Lição 07 - A Obra do Filho | 1° Trimestre de 2026 | EBD ADULTOS CPAD

  TEXTO ÁUREO “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.”(Fp 2.9) VERDADE PRÁTICA A humilhação...

 

TEXTO ÁUREO

“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.”(Fp 2.9)

VERDADE PRÁTICA

A humilhação voluntária de Cristo, sua obra redentora e sua exaltação gloriosa revelam que somente Ele é digno de toda adoração e obediência.

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

Texto Áureo — Filipenses 2.9 

“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.”

1) Contexto literário: o “hino cristológico” (Fp 2.6–11)

Filipenses 2.6–11 é amplamente reconhecido como um bloco poético/hínico que Paulo usa pastoralmente para formar a ética da igreja: unidade pela humildade (2.1–5). A cristologia serve à prática: a comunidade aprende o “modo de ser” de Cristo.

Estrutura resumida:

  • 2.6–8: humilhação voluntária (encarnação + obediência até a cruz)
  • 2.9–11: exaltação divina (Deus exalta + universaliza o senhorio de Jesus)

O “pelo que” (v.9) liga diretamente: humilhação → exaltação.


2) Exegese do v. 9 no grego (raízes e força verbal)

a) “Pelo que” — διὸ (dio)

Conector inferencial: “por isso / em consequência”. Não é “mérito automático”, mas lógica redentiva: a obediência de Cristo culmina no reconhecimento público do seu senhorio.

b) “Deus o exaltou soberanamente” — ὁ Θεὸς … ὑπερύψωσεν (ho Theos… hyperypsōsen)

  • ὑπερυψόω (hyperypsóō) = “exaltar acima de tudo”, “super-exaltar”.
    • ὑπέρ (hyper) = acima, para além
    • ὑψόω (hypsóō) = elevar, exaltar
  • Aoristo: ato decisivo na história (ressurreição/exaltação). O sujeito é Deus: exaltação é vindicação divina.

Teologia: a exaltação não é autopromoção de Cristo, mas declaração do Pai sobre quem Cristo é e o que sua obra significa.

c) “E lhe deu” — ἐχαρίσατο (echarisato)

  • Verbo χαρίζομαι (charizomai): conceder graciosamente, presentear.
    • Raiz χάρις (charis): graça, favor.
  • Isso é forte: Deus “outorga” o Nome como dádiva graciosa, associando exaltação à graça, não a uma lógica humana de poder.

d) “Um nome” — ὄνομα (onoma)

Em pensamento bíblico, “nome” é mais que etiqueta: expressa identidade, autoridade, reputação, domínio.

e) “Que é sobre todo o nome” — τὸ ὄνομα τὸ ὑπὲρ πᾶν ὄνομα (to onoma to hyper pan onoma)

Superlativo teológico: não existe concorrente no nível de autoridade e dignidade.


3) Qual é “o Nome”?

O texto diz “um nome… sobre todo o nome” e, nos vv.10–11, culmina em “Jesus Cristo é Senhor” (Κύριος, Kyrios). A leitura clássica cristã entende que:

  • o “Nome” envolve a proclamação do senhorio: Jesus = Kyrios,
  • e ecoa Isaías 45.23 (“todo joelho se dobrará…”) aplicado a YHWH no AT, agora aplicado a Jesus.

Aqui entra o pano de fundo hebraicoPano de fundo hebraico (AT)

  • “Senhor” no AT (hebraico) é o tetragrama יהוה (YHWH), frequentemente lido como ’Adonai (אֲדֹנָי) na leitura pública.
  • Na tradução grega do AT (LXX), YHWH é comumente vertido por Κύριος (Kyrios).
  • Quando Paulo confessa “Jesus Cristo é Kyrios”, ele coloca Jesus no espaço do Nome divino — sem dissolver a distinção Pai/Filho, mas afirmando a dignidade divina do Filho.

Verdade Prática — comentário teológico

“A humilhação voluntária de Cristo, sua obra redentora e sua exaltação gloriosa revelam que somente Ele é digno de toda adoração e obediência.”

1) Humilhação voluntária

A “kenosis” (Fp 2.7: “esvaziou-se”) não é perda de divindade; é assumir condição de servo e obedecer até a cruz. O ponto ético: verdadeira grandeza é serviço sacrificial.

2) Obra redentora

Fp 2 não descreve a expiação em termos técnicos extensos, mas a narrativa é redentiva: obediência até a morte como eixo do plano salvador. Em teologia paulina, cruz e ressurreição são o centro do evento salvífico.

3) Exaltação gloriosa

A exaltação é:

  • vindicação pública da justiça de Cristo,
  • entronização (Cristo reina),
  • universalização do reconhecimento (todo joelho/toda língua).

4) Digno de adoração e obediência

Se Deus lhe dá “o Nome”, a resposta correta é:

  • adoração (culto),
  • obediência (ética),
  • missão (confissão pública).

Opiniões de escritores cristãos (síntese interpretativa)

  • Gordon Fee (comentário em Filipenses): enfatiza que o hino molda a ética comunitária; cristologia e prática são inseparáveis (humildade → unidade).
  • N. T. Wright: lê Fp 2 como “entronização” do Messias; Jesus cumpre a vocação de Israel e recebe o reconhecimento universal do Deus único.
  • J. I. Packer / tradição reformada (linha geral): a exaltação é coroamento da obediência mediadora do Filho encarnado.
  • Karl Barth: destaca o movimento paradoxal: a glória de Deus se manifesta na humilhação; a exaltação confirma o “modo divino” de reinar (por graça e entrega).
  • Athanásio (patrística, lógica geral): a encarnação e a obediência do Verbo visam a nossa redenção; a exaltação mostra a realidade do senhorio do Filho.

A lógica da exaltação em Filipenses 2.9: graça, Nome e senhorio universal de Cristo

Tese

Filipenses 2.9 apresenta a exaltação de Cristo como ato gracioso e vindicador de Deus (echarisato / hyperypsōsen), no qual o “Nome sobre todo nome” culmina na confissão de Jesus como Kyrios, ecoando a linguagem do Nome divino no AT e fundamentando adoração e obediência cristãs.

Argumentos

  1. Estrutura do hino: humilhação (2.6–8) → exaltação (2.9–11) como padrão cristão de vida.
  2. Semântica verbal: hyperypsōsen (super-exaltação) + echarisato (concessão graciosa) = exaltação como dádiva e entronização.
  3. Teologia do Nome: onoma como identidade/autoridade; conexão com Kyrios e com o monoteísmo bíblico (eco de Is 45.23).
  4. Implicações eclesiais: adoração cristocêntrica e ética da humildade como fruto da cristologia.

Bibliografia recomendada

  • Gordon D. Fee — Carta de Paulo aos Filipenses (NICNT)

  • Moisés Silva – Filipenses (BECNT)
  • N. T. Wright — obras sobre Paulina/cristologia (p.ex., Paulo e a Fidelidade de Deus)
  • Ralph P. Martin — Um Hino de Cristo: Filipenses 2:5–11
  • Karl Barth — Dogmática da Igreja (cristologia/estado de humilhação e exaltação)
  • F. F. Bruce — estudos paulinos (contexto e teologia)

Tabela expositiva (para EBD / pregação)

Elemento

Texto

Grego

Raiz/ideia

Sentido exegético

Doutrina

Aplicação

Conexão lógica

“Pelo que”

διὸ

inferência

consequência da obediência

Cristo como padrão

humildade prática

Ato de Deus

“Deus… exaltou”

ὑπερύψωσεν

hyper + hypsóō

super-exaltação/entronização

vindicação

esperança sob sofrimento

Exaltação por graça

“deu”

ἐχαρίσατο

charis

conceder graciosamente

graça soberana

gratidão e culto

Autoridade do Nome

“um nome”

ὄνομα

identidade/autoridade

título supremo

senhorio

submissão obediente

Supremacia

“sobre todo nome”

ὑπὲρ πᾶν ὄνομα

supremacia

nenhum rival

exclusividade

adoração exclusiva

Fundo hebraico (eco)

Is 45.23

יהוה / (LXX Kyrios)

Nome divino

monoteísmo aplicado a Cristo

alta cristologia

confissão pública

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Rm 12.2 O cristão precisa viver na vontade de Deus
Terça – Jo 17.5 Jesus renunciou sua glória celestial
Quarta – Hb 12.2 Cristo está glorificado à direita do Pai
Quinta – Jo 19.30 Jesus completou a obra que o Pai lhe confiou
Sexta – Hb 1.3 Cristo é Rei e Sacerdote
Sábado – Hb 9.28 Cristo voltará glorioso para buscar sua Igreja

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

SEGUNDA — Romanos 12.2

Tema: o cristão precisa viver na vontade de Deus

Contexto

Depois de expor o evangelho (Rm 1–11), Paulo passa à ética cristã (Rm 12–15): vida transformada como culto.

Grego-chave

  • μεταμορφοῦσθε (metamorphousthe) — “transformai-vos” (processo contínuo).
  • ἀνακαίνωσις (anakainōsis) — “renovação” (tornar novo por dentro).
  • νοῦς (nous) — mente/entendimento/discernimento.
  • δοκιμάζειν (dokimazein) — provar/avaliar como aprovado.
  • θέλημα (thelēma) — vontade (propósito e querer de Deus).

Teologia

A vontade de Deus não é apenas “o que fazer”, mas formação do ser: a obediência nasce de uma mente renovada. Discernir a vontade de Deus exige culto racional: coração rendido e mente reeducada pelo evangelho.


TERÇA — João 17.5

Tema: Jesus renunciou sua glória celestial

Contexto

Oração sacerdotal: antes da cruz, Jesus ora pela sua obra consumada e pela unidade do povo.

Grego-chave

  • δόξασόν με (doxason me) — “glorifica-me”.
  • δόξα (doxa) — glória (peso/revelação/majestade; eco do hebraico כָּבוֹד, kavod).
  • παρὰ σεαυτῷ (para seautō) — “junto de ti”, intimidade intratrinitária.
  • πρὸ τοῦ τὸν κόσμον εἶναι (pro tou ton kosmon einai) — “antes de o mundo existir”.

Teologia

Aqui não é “Jesus começou a existir”, mas a afirmação de preexistência e comunhão eterna com o Pai. A “renúncia” é a escolha da encarnação e da cruz: a glória não é perdida em essência, mas velada na humilhação, para ser revelada na obra redentora.


QUARTA — Hebreus 12.2

Tema: Cristo está glorificado à direita do Pai

Contexto

Hebreus 12 chama a igreja a perseverar; Jesus é o modelo e o fundamento.

Grego-chave

  • ἀφορῶντες (aphorōntes) — “olhando firmemente” (fixar o olhar).
  • ἀρχηγός (archēgos) — autor/pioneiro (o que abre o caminho).
  • τελειωτής (teleiōtēs) — consumador/aperfeiçoador.
  • ἀντὶ τῆς χαρᾶς (anti tēs charas) — “em vista da alegria”.
  • ἐκάθισεν (ekathisen) — “assentou-se” (obra concluída + entronização).
  • δεξιᾷ (dexia) — direita (lugar de honra; eco do Sl 110.1).

Teologia

A cruz não é derrota, é caminho para entronização. “Assentar-se” indica:

  1. sacrifício aceito e completo,
  2. reinado em exercício,
  3. intercessão em favor do povo (tema de Hebreus).


QUINTA — João 19.30

Tema: Jesus completou a obra confiada pelo Pai

Contexto

Clímax da narrativa da cruz em João: a morte é apresentada como cumprimento e vitória.

Grego-chave

  • τετέλεσται (tetelestai) — “está consumado” (perfeito: ação concluída com efeitos permanentes).
  • παρέδωκεν τὸ πνεῦμα (paredōken to pneuma) — “entregou o espírito” (ato voluntário; soberania na morte).

Teologia

A obra redentora é completa, não parcial. O perfeito “tetelestai” sustenta a doutrina de suficiência: nada precisa ser acrescentado ao sacrifício de Cristo para reconciliação com Deus.


SEXTA — Hebreus 1.3

Tema: Cristo é Rei e Sacerdote

Contexto

A abertura de Hebreus apresenta a supremacia do Filho: revelação final, criador, sustentador e redentor.

Grego-chave

  • ἀπαύγασμα (apaugasma) — resplendor/brilho (glória irradiada).
  • χαρακτήρ (charaktēr) — impressão exata (representação perfeita).
  • φέρων (pherōn) — sustentando/carregando (governo providencial).
  • καθαρισμὸν (katharismon) — purificação (linguagem sacerdotal).
  • ἐκάθισεν (ekathisen) — assentou-se (entronização régia + obra sacerdotal concluída).

Teologia

Aqui está a união de ofícios:

  • Sacerdote: “purificação dos pecados” (obra expiatória).
  • Rei: “assentou-se à direita” (entronização).
    A cristologia de Hebreus é alta e cultual: Cristo é o centro do culto, do governo e da salvação.


SÁBADO — Hebreus 9.28

Tema: Cristo voltará glorioso para buscar sua Igreja

Contexto

Hebreus contrasta o sacrifício repetitivo do culto levítico com o sacrifício único de Cristo, e projeta a consumação.

