina, portanto, que o cristão não deve interpretar a história apenas pelo que acontece na terra. Por trás das convulsões políticas existe um trono que permanece inabalável. O mar pode estar agitado, as bestas podem surgir e os poderes humanos podem parecer invencíveis, mas o Ancião de Dias continua assentado em seu trono.


I. A VISÃO DOS QUATRO ANIMAIS (Dn 7.1-8)

A visão dos quatro animais apresenta profeticamente a sucessão de grandes poderes humanos e, ao mesmo tempo, revela o caráter transitório e frequentemente desumanizador dos impérios que se levantam independentemente de Deus. Todos parecem poderosos por determinado período, porém nenhum deles possui domínio eterno. Somente o Reino estabelecido pelo Altíssimo permanecerá para sempre.

1. O MAR AGITADO E OS QUATRO ANIMAIS (Dn 7.2-3)

“Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, durante a minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar Grande. E quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar.”

A visão começa com uma cena de profunda instabilidade. Daniel contempla “os quatro ventos do céu” agitando o grande mar.

O termo aramaico empregado para “vento” é רוּחַ — rûaḥ, palavra que, conforme o contexto, pode significar vento, sopro ou espírito. Aqui descreve forças procedentes das quatro direções, produzindo intensa agitação no mar.

O número quatro reforça a dimensão universal da visão: os quatro pontos cardeais sugerem acontecimentos que alcançam o cenário mundial.

O mar, por sua vez, possui importante significado simbólico na linguagem profética. Em diversas passagens bíblicas ele aparece relacionado às multidões, às nações e à inquietação dos povos. Apocalipse interpreta explicitamente as “águas” como:

“povos, multidões, nações e línguas.” Apocalipse 17.15

Isaías também compara os ímpios ao mar revolto: “Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar...” Isaías 57.20

Portanto, a cena comunica instabilidade política, guerras, revoluções e movimentos entre as nações.

Há ainda um contraste teológico extraordinário em Daniel 7: as bestas sobem do mar; o Filho do Homem vem com as nuvens do céu (Dn 7.13).

Os impérios terrenos emergem do tumulto das nações.

O Reino messiânico procede da esfera celestial.

Isso significa que a esperança do povo de Deus jamais poderá depender exclusivamente das estruturas produzidas pelos conflitos humanos.

Os animais — ḥêwān

A palavra aramaica para “animal” é חֵיוָן — ḥêwān, relacionada a criatura ou animal vivente.

Daniel não vê simplesmente quatro reis humanos, mas poderes retratados como criaturas ferozes.

Existe aqui uma profunda ironia bíblica. Em Gênesis, Deus criou o homem à sua imagem e lhe concedeu domínio sobre os animais (Gn 1.26-28). Em Daniel 7, entretanto, os poderes humanos que se afastam de Deus passam a ser representados como animais.

A mensagem é clara:

quando o homem deseja governar sem Deus, seu poder tende a tornar-se desumano.

Tremper Longman III chama atenção para esse contraste em seu comentário sobre Daniel: os impérios apresentam características animalescas enquanto a figura escolhida por Deus para receber o Reino aparece verdadeiramente humana — “como um filho do homem”.

Aplicação pessoal

Nem tudo aquilo que impressiona os homens recebe a aprovação de Deus. Poder, influência, riqueza e grandeza política não constituem provas de justiça.

A pergunta bíblica não é apenas:

“Quanto poder possui?”

Mas:

“Como esse poder está sendo exercido diante de Deus?”


2. A DESCRIÇÃO DOS IMPÉRIOS SUCESSIVOS (Dn 7.4-7)

Daniel passa a descrever quatro animais distintos. A interpretação cristã conservadora tradicional vê estreita correspondência entre os quatro animais de Daniel 7 e os quatro reinos apresentados pela estátua de Daniel 2.

a) O leão com asas de águia — Babilônia

“O primeiro era como leão e tinha asas de águia...” Daniel 7.4

O leão representa força, majestade e poder real, enquanto as asas de águia sugerem velocidade e alcance extraordinários.

A Babilônia de Nabucodonosor corresponde adequadamente a essa descrição. O próprio profeta Jeremias havia utilizado imagens semelhantes:

“Eis que sobe como leão...” Jeremias 49.19

E novamente: “Eis que subirá como nuvens, e os seus carros, como tempestade; os seus cavalos são mais ligeiros do que as águias.” Jeremias 4.13

Contudo, Daniel observa algo surpreendente: “Foram-lhe arrancadas as asas [...] foi posto em pé como homem, e foi-lhe dado coração de homem.” Essa transformação recorda particularmente a experiência de Nabucodonosor em Daniel 4.

O rei orgulhoso havia sido reduzido a uma condição semelhante à dos animais: “Foi tirado dentre os homens [...] até que conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre os reinos dos homens.” cf. Daniel 4.32-34

Depois de reconhecer a soberania de Deus, sua razão foi restaurada.

A lição é profunda: o orgulho animaliza; o reconhecimento de Deus restaura a verdadeira humanidade.


b) O urso — Medo-Pérsia

“Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados...” Daniel 7.5

O segundo animal é pesado, poderoso e voraz.

Ele corresponde, na interpretação tradicional, ao Império Medo-Persa, que conquistou Babilônia em 539 a.C.

O fato de estar levantado de um lado pode indicar a desigualdade existente dentro da aliança medo-persa, na qual a Pérsia gradualmente se tornou dominante.

Isso encontra interessante correspondência em Daniel 8, onde um carneiro possui dois chifres: “Um era mais alto do que o outro, e o mais alto subiu por último.” Daniel 8.3

Posteriormente o próprio texto identifica esse carneiro: “Aquele carneiro que viste com dois chifres são os reis da Média e da Pérsia.” Daniel 8.20

O urso possui três costelas na boca e recebe a ordem:

“Levanta-te, devora muita carne.”

A imagem descreve sua extraordinária expansão militar, sem exigir necessariamente que cada detalhe tenha uma correspondência histórica individual.

O ponto principal é que outro império poderoso entra em cena — mas ele também terá duração limitada.


c) O leopardo com quatro asas — Grécia

“Depois disto, continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha quatro asas de ave nas suas costas; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio.” Daniel 7.6

O leopardo já é naturalmente veloz.

Com quatro asas, a figura comunica velocidade extraordinária.

É difícil não perceber a impressionante correspondência com as conquistas de Alexandre, o Grande. Em poucos anos, suas tropas derrotaram o Império Persa e estenderam seu domínio por vastas regiões do Oriente Próximo.

Daniel 8 apresenta a mesma característica de velocidade ao descrever a Grécia como um bode que: “vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão.” Daniel 8.5

O próprio capítulo identifica essa figura: “O bode peludo é o rei da Grécia.” Daniel 8.21

Daniel 7 acrescenta que o leopardo possuía quatro cabeças.

Após a morte de Alexandre em 323 a.C., seu vasto império não permaneceu unificado. Depois de anos de conflitos entre seus sucessores — os chamados Diádocos — quatro grandes centros de poder acabaram predominando:

  • Cassandro — Macedônia e Grécia;
  • Lisímaco — Trácia e partes da Ásia Menor;
  • Seleuco — Síria, Mesopotâmia e regiões orientais;
  • Ptolomeu — Egito e Palestina em determinados períodos.

Essa divisão será especialmente importante para a compreensão de Daniel 8 e 11.

Contudo, Daniel faz uma observação teologicamente decisiva:

“Foi-lhe dado domínio.”

Mesmo Alexandre não conquistou o mundo independentemente da soberania divina.

Seu domínio foi permitido.

Deus continua sendo Senhor da história.


d) O quarto animal terrível — o quarto império

“Depois disto, eu continuava olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro...” Daniel 7.7

O quarto animal é tão terrível que Daniel não consegue compará-lo adequadamente a qualquer criatura conhecida.

Ele:

  • devora;
  • despedaça;
  • pisa o restante;
  • possui dentes de ferro;
  • apresenta dez chifres.

Sua associação com o ferro cria uma evidente ligação com Daniel 2: “E o quarto reino será forte como ferro.”
Daniel 2.40

Por essa razão, a interpretação cristã tradicional identifica historicamente esse quarto poder com Roma, entendendo, sobretudo em leituras futuristas e premilenistas, que a profecia alcança uma manifestação escatológica final do poder gentílico representada pelos dez chifres.

O ponto central, contudo, ultrapassa a identificação do império.

O quarto animal representa o auge de um poder humano que se torna brutal quando pretende exercer domínio absoluto sem submissão ao Deus Altíssimo.

Os quatro impérios em perspectiva

Animal

Características

Interpretação tradicional

Destaque profético

Leão com asas

Majestade e velocidade

Babilônia

Nabucodonosor e sua humilhação

Urso

Força e voracidade

Medo-Pérsia

Expansão e predominância persa

Leopardo com quatro asas

Velocidade extraordinária

Grécia

Alexandre e posterior divisão

Besta terrível

Ferro, destruição, dez chifres

Roma / desenvolvimento escatológico

Poder final anticristão

Reflexão teológica

Daniel 7 destrói a ilusão da permanência dos impérios.

Babilônia parecia invencível.

Depois veio a Pérsia.

A Pérsia parecia invencível.

Depois veio a Grécia.

A Grécia parecia invencível.

Depois outro poder tomou seu lugar.

A profecia ensina:

Todo império que diz “para sempre” será confrontado pelo Deus que realmente é eterno.

“Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido.”
Salmo 2.2


3. O PEQUENO CHIFRE E A PERSEGUIÇÃO FUTURA (Dn 7.8)

“Estando eu a observar os chifres, eis que entre eles subiu outro pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava com insolência.”

Entre os dez chifres surge uma nova figura: “outro pequeno chifre”.

Na linguagem profética, o chifre frequentemente representa poder, rei ou autoridade governamental. O próprio anjo explicará posteriormente: “Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se levantará outro...” Daniel 7.24

Portanto, o pequeno chifre representa uma autoridade pessoal que emerge no contexto do quarto reino.

Inicialmente ele parece pequeno.

Posteriormente torna-se extraordinariamente poderoso.

Essa progressão é teologicamente significativa: grandes manifestações do mal nem sempre começam apresentando toda a sua verdadeira natureza.


Olhos como olhos de homem

Daniel observa que o chifre possuía: “olhos, como os de homem.”