Grego-chave

  • ἅπαξ (hapax) — “uma vez por todas” (unicidade do sacrifício).
  • ἀνενεγκεῖν (anenenkein) — levar/oferecer (linguagem sacrificial).
  • ἐκ δευτέρου (ek deuterou) — “pela segunda vez” (parousia).
  • χωρὶς ἁμαρτίας (chōris hamartias) — “sem relação com pecado” (não para expiar novamente, mas para consumar).
  • ἀπεκδεχομένοις (apekdechomenois) — “aos que o aguardam com expectativa”.

Teologia

A segunda vinda não é repetição da cruz; é consumação da redenção: salvação final, reunião do povo e plena manifestação da glória.


Tabela expositiva da semana (resumo para EBD)

Dia

Texto

Núcleo

Palavra grega-chave

Ênfase doutrinária

Aplicação

Seg

Rm 12.2

vontade de Deus

μεταμορφοῦσθε

santificação

renovar mente

Ter

Jo 17.5

glória preexistente

δόξα

preexistência/encarnação

humildade de Cristo

Qua

Hb 12.2

entronização

ἐκάθισεν

perseverança

olhar fixo em Jesus

Qui

Jo 19.30

obra consumada

τετέλεσται

suficiência da cruz

descanso na graça

Sex

Hb 1.3

Rei e Sacerdote

καθαρισμός

ofícios de Cristo

culto e obediência

Sáb

Hb 9.28

retorno glorioso

ἅπαξ / ἐκ δευτέρου

escatologia

esperança vigilante

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 2.5-11; Hebreus 9.24-28

Filipenses 2
5 – De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
6 – que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.
7 – Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
8 – e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.
9 – Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome,
10 – para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
11 – e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Hebreus 9
24 – Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus;
25 – nem também para si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que cada ano entra no Santuário com sangue alheio.
26 – Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
27 – E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo,
28 – assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação.

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

1) Filipenses 2.5–11 — O caminho: humildade → cruz → exaltação

Contexto imediato

Paulo exorta a igreja à unidade e humildade (Fp 2.1–4). O v.5 (“tende em vós o mesmo sentimento”) introduz o exemplo supremo: Cristo. O “hino cristológico” (2.6–11) não é só doutrina; é ética comunitária fundamentada na cristologia.

Exegese versículo a versículo (com grego e fundo hebraico)

v.5 — “o mesmo sentimento”

  • φρόνημα (phronēma) / φρονέω (phroneō): mentalidade, disposição interior, modo de pensar que gera modo de agir.
    Teologia: discipulado é conformação do “modo Cristo” (humildade obediente) na vida comunitária.

v.6 — “em forma de Deus… igual a Deus”

  • μορφῇ Θεοῦ (morphē Theou): “forma” no sentido de condição/realidade correspondente (não apenas aparência).
  • ἴσα Θεῷ (isa Theō): igualdade com Deus.
  • ἁρπαγμόν (harpagmon): termo difícil; geralmente entendido como “algo a ser agarrado/explorado” (não fez da igualdade um ganho para autopromoção).

Teologia: alta cristologia: Cristo possui dignidade divina, mas não usa isso como vantagem de poder.

v.7 — “aniquilou-se… forma de servo”

  • ἐκένωσεν (ekenōsen): “esvaziou-se” (kenosis). Não é esvaziar divindade, mas assumir a condição de servo.
  • μορφὴν δούλου (morphēn doulou): “forma de escravo/servo”.
  • ὁμοιώματι ἀνθρώπων (homoiōmati anthrōpōn): semelhança humana (encarnação real).

Fundo hebraico: o “servo” ecoa o Servo do Senhor de Isaías (Is 52–53), cuja missão inclui sofrimento vicário.

v.8 — “humilhou-se… obediente até a morte”

  • ἐταπείνωσεν (etapeinōsen): humilhar-se voluntariamente.
  • ὑπήκοος (hypēkoos): obediente (obedecer como ouvir e responder).
  • “morte de cruz”: execução vergonhosa; socialmente maldita.

Fundo hebraico: Dt 21.23 (“maldito o que for pendurado no madeiro”) ilumina o escândalo; Paulo também trabalha isso em Gl 3.13.

v.9 — “Deus o exaltou soberanamente… deu um Nome”

  • ὑπερύψωσεν (hyperypsōsen): super-exaltou (exaltação máxima).
  • ἐχαρίσατο (echarisato): concedeu graciosamente (dom de graça).
  • ὄνομα τὸ ὑπὲρ πᾶν ὄνομα: Nome supremo.

Fundo hebraico: teologia do Nome (שֵׁם, shem) = autoridade/identidade/reinado. E o pano de fundo de Isaías 45.23 (onde YHWH diz: “todo joelho se dobrará”) será aplicado a Jesus nos vv.10–11.

vv.10–11 — “todo joelho… toda língua… Jesus Cristo é Senhor”

  • κάμψῃ (kampsē): dobrar (submissão total).
  • ἐξομολογήσηται (exomologēsētai): confessar/publicar.
  • Κύριος (Kyrios): Senhor.

Fundo hebraico decisivo: YHWH (יהוה), o Nome do Deus de Israel, é traduzido na LXX frequentemente por Kyrios. Assim, confessar “Jesus Cristo é Kyrios” é uma afirmação de senhorio universal com peso teológico de monoteísmo bíblico, “para glória de Deus Pai” (não competindo com o Pai, mas revelando a glória do Pai no Filho).


2) Hebreus 9.24–28 — O sacerdócio: céu → presença → sacrifício único → segunda vinda

Contexto imediato

Hebreus contrasta o culto levítico (repetitivo, tipológico) com a obra de Cristo (única, definitiva). O capítulo 9 opera com categorias do Dia da Expiação.

Fundo hebraico (Levítico 16):

  • o sumo sacerdote entra no Santo dos Santos uma vez ao ano com sangue alheio
  • a repetição aponta para insuficiência do sistema em remover definitivamente o pecado
    Hebreus afirma que Cristo cumpre o tipo e inaugura o definitivo.

Exegese do texto

v.24 — “não entrou em santuário feito por mãos… no céu… por nós”

  • χειροποίητος (cheiropoiētos): feito por mãos (categoria típica/figurativa).
  • ἀντίτυπα (antitypa): cópia/figura do verdadeiro.
  • ἐμφανισθῆναι… ὑπὲρ ἡμῶν (emphanisthēnai… hyper hēmōn): comparecer por nós.

Teologia: Cristo exerce ministério sacerdotal na presença real de Deus, com eficácia objetiva “por nós” (substituição representativa e intercessão).

v.25 — “não para oferecer-se muitas vezes…”

  • crítica à repetição: o levítico aponta para algo maior.

v.26 — “uma vez… para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”

  • ἅπαξ (hapax): uma vez por todas (unicidade definitiva).
  • ἀθέτησις (athetēsis): anulação/remoção (desfazer a validade).
  • διὰ τῆς θυσίας (dia tēs thysias): por meio do sacrifício.

Fundo hebraico: expiação (כפר, kaphar = cobrir/expiar) e oferta substitutiva. Hebreus afirma: Cristo não apenas “cobre” de modo provisório; Ele inaugura remoção efetiva.

v.27 — “aos homens está ordenado morrer uma vez… depois o juízo”

  • realidade escatológica: morte e juízo como horizonte moral.

v.28 — “Cristo… oferecendo-se uma vez… aparecerá segunda vez… para salvação”

  • προσενεχθεὶς (prosenectheis): tendo sido oferecido (linguagem sacrificial).
  • ἀνενεγκεῖν (anenegkein): levar/assumir (carregar).
  • ἐκ δευτέρου (ek deuterou): segunda vez (parousia).
  • χωρὶς ἁμαρτίας (chōris hamartias): “sem pecado” (não para expiar de novo; agora para consumar a salvação).
  • ἀπεκδεχομένοις (apekdechomenois): aos que o aguardam com expectativa perseverante.

Teologia: a obra de Cristo tem três tempos:

  1. oferta única (cruz)
  2. ministério celestial (presença/intercessão)
  3. manifestação final (consumação da salvação)

3) Integração teológica dos dois textos

Filipenses 2 foca o movimento “descida e subida” do Filho:

  • encarnação → cruz → exaltação → confissão universal

Hebreus 9 foca a eficácia cultual e escatológica:

  • sacrifício único → presença no céu por nós → retorno para consumar a salvação

Juntos, entregam uma cristologia completa:

  • Cristo é Senhor (Kyrios) universal
  • Cristo é Sacerdote perfeito
  • Cristo é Salvador suficiente e final


4) Tabela expositiva (para EBD/ensino)

Texto

Unidade

Palavra-chave

Raiz/idioma

Ideia central

Doutrina

Aplicação

Fp 2.5

Exortação

φρονέω

mentalidade

imitar o “modo Cristo”

ética cristã

humildade na igreja

Fp 2.6

Preexistência

μορφή / ἴσα

condição/igualdade

dignidade divina sem exploração

divindade de Cristo

renunciar status

Fp 2.7

Kenosis

ἐκένωσεν / δοῦλος

“esvaziar” / servo

encarnação-serviço

encarnação

servir sem vaidade

Fp 2.8

Cruz

ὑπήκοος

obediência

obediência até a morte

expiação / obediência

fidelidade no custo

Fp 2.9

Exaltação

ὑπερύψωσεν / ὄνομα

super-exaltar / nome

entronização e Nome supremo

senhorio

adoração exclusiva

Fp 2.10–11

Confissão

Κύριος

eco de YHWH (AT)

submissão universal

monoteísmo cristológico

confissão pública

Hb 9.24

Santuário

ἀντίτυπα

tipo/cópia

céu como santuário real

sacerdócio de Cristo

confiança na intercessão

Hb 9.26

Sacrifício

ἅπαξ

uma vez

eficácia definitiva

suficiência

descanso na graça

Hb 9.28

Segunda vinda

ἐκ δευτέρου

segunda vez

consumação da salvação

escatologia

vigilância e esperança

PLANO DE AULA

1- INTRODUÇÃO
A obra do Filho de Deus se revela em três dimensões: sua humilhação voluntária, sua obra redentora e sua exaltação gloriosa. Nesta lição, veremos que Filipenses 2 e Hebreus 9 revelam que Jesus esvaziou-se de sua glória, ofereceu-se em sacrifício vicário e foi exaltado pelo Pai. Confirmaremos que essa obra é completa, suficiente e eterna, revelando que somente Ele é digno de toda adoração e obediência.
2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição:
I) Explicar a humilhação voluntária de Cristo e sua obediência até a cruz;
II) Mostrar que a obra redentora do Filho é única, suficiente e vicária;
III) Ressaltar a exaltação gloriosa de Cristo e sua soberania universal.
B) Motivação: Ao contemplarmos a trajetória de Cristo – da humilhação à exaltação -, entendemos que a salvação não vem de nossos méritos, mas da obediência perfeita do Filho. Sua cruz nos redime e sua exaltação garante nossa esperança. Essa verdade deve nos inspirar a viver em santidade, submissão e expectativa do seu retorno.
C) Sugestão de Método: Antes de iniciar a aula, escreva no quadro três palavras: Humilhação – Redenção – Exaltação. Divida a classe em três grupos e entregue a cada grupo um conjunto de versículos correspondentes (Fp 2.5-8; Hb 9.24-28; Fp 2.9-11). Peça que cada grupo leia e prepare uma explicação simples sobre como o texto se relaciona com sua palavra. Em seguida, cada grupo compartilha com a classe. Finalize mostrando que essas três dimensões formam a obra completa de Cristo.
3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: A obra do Filho é perfeita e suficiente. Ele se humilhou para nos salvar, ofereceu-se como sacrifício vicário para nos redimir e foi exaltado à destra do Pai, onde reina soberano. Diante disso, devemos viver em obediência, gratidão e esperança, aguardando com fidelidade o retorno triunfal de Cristo.
4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.39, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “A Glória Eterna e o Esvaziamento de Cristo”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda o tema da humilhação voluntária do Filho de Deus; 2) O texto “O Sangue de Jesus Cristo”, ao final do segundo tópico, aprofunda o tema da Obra Redentora do Filho, tendo no derramamento de sangue sua expressão máxima de salvação.

DINAMICA EXTRA

Comentário de Hubner Braz

Dinâmica — “Da Humilhação à Exaltação”

Lição 07 — A Obra do Filho

Tempo total: 20–25 minutos
Objetivo pedagógico:
Levar os alunos a compreenderem experimentalmente as três dimensões da obra de Cristo:

1️⃣ Humilhação
2️⃣ Redenção
3️⃣ Exaltação

E perceberem como essas verdades moldam a vida cristã.


1️⃣ Preparação do professor

Materiais

  • 3 cartazes (ou folhas grandes)
  • Canetas
  • Bíblia

Escreva em cada cartaz:

Cartaz 1

HUMILHAÇÃO — Filipenses 2.6–8

Cartaz 2

REDENÇÃO — Hebreus 9.12

Cartaz 3

EXALTAÇÃO — Filipenses 2.9–11


2️⃣ Execução da dinâmica

Etapa 1 — Divisão em grupos (5 min)

Divida a classe em 3 grupos.

Cada grupo recebe um cartaz e responde:

Perguntas para discussão

1️⃣ O que essa dimensão revela sobre Cristo?
2️⃣ O que ela realizou por nós?
3️⃣ Como isso deve impactar nossa vida prática?


Etapa 2 — Apresentação (10 min)

Cada grupo compartilha em 2–3 minutos.

O professor vai conectando as respostas com a teologia da lição:

  • Kenosis → humildade cristã
  • Sacrifício → segurança da salvação
  • Exaltação → esperança escatológica

Etapa 3 — Ilustração visual final (5 min)

Coloque os cartazes em sequência no quadro:

HUMILHAÇÃO → REDENÇÃO → EXALTAÇÃO

Pergunte à classe:

👉 “Onde estamos nessa linha hoje?”

Resposta esperada:

Vivemos entre:

  • a obra consumada
  • a exaltação presente
  • o retorno futuro

Isso gera:

  • gratidão
  • obediência
  • esperança

3️⃣ Fechamento espiritual (5 min)

Leia:

Filipenses 2.5

Pergunta final para reflexão:

O que precisa mudar em minha vida para refletir a mente de Cristo?

Ore com a turma.


Variação (se quiser algo mais interativo)

Dinâmica alternativa — “O Tribunal da Redenção”

Cada grupo defende uma tese:

  • Grupo 1 — Cristo precisava se humilhar?
  • Grupo 2 — O sacrifício era necessário?
  • Grupo 3 — A exaltação tem impacto hoje?

Isso gera debate teológico saudável e fixação profunda.


Resultado pedagógico esperado

Após a dinâmica os alunos:

entendem a obra do Filho como unidade teológica
participam ativamente
internalizam aplicação prática
conectam doutrina com vida

INTRODUÇÃO

Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus, que assumiu a forma humana, viveu uma vida sem pecado, morreu em nosso lugar e ressuscitou vitoriosamente. Sua missão abrange não apenas o perdão dos pecados, mas a revelação do caráter do Pai e a restauração de toda a criação. Esta lição visa apresentar a profundidade da obra do Filho em três dimensões: sua humilhação, sua redenção e sua exaltação.

PALAVRA-CHAVE: Obra

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

1) “Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus”

Base bíblica (panorama)

  • Preexistência e filiação: Jo 1.1–18; Jo 17.5; Cl 1.15–17; Hb 1.1–3.
  • Filho não é “criado”; é relação eterna no próprio ser de Deus (linguagem trinitária bíblica).

Pano de fundo hebraico

  • בֵּן (ben) = “filho” (identidade, representação, participação). No AT, “filho” pode indicar pertencimento e missão (Israel como “filho” em Ex 4.22), mas no NT a filiação de Cristo é única (Jo 1.18).
  • יָחִיד (yaḥid) (ideia de “único/únigeno” na tradição; cf. Gn 22) ajuda a entender a noção de “unicidade” do Filho no plano redentivo.

Teologia: confessar “Filho eterno” é afirmar que o evangelho não começa na manjedoura; começa na eternidade, e a encarnação é missão, não origem.


2) “Assumiu a forma humana… viveu uma vida sem pecado”

Contexto

Esse eixo é essencial para Filipenses 2.6–8 e Hebreus: Cristo entra na história como verdadeiro homem para ser o representante perfeito.

Grego-chave (texto que sustenta sua frase)

  • μορφὴν δούλου / ὁμοίωμα ἀνθρώπων (Fp 2.7): “forma de servo / semelhança de homens”.
  • χωρὶς ἁμαρτίας (Hb 4.15; 9.28): “sem pecado”.

Pano de fundo hebraico

  • O pecado, no AT, não é apenas “erro”; ele tem camadas:
    • חַטָּאת (ḥattā’t) = errar o alvo (pecado)
    • עָוֹן (‘avon) = torção/perversão (iniquidade)
    • פֶּשַׁע (peša‘) = rebelião (transgressão)
      Cristo é o homem sem pecado — apto a lidar com todas as dimensões da ruptura.

3) “Morreu em nosso lugar e ressuscitou vitoriosamente”

Contexto teológico

Aqui você tocou no centro do evangelho: cruz e ressurreição como evento redentor decisivo.

Hebraico de fundo: “substituição” e expiação

A lógica sacrificial do AT (Levítico) prepara o vocabulário do NT:

  • כָּפַר (kāphar) = expiar/cobrir, fazer reconciliação (base de “expiação”).
  • “em nosso lugar” é linguagem representativa/substitutiva: Cristo como oferta perfeita (Hb 9.24–28).

Teologia: a ressurreição é a vindicação divina do sacrifício: não apenas “voltar à vida”, mas inaugurar nova criação.


4) “Sua missão abrange… revelação do caráter do Pai… restauração de toda a criação”

Revelação do Pai

  • Jo 1.18; Jo 14.9: o Filho é a revelação concreta do Pai.
  • Hb 1.3: Cristo como “expressão exata” do ser divino.

Pano de fundo hebraico

  • כָּבוֹד (kavod) = glória/peso/majestade. O Filho revela a glória do Pai de modo acessível na história.

Restauração de toda a criação

  • Cl 1.20; Rm 8.19–23; Ap 21–22: a redenção tem escopo cósmico.
  • A obra de Cristo não é só perdão individual; é reconciliação e renovação do cosmos.

Hebraico de fundo

  • בְּרִיאָה (beriah) / raiz ברא (bara’) = criar.
  • A Bíblia apresenta redenção como “nova criação”: Deus refaz o que o pecado deformou.

5) “Três dimensões: humilhação, redenção e exaltação”

Essa tríade é exatamente a lógica de:

  • Fp 2.6–11: descida (humilhação) → cruz (redenção) → subida (exaltação)
  • Hb 9.24–28: sacrifício único (redenção) → presença no céu (exaltação funcional como sacerdote) → volta (exaltação consumada)

Palavra-chave: Obra

Como termo bíblico, “obra” engloba missão, realização, cumprimento.

Hebraico (AT)

  • מַעֲשֶׂה (ma‘aseh) = obra/feito/ação (o que Deus faz na história)
  • פָּעַל (pa‘al) = agir/operar
  • עֲבֹדָה (‘avodah) = serviço/ministério (com forte conotação cultual)

Grego (NT)

  • ἔργον (ergon) = obra/ação realizada (frequente em João: “a obra que o Pai me deu”)
  • τετέλεσται (tetelestai) (Jo 19.30) = “está consumado” (obra concluída com efeito permanente)

Síntese teológica: a “obra” do Filho é o conjunto orgânico de encarnação + obediência + sacrifício + ressurreição + exaltação + intercessão + retorno.


Tabela expositiva (pronta para aula)

Frase da introdução

Texto bíblico-base

Termo (Hebraico/Grego)

Raiz/ideia

Ênfase teológica

Aplicação

Filho eterno

Jo 1.1–18; Hb 1.1–3

בֵּן / (Filho)

identidade/representação

preexistência

adoração

Assumiu forma humana

Fp 2.6–8

μορφή / ὁμοίωμα

condição real

encarnação

humildade

Vida sem pecado

Hb 4.15; 9.28

חטאת/עון/פשע (fundo)

pecado em camadas

santidade de Cristo

confiança

Morreu em nosso lugar

Is 53; Hb 9.24–28

כפר (fundo)

expiação

substituição

gratidão

Ressuscitou vitoriosamente

1Co 15

(nova vida)

nova criação

vitória

esperança

Revela o Pai

Jo 14.9; Hb 1.3

כָּבוֹד (fundo)

glória revelada

revelação

conhecer a Deus

Restaura criação

Cl 1.20; Rm 8

ברא (fundo)

recriação

redenção cósmica

missão

Humilhação–redenção–exaltação

Fp 2; Hb 9

ἔργον / τετέλεσται

obra consumada

cristologia completa

obediência

I – A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO

1- A submissão de Cristo. Paulo exorta a igreja de Filipos à unidade e à humildade (Fp 2.1-4). O apóstolo adverte aqueles irmãos a terem a mente de Cristo: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5). O termo grego traduzido como “sentimento” é phroneō, que também pode significar “modo de pensar” e “disposição mental”. Dessa forma, os crentes devem assumir o mesmo modo de pensar e viver que foi demonstrado por Cristo (1 Jo 2.6). Refere-se a uma consciência moldada pela humildade, amor e obediência (Jo 13.15). Imitar a mente de Cristo significa renunciar ao egoísmo, buscar o bem do próximo e viver para a glória de Deus (Rm 12.2). Como cristãos, somos chamados não apenas a crer em Cristo, mas a pensar e agir como Ele (Mt 11.29).

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

I – A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO

1) A submissão de Cristo (Fp 2.1–5)

1. Contexto: por que Paulo introduz a “mente de Cristo”?

Em Filipenses 2.1–4, Paulo trata de um problema típico de comunidade: rivalidade, vaidade e divisões sutis. Ele não começa “mandando parar”, mas reorientando o coração da igreja:

  • unidade como fruto do evangelho
  • humildade como postura espiritual
  • preferir o outro como prática concreta

O v.5 (“tende em vós o mesmo sentimento…”) é a ponte: Paulo introduz a cristologia (2.6–11) para fundamentar a ética. Ou seja:

A igreja só aprende humildade cristã quando contempla Cristo.


2. Exegese do termo-chave: “sentimento” / “mente” (Fp 2.5)

2.1 O verbo φρονέω (phronéō)

Você citou corretamente: phronéō não é só “sentir”; é pensar de modo orientado, ter uma disposição interna que molda escolhas e atitudes.

Campo semântico (resumo prático):

  • orientar a mente para algo
  • adotar uma postura/mentalidade
  • avaliar a vida a partir de um padrão

Em Filipenses, Paulo usa phronéō para falar de:

  • unidade de pensamento (Fp 2.2)
  • postura humilde (Fp 2.3–5)
  • foco no que é excelente (Fp 4.8–10)

Teologia: “mente de Cristo” = ética que nasce da cristologia, não moralismo.

2.2 “Haja em vós” — dimensão comunitária

O texto não é apenas individual (“tenha você”), mas comunitário: a mentalidade de Cristo deve habitar a igreja, afetando relações, decisões e disputas.


3. O que é “submissão” em Cristo?

Aqui é crucial evitar um erro comum: reduzir submissão a “apagamento da dignidade”. Em Fp 2, a humilhação é voluntária e nasce da plena dignidade do Filho (Fp 2.6).

3.1 Submissão como obediência filial

Em termos bíblicos, a submissão de Cristo se expressa principalmente como:

  • obediência ao Pai (Fp 2.8)
  • serviço em favor dos outros (Jo 13.1–15)
  • missão em cumprimento do propósito redentor (Jo 17.4; Jo 19.30)

Isso não nega sua divindade; revela seu caráter.


4. Pano de fundo hebraico: humildade, obediência e “andar”

Mesmo sendo um texto grego, a mentalidade bíblica que Paulo assume tem raízes profundas no AT.

4.1 “Humildade” no AT

  • עָנָו (‘anav) / עֳנִי (‘oni): humildade/aflição — não é covardia, é mansidão que depende de Deus e recusa autoexaltação.
  • A humildade bíblica é frequentemente a postura do justo que confia em YHWH, mesmo sob pressão.

4.2 “Servir” como identidade pactual

  • עָבַד (‘avad): servir/trabalhar/cultuar.
    A mesma raiz liga “serviço” e “culto”: servir a Deus e servir pessoas fazem parte do mesmo eixo de fidelidade.

4.3 “Andar” como modo de viver

Você citou 1Jo 2.6 (“andar como ele andou”). O fundo hebraico é:

  • הָלַךְ (halakh): andar → estilo de vida, conduta.
    “Iminitar Cristo” é uma forma cristã de halakh: caminhar em obediência, não apenas admirar.

5. Conexões neotestamentárias que fortalecem seu argumento

5.1 1 João 2.6 — “andar como ele andou”

A fé cristã é imitativa: a união com Cristo gera semelhança prática.

5.2 João 13.15 — exemplo do lava-pés

Jesus redefine grandeza: o maior é o que serve. Submissão aqui é inversão do poder por amor.

5.3 Romanos 12.2 — renovação da mente

Paulo conecta mente renovada com discernimento da vontade de Deus. A “mente de Cristo” é a forma mais plena dessa renovação: Cristo viveu a vontade do Pai perfeitamente.

5.4 Mateus 11.29 — “manso e humilde”

Mansidão e humildade não são “temperamento”; são virtudes do Rei.