Os olhos sugerem percepção, inteligência e capacidade estratégica.

Não se trata simplesmente de força bruta.

astúcia.

O líder representado pelo chifre possui habilidade para observar, calcular e manipular acontecimentos.

Daniel 8 utilizará linguagem semelhante para descrever outro governante: “um rei feroz de semblante e entendido em adivinhações.” Daniel 8.23

O mal escatológico, portanto, não será caracterizado apenas pela violência, mas também pela inteligência empregada contra os propósitos de Deus.


Uma boca que falava insolentemente

O aramaico apresenta a ideia de palavras grandes, arrogantes ou presunçosas.

A boca torna-se uma das principais características do pequeno chifre.

Daniel voltará ao tema: “Por causa da voz das grandes palavras que o chifre proferia...” Daniel 7.11

E posteriormente: “Proferirá palavras contra o Altíssimo...” Daniel 7.25

Sua rebelião, portanto, não será apenas política.

Será teológica.

Ele desafiará conscientemente a autoridade do próprio Deus.

Essa descrição apresenta fortes paralelos com o “homem do pecado” de 2 Tessalonicenses:

“O qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora...” 2 Tessalonicenses 2.4

E também com a besta de Apocalipse: “Foi-lhe dada uma boca para proferir grandes coisas e blasfêmias.” Apocalipse 13.5

Por isso, na interpretação futurista cristã, o pequeno chifre de Daniel 7 é frequentemente identificado com o Anticristo, governante que concentrará em si a rebelião política e religiosa dos últimos tempos.

O apóstolo João distingue entre o espírito anticristão já presente no mundo e a expectativa daquele que ainda haveria de vir: “Este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo.” 1 João 4.3

Há, portanto, manifestações antecipatórias do espírito anticristão durante a história, mas Daniel aponta para uma concentração particularmente intensa dessa oposição.


O PEQUENO CHIFRE E A PERSEGUIÇÃO DOS SANTOS

Daniel 7.8 apresenta inicialmente sua arrogância. Mais adiante sua verdadeira atividade será revelada: “Este chifre fazia guerra contra os santos e prevaleceu contra eles.” Daniel 7.21

E: “Proferirá palavras contra o Altíssimo e destruirá os santos do Altíssimo...” Daniel 7.25

A oposição contra Deus inevitavelmente se transforma em oposição contra o povo de Deus.

Quem não consegue atingir o trono procura atacar aqueles que pertencem ao Rei.

Esse padrão aparece repetidamente nas Escrituras.

Faraó não podia destronar Yahweh; perseguiu Israel.

Hamã não podia derrotar Deus; tentou exterminar os judeus.

Herodes não podia impedir o plano messiânico; ordenou a morte das crianças de Belém.

Saulo não conseguia atingir Cristo diretamente; perseguia sua Igreja — até que ouviu: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Atos 9.4

Perseguir os santos é atacar aquele a quem eles pertencem.


A VITÓRIA APARENTE DO MAL

Daniel fará uma afirmação perturbadora: “Prevaleceu contra eles.” Daniel 7.21

Por determinado período, aparentemente o pequeno chifre vence.

Mas a frase seguinte modifica tudo: “Até que veio o Ancião de Dias.” Daniel 7.22

Essa pequena palavra — “até” — contém uma enorme mensagem escatológica.

O mal possui limite.

A perseguição possui limite.

O sofrimento possui limite.

O Anticristo possui limite.

Somente o Reino de Deus não possui limite.

Stephen R. Miller, em seu comentário sobre Daniel, relaciona essa figura ao último grande poder anticristão, ressaltando que, embora lhe seja permitida temporariamente atuação contra os santos, sua autoridade permanece subordinada à soberania e ao calendário de Deus.

O apóstolo Paulo apresenta a mesma esperança: “Todavia, o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do Maligno.” 2 Tessalonicenses 3.3

A fidelidade do crente será provada, mas a soberania do Senhor jamais será ameaçada.


APLICAÇÃO PESSOAL

Daniel 7.1-8 ensina que o povo de Deus precisa aprender a enxergar a história de uma perspectiva diferente.

O mundo olha para os impérios e pergunta:“Quem é mais poderoso?”

Daniel pergunta: “Quem continuará de pé quando o tribunal de Deus se assentar?”

Governos surgem.

Governos desaparecem.

Ideologias ganham força.

Ideologias desaparecem.

Líderes conquistam multidões.

Depois tornam-se apenas nomes nos livros de história.

Mas o Reino de Deus permanece.

Também precisamos estar atentos ao princípio representado pelos animais: quando o homem rejeita Deus e absolutiza seu próprio poder, tende a perder aquilo que verdadeiramente o torna humano.

Por isso o contraste central do capítulo é tão belo.

Do mar surgem bestas.

Do céu aparece um como Filho do Homem.

Jesus Cristo não é simplesmente mais um governante na sequência dos impérios.

Ele representa uma categoria inteiramente diferente de Rei.

Os impérios conquistam pela espada.

Cristo conquista pela cruz.

Os impérios exigem que os homens morram por seus reis.

O nosso Rei morreu por seu povo.

Os impérios desaparecem.

O Reino de Cristo não terá fim.

Essa é a esperança que sustenta a Igreja diante de qualquer cenário político ou profético: “Do Senhor é a salvação.” Salmo 3.8

E, independentemente da intensidade da oposição futura, permanece verdadeira a promessa: “Todavia, o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do Maligno.” 2 Tessalonicenses 3.3

As bestas têm seu tempo. Cristo possui a eternidade.

II. A VISÃO DO ANCIÃO DE DIAS (7.9-14)

Após a visão dos animais, Daniel contempla o trono de Deus, onde o Ancião de Dias julga os reinos e entrega o domínio eterno ao Filho do Homem. A visão confirma que Deus reina e estabelecerá Seu Reino inabalável.


1. O trono e o tribunal celestial (7.9)

Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente.

Daniel vê o tribunal celestial sendo estabelecido. O Ancião de Dias, cuja aparência simboliza pureza, eternidade e santidade, se assenta em juízo. Milhões de seres celestiais estão ao Seu redor, servindo-o e assistindo ao julgamento. A imagem transmite a majestade e a autoridade absoluta de Deus sobre toda a criação. Nenhum reino humano, por mais poderoso que seja, pode escapar ao tribunal do Deus eterno.

A visão do trono enfatiza o domínio soberano do Senhor, como também descrito em Apocalipse 4.2-3, onde João declara: "Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado; e esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda." A pureza e glória do trono celestial refletem a santidade absoluta de Deus, que é "o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!" (1Tm 6.16).

A cena lembra que todos comparecerão diante do tribunal de Cristo (2Co 5.10). A teologia pentecostal destaca o arrependimento contínuo e a viva esperança no juízo final e na recompensa eterna.


2. O juízo contra a besta (7.11)

Então, estive olhando, por causa da voz das insolentes palavras que o chifre proferia; estive olhando e vi que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito e entregue para ser queimado.

A besta, símbolo do último império maligno - e seu governante arrogante - é julgada e destruída. Sua queda é definitiva e inapelável. A justiça de Deus é exercida de forma soberana e incontestável. Este ato mostra que o mal, embora aparentemente triunfante por um tempo, será inevitavelmente derrotado pelo poder do Deus Altíssimo.

Essa verdade é reafirmada em 2 Tessalonicenses 2.8, onde Paulo profetiza: "então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda." Assim como Daniel viu a queda do império maligno, a Escritura confirma que o Anticristo e todas as forças do mal serão aniquiladas pela manifestação gloriosa de Cristo.

O Apocalipse também ecoa essa certeza: "Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele." (Ap 17.14). A vitória de Cristo é garantida e final. A história caminha inexoravelmente para o dia em que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Fp 2.10-11).


3. A exaltação do Filho do Homem (7.13)

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele.

Daniel vê o Filho do Homem - uma expressão que Jesus usaria para Si mesmo - aproximando-se do Ancião de Dias. A Ele é dado domínio, glória e um reino eterno que jamais será destruído. Esse Reino transcende todos os impérios humanos e será estabelecido para sempre. Para o crente, esta promessa reforça a esperança na consumação do plano de Deus e na eternidade gloriosa sob o governo de Cristo.

A visão aponta para o Messias, a quem é dado domínio eterno. "Disse o Senhor ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés" (Sl 110.1). Jesus confirmou essa identidade em Marcos 14.62: "Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu." O Reino do Filho do Homem será eterno. "... e o seu reinado não terá fim." (Lc 1.33). Para os crentes, essa promessa é âncora firme da esperança (Hb 6.19).

COMENTÁRIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

II. A VISÃO DO ANCIÃO DE DIAS (Dn 7.9-14)

Depois de contemplar a violência dos quatro animais e a arrogância do pequeno chifre, Daniel é conduzido a uma cena completamente diferente. O olhar do profeta deixa o mar revolto da história humana e se volta para o tribunal celestial. Essa mudança de cenário é uma das mensagens teológicas mais poderosas do capítulo: enquanto na terra os impérios disputam domínio, no céu o trono de Deus permanece firme.

Daniel descobre que a história não será finalmente decidida pelas bestas, pelos exércitos ou pelos governantes humanos, mas pelo Deus que se assenta para julgar. O “Ancião de Dias” pronuncia sua sentença sobre os poderes rebeldes e, em seguida, entrega domínio, glória e Reino àquele que aparece como “um como o Filho do Homem”.

Existe, portanto, uma sequência decisiva:

bestas → tribunal → juízo → Filho do Homem → Reino eterno.

A esperança do povo de Deus não está simplesmente no desaparecimento de governos maus, mas na certeza de que Jesus Cristo receberá e manifestará plenamente o Reino que jamais será destruído.


1. O TRONO E O TRIBUNAL CELESTIAL (Dn 7.9-10)

“Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente.” Daniel 7.9

Depois do tumulto das nações, Daniel vê tronos sendo colocados. O contraste é intencional. Na terra existe agitação. No céu existe ordem. Na terra os reis disputam tronos. No céu o verdadeiro Rei já está assentado.


O “Ancião de Dias” — ‘Attîq Yômîn Daniel utiliza a extraordinária expressão aramaica: עַתִּיק יוֹמִין — ‘Attîq Yômîn Ela pode ser traduzida literalmente como: “Antigo de Dias” ou “Ancião de Dias”. ‘attîq Transmite a ideia de alguém antigo, venerável, avançado em dias.

yômîn Plural de “dia”. Entretanto, a expressão não deve ser compreendida como se Deus estivesse envelhecendo. Deus não é submetido ao tempo como as criaturas. O título comunica:

  • eternidade;
  • majestade;
  • sabedoria;
  • anterioridade absoluta;
  • autoridade judicial.

Antes que existisse Babilônia, Deus já reinava. Antes da Pérsia, Deus reinava. Antes de Alexandre, Deus reinava. Antes de Roma, Deus reinava. E quando todos os impérios tiverem desaparecido, Ele continuará reinando. Moisés declarou: “Antes que os montes nascessem [...] de eternidade a eternidade, tu és Deus.” Salmo 90.2


A VESTE BRANCA COMO A NEVE

Daniel descreve: “Sua veste era branca como a neve.” A brancura representa especialmente pureza e santidade. O Juiz que julga as nações não possui corrupção. Os tribunais humanos podem cometer injustiças. Governantes podem ser comprados. Juízes podem falhar. O tribunal celestial, porém, está fundamentado na santidade perfeita de Deus. Abraão já havia confessado: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” Gênesis 18.25 O julgamento divino é absolutamente justo porque procede de um Deus absolutamente santo.


OS CABELOS COMO PURA LÃ

“Os cabelos da cabeça, como a pura lã.” A imagem comunica dignidade, sabedoria e eternidade. Em Israel, cabelos brancos estavam associados à experiência e à honra: “Coroa de honra são as cãs...” Provérbios 16.31 Aplicada a Deus, porém, a figura transcende a idade humana. Ela aponta simbolicamente para a sabedoria eterna daquele que conhece completamente o passado, o presente e o futuro. O Juiz celestial não precisa investigar para descobrir os fatos. Ele conhece todas as coisas.


O TRONO DE FOGO

Daniel prossegue: “Seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente.” O fogo é uma das imagens bíblicas mais frequentes para a santidade e o julgamento de Deus. Moisés declarou: “Porque o Senhor, teu Deus, é fogo que consome.” Deuteronômio 4.24 Hebreus repete: “Porque o nosso Deus é fogo consumidor.” Hebreus 12.29 O fogo revela que o Deus santo não pode conviver eternamente com a rebelião. Seu amor não elimina sua justiça. Sua misericórdia não cancela sua santidade.


AS RODAS DO TRONO

Daniel menciona que o trono possuía rodas de fogo. A imagem lembra a visão de Ezequiel: “O aspecto das rodas e a obra delas eram como o brilho de berilo...” Ezequiel 1.16 As rodas sugerem que a soberania de Deus não está limitada geograficamente. Os reis terrenos governam territórios determinados. O trono de Deus não está confinado a Jerusalém, Babilônia ou qualquer outra cidade. O Senhor governa toda a criação.


UM RIO DE FOGO

Daniel 7.10 continua: “Um rio de fogo manava e saía de diante dele...” O fogo não aparece apenas no trono. Ele flui do próprio tribunal. A imagem transmite julgamento irresistível. Ninguém pode impedir a sentença que procede da presença divina. 


MILHARES DE MILHARES O SERVIAM

Daniel declara: “Milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele.” A linguagem comunica uma multidão celestial impossível de contar. Os impérios terrenos orgulham-se de seus exércitos. Deus é apresentado cercado pelo exército celestial. João verá cena semelhante: “Ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono [...] e era o número deles milhões de milhões e milhares de milhares.” Apocalipse 5.11 O Senhor não é um rei solitário tentando proteger seu domínio. Ele é o soberano de incontáveis hostes celestiais.


“ASSENTOU-SE O JUÍZO, E ABRIRAM-SE OS LIVROS”

Daniel 7.10 apresenta a linguagem de um tribunal: “Assentou-se o juízo, e abriram-se os livros.” No aramaico, a ideia é de um tribunal que se assenta para deliberar e emitir sentença. Os livros representam o conhecimento perfeito e o registro divino das ações humanas. Eles reaparecem na visão final do Apocalipse: “E abriram-se os livros [...] e foram julgados os mortos pelas coisas que estavam escritas nos livros.” Apocalipse 20.12 Nada fica oculto diante de Deus. Hebreus declara: “Todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar.” Hebreus 4.13


O TRONO COMO CENTRO DA HISTÓRIA

Joyce G. Baldwin observa, em seu comentário sobre Daniel, que a visão desloca deliberadamente a atenção do profeta da violência dos reinos terrestres para a autoridade incontestável do tribunal celestial. Essa mudança possui enorme valor pastoral. O cristão pode observar um mundo aparentemente descontrolado e concluir precipitadamente que ninguém está no comando. Daniel vê exatamente o contrário: quando a terra parece mais caótica, o céu continua governado. Apocalipse reforça essa realidade: “E eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado.” Apocalipse 4.2 Observe que João não vê um trono vazio. Alguém está assentado nele.


O TRIBUNAL DE CRISTO

O tema do julgamento aparece também no Novo Testamento: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo...” 2 Coríntios 5.10 Paulo utiliza a palavra grega: βῆμα — bēma Ela designava uma plataforma judicial de onde autoridades pronunciavam decisões. No caso dos crentes, 2 Coríntios 5 enfatiza a avaliação das obras e a responsabilidade diante de Cristo. Isso produz uma espiritualidade equilibrada. O cristão possui esperança, mas também responsabilidade. Possui graça, mas também prestação de contas. Possui segurança em Cristo, mas não licença para viver negligentemente.

Aplicação pessoal A consciência do tribunal de Deus deve produzir:

  • reverência;
  • santidade;
  • responsabilidade;
  • arrependimento;
  • fidelidade.

A escatologia bíblica não foi revelada para satisfazer curiosidade. Foi revelada para transformar nossa maneira de viver.


2. O JUÍZO CONTRA A BESTA (Dn 7.11-12)

“Então, estive olhando, por causa da voz das insolentes palavras que o chifre proferia; estive olhando e vi que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito e entregue para ser queimado.” Daniel 7.11 Daniel volta sua atenção para o pequeno chifre. Ele ainda está falando. Ainda está se exaltando. Ainda está pronunciando palavras arrogantes. Mas enquanto a boca da besta fala na terra, o tribunal já está reunido no céu. Existe aqui uma forte ironia. O pequeno chifre imagina possuir autoridade suprema justamente quando sua sentença está prestes a ser executada.


A ARROGÂNCIA QUE PRECEDE O JUÍZO

O tema acompanha toda a Escritura. Faraó perguntou: “Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei?” Êxodo 5.2 Pouco depois, seu exército estava no fundo do mar. Nabucodonosor declarou: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?” Daniel 4.30 Enquanto ainda pronunciava essas palavras, veio do céu a sentença. Herodes recebeu louvores como se fosse deus: “Voz de deus, e não de homem!” Atos 12.22 Imediatamente foi ferido pelo anjo do Senhor. O princípio é claro: “Deus resiste aos soberbos.” Tiago 4.6


A BESTA É MORTA

Daniel não descreve uma longa batalha equilibrada entre Deus e a besta. O animal é simplesmente julgado e destruído. Isso revela uma verdade essencial da escatologia bíblica: Deus e o mal não são poderes equivalentes. O cristianismo não apresenta um dualismo no qual Deus e Satanás disputam eternamente em condições iguais. Satanás é criatura. O Anticristo é criatura. Os impérios são criaturas. Deus é o Criador. Por isso, quando o tribunal celestial pronuncia a sentença, o domínio da besta termina.


“ENTREGUE PARA SER QUEIMADO”

O fogo volta a aparecer. Primeiro, o tribunal é cercado de fogo. Depois, a besta é entregue ao fogo. O mesmo fogo que revela a santidade divina também executa julgamento contra o poder rebelde. A imagem encontra forte paralelo no Apocalipse: “E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta [...] Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.” Apocalipse 19.20 A correspondência entre Daniel e Apocalipse é evidente.


2 TESSALONICENSES 2 E O INÍQUO

Paulo descreve a destruição do futuro adversário de Cristo: “Então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda.” 2 Tessalonicenses 2.8 A palavra grega traduzida como “iníquo” é: ἄνομος — ánomos Formada por:

  • a- = negação;
  • nómos = lei.

Literalmente transmite a ideia daquele que é “sem lei”, rebelde contra a ordem estabelecida por Deus. Esse personagem corresponde tematicamente ao pequeno chifre de Daniel 7.25, que procurará alterar “tempos e lei”.


A VITÓRIA DO CORDEIRO

Apocalipse declara: “Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis.” Apocalipse 17.14 Observe o paradoxo: uma besta contra um Cordeiro. Aos olhos humanos, pareceria uma batalha desigual em favor da besta. Mas o Cordeiro é o Rei dos reis. Isso resume o Evangelho. Cristo venceu não adotando a bestialidade dos impérios, mas entregando-se como Cordeiro sacrificial. A cruz, aparentemente derrota, tornou-se o fundamento da vitória.


“TODO JOELHO SE DOBRARÁ”

A derrota do poder rebelde culminará no reconhecimento universal da autoridade de Cristo: “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho [...] e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor.” Filipenses 2.10-11 O verbo grego traduzido como “confessar” é: ἐξομολογέω — exomologéō Nesse contexto comunica reconhecimento público e aberto. Hoje muitos confessam Cristo voluntariamente para salvação. No final, entretanto, sua soberania será universalmente reconhecida.


O MAL TEM PRAZO DE VALIDADE

Iain M. Duguid destaca em sua exposição de Daniel que o aparente triunfo das bestas nunca significa que Deus tenha perdido o controle. O mal recebe espaço temporário, mas jamais soberania definitiva. Essa distinção é essencial: permissão não significa aprovação; atuação não significa soberania. O mal pode agir. Mas não pode ultrapassar o limite estabelecido por Deus.

Aplicação pessoal Há momentos em que a injustiça parece vencer. O ímpio prospera. A verdade é desprezada. A fé é ridicularizada. Mas Daniel nos ensina a não julgar toda a história pelo capítulo presente. Ainda haverá tribunal. E quando o Juiz eterno se manifestar, nenhuma injustiça permanecerá sem resposta.


3. A EXALTAÇÃO DO FILHO DO HOMEM (Dn 7.13-14)

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele.” Daniel 7.13 Daniel chega agora ao coração cristológico da visão. Depois dos animais aparece alguém totalmente diferente. Não é descrito como leão. Não é urso. Não é leopardo. Não é besta terrível. Ele é: “como o Filho do Homem.”