Síntese teológica do tópico (para fechar o ponto na aula)

A submissão de Cristo não é perda de valor; é expressão do caráter divino revelado no Filho.
Ter a mente de Cristo é trocar a lógica do status pela lógica do serviço:

  • da competição para a comunhão
  • do egoísmo para o amor sacrificial
  • da autoafirmação para a obediência

Tabela expositiva (pronta para EBD)

Elemento do tópico

Texto base

Termo-chave

Idioma

Sentido

Ênfase teológica

Aplicação prática

Exortação à unidade

Fp 2.1–4

comunidade centrada em Cristo

eclesiologia

relacionamentos curados

“Mesmo sentimento”

Fp 2.5

φρονέω

grego

mentalidade/disposição

ética cristológica

pensar como Cristo

Humildade

Fp 2.3; Mt 11.29

עָנָו

hebraico

mansidão dependente de Deus

virtude do Reino

renunciar vaidade

Serviço

Jo 13.15

עָבַד

hebraico

servir/cultuar

sacerdócio diário

servir pessoas

Imitar o “andar”

1Jo 2.6

הָלַךְ

hebraico

conduta/caminho

santificação

estilo de vida

Mente renovada

Rm 12.2

νοῦς/ἀνακαίνωσις

grego

renovação interior

transformação

discernir a vontade

2- O esvaziamento de sua glória. O apóstolo recorda que Jesus, “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Fp 2.6). Sendo Ele igualmente Deus, compartilhando da mesma natureza do Pai (Jo 1.1) — preferiu privar-se de seus direitos — não da sua divindade. Trata-se de um contraste com o primeiro Adão, que almejou ser “como Deus” (Gn 3.5), enquanto Cristo, o segundo Adão, sendo Deus, preocupou-se com o bem-estar dos outros (Fp 2.4b). Essa realidade é confirmada quando Jesus “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fp 2.7a), isto é, esvaziou-se voluntariamente (gr. kénosis), assumindo a natureza humana na forma de servo (Fp 2.7b; Hb 4.15). Isso não significa a perda de sua divindade, mas a renúncia da glória que Ele possuía na eternidade com o Pai (Jo 17.5).

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

I.2 — O esvaziamento de sua glória (Fp 2.6–7)

1) Contexto: por que Paulo fala disso?

Fp 2.6–7 não é um “tratado abstrato” sobre a natureza de Cristo; é a base para uma ética comunitária contra:

  • vaidade
  • competição por status
  • autopromoção

Paulo mostra que a humildade cristã não é “baixa autoestima”, mas uma decisão de amor modelada no próprio movimento de Cristo: da glória ao serviço.


2) Exegese de Filipenses 2.6 (grego decisivo)

2.1 “Sendo em forma de Deus” — ἐν μορφῇ Θεοῦ ὑπάρχων (en morphē Theou hyparchōn)

  • ὑπάρχων (hyparchōn): “existindo/estando” (particípio de “ser/existir”). Sugere condição real, não aparente.
  • μορφή (morphē): “forma” como condição/realidade correspondente. Em Fp 2, “morphē” aparece em paralelo com “morphē de servo” (v.7), reforçando que se trata de condições reais.

Teologia: Paulo afirma a dignidade divina pré-encarnada do Filho.

2.2 “Não teve por usurpação ser igual a Deus” — οὐχ ἁρπαγμὸν ἡγήσατο τὸ εἶναι ἴσα Θεῷ

Aqui está o núcleo interpretativo.

  • ἁρπαγμός (harpagmos): termo raro. A ideia mais sólida no contexto é:
    • algo a ser agarrado/retido/explorado como vantagem.
  • ἡγήσατο (hēgēsato): “considerou/avaliou” (decisão deliberada).
  • τὸ εἶναι ἴσα Θεῷ (to einai isa Theō): “ser igual a Deus”.

Sentido teológico do verso:
Cristo, tendo igualdade com Deus, não a transformou em instrumento de autoafirmação, mas escolheu o caminho do serviço.

Isso se encaixa perfeitamente no contraste com a igreja: eles disputavam status; Cristo abriu mão dele.


3) Exegese de Filipenses 2.7 (o “esvaziar-se”)

3.1 “Mas esvaziou-se a si mesmo” — ἀλλὰ ἑαυτὸν ἐκένωσεν (alla heauton ekenōsen)

  • ἐκένωσεν (ekenōsen): “esvaziou-se” (origem do termo teológico “kenosis”).
  • Importante: o texto NÃO diz “esvaziou-se da divindade”, mas descreve como ocorreu o esvaziamento nas frases seguintes:
    • “tomando forma de servo”
    • “fazendo-se semelhante aos homens”
    • “achado em figura humana” (v.8)

Logo: a kenosis é adição (assumir humanidade e condição de servo), não subtração de deidade.

3.2 “Tomando a forma de servo” — μορφὴν δούλου λαβών (morphēn doulou labōn)

  • δοῦλος (doulos): escravo/servo (condição de submissão real).
  • O paralelo “morphē de Deus” / “morphē de servo” é deliberado: Cristo não “fingiu” ser servo; ele assumiu.

3.3 “Fazendo-se semelhante aos homens” — ἐν ὁμοιώματι ἀνθρώπων γενόμενος

  • γενόμενος (genomenos): “tornando-se” (entrada real na condição humana).
  • Esse texto sustenta sua afirmação: não perda de divindade, mas verdadeira encarnação com real humanidade.

4) Pano de fundo hebraico: Adão, glória e Servo

4.1 Cristo e Adão (Gn 3.5)

Seu contraste é teologicamente forte:

  • Gn 3.5: a tentação é “ser como Deus” — autonomia e autoexaltação.
  • Em Fp 2: Cristo, sendo igual a Deus, escolhe a via oposta: humilhação voluntária.

Hebraico de Gn 3.5:

  • “como Deus” aparece como כֵּאלֹהִים (ke’Elohim): desejo de status e autonomia.

Teologia: onde Adão “agarra” (apropriação), Cristo “esvazia” (doação). É uma reversão redentiva.

4.2 “Glória” (Jo 17.5) — pano de fundo hebraico

João fala de glória preexistente. O fundo hebraico é:

  • כָּבוֹד (kavod): “peso”, majestade, manifestação visível do valor de Deus.

A “renúncia” não é abdicar de ser Deus, mas velar a glória e não exercer seus direitos conforme a lógica humana de poder.

4.3 “Servo” e Isaías (Is 52–53)

Quando Paulo diz “forma de servo”, o horizonte bíblico natural inclui o Servo do Senhor:

  • sofrimento
  • obediência
  • missão vicária
  • posterior exaltação (Is 52.13)

Isso cria uma ponte: kenosis → cruz → exaltação, o mesmo arco de Isaías.


5) Síntese teológica: o que a kenosis afirma e o que ela nega

Afirma:

  • Preexistência e dignidade divina do Filho (Fp 2.6; Jo 1.1)
  • Encarnação real (Fp 2.7; Hb 4.15)
  • Humildade como expressão do caráter do Reino (Jo 13)

Nega:

  • Qualquer ideia de que Cristo “deixou de ser Deus”
  • Qualquer leitura que transforme a encarnação em “aparência” (docetismo)

Conclusão do ponto:
Cristo “esvazia-se” não perdendo divindade, mas assumindo servidão e escolhendo amar sem se valer do privilégio.


Tabela expositiva (para aula/EBD)

Frase do texto

Referência

Termo-chave

Idioma

Raiz/ideia

Sentido

Ênfase teológica

“forma de Deus”

Fp 2.6

μορφή / ὑπάρχων

grego

condição real

dignidade divina

preexistência

“igual a Deus”

Fp 2.6

ἴσα Θεῷ

grego

igualdade

status divino

alta cristologia

“não… harpagmos”

Fp 2.6

ἁρπαγμός

grego

agarrar/explorar

não usar como vantagem

humildade divina

“esvaziou-se”

Fp 2.7

ἐκένωσεν

grego

kenosis

auto-doação

encarnação como serviço

“forma de servo”

Fp 2.7

δοῦλος

grego

servidão

submissão real

obediência

“semelhante aos homens”

Fp 2.7

ὁμοίωμα / γενόμενος

grego

tornar-se

humanidade verdadeira

representação

“glória” (fundo)

Jo 17.5

כָּבוֹד (kavod)

hebraico

peso/majestade

glória velada

revelação do Pai

“como Deus” (contraste)

Gn 3.5

כֵּאלֹהִים

hebraico

autonomia/status

tentação adâmica

Cristo como novo Adão

“Servo” (eco)

Is 52–53

עֶבֶד (eved)

hebraico

servo pactual

sofrimento vicário

redenção

3- Obediência sacrificial até à cruz. A obediência de Cristo foi plena, desde a encarnação até o Calvário: “na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8). Ele desceu à condição mais humilde e morreu como servo (2 Co 8.9). Em obediência ao Pai e em favor dos pecadores, submeteu-se à humilhação da cruz (Hb 12.2). Revela a Escritura que o primeiro Adão trouxe condenação pelo pecado; e, Cristo, o segundo Adão, trouxe justiça por meio de sua perfeita obediência (Rm 5.19). Essa verdade ratifica que a Obra Redentora do Filho está fundamentada na obediência completa de Cristo ao Pai (Jo 6.38). A nossa salvação é resultado dessa obediência, e não de nossos méritos (Ef 2.8,9). Assim como Cristo, devemos obedecer à vontade do Pai (Rm 12.1).

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

I.3 — Obediência sacrificial até à cruz (Fp 2.8)

1) Contexto: por que Paulo enfatiza a obediência “até à morte”?

No hino (Fp 2.6–11), Paulo está desmontando a lógica de status e autoexaltação. Ele mostra que o caminho do Reino não é ascender por poder, mas descer por amor.

Fp 2.8 é o ponto mais baixo da “descida”:

  • humilhação → obediência → morte → cruz

A cruz, aqui, não é só um evento histórico; é o ápice de uma obediência voluntária que define a identidade do Filho como Servo.


2) Exegese de Filipenses 2.8 (grego decisivo)

2.1 “Achado na forma de homem” — σχήματι εὑρεθεὶς ὡς ἄνθρωπος (schēmati heuretheis hōs anthrōpos)

  • σχῆμα (schēma): “figura/aparência externa”, a condição observável.
    Em Fp 2, “morphē” (forma/condição) e “schēma” (figura) trabalham juntos: Cristo é verdadeiramente homem e reconhecido como tal.

2.2 “Humilhou-se a si mesmo” — ἐταπείνωσεν ἑαυτόν (etapeinōsen heauton)

  • ταπεινόω (tapeinoō): rebaixar-se, humilhar-se voluntariamente.
    A ênfase é na iniciativa: ele se humilhou. Não foi “forçado” por perda de controle; foi decisão redentiva.

2.3 “Sendo obediente” — γενόμενος ὑπήκοος (genomenos hypēkoos)

  • ὑπήκοος (hypēkoos) deriva de “ouvir sob” (escutar e submeter-se).
    Obediência aqui não é servilismo: é obediência filial e missional.
  • A obediência é qualificada: até à morte.

2.4 “Até à morte, e morte de cruz” — μέχρι θανάτου, θανάτου δὲ σταυροῦ (mechri thanatou, thanatou de staurou)

  • μέχρι (mechri): até o limite, até o extremo.
  • O segundo “morte” com δέ (de) dá ênfase: não foi qualquer morte — foi a morte mais vergonhosa e amaldiçoada do mundo romano.

Teologia: Cristo não parou no sofrimento “aceitável”; foi até o extremo do desprezo humano.


3) Pano de fundo hebraico: “madeiro”, vergonha e sacrifício

3.1 Maldição do madeiro (Dt 21.23)

No AT, o pendurar no madeiro traz uma categoria teológica:

  • “maldito… pendurado no madeiro”
    Isso ilumina o escândalo: o Messias assume, em termos jurídicos e simbólicos, o lugar da maldição.

Conexão paulina: essa linha aparece explicitamente em Gl 3.13, mas está coerente com a lógica do hino: a humilhação atinge o máximo.

3.2 O Servo sofredor (Is 52–53)

Fp 2.8 ressoa com o Servo:

  • obediência sob sofrimento
  • entrega voluntária
  • humilhação seguida de exaltação

Hebraico estruturante:

  • עֶבֶד (eved): servo
  • נָשָׂא (nasa): carregar (culpa)
  • דָּכָא (daka): moído/esmagado

A cruz, então, não é só “trágica”; é vicária (em favor de outros).


4) Cristo como “segundo Adão” e a obediência como fundamento da justificação (Rm 5.19)

4.1 Estrutura federal/representativa

Em Romanos 5, Paulo contrapõe duas cabeças representativas:

  • Adão: desobediência → condenação
  • Cristo: obediência → constituição de muitos como justos

Grego-chave em Rm 5.19:

  • παρακοή (parakoē): desobediência (ouvir “ao lado”, recusar ouvir corretamente)
  • ὑπακοή (hypakoē): obediência (ouvir sob autoridade)

Teologia: a “obediência de Cristo” não é apenas exemplo moral; é ato representativo com efeito jurídico-redentor.


5) “Obra redentora fundamentada na obediência” (Jo 6.38; Hb 12.2; Ef 2.8–9)

5.1 João 6.38 — missão obediente

Cristo define sua missão:

  • descer do céu
  • fazer a vontade do Pai

Isso coloca a cruz dentro de uma linha contínua de obediência: encarnação → vida → cruz.

5.2 Hebreus 12.2 — alegria proposta e perseverança

A cruz é interpretada como:

  • suportar
  • desprezar a vergonha
  • visando a alegria

Cristo não foi “vítima do acaso”; foi obediente com propósito escatológico.

5.3 Efésios 2.8–9 — graça, não mérito

A salvação é aplicada ao crente pela graça, mediante a fé, não por obras.
Mas a base objetiva dessa graça é a obra obediente de Cristo.

Síntese:

  • A salvação não vem da nossa obediência
  • mas da obediência de Cristo por nós
  • e produz em nós uma obediência filial (Rm 12.1)


6) Aplicação: obedecer como resposta ao evangelho (Rm 12.1)

Rm 12.1 chama a oferecer o corpo como sacrifício vivo. O padrão é Cristo:

  • Ele ofereceu a si mesmo (sacrifício)
  • Nós oferecemos a vida (culto)

Obediência cristã não é moeda de troca; é resposta adoradora.