“FILHO DO HOMEM” — KEVAR ’ENASH

A expressão aramaica é: כְּבַר אֱנָשׁ — kevar ’enāsh - ke “como”. bar “filho”. ’enāsh “homem”, “ser humano”. A expressão possui o sentido básico: “como um filho de homem”, ou seja, alguém de aparência humana. Mas o contexto revela que essa figura é muito mais do que um simples homem. Ele aparece:

  • vindo com as nuvens;
  • entrando na presença do Ancião de Dias;
  • recebendo domínio universal;
  • sendo servido por todas as nações;
  • possuindo Reino eterno.

BESTAS VERSUS FILHO DO HOMEM

Existe uma impressionante teologia da humanidade em Daniel 7. Os governantes rebeldes aparecem como bestas. O governante escolhido por Deus aparece como homem. Em Gênesis 1, Deus criou o homem à sua imagem para exercer domínio sobre a criação. O pecado corrompe esse domínio. Daniel 7 mostra os impérios tornando-se bestiais. Cristo, porém, aparece como o homem perfeito que finalmente exercerá domínio em perfeita submissão ao Pai. Tremper Longman III chama atenção precisamente para esse contraste: os poderes humanos que se rebelam contra Deus tornam-se animalescos, enquanto o Reino de Deus é entregue à figura verdadeiramente humana.


“VINHA COM AS NUVENS DO CÉU”

Esse detalhe é crucial. No Antigo Testamento, andar ou vir sobre as nuvens é linguagem frequentemente aplicada ao próprio Deus. “Eis que o Senhor vem cavalgando numa nuvem ligeira.” Isaías 19.1 “Faz das nuvens o seu carro.” Salmo 104.3 “Eis que vinha com as nuvens do céu...” Daniel 7.13 A figura semelhante ao Filho do Homem possui, portanto, características que transcendem uma humanidade comum. É humano. Mas participa da majestade celestial. Essa tensão encontra sua plena explicação em Jesus Cristo: verdadeiramente homem e verdadeiramente divino.


JESUS IDENTIFICA-SE COM DANIEL 7

Durante seu julgamento, o sumo sacerdote perguntou: “És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?” Jesus respondeu: “Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu.” Marcos 14.62 Jesus une duas grandes passagens: Salmo 110.1 “Assenta-te à minha direita...” Daniel 7.13 “Vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem.” Jesus está afirmando que Ele é o personagem messiânico e celestial de Daniel 7. A reação do sumo sacerdote confirma a força da declaração: “O sumo sacerdote rasgou as suas vestes...” Marcos 14.63 Eles entenderam que Jesus estava reivindicando uma dignidade extraordinária.


A DIREÇÃO DO MOVIMENTO EM DANIEL 7

Um detalhe frequentemente esquecido merece atenção. Daniel não afirma inicialmente que o Filho do Homem vem da terra para julgar os homens. Ele declara: “Dirigiu-se ao Ancião de Dias.” Ou seja, a cena apresenta o Filho do Homem aproximando-se do trono celestial. Por isso muitos intérpretes relacionam Daniel 7.13-14 também à ascensão e exaltação de Cristo. Depois da ressurreição: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra.” Mateus 28.18 Pedro declara: Cristo “está à destra de Deus, tendo subido ao céu; havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências”. 1 Pedro 3.22 Paulo afirma que Deus: “O pôs à sua direita nos céus, acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio.” Efésios 1.20-21 Daniel 7 apresenta, portanto, a entronização do Rei messiânico, cujo domínio será plenamente manifestado em sua vinda gloriosa.


DOMÍNIO — ŠOLṬĀN

Daniel 7.14 declara: “Foi-lhe dado domínio...” A palavra aramaica é: שָׁלְטָן — šolṭān Significa:

  • domínio;
  • autoridade;
  • soberania;
  • poder governamental.

Essa palavra aparece repetidamente no capítulo e cria um contraste. As bestas possuem domínio temporário. O Filho do Homem recebe: “domínio eterno.” Os poderes humanos possuem autoridade derivada e passageira. A autoridade de Cristo jamais será transferida a outro império.


GLÓRIA — YEQĀR

A palavra aramaica traduzida como “glória” é: יְקָר — yeqār Pode indicar:

  • honra;
  • majestade;
  • dignidade;
  • preciosidade.

Cristo não recebe apenas autoridade administrativa. Ele recebe honra real universal. Isso encontra eco em Apocalipse: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória...” Apocalipse 5.12


REINO — MALKÛ

O termo aramaico: מַלְכוּ — malkû significa: reino, governo real, soberania. Daniel 7.14 afirma: “Foi-lhe dado [...] o reino.” A soberania não é tomada pelo Filho do Homem mediante golpe militar. Ela é dada pelo Ancião de Dias. Isso revela perfeita harmonia entre Pai e Filho no plano redentor.


TODOS OS POVOS, NAÇÕES E LÍNGUAS

Daniel declara: “Todos os povos, nações e línguas o servissem.” Seu Reino é universal. Nenhuma etnia possui exclusividade sobre o Reino messiânico. Isso antecipa a Grande Comissão: “Fazei discípulos de todas as nações.” Mateus 28.19 E culmina em Apocalipse: “Uma grande multidão [...] de todas as nações, tribos, povos e línguas.” Apocalipse 7.9 Missões, portanto, possuem uma dimensão escatológica. A Igreja anuncia hoje o Rei que um dia será reconhecido por todas as nações.


“O SERVIRÃO” — PELAḤ

Daniel 7.14 emprega um verbo aramaico especialmente significativo: פְּלַח — pelaḥ Ele significa servir, mas no livro de Daniel é frequentemente utilizado para serviço religioso, especialmente serviço prestado a uma divindade. Por exemplo: “Teu Deus, a quem tu continuamente serves...” Daniel 6.16 O fato de povos e nações “servirem” ao Filho do Homem reforça a extraordinária dignidade dessa figura. Ele não é apenas um soberano político. Recebe um serviço que, no contexto do livro, está intimamente ligado à devoção religiosa. Isso contribui fortemente para uma leitura cristológica elevada de Daniel 7.


UM REINO QUE NÃO PASSARÁ

“Seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.” Daniel 7.14 Aqui ocorre o contraste final com todos os animais. Babilônia passou. Medo-Pérsia passou. Grécia passou. Roma imperial passou. Outros governos surgiram e desapareceram. Mas acerca do Filho do Homem está escrito: “Seu domínio é eterno.” Gabriel anunciará a Maria: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo [...] e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.” Lucas 1.32-33 A promessa de Daniel converge diretamente para Cristo.


SALMO 110 E A EXALTAÇÃO DO MESSIAS

Daniel 7 deve ser lido ao lado de: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.” Salmo 110.1 O Novo Testamento aplica esse texto repetidamente a Jesus. Cristo é o Rei já entronizado, aguardando a completa sujeição de seus inimigos. Paulo declara: “Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.” 1 Coríntios 15.25


A ESPERANÇA COMO ÂNCORA

O crente vive entre duas realidades: Cristo já recebeu autoridade; o mundo ainda não reconheceu plenamente essa autoridade. Vivemos, portanto, aguardando a manifestação completa do Reino. Essa esperança não é especulação. Hebreus chama a esperança cristã de: “âncora da alma, segura e firme.” Hebreus 6.19 Uma âncora não elimina a tempestade. Ela impede que o barco seja levado por ela. A esperança no Reino não significa ausência de tribulação. Significa estabilidade dentro da tribulação.


TABELA EXPOSITIVA — DANIEL 7.9-14

Elemento

Termo/Imagem

Significado teológico

Referência paralela

Ancião de Dias

‘Attîq Yômîn

Eternidade e soberania de Deus

Sl 90.2

Vestes brancas

Pureza

Santidade absoluta

Is 6.3

Cabelos como lã

Antiguidade e sabedoria

Sabedoria eterna

Pv 16.31

Trono de fogo

Julgamento

Santidade judicial

Hb 12.29

Rio de fogo

Juízo procedente de Deus

Condenação do mal

Ap 20.11-15

Livros abertos

Registro judicial

Justiça perfeita

Ap 20.12

Besta destruída

Julgamento final

Fim do poder anticristão

2Ts 2.8

Filho do Homem

kevar ’enāsh

Messias celestial

Mc 14.62

Nuvens do céu

Manifestação divina

Majestade celestial

Is 19.1

Domínio

šolṭān

Autoridade universal

Mt 28.18

Glória

yeqār

Honra e majestade

Ap 5.12

Reino

malkû

Governo messiânico

Lc 1.33

Servir

pelaḥ

Serviço e submissão religiosa

Dn 6.16

Reino eterno

Domínio sem fim

Vitória definitiva de Cristo

Ap 11.15

APLICAÇÃO PESSOAL

A visão de Daniel 7.9-14 nos ensina a interpretar corretamente os acontecimentos da vida. Daniel viu primeiro as bestas. Depois viu o trono. Esse é frequentemente o nosso problema: paramos de olhar antes de chegar ao trono. Vemos:

  • crises;
  • perseguições;
  • injustiças;
  • governos;
  • guerras;
  • enfermidades;
  • perdas;
  • ameaças.

E pensamos que aquilo que vemos representa toda a realidade. Daniel nos ensina a olhar novamente. Acima das bestas existe um trono. Acima dos governantes existe um Juiz. Acima dos impérios existe o Ancião de Dias. E diante do Ancião de Dias encontra-se o Filho do Homem que recebeu domínio eterno. Portanto, o cristão pode olhar para o futuro sem ingenuidade e sem desespero. Sem ingenuidade, porque Daniel revela que haverá oposição real. Sem desespero, porque a oposição não terá a última palavra. O pequeno chifre fala. Deus julga. A besta se levanta. Deus a derruba. Os impérios surgem. Cristo recebe o Reino. E esse Reino jamais passará. A questão decisiva, portanto, não é simplesmente: “O que acontecerá com o mundo?” Mas: “A quem pertence minha vida enquanto espero o Reino?” Quem reconhece hoje Jesus como Rei pode enfrentar o amanhã com esperança. Porque nossa segurança não depende da estabilidade dos reinos terrenos, mas da permanência daquele cujo domínio é eterno. O mar pode continuar agitado; o trono continua ocupado. E o Rei que recebeu o Reino um dia será visto por toda a criação como aquilo que sempre foi: Senhor dos senhores e Rei dos reis.


III. A INTERPRETAÇÃO DA VISÃO (7.15-28)

Daniel busca entender a visão, e um ser celestial revela que os reinos terrenos são passageiros, mas os santos herdarão o Reino eterno. A mensagem encoraja a fidelidade, pois o Reino de Deus triunfará.


1. Os reinos e sua oposição a Deus (7.17)

Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra.

A interpretação inicial é direta: os quatro animais representam quatro reis ou reinos sucessivos que surgiriam no cenário mundial. Esses impérios, simbolizados por feras violentas, demonstram a natureza rebelde dos governos humanos sem Deus. "Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão," (Is 10.1). Cada reino sucessor manteria a tendência de opressão, orgulho e rebelião contra o Senhor.

No entanto, apesar da aparência invencível desses poderes, eles são limitados e temporários, subordinados ao plano soberano de Deus. A história humana, por mais caótica, caminha inevitavelmente para o cumprimento dos propósitos divinos.


2. Os santos serão perseguidos (7.25-26)

Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo... Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio...

O pequeno chifre, surgido do quarto animal, representa um governante futuro que falará contra Deus e perseguirá os santos. Este período de grande tribulação será marcado por perseguições intensas contra os fiéis. No entanto, o texto assegura que o domínio do opressor será retirado pelo julgamento divino. A vitória final pertence aos santos, não porque são poderosos em si mesmos, mas porque estão do lado do Deus soberano.

Essa promessa é fonte de encorajamento para todos os crentes: por mais difícil que seja a caminhada, o triunfo é certo. Mas a Escritura garante: "Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8.31). A vitória é dos santos, porque pertencem ao Reino que jamais será abalado. "E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco." (Rm 16.20).


3. Os santos receberão o reino (7.27)

O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.

Ao final, Daniel é informado que os santos do Altíssimo receberão o Reino eterno. Essa declaração final é grandiosa: os crentes, perseguidos e marginalizados no presente, herdarão com Cristo um Reino imutável. A recompensa da fidelidade é a participação no governo eterno do Messias.

Essa promessa finaliza a visão com esperança. "Bem-aventurados os humildes, porque herdarão a terra" (Mt 5.5). O Reino será dado aos santos, e eles reinarão com Cristo. "Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá." (Sl 1.6). Essa é a herança dos que perseveram até o fim. "Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações," (Ap 2.26). "... serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos" (Ap 20.6).


APLICAÇÃO PESSOAL

Não coloque sua esperança em sistemas humanos. Eles são passageiros. Volte seus olhos e deposite sua esperança no reino que é eterno, confiando que a vitória final pertence a Cristo e ao Seu povo.

COMENTÁRIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

III. A INTERPRETAÇÃO DA VISÃO (Dn 7.15-28)

Depois de contemplar os quatro animais, o tribunal celestial e a chegada do Filho do Homem, Daniel não permanece indiferente. A revelação produz nele profunda perturbação: “o meu espírito foi abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me perturbaram” (Dn 7.15). Esse detalhe demonstra que a profecia bíblica não foi entregue para alimentar especulações sensacionalistas, mas para despertar temor, perseverança e esperança. Daniel aproxima-se de um dos seres celestiais e pede a interpretação da visão (Dn 7.16). A explicação começa resumidamente: os quatro grandes animais representam quatro poderes que se levantariam na história, mas seu domínio seria temporário. Em contraste, os “santos do Altíssimo” receberiam o Reino e o possuiriam eternamente (Dn 7.18).

Essa estrutura é fundamental. O anjo praticamente revela o final antes de detalhar o conflito: reinos surgem → santos são perseguidos → Deus julga → os santos recebem o Reino. Assim, Daniel 7.15-28 não apresenta simplesmente uma cronologia política. Ele oferece uma teologia da história: os poderes humanos podem dominar temporariamente, mas jamais determinarão o destino final do povo de Deus. A vitória do Filho do Homem significa também a vindicação daqueles que pertencem a Ele.


1. OS REINOS E SUA OPOSIÇÃO A DEUS (Dn 7.17-18)

“Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra. Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e possuirão o reino para todo o sempre, de eternidade em eternidade.” A primeira explicação do anjo é objetiva: os animais representam quatro reis. Contudo, Daniel 7.23 esclarecerá que o quarto animal representa também um “quarto reino”. Isso demonstra que, na profecia, “rei” e “reino” podem aparecer de maneira corporativa: o governante representa o poder político que personifica. Essa concepção era comum no mundo antigo. Um rei não era visto apenas como indivíduo privado; ele representava seu reino. Portanto: o rei personifica o reino, e o reino manifesta o caráter de seu governante.


“REIS” — MALKÎN

O aramaico de Daniel 7.17 utiliza: מַלְכִין — malkîn Plural de מֶלֶךְ — melek, “rei”. Da mesma raiz procede a palavra: מַלְכוּ — malkû, “reino” ou “soberania”. Essa relação linguística ajuda a perceber o contraste do capítulo. Há muitos malkîn — reis. Mas somente um malkû eterno — Reino que jamais será destruído. Os reis aparecem e desaparecem. O Reino do Altíssimo permanece.


“SE LEVANTARÃO DA TERRA”

Os animais haviam surgido do mar em Daniel 7.3. Agora o anjo declara que os reis: “se levantarão da terra.” Essas duas imagens se complementam. O mar representa o ambiente turbulento das nações; a terra evidencia a natureza terrena e transitória de seus poderes. O contraste com Daniel 7.13 torna-se novamente evidente: Os reis: levantam-se da terra. O Filho do Homem: vem com as nuvens do céu. A origem simbólica revela a diferença de natureza entre os dois tipos de domínio. Os impérios são terrenos. O Reino messiânico tem origem celestial. 


A BESTIALIDADE DOS REINOS SEM DEUS

Daniel não está ensinando que todo governo civil seja necessariamente maligno. Paulo afirma que a autoridade civil possui função estabelecida por Deus para preservação da ordem e punição do mal (Rm 13.1-7). O problema ocorre quando o poder humano se absolutiza. Quando um governo deixa de reconhecer que sua autoridade é derivada e passa a reivindicar para si aquilo que pertence exclusivamente a Deus, torna-se bestial. Isaías denuncia esse tipo de corrupção: “Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão.” Isaías 10.1 Daniel 7 apresenta, portanto, uma advertência permanente: poder sem submissão a Deus tende à opressão. A besta não aparece somente quando existe autoridade. Ela aparece quando a autoridade deseja tornar-se absoluta.


A GRANDE SURPRESA DE DANIEL 7.18

Depois de dizer que quatro reis surgirão, o anjo poderia descrever imediatamente o quinto reino. Mas ele declara: “Mas os santos do Altíssimo receberão o reino.” Essa mudança é surpreendente. Depois dos quatro animais não aparece simplesmente um quinto animal. A sequência das bestas é interrompida. O Reino seguinte pertence aos santos. Há uma mudança de categoria. Não temos: besta → besta → besta → besta → besta melhor. Temos: bestas → Filho do Homem → santos → Reino eterno. Deus não aperfeiçoará indefinidamente o sistema bestial. Ele estabelecerá um Reino de natureza diferente.


“OS SANTOS DO ALTÍSSIMO”

O aramaico apresenta a expressão: קַדִּישֵׁי עֶלְיוֹנִין — qaddîšê ‘elyônîn - qaddîš “Santo”, “separado”, “consagrado”. ‘elyôn “Altíssimo”. Os santos são aqueles que pertencem ao Altíssimo. A palavra possui importância particular porque o pequeno chifre tentará colocar-se acima de todos, mas jamais se tornará o Altíssimo. Pode possuir autoridade. Pode conquistar territórios. Pode perseguir os santos. Pode falar arrogantemente. Mas somente Deus continua sendo ‘Elyôn — o Altíssimo.


“RECEBERÃO O REINO”

Aqui está uma das palavras teologicamente mais importantes do capítulo. Os santos não produzem o Reino. Eles não conquistam o Reino. Eles o: “receberão”. O Reino é uma herança concedida pela graça de Deus. Jesus utiliza linguagem semelhante: “Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.” Lucas 12.32 Isso impede que a Igreja confunda Reino de Deus com conquista política humana. O Reino pertence primeiramente ao Filho do Homem (Dn 7.14), mas é compartilhado com seu povo (Dn 7.18,22,27). A vitória de Cristo torna-se a vitória dos santos. Essa ligação entre o Filho do Homem e seu povo é também destacada por intérpretes contemporâneos de Daniel: o triunfo do Filho do Homem garante a vindicação e o reinado daqueles que pertencem a Ele.


A HISTÓRIA POSSUI UMA DIREÇÃO

A sucessão dos animais revela que nenhum império é permanente. Isso é uma advertência contra a idolatria política. Cada geração possui a tentação de imaginar que determinado sistema, governante ou potência definirá para sempre o futuro do mundo. Daniel responde: não definirá. Babilônia teve seu tempo. Medo-Pérsia teve seu tempo. Grécia teve seu tempo. Roma teve seu tempo. Os futuros poderes também terão seu tempo. Mas somente acerca do Reino de Deus está escrito: “para todo o sempre, de eternidade em eternidade.”


E. J. Young e a soberania da história

Em The Prophecy of Daniel, E. J. Young interpreta os quatro reinos dentro da sequência profética que culmina não em mais um simples império humano, mas no estabelecimento do Reino de Deus. Para Young, o objetivo teológico de Daniel ultrapassa a identificação de reis: a profecia demonstra que o Altíssimo dirige o curso da história e finalmente substitui o domínio rebelde pelo domínio messiânico. Isso significa que a história bíblica não é cíclica. Ela possui destino. E esse destino está relacionado ao Reino de Cristo.


Aplicação pessoal Não devemos medir a fidelidade de Deus pela estabilidade das instituições humanas. Tudo ao nosso redor pode mudar. O Reino não muda. Governos podem ser substituídos. Cristo continua Rei. Por isso: “Ai dos que decretam leis injustas...” Isaías 10.1 não é simplesmente uma condenação histórica. É também uma advertência permanente de que todo poder humano será responsabilizado perante uma autoridade superior. Nenhum governo constitui o tribunal final da história. Deus constitui.