Tabela expositiva (para EBD/ensino)

Elemento

Texto

Termo-chave

Idioma

Raiz/ideia

Sentido exegético

Doutrina

Aplicação

Condição humana

Fp 2.8

σχῆμα

grego

figura/condição

reconhecido como homem

encarnação real

humildade

Humilhação voluntária

Fp 2.8

ταπεινόω

grego

rebaixar-se

decisão ativa

caráter do Reino

renunciar status

Obediência

Fp 2.8

ὑπήκοος

grego

“ouvir sob”

obediência filial

submissão do Filho

obedecer ao Pai

Extremo da obediência

Fp 2.8

μέχρι θανάτου

grego

até o limite

totalidade

suficiência

perseverar

Cruz e vergonha

Fp 2.8

σταυρός

grego

execução vergonhosa

ápice da humilhação

expiação

gratidão

Maldição (fundo)

Dt 21.23

(madeiro)

hebraico

vergonha jurídica

símbolo de maldição

substituição

reverência

Servo sofredor

Is 52–53

עֶבֶד / נָשָׂא

hebraico

servo/carregar

vicária

expiação

serviço

2º Adão

Rm 5.19

ὑπακοή vs παρακοή

grego

obedecer vs desobedecer

cabeça representativa

justificação

fé obediente

Resposta do crente

Rm 12.1

(sacrifício vivo)

culto existencial

entrega

santificação

consagração

SINÓPSE I

A humilhação do Filho revela sua submissão, esvaziamento e obediência até a cruz.

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

A GLÓRIA ETERNA E O ESVAZIAMENTO DE CRISTO
“Jesus Cristo é o Filho de Deus, possuindo em sua própria essência a natureza divina, sendo, portanto, igual ao Pai antes, durante e depois de seu tempo na terra (cf. Jo 1.1; 8.58; 17.24; 20.28; Cl 1.15,17; Mc 1.11; veja o artigo Os Atributos de Deus, p. 1025). Em outras palavras, Jesus é, foi e sempre será Deus. O fato de Cristo não ter considerado ‘usurpação ser igual a Deus’ significa que Ele, voluntariamente, abriu mão de seus privilégios e de sua glória celestial para viver na terra como homem e, por fim, entregar a sua vida a fim de que pudéssemos ser salvos. A expressão grega utilizada é ekenōsen (do verbo kenoō, derivado de kenos, ‘vazio, vão’), que literalmente significa ‘ele esvaziou-se’. Isso não quer dizer que Jesus tenha renunciado à sua divindade (isto é, à sua plena natureza como Deus), mas que voluntariamente deixou de lado suas prerrogativas divinas, incluindo sua glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza (2Co 8.9), direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e o uso de seus atributos como Deus (Jo 5.19; 8.28; 14.10). Esse esvaziamento implicou não apenas a suspensão voluntária de seus privilégios divinos, mas também a aceitação do sofrimento humano, de maus-tratos, do ódio e, em última instância, da maldição da morte na cruz” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.2199).

II – A OBRA REDENTORA DO FILHO

1- A ineficácia do sacerdócio levítico. O sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur), levando sangue alheio — o sangue de animais — para fazer propiciação por seus próprios pecados e pelos do povo (Lv 16.11-15). Esse sacrifício era repetido anualmente porque não era suficiente para remover o pecado (Hb 9.25). O sumo sacerdote terreno era uma figura (tipo) de Cristo, que é o real e eterno Sumo Sacerdote (Hb 2.17). O santuário terreno era uma sombra (Hb 8.5), mas Cristo entrou no céu mesmo, para interceder por nós diante do Pai (Hb 8.1,2). A entrada única de Cristo no santuário com seu próprio sangue nos assegura uma eterna redenção (Hb 9.12). Por ser imperfeito, o sacerdócio levítico foi substituído por um superior, o sacerdócio de Cristo (Hb 7.23,24).

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

II – A OBRA REDENTORA DO FILHO

1) A ineficácia do sacerdócio levítico (Lv 16; Hb 7–10)

1. Contexto: por que o sacerdócio levítico “não resolve” definitivamente?

O ponto de Hebreus não é desmerecer Levítico como “erro religioso”, mas explicar sua função tipológica: o culto levítico era sombra/pedagogia que apontava para a realidade final em Cristo (Hb 8.5; 10.1).

O sistema era santo e instituído por Deus, mas era provisório e, por design, repetitivo — e a repetição, em Hebreus, é argumento teológico: se precisa repetir, é porque não consumou.


2. Raízes hebraicas do Dia da Expiação (Lv 16)

2.1 Yom Kippur: o “dia” e a “função”

  • יוֹם (yôm) = dia
  • כִּפּוּרִים (kippurîm) vem da raiz כפר (kpr) = “fazer expiação/propiciação”, com a ideia de cobrir, purificar, reconciliar (o sentido exato é debatido na academia, mas em Lv 16 claramente envolve purificação do santuário e remoção de impureza/culpa).

Teologia do dia: não é “ritual decorativo”. É o dia em que a culpa/impureza que contaminou o povo e o santuário é tratada para manter a comunhão do Deus santo com o povo.

2.2 O sumo sacerdote e o lugar mais santo

  • כֹּהֵן גָּדוֹל (kohen gadol) = sumo sacerdote
  • קֹדֶשׁ הַקֳּדָשִׁים (qodesh haqqodashim) = Santo dos Santos
  • “entrar” no Santo dos Santos é aproximação do centro do culto sob risco de morte, porque Deus é santo.

2.3 “Sangue alheio”: o princípio sacrificial

  • דָּם (dam) = sangue
  • נֶפֶשׁ (nefesh) = vida (Lv 17.11: “a vida… está no sangue”)

O sangue no AT não é “mágico”; é símbolo-ato de que vida é dada para que a comunhão seja preservada. Mas em Lv 16 o sacerdote entra com sangue de animais:

  • primeiro por si (Lv 16.11)
  • depois pelo povo (Lv 16.15)

Isso revela a fragilidade do mediador: ele é parte do problema (pecador) e precisa de expiação.


3. O argumento teológico de Hebreus (Hb 7–10) em diálogo com Levítico

Hebreus foi escrito em grego, mas sua lógica está assentada na arquitetura do culto hebraico.

3.1 Repetição anual = sinal de insuficiência final

Você captou bem: Hb 9.25 explica que o sumo sacerdote “entra cada ano” com sangue alheio. A repetição é o “termômetro” do sistema.

Ideia-chave em Hebreus: o culto levítico realiza uma purificação ritual e provisória, mas não produz consumação de consciência (Hb 9.9–10; 10.1–4).

3.2 “Sombra” e “realidade”

Hb 8.5: o santuário terreno é “sombra” do celestial.

  • Pano de fundo hebraico: a tenda/templo era o “lugar do encontro”, mas não podia conter Deus; era sinal pedagógico da presença e da aproximação regulada.

3.3 Cristo como Sumo Sacerdote perfeito e eterno

Hb 2.17 e 7.23–24: o sacerdócio levítico é interrompido pela morte; Cristo possui sacerdócio permanente.

  • Aqui o contraste é ontológico: mediadores morrem; Cristo vive.

3.4 A entrada única com “seu próprio sangue” e “redenção eterna”

Hb 9.12: Cristo entra “uma vez por todas” (ἅπαξ) e obtém “eterna redenção”.
No seu vocabulário hebraico:

  • Levítico tratava a manutenção anual da comunhão pactual;
  • Cristo realiza aquilo para o qual o sistema apontava: uma expiação eficaz e definitiva.

4. Síntese teológica do seu tópico (em linguagem de doutrina)

O sacerdócio levítico era ineficaz no sentido de consumação final, porque:

  1. o mediador era pecador (precisava de expiação)
  2. o sangue era alheio (animal, tipológico)
  3. o rito era repetitivo (anual)
  4. a purificação era externa/ritual (sem consumar a consciência)
  5. o sacerdócio era mortal e transitório

Cristo supera tudo isso porque:

  1. é santo e sem pecado
  2. oferece a si mesmo (sangue próprio: vida do mediador perfeito)
  3. entra uma vez por todas
  4. purifica a consciência e inaugura nova aliança
  5. vive para sempre e intercede continuamente

5. Opiniões de escritores cristãos (para enriquecer seu material)

  • John Owen (Comentário de Hebreus): enfatiza que a repetição dos sacrifícios evidencia que eles não efetuavam remoção definitiva do pecado; serviam como ordenanças divinas para conduzir à necessidade do Sacerdote perfeito.
  • F. F. Bruce (The Epistle to the Hebrews): destaca a lógica “tipologia → cumprimento”: o tabernáculo e seus ritos apontam para a realidade celestial e para a obra final de Cristo.
  • William L. Lane (Hebrews, WBC): sublinha que Hebreus contrasta “purificação ritual” com “consumação” e que a entrada de Cristo no céu representa a eficácia escatológica do sacrifício.
  • R. C. Sproul (linha teológica reformada, síntese): a santidade de Deus exige expiação real; Cristo realiza aquilo que o símbolo não podia consumar.

6. Tabela expositiva (EBD / aula)

Elemento

Levítico 16 (hebraico)

Hebreus (cumprimento)

Palavra/raiz

Sentido

Ênfase teológica

Dia da expiação

יוֹם כִּפּוּרִים

Consumação em Cristo

כפר (kpr)

expiar/purificar

comunhão com Deus santo

Mediador

כֹּהֵן גָּדוֹל

Cristo Sumo Sacerdote eterno

(função sacerdotal)

aproximação representativa

Cristo como mediador perfeito

Lugar

קֹדֶשׁ הַקֳּדָשִׁים

“céu mesmo” (Hb 9.24)

קדש (qdš)

santidade máxima

realidade > sombra

Sangue

דָּם (animal)

“seu próprio sangue”

דם / נפש

vida dada

sacrifício eficaz

Repetição

anual

uma vez por todas

(ideia de repetição)

insuficiência final do tipo

suficiência de Cristo

Resultado

manutenção ritual

redenção eterna

(redenção)

libertação definitiva

nova aliança consumada

Sacerdócio

transitório (morte)

permanente

חיים (vida)

continuidade

intercessão contínua

7. “De Yom Kippur à Redenção Eterna: a tipologia levítica e a suficiência do sacerdócio de Cristo em Hebreus 7–10”

Tese

O rito anual do Yom Kippur (Lv 16) funciona como pedagogia tipológica: sua repetição, mediação imperfeita e sangue alheio revelam a necessidade de um mediador definitivo. Hebreus interpreta esse sistema como sombra e mostra Cristo como Sumo Sacerdote eterno, cujo sacrifício único e entrada no céu obtêm redenção eterna e consumam aquilo que o levítico apenas representava.

Estrutura 

  1. O problema do exílio do sagrado: santidade de Deus e contaminação do culto
  2. Lv 16: função do kpr e a arquitetura do encontro (sangue, santuário, mediador)
  3. Hebreus 8–10: sombra/realidade, repetição/consumação, animal/Cristo
  4. Implicações: segurança da salvação, consciência purificada, culto cristão cristocêntrico

2- O Sacrifício único e suficiente. Na Antiga Aliança, ofereciam-se sacrifícios continuamente pelo pecado por causa da ineficácia dessas ofertas (Hb 9.25; 10.1-4). Diferente do sistema levítico, a morte de Jesus foi definitiva, completa e eficaz: “assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.28a). A expressão “uma vez” (gr. hápax) indica que não há necessidade de repetição: o que Ele fez é perfeito e eterno (Hb 10.10). A salvação não é por causa dos méritos ou rituais, mas ela é plena e gratuita, alcançada pela fé na obra consumada de Jesus (Jo 19.30). Cristo, ao morrer, rasgou o véu que separava o homem da presença de Deus (Mt 27.51). Não há outro meio de salvação, nenhuma outra oferta, nenhum outro nome (At 4.12). O Calvário é suficiente. Jesus é tudo!

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

II – A OBRA REDENTORA DO FILHO

2) O Sacrifício único e suficiente

1. Contexto bíblico-teológico

Hebreus foi escrito para cristãos com forte ligação ao judaísmo que enfrentavam a tentação de retornar ao sistema levítico. O autor argumenta que:

  • o culto antigo não era falso
  • mas provisório e tipológico

Seu papel era apontar para o sacrifício definitivo.

Por isso ele insiste na comparação:

Sistema levítico

Obra de Cristo

repetição

unicidade

sangue animal

auto-oferta

purificação ritual

redenção eterna

acesso limitado

acesso aberto

2. Raiz hebraica do sistema sacrificial

Para compreender Hebreus, precisamos entender o vocabulário de Levítico.

2.1 Pecado e expiação

  • חַטָּאת (ḥaṭṭā’t) — pecado/oferta pelo pecado
  • כָּפַר (kāphar) — expiar, cobrir, reconciliar
  • דָּם (dam) — sangue (vida oferecida; Lv 17.11)

O sacrifício levítico cobria e purificava ritualmente, mas não removia definitivamente a culpa moral diante de Deus.