2. OS SANTOS SERÃO PERSEGUIDOS (Dn 7.19-26)

Daniel demonstra especial interesse pelo quarto animal. “Então, tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal...” Daniel 7.19 Ele percebe que esse poder possui características distintas:

  • dentes de ferro;
  • unhas de bronze;
  • dez chifres;
  • um pequeno chifre;
  • olhos humanos;
  • boca arrogante;
  • guerra contra os santos.

O anjo explica: “O quarto animal será o quarto reino na terra [...] e os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino.” Daniel 7.23-24 Então surge outro governante. Ele possui três grandes marcas: blasfêmia contra Deus, perseguição dos santos e tentativa de alterar a ordem estabelecida.


“PROFERIRÁ PALAVRAS CONTRA O ALTÍSSIMO”

Daniel 7.25 afirma: “Proferirá palavras contra o Altíssimo...” A oposição chega ao nível máximo. O pequeno chifre não deseja somente governar homens. Ele desafia Deus. Paulo utilizará linguagem semelhante acerca do homem da iniquidade: “O qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora...” 2 Tessalonicenses 2.4 No grego paulino aparece: ὁ ἄνθρωπος τῆς ἀνομίας — ho ánthrōpos tēs anomías “o homem da iniquidade”. A palavra: ἀνομία — anomía é composta a partir de nómos, “lei”, com sentido de transgressão, ausência de conformidade ou rebelião contra a ordem divina. Daniel e Paulo convergem em uma mesma característica: a manifestação final do poder anticristão é essencialmente uma rebelião contra a soberania de Deus.


“MAGOARÁ OS SANTOS DO ALTÍSSIMO”

Daniel 7.25 contém uma palavra aramaica extremamente expressiva. O verbo empregado possui a ideia de: desgastar, consumir, afligir continuamente. Algumas traduções trazem “magoará”; outras procuram comunicar “oprimirá” ou “desgastará”. A imagem não aponta necessariamente apenas para execução física. Há um processo de erosão da resistência dos santos. Isso apresenta uma estratégia espiritual importante. Nem toda perseguição pretende destruir o crente imediatamente. Algumas querem simplesmente cansá-lo. Cansá-lo de orar. Cansá-lo de resistir. Cansá-lo de permanecer santo. Cansá-lo de esperar. Cansá-lo até que abandone aquilo que não abandonaria sob uma ameaça direta.


A GUERRA CONTRA OS SANTOS

Daniel já havia observado: “Este chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles.” Daniel 7.21 Apocalipse retomará praticamente a mesma linguagem: “Foi-lhe permitido fazer guerra aos santos e vencê-los.” Apocalipse 13.7 Esse paralelo é uma das razões pelas quais a interpretação futurista identifica forte conexão entre o pequeno chifre de Daniel 7 e a besta de Apocalipse 13. Na perspectiva premilenista, essa oposição alcançará uma expressão particularmente intensa na grande tribulação. Contudo, há um princípio que alcança todas as gerações da Igreja: “Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.” 2 Timóteo 3.12 A intensidade pode variar. O princípio permanece.


A PARADOXAL “VITÓRIA” DO INIMIGO

Daniel diz que o pequeno chifre: “prevaleceu contra eles.” Daniel 7.21 Isso parece contradizer a vitória dos santos. Mas não contradiz. Revela duas perspectivas diferentes. Perspectiva terrena Os santos podem ser presos, perseguidos e mortos. Perspectiva celestial Eles continuam pertencendo ao Reino eterno. O mundo pode tirar a vida do mártir. Não pode tirar sua herança. Jesus declarou: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma.” Mateus 10.28 Apocalipse apresenta santos que vencem justamente por permanecerem fiéis mesmo diante da morte: “Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro [...] e não amaram a sua vida até à morte.” Apocalipse 12.11 No Reino de Deus, morrer fielmente não é derrota. Abandonar Cristo seria derrota.


A PALAVRA MAIS IMPORTANTE PODE SER “ATÉ”

Daniel 7.21-22 declara: “O chifre fazia guerra contra os santos e prevaleceu contra eles, até que veio o Ancião de Dias...” Até. A perseguição possui um ponto final. O sofrimento possui limite. O poder da besta possui prazo. O pequeno chifre possui um até.  Deus não. Mitchell Chase resume essa dinâmica observando que a hostilidade do pequeno chifre parece prevalecer temporariamente, mas o julgamento divino reverte a situação e conduz à vindicação e ao reinado do povo de Deus.


“CUIDARÁ EM MUDAR OS TEMPOS E A LEI”

Daniel 7.25 acrescenta: “Cuidará em mudar os tempos e a lei.” A expressão provavelmente envolve mais do que uma simples alteração de calendário. “Tempos” pode envolver períodos religiosos estabelecidos, enquanto “lei” aponta para normas ou ordenanças.  Em seu sentido teológico mais amplo, a figura expressa a pretensão de redefinir aquilo que Deus estabeleceu. É o espírito de Gênesis 3:  “É assim que Deus disse?”  É o espírito de Babel: “Façamo-nos um nome.” E culmina no homem da iniquidade, que deseja ocupar uma posição que pertence a Deus. Toda cultura precisa ser avaliada justamente nesse ponto: o homem reconhece uma verdade superior a si mesmo ou pretende fabricar sua própria verdade?


“UM TEMPO, TEMPOS E METADE DE UM TEMPO”

Daniel continua: “E eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, tempos e metade de um tempo.”  Daniel 7.25. O termo aramaico para “tempo” é: עִדָּן — ‘iddān. A construção transmite: um tempo + tempos + metade de um tempo. Tradicionalmente: 1 + 2 + ½ = 3½ tempos.  Essa expressão aparece novamente em: “um tempo, tempos e metade de um tempo.”  Daniel 12.7 E encontra paralelos impressionantes em Apocalipse:

Expressão

Referência

42 meses

Ap 11.2

1.260 dias

Ap 11.3

Tempo, tempos e metade de um tempo

Ap 12.14

42 meses

Ap 13.5

Na leitura futurista, essas expressões são relacionadas ao período final de intensa tribulação e domínio do poder anticristão.  Mas há ainda uma mensagem teológica evidente:  Deus estabelece a duração da atuação do opressor. A besta não determina quanto tempo governará. O Altíssimo determina.


STEPHEN R. MILLER E O PEQUENO CHIFRE Stephen R. Miller, em seu comentário Daniel, da série New American Commentary, representa uma leitura evangélica premilenista na qual o pequeno chifre aponta para uma manifestação escatológica do Anticristo. A conexão é reforçada pelos paralelos entre:

  • Daniel 7;
  • 2 Tessalonicenses 2;
  • Apocalipse 13.

Nesses textos encontramos um governante caracterizado por:

  • arrogância;
  • blasfêmia;
  • oposição ao povo de Deus;
  • autoridade temporariamente permitida;
  • destruição pelo julgamento divino.

“MAS DEPOIS SE ASSENTARÁ O TRIBUNAL”

Daniel 7.26 traz a virada definitiva: “Mas depois se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim.” O texto não diz: “Mas os santos organizarão um exército maior.” Nem: “Outro império mais forte o derrotará.” Diz: “o tribunal se assentará.”  A vitória final é consequência do juízo de Deus. Isso corresponde diretamente a 2 Tessalonicenses: “O Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda.” 2 Tessalonicenses 2.8 A igreja de Tessalônica enfrentava perseguição e foi chamada a perseverar, sustentada pela expectativa da justiça e da manifestação futura de Cristo.


O SOPRO DA BOCA DE CRISTO

Paulo emprega a expressão grega:τῷ πνεύματι τοῦ στόματος αὐτοῦ — tō pneumati tou stomatos autou “pelo sopro da sua boca”. A imagem demonstra a absoluta superioridade de Cristo. A besta parece aterrorizante. O Anticristo parece invencível. Mas Cristo não necessita de uma luta equilibrada contra ele. Um sopro basta. Isso reforça algo fundamental:  Satanás não é o oposto equivalente de Deus. O Anticristo não é um rival em igualdade com Cristo. São criaturas sob julgamento.


ROMANOS E A VITÓRIA DOS SANTOS

Paulo pergunta: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Romanos 8.31Isso não significa: “ninguém será contra nós.” Romanos 8 acabou de mencionar:

  • tribulação;
  • angústia;
  • perseguição;
  • fome;
  • nudez;
  • perigo;
  • espada.

A pergunta significa: Quem poderá ser contra nós e finalmente vencer o propósito salvador de Deus? A resposta é: ninguém.  Por isso Paulo também escreve:“E o Deus da paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés.”Romanos 16.2. A linguagem relembra Gênesis 3.15. O Deus da paz é também o Deus que derrota definitivamente o mal.


3. OS SANTOS RECEBERÃO O REINO (Dn 7.27)

“O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.”  Daniel 7.27 constitui o clímax interpretativo da visão.A história começou com bestas emergindo do mar. Termina com os santos recebendo o Reino. Observe a progressão:

Daniel 7.14 O Reino é dado ao Filho do Homem.

Daniel 7.18 O Reino é recebido pelos santos.

Daniel 7.22 Chega o tempo em que os santos possuem o Reino.

Daniel 7.27 O Reino é dado ao povo dos santos do Altíssimo.

Isso revela uma profunda verdade da união entre Cristo e seu povo.


O REINO PERTENCE AO FILHO, MAS É COMPARTILHADO COM OS SANTOS

Cristo não entrega sua soberania aos santos e deixa de ser Rei. Os santos participam de sua realeza debaixo de sua autoridade. Paulo explica: “Se sofrermos, também com ele reinaremos.” 2 Timóteo 2.12 Romanos acrescenta: “Se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo.” Romanos 8.17 A expressão grega utilizada é:  συγκληρονόμοι Χριστοῦ — synklēronómoi Christou syn “com”. klēronómos. “herdeiro”.  Literalmente:  “coerdeiros com Cristo”.  Aquilo que Daniel apresenta profeticamente, Paulo desenvolve soteriologicamente. Os que estão unidos ao Rei participarão de sua herança.


“SERÃO DADOS” — O REINO COMO DÁDIVA

Daniel novamente enfatiza:  “serão dados ao povo dos santos.” A voz passiva implica claramente a ação de Deus. O Reino não é salário conquistado pela força humana. É herança concedida pelo Rei. Jesus afirmou: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.”Mateus 5.5 A palavra grega para “herdarão” é:  κληρονομήσουσιν — klēronomēsousin de klēronoméō, “receber uma herança”.  Os mansos não tomam a terra pela violência.  Eles a herdam de Deus.Há uma bela correspondência com Daniel 7. As bestas tomam.Os santos recebem.


OS HUMILDES HERDAM AQUILO QUE AS BESTAS TENTARAM CONQUISTAR

Esse contraste merece atenção.  Os animais:

  • devoram;
  • pisam;
  • conquistam;
  • destroem.

Jesus declara: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” O Reino de Deus inverte os critérios do mundo. Os violentos podem conquistar temporariamente. Os mansos herdarão eternamente.


“A MAJESTADE DOS REINOS”

O texto não diz apenas que os santos recebem o Reino. Eles recebem: “o reino, o domínio e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu.”O governo do Messias será manifesto sobre a criação. Na leitura premilenista, essa declaração possui forte relação com o futuro reinado de Cristo e de seus santos: “Serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos.”  Apocalipse 20.6 João também registra a promessa de Cristo:  “Ao que vencer e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações.” Apocalipse 2.26. A perseverança presente está diretamente relacionada à esperança futura.


“AO VENCEDOR” — NIKÁŌ

Apocalipse utiliza repetidamente o verbo grego:  νικάω — nikáō. Significa:

  • vencer;
  • triunfar;
  • conquistar.

Mas a forma de vencer do cristão é peculiar.  Não vencemos imitando a besta. Vencemos permanecendo fiéis ao Cordeiro.  Apocalipse 12.11 explica:  “Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho.” A vitória cristã é primeiramente uma vitória de fidelidade.


IAIN DUGUID: OS SANTOS NÃO PRECISAM SE TORNAR BESTAS

Em sua exposição pastoral de Daniel, Iain M. Duguid enfatiza uma implicação particularmente importante do contraste entre as bestas e o Reino de Deus: o povo de Deus não precisa adotar os métodos bestiais do mundo para assegurar seu futuro. Seu destino depende da intervenção e da fidelidade do próprio Deus. Essa percepção é decisiva para a Igreja.  Se nossa vitória dependesse exclusivamente de força humana, precisaríamos nos tornar uma besta maior para derrotar as outras bestas. Daniel apresenta outro caminho: perseverar até que o Juiz se assente e o Reino seja dado.


TREM­PER LONGMAN III: A VERDADEIRA HUMANIDADE É RESTAURADA

Tremper Longman III destaca em sua leitura de Daniel o contraste existente entre os governos representados por animais e a figura semelhante a um ser humano que recebe o Reino. Os impérios se tornam bestiais quando abandonam a submissão ao Criador.O Filho do Homem manifesta aquilo que o governo humano deveria ter sido desde Gênesis: domínio exercido debaixo da autoridade de Deus.Em Cristo, portanto, não encontramos apenas o Rei perfeito. Encontramos também o Homem perfeito.


A VITÓRIA DO FILHO É A VITÓRIA DO POVO

Uma boa síntese de Daniel 7.15-28 é esta: Aquilo que acontece ao Rei determina aquilo que acontece ao seu povo. O Filho do Homem recebe o Reino.  Os santos recebem o Reino. O Filho do Homem é vindicado. Os santos são vindicados. O inimigo se levanta contra os santos. Deus julga o inimigo.  O Reino do Filho nunca termina. Os santos permanecem com Ele.  Esse vínculo entre a vitória do Filho do Homem e a herança dos santos é central para a interpretação cristã de Daniel 7.


DANIEL TERMINA PERTURBADO — Dn 7.28

Depois de receber toda essa extraordinária revelação, Daniel declara:“Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram, e mudou-se em mim o meu semblante; mas guardei estas coisas no coração.” isso merece atenção. Daniel acabou de ouvir que os santos venceriam. Mesmo assim, ficou perturbado. Por quê? Porque o caminho até a vitória incluiria sofrimento. A verdadeira escatologia não transforma perseguição em entretenimento. Ela reconhece o peso daquilo que acontecerá. Por isso Daniel: “guardou estas coisas no coração.” Há reverência. Humildade. Temor. A profecia produziu nele mais profundidade espiritual, não arrogância intelectual.


TABELA EXPOSITIVA — DANIEL 7.15-28

Texto

Palavra/Imagem

Termo

Significado teológico

Aplicação

Dn 7.15

Daniel perturbado

A revelação possui peso espiritual

Profecia deve produzir reverência

Dn 7.17

Quatro reis

malkîn

Poderes políticos sucessivos

Nenhum governo humano é eterno

Dn 7.18

Santos

qaddîšîn

Povo consagrado ao Altíssimo

Nossa identidade está em Deus

Dn 7.18

Reino

malkû

Governo e soberania

O Reino é recebido, não conquistado

Dn 7.19

Quarta besta

Poder bestial

Intensificação da rebelião humana

Poder sem Deus desumaniza

Dn 7.21

Guerra aos santos

Perseguição

Conflito contra o povo de Deus

Fidelidade mesmo sob oposição

Dn 7.22

“Até que”

Limitação

Deus determina o fim da perseguição

O sofrimento não será eterno

Dn 7.24

Dez chifres

Reis/poderes

Configuração política do quarto reino

Autoridade humana permanece limitada

Dn 7.25

Altíssimo

‘Elyôn

Deus absolutamente soberano

Nenhum governante é supremo

Dn 7.25

Desgastar

Opressão contínua

Perseguição visando esgotar os santos

Perseverança espiritual

Dn 7.25

Tempos e lei

Ordem estabelecida

Rebelião contra autoridade divina

Permanecer fiel à Palavra

Dn 7.25

Tempo, tempos e metade

‘iddān

Período limitado pelo Senhor

O mal possui prazo

Dn 7.26

Tribunal

Juízo celestial

Deus remove o domínio da besta

A justiça final pertence ao Senhor

Dn 7.27

Reino dado

Dádiva divina

Herança dos santos

Não precisamos conquistar aquilo que Deus prometeu

Mt 5.5

Herdar

klēronoméō

Receber por herança

Os mansos recebem de Deus

Rm 8.17

Coerdeiros

synklēronómoi

União dos santos com Cristo

Participaremos da herança do Rei

Ap 2.26

Vencer

nikáō

Perseverança fiel

O vencedor permanece fiel até o fim

Dn 7.28

Guardar no coração

Meditação

Profecia provoca reverência

Estudar para viver, não apenas saber

QUATRO GRANDES VERDADES TEOLÓGICAS DE DANIEL 7.15-28

1. O mal pode vencer batalhas, mas jamais vencerá a guerra

Daniel diz que o pequeno chifre “prevaleceu” contra os santos.  Mas logo acrescenta: “até que veio o Ancião de Dias.” A vitória temporária do mal nunca deve ser confundida com vitória final.


2. Deus determina o limite da perseguição

O período é explicitamente delimitado. Isso significa que até mesmo a fase mais intensa da oposição anticristã continua sob a soberania de Deus. O inimigo não recebe um segundo além daquele que Deus permite.


3. O Reino é herança, não conquista humana

Daniel repete: “receberão o Reino.” “será dado aos santos.”Essa linguagem protege a Igreja contra a tentação de imaginar que pode estabelecer o Reino eterno simplesmente por poder político, econômico ou militar. O Reino vem de Deus.


4. Cristo compartilha sua vitória com seu povo

Esta talvez seja a mais extraordinária verdade do capítulo. Daniel 7.14: Cristo recebe o Reino. Daniel 7.27: os santos recebem o Reino. Por quê? Porque os santos estão unidos ao Rei. “Se perseverarmos, também com ele reinaremos.” 2 Timóteo 2.12


APLICAÇÃO PESSOAL

Daniel 7 corrige uma das maiores tentações do coração humano: depositar esperança absoluta naquilo que é temporário. Governos passam. Partidos passam. Ideologias passam. Potências econômicas passam. Líderes passam. Culturas mudam. Impérios que pareciam eternos tornam-se capítulos em livros de história. Por isso, não entregue a uma estrutura humana aquilo que pertence somente a Deus: sua esperança definitiva. O cristão pode participar responsavelmente da sociedade, desejar justiça e orar pelas autoridades, mas jamais transformar qualquer poder terreno em seu salvador. Nosso Salvador já possui nome. Jesus Cristo. Daniel também nos prepara para uma realidade que não devemos ignorar: fidelidade pode custar caro. O pequeno chifre procura “desgastar” os santos. Talvez essa seja uma das imagens mais atuais do texto. Nem sempre o inimigo tenta fazer o crente abandonar a fé de uma vez. Frequentemente tenta desgastá-lo lentamente. Uma oração abandonada hoje. Uma concessão moral amanhã. Uma doutrina relativizada depois. Uma pequena acomodação. Outra concessão. Até que aquilo que jamais seria entregue de uma vez seja perdido aos poucos. Por isso Jesus disse: “Aquele que perseverar até ao fim será salvo.” Mateus 24.13 Perseverar significa continuar pertencendo ao Rei quando as circunstâncias pressionam você a desistir. Daniel nos dá uma razão poderosa para perseverarmos: já sabemos como a história termina. O pequeno chifre falará. Mas o tribunal se assentará. Os santos sofrerão. Mas serão vindicados. Os reinos serão abalados. Mas receberemos um Reino que não pode ser abalado. “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade.” Hebreus 12.28 Portanto: não coloque sua esperança final nos reinos que surgem da terra. Coloque-a naquele que veio com as nuvens do céu. Não tenha inveja do poder temporário das bestas. Você pertence ao Reino eterno. Não interprete a perseguição como abandono de Deus. Existe um “até que” determinado pelo céu. Não se torne uma besta para vencer as bestas. Permaneça santo. Permaneça fiel. Permaneça olhando para Cristo. Porque a promessa não diz que os santos talvez recebam o Reino. Ela declara: “Os santos do Altíssimo receberão o reino e possuirão o reino para todo o sempre.” A aflição tem limite. O Reino não. A besta tem seu tempo. Cristo possui a eternidade. E aqueles que permanecerem fiéis ao Rei reinarão com Ele.

RESPONDA

1) O que representavam os quatro animais vistos por Daniel?

2) Quem é o pequeno chifre e o que ele faria?

3) Quem receberá o Reino eterno ao final da visão?


RESPOSTAS DAS ATIVIDADES DA LIÇÃO

1) Os quatro maiores impérios da história.