👉 Essa é exatamente a afirmação de Hb 10.4:

“é impossível que o sangue de touros e bodes remova pecados”


3. Exegese central de Hebreus

3.1 Sacrifícios repetidos (Hb 9.25; 10.1–4)

O argumento teológico é lógico:

Se o sacrifício resolvesse definitivamente:

  • não seria repetido
  • não deixaria consciência de culpa
  • não exigiria sacerdócio contínuo

A repetição revela limitação estrutural.


3.2 “Uma vez” — o núcleo cristológico (Hb 9.28)

Palavra-chave grega

ἅπαξ (hápax)
Significa:

  • uma vez por todas
  • ato irrepetível
  • eficácia permanente

Essa palavra é central na cristologia sacrificial de Hebreus.

Implicação teológica

  • Cristo não repete o sacrifício
  • não há complemento humano
  • não existe “nova oferta”

👉 A obra é completa.


3.3 O sacrifício de si mesmo

Ao contrário do sacerdote levítico:

  • ele oferece sangue alheio
  • Cristo oferece a si mesmo

Isso resolve duas limitações:

1️⃣ o mediador é perfeito
2️⃣ a oferta é perfeita

Esse é o ponto culminante da teologia de Hebreus.


4. João 19.30 — a consumação

τετέλεσται (tetelestai)
Verbo no perfeito grego:

  • concluído
  • realizado plenamente
  • efeitos permanentes

Não significa “terminou” —
significa a obra redentora está completa e permanece eficaz.


5. O véu rasgado (Mt 27.51)

O véu separava o Santo dos Santos.

Pano de fundo hebraico:

  • פָּרֹכֶת (parokhet) — cortina sagrada
  • barreira entre Deus santo e humanidade pecadora

Rasgar o véu simboliza:

  • acesso aberto
  • fim da mediação ritual
  • nova ordem sacerdotal

Hebreus interpreta isso como acesso livre pela obra de Cristo.


6. Exclusividade da salvação (At 4.12)

A conclusão teológica inevitável:

Se o sacrifício é perfeito
→ não há alternativa complementar

Cristologia exclusivista bíblica:

  • único sacrifício
  • único mediador
  • único nome salvador

Não por intolerância religiosa, mas por coerência redentiva.


7. Síntese teológica do ponto

O sacrifício de Cristo é:

único (hápax)
substitutivo
perfeito
eterno
suficiente

Ele não apenas cobre o pecado
— ele trata sua raiz e sua culpa diante de Deus.


Tabela expositiva (EBD / ensino)

Elemento

AT (hebraico)

NT (cumprimento)

Palavra-chave

Sentido

Ênfase

Sacrifícios repetidos

Lv 16

Hb 10.1–4

כפר

cobertura ritual

insuficiência final

Sangue

דָּם

Hb 9

vida oferecida

substituição

tipologia

Pecado

חטאת

Hb 10

culpa

necessidade de expiação

condição humana

Oferta única

Hb 9.28

ἅπαξ

uma vez por todas

suficiência

Obra consumada

Jo 19.30

τετέλεσται

completa

eficácia eterna

Véu

פָּרֹכֶת

Mt 27.51

acesso

comunhão aberta

nova aliança

Salvação exclusiva

At 4.12

Nome

mediação única

cristologia central

Conclusão pastoral-teológica

Seu fechamento está teologicamente sólido:

👉 O Calvário não é um capítulo — é o eixo da história da redenção.
👉 Não é complemento ritual — é solução definitiva.
👉 Não é símbolo emocional — é realidade eficaz.

Cristo não apenas participa da salvação:
Ele é a própria suficiência dela.

3- A substituição vicária. A expressão “vicária” vem do latim vicarius, que significa “em lugar de outro”. A substituição vicária é inseparável da justiça divina (Rm 3.26). O pecado não pode ser ignorado, e precisa ser punido (Rm 5.21). Em virtude disso, Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou para morrer em nosso lugar, assumindo sobre si a penalidade que nos era destinada (Rm 8.32). No sistema sacrificial da Lei, os animais oferecidos tipificavam essa substituição, mas não removiam o pecado (Hb 10.4). Em Cristo, o Cordeiro de Deus, a substituição é perfeita e definitiva: “na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26b). Assim, em adoração devemos viver para Cristo que por nós morreu (2 Co 5.15).

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

II.3 — A Substituição Vicária

1) O conceito: “em lugar de outro”

Seu ponto está correto: “vicária” (lat. vicarius) significa “substituto/representante”. Em teologia bíblica, a substituição de Cristo é:

  • representativa (ele age como Cabeça/Segundo Adão)
  • vicária (ele sofre/assume em favor de outros)
  • penal (ele lida com a penalidade real do pecado)

Essas dimensões se encaixam especialmente bem em Romanos e Hebreus.


2) A substituição e a justiça divina (Rm 3.26)

2.1 Contexto de Romanos 3

Romanos 1–3 apresenta o diagnóstico universal: judeus e gentios estão debaixo do pecado. Então Paulo explica o “como” Deus salva sem violar sua santidade.

Grego-chave (Rm 3.25–26)

  • ἔνδειξις (endeixis) — demonstração pública
  • δικαιοσύνη (dikaiosynē) — justiça (retidão judicial e fidelidade pactual)
  • δίκαιος καὶ δικαιοῦντα (dikaios kai dikaiounta) — “justo e o que justifica”

Teologia: Deus permanece justo e ao mesmo tempo justificador. A cruz não é “Deus ignorando pecado”; é Deus tratando o pecado de modo que a justiça seja preservada.

Aqui a substituição vicária funciona como “ponte” entre justiça e misericórdia.


3) O pecado não é ignorável: realeza do pecado e realeza da graça (Rm 5.21)

Grego-chave

  • ἐβασίλευσεν (ebasileusen) — reinou (pecado como poder)
  • χάρις (charis) — graça (como poder maior)

Teologia: o pecado não é apenas ato; é potência reinante que gera morte. A obra de Cristo precisa ser forte o suficiente para:

  • satisfazer justiça (dimensão judicial)
  • quebrar o domínio do pecado (dimensão régia/vitória)

A substituição não exclui a vitória; ela a fundamenta.


4) “Não poupou… entregou” (Rm 8.32): o Pai e a entrega do Filho

Grego-chave

  • οὐκ ἐφείσατο (ouk epheisato) — não poupou (linguagem de alto custo)
  • παρέδωκεν (paredōken) — entregou (ato deliberado)

Teologia: a cruz é trinitária:

  • o Pai entrega,
  • o Filho se entrega,
  • o Espírito aplica (Rm 8).

Isso impede leituras distorcidas do tipo “Pai contra Filho”. É um único propósito redentor no Deus triúno.


5) Tipologia levítica e sua limitação (Hb 10.4)

Hebreus afirma:

“é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados”

Pano de fundo hebraico

  • דָּם (dam) — sangue (vida oferecida; Lv 17.11)
  • כפר (kpr) — expiar/purificar/reconciliar
  • animais são tipos: apontam para substituição, mas não têm valor pessoal-moral infinito

Teologia: o sistema levítico era pedagógico:

  • ensinava que pecado custa vida
  • ensinava que aproximação exige expiação
  • apontava para o sacrifício perfeito


6) Hb 9.26: “aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”

Grego-chave

  • ἅπαξ (hapax) — uma vez por todas
  • ἀθέτησις (athetēsis) — anulação/remoção (tornar inoperante)
  • θυσία (thysia) — sacrifício
  • ἑαυτοῦ (heautou) — de si mesmo (auto-oferta)

Teologia: Cristo não apenas “cobre”; ele remove o poder acusador e condenatório, inaugurando uma nova situação diante de Deus.

Pano de fundo hebraico: “carregar” pecados (Isaías 53)

Embora você não tenha citado Isaías 53 aqui, ele é o grande texto do AT para substituição:

  • נָשָׂא (nasa) — carregar
  • עָוֹן (‘avon) — iniquidade
    Ele “carrega” o que era nosso.

7) Finalidade ética e doxológica (2Co 5.15)

Paulo fecha com ética da gratidão:

  • Cristo morreu “por todos” → para que os que vivem não vivam para si.

Grego-chave

  • ἵνα (hina) — propósito
  • μηκέτι ἑαυτοῖς ζῶσιν (mēketi heautois zōsin) — não viver mais para si

Teologia: substituição vicária não é “licença moral”; é fundamento da nova vida (adoração prática).


8) Síntese doutrinária equilibrada

A substituição vicária, biblicamente, opera em camadas:

  1. Judicial: Cristo assume a condenação que era nossa (Rm 3; Rm 8)
  2. Cultual: Cristo é oferta definitiva que purifica e reconcilia (Hebreus)
  3. Regal/Vitória: ao lidar com culpa, derrota o poder do pecado (Rm 5.21)
  4. Ética: gera vida para Deus, não para o eu (2Co 5.15)

Tabela expositiva (EBD / ensino)

Eixo

Texto

Termo-chave

Idioma

Raiz/ideia

Sentido

Implicação

Justiça e justificação

Rm 3.26

δικαιοσύνη / δικαιοῦν

grego

justiça/justificar

Deus é justo e salva

cruz necessária

Pecado como poder

Rm 5.21

ἐβασίλευσεν

grego

reinar

pecado reina → morte

graça reina em Cristo

Entrega do Filho

Rm 8.32

παρέδωκεν

grego

entregar

ato redentor deliberado

custo da graça

Tipologia sacrificial

Hb 10.4

(sangue)

hebraico/fundo

דָּם / כפר

vida por expiação

insuficiência animal

Oferta definitiva

Hb 9.26

ἅπαξ / ἀθέτησις

grego

uma vez / anular

remoção eficaz do pecado

suficiência eterna

Fundo profético

Is 53

נָשָׂא / עָוֹן

hebraico

carregar / iniquidade

substituição vicária

expiação

Resultado ético

2Co 5.15

ἵνα… ζῶσιν

grego

propósito

viver para Cristo

santificação


Você pode encerrar este tópico com uma frase teológica forte e bíblica:

Deus não ignora o pecado; Ele o julga em Cristo.
E, porque Cristo morreu por nós, agora vivemos para Ele.

SINÓPSE II

A obra redentora de Cristo é única, suficiente e vicária, garantindo nossa salvação.

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“O SANGUE DE JESUS CRISTO.
O sangue de Jesus Cristo, que representa o seu sacrifício pelos nossos pecados, está intimamente ligado ao conceito de redenção no Novo Testamento, isto é, à salvação espiritual […]. Ao morrer na cruz, Jesus derramou o seu sangue inocente para remover os nossos pecados e restaurar a possibilidade de desfrutarmos de um relacionamento correto com Deus (Rm 5.8,19; Fp 2.8; cf. Lv 16). Por meio de seu sangue, Jesus realizou uma grande obra:
(1) Seu sangue fornece o perdão para os pecados de todos aqueles que se convertem de suas próprias maneiras e depositam sua fé em Cristo (Mt 26.28). (2) Seu sangue resgata (isto é, restaura) todos os verdadeiros crentes do controle de Satanás e dos poderes malignos (At 20.28; Ef 1.7; 1 Pe 1.18-19; Ap 5.9; 12.11). (3) Seu sangue justifica (isto é, torna correto com Deus) todos os que confiam a vida a Ele (Rm 3.24-25)” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.2315).

III – A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO

1- Recebido à destra do Pai. Após sua humilhação voluntária, o Filho foi entronizado nos céus com glória eterna: “pelo que também Deus o exaltou soberanamente” (Fp 2.9a). A exaltação de Cristo está ligada à sua obediência perfeita (Fp 2.8). O verbo “exaltou” (gr. hyperypsōsen) denota uma elevação acima de toda medida. Cristo não apenas venceu a morte, mas foi exaltado à posição suprema no Universo. Ocupou o lugar de honra à destra do Pai — símbolo de autoridade, glória e soberania (Hb 1.3). Estar assentado ali expressa o reconhecimento divino da obra completa do Filho (Jo 17.4,5). Cristo não apenas voltou para o céu, Ele assentou-se no trono (Ap 3.21). Sua exaltação garante nosso acesso à presença de Deus. Ele intercede por nós (Rm 8.34), e reina como Rei dos reis (Ap 19.16).

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

 III — A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO

1) Recebido à destra do Pai

1. Contexto teológico: o movimento humilhação → exaltação

Filipenses 2.6–11 descreve o arco cristológico clássico:

1️⃣ preexistência
2️⃣ encarnação
3️⃣ humilhação
4️⃣ morte
5️⃣ exaltação

A exaltação não é evento isolado — é a vindicação divina da obediência do Filho.

Fp 2.9 liga diretamente:

“Por isso Deus o exaltou…”

Ou seja:

  • a cruz não termina em derrota
  • a obediência culmina em entronização

Isso ecoa o padrão do Servo em Isaías 52.13 — humilhação seguida de exaltação.


2. Exegese do verbo “exaltou”

Grego

ὑπερύψωσεν (hyperypsōsen)

  • hyper = acima, além
  • hypsoō = elevar

Sentido

  • superexaltar
  • elevar à supremacia absoluta
  • colocar acima de qualquer hierarquia criada

Não é simples “honra”; é entronização cósmica.

Teologia

Deus não apenas restaura Cristo — Ele o declara publicamente Senhor universal.