2) Um líder político que perseguiria os santos.

3) Ao Filho do Homem e aos seus santos.




Os gráficos ACIMA mostram a cronologia dos impérios na história: 
Daniel 7 – visualiza os impérios na história desde a Babilônia até o último sem distinção um após outro.
Daniel 8 – mostra unicamente os impérios a partir da ordem de restaurar Jerusalématé o Messias (potências durante as 7 semanas + 62 semanas); e, do império Grego salta a um poder que se levanta na 70ª semana: a ponta mui pequena: o anticristo
Daniel 9 – visão cobrindo os acontecimentos em Jerusalém durante as 70 semanas determinadas sobre Jerusalém e os judeus.

Comparativo das visões de Daniel 7, Daniel 8 e Daniel 9 em paralelo.


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Ev. Hubner BrazÉ escritor, professor, blogueiro, baxteriano. Vivendo para o Reino de Deus. Trabalhando incansavelmente para deixar o blog sempre atualizado abençoando e evangelizando as vidas que acessam este espaço de aprendizado cristão. Criador do projeto Pecador Confesso e tem se destacado em palestras e cursos para jovens, casais, obreiros e missões urbanas | (Tecnologia WordPress).

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A. 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Assista ao vídeo,1,Levítico,1,Liberdade,16,Libertação,1,Libertador,5,Libertinagem,1,Libertos,2,Lição,25,Lição 5,1,Lições,1,Lições Bíblicas,74,Lições Bíblicas da BETEL,541,Lições Bíblicas da CPAD,709,Lições de Vida,28,Líder,8,Líder Adolescente,29,Líder Jovem,33,Liderança,16,Líderes,3,Lídia,1,LinkedIn,1,Lino,1,Lista,2,Litoral,1,Liverpool,1,livre,5,Livre Arbítrio,7,Livres,2,Livro,119,Livro do Trono,5,Livro em Audio,7,Livro Selado,2,Livros - Comentarios,100,Livros Evangelicos,50,livros poéticos,22,Localização,1,Logos,1,Loide,3,Loira,1,Longanimidade,1,Lopes,1,Louco,1,Louvor,10,LSD,1,Lua Nova,1,Lucas,16,Lucifer,1,Lutando,1,Lutas Marciais Mistas,1,Luto,7,Luz,1,Luz do mundo,2,Lya Luft,1,MacBook Air,1,machine learning,1,Maçonaria,1,Maconha,1,Madame de Stael,1,Mãe de Moises,9,‪Magia,1,Magogue,2,Maias,1,Mal,4,Malala,1,Malaquias,4,Manancial,1,Mandamento,8,Manifestação,4,Manifestação em Cristo,2,Manual de missões,23,Mãos,2,Maquiagem,2,Marcador de Páginas,1,Marcas,3,Marcha Para Jesus,2,Marco Pereira,1,Marcos Pereira,2,Mardoqueu,7,Maria Madalena,2,Mário Quintana,2,Martinho Lutero,14,Mártir,2,Mártires Cristãos,4,Massacre,1,Masturbação,7,Materialismo,1,maternal,26,Mateus,2,Matityáhu,1,Matrimonio,7,maturidade cristã,8,Max Lucado,2,Meditação,1,Mega Sena da Virada com Fé,1,Melhor Bíblia de Estudo,11,Melhores Blogs,3,Melhores Sites,4,Meninos de Rua,1,Menor,1,Mensagem,8,MENSAGENS,2,Mensagens para SMS,12,Mensagens SMS,2,Mensal,2,Messias,3,Mestre,4,Mesulão,1,metaverso,1,Meteoro,1,Metusalém,1,Michelle Bolsonaro,1,Mídias Sociais,2,Milagres,17,Milênio,3,Milionário,1,Millôr Fernandes,1,Milton,1,Minas,1,Ministério,27,Ministério Público Federal,2,Miqueias,3,Miriã,2,Misericórdia,6,Missão,45,Missiologia,31,Missionário,29,Missões,25,Mistério,1,Mitologia,1,Mitos,1,MMA,1,Mobilização,2,Moda Bíblica,2,Moda Cristã,2,Moda Evangélica,2,Modelo,3,Modelos,1,Moisés,35,Monarquia,3,Monte,4,Monte Tabor,1,Moralismo,1,Mordomia,22,Mordomo,14,Morrer,2,morte,14,Mortos,3,Motim,6,Motivos,1,Movimento,1,Muda,1,Mulçumano,1,Mulher,19,Mulher de Potifar,13,Mulheres,20,multiplicação,1,Mundo,9,Muro,1,Muros,15,Musica,8,Naama,1,Nacional,3,Namorado,18,Namorar,34,Namoro,115,Não,1,Não Prometeu,2,Nascença,2,Nascimento,4,Natureza,13,Naum,2,Necessidade,2,Neemias,18,Negar,2,Neimar de Barros,5,nem Cristo a Derrotaria,1,Neopentecostal,4,NetFlix,1,Nicodemus,10,Nigéria,1,Nínive,1,Ninrode,1,No Fundo Do Poço,1,Noadia,1,Noé,1,Nome,2,Nome de Bebê,1,Nomes,2,Nora,2,Normalização,3,Norte,1,Noruega,1,Nota,2,Notícia gospel,112,Notícias Gospel,256,Nova,17,Novas Lições,2,Novela,2,Novo,5,Novo Testamento,6,Novos Céus e Nova Terra,12,Novos Convertidos,15,Novos Valores,2,nutricionista,1,Nuvem,1,NX Zero,1,O adeus,1,O beijo de Vancouver,1,O Bom Samaritano,3,O Bom Travesti,1,O casamento negro,2,O Exército de Cleycianne,1,O MINISTÉRIO DE EVANGELISTA,6,O MINISTÉRIO DE PASTOR,18,O Quarto da Porta Vermelha,1,O que é visível e apenas o avesso da Realidade,1,Obadias,2,Obede-Edom,2,Obediência,24,Obesidade,1,Obra,4,Obras,14,obreiro,2,Obstáculos,1,Odio,1,Ofertada,9,Ofertas,10,Oficial,1,Olhando para direção errada,1,Olhar,3,Onde Estiver,1,ônibus,1,Onipotente,1,Onipresente,7,Onisciente,1,Online,1,Onri,1,ONU,1,Opinião,1,Opinião dos Outros,2,Oposição,1,Opressão,1,Oração,40,Orando,1,Orar,4,Orfanato,1,Organização,2,Origem,6,Os Melhores Livros,31,Os Valores do Reino de Deus,3,Oséias,6,Oséias e Gomer,6,Osiel Gomes,5,Outra Chance,3,Ovelha,10,Padrões,1,Paganismo,1,Pagãos,1,Pai,6,Paixão,3,Paixão e Cura,1,Palavra,6,Palavra de Deus,8,Palavras,1,Pandemia,5,Pânico,1,pão,2,Papa,1,Papa Francisco I,1,Papai,6,Papo,1,Paquera,2,Paquistanesa,1,Paquistão,1,Para Sempre,1,Parábolas,34,Paradoxo,2,Paródia Gospel,2,Paródia Gospel da música Kuduro com Jonathan Nemer #RiLitros,1,Participe,1,Partido Trabalhista PT,1,Páscoa,7,Pastor,28,Pastor Paul Mackenzie Nthenge,1,Pastor Presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular,1,Pastor que cheirou a Bíblia como droga diz que essa foi a menor loucura que já fez por ela: “Eu já comi a minha Bíblia”. 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Augustus Nicodemus,3,Revelação,5,Revelado,1,Revista,327,revolução industrial,1,Rezar e Amar,1,Richard Baxter,1,Rico,5,Rio Tigre,1,Riqueza,3,Riscos,1,Roboão,1,Rock Gospel,1,Rodolfo Abrantes,1,Romanos,13,Roupas,3,Rubem Alves,1,Ruins,1,Russel Shedd,1,Rute,24,Sá de Barros,3,Sábado,1,Sabatina,6,Sabedoria,39,SABER+,6,Sacerdócio,14,Sacerdotal,13,Sacrifício,5,Sadhu Sundar Singh,1,Safira,2,Safra,1,Sal da Terra,1,Salmos,54,Salomão,20,Salvação,59,Salvador,37,Sambalate,1,Samuel,18,Samuel Mariano,1,Sangue,4,Sangue no Nariz,1,Sansão,3,Santa Ceia,6,Santidade,17,Santificação,27,Santo,5,sapienciais,1,sapiências,1,Sara,2,Sarah Sheva,1,Satanás,7,Saudações,2,Saudades,5,Saul,19,Saulo,2,Savífica,1,Secrets by OneRepublic,1,Segredo,1,Seguidor,1,Seguir,1,Segunda,3,Segundo,1,Segundos,1,Segurança,1,Seita,2,Seja um empreendedor Polishop e ganhe dinheiro sem sair de casa,1,Selada,1,Seleção Brasileira,1,Sem,1,Sem Garantia,1,Semana,66,semana2,66,Semeador,11,Semente,4,Sementes,2,Seminário,1,Senhor,4,Senhorio. Jesus,1,Sensibilidade,1,Sentido da Vida,6,Sentimento,2,Sentimentos,4,Separação,2,Separar,2,Ser,3,será que é pago?,2,Serenata de Amor,1,Série Chá Com Professores,4,Série Dicas de Como Liderar,24,Série Mensagem Subliminar,1,Série Versículos Mal Interpretados,5,Sermão,4,Sermão do Monte,17,Sex,2,Sexo,6,Sexual,4,Sexualidade,11,Sidney Sinai,1,SIFRÁ e PUÁ,1,Significados,4,Silas Malafaia,5,Silêncio no Céu,10,Silk,1,Silk Digital,1,Símbolos,1,Simples,1,Sinal,1,Sincero,1,Sistema,2,Sites,3,Slide PC,2,Slider,462,slides,11,Smartphone começa a ser vendido por operadoras nesta quarta-feira (6). Galaxy S3 é o principal rival do iPhone 4S. 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Pecador Confesso: Lição 07 - DANIEL 7 - A VISÃO DOS ANIMAIS E O REINO ETERNO - 3° Trimestre de 2026 - EBD - PECC
Lição 07 - DANIEL 7 - A VISÃO DOS ANIMAIS E O REINO ETERNO - 3° Trimestre de 2026 - EBD - PECC
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