3. “À destra do Pai”: pano de fundo hebraico essencial

3.1 Raiz bíblica da expressão

A imagem vem do AT:

Hebraico

יָמִין (yamin) — direita

Simboliza:

  • poder
  • vitória
  • autoridade real
  • proximidade privilegiada

Texto-chave

Salmo 110.1

“Assenta-te à minha direita…”

Este é o texto mais citado messianicamente no NT.


3.2 Sentido teológico da entronização

Sentar-se à direita significa:

participação no governo divino
autoridade judicial
dignidade real
obra consumada

Hebreus 1.3 usa isso como prova da superioridade do Filho.


4. “Assentar-se”: dimensão sacerdotal

Hebreus enfatiza algo crucial:

Sacerdotes levíticos ficavam em pé — trabalho contínuo
Cristo sentou-se — obra concluída

Grego

ἐκάθισεν (ekathisen) — sentou-se

Indica:

  • sacrifício aceito
  • missão cumprida
  • reinado iniciado

5. A exaltação como reconhecimento da obra (Jo 17)

Jesus pede glorificação não como ganho novo, mas como retorno à glória eterna.

Hebraico de fundo

כָּבוֹד (kavod)

  • peso
  • majestade
  • manifestação da presença divina

Cristo não ganha divindade — a glória encarnacional velada é plenamente manifestada.


6. Dimensões da exaltação segundo o NT

6.1 Intercessão contínua

Rm 8.34
Cristo intercede como mediador vivo.

Teologia:

  • salvação aplicada continuamente
  • segurança do crente

6.2 Reinado universal

Ap 19.16
Rei dos reis

Isso conecta:

  • messianismo davídico
  • soberania escatológica
  • juízo final

6.3 Acesso a Deus

Hebreus mostra:

Cristo entronizado = acesso aberto ao Pai

Não apenas vitória pessoal — benefício redentivo comunitário.


7. Opiniões de escritores cristãos

N. T. Wright

A exaltação é a entronização messiânica que inaugura o reinado escatológico de Deus através de Jesus.

F. F. Bruce

O assentar-se demonstra finalização do sacrifício e início da mediação celestial permanente.

John Stott

A cruz e a exaltação são inseparáveis — Cristo reina como o Cordeiro que foi morto.

Karl Barth

A exaltação revela quem Cristo sempre foi — a humilhação não negou sua glória; a revelou.


8. Síntese teológica do tópico

A exaltação gloriosa afirma que Cristo:

foi vindicado
entronizado
glorificado
reconhecido universalmente
ativo como mediador
soberano como Rei

Não é apenas retorno ao céu — é inauguração do governo messiânico universal.


Tabela expositiva 

Elemento

Texto

Termo

Idioma

Ideia central

Doutrina

Exaltação

Fp 2.9

hyperypsōsen

grego

superelevação

vindicação divina

Destra

Sl 110 / Hb 1

yamin

hebraico

autoridade

reinado messiânico

Assentar-se

Hb 1.3

ekathisen

grego

obra concluída

sacerdócio perfeito

Glória

Jo 17

kavod

hebraico

majestade

divindade revelada

Intercessão

Rm 8.34

mediação viva

segurança

Reinado

Ap 19.16

soberania universal

escatologia

Acesso

Hebreus

presença aberta

nova aliança

A Entronização do Filho: A exaltação cristológica como vindicação, mediação e reinado universal

Tese

A exaltação de Cristo constitui o reconhecimento divino da eficácia redentora da cruz e inaugura sua função contínua como mediador e soberano, cumprindo as expectativas messiânicas do AT e fundamentando a esperança escatológica da Igreja.

Estrutura sugerida

  1. Filipenses 2 e a lógica da exaltação
  2. Salmo 110 e a base hebraica do assento real
  3. Hebreus e o sacerdócio entronizado
  4. Apocalipse e a soberania final
  5. Implicações soteriológicas e eclesiológicas

2- Um nome acima de todo nome. Cristo recebeu de Deus Pai “um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9b). Na Bíblia, o nome carrega o sentido de caráter e autoridade. Dessa forma, dizer que Cristo recebeu um nome sobre-excelente, a Escritura afirma que nenhuma autoridade, seja visível ou invisível, se compara ao seu poder e posição (Ef 1.21a). Isso significa que Cristo foi exaltado acima de toda eminência do bem e do mal, e de todo título que se possa conferir nessa era e também no porvir (Ef 1.21b). Não existe poder algum que seja maior e nem mesmo igual ao poder de Cristo (1 Pe 3.22). Portanto, o nome de Jesus não é apenas um símbolo de fé, mas uma fonte real de autoridade espiritual. O Senhor delegou à Igreja o uso de seu nome, para curar, libertar, pregar e vencer as forças do mal (Mc 16.17,18).

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

III.2 — Um nome acima de todo nome (Fp 2.9b)

1) Contexto: “nome” dentro do hino (Fp 2.6–11)

Fp 2.9b não pode ser isolado dos vv.10–11. Paulo não está apenas dizendo que Jesus recebeu “um título bonito”, mas que sua exaltação culmina em:

  • submissão universal (“todo joelho”)
  • confissão universal (“toda língua”)
  • conteúdo da confissão: “Jesus Cristo é Senhor (Kyrios)”
  • finalidade: “para glória de Deus Pai”

Logo, o “Nome” é inseparável do senhorio universal do Cristo exaltado.


2) Exegese do grego: “um nome… sobre todo nome”

2.1 “Nome”

  • ὄνομα (onoma) = nome
    No mundo bíblico, “nome” = identidade, caráter, autoridade e direito de governo.

2.2 “Deu” / “concedeu”

  • ἐχαρίσατο (echarisato) = concedeu graciosamente
    Raiz de χάρις (charis): graça.
    O “Nome” é dado como ato de vindicação e graça — não como prêmio de vaidade, mas como reconhecimento público do Pai sobre o Filho obediente.

2.3 “Sobre todo nome”

  • τὸ ὄνομα τὸ ὑπὲρ πᾶν ὄνομα (to onoma to hyper pan onoma)
    ὑπέρ (hyper) = acima, superior a, para além.
    Isso significa supremacia real sobre qualquer outra autoridade criada.


3) Pano de fundo hebraico: a “teologia do Nome”

No AT, “nome” é categoria de aliança e presença.

Hebraico-chave

  • שֵׁם (shem) = nome
    carrega ideia de reputação, essência revelada, autoridade.

Além disso, o “Nome” de Deus (YHWH) é sagrado:

  • יהוה (YHWH) = Nome do Deus de Israel
    Na tradução grega do AT (LXX), frequentemente renderizado como:
  • Κύριος (Kyrios) = Senhor

Ponto crucial: em Fp 2.10–11, Paulo aplica a Jesus a linguagem de Isaías 45.23 (onde YHWH declara que todo joelho se dobrará). Isso coloca a confissão “Jesus Cristo é Kyrios” no espaço do Nome divino, mantendo a glória do Pai.

👉 Portanto, o “nome acima de todo nome” não é meramente “Jesus” como som, mas a dignidade/autoridade do Cristo exaltado como Senhor.


4) Como isso se conecta com Ef 1.21 e 1Pe 3.22?

Seu uso desses textos é bem pertinente.

Efésios 1.21

Paulo afirma que Cristo está:

  • acima de todo principado, potestade, poder e domínio
  • e acima de todo “nome que se nomeia” no presente e no porvir

Isso reforça Fp 2.9: supremacia universal, inclusive sobre o mundo invisível (ordens angelicais e poderes).

1 Pedro 3.22

Cristo está à direita de Deus, e a ele estão sujeitos:

  • anjos
  • autoridades
  • poderes

Teologia: o “Nome” implica sujeição cósmica: toda ordem criada é subordinada ao Cristo entronizado.


5) “Autoridade espiritual” e o uso do Nome de Jesus (Mc 16.17–18; Atos)

Aqui vai um ponto importante para manter o ensino sólido:

5.1 O “Nome” não é fórmula mágica

No NT, agir “em nome de Jesus” significa agir:

  • sob sua autoridade
  • em fidelidade ao seu caráter
  • em conformidade com sua missão

Ou seja: nome = senhorio.

5.2 A Igreja recebe missão e autoridade derivadas

Em Atos, os apóstolos curam e pregam “em nome de Jesus”, mas sempre com:

  • fé obediente
  • submissão à vontade de Deus
  • centralidade do evangelho

5.3 Nota textual em Mc 16.17–18

Algumas Bíblias anotam que Mc 16.9–20 tem questões de manuscritos (há debate textual). Mesmo assim, a doutrina do agir no nome de Jesus não depende exclusivamente desse trecho, pois está abundantemente presente em Lucas-Atos e em João (por exemplo, João 14–16 sobre pedir em seu nome e missão).


6) Implicações teológicas do “Nome acima de todo nome”

  1. Cristologia: Jesus participa da autoridade divina como Kyrios.
  2. Soteriologia: seu senhorio é fruto da obra consumada; não há salvação sem submissão ao Senhor.
  3. Eclesiologia: a Igreja age com autoridade delegada, sempre subordinada à Palavra e ao caráter de Cristo.
  4. Escatologia: o “nome” é reconhecido universalmente no presente e no porvir.

Tabela expositiva (EBD / ensino)

Afirmação

Texto

Termo-chave

Idioma

Raiz/ideia

Sentido exegético

Aplicação

“Deu um nome”

Fp 2.9

ἐχαρίσατο

grego

graça (χάρις)

vindicação/graciosa concessão

adoração

“Nome” como autoridade

Fp 2.9–11

ὄνομα

grego

identidade/autoridade

senhorio de Cristo

obediência

“Sobre todo nome”

Fp 2.9

ὑπὲρ

grego

supremacia

nenhum rival

confiança

Fundo hebraico do Nome

AT

שֵׁם

hebraico

caráter/presença

nome revela e governa

reverência

Kyrios e YHWH

Is 45.23 ↔ Fp 2.10–11

Κύριος / יהוה

grego/hebraico

Senhor divino

confissão monoteísta cristológica

confissão pública

Supremacia cósmica

Ef 1.21; 1Pe 3.22

“acima/sujeito”

grego

domínio universal

poderes submetidos

coragem espiritual

Igreja e o Nome

Atos/João

“em nome de Jesus”

autoridade delegada

missão sob senhorio

pregar, servir, orar


O “Nome acima de todo nome” é a declaração pública do Pai de que Jesus Cristo é o Senhor soberano. A Igreja não usa esse Nome como amuleto, mas como autoridade delegada para cumprir a missão de Cristo com fidelidade, santidade e coragem.

3- Soberania universal e retorno triunfal. A Escritura revela que todas as criaturas se curvarão diante do nome de Jesus (Fp 2.10). Essa verdade aponta para a plena soberania de Cristo (At 2.36). A confissão universal de que “Jesus Cristo é o Senhor” se dará de duas maneiras: voluntária, por aqueles que creem e servem a Jesus como Salvador (Rm 10.9,10), e, compulsória, por aqueles que o rejeitaram, mas que o reconhecerão em juízo (Rm 14.11; Fp 2.11). Hebreus completa a visão escatológica da soberania de Cristo, afirmando que Ele voltará para levar para si os que o esperam (Hb 9.28). Essa vinda será em glória, poder e juízo (Mt 24.30). Sua glória será reconhecida por todos — para salvação ou para condenação. Ele voltará, triunfante, para buscar a sua Igreja e reinar eternamente (Jo 14.2,3; Ap 11.15).

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

III — A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO

3) Soberania universal e retorno triunfal

1. Contexto bíblico: a culminação do hino cristológico

Filipenses 2.10–11 representa o clímax da narrativa:

  • humilhação → cruz → exaltação → submissão universal

Paulo não descreve apenas devoção cristã; ele descreve um evento cósmico inevitável:

Toda criação reconhecerá o senhorio de Cristo.

Isso amplia a cristologia para escatologia: o que é confessado pela Igreja agora será reconhecido universalmente no futuro.


2. Exegese de Filipenses 2.10

Grego-chave

  • κάμψῃ (kampsē) — dobrar, curvar-se
  • πᾶν γόνυ (pan gony) — todo joelho
  • ἐπουρανίων… ἐπιγείων… καταχθονίων
    • céus
    • terra
    • debaixo da terra

Sentido

Universalidade absoluta:

  • seres angelicais
  • humanidade
  • mundo invisível/espiritual

Não há esfera fora do alcance do senhorio de Cristo.


3. Pano de fundo hebraico essencial

Isaías 45.23

Texto-base por trás de Fp 2:

Hebraico

  • “todo joelho se dobrará”
  • declaração de YHWH

Paulo aplica essa linguagem a Jesus → isso é uma afirmação cristológica extremamente elevada.

Implicação

Cristo participa da autoridade divina universal sem romper o monoteísmo bíblico.


4. Confissão voluntária e compulsória

4.1 Confissão salvífica presente

Rm 10.9–10
Confessar κύριος (Kyrios) agora implica:

  • submissão
  • salvação

É a resposta do coração regenerado.

4.2 Confissão judicial futura

Rm 14.11; Fp 2.11

Todos reconhecerão Cristo — inclusive os incrédulos.

Distinção teológica importante

Reconhecimento ≠ redenção
O juízo traz reconhecimento sem reconciliação.


5. Soberania proclamada (At 2.36)

Pedro declara:

Deus fez Jesus Senhor e Cristo

Grego

  • κύριον (Kyrión) — Senhor
  • χριστόν (Christón) — Messias

Isso une:

  • autoridade divina
  • missão messiânica

6. Retorno triunfal — escatologia cristológica

6.1 Hebreus 9.28

Cristo voltará:

  • não para expiar novamente
  • mas para consumar salvação

Grego

  • ἐκ δευτέρου (ek deuterou) — segunda vez
  • σωτηρίαν (sōtērian) — salvação final

6.2 Mateus 24.30

Parousia visível:

  • glória
  • poder
  • juízo

Cristo retorna como Rei revelado.


6.3 João 14.2–3

Dimensão pastoral:

  • promessa de comunhão
  • esperança pessoal

Escatologia não é só juízo; é encontro.


6.4 Apocalipse 11.15

Consumação cósmica:

O reino do mundo se tornou do Senhor

Teologia

  • reinado universal manifesto
  • história encerrada sob o governo messiânico

7. Perspectiva de teólogos cristãos

George Eldon Ladd

O reino já inaugurado será plenamente manifestado na parousia.

N. T. Wright

A confissão universal é o reconhecimento público da entronização messiânica já iniciada.

Anthony Hoekema

A segunda vinda une:

  • redenção dos santos
  • juízo dos ímpios
  • restauração cósmica

John Stott

A esperança cristã está enraizada na certeza do retorno de Cristo como Senhor glorificado.


8. Síntese teológica

A soberania universal de Cristo implica:

domínio presente invisível
reconhecimento universal futuro
retorno glorioso
juízo justo
salvação consumada
reino eterno

A escatologia bíblica não é apenas fim — é revelação plena do senhorio de Cristo.


Tabela expositiva (EBD)

Tema

Texto

Termo-chave

Idioma

Sentido

Doutrina

Submissão universal

Fp 2.10

kampsē

grego

curvar-se

soberania

Base hebraica

Is 45.23

hebraico

autoridade divina

cristologia elevada

Confissão salvífica

Rm 10

Kyrios

grego

fé salvadora

soteriologia

Confissão judicial

Rm 14; Fp 2

reconhecimento inevitável

juízo

Senhorio proclamado

At 2.36

Kyrios/Christos

grego

autoridade messiânica

cristologia

Segunda vinda

Hb 9.28

ek deuterou

grego

retorno

escatologia

Manifestação gloriosa

Mt 24.30

poder

juízo

Comunhão eterna

Jo 14

esperança

consolo

Reino consumado

Ap 11.15

reinado universal

escatologia final


Você pode concluir essa seção com esta síntese:

O senhorio de Cristo já é realidade para a Igreja e será realidade manifesta para toda a criação. Aqueles que hoje confessam com fé experimentarão salvação plena; aqueles que rejeitam reconhecerão sua autoridade no juízo. A história caminha para a revelação final de um único Rei — Jesus Cristo.

SINOPSE III

A exaltação gloriosa de Cristo manifesta sua soberania universal e assegura o triunfo final da Igreja.

CONCLUSÃO

A obra do Filho é completa, suficiente e gloriosa — da humilhação à exaltação. Ele se humilhou para nos salvar, ofereceu-se em sacrifício vicário para nos redimir e foi exaltado para governar eternamente. Como Igreja, somos chamados a viver em comunhão com essa verdade, aguardando o retorno do nosso Senhor e Salvador. Vivamos como servos daquEle que nos serviu com sua vida e nos salvou com seu sangue.

COMENTARIO EXTRA

Comentário de Hubner Braz

Conclusão

1. “A obra do Filho é completa, suficiente e gloriosa”

Essa afirmação sintetiza a cristologia apostólica.

Base bíblica

  • Completa — Jo 19.30 (“τετέλεσται”)
  • Suficiente — Hb 10.14
  • Gloriosa — Fp 2.9–11

Grego-chave

τετέλεσται (tetelestai)

  • perfeito verbal
  • ação concluída com efeitos permanentes
  • sentido: obra consumada de forma irrevogável

Pano de fundo hebraico

A ideia de obra realizada conecta-se ao conceito:

  • מַעֲשֶׂה (ma‘aseh) — obra/feito de Deus na história
  • פָּעַל (pa‘al) — agir eficazmente

A obra do Filho é vista como a culminação da ação redentiva divina iniciada na aliança.


2. “Da humilhação à exaltação”

Esse arco é central em Filipenses 2 e define o padrão cristológico.

Humilhação

  • ταπεινόω (tapeinoō) — rebaixar-se voluntariamente
  • eco hebraico:
    • עָנָו (‘anav) — humildade piedosa dependente de Deus

Exaltação

  • ὑπερύψωσεν (hyperypsōsen) — superexaltar
  • eco hebraico:
    • כָּבוֹד (kavod) — glória manifesta, peso de majestade

Teologia

A glória não é antítese da cruz —
a cruz é o caminho da glória.


3. “Sacrifício vicário para redenção”

Aqui sua conclusão toca o centro soteriológico.

Hebraico sacrificial

  • כָּפַר (kaphar) — expiar/reconciliar
  • נָשָׂא (nasa) — carregar culpa
  • דָּם (dam) — vida oferecida

Essas categorias convergem em Hebreus:

Cristo não cobre provisoriamente
→ remove definitivamente a culpa.


4. “Exaltado para governar eternamente”

Cristologia culmina em realeza.

Hebraico real

  • מֶלֶךְ (melek) — rei
  • יָמִין (yamin) — direita (autoridade)

Salmo 110 fundamenta a teologia:
Cristo entronizado compartilha autoridade soberana.

Implicação

A redenção não é apenas jurídica
→ é reinado restaurador sobre a criação.


5. Dimensão eclesiológica — viver em comunhão com essa verdade

Sua aplicação pastoral está alinhada com o NT:

  • união com Cristo (Rm 6)
  • participação na nova vida (Gl 2.20)
  • esperança escatológica (Tt 2.13)

A igreja vive entre:

  • obra consumada
  • retorno esperado

Essa tensão forma espiritualidade cristã.


6. “Servos daquele que serviu”

Aqui aparece o eixo ético.

Hebraico

עָבַד (‘avad)

  • servir
  • cultuar
  • viver em fidelidade

Serviço cristão não é subserviência —
é resposta litúrgica à graça.


Interação com escritores cristãos

John Stott

A cruz é simultaneamente expiação e revelação do amor de Deus, moldando a vida do discípulo.

Karl Barth

A humilhação e exaltação revelam quem Cristo é eternamente — não eventos isolados.

N. T. Wright

A obra do Filho inaugura o reino, e a igreja vive como comunidade do novo mundo.

F. F. Bruce

Hebreus mostra que a obra de Cristo não apenas substitui o sistema antigo — ela o consuma.


Mini-artigo acadêmico (modelo)

Título

A Integralidade da Obra do Filho: Humilhação, Expiação e Exaltação como eixo da cristologia bíblica

Tese

A obra redentora de Cristo constitui um movimento unitário que integra encarnação, sacrifício vicário e entronização gloriosa, fundamentando tanto a soteriologia quanto a ética eclesial e a esperança escatológica.

Estrutura

  1. Kenosis e encarnação
  2. Sacrifício substitutivo
  3. Entronização messiânica
  4. Vida da igreja entre cruz e parousia

Bibliografia sugerida

  • * John Stott — A Cruz de Cristo
  • * N. T. Wright — Paulo e a Fidelidade de Deus
  • * F. F. Bruce — A Epístola aos Hebreus
  • * Karl Barth — Dogmática da Igreja IV
  • * George Ladd — Uma Teologia do Novo Testamento

Tabela expositiva final

Eixo

Termo-chave

Idioma

Ideia central

Implicação

Obra consumada

τετέλεσται

grego

completude

segurança

Humilhação

ταπεινόω

grego

autoentrega

imitação

Humildade

עָנָו

hebraico

dependência

espiritualidade

Expiação

כָּפַר

hebraico

reconciliação

redenção

Carregar pecado

נָשָׂא

hebraico

substituição

graça

Glória

כָּבוֹד

hebraico

majestade

adoração

Exaltação

ὑπερύψωσεν

grego

supremacia

esperança

Reinado

מֶלֶךְ

hebraico

governo eterno

escatologia

Serviço

עָבַד

hebraico

culto vivo

ética


Você construiu uma conclusão muito bem alinhada com a teologia bíblica. Em termos acadêmicos, ela poderia ser resumida assim:

A obra do Filho não é apenas evento histórico — é o eixo ontológico e redentivo que estrutura a fé cristã, define a identidade da Igreja e orienta a esperança escatológica da criação.

REVISANDO O CONTEÚDO

1- De acordo com a lição, o que significa imitar a mente de Cristo?
Imitar a mente de Cristo significa renunciar ao egoísmo e viver em humildade, amor e obediência.
2- A Obra Redentora do Filho está fundamentada em quê e qual é o resultado dela?
Está fundamentada na obediência completa de Cristo ao Pai; o resultado é a nossa salvação.
3- Por que o sacerdócio levítico foi substituído pelo sacerdócio de Cristo?
Porque o sacerdócio levítico era imperfeito e não removia os pecados; Cristo é o Sumo Sacerdote perfeito.
4- O que a exaltação de Cristo ao voltar para o Céu e assentar-se no trono garante para nós?
Garante-nos acesso à presença de Deus e intercessão contínua de Cristo.
5- O nome de Jesus é um símbolo de fé, mas também uma fonte real de autoridade espiritual. O próprio Senhor delegou à Igreja o uso de seu nome com que finalidade?
Para curar, libertar, pregar e vencer as forças do mal.


Racionalismo: conjunto de teorias filosóficas (platonismo, cartesianismo etc.) fundamentadas na suposição de que a investigação da verdade, conduzida pelo pensamento puro, ultrapassa em grande medida os dados imediatos oferecidos pelos sentidos e pela experiência.
Cientificismoconcepção filosófica de matriz positivista que afirma a superioridade da ciência sobre todas as outras formas de compreensão humana da realidade (religião, filosofia metafísica etc.), por ser a única capaz de apresentar benefícios práticos e alcançar autêntico rigor cognitivo.

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#desafio42dias,6,1° Trimestre de 2020,11,10 Coisas,14,10 Sites,3,1º Trimestre,284,1º Trimestre 2018,1,2023,1,2024,22,2025,1,2º Trimestr,1,2º Trimestre,219,36 Dias De Pureza Sexual,37,3º Trimestre,237,4° TRIMESTRE 2018,1,4º TRIMESTRE,370,A igreja local e missões,50,A Intervenção de Cercília,1,A Mensagem,1,A multiforme sabedoria de Deus,3,A Raça Humana,12,A volta do homem sem rosto,1,Abençoa,6,Abençoadas,6,Abominações,1,Abraão,7,Absalão. 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Mudança começa no dia 29 de julho; haverá um período de adaptação. App's para iphone.,1,Avivado,8,Avivamento,13,Avó,1,Baal,1,Babel,16,bailarina,1,Baixar,57,Balaão,9,Balada Gospel,1,Balzac,1,Banalização,1,Bangu,1,banner,1,Barack Obama,2,Barato,1,Barnabé,2,Base Bíblica,67,Batalha Espirítual,39,Batismo,20,Batismo nas Águas,6,Batista,2,Batom Vermelho,1,Baxterismo,1,BBB,1,Beber,1,Bebês,1,Beijo na Bíblia,1,Beijo Perfeito,3,Bençãos,6,Benhour Lopes,1,Berçário,11,Bernhard Johnson Jr,1,best-seller,5,Bestas,1,Betânia,1,BETEL,298,Betel Adulto,194,Betel Jovem,89,Bíblia,105,Bíblia Diz,27,Bíblias,9,Bíblica,28,biblicas,5,Bíblico,6,Bíblicos,4,Bibliologia,4,Bienal do Livro,10,Bigamia,1,Bilhete,1,Biografia,6,Bispa,1,bissexual,1,BléiaCamp,1,Blíblica,1,BLOG,7,BlogNovela,20,Boaz,11,Bob Marley,1,Boletim,2,Bolsonaro,1,Bom,19,bom-humor,6,Bombom,1,Bondade,2,Bons Sonhos,4,Borboleta,1,Brasil,2,Brasília,1,Brenda Danese,1,Brennan Manning,2,Briga,1,Brincadeira,1,Brother Bíblia,10,Budismo,1,Bullying,1,Busca,9,C. S. 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A. 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Alexandre Marinho,1,Pr. Caio Fábio,2,Pr. Carvalho Junior,1,Pr. Ciro Sanches Zibordi,3,Pr. Claudionor de Andrade,1,Pr. Jaime Rosa,1,Pr. Jeremias Albuquerque Rocha,1,Pr. Marcelo Cintra,5,Pr. Marco Feliciano,8,Pr. Mário de Oliveira,1,Pr. Silas Malafaia,12,Pr. 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Pecador Confesso: Lição 07 - A Obra do Filho | 1° Trimestre de 2026 | EBD ADULTOS CPAD
Lição 07 - A Obra do Filho | 1° Trimestre de 2026 | EBD ADULTOS CPAD
